A Tinta Acabou

A vida é uma escrita. Um dia, a tinta acaba, como de fato aconteceu quando escrevia uma homenagem póstuma ao meu irmão Hamiraldo do Amaral Camargo, no dia do seu falecimento. A escrita fica.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

the ink ran out.mp3

A Tinta Acabou

O Japão Que Emerge Será Melhor

O Japão que emerge será melhor

Foto de Marcos Ubirajara em 12/03/2011

the japan which emerges will be better.mp3

Danny Preach

Chuck-berry-2007-07-18

Minhas homenagens a Charles Edward Anderson "Chuck" Berry - Imagem Wikipedia

Assim se anunciava o tremor que abalaria minha vida para sempre: “Danny Preach”!

Quem era, ou o quê era “Danny Preach”?

Início da década de 60, eu então com 9 ou 10 anos. Meus pais nunca foram de igreja, sei lá por quê. Será porque era um segundo casamento? Quando nasci meu pai estava com 58 anos, minha mãe uns 30. Mas, lá estava a igreja, o Rafa (padre Rafael para os íntimos) e o salão paroquial, atrás da Igreja Nossa Senhora da Conceição em Osasco, Vila Quitaúna, cuja qual meu pai ajudou a construir contribuindo com materiais que o Rafa sempre estava a pedir.

Ali, com a anuência do Rafa, acontecia aos domingos o “Showzinho da Igreja”. Meus irmãos mais velhos, o Luizão e o Guara, eram coroinhas, faziam parte daquele movimento, embora nenhum de nós demonstrasse qualquer aptidão para tocar. Guitarras e baixos elétricos, bateria, microfones, conjuntinhos. Um desses conjuntinhos, acredite, chamava-se “The Fishers”. Algo de muito sério estava acontecendo: uma onda de rock na periferia da grande cidade de São Paulo. Estávamos em pleno esplendor da bossa nova, Brasília capital da esperança, o primeiro automóvel brasileiro chamado “Presidente”. Depois falam que o Lula gosta de aparecer.

Por que uma onda de rock quando dávamos os primeiros passos para a descolonização verdadeira do Brasil? Ah! Nunca segui os passos do Luizão e do Guara. Não fui coroinha, não gostava daquilo: missa, cruzada e tudo mais. Eu gostava mesmo era do “Showzinho da Igreja”. Ali eu me dava bem.

Então, tudo o que eu queria na vida era uma guitarra. Mas, como conseguir uma guitarra? Enquanto não era possível tê-la, deixei-me levar pela onda que, não sei por que, fazia-me sentir desgarrar daquele negócio de igreja, embora dentro dela. Foi ali!

Anunciava-se: “Danny Preach”!

Entrava um negão trajado com roupas espalhafatosas, muitas cores, lenço de seda amarrado ao pescoço. Cantava num idioma parecido com o inglês: rock! O que era aquilo? Aquela voz rouca e alta a clamar: “Camon Beibi”! Assim por diante, muito suor, platéia muda, a dor de ser negro diante dos brancos que riam. A dança? Nem falar. O palco do salão paroquial, feito de madeira, tremia, ameaçava cair. As batidas dos seus pés ecoavam salão afora, igreja adentro, como trovões em tempestade, um tremor.

Mas, aquilo era rock? Ou rock era aquela onda emergente de Beatles, Rolling Stones, dos cabelos ao vento? Aquele negão de “cabelo esticado”, parado no ar? Assim ficavam seus cabelos, parados no ar, e eu com apenas 10 anos. O pau quebrava pelos direitos civis dos negros e, até o aparecimento de Jimmy Hendrix, já no final da década de 60, fiquei preso naquele paradoxo. Em toda a minha adolescência e juventude estivera a serviço das contradições. Como construir algo a partir de contradições?

