Sutra do Nirvana – Cap. 42 – Bodhisattva Kashyapa 3

“Oh bom homem! Quando uma pessoa adoecida sabe que sua doença é leve e que poderá ser facilmente curada, ela não se sentirá infeliz quando um remédio amargo lhe for prescrito, e o tomará. É o mesmo caso com a pessoa sábia, também. Ela faz esforços, pratica a Via Sagrada, é feliz, não cessa (os esforços), e não sente pesar.

Oh bom homem! Se uma pessoa vem a conhecer as impurezas, a causa das impurezas, o resultado das impurezas, a leveza e o peso das impurezas; ela fará esforços, eliminará as impurezas e praticará a Via. Com essa pessoa, a ‘matéria’ [forma física] não surge, nem provoca sentimento, percepção, volição, e consciência. Se uma pessoa não vê as impurezas, a causa das impurezas, o resultado das impurezas, a leveza e o peso das impurezas, e não empreende esforços na prática da Via; para essa pessoa a matéria, sentimento, percepção, volição, e consciência surgirão.

Oh bom homem! ‘Aquele’ que vê as impurezas, a causa das impurezas, o resultado das impurezas, a leveza e o peso das impurezas, e que pratica a Via é o Tathagata. Por essa razão, o corpo [‘rupa’] do Tathagata é Eterno. Assim é com [‘seu’] sentimento, percepção, volição, e consciência, os quais são todos Eternos.”

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Sutra do Nirvana - Capítulo 42

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Destaques deste Capítulo:

A Imperfeição no Conhecimento. 3

Aquele que Flutua e Olha Tudo ao Redor. 6

Aquele que Olha Tudo ao Redor e Então se Vai 12

Aquele que Sai e Então Permanece Lá. 12

Aquele que Alcança a Outra Margem.. 18

Os Sete Tipos de Fruições. 19

Fruição Através dos Meios. 19

Fruição dos Débitos de Gratidão. 20

Fruição da Amizade. 20

Fruição Daquele Que Perdura. 20

Fruição Equânime. 21

Fruição da Recompensa. 21

Fruição da Segregação. 21

O Vazio Como ‘Não-É’ 29

O Vazio Como ‘Não-É’ – Nirvana. 29

O Vazio Como ‘Não-É’ – Luz. 30

O Vazio Como ‘Não-É’ – Lugar. 30

O Vazio Como ‘Não-É’ – Gradual 31

O Vazio Como ‘Não-É’ – Três Coisas. 31

O Vazio Como ‘Não-É’ – Desimpedimento. 31

O Vazio Como ‘Não-É’ – Co-Existência. 32

O Vazio Como ‘Não-É’ – Eterno. 32

O Vazio Como ‘Não-É’ – Dual 32

O Vazio Como ‘Não-É’ – Direção. 33

O Vazio Como ‘Não-É’ – Elemento. 34

Como a Utpala – O Lótus Azul. 34

Meditar Sobre Impurezas. 37

Os Skandhas do Sábio. 38

Pérolas do Universo – Fascículo XII

“O que é fé? O Bodhisattva-Mahasattva acredita que existe recompensa nos Três Tesouros e na doação. As duas realidades [isto é, a relativa e a ultimada] e a Via do Veículo Único [‘ekayana’] não são diferentes. Ele acredita que todos os Budas e Bodhisattvas desdobram as coisas em três (veículos), de tal maneira que todos os seres alcancem rapidamente a Emancipação. Ele acredita na ‘Paramartha-satya’ [‘a verdade da Realidade Última’] e nos bons meios hábeis. Isto é fé.

Uma pessoa que assim acredita não pode ser derrotada por quaisquer Shramanas, Brâmanes, Marapapiyas, Brahma, ou quem quer que seja. Quando uma pessoa baseia-se nessa fé, ela ganha a natureza de um sábio sagrado. Ela pratica a doação – quer seja grande ou pequena – e tudo isto leva ao Mahaparinirvana, e dessa forma essa pessoa não cai no (ciclo do) nascimento e morte. O mesmo se passa com a observância dos preceitos morais, com a audição da Via, e com a Sabedoria, também. Isto é fé.”

