O Encontro com o Budismo Primordial

Nos dias 04 e 05 de fevereiro de 2012, fui convidado a participar do Encontro Vocacional da Honmon Butsuryu Shu do Brasil – Budismo Primordial – que ocorreria na Catedral Nikkyoji em São Paulo. Lá estariam reunidos os Sacerdotes em torno do Arcebispo Kyohaku Correia, treinandos do Sacerdócio e muitos membros praticantes do Budismo Primordial.

Estabelecido há mais de 100 anos no Brasil, o Budismo Primordial HBS – Honmon Butsuryu Shu – é a Religião Budista mais antiga do país. Já em 1908, ano da primeira imigração japonesa, estava no navio Kassato-Maru o fundador do Budismo no Brasil Nissui Ibaragui, havendo certificação do seu desembarque autenticando a sua profissão como Sacerdote. O próprio pai da imigração Ryu Mizuno era fiel da HBS em Tóquio, e foi pessoalmente ao Templo Seiouji solicitar a Ibaragui Nissui o estabelecimento da prática Budista no Brasil. Assim, o primeiro culto que fez em solo brasileiro, logo após o desembarque, é considerado o culto de fundação. Enquanto viveu, fundou 7 dos 11 templos atualmente existentes nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

Na manhã do dia 04/02/2012, seria então anunciada pelo Arcebispo Correia a presença do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, ostentado por seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Sutra de Lótus

Anúncio do Sutra de Lótus pelo Arcebispo Correia da HBS.

Sutra de Lótus

Apresentação do trabalho de tradução do Sutra de Lótus.

Com a palavra, fiz um breve relato sobre o trabalho de tradução realizado por mim, e como, através de conhecidos, encontrei o Budismo Primordial que ofereceria o apoio institucional necessário para iniciar a ampla propagação do Dharma Maravilhoso no Brasil. Nesse dia, num ato de doação, ostentei o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, e entreguei simbólicos 10(dez) volumes da autopublicação da primeira edição do livro.

Sutra de Lótus

Entrega do Sutra de Lótus em doação à Catedral Nikkyoji por Marcos Ubirajara.

No dia seguinte, 05 de fevereiro de 2012, retornei à Belo Horizonte com renovada esperança para dar continuidade aos trabalhos de propagação do Dharma Maravilhoso no Brasil.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a William Garcia

Um Novo Trabalho

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

A Tempestade

O Apoio Institucional do Budismo Primordial

O Apoio Institucional do Budismo Primordial

Através de contatos estabelecidos pelo amigo William Garcia, em 21 de julho de 2010, recebi a visita dos Sacerdotes Gyoen Campos de São Paulo, e Yoshikawa Jyunsho-shi do Rio de Janeiro, ambos da HBS – Honmon Butsuryu Shu do Brasil. Eles desejavam constatar, “in loco”, algo que William lhes informara em São Paulo. A foto fala por si.

Primeira Visita

A Primeira Visita dos Sacerdotes da HBS.

Foi um momento crucial, pois, pela primeira vez no Brasil, uma entidade religiosa manifestava apoio ao trabalho de tradução do Sutra de Lótus para o português brasileiro. Até então, recebera apoio e incentivo apenas da BTTS – Buddhist Text Translation Society in USA – Estados Unidos, autora dos originais traduzidos para o português.

Em 30/05/2011 o Sacerdote Gyoen Campos escreveria:

“Sr. Marcos,

gostaríamos de disponibilizar o Sutra do Lótus do Sr. no nosso site www.budismo.com.br. O temos lá, mas naquela versão portuguesa de João Rodrigues. Seria muito mais interessante colocar a do Sr. e também já a divulgação dele para venda.

O que o Sr. acha da idéia? O Sr. o tem em versão digital para nos enviar? Caso aprove, por favor, me envie que tomarei as providências.
Muito obrigado por tudo.
Arigatougozaimashita!

