Max Karl Ernst Ludwig Planck

Max Planck 1901

Max Plank em 1901 - Imagem via Wikipedia

Max Planck nasceu em Kiel, a 23 de abril de 1858, descendendo de uma família de teólogos e juristas. Com nove anos de idade seguiu com seu pai, professor de direito, para Munique. Enquanto rapaz, suas preferências dividiam-se entre a arte e a ciência. No colégio, sua habilidade com a matemática era tal que, quando o professor dessa cadeira não comparecia, ele era chamado a substituí-lo. E, dentro da arte, o seu maior entusiasmo era pela música, à qual se dedicou com grande paixão. Foi regente da orquestra da Universidade de Munique e também de alguns coros particulares. Foi compositor, tendo deixado, entre outras obras, uma opereta de câmara. Embora sua verdadeira vocação fosse a ciência, a música constituiu um refúgio onde podia esquecer seus problemas, permanecendo até o fim de sua vida como uma fonte de conforto e satisfação.

Outra das distrações de Max Planck era o alpinismo, que praticou até idade avançada. Aos 62 anos escalou o Jungfrau, monte suíço com cerca de 4.000 metros de altura.

Seus estudos superiores na Universidade de Munique sofreram um hiato de um ano, durante o qual teve oportunidade de acompanhar na Universidade de Berlim cursos de física ministrados por Von Helmholtz e Kirchhoff. Nessa época, teve sua atenção vivamente despertada pelo estudo da termodinâmica. De volta a Munique, prosseguiu suas pesquisas nesse campo, não conseguindo, porém, grande sucesso. Apesar disso, laureou-se com uma tese sobre o segundo princípio da termodinâmica.

Na expectativa de conquistar uma cátedra em uma universidade européia, realizou uma série de conferências sobre o ramo científico no qual se havia especializado. Contudo, a cátedra, à qual Planck realmente aspirava, era a de física teórica.

Em 1885, foi nomeado professor de física teórica da Universidade de Kiel e a partir de então começou a projetar-se no mundo científico. Entre seus trabalhos dessa época, destaca-se um estudo sobre a natureza da energia, enviado à Universidade de Göttingen. Dos pesquisadores que remeteram seus trabalhos, Planck foi o único a ser premiado.

Em 1889 a influente amizade de Von Helmholtz valeu-lhe a transferência para a Universidade de Berlim, como sucessor de Kirchhoff. Alguns anos mais tarde, passou a ocupar a cátedra de física teórica – seu grande sonho. Essa permanência em Berlim deu-lhe a possibilidade de conviver com pesquisadores famosos, como Reymond, Mommsen, Nernst, Ostwald, além do grande Helmholtz.

Em fins do século XVIII, uma das dificuldades da física consistia na interpretação das leis que governam a emissão de radiação por parte dos corpos negros.

Tais corpos são dotados de alto coeficiente de absorção de radiações; por isso, parecem negros para a vista humana. Eles possuem a interessante propriedade de emitirem radiações de diferentes comprimentos de onda, à medida que muda a temperatura à qual são levados. Quanto mais alta esta última, mais completa se mostra a gama da radiação emitida, tendendo para a cor branca; quanto mais baixa a temperatura, mais deslocado se mostra o espectro da radiação emitida, que tende então para o vermelho. Sob temperaturas inferiores a certo limite, situado em torno de 5000 C, o corpo negro emite sensivelmente apenas radiações infravermelhas.

Utilizando os preceitos científicos então existentes, podia-se explicar facilmente que um corpo idealmente negro deve ser também um perfeito emissor de radiação: com o tempo, o corpo negro irradia no espaço, sob a forma de radiação térmica, toda a energia que contém.

Não era, porém, possível explicar a distribuição da energia pelos vários comprimentos de onda: a emissão de radiação não se dá em um só comprimento de onda; além disso, o que se desloca com a temperatura é o comprimento de onda correspondente à máxima emissão de energia.

Segundo as teorias vigentes, um átomo estaria em condições de emitir ou absorver radiações com continuidade. Essa foi a primeira dificuldade com a qual Planck deparou quando abordou o problema. Entretanto, com sua imaginação fecunda, percebeu que era possível interpretar a curva de distribuição das radiações emitidas pelo corpo negro simplesmente supondo que cada átomo agia como uma corda vibrante, capaz de emitir, de uma só vez, sob a forma de um pequeno grupo de ondas, toda a energia nele contida. Seria como se a corda vibrante, quando excitada, pudesse descarregar de uma só vez todo o som que é capaz de gerar, ao invés de sofrer uma lenta atenuação em sua vibração.

