O Mais Profundo Eu Somos Nós – 2a. Parte

A Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos – 2ª. Parte

Assim é o Sutra de Lótus. O Sutra de Lótus é extenso e engloba todos os ensinamentos do Buda, reunidos na forma de princípios perfeitos executando a função de exprimir e revelar a Verdade. Podendo ser considerado o “corpo” dos ensinos Budistas, o Sutra de Lótus tem uma identidade: ele é a própria e Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos. O Sutra de Lótus também tem um nome: Saddharma-Pundarika-Sotaram, ou Myoho-Rengue-Kyo, ou Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Analogamente ao exemplo do corpo humano, ao pronunciar-se o nome do Sutra de Lótus precedido de dois caracteres cuja contração NAMU significa devotar a vida; ou seja, Nam-Myoho-Rengue-Kyo, todas as células (ou caracteres) daquele extenso ensinamento são penetradas e passam a executar a função de revelar a vida do Buda. É como ler o Sutra todo, fazendo vibrar harmonicamente todos os seus caracteres e os seus profundos significados. Isto não é natural? Por que não? Os caracteres do Sutra de Lótus são sons que harmonicamente formam expressões sonoras (idéias e princípios) que, como as células, as moléculas de um gás ou as sílabas de um poema perfeito; se estruturam e se arranjam na composição do Sutra. Esse conjunto de sons e significados, por mais heterogêneo que possa parecer (tal como o conjunto de materiais que forma a estrutura de uma ponte), poderá possuir uma freqüência de ressonância? O Mestre da Lei Nitiren Daishonin afirma que sim, e muito mais. Em sua escritura intitulada “Abrindo os Olhos de Imagens de Madeira ou Pintadas”, Nitiren Daishonin afirma: “Desde o falecimento do Buda, têm sido feitas duas espécies de imagens suas: de madeira e pintadas. Elas possuem trinta e uma características, mas falta-lhes a voz pura e de longo alcance. Portanto, não se igualam ao Buda. Elas estão também desprovidas do aspecto espiritual”(5).

Voltando ao exemplo, o nome e a identidade de uma pessoa neste mundo são provisórios. Conforme Nitiren Daishonin revela em seus ensinamentos, a realidade última do âmago da vida de uma pessoa é o próprio Myoho-Rengue-Kyo. Este, portanto, é o verdadeiro nome de todas as pessoas e sua identidade é o Sutra de Lótus.

Ao recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a pessoa não somente está estimulando cada célula do seu próprio corpo para harmoniosamente executarem suas funções, como também está estimulando cada entidade do mundo exterior a executar suas funções em harmonia consigo própria. Esta é uma descrição simples do fenômeno da fusão entre pessoa (sujeito (TI)) e o mundo objetivo (KYO), ou a incorporação da verdadeira doutrina de ITINEN SANZEN. Naquele momento da fusão, a determinação de uma única pessoa permeia todo o seu mundo interior como também seu mundo exterior, ou o próprio universo.

Ao aceitar a identidade do Sutra de Lótus como sendo o repositório da vida do Buda e recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo evocando a si próprio, uma pessoa está na verdade transpondo sua identidade provisória para assumir a sua natureza da Buda. São inimagináveis os benefícios que uma pessoa poderá desfrutar quando todas as funções do universo passarem a funcionar em sua proteção de maneira harmoniosa e coordenada. Creio ser esta a essência da prática do Budismo.

Quando uma pessoa ouve o seu nome, as células que compõem seu cérebro operam de maneira coordenada modulando a voz através do sentido da audição para identificar a origem do chamado ou quem o faz. O mecanismo da visão, composto por inúmeras outras células, busca a direção do chamado. Os membros e todos os outros órgãos esforçam-se fazendo o corpo voltar-se para quem o chama. Assim como a identidade e o nome nesta vida, o corpo também é provisório.

Ao recitar Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a pessoa estimula a mente do Buda. Da mesma maneira, a visão mística do Buda é ativada desenvolvendo e aguçando a percepção do indivíduo e; assim, a vida do Buda que é a causa fundamental da nossa existência, emerge das profundezas de nossas vidas, iluminando-a.

O Mais Profundo Eu Somos Nós – 1a. Parte

5 Comentários

  1. wr disse,

    Fevereiro 10, 2007 às 21:05

    oi

  2. barbara disse,

    Julho 8, 2008 às 17:40

    nam myoho rengue kyo
    a lótus sempre me comove, me anima.
    começo hoje a recitar o mantra mesmo não sendo muito sabedora do ensinamento.
    quero ser lótus
    parabéns pelo site muito belo.

  3. muccamargo disse,

    Julho 8, 2008 às 18:07

    Olá Barbara,
    Embora se julgue não sabedora, você é, no entanto, sábia. Não tenha dúvidas! Recitando Nam-Myoho-Rengue-Kyo, uma enorme estrada se abrirá para você, rumo à Grande Sabedoria.
    Namastê!
    Marcos Ubirajara.

  4. Mário Amorim disse,

    Dezembro 21, 2008 às 23:48

    Olá.
    Gosto muito de recitar mantras,e o namu é o ultimo que estou recitando.
    Este mantra tem por finalidade tambem produzir paz e proteção?
    Ficaria contente em saber.
    Mário.

    • muccamargo disse,

      Dezembro 22, 2008 às 9:02

      Olá Mário! Não tenha dúvidas quanto a isto. O mantra Namu-Myoho-Rengue-Kyo é a entoação do título do Sutra de Lótus. Lê-lo e recitá-lo é como ler e recitar o próprio Sutra. Quanto aos benefícios dessa prática, várias passagens do Sutra de Lótus afirmam serem incomensuráveis. Por exemplo, você poderia ler uma passagem que está no post A Prática do Sutra de Lótus como Ensinada pelo Buda, aqui no Cristal Perfeito. Um grande abraço!

      Marcos Ubirajara.


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