Acho que me afirmei como homem negro devido a “Danny Preach”, o qual, na vida real, chamava-se Praxedes. Vinha da “parte alta” do bairro, do gueto da Vila Isabel, família grande, festeira, promoviam bailes aos fins de semana ao som de Ray Charles, Chuck Berry, Little Richards, The Platters, etc. Eles é que sabiam das coisas. Não íamos a esses bailes porque levavam a pecha de “maloqueiros” pelas pessoas da “parte baixa” do bairro. Notou a flagrante inversão de valores?

Assim foi. Não sei por onde anda Praxedes, sequer se está vivo. Mas, sinto felicidade ao relembrar. Por que feliz? Porque me libertei daquele constrangimento que a sua figura me causava. O que não daria para vê-lo novamente naquele palco, ameaçando derrubá-lo ao bater dos pés. Onde quer que esteja, você pensa que as coisas mudaram, Praxedes? Não! Não mudaram. Sou você agora ao anunciar o tremor dos tempos. Como no grande oceano, as ondas se sucedem, sem que jovens ou velhos as compreendam. Einstein compreendeu e lançou as bases do Raio Laser. Qual é o princípio? Bater o pé! Sim, bater o pé no ritmo, na cadência correta, nos memoriais do passado. Assim, a amplitude dessa onda, na cavidade do ser, avassalará e varrerá para fora as impurezas, as inversões e as pequenas ondas.

Praxedes, estou de volta da Montanha Dourada com muitos tesouros. Aceite-os!

Marcos Ubirajara.

Em 07/11/2010.

Então, ai vai…

O Mais Profundo Eu Somos Nós

Libertando-se das Amarras

Quem amaria soldados?

Com pesados capacetes amarrados sobre as cabeças,
Com pesados pentes de balas amarrados sobre o peito,
Com pesados fuzis amarrados aos braços,
Com pesados cinturões de granadas, punhais e pistolas amarrados sobre a cintura,
Com pesados coturnos amarrados aos pés.

Quem os amaria?

Deve-se começar pela cabeça.
Uma mente liberta logo se desfaz dos outros pesares,
Libertando corações, braços, mãos, quadris e pernas.

Para nunca mais o temor das batalhas,
O negror dos blackouts,
O furor dos tanques.

Então,
Uma brisa suave fará tremular os dosséis da paz.
Sentirás o potente, seguro e profundo som do Dharma,
Propagando-se através de ti, como num diapasão.

Não olhes para trás,
Para a cidadela em chamas do mundo tríplice.

Leia mais em O Mais Profundo Eu Somos Nós.

the deepest me are us.mp3

 

O Mais Profundo Eu Somos Nós

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Conteúdo deste volume:

Budismo e Meio Ambiente. 7

O Homem e o Meio Ambiente. 9

1ª. Parte. 9

2ª. Parte. 11

3a. Parte. 15

A Devastação do Meio Ambiente. 17

Budismo e Sociedade. 19

A Energia Nuclear e a Paz Mundial. 21

1ª. Parte. 21

2ª. Parte. 24

Corrupção e Inconsciência. 28

Naufrágio nas Profundezas de Samsara. 33

Danny Preach. 35

A Origem de um Lugar Sagrado. 38

Um Lugar Sagrado Pode Adoecer. 39

Budismo e Reflexões. 43

O Mais Profundo Eu Somos Nós. 45

A Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos – 1ª. Parte. 45

A Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos – 2ª. Parte. 47

O Fim do Mundo. 50

1ª. Parte. 50

2ª. Parte. 53

A Cura. 57

A Tinta Acabou. 57

Budismo, Religião e Física.. 59

Religião? O que é?. 61

1ª Parte. 61

2ª Parte. 63

3ª Parte. 64

4ª Parte. 65

As Três Verdades. 67

1ª parte. 67

2ª parte. 68

3ª parte. 70

Budismo, Ciência, Razão e Sonhos. 73

O Quê a Ciência Não Viu e as Três Grandes Barreiras. 75

A Razão, do Abrangente ao Restrito. 77

Um Sonho Sobre o Passado. 81

Carta a Um Amigo. 82

A Caixa Preta. 84

A Visão de 29 de Agosto. 85

Uma Metáfora da Torre de Tesouro. 86

O Supramundano. 87

Budismo, Cartas, Sonhos e Paradoxos. 89

Resposta a William Garcia. 91

Resposta a Mattuzalem Lopes Cançado. 93

O Teorema da Convolução no Budismo. 94

As Perambulações de Um Aprendiz. 95

Fato Relevante. 96

O Grande Benefício de um Pai 97

Os Inimigos Mortais da Paz Mundial e dos Direitos Humanos. 98

Diante da Ira e da Provocação. 98

O Paradoxo de Zenon no Budismo. 99

Resposta a Filipe. 101

Resposta a William Garcia. 103

Resposta ao Sacerdote Gyoen Campos. 105

Budismo, Crise e Meditação.. 107

Cem Anos da Imigração Japonesa no Brasil. 109

Carta aos Imigrantes Japoneses. 109

As Virtudes Douradas dos Grandes Bodhisattvas. 111

O Bolo Consumista: A Fórmula da Crise Americana. 112

O Segredo da Não Distinção. 113

Tozan. 115

Monólogo no Exílio. 117

A Terceira Guerra Mundial. 117

Poemas do Dharma.. 119

Um Olhar Sem Distinções. 121

Flor Mística. 122

Ode ao Ideal Supremo [1] 123

O Pico da Águia. 123

Quântica. 124

Cristal Perfeito. 125

Ver o Buda. 127

A Última Barreira. 128

O Sutra do Cálice Vazio do Cristal Perfeito. 128

Libertando-se das Amarras. 129

As Águas do Vasto Oceano. 130

A Solidão do Buda. 132

Meditação. 132

Ventos de Samsara. 133

O Rei do Vazio. 134

Fotossíntese. 134

Sementes da Paz. 136

Cultivares da Grande Compaixão. 136

Doenças. 136

Vida à Vida. 137

A Ascensão do Tolo. 137

A Árvore do Bodhi 138

A Síndrome do Eu. 138

Inteligência. 139

O Japão Que Emerge Será Melhor. 139

Lótus e Pedras. 140

Folhas de Outono. 142

Glossário de Nomes e Termos. 143

Referências Bibliográficas. 143

 

Naufrágio nas Profundezas de Samsara

Gentle Giant – Wreck – Tradução Livre de Marcos Ubirajara, adaptada para o contexto do Budismo

“O embicar do navio do mar para o céu, heyeheh, assim vai…
Apenas um grito de lamento e um choro desesperado, heyeheh, assim vai…
Suas vidas passam diante de si antes que morram, heyeheh.

O mar boceja ao redor como um redemoinho do inferno em ebulição, heyeheh, assim vai…
E as almas (tragadas) desaparecem com o dobre daquele sino, heyeheh, assim vai…
Os braços do mar vão arrastando-os para baixo, heyeheh, assim vai…
Perdidos nas aflições e pecados, eles naufragam, heyeheh.

Como é estranho quando você pensa que o mar era o seu caminho;
e uma morte sem sentido é o preço que pagam.
Por suas vidas serem feitas da profundidade,
para manter os seus em conforto e segurança,
todos os seus e lugares onde vivem,
nunca mais serão vistos novamente,
nunca serão afagados em seu último abraço.
E o beijo (da morte) tem um gosto de sal amargo.

Agora tudo que resta é o cruel e profundo mar, heyeheh, assim vai…
E os destroços das coisas que eram, heyeheh, assim vai…
Nenhuma pedra marca o lugar daquela sepultura aquosa, heyeheh, assim vai…
Juntos morrem, tanto os fracos como os fortes, heyeheh, assim vai…”

…. Os braços do mar …. etc, etc.