Planck, seguindo essa linha de raciocínio, supôs que o átomo emitisse radiação em “pacotes”, que denominou, no singular, de quantum. Cada um deles conduziria toda a energia de uma excitação atômica. E mais: todo quantum deveria ser constituído de radiação eletromagnética, com freqüência que dependia de energia nele contida. A hipótese completava-se com as considerações de que a freqüência da oscilação eletromagnética seria proporcional à energia do quantum. Em qualquer quantum do universo, a relação entre a energia contida e a freqüência da radiação emitida deveria apresentar um mesmo valor, isto é, deveria ser uma constante universal.

Essa constante foi indicada pela letra h e hoje é conhecida como constante de, Planck (h = 6,62 x 10-34 J x s).

Em 14 de dezembro de 1900 veio à luz sua teoria sob a forma de uma comunicação à Sociedade Alemã de Física. Os estudos de Einstein e Bohr, posteriormente, vieram complementá-la.

Por quarenta anos Planck lecionou na Universidade de Berlim, da qual foi também reitor, de 1913 a 1915.

Seu pensamento filosófico considerava o materialismo dialético como premissa fundamental de toda pesquisa científica. Embora condenando a intromissão de questões religiosas na ciência, admitia uma função social na religião.

Max_Planck

Selo comemorativo dos 150 anos de nascimento do Físico Max Plank

As inúmeras honrarias que recebeu – foi presidente do Instituto Kaiser Guilherme de Física, membro da Academia de Ciências, Prêmio Nobel de Física em 1918 e inspirador da Medalha Planck em 1929 – não foram suficientes para confortá-lo das muitas mágoas que o atingiram. De dois casamentos havia tido cinco filhos. Uma das filhas casou-se com Max von Laue (Prêmio Nobel por seus estudos sobre raios X), mas dois filhos tiveram sorte trágica. Um tombou em Verdun, durante a I Guerra Mundial, e outro foi morto por agentes da Gestapo, em 1944, por haver participado de um atentado contra a vida de Hitler.

Ao fim da guerra, sua casa em Berlim estava destruída. E também arrasada estava sua preciosa biblioteca. Max Planck, fugindo ao palco da tragédia, retirou-se para Göttingen, onde faleceu a 3 de outubro de 1947. Sua morte passou completamente despercebida no mundo ainda conturbado pelas conseqüências da guerra recém-finda.

Plank com Einstein

Plank com Einstein

Informações obtidas em http://geocities.yahoo.com.br/saladefisica9/. Por razões que desconheço, esse site não está mais disponível.

A Ousadia de Behram Kursunoglu

Em 1949, Einstein e Schrödinger, independentemente, após muitos anos de tentativa e erro, chegaram a conclusões similares na solução do problema crônico da geometrização da Física numa teoria do campo unificado da gravitação e eletromagnetismo. Suas teorias tiveram uma menos que entusiástica recepção por outros Físicos contemporâneos. Em virtude da ameaça de se descontinuar o “trem” dos tempos, Kursunoglu começou trabalhando nas teorias propostas por Einstein e Schrödinger. Após certo tempo, ousou comunicar suas próprias conclusões a ambos esses grandes homens. Para um principiante estudante de graduação de Cambridge, suas respostas estavam longe de serem encorajadoras. No verão de 1951, convenceu-se que ambas versões do campo unificado estavam em completo desacordo com as observações físicas. Todavia, o formalismo matemático proposto era bonito e único naquilo que ele poderia ser, dentro das teorias estabelecidas da relatividade geral e do eletromagnetismo, mas uma forma não simples de procurar uma descrição unificada das forças mais fundamentais da natureza.

Kursunoglu continuou sua correspondência com Einstein e Schrödinger, até completar sua tese de PhD em Cambridge em 1952. Uma nova e mais geral versão da sua teoria apareceu na Physical Review de dezembro de 1952. Neste ínterim, tinha ido à Universidade de Cornell como um membro de pós-douturamento. Em 1953 foi convidado a dar uma palestra sobre sua teoria no Departamento de Física da Universidade de Princeton, e, assim, preparou-se para visitar Einstein em sua casa em 19 de novembro de 1953. Em longa discussão de 4 horas, Einstein concordou que sua versão da “teoria da gravitação generalizada” era mais geral que suas formulações, mas certamente não mais simples. “O tempo mostrará”, disse Einstein, “qual dessas duas teorias encontrará uma unificação real da gravitação e eletromagnetismo.”