Sacerdote Gyoen Campos.
Budismo Primordial HBS

Resposta ao Sacerdote Gyoen Campos

Prezado Sacerdote Gyoen Campos,

Quanto à disponibilização do Sutra de Lótus no site do Budismo Primordial HBS – Honmon Butsuryu Shu do Brasil (www.budismo.com.br), recebo esta proposição com imensa alegria, pois se trata da primeira manifestação institucional de apoio a esse trabalho no Brasil.

Estou anexando versão digital em formato pdf, embora a mesma possa também ser obtida mediante download no Blog Cristal Perfeito, sem problemas. O link da editora para comercialização é http://www.tmaisoito.com.br/novos_autores/o_sutra_da_flor_de_lotus.html.

Gostaria de publicar essa tratativa do Sutra de Lótus acima no Blog Cristal Perfeito, juntamente com a foto onde escrevo a dedicatória para o Arcebispo Correia. Para isso, solicito vossa expressa autorização. Caso haja algum inconveniente, não é necessário justificar para mim. Apenas diga: “melhor não!”.

Muito obrigado por tudo, no aguardo de vossa próxima visita à Belo Horizonte.

Arigatougozaimashita!

Marcos Ubirajara.

Dedicatoria ao Arcebispo Correia

Dedicatoria ao Arcebispo Correia em sua visita à Belo Horizonte.

Essa visita do Arcebispo Correia ocorrera em 19/04/2011. Em outubro de 2011, devido a um ato de benevolência do Arcebispo Correia, recebi em doação o Gohouzen e, em minha casa, passei a ostentar o Objeto Sagrado. Imenso é o meu sentimento de gratidão por mais essa moção de apoio.

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A Tempestade

A Tempestade

Prenunciada por raios e trovões (da RFB, e que eu não vou contar aqui), então veio a tempestade. Mal o ano de 2009 começara, houve mudanças no ministério para o qual eu trabalhava, e meu contrato de trabalho terminou em abril daquele ano. Eu tinha alguma reserva de dinheiro, e continuei o trabalho de tradução do Sutra do Nirvana. Em setembro daquele ano, precisamente em 03/09/2009, andava muito preocupado com minha situação: estava sem trabalho, vivendo às mínguas. Às 13:00 hs daquele dia, tocou o telefone. Era minha filha nas mãos de bandidos. Estava sozinho e, sob ameaças, não podia deixar o telefone celular. Caso contrário, matariam minha filha. De casa para o banco, do banco para outro banco, dirigindo com uma só mão, assim foi por horas a fio. Já havia feito as transferências (R$ 3.000,00), mas os bandidos não conseguiam sacar o dinheiro devido aos limites de saques impostos pelos caixas eletrônicos dos bancos. Mas culpavam a mim, xingavam, insultavam-me, prometiam matar minha filha. Estava tão transfigurado, em prantos, que a operadora do caixa do banco desconfiou e chamou a gerente. Com a voz embargada, expliquei-lhe o caso. Então ela disse: “Moço, isso é um golpe! O senhor não sabe? Qual é o número do telefone de sua casa?” Ela ligou, minha filha Fernanda atendeu e conversou comigo: “Pai, isso é golpe! Você não tem visto na televisão?”. “Filha, há anos que não assisto à televisão!”, respondi. Alegria por ter falado com minha filha. Bancarrota moral e financeira pela humilhação, e porque o restinho de dinheiro que eu tinha foi-se embora.

Em outubro de 2009, estava exatamente no meio do trabalho da tradução do Sutra do Nirvana, e ficava pronta a tão esperada segunda edição do Sutra de Lótus. Ou saía desesperado para acudir à situação de insolvência que se desenhava, ou largava tudo. Conversei com minha companheira e ela procurou me acalmar. “Quanto falta para terminar o trabalho, Marcos?”, ela perguntou. “Um ano”, respondi. “Tenha calma, faça o que você achar correto”, disse ela. Fiz o que eu achava correto: continuei o trabalho de tradução do Sutra do Nirvana. Nesse processo de isolamento, acreditem, tornei-me invisível para antigos colegas de trabalho, empresas para as quais trabalhei, e tantas outras pessoas, inclusive familiares, o que os levou a esquecerem de mim. Foi como se eu tivesse desencarnado, saído do mundo. Nenhum telefonema, nenhuma oportunidade de trabalho, nada. À “tempestade”, sucederam-se enchentes e desabamentos (de bens materiais – que eu também não vou contar aqui). E assim foi até o término do trabalho de tradução em outubro de 2010, o qual consumira dois anos de esforços ininterruptos.

