A Origem de Nossas Ofensas

Comentário:

Esta parte do texto do sutra fala de uma pessoa com graves ofensas que recebe uma retribuição leve. Preocupado com que os seres viventes possam não compreender a Marca Real, o Dharma Maravilhoso do Grande Veículo, e consequentemente darem origem às dúvidas, o Buda Shakyamuni assim falou para dirimir quaisquer dúvidas. Que dúvidas teriam os seres viventes? Eles se perguntariam como é possível que alguém ao recitar o Sutra Diamante, o qual o Buda Shakyamuni afirmou ser profundo e maravilhoso, ainda fosse ridicularizado pelos outros por assim fazer.

“Vazio Nato”, o Buda disse: “Por que um homem ou mulher que tenha cultivado os cincos preceitos e as dez boas ações, e que receba o sutra com seu coração, e o ostente com o seu corpo, seria ridicularizado pelas pessoas ao ler e recitar o sutra?” Por que as pessoas depreciariam-no e diriam: “Olhem-no, ele ainda recita sutras! Ele ainda recita o nome do Buda! É só fachada. Ele está içando uma cabeça de carneiro, mas vendendo carne de cachorro. Ele estuda o Budadharma e recita o nome do Buda, e ainda assim ele rouba,mata, envolve-se em práticas sexuais impróprias, e uso tóxicos. Ele fará qualquer coisa, e ainda assim recitará os sutras. É blasfêmia! Isto equivale a caluniar o Buda.”

Alguém que ouvisse tal discurso perguntaria por que alguém ao recitar um sutra estaria sujeito a tal ridicularização. O Buda Shakyamuni explicou que tal pessoa teria cometido incalculáveis ofensas cármicas no passado – talvez até as cinco ofensas graves:

  1. matar um pai
  2. matar uma mãe
  3. matar um Santo (Arhat)
  4. destruir a harmonia da Sangha
  5. derramar o sangue do Buda

Talvez aquela pessoa tivesse caluniado outros ou tivesse sempre causado-lhes problemas. Como resultado de tais ações essa pessoa basicamente deveria cair nos três maus caminhos do inferno, espíritos famintos, e animalidade. Mas um vez que ela tenha recebido o sutil, maravilhoso e profundo Budadharma da Marca Real do Grande Veículo, a retribuição pelas suas graves ofensas anteriores é aliviada. A retribuição toma a forma de ter pessoas a ridicularizarem-na quando ela recita sutras. Assim aquela pessoa tem graves ofensas, mas um retribuição leve.

Sutra Diamante – Capítulo 16 – Obstruções Cármicas Podem Ser Purificadas.

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Oferecimento de Flores

2.    Flores. Quanto mais finas as flores que você oferece ao Buda, maior o mérito e virtude que você recebe pelo oferecimento. Não gaste todo o seu dinheiro apenas com boas coisas para comer; reserve um pouco para um oferecimento ao Buda. A retribuição pelos oferecimentos de flores é que você terá feições perfeitas e será muito belo ou extremamente elegante em sua próxima vida. As pessoas se apaixonarão por você à primeira vista. Mulheres serão fortemente atraídas por você se for um homem, e homens serão incapazes de resistir sua beleza se você for uma mulher. “Isto é muito problemático”, você poderá dizer. “Eu não quero me envolver com isso”.

Se você não quer esse tipo de problema, tanto melhor. O Buda Shakyamuni tinha feições perfeitas como resultado do oferecimento de incenso e flores para Budas em suas existências anteriores. Se você teme o problema que uma aparência perfeita pode trazer, você pode imitar o Patriarca Bodhidharma que tinha uma barba rala e feições horríveis! Cabe a você (escolher). Uma vez que você goste, você pode conseguí-lo.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