Kursunoglu sentia a atmosfera naquele tempo nos USA um tanto desencorajadora para sua ambiciosa tentativa e decidiu fazer paz com as tendências da Física então existentes, e descontinuou as pesquisas futuras neste campo. Todavia, sempre que conseguia, publicava trabalhos ocasionais sobre a teoria, um em 1957 (Review of Modern Physics) e outro em 1960 (Nuovo Cimento). Após errar sobre secos e amarelos pastos, compreendeu que o tempo era chegado de tentar entrar outra vez com a matemática da teoria que havia proposto há vinte anos. Tentaria resumir os resultados do trabalho que tinha feito desde o verão de 1973. Compreendeu que os resultados eram novos, excitantes e esperava que todas as predições correntes da teoria em relação à natureza das partículas elementares, a idade e estrutura do universo possivelmente seriam confirmadas pela experiência. Em particular, experiências baseadas na colisão de feixes de alta energia de partículas e anti-partículas (“storage rings”) eram de especial interesse para a confirmação de sua teoria.

Kursunoglu inclinava-se a entender que a unificação das ciências naturais poderia ser melhor demonstrada numa teoria onde a realidade física completa fosse representada por um simples conceito de campo. A fundamentação matemática para tal eventualidade fora proposta por Einstein e também por Schrödinger nos últimos anos 40 e primeiros 50. As equações de campo propostas daqueles autores estavam baseadas numa generalização da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, mas ainda eram incompletas, uma vez que as equações não continham uma constante fundamental das dimensões de um comprimento e não forneciam uma interpretação física para várias quantidades matemáticas em suas teorias. Uma interpretação diferente da abordagem de Einstein-Schrödinger foi proposta por Kursunoglu em 1952, a qual levou, como uma conseqüência consideração geométrica unicamente estabelecia, a uma teoria contendo um pequeno comprimento fundamental r0. Foi descoberto, então, que para r0 = 0 a nova teoria reduzia-se à Teoria da Relatividade Geral de Einstein de 1916. A existência deste tipo de princípio de correspondência forneceu uma base sólida para a interpretação física da teoria e desse modo removeu o maior obstáculo para a construção de uma correta Teoria do Campo Unificado.

(O trecho acima foi extraído de seu próprio artigo intitulado: “Uma História Não-Técnica da Teoria da Gravitação Generalizada Dedicada ao Centenário de Albert Einstein”, o qual é traduzido e comentado em diversos posts neste blog).

Paul Dirac (1902-1984) e Behram Kursunoglu (1922-2003)

Paul Dirac (1902-1984) e Behram Kursunoglu (1922-2003)


Foto obtida do site Department of Physics – University of Miami.

A desdobramento desta discussão pode ser lido em Uma Nova Carga e links relacionados.

Niels Henrik David Bohr

“Um daqueles pais pega um, dois, três, quatro filhos e encaminha-os para um rigoroso professor e diz-lhe: ‘Por favor, ensine aos meus filhos bom comportamento, artes, escrita e cálculo. Estes meus quatro filhos estudarão sob seus cuidados. Mesmo que três desses meus filhos morram sob o rigor dos ensinamentos, ensine o último através de quaisquer meios que você pense ser adequado. Eu posso perder os três, mas não me envergonharei.’ Oh Kashyapa! O pai e o professor são responsáveis pelas mortes?” – Buda Shakyamuni no Sutra do Nirvana – A Parábola do Pai Rigoroso.

A bomba atômica foi uma obra dos aprendizes, não dos Mestres. – Marcos Ubirajara em 06/01/2009.

Niels Henrik David Bohr (1885 - 1962)

Niels Henrik David Bohr (1885 - 1962)

Nascido em Copenhague no dia 5 de outubro de 1885, Niels David Bohr formou-se em Física em 1911. Nesse mesmo ano transferiu-se para o Laboratório Cavendish, na Universidade de Cambridge. Aí trabalhou com J. J. Thomson, com o objetivo de concluir a elaboração de sua tese sobre eletrônica.