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Um Novo Trabalho

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

Eu havia vendido apenas metade dos 100 exemplares da autopublicação do Sutra de Lótus quando, em 10/01/2009, recebi uma proposta da editora Editorama para uma segunda edição do livro. A editora propôs um novo trabalho de revisão e diagramação do livro sem custos para mim. A Editorama entendia que o livro merecia um retrabalho e uma melhor apresentação pela sua importância. Sua mensagem teve o teor abaixo:

De: Henrique Volpi<henrique.volpi@…com> 10 de janeiro de 2009 20:25

Para: Marcos Ubirajara <muccamargo@…com.br>

“Marcos,

Feliz 2009 para você e família.

Agendamos os pagamentos para segunda-feira.

O resultado de vendas é o seguinte:

20 livros que você enviou para a Bienal, vendidos por R$66,00 – R$1320,00

5 livros vendidos online com 10% de direitos autorais R$33,00

O total do DOC para você é de R$1.353,00

Gostaria ainda de propor uma segunda edição sem custos para você e a renovação do contrato dessa vez com 20% de direitos autorais para vendas futuras.

O dinheiro deve entrar no final da segunda-feira.”

Editorama.

Aceitei a proposta e, em meados de 2009, em virtude da expectativa da segunda edição, suspendi a venda da primeira edição. Decidi que esses exemplares ficariam como uma memória das dificuldades iniciais que tive. Faria doações para pessoas muito especiais, que compreendessem essas dificuldades e não se importassem com o aspecto, mas com o conteúdo. Essa nova edição, bastante melhorada, ficou pronta em outubro de 2009.

CAPITULO 1

Aspecto da 2a. Edição do Sutra de Lótus. Click na imagem para download.

Nota: Aqui, cabem alguns esclarecimentos, a saber:

  1. Os 20 (vinte) exemplares do acerto acima correspondem à autopublicação da primeira edição, ou seja, eram de minha propriedade. Os demais 5 (cinco) exemplares eram da tiragem da Editora, pelos quais percebi os devidos direitos autorais;
  2. O contrato da segunda edição jamais foi assinado;
  3. Nunca mais, desde então, houve qualquer prestação de contas pela Editorama.

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Missiva a William Garcia

Um Novo Trabalho

Um Novo Trabalho

Em 08/10/2008, obtive um original do Sutra Mahayana do Mahaparinirvana traduzido para o Inglês por Kosho Yamamoto; editado e revisado pelo Dr. Tony Page (Nirvana Publications, London, 1999-2000) em http://www.nirvanasutra.org.uk. Comecei a lê-lo, sempre lembrando as referências que o Grande Mestre Nitiren Daibossatsu fazia ao Nehankyo – O Sutra do Nirvana em Japonês. O desafio era grande, pois, além do enorme volume – cerca de 1.500 páginas, o inglês não era simples, pois se tratava de uma tradução feita na década de 20. Mas senti uma verdadeira compulsão de aceitar o desafio e traduzir o Sutra do Nirvana, mais para apreendê-lo do que por outro motivo. Iniciei esse novo trabalho no dia 10 daquele mês de outubro de 2008. Essa tradução viria a ser concluída exatos 2 (dois) anos após, em 04/10/2010. Os 46 (quarenta e seis) capítulos do Sutra Mahayana do Mahaparinirvana estão disponíveis no blog Cristal Perfeito, bem como uma coleção de 17 (dezessete) fascículos intitulada “Pérolas do Universo”, contendo passagens do Sutra do Nirvana, a qual considero uma fonte inesgotável de aprendizado para aqueles que buscam o Caminho. Eis os hiperlinks:

Sutra do Nirvana

SUTRA DO NIRVANA - CAPITULO 46

Click na imagem para leitura on-line ou download.

Pérolas do Universo

Pérolas do Universo 17

Click na imagem para leitura on-line ou download.