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Oferecimento de Incenso

1.    Incenso. O mais fino e caro incenso deve ser oferecido para o Buda. Se você fosse comprar incenso velho que o lojista estava para descartar e o adquiriu como um oferecimento para o Buda, o seu coração estaria carente de sinceridade. Por outro lado, se você oferecesse Gosirsa-Cândana, incenso “Sândalo Cabeça-de-Boi”, sua doação, envolvendo um considerável sacrifício de sua parte, seria considerada sincera. O incenso “Cabeça-de-Boi” é frequentemente mencionado nos ensinamentos do Buda. O Sutra Sarangama explica que esse incenso era tão fragrante que podia ser sentido dentro de um raio de treze milhas quando estava sendo queimado na cidade de Sravasti durante as assembleias do Buda. No Sutra do Bodhisattva Provedor da Terra (Earth Store Bodhisattva Sutra) a mulher Brâmane vendeu sua casa e sacrificou sua fortuna no sentido de fazer um grande oferecimento para o Tathagata Rei do Samadhi Auto-Existente da Flor da Iluminação. Sua sinceridade era tão grande que ela vendeu o próprio topo de sua cabeça (escalpo) no sentido de fazer os melhores oferecimentos para o Buda.

A retribuição pelo oferecimento de incenso ao Buda é que no futuro o seu corpo será fragrante. Uma essência rara constantemente exalará da boca do Buda Shakyamuni e de cada poro do seu corpo. O corpo de uma pessoa comum tem um odor tão desagradável que pode ser sentido a milhas. Se você não acredita nisso, apenas considere que um cão policial é capaz de rastrear o cheiro de um humano a uma distância de três a cinco milhas. Todavia, se você faz oferecimentos de incenso ao Buda com a esperança de obter um corpo fragrante, então você perdeu o ponto. Você não deve procurá-lo. Quando o seu mérito e virtude forem suficientes, seu corpo tornar-se-á fragrante naturalmente. Os deuses, por exemplo, têm corpos fragrantes porque fizeram oferecimentos de incenso para o Buda nas vidas anteriores. Até que seus méritos e virtudes sejam suficientes, você continuará a ter um corpo mal-cheiroso comum não importa o quanto você se esforce para atingir um odor fragrante.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

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O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra

Sutra:

“Subhuti, um bom homem, ou uma boa mulher, pode pela manhã doar tantos corpos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges, e novamente à tarde doar tantos corpos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges, e novamente à noite doar tantos corpos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges, doando corpos daquela maneira ao longo de incontáveis milhões de kalpas. Mas se alguém caso ouvisse esse sutra e nele acreditasse sem reservas, suas bênçãos superariam aquelas anteriores. Quanto mais seria se uma pessoa pudesse escrever, copiar, ostentar, ler, recitar e explicá-lo para outros. Subhuti, o mérito e virtude desse sutra são inexprimíveis, inconcebíveis, ilimitados, e além de todos os louvores. Ele é pregado pelo Tathagata para aqueles que se propuseram ao Grande Veículo, aqueles que se propuseram ao Veículo Supremo. Se há pessoas que possam receber, ostentar, ler, recitar e explicá-lo para outros, essas pessoas são completamente conhecidas pelo Tathagata; elas são completamente assistidas pelo Tathagata. Essas pessoas alcançaram imensuráveis, inexprimíveis, ilimitados, inconcebíveis méritos e virtudes, e assim sustentam o Anuttara-Samyak-Sambodhi (Insuperável, Própria e Plena Iluminação Correta) do Tathagata.

Comentário:

O Buda Shakyamuni novamente admoestou Vazio Nato: “Subhuti, se um homem ou uma mulher que cultiva os cinco preceitos e as dez boas ações, doasse seu corpo tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges pela manhã, à tarde e à noite”. O Buda havia previamente falado da doação do corpo de alguém como oferenda. Agora ele fala da doação do corpo de alguém repetidamente, tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges. Não apenas a pessoa doa aqueles muitos corpos pela manhã, mas também à tarde. Além disso, ele doa seu corpo tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges à noite. Nem é o oferecimento por apenas um dia, mas ao longo de incontáveis milhões de kalpas. Ainda assim, as bênçãos e virtudes auferidas quando uma pessoa meramente ouve o sutra e acredita-o sem reservas superam aquelas da pessoa que doa corpos tão numerosos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges pela manhã, à tarde, e à noite através de inumeráveis milhões de kalpas.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