Gentle Giant » Wreck (Acquiring the taste, 1971) – Original Lyrics

“The ship’s rising up from the sea to the sky heyeheh Hold on
Just one sorry scream and a desperate cry heyeheh Hold on
Their lives pass before them before they die heyeheh –

The sea yawns around like a boiling hell heyeheh hold on
And souls disappear with the toll of that bell heyeheh hold on
The arms of the sea they are dragging them down heyeheh hold on
And sorrows and sins they are lost as they drown heyeheh –

How strange when you think that the sea was their way;
And a meaningless death is the price they pay
For their living was made from the deep
To their people in comfort and keep
Keep all their people and places there
Never to be seen again, never to be loved and their last embrace –
And the kiss has a salt bitter taste

Now all that remains is the deep cruel sea heyeheh hold on
And wreckage of things that used to be heyeheh hold on
No stone marks the place of that watery grave heyeheh hold on
Together they die both the weak and the brave heyeheh hold on“
The arms of the sea…. etc.

http://www.lyricsdomain.com/7/gentle_giant/wreck.html

Resposta a Filipe

Prezado Filipe,

Darei uma resposta breve que, talvez, possa ajudar. No Budismo, deve-se sempre buscar os Três Tesouros, os quais são: O Buda, o Dharma, e a Sangha. No ensino do Mahayana Mahaparinirvana, o Honrado pelo Mundo estabelece que esses Três Tesouros são unos. Você não encontra um aqui, outro ali. Percebe?

Vamos lá!

Buda: Não o vemos por aí devido às impurezas de nossas vidas. Enquanto as removemos através da Prática dos Ensinamentos (requer estudo), resta-nos ter na eternidade da vida do Tathagata, e no estabelecimento de que todos os seres possuem a Natureza de Buda.

Dharma: Você o está encontrando agora, o Dharma Maravilhoso. O encontro com as letras dos ensinamentos do Buda, referindo-me aos sutras, não dispensa a necessidade de se encontrar o Bom Amigo da Via, o professor, o Mestre do Dharma. Esses são pessoas Sagradas. Não os confunda com quaisquer uns.

Sangha: No sentido amplo, Sangha são as quatro classes de crentes, isto é: Monges, Monjas, Leigos, e Leigas. Então, são todos os seguidores do Budismo, indistintamente. No sentido restrito, Sangha são os Monges, os Sacerdotes do Budismo. Como os reconhecemos? A leitura do post de 09 de setembro de 2010 aqui no Cristal Perfeito, chamado “Os Três Tipos de Desejo”, pode ajudar. Use sua capacidade de discernimento, a qual deve aumentar conforme você for aprofundando nos estudos e praticando os ensinamentos.

Bem, como dito acima, os Três Tesouros são unos. Ser Budista é buscar a compreensão dessa unicidade nas profundezas do Mundo Búdico, e não na superfície do planeta Terra.

Respeitosamente,

Marcos Ubirajara.

Em 09/09/2010, nos comentários do post: Sutra de Lótus – 2a. Edição.

A Síndrome do Eu

O Eu individual ‘não-é’,
porque morre e não tem um lugar para ir, ou estar.
Mas, ‘é’ porque constitui o mundo fenomenológico.

O Eu eterno ‘é’,
pela sua qualidade de eterno.
Mas, ‘não-é’ ou está aqui, ou acolá,
pemanecendo em tudo, fenomenologicamente.

Em 31/08/2010.
23:00 hs.

the self syndrome.mp3

A Árvore do Bodhi


Sem a seiva da árvore,
uma folha seca rapidamente.
Este é o profundo significado
da não-retroação do Bodhisattva.

Marcos Ubirajara.
Em 30/06/2010.

Arte Sã

Esse é um trabalho de artesanato em cerâmica plástica feito pela ‘São’, minha amiga de Brasília-DF. Deu-me neste Vesakh de 2010.

Oh, São! Muito obrigado.
Namaste!

Flor de Lótus

Arte Sã

A Ascensão do Tolo


Quando o tolo começa a subir na vida, o primeiro peso que ele deixa para trás é a idéia de igualdade.

Em 11/05/2010
13:00 hs.

Nota: mais tarde, ele lembrará da impermanência de todas as coisas. Será tarde demais para se remir.

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