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Missiva a William Garcia

Missiva a William Garcia

Naquela ocasião, mantive correspondência com um grande amigo, hoje membro da HBS – Honmon Butsuryu Shu, e também ex-membro da Nitiren Shoshu, onde nos conhecemos, com o seguinte teor:

Belo Horizonte, 16 de janeiro de 2008.

Estimado William,

Estou anexando a esta missiva uma cópia do eBook do futuro livro “Passagens Selecionadas do Sutra de Lótus”. Reverentemente, é para o vosso deleite e benefício, e também das muitas outras pessoas amigas que buscam o caminho, para as quais você poderá enviá-lo desde já. Desfrute da Paz do Dharma Maravilhoso!

Estive imensamente atribulado nos últimos tempos. A razão é uma só: o livro do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, em sua íntegra, ficará pronto nos próximos dias. Imagine o que isso exigiu de esforços e concentração para obtermos o polimento adequado da Jóia do Sutra de Lótus. Esse trabalho, agora, é a minha vida. Para sempre, e sem descanso, trabalharei para o seu aperfeiçoamento e para a propagação dos ensinos dourados do Buda, em benefício de todos os seres. A propósito, o eBook que estou anexando tem o exato objetivo de conduzir as pessoas às profundas doutrinas do Sutra de Lótus.

Considero-me um discípulo do Grande Mestre Nitiren Daibossatsu. Suas escrituras e seus muitos ensinamentos me conduziram ao Sutra de Lótus. Se não tivermos em mente que ele, Nitiren Daishonin, se utilizou dos meios hábeis do Buda para conduzir-nos ao Grande Veículo; o que pensar, então? Com toda a certeza, tudo isso se deu pela graça e benevolência do Buda Shakyamuni, Honrado pelo Mundo. Portanto, se eu puder dar alguma contribuição no trabalho de tradução das escrituras de Nitiren Daishonin, o farei com imensa alegria. Todavia, há que considerar as minhas limitações.

Entenda! Para fazer esse tipo de tradução, antes que saber inglês, você precisa ser penetrado pela intenção do Buda. Você tem que saber o que está escrito lá, e como deve ser vertido em outro idioma. Essa penetração não se dá ao nosso bel prazer. No caso do Sutra de Lótus, de posse dos originais em inglês, durante um ano, empreendi esforços de leitura, escrita e recitações. Acima de tudo, orava muito, fazia oferecimentos para os volumes dos originais, até que um dia comecei a sentir que sabia o que o Buda dizia. Dai em diante, passei um ano escrevendo e revisando.

Então, a ajuda que posso oferecer a partir do acesso aos textos originais das escrituras, passa pela minha prática diária. Não poderia fazê-lo atrelado a compromissos de prazos. Você entende, né? Mas, vamos estudar as escrituras sim.

Fico muito contente em saber que você, freqüentemente, encontra-se com a minha filha Fernanda. Considero isso um benefício pelo zelo que sempre tivemos por nossas relações. Respeito-os profundamente, você e sua família, por continuarem a recitar o Namu-Myoho-Rengue-Kyo a despeito dos percalços deste caminho. Lembranças a todos.

Marcos Ubirajara.

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A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Um Lugar Sagrado Pode Adoecer

“Na medida em que (o conceito de) Lugar no Mundo torna-se sinônimo de espaços significativos, isto certamente nem sempre é benéfico (Gordon, 2008)”.

Contrariamente aos profundos ensinamentos do Mahayana sobre a Sabedoria da Não-Distinção, muitas vezes um organismo cai vitima de sua própria identidade, ou ego.

Em seu artigo Towards a Theory of Network Locality, Eric Gordon tece a consideração que: “Esses espaços significativos (‘Lugares no Mundo’) podem ser usados para exercer o poder dentro de contextos geograficamente definidos. Eles estabelecem distinção entre aqui e ali, nós e eles. Aqueles que compartilham um Lugar no Mundo podem optar por abri-lo aos recém-chegados, ou podem fechá-lo para si, criando efetivamente uma hierarquia de autenticidade local. ‘Você pode viver aqui, mas não vive aqui autenticamente’. Em comunidades antigas, isto pode levar à mútua exclusão entre ‘nativos’ e ‘forasteiros’, ou veteranos e novatos. Esses espaços também podem ser produzidos no que concerne à raça, classe ou gênero. Diferenças de aparência exterior podem ser usadas para excluir recém-chegados” .