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Perolas do Universo 12

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Conteúdo deste Fascículo:

As Profundezas do Caminho Médio   3

O Que é Fé. 4

O Que é Mente Correta  5

A Qualidade Daquele Que Indaga  5

Os Nove Fatores das Relações Causais nas Doenças  6

A Harpa e o Rei 7

A Natureza da Nata  8

Pais e Filhos. 9

A Natureza Original de Todas as Coisas  10

O Rugido do Leão. 11

Os Passos do Leão. 14

Natureza de Buda. 15

A Visão dos 12 Elos da Interdependência  17

A Iluminação Insuperável Final de Todos os Seres  18

O Absoluto. 19

A Natureza de Buda de Todos os Seres  20

Cores à Luz do Dia  21

Os Doze Elos do Surgimento Interdependente  22

A Grama dos Himalayas  24

Desejar Pouco e Sentir-se Satisfeito   25

Os Três Tipos de Desejo   25

O Esforço para o Mahaparinirvana  26

Visão e Audição Sobre a Natureza de Buda  27

Por que Dominar a Mente

“Oh você! Se alguém alcançasse o Caminho através da penitência [prática de austeridades], todos os animais deveriam atingi-lo. Esse é o porquê alguém primeiro subjuga a mente e não o corpo. Por isso, Eu digo no meu sutra que se deve derrubar a floresta, mas não a árvore. Por quê? Da floresta, adquire-se medo, mas não da árvore. Se uma pessoa deseja ajustar o seu corpo, ela deve primeiro ajustar a mente. A mente é a floresta, e o corpo é a árvore. Assim devemos comparar as coisas.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 46 – Sobre o Bodhisattva Kaundinya 2.

why subdue the mind.mp3

Os Dois Lados e o Intermédio

O Brahmacarin (chamado Kasaya) disse: “Se esse corpo carnal está baseado nas impurezas e no carma, podemos extirpar as impurezas e o carma?”

O Buda disse: “É assim, é assim!”

O Brahmacarin ainda disse: “Oh Honrado pelo Mundo! Por favor, seja gentil o bastante para analisar e expor a mim, tal que eu possa realmente ouvir e imediatamente cortar as amarras.”

O Buda disse: “Oh bom homem! Se uma pessoa vem a saber que os dois lados e o intermédio são desimpedidos [desobstruídos], essa pessoa de fato aparta-se das impurezas e do carma.”

“Oh Honrado pelo Mundo! Agora sei e adquiri o Olho-do-Dharma correto.”

O Buda disse: “De que maneira você sabe?”

“Oh Honrado pelo Mundo! Os dois lados são ‘forma material’ e ‘emancipação da forma material’, e o intermédio é o ‘Nobre Caminho Óctuplo’. Assim também se dá com o sentimento, percepção, volição, e consciência.”

O Buda disse: “Bem falado, bem falado, oh bom homem! Agora você veio a saber dos dois lados e cortar as impurezas e o carma.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 46 – Sobre o Bodhisattva Kaundinya 2.

the two Sides and the in-between.mp3

Orgulho

Senika disse: “Oh Honrado pelo Mundo! Grande Compassivo! Explique-me, eu rogo, como faço para atingir o Eterno, Êxtase, o Eu, e o Puro, sobre o qual você fala.”

O Buda disse: “Nobre filho, o mundo inteiro possui um grande orgulho [mana] desde os primórdios, o qual aumenta o (próprio) orgulho e também funciona como a causa de [mais] orgulho e ações orgulhosas. Portanto, os seres agora experimentam os resultados (retribuições) do orgulho e não são capazes de eliminar todas as klesas [impurezas mentais/morais] e atingir o Eterno, Êxtase, o Eu, e o Puro. Se os seres desejam acabar com todas as impurezas, o que eles necessitam fazer, antes de tudo, é acabar com o orgulho.” [Nota: a palavra do Sânscrito para orgulho, mana, tem um alcance semântico diferente do Inglês ‘orgulho/arrogância’. Ela é derivada da raiz verbal ‘man’ (pensar, acreditar, medir, conceituar, julgar, valorar, considerar como) e também significa ‘medida’, ‘cômputo’, ‘meios de prova’. O sentido de ‘orgulho’ aqui implica os processos de geração ou projeção que são construtos mentais implicitamente falsos. Ele se refere ao processo descrito no capítulo anterior do sutra sobre as quatro inversões (visões distorcidas). – Stephen Hodge].