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O Real Objetivo do Budadharma

O Buda novamente instruiu Subhuti: “Para que um Bodhisattva possa beneficiar os seres viventes, ele deve praticar a doação conforme estabeleci previamente, sem persistir em lugar algum. O objetivo do Budadharma é libertar as pessoas de apegos”. “Deixe a brisa suave e a lua brilhante virem como são”. Deixe as coisas acontecerem naturalmente, não seja apegado. Ao apegar-se às marcas quando na doação, você cultiva a retribuição dos céus. Para cultivar a fruição do Buda, você não deve apegar-se às marcas. Mas você deve realmente e de fato fazê-lo. Você não pode dizer: “Eu não sou apegado às marcas. Não há realmente nada! Eu não necessito fazer nada”. Pensar dessa maneira é cair na falsa vacuidade.

Todas as marcas são pregadas pelo Tathagata como nenhuma marca. Basicamente, todas as marcas são destituídas de marcas. E todos os seres viventes são pregados como nenhum ser vivente. Originalmente a sua natureza própria é o Buda. Mas agora, em razão de estarem confusos, são seres viventes. Uma vez iluminados, eles tornam-se Budas. Se você usa o Budadharma para ensinar e transformar seres viventes, no futuro todos eles podem retornar à sua origem e atingir o Estado de Buda.

Para que suas palavras não façam com que as pessoas se tornem temerosas, aterrorizadas ou duvidosas, o Buda Shakyamuni assegurou a Subhuti: “As palavras do Tathagata são verdadeiras e honestas. São francas e diretas”. O Buda não mente. Todas as coisas que ele diz contêm o princípio da verdadeira talidade (sânsc. TATHATA, ing. SUCHNESS, significando a verdadeira natureza dos fenômenos, tal como são). O Tathagata não diz palavras falsas, nem expõe princípios estranhos e misteriosos engendrados para suscitar o pânico e alarmar os corações de seus ouvintes.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

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O Coração do Anuttara-Samyak-Sambodhi

Sutra:

“E por quê? Quando eu fui decepado membro a membro, se eu possuísse uma marca do eu, uma marca dos outros, uma marca dos seres viventes, ou a marca de uma vida, eu teria sido ultrajado.”

Subhuti, ainda me lembro que no passado, durante quinhentas vidas, eu fui o Paciente Imortal. Durante todas aquelas vidas eu não tinha a marca do eu, nem a marca dos outros, nem a marca dos seres viventes, e nem a marca de uma vida. Por aquela razão, Subhuti, um Bodhisattva deve, ao renunciar todas as marcas, produzir o coração do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nas formas. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nos sons, odores, sabores, objetos tangíveis, ou dharmas (fenômenos). Ele deve produzir aquele coração que não reside (ou persiste) em lugar algum. Qualquer morada do coração é nenhuma morada. Portanto o Buda diz: ‘O coração de um Bodhisattva não deve persistir nas formas quando ele doa’. Subhuti, o Tathagata é aquele que fala a verdade, que fala o que é real, que fala o que é assim, que não diz o que é falso, que não diz o que não é assim.”

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

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O Rei de Kalinga

Por que o paramita da paciência é dito ser destituído da paciência? “Subhuti, é assim como quando Eu, no terreno causal, tive meu corpo desmembrado pelo Rei de Kalinga”. Há muito tempo numa vida passada, o Buda Shakyamuni fora um jovem cultivador (da Via) praticando nas montanhas acerca de trinta milhas da cidade-capital onde o Rei de Kalinga governava. Certo dia, o rei decidiu ir à caça e convocou um grupo de soldados, ministros e autoridades para acompanhá-lo. Para completar o grupo, ele convocou as mais belas concubinas do palácio. Na verdade, ele não suportaria apartar-se de suas mulheres mesmo durante uma viagem de caça. Ele procurava um passatempo mais agradável.