Nesse caso, pode-se evocar a sinonímia de secretar (fazer segredo) e segregar (apartar), cuja essência maléfica atacará o tecido conjuntivo daquela comunidade e, como uma doença auto-imune, destruirá a relação causal da sua própria origem, da sua razão de ser, e também poderá destruir as sementes para a iluminação daquele coletivo [ver “A Origem de um Lugar Sagrado”]. Em passagem do Sutra de Lótus, Capítulo 03 – A Parábola, o Buda admoesta Shariputra:

“Além disso, Shariputra,

para os arrogantes,

indolentes e aqueles que nutrem visões próprias,

não pregue este Sutra.

Pessoas comuns de escassa compreensão,

profundamente apegadas aos Cinco Desejos,

ouvindo-o, falharão em compreender;

não o pregue para eles, quem quer que sejam.

Se houver aqueles que não compreendem,

e que caluniam este Sutra,

em conseqüência,

eles destruirão todas as sementes para o Estado de Buda.”

E no Sutra do Nirvana, Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1, para o benefício de Kashyapa, o Buda diz num gatha:

“Se não se sente a ira,

mesmo contra um simples ser,

e roga-se para dar felicidade a esses seres,

isto é amor-benevolente.

Se sente-se compaixão

por todos os seres,

isto é a semente sagrada.

Interminável é a recompensa.”

Isto tudo nos leva à compreensão da sucumbência de algumas ditas “organizações” pretensamente propaladoras de um ensinamento que, na verdade, não assimilam. Eis porque certas entidades surgem com ímpeto revolucionário, e depois ruem sob o próprio peso. Esses fenômenos resultam de relações sociais doentias, e podem macular aquele “Lugar no Mundo”. Todavia, o Dharma é Eterno.

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Em 21 de janeiro de 2008, no blog Cristal Perfeito,

Mattuzalem Lopes Cançado disse:

21/01/2008 às 6:28

PREZADO ILMO. SENHOR MARCOS CAMARGO,

JÁ LI OUTRAS ESCRITURAS DO GRANDE FAROL DA HUMANIDADE, O SUPREMO ENSINO DO BUDA, O GRANDE SUTRA DE LÓTUS DA BOA LEI MARAVILHOSA. DO QUAL NASCI DEVOTO, MANTENHO-ME DEVOTO E ETERNAMENTE SEREI DEVOTO. MAS, CONFESSO QUE NÃO VÍ NADA TÃO MARAVILHOSO QUANTO A SUA TRADUÇÃO. O HONRADO PELO MUNDO DEVE TER MANIFESTADO EM SUA NOBRE MENTE E DERRAMADO SOBRE SUA MENTE SUAS VERDADEIRAS PALAVRAS. PENSO QUE O NOSSO SANTO E AMADO MESTRE, MANIFESTOU EM SUA DIGNA VIDA, E SOBRE VOS, DERRAMOU SUA EXCELÇA E MARAVILHOSA FALA DO GRANDE VEICULO DA ILUMINAÇÃO.

HONRO-ME DE ESTAR VIVO E LER TÃO PERFEITA TRADUÇÃO. AGRADEÇO AOS TRÊS TESOUROS DE MINHA HONRADA FÉ, POR MERECER VER, LER, TÃO MAGNIFICO TRABALHO.

REZAREI SEMPRE POR VOSSA VIDA.

“SE O SUTRA DE LÓTUS CONDÚZ À ILUMINAÇÃO QUEM DEVOTAR-SE A UM SÓ VERSO, UMA SÓ LINHA, PENSO QUE O SENHOR É UM ILUMINADO.”

OBRIGADO, MUITO OBRIGADO!