Read More on the Nirvana Sutra, Chapter 45 – On Bodhisattva Kaundinya 1.

pride.mp3

Sutra do Nirvana – Cap. 41 – Bodhisattva Kashyapa 2

Caminho Médio

“Oh bom homem! Os seres não compreendem o Caminho Médio. Às vezes eles o compreendem, e outras vezes não. Oh bom homem! A fim de que os seres possam saber, Eu digo que a Natureza de Buda nem está dentro e nem fora. Por quê? Os seres comuns dizem que a Natureza de Buda são os cinco skandhas, como se contida num vaso. Ou eles dizem que ela existe fora dos skandhas, como num vazio. Este é o porquê o Tathagata diz Caminho Médio. A Natureza de Buda que os seres possuem não é nem os seis sentidos orgânicos, e nem os seis campos dos sentidos. Dentro e fora se juntam. Assim, dizemos Caminho Médio. Este é o porquê o Tathagata diz que a Natureza de Buda é nenhuma outra senão o Caminho Médio. Como ela não está nem dentro e nem fora, é o Caminho Médio.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana – Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

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SUTRA DO NIRVANA - CAPITULO 41

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Destaques deste Capítulo:

A Virtude da Dúvida. 3

O Aspecto Temporal dos Seres. 22

As Três Formas de Pregação. 26

Quando Falo da Minha Própria e Livre Vontade. 26

Quando Falo Seguindo a Vontade de Outros. 28

Quando Falo Seguindo Minha Própria Vontade e a de Outros. 30

Os Sete Tipos de Seres. 36

Aquele que Sempre Afunda. 36

Seis Formas de Persistir no Mal 37

Três Tipos de Coisas Más. 38

Aquele que Afunda e Flutua Novamente. 39

O Imperfeito na Fé, Preceito, Audição, Doação, Sabedoria. 40

Aquele que Flutua e Permanece. 46

Eu Fantasma

Senika disse: “Oh Gautama! Se não existe o eu, quem vê e quem ouve?”

O Buda disse: “Tem-se as seis esferas (dos sentidos) dentro, e as seis poeiras [isto é, os seis campos dos sentidos] fora. O interno e o externo se associam, e se ganha os seis tipos de consciência. Ora, essas seis consciências adquirem seu nome através das relações causais.

Por exemplo, um fogo surge de uma árvore, e falamos de ‘fogo da árvore’. A grama pega fogo, e falamos de ‘fogo da grama’. O farelo pega fogo, e falamos de ‘fogo do farelo’. O estrume de vaca pega fogo, e falamos de ‘fogo do estrume de vaca’. É a mesma coisa com a consciência dos seres, também. ‘Adquirimos consciência por meio dos olhos, cor, luz e desejo (que são as relações causais da visão); e dizemos ‘consciência dos olhos’.

Oh bom homem! Essa consciência dos olhos não existe no olho, nem no desejo, etc. As quatro coisas se associam e adquirimos essa consciência. É o mesmo com a consciência da mente. Se as coisas vêm a ser assim, não podemos dizer que conhecimento e visão são o eu, e que o tato é o eu.

Oh bom homem! Esse é o porquê dizemos que o eu é (o que abrange) desde a consciência do olho até a consciência da mente (passando pelos seis órgãos sensoriais), e que todas as coisas são fantasmas. Como elas são como fantasmas? Em vista do fato de que ‘o que originalmente não era, é o que é agora; e o que certa vez foi, agora não é mais’. Oh bom homem! Por exemplo, a mistura de manteiga, cevada, farinha, mel, gengibre, pimenta, pippali [tipo de pimenta comprida], uva, nozes, romã, e suishi [um tipo de ameixa] é chamada ‘kangigan’ [possivelmente o nome de uma droga]. A não ser a partir dessa mistura, não pode haver ‘kangigan’. As seis esferas do interior e exterior (dos sentidos) são o que chamamos de ser, eu, humano, macho, ou fêmea. A não ser a partir das seis esferas de dentro e de fora, não pode haver o ser, ou o humano.”

