Homenagem Póstuma

Richie Havens (1941 – 2013): “I WAS EDUCATED BY MYSELF”

Faleceu Richie Havens a 22 de abril de 2013. Em 1977, quando estive nos Estados Unidos em programa de treinamento em Berkeley, comprei esse disco “quentinho” e o trouxe para o Brasil. Meu irmão, o Hamiraldo, ouvia essa música e sempre dizia: “Marcos, não entendo nada de inglês, mas eu sei o que ele está dizendo. Por favor, quando eu morrer, quero que toque essa música“.

O tempo passou, o disco sumiu e, quando Hamiraldo morreu, a música não tocou. A morte desse fabuloso Richie Havens me leva a prestar essa dupla homenagem, trazendo a recordação do “post” abaixo, o qual publiquei quando Hamiraldo morreu.

Eis o “post”.

A vida é uma escrita. Um dia, a tinta acaba, como de fato aconteceu quando escrevia uma homenagem póstuma ao meu irmão Hamiraldo do Amaral Camargo, no dia do seu falecimento. A escrita fica.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

the ink ran out.mp3

A Tinta Acabou

A Casa do Sol Nascente

Aos meus treze anos, em pleno ginasial, essa música “explodiu” em sucesso. Eu a adorava e nada, ou quase nada, sabia de inglês. Mas, com uma força avassaladora dentro de mim, fazia-me sentir a necessidade de mudar o mundo. Eu, menino pobre, pensava em viagens intergalácticas, pensava em ser como os jovens do primeiro mundo: “drogas e rock in roll”. Não sabia, entretanto, que aqueles jovens já falavam como meus pais, já iam fartos da sua própria “liberdade”, que eu tanto desejava. É assim, é assim! O sol nascerá enquanto vivermos. E, enquanto vivermos, nascerá o sol.

Eis o que dizia a música:

Há uma casa em New Orleans,
chamam-na “Sol Nascente”.
Ela tem sido a ruína de muitos meninos pobres,
e Deus, eu sei que sou um deles.

Minha mãe era uma costureira,
ela cosia os meus jeans novos.
Meu pai era um homem do jogo,
em New Orleans.

Ora, a única coisa que um jogador precisa
é uma maleta e um estojo.
E o único momento em que estará satisfeito
será quando estiver bêbado e decadente.

Oh mamãe, aconselhe seus demais filhos
a não fazerem o que eu fiz:
desperdiçar suas vidas no pecado e miséria,
na Casa do Sol Nascente.

Bem, estou com um pé na plataforma,
e o outro no trem.
Eu estou de volta para New Orleans,
para emaranhar-me naquela prisão.

Há uma casa em New Orleans,
chamam-na “Sol Nascente”.
Ela tem sido a ruína de muitos meninos pobres,
e Deus, eu sei que sou um deles.

Autor incerto, eternizada por The Animals (Eric Burdon e sua trupe).

Tradução livre por Marcos Ubirajara do original abaixo:

There is a house in New Orleans
They call the Rising Sun
And it’s been the ruin of many a poor boy
And God I know I’m one

My mother was a tailor
She sewed my new blue jeans
My father was a gamblin’ man
Down in New Orleans

Now the only thing a gambler needs
Is a suitcase and trunk
And the only time he’s satisfied
Is when he’s on a drunk

Oh mother tell your children
Not to do what I have done
Spend your lives in sin and misery
In the House of the Rising Sun

Well, I got one foot on the platform
The other foot on the train
I’m goin’ back to New Orleans
To wear that ball and chain

Well, there is a house in New Orleans
They call the Rising Sun
And it’s been the ruin of many a poor boy
And God I know I’m one.

Sei lá….

Mantra

Nando Reis e Arnaldo Antunes

(este último, filho do meu saudoso professor de mecânica quântica:)

Arnaldo Augusto Nora Antunes

A premonição de Jimi Hendrix

James Marshall Hendrix em “Somewhere”:

“But as far as I know, they may even try to wrap me up in cellophane and try and sell me”.

“Mas, até onde eu saiba, eles podem até tentar embrulhar-me num celofane e tentar vender-me”.

Eis que o fazem como dissera!

Oh, Você!

Gêlo

Gelo

Click na imagem para site de origem da imagem. Vale a pena…

Ela esteve comigo essa noite,

tomamos, bem juntos,

um litro de medo,

com gêlo…

Toda de branco,

toda comigo,

dançamos um rock sangrento,

rasgado, sem fim…

Música: Boneca

Letra: Marcão

Banda: Território Maldito

Fase Magna

Gostaria de compartilhar aqui um sentimento que tenho guardado há 40 (quarenta) anos. Em 1972, eu tocava contrabaixo numa banda de música jovem em Osasco, chamada “Território Maldito” – que horror, não? Decidimos participar do Festival de Música Popular Brasileira daquele ano na cidade, com uma composição que saiu no último ensaio antes do vencimento do prazo das inscrições, à qual demos o nome de “Fase Magna”. A música era do Walter, o “Boneca”, e a letra foi escrita por mim, Marcos Ubirajara, o “Marcão”. Dizia:

“Tempos difíceis,

preciso ir daqui, contar minha história.

Minha verdade,

será bem mais que a divina fraude.

Maturidade alcancei,

sou coisa, gente, vi e amei;

todas as formas condenei

no éter da mente.

Pelos meus caminhos,

hei de estar tão só

quanto o fio de barba em meu rosto,

ao partir.

Tempos difíceis!”

Qual o sentimento? A música foi uma das mais cantadas do festival. Mas, deram-nos apenas uma “menção honrosa” pelo arranjo inovador. Nosso sentimento foi de injustiça. Meninos pobres, da periferia do que já era periferia de São Paulo, fomos para casa. Mas hoje, e com a mesma força, gostaria de cantar essa canção para vocês como se a tivesse escrito agora, graças a esse sentimento que guardei, à espera do amadurecimento do tempo.

Continua quando um fato relevante suceder.

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Episódios Anteriores:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a William Garcia

Um Novo Trabalho

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

A Tempestade

O Apoio Institucional do Budismo Primordial

O Encontro com o Budismo Primordial

Liberdade

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