NAM-MYO-HO-RENGUE-KYO,

Abade Mattuzalem Lopes Cançado

BASSAI-JI TEMPLO DE KARATE-DO DO BUDISMO NICHIREN da
Associação Budista Vajramushti de Karate-Do

Em resposta,no dia 22 de janeiro de 2008:

Essa missiva é uma resposta ao vosso comentário no post “eBook de Passagens Selecionadas do Sutra de Lótus”.

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2008.

Prezado Senhor Abade Mattuzalem Lopes Cançado,

O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é um espelho. Como ele poderia estar revelando algo que não fosse o Verdadeiro Aspecto dos Fenômenos?

Com relação a isso, senhor, veja a nobreza das vossas palavras. O senhor mesmo as escreveu. Veja como o Sutra de Lótus é capaz de iluminar e revelar a natureza de um grande ser humano. Esse iluminado, ao qual o senhor se refere, e que de fato está em vossa mente, é o senhor mesmo. A isso podemos chamar “Consistência do Princípio ao Fim”, o décimo aspecto, que na sua manifestação é simultâneo e coerente com os demais.

O Bodhisattva Sem-Desprezo, que via Budas em quaisquer pessoas que encontrasse, era o próprio Buda Shakyamuni, Honrado pelo Mundo, Leão dos Shakyas, quando certa vez cumpria seus votos de Bodhisattva.

O senhor me faz experimentar a verdadeira alegria do Dharma, que é servir àqueles possuidores da genuína Fé.

Com reverência,

Homenagem aos Budas do Universo!

Nam-Myoho-Rengue-Kyo!

Marcos Ubirajara.

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A Nitiren Shoshu

A Origem de um Lugar Sagrado

[Conforme narra anteriormente Eric Gordon em seu artigo Towards a Theory of Network Locality, “havia uma entrada secreta para um cemitério-jardim”, a qual era utilizada pelos moradores do bairro para suas caminhadas, pois a entrada principal era muito distante - veja a íntegra do artigo clicando no link acima]. Ainda em seu artigo, lê-se:

“Cultura Local (enquanto conhecimento) comumente é a acepção de costumes, espaços, ou políticas compartilhadas por um grupo de pessoas, com um interesse comum em um determinado espaço (Geertz, 1983). Esse entendimento pode ser tão trivial quanto saber de uma entrada secreta para um cemitério, ou tão significativo quanto práticas religiosas e culturais (enquanto comportamento) nativas. O que liga esses entendimentos à Cultura Local é o fato de que eles são de origem social. Se eu fosse o único que soubesse de uma entrada (secreta) para o cemitério, esse bit de informação seria meramente um segredo. Todavia, o mesmo segredo, coletivamente apreendido por um grupo bem definido, rapidamente torna-se o tecido conjuntivo de uma comunidade local. Torna-se um “Lugar no Mundo – placeworld” (Gordon e Koo, 2008)”.

Onde quer que estejamos, o lugar onde habitamos, nossos familiares, amigos e vizinhos próximos constituem um “Lugar no Mundo”, para onde sempre retornamos após jornadas diárias de trabalho, de estudo, ou de viagens de lazer ou trabalho. No mundo de hoje, para além das fronteiras de uma localidade geográfica, as relações sociais se estendem para limites inimagináveis, aproximando pessoas e costumes num verdadeiro oceano de informações. Muitas dessas informações são como verdadeiras descobertas, algo que gostaríamos muito que familiares e amigos compartilhassem, e assim o fazemos através das redes sociais. São notícias, artigos, palestras, frases, imagens, fotos e vídeos entre outras coisas.

Mas, o que fazemos quando deparamos com os profundos ensinamentos do Dharma Sagrado? Devemos guardar segredo? Não! Devemos alardear descuidadamente por ai? Não, também! Nem uma coisa, nem a outra. Mas sim, o caminho do meio. O que isto está a nos dizer? Está a nos dizer que devemos compartilhar esses profundos ensinamentos com familiares, entes queridos, e outras pessoas de aguçada inteligência que buscam o caminho.

O que aprendemos com o artigo de Eric Gordon é que quando esses ensinamentos deixam de ser segredo, sendo apreendidos coletivamente por um grupo social, eles tornam-se o tecido conjuntivo de uma Comunidade Local. Se esses ensinamentos versam sobre o Dharma Sagrado, então podemos chamar essa “Comunidade Local” de Sangha, e esse “Lugar no Mundo” torna-se Sagrado.