A área de caça na montanha era muito ampla, e o Rei de Kalinga imediatamente saiu em perseguição a um grande gamo, deixando as tímidas mulheres para trás para se divertirem. Enquanto as mulheres passeavam ao redor da montanha, aconteceu de encontrarem um jovem monge que tinha apenas dezoito ou dezenove anos e muito bonito, a despeito do fato de que seu cabelo havia crescido e suas vestes estavam esfarrapadas. Quando elas o avistaram pela primeira vez, pensaram que ele era algum tipo de criatura estranha ou uma besta devoradora de pessoas, e entraram em pânico. “Olha”, disseram em sobressalto, agarrando-se umas às outras, “há um animal selvagem que parece um ser humano!”

“Eu não sou um animal selvagem, sou um cultivador da Via”, o jovem lhes assegurou.

Quando as concubinas ouviram que a criatura podia conversar, sua curiosidade foi despertada, e elas se aproximaram para falar com ele. “O que significa ‘cultivar a Via’?” elas indagaram, pois elas nunca estiveram fora dos limites do palácio, e dessa forma nunca tinham ouvido falar de tal coisa. O jovem cultivador pregou o dharma para elas. Vendo o que nunca haviam visto antes, e ouvindo o que nunca haviam ouvido antes, ficaram fascinadas e logo esqueceram de tudo – mesmo quem (eram) e onde estavam.

Neste ínterim o Rei de Kalinga retornou de sua expedição e descobriu que suas concubinas do palácio haviam se afastado. Ele saiu à busca delas. Eventualmente ele as avistou reunidas em torno daquele homem de aparência estranha. O rei, interessado em descobrir quem era o homem e o que ele estava fazendo com as concubinas, rastejou silenciosamente em direção a eles como um espião em uma missão secreta. Quando chegou perto ele parou, ouviu o jovem cultivador a pregar o dharma, e percebeu que as concubinas estavam tão extasiadas que nem notaram a chegada do seu rei. Então o Rei de Kalinga limpou a garganta e desafiou o jovem: “O que você está fazendo aqui”? “Estou cultivando a Via”, respondeu o monge.

“Você atingiu a fruição do Arhatship em sua cultivação?”, indagou o rei.

“Não”, disse o jovem cultivador, “Não me certifiquei para o Arhatship”.

“Você atingiu o terceiro estágio?”, continuou o rei.

“Não”, disse o monge, “Não me certifiquei para o terceiro fruto.”

“Eu ouvi dizer que há pessoas que vivem nas montanhas e que ao comer um certo tipo de fruto elas atingem a imortalidade, mas ainda não estão livres da cobiça e do desejo. Elas ainda têm a luxúria em seus corações. Você é tão jovem e ainda não se certificou para qualquer dos frutos da Via. Você dá origem a pensamentos de luxúria?”,  indagou o rei.

“Não os erradiquei”, respondeu o monge.

Com aquela resposta o Rei de Kalinga ficou enfurecido. “Se você não erradicou a luxúria, então quando você vê minhas … essas mulheres … como você as vê … como você pode ser tolerante com a luxúria que surge em seu coração?”, ele desafiou.

“Embora eu não tenha erradicado a luxúria, não dou origem a pensamentos lascivos. Em minha cultivação eu contemplo os nove tipos de impurezas.”

“Ah”, cuspiu para trás o rei: “você cultiva a contemplação das impurezas. Você é um enganador! Que provas eu tenho de que você não cobiça as minhas mulheres? Que provas há que você pode suportar seus pensamentos de luxúria?”

“Eu os suporto”, respondeu o monge. “Posso suportar qualquer coisa”.

