4ª Parte
A turbulência de uma sociedade é medida pelo grau de insatisfação de cada indivíduo. No mundo Budista não há lugar para a lamentação que gera a insatisfação, e que gera a frustração. Este ciclo afasta a pessoa da sua verdadeira função existencial, transformando o lugar onde essa pessoa vive num verdadeiro inferno. Não há grades e cães que bastem para refrear os mais insatisfeitos.
A arte da vida está em edificar sobre escombros. Escombros estes que, antes de significarem a extinção dos valores de uma civilização, sociedade ou experiência individual; significam sim o triunfo da Lei Última da Vida e da Morte. Se assim não o fosse, estaríamos para sempre condenados a trilhar os maus caminhos, sem nenhuma conseqüência para os acertos e erros que perpetramos em cada momento de nossas vidas. Seria como não ter os méritos (bons e maus) do passado e nem o direito ao futuro pelo quê fazemos. Exatamente, os méritos do passado resultam no quê somos, e aquilo quê somos no presente, resultará no quê seremos no futuro.
A arte de edificar sobre escombros requer Sabedoria para identificar a profundidade e robustez dos valores sobre os quais nos apoiaremos; requer Fé para acatar e incorporar a Verdadeira Lei da Vida, a qual em muitos aspectos foge à razão humana; requer Coragem para, honestamente, descartar os falsos valores e soterrá-los para sempre na nova experiência. A isto tudo chamamos “arte” porque o requisito resultante dos três acima citados (Sabedoria, Fé e Coragem) pode ser traduzido simplesmente como talento ou vocação para a vida. Para aqueles que não os possuem, a vida estará mais para um jogo de azar. Mas, para aqueles que os cultivam, não faltará oportunidade para exercitá-los na transposição dos obstáculos naturais que vão desde a resistência do ar, num simples caminhar, até o abismo da ignorância, causa fundamental de todos os sofrimentos. Na ausência da Sabedoria, a Fé e a Coragem possuem um alto poder destrutivo.
Considerando o que foi dito, nunca utilize as tradições transmitidas oralmente ou os escritos da literatura secular como guias ou “Manuais de Instrução para a Auto-Realização”, algo que eles não podem ser devido à limitada visão e experiência dos seus autores. Seu objetivo real deveria ser o de estimular mentes a refletirem acerca das suas próprias experiências, e a buscarem as fontes do verdadeiro saber para a sua emancipação. Fazendo assim, o leitor estará edificando a sua própria torre votiva e, conseqüentemente, estabelecendo a sua própria fé.












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