No ano seguinte foi para Manchester, para trabalhar com E. Rutherford. Este, recém-chegado do Canadá, não escondeu sua admiração pelo jovem assistente, definindo-o como “o homem mais inteligente que já tenha conhecido”, sem saber que mais tarde Bohr seria o continuador de sua obra no estudo da interpretação da estrutura do átomo. Rutherford acabara de propor uma nova teoria “nuclear”, baseando-se em experiências sobre o espalhamento de partículas alfa. Para Bohr, o encontro com Rutherford foi decisivo: daí por diante resolveu dedicar-se ao estudo da estrutura do átomo. De fato, Rutherford descobrira que o átomo possui, no centro, um núcleo no qual se concentra praticamente toda sua massa. Os elétrons, descobertos por J. J. Thomson poucos anos antes, localizavam-se ao redor do núcleo. Não se sabia exatamente, porém, como esses elétrons se dispunham e quais suas relações com o núcleo.

Bohr acreditava que, utilizando a teoria quântica de Planck, seria possível criar um novo modelo para descrever o átomo, capaz de explicar a maneira como os elétrons absorvem e emitem energia radiante. Estudando o átomo de hidrogênio, que é o mais simples de todos, Bohr conseguiu, em 1913, formular seu novo modelo: as órbitas não se localizariam a quaisquer distâncias do núcleo; ao contrário, apenas algumas órbitas seriam possíveis, cada uma delas correspondendo a um nível bem definido de energia do elétron.

A teoria de Bohr, embora tenha sido sucessivamente enriquecida e em parte modificada, representou um passo decisivo no conhecimento do átomo, podendo ser comparada à introdução do sistema de Copérnico em contraposição ao de Ptolomeu. Embora em ambos os casos se tratasse de uma primeira aproximação, foi o aperfeiçoamento dessas hipóteses que possibilitou mais tarde a elaboração de teorias mais precisas.

Assim, graças a Copérnico foi possível compreender o mecanismo do universo em geral e do sistema solar em particular; quanto a Bohr, sua teoria permitiu a elaboração da mecânica quântica partindo de sólida base experimental.

De 1914 a 1916 foi professor de Física Teórica em Manchester. Voltou depois para Copenhague, onde, em 1920, foi nomeado diretor do Instituto de Física Teórica. Finalmente, sua contribuição foi internacionalmente reconhecida quando recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1922, aos 37 anos de idade.

Bohr dedicou-se também ao estudo do núcleo atômico. O modelo de núcleo em forma de “gota de água”, que ele propôs independentemente de Frenkel, foi tratado quantitativamente. O modelo revelou-se muito favorável para a interpretação do fenômeno da fissão do urânio, que abriu caminho para a utilização da energia nuclear. De fato, Bohr notou que durante a fissão de um átomo de urânio desprendia-se enorme quantidade de energia. Notou então que se tratava de uma nova fonte energética de elevadíssimas potencialidades. Justamente com a finalidade de aproveitar essa energia, Bohr foi até Princeton (Filadélfia) para se encontrar com Einstein e Fermi e discutir com eles o problema.

Um ano após ter-se refugiado na Inglaterra, pois encontrava-se em Copenhague quando eclodiu a II Guerra Mundial, Bohr transferiu-se para os Estados Unidos, ocupando o cargo de consultor do laboratório de energia atômica de Los Alamos, onde cientistas do mundo inteiro canalizavam todos os seus esforços na construção da bomba atômica.

Compreendendo a gravidade da situação e o perigo que essa bomba poderia representar para a humanidade, Bohr dirigiu-se a Churchill e Roosevelt, num apelo à sua responsabilidade de chefes de Estado, no sentido de evitar a construção da bomba.

Mas a tentativa de Bohr foi inútil. Em julho de 1945 a primeira bomba atômica experimental explodia em Alamogordo. Em agosto desse mesmo ano, uma bomba atômica destruía a cidade de Hiroxima, matando 66.000 pessoas e ferindo 69.000. Três dias depois, uma segunda bomba foi lançada em Nagasaki.

Em 1945, finda a II Guerra Mundial, Bohr voltou à Dinamarca, sendo eleito presidente da Academia de Ciências. Continuou apoiando as vantagens da colaboração científica entre as nações e para isso foi promotor de congressos científicos organizados periodicamente na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1950 Bohr escreveu uma carta aberta às Nações Unidas em defesa da preservação da paz, por ele considerada como condição indispensável para a liberdade de pensamento e de pesquisa. Em 1957 recebeu o Prêmio Átomos para a Paz. Ao mesmo tempo, o Instituto de Física Teórica, por ele dirigido desde 1920, firmou-se como um dos principais centros intelectuais da Europa.

Bohr morreu em 1962, vítima de uma trombose, aos 77 anos de idade.

Dados bibliográficos obtidos de Sala de Física. Para informações mais completas visite o link indicado.

Werner Karl Heisenberg

Left to right: Max Planck, Albert Einstein, Ni...