“Oh você pode, será que pode? Bem, então veremos. Primeiro eu cortarei sua orelha”. O rei desembainhou a sua espada reluzente, pegou a orelha do monge, e cortou-a. Mas, naquele momento, os ministros e oficiais haviam se juntado ao redor para ver o que havia causado tanta comoção. Eles olharam para o jovem cultivador que parecia totalmente imóvel e sem dor, e pediram ao rei: “Grande Rei, não volte sua espada para ele. Ele é um grande mestre. Ele deve ser um Bodhisattva. Você não deve voltar a sua espada para ele.”

“Como vocês sabem que ele é um Bodhisattva? Como sabem?”, indagou-lhes o rei, eriçado de ciúme.

“Olhe para ele”, disseram os oficiais, “você cortou-lhe a orelha e ele nada fez. Ele nem sequer corou. Ele apenas permaneceu sentado como se nada houvesse acontecido.”

“Como sabem que ele se sente como se nada houvesse acontecido? Aposto que em seu coração ele me odeia. Vou tentá-lo novamente”. Ele posicionou a sua espada e esmeradamente cortou o nariz do monge. “Você está com raiva?”

“Não estou com raiva”, respondeu o monge.

“Não está? É muito provável que você seja um mentiroso tanto quanto é um enganador. Talvez você possa enganar essas mulheres, mas não a mim. Cortarei sua mão e verei o que você faz. Pode suportá-lo?” Sua voz tremia quando ele baixou a espada novamente.

“É tudo o mesmo para mim”, disse o monge.

“Tá certo, se é tudo o mesmo, então cortarei a sua outra mão”, o que ele fez dizendo com uma raiva mal controlada: “ainda não sente raiva? Ainda não está enfurecido?”

“Não, não estou enfurecido”, disse o monge.

“Eu não acredito em você. Ninguém poderia ter ambas as mãos cortadas e não sentir raiva. Você certamente é uma aberração”, ele disse conforme cortava uma perna do monge. “Ainda não sente raiva?”

O rei cortou fora a outra perna. “Raiva?”, ele quase gritou mais uma vez.

O monge mutilado continuou sentado como antes, embora agora ambas as orelhas, nariz, ambas as mãos e pernas estivessem totalmente separadas do seu corpo. “Não estou com raiva”, disse ele novamente.

Mas então, os Quatro Grandes Reis Celestes ficaram com raiva e, amaldiçoando o rei, fizeram cair uma chuva de grandes pedras de granizo. O granizo bateu tão violentamente que uma parte da montanha próxima à reunião caiu e deslizou rugindo pelas encostas. O rei gelou de medo ao perceber o seu engano. Ele ajoelhou-se diante do monge sem orelhas, nariz, mãos e pernas, e implorou por perdão. “Eu estava errado, eu estava errado”, gritou aterrorizado. “O Céu está me punindo. Não fique raivoso, por favor, não fique raivoso.”

“Não ficarei raivoso”, disse o monge.

“Isto não é verdade”, gritou o rei em pânico. “Se você não está com raiva, por que é que o céu está me punindo?” Ele ainda pensava que o monge havia chamado uma maldição sobre ele.

“Eu posso provar que não tenho raiva”, disse o monge. “Se eu tiver raiva, então as extremidades do meu corpo não se restaurarão. Mas seu eu não tiver me tornado raivoso, então minhas mãos, pernas, orelhas e nariz se restaurarão da maneira que eram antes”. Tão logo havia terminado de falar, suas pernas, mãos, orelhas e nariz juntaram-se perfeitamente ao tronco do seu corpo. Quando seu corpo estava inteiro novamente o monge fez uma promessa solene ao rei: “Ao atingir o Estado de Buda, o conduzirei à travessia primeiro.”

Mais tarde, quando o jovem cultivador renasceu como o jovem príncipe que realizou a Via e tornou-se o Buda Shakyamuni, ele primeiramente foi ao Parque do Gamo para levar à travessia o antigo Rei de Kalinga, o Venerável Ajnatakaundinya.

