“Se alguém desejasse buscar a sabedoria do Buda através de oitenta miríades de milhões de nayutas de kalpas,
praticando os cinco paramitas ao longo de todos aqueles kalpas,
fazendo oferecimentos aos Budas,
aos discípulos Pratyekabudas,
e às multidões de Bodhisattvas;
suas doações poderiam ser comidas e bebidas finas e raras,
finas indumentárias pessoais e para aposentos;
essa pessoa poderia doar moradas feitas de pura madeira de sândalo e adornadas com jardins e bosques.
Doações como estas, variadas e refinadas,
aquela pessoa poderia dedicar à Via do Buda.
Além disso,
ela poderia observar puramente os preceitos proibitivos,
sem falha ou omissão,
buscando a via insuperável,
louvada por todos os Budas.
Ainda, ela poderia praticar a paciência,
estabelecendo-se no Estado de Complacência,
e mesmo que a maldade lhe acontecesse,
seu pensamento não seria perturbado.
Também, se aqueles que obtiveram o Dharma,
mas que guardam uma arrogância desmedida,
ridicularizassem-lhe e atormentassem-lhe,
ela seria capaz de suportá-los.
Ela poderia ser diligente e vigorosa,
sempre firme em sua resolução,
ao longo de ilimitados milhões de kalpas,
com pensamento único e sem lassidão.
E por incontáveis kalpas,
ela poderia residir num lugar tranqüilo,
sempre depurando seus pensamentos, em vigília,
quer estivesse sentada ou caminhando.
Em razão dessas causas e relações,
ela então alcançaria a concentração dhyana,
tal que por oitenta milhões de miríades de kalpas,
seu pensamento seria seguro e sem confusão.
Abençoada por este pensamento único,
ela buscaria a via insuperável, dizendo:
‘Posso alcançar a Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos e ultrapassar os limites das concentrações dhyana’.
Esta pessoa, ao longo de centenas de milhares de milhões de kalpas,
poderia praticar tais virtudes meritórias como ditas acima[1].
Mas, se houver um bom homem ou uma boa mulher que,
ouvindo-me pregar sobre a duração da minha vida,
der lugar mesmo que a um simples pensamento de fé,
suas bênçãos excederão aquelas da pessoa acima descrita.
Qualquer pessoa que esteja completamente livre de dúvidas ou pesares e que,
com um profundo sentimento,
compreender por não mais que um instante,
obterá bênçãos tais como estas.
[1] O Buda esclarece que aqueles que perseveram nos ensinos provisórios, incluindo os contidos na primeira parte deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, como as rigorosas regras monásticas para as práticas dos Bodhisattvas descritas no Capítulo 14 – Conduta para a Prática Bem-Sucedida, obterão benefícios menores do que os dos bons homens e boas mulheres que o ouçam descrever sobre “A duração da Vida do Tathagata” e com resoluta fé, livres de quaisquer dúvidas ou hesitações, acreditem ainda que por um momento. Esta revelação da duração da vida do Buda, todavia, está exclusivamente contida nos ensinos essenciais do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, aparecendo pela primeira vez no Capítulo 16 – A Duração da Vida do Tathagata. Por essa razão esse Capítulo é tão importante, sendo a própria descrição original da longuíssima vida do Buda. Neste ensino está a profunda doutrina da possessão mútua (ou do Itinen Sanzen), qual seja a inerência do estado de Buda em todos os seres de todos os mundos das dez direções. E mais, Itinen Sanzen quer dizer “Três Mil Mundos Numa Existência Momentânea da Vida”. Essa passagem nos ensina que todos os benefícios auferidos por todas as boas práticas possíveis de serem levadas ao cabo, ao longo de incontáveis kalpas, nos três mil grandes sistemas de mil mundos; cabem numa existência momentânea da vida, num simples pensamento de fé. Em 27/08/2008.
Excerto do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes, pág. 305.












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