Da esquerda para a direita: Max Planck, Albert Einstein, Niels Bohr, Louis de Broglie, Max Born, Paul Dirac, Werner Karl Heisenberg, Wolfgang Pauli, Erwin Schrödinger, and Richard Feynman. Image via Wikipedia

O Princípio da Incerteza no Budismo: “Quando você se preocupa unicamente em estabelecer o “eu samsarico”, a sua existência individual, nada mais saberá sobre o “Eu cósmico”, o “Ser totalizante”, ou sobre o sentido da sua existência que é um caminho-médio entre o Ser e o nada-Ser (o vazio dentro do seu próprio fenômeno existencial)”. Marcos Ubirajara em 12 de dezembro de 2008.

Werner Karl Heisenberg

Werner Karl Heisenberg

Werner K. Heisenberg nasceu em Würzburg, em 1901. Sua educação inicial e seus estudos universitários foram realizados em Munique, na Baviera. Iniciou o curso de física em 1920. Um de seus professores foi Arnold Sommerfeld, que além de famoso físico era um extraordinário professor. Muitos de seus alunos se tornaram grandes cientistas.

Após se formar, Heisenberg foi realizar seus estudos de pós-graduação em Göttingen. Seu orientador foi Max Born, que anunciara a necessidade de se formular a mecânica quântica, fundamentalmente diferente da mecânica clássica, para a explicação dos fenômenos atômicos. Em 1925, Heisenberg imaginou que era preciso alterar a própria cinemática, isto é, a própria maneira de descrever os movimentos em nível atômico.

Heisenberg desenvolveu em 1927 um trabalho em que dava ênfase à relação entre o resultado de uma medição e a perturbação causada sobre ele (o resultado) pelo observador. Conforme Heisenberg mostrou com um enorme número de exemplos, as perturbações introduzidas no processo de medição não podem ser calculadas no campo microscópico. Por isto, ao se fazer uma medição, perturba-se de tal forma o sistema que se torna impossível fazer uma previsão exata sobre seu comportamento futuro. Ao se medir precisamente a posição de uma partícula, por exemplo, haverá uma perturbação de sua quantidade de movimento, e ao se medir o instante preciso em que ocorre um fenômeno, haverá uma perturbação da energia do sistema. A formulação mais completa desta idéia é denominada Princípio das Incertezas: se não é possível determinar exatamente todas as condições iniciais de um sistema, então também não é possível prever seu comportamento futuro. Em 1932, a teoria de Heisenberg foi definitivamente consagrada, e seu autor recebeu o prêmio Nobel.

Heisenberg, apoiando o governo de Hitler, foi nomeado diretor científico das pesquisas nucleares alemãs. Nos Estados Unidos, não se suspeitava da verdadeira posição de Heisenberg: ele queria manter-se na direção das pesquisas apenas para impedir que cientistas menos escrupulosos utilizassem a energia nuclear para fins bélicos. E de fato o conseguiu. Graças à sua autoridade, convenceu os governantes da inviabilidade econômica da construção de bombas atômicas. Por isso, as pesquisas realizadas na Alemanha durante a guerra, foram apenas relacionadas com a utilização da energia nuclear em reatores atômicos.

Heisenberg tentou comunicar-se, sem sucesso, com seus colegas do exterior, para que eles também não usassem seus conhecimentos a fim de submeter a energia nuclear a finalidades bélicas. Mas nem o próprio Bohr acreditava mais nele; imaginaram que seu intuito era construir a bomba em segredo e utilizá-la de surpresa. Só após o fim da guerra, ficou sabido que a Alemanha não tentara construir armas atômicas. Mas já era muito tarde para voltar atrás. O grupo Americano de Los Alamos, dirigido por Oppenheimer, já tinha conseguido o artefato.

Um pouco antes da rendição japonesa, uma bomba atômica foi lançada sobre Hiroxima, e outra sobre Nagasaki. Por não acreditarem na palavra de Heisenberg, os físicos dos Estados Unidos tinham feito exatamente aquilo que ele tentara evitar.

Após uma curta estada na América, Heisenberg retornou à Alemanha, onde continuou a realizar pesquisas sobre reatores, tendo mais tarde sido nomeado diretor científico do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), instalado em Genebra. Por meio de vários livros e artigos, procurou sempre mostrar que a ciência deve ser colocada a serviço do homem, e não de sua destruição. Faleceu em 1976.

