O Medo e a Felicidade

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Todos os pensamentos do Bodhisattva são verdadeiros e dos Sravakas e Pratyekabudas não são verdadeiros. Por que todos os seres não são abençoados com alegria e felicidade através dos poderes divinos dos Bodhisattvas? Se todos os seres não alcançam a felicidade, podemos pensar que o amor-benevolente praticado pelo Bodhisattva é infrutífero.”

O Buda disse: “Oh bom homem! Não é o caso que o amor-benevolente do Bodhisattva não produza benefícios. Oh bom homem! Os seres podem ser aqueles que infalivelmente sofrerão ou (aqueles) que não (sofrerão). Para aqueles seres que, sem falha, tenham que sofrer, o amor-benevolente do Bodhisattva não tem qualquer benefício para outorgar. Isto refere-se ao icchantika. Para aqueles a quem o sofrimento não é infalivelmente o seu destino, o amor-benevolente do Bodhisattva gera benefícios e todos os seres desfrutam da felicidade. Oh bom homem! Por exemplo, é como no caso de uma pessoa que vê à distância um leão, tigre, leopardo, chacal, lobo, rakshasa [demônio devorador de carne] ou outra criatura, e o medo surge dela mesma; ou uma pessoa que caminhando à noite vê um marco fincado no chão, e o medo surge. Oh bom homem! Todas essas pessoas sentem medo espontaneamente. Quando os seres vêem uma pessoa praticando amor-benevolente, a felicidade surge espontaneamente. Por essa razão, podemos dizer que a prática do amor-benevolente do Bodhisattva é pensamento verdadeiro e não é sem benefícios.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 21 – Sobre Ações Puras 1.

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