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As Virtudes de Vasistha

Então Kaundinya foi ao Buda e disse: “Oh Honrado pelo Mundo! O Monge Vasistha se arrepende e diz: ‘Fui um tolo obstinado, toquei o corpo do Tathagata e agora sou um do seu grupo [de seguidores]. Não posso ter esse meu corpo perverso por muito tempo no mundo’. Ele agora deseja acabar com esse corpo, veio a mim e se arrepende.”

O Buda disse: “Oh Kaundinya! Vasistha de há muito acumulou virtudes nos lugares de inumeráveis Budas. Tendo sido ensinado agora por mim, ele está residindo corretamente na Via. Residindo corretamente na Via, ele chegou à fruição correta. Você deve fazer oferecimentos para o seu corpo carnal.”

Kaundinya, assim instruído pelo Buda, foi para onde a pessoa vivia e fez oferecimentos. Então, Vasistha, por ocasião da sua cremação, realizou muitos milagres divinos. Todos os tirthikas viram isto e clamaram alto: “Esse Vasistha adquiriu feitiçaria no lugar do Shramana Gautama.”

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the virtues of vasistha.mp3

A Conversão de Vasistha

Vasistha disse: “Oh Honrado pelo Mundo! Agora venho realmente conhecer o Eterno e o não-eterno.”

O Buda disse: “Oh bom homem! Como você conhece o Eterno e o não-eterno?”

Vasistha disse: “Eu agora sei que o eu e a forma são não-eternos e que a Emancipação é Eterna. Assim é com [os cinco skandhas], até a consciência.”

“Oh bom homem! Agora você retribua bem a esse corpo carnal aquilo que você deve.”

Para Kaundinya, ele disse: “Esse Vasistha agora atingiu a fruição do Arhatship. Dê-lhe as três vestimentas [robes] e uma bacia (para donativos).”

Então Kaundinya deu as vestimentas conforme instruído pelo Buda. Então, ao receber os robes e a bacia, Vasistha disse: “Oh Kaundinya, grandemente virtuoso! Agora obtive sobre esse meu corpo carnal uma grande recompensa cármica. Por favor, oh grandemente virtuoso, condescenda em ir ao Buda e informar em detalhes o que aconteceu comigo. Esse meu corpo miserável tocou e maculou o Tathagata, e agora adota o seu nome da família Gautama. Por favor, informe-o em meu nome e diga que agora me arrependo dos meus maus atos. Também, não posso ter esse meu corpo por muito mais tempo na vida. Agora entrarei no Nirvana.”

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conversion of vasistha.mp3

A Conversão de Vasistha

Foto de Marcos Ubirajara em 24/06/2011 - Sítio da Dôra

Três Tipos de Doenças dos Seres

“Todos os seres possuem três enfermidades, as quais são: 1) a cobiça, 2) a má-vontade, e 3) a ignorância. Três tipos de remédio curarão essas três doenças. A meditação sobre as impurezas agirá como um remédio contra o desejo; (a meditação) sobre o amor-benevolente agirá como um remédio contra a má-vontade; (a meditação) sobre o conhecimento das relações causais agirá contra a ignorância.

Oh bom homem! No sentido de acabar com o desejo, medita-se sobre o não-desejo; para acabar com a má-vontade, a meditação sobre a não-má-vontade é feita; para acabar com a ignorância, medita-se sobre não-ignorância. Nas três doenças não temos os três tipos de remédio, e nos três tipos de remédio não temos os três tipos de doença. Oh Bom homem! Como não há os três tipos de remédio nos três tipos de doença (ou seja, não há pureza nas doenças), isto é não-eterno, não-êxtase, não-eu, e não-puro. Nos três tipos de remédio não há os três tipos de doença (ou seja, não há impurezas nos remédios). Por isso, o Eterno, Êxtase, o Eu, e o Puro.”

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three kinds of illnesses of the beings.mp3

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