Mianmar: Voluntários do Dharma, Uní-vos.

Homenagem à Sangua da Birmânia (Mianmar)

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Estava a meditar sobre o massacre dos monges na Birmânia quando recebi este poema de Cristina Margarida Granado, uma amiga de Portugal. Para você, Cristina, uma flor.

Flor de Lótus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2007.

 

27/09/2007.

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A Idéia de Behram Kursunoglu

A nova teoria da eletrodinâmica quântica dissimula a “verdadeira natureza” da carga elétrica e da massa que carrega essa carga na trama cinzenta daquilo que foi chamado “renormalização de carga e massa”. As equações da eletrodinâmica quântica que contém os parâmetros carga e massa não produzem de algum modo, em todos os casos, resultados observáveis finitos. Todos os cálculos que contém a massa e a carga, levam à respostas “infinito”, a menos que esses infinitos sejam embutidos de uma maneira engenhosamente formulada e sejam por “decreto” equacionados para os resultados finitos observados. Este era o conceito da “renormalização” e as regras para ele foram “logicamente” e “iniqüamente” estabelecidas tal que qualquer um no campo computaria para qualquer processo eletromagnético (emissão, absorção, espalhamento de partículas e fótons, criação e aniquilação de partículas e anti-partículas, etc.) um resultado finito em boa concordância com a experiência. Isto era tão convincente que os mais renomados Físicos aceitaram como uma resposta final às dificuldades da teoria quântica relativística e adotaram a “renormalizibilidade” de uma teoria física como um princípio da física. Tudo isso foi feito à custa da lesão da mais “apaixonante” e interessante região da partícula elementar: sua constituição interior.

Por exemplo, na eletrodinâmica clássica, a energia potencial de uma partícula puntiforme com carga elétrica e é definida como e2/r, onde r é sua distância em relação à outra carga e. Assim, sua energia própria, isto é, a energia computada para r=0 é obviamente uma quantidade infinita. Energia própria na teoria quântica, como um problema de um “corpo infinito”, assume uma forma muito mais complicada e é, mesmo após o procedimento de renormalização, ainda uma quantidade infinita. Uma vez que a energia própria não aparece diretamente nos resultados calculados da eletrodinâmica quântica, os inventores do esquema de renormalização ocultaram-na sob o tapete e dessa maneira revelaram o fato de que a “renormalização” contornava dificuldades básicas da eletrodinâmica quântica sem resolver os problemas atuais.

Experiências têm demonstrado agora a existência de cerca de 200 partículas diferentes que interagem por via de algumas ou todas as chamadas quatro interações fundamentais conhecidas: forte, eletromagnética, fraca e gravitacional (mais fraca que a fraca). A massa, ou mais geralmente a energia, é a fonte do campo gravitacional e a sua esfera de influência como uma força de atração se estende a distâncias infinitas. Por essa razão ela é classificada como uma força de “longo alcance”. Para finalidades mais práticas, a influência da gravitação (mesmo se causada pela existência de massa) na proliferação de partículas elementares e no seu comportamento geral é ignorada. A carga elétrica é a fonte do campo eletromagnético e sua esfera de influência na forma de forças atrativas e repulsivas também se estende a distâncias infinitas e, assim, é um segundo exemplo fundamental de uma “força de longo alcance”. A razão da força eletromagnética entre duas cargas elétricas e com igual massa m para a força gravitacional entre as massas é dada por:

e2 / Gm2 = 1040 ,

onde m é a massa de um elétron e G é a constante gravitacional que aparece na lei de gravitação universal de Newton. Daqui se conclui que o erro que se comete ao desprezar a influência da força gravitacional no comportamento da partícula elementar é, sem dúvida, muito pequeno. Todavia, mesmo quando a interação gravitacional é omitida, o sucesso da eletrodinâmica quântica não poderia ser estendido a uma compreensão real das forças nucleares que agem somente sobre curtas distâncias, da ordem de 10-15 a 10-13 cm. Além disso, experiências realizadas com partículas como elétrons, prótons e fótons a muito altas energias (de 100 a 500 bilhões de eV) têm, sem qualquer sombra de dúvida, revelado que não somente partículas pesadas como o próton e o nêutron (barions), mas também uma partícula leve como o elétron (lepton), que tem massa 1/2.000 vezes a massa do próton, têm uma estrutura complexa (estendida) e, de fato, interagem fortemente a muito altas energias. Experiências têm dado assim, evidências indicando uma unidade básica de todas as interações. A intensidade e o alcance das interações fortes foram descobertas ser dependentes da energia, e a forma dessa dependência lança dúvidas em algumas das convicções mais aceitas como, por exemplo, que um elétron ou um fóton não exibem interações fortes.

O quadro emergente da breve discussão acima sobre o “status” atual do assunto, aponta para a unidade de todas as interações fundamentais. Esta indicação da unificação da física ou, mais geralmente, da ciência, tem um apelo estético e filosófico.

Nas três seções seguintes, Kursunoglu tentará resumir a evolução de alguns esforços e, em particular, concentrar-se-á mais nos últimos progressos feitos em sua própria pesquisa (teoria da gravitação generalizada) para conexão entre o menor (a partícula elementar) e o maior (o universo).

 

Kursunoglu, B. – A Non-Technical History of the Generalized Theory of Gravitation Dedicated to the Albert Einstein Centennial – Center for Theoretical Studies, University of Miami, Coral Gables, Florida 33124 – USA.

Os Primórdios da Eletrodinâmica Quântica

Uma Nova Carga

Um Novo Vácuo

Um Novo Spin

Uma Nova Força

Um Novo Papel para a Força Gravitacional

Uma Nova Energia Própria

Um Novo Universo

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