A Nitiren Shoshu

A Nitiren Shoshu foi a primeira a saber da conclusão do trabalho de tradução do Sutra de Lótus. Dessa religião, eu era membro desde 1987, conforme narrei anteriormente. Enviei os originais por e-mail para a sua sede em São Paulo, esperando que de lá viessem palavras de incentivo ou mesmo críticas que contribuíssem para o polimento do trabalho de tradução. Nenhuma resposta. Então, muitos dias depois, suspeitando que o e-mail pudesse ter sido extraviado, reenviei o arquivo. Nada!

Então, como membro da Nitiren Shoshu, fui a uma reunião do grupo Hokkekô de Belo Horizonte. Ao chegar, entreguei um exemplar nas mãos da pessoa que liderava aquele grupo. Era uma reunião de Shodai. Após orarmos muito, por muitos objetivos do próprio grupo, ao final da reunião, me despedi e retornei feliz para casa. Uma semana depois, voltei àquele local e novamente participei das orações. Ao final da reunião, essa pessoa me devolveu o livro sem nenhum comentário. Não poderia ser mais clara a posição daquela seita com relação ao trabalho apresentado. E logo pensei que esse posicionamento não seria com relação a mim, que estava há mais de vinte anos por ali, mas com relação ao Sutra de Lótus. Como eu procurava pessoas que o recebessem com alegria, fui embora, abandonei aquela seita que eu freqüentava há vinte e um anos, nunca mais voltei. Recentemente, resolvi formalizar o meu desligamento. Então, escrevi com cópia para todos os membros:

Desligamento de Marcos Ubirajara

DE:       Marcos Camargo

PARA:  Christiane Reyder

Cco:     HOKKEKÔ BH

  • HOKKEKÔ BH
  • HOKKEKÔ BH
  • HOKKEKÔ BH
  • HOKKEKÔ BH
  • 18 mais…

“Olá Christiane! Bom dia!

Venho solicitar a minha exclusão da lista de membros do Hokkekô da Nitiren Shoshu, depois de 25 anos.

Como muitos já sabem, estou praticando o Budismo Primordial da Honmon Butsuryu Shu, onde eu e o Sutra de Lótus fomos acolhidos com muita alegria.

Desejo paz, alegria na prática, e muita prosperidade para todos os membros do Hokkekô. E, acima de tudo, um verdadeiro sentimento de compaixão ao recitar e ensinar para outros o

Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

Tenham um ótimo dia.

Marcos Ubirajara.

Recebi duas, apenas duas respostas, as quais eu gostaria de colocar aqui:

Re: Desligamento de Marcos Ubirajara

DE:      Carina Angélica Brito Reyder

PARA:  Marcos Camargo

Boa sorte pra você!

Que você trilhe um caminho iluminado, de tranquilidade, serenidade, alegria e sabedoria.

Um abraço,

Re: Desligamento de Marcos Ubirajara

DE:      rosaria beatriz firmino miranda

PARA:  Marcos Camargo

Ola Marcos,

Acho que você enviou errado este email para mim.

Sou budista também há mais tempo que você. Comecei na Gakkai, há 31 anos atrás  e também faço parte da Hokkekko embora não frequente mais as reuniões na sede desde o dia 06 de fevereiro de 2007. Fiz Tozan em abril de 2006.

Acredito que não cheguei a conhecê-lo e fico triste por ter ido para outro budismo, porém deve ter tido seus motivos, pois ninguém abandona algo se este está te fazendo bem.

Muitas coisas na Hokkekko não aceito, porém o meu compromisso é com o Buda Original e com o juramento de seguir o budismo a qualquer custo.

Espero que seja feliz e se precisar de algo e se eu puder ajudá-lo desde já estou à disposição.

Abraços. Muita paz em sua jornada,

Rosária Miranda.

Assim, melancolicamente, deixei a Nitiren Shoshu. Uma grande pena!

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Episódios Anteriores:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

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