Dados biográficos obtidos do site Sala de Física – Biografias

Marcelo Damy de Souza Santos

Marcelo Damy de Souza Santos foi meu grande Mestre de Física Nuclear na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, entre os anos de 1974 e 1976. Ensinou-me a interpretar “secção de choque” como “tempo de sobrevôo” de uma partícula em relação ao alvo. Isto quebrou a estrutura rígida do meu pensamento. Ela, a forma, é uma fantasia que se desfaz sob a chuva do Dharma.

Marcelo Damy de Souza Santos

Marcelo Damy de Souza Santos

Físico brasileiro nascido em Campinas em 1914, que desenvolveu o primeiro reator nuclear do Brasil e construiu o acelerador de partículas Betatron (1945-1951), além de participar dos estudos brasileiros em torno da energia atômica, que resultaram na construção do primeiro reator nuclear do país. Filho de um fotógrafo e dono de um estúdio cinematográfico, que depois de sair de Campinas, passou por Ribeirão Preto e depois se fixou em São Paulo onde fez concurso para a Caixa Econômica e virou funcionário público aos 47 anos. Terminou sua educação primária em São Paulo, no Ginásio do Estado (1931), enquanto trabalhava num cartório à tarde, entregando escrituras e como consertador de rádios em casa e à noite. Também deu aulas particulares e ganhava um bom dinheiro com eletrônica e com essas aulas. Destinado a seguir a carreira de engenheiro, entrou na Escola Politécnica de São Paulo (1933) para fazer o curso de engenharia eletricista, mas optou por ser físico, influenciado (1934) pelo professor Gleb Wataghin, principalmente depois que foi criada a Faculdade de Filosofia e a área de matemática e física da Poli uniu-se a ela. Foi para Cambridge com 24 anos, com uma bolsa do British Council, onde se tornou amigo de Edmundo Barbosa da Silva, estudante de Oxford e futuro colega na Comissão de Energia Atômica junto ao Conselho Nacional de Pesquisas. De volta ao Brasil trabalhou como pesquisador e cientista da marinha brasileira, especialmente no desenvolvimento de sonares, cujo laboratório funcionava nas dependências do departamento de física da Faculdade de Filosofia, até o fim da II Guerra (1945), quando recebeu a medalha de Mérito Naval, e tornou-se professor da Faculdade de Filosofia da USP, de onde saiu para a Unicamp (1966), e em cujo Instituto de Física terminou de construir (1951) o acelerador de partículas Betatron. Nos anos seguintes participou ativamente do IEA (1956-1961), presidiu a CNEN (1961-1964), continuou seu trabalho no IPEN (1964-1968) e tornou-se professor na recém-criada Unicamp (1966-1971). Em colaboração com o professor Crodowaldo Pavan, escreveu Energia atômica e o futuro do homem (1968) e seguiu (1972) sua carreira docente como professor titular de Física Nuclear na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, e orientador de pesquisas no curso de pós-graduação do IPEN. Nas suas pesquisas sobre raios cósmicos objetivava estudar a natureza dos chuveiros penetrantes de raios cósmicos. Nos chuveiros cósmicos apareciam partículas, depois identificadas como mésons, que tinham um grande poder de penetração, sem perder parte apreciável de sua energia. Juntamente com Gleb Wataghin e Paulus Aulus Pompéia descobriram que esses chuveiros são muito penetrantes, e o trabalho foi publicado no exterior. Casado (1947) com Lúcia Toledo de Souza Santos.

Dados biográficos de Marcelo Damy de Souza Santos obtidos no site Netsaber

Foto obtida do portal do IFGW – Instituto de Fisica Gleb Wataghin da Unicamp

Nota de falecimento:

Regis Olivetti

Enviado em 02/12/2009 às 9:49

Faleceu (domingo – 29/11/2009) o nosso querido mestre Marcelo Damy, grande figura humana. Fique com Deus, pois Deus privilegiou a família por noventa e cinco anos de sua profícua vida. Descanse em paz.

muccamargo

Enviado em 02/12/2009 às 9:59

Prezado Regis,
É com imenso pesar que recebo essa notícia. Com isso, ficamos mais sós. Mas, pensando de forma não egoística, ele estava por merecer o seu descanso, na paz que ele sempre irradiou das profundezas dos seus olhos. Fomos privilegiados demais por termos nos aproximado de Marcelo Damy como seus pupilos. Esse é o místico sentimento de alegria que tenho agora. Enfim, que ele doravante resida na Paz do Dharma Maravilhoso de todos os Budas.
Obrigado por informar-me.

Marcos Ubirajara.

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