Após ouvir esse relato, algumas pessoas poderiam dizer: “Encontrarei um monge que pratique a paciência nas montanhas e cortarei suas orelhas, nariz, mãos e pernas. Então ele fará o voto de levar-me à travessia quando ele atingir o Estado de Buda”. Esse plano seria perfeito se você estivesse seguro de encontrar um cultivador com a compaixão, e um coração paciente como o do Buda Shakyamuni. Todavia, se o cultivador desse origem a um único pensamento de raiva enquanto você o cortasse, então você cairia no inferno dos incessantes sofrimentos. Assim, é melhor você pensar duas vezes antes de tentar aquele método. Além disso, você não é um rei. Se você fosse um rei, você poderia consegui-lo.

O Buda Shakyamuni referiu-se a seu encontro com o Rei de Kalinga naquele ponto, no sentido de relembrar Subhuti de que ele compreendera o paramita da paciência. “Quando o Rei de Kalinga desmembrou o meu corpo, Eu não tinha a marca do eu, nem marca dos outros, nem a marca dos seres viventes, e nem a marca de uma vida.”

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

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O Paramita Supremo

O Buda Shakyamuni indagou Subhuti: “Por que a pessoa que ouve este sutra e não sente medo é a mais rara?” Então ele explicou que era porque o paramita supremo é pregado pelo Tathagata como nenhum paramita supremo, porquanto é chamado paramita supremo. O paramita supremo refere-se ao princípio perfeito do Caminho Médio, o qual se visto à luz da verdade comum é o paramita supremo. Se pregado do ponto de vista da verdade real, é nenhum paramita supremo, porque realmente nada há absolutamente, nem mesmo um paramita supremo. Porquanto é chamado paramita supremo. Se considerado do ponto de vista da verdade perfeita, o Caminho Médio, se lhe atribui o nome de “paramita supremo”, e nada mais.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

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O Olho da Sabedoria

Desde quando eu obtive o olho da sabedoria”. O discípulo Subhuti seguiu o Buda Shakyamuni para estudar o Budadharma e obteve o olho da sabedoria. O olho da sabedoria pode referir-se a um dos Cinco Olhos, e pode também referir-se ao uso da sabedoria dos próprios olhos, ao invés de seguir cegamente junto com a multidão. Se um cego conduz outro cego, então nenhum deles pode encontrar o Caminho. Aqueles a quem falta sabedoria são conduzidos às cegas. Aqueles com os olhos da sabedoria distinguem o certo do errado, o preto do branco, e o dharma daquilo que não é dharma. Subhuti disse: “Toda a sabedoria que obtive desde que comecei a cultivar a Via não se compara à prajna que o Buda Shakyamuni prega agora.”

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

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Em Vila Nova de Famalicão – Portugal.

O Despertar de Subhuti para o Grande Veículo

Então Subhuti, ao ouvir o Sutra ser pregado, e tendo compreendido profundamente o seu teor. Subhuti, ao compreender completamente o significado e as implicações da doutrina de nenhuma marca expressa no Sutra Diamante (Vajra Sutra), chorou. Lágrimas verteram de seus olhos e seu nariz escorreu. Normalmente, as pessoas choram quando estão tristes ou aflitas, ou quando algum infortúnio lhes acomete, mas ocasionalmente as pessoas também choram de alegria, assim como se sucedeu com Subhuti: “Extrema felicidade traz tristeza.” O Buda expressou as profundezas da prajna tão completamente que Subhuti ficou super feliz por estar apto a ouvir o ensinamento específico, o portal do dharma maravilhoso da prajna. Subhuti compreendeu que a sua satisfação anterior com os dharmas do Pequeno Veículo tinha sido equivocada. O seu despertar pode ser assim expresso:

“Após compreender, não me reprovo pelo passado;

Eu sei que no futuro eu posso reparar enganos.

Consciente de que não estou muito avançado no caminho da confusão,

agora despertei para os acertos de hoje e os erros de ontem.”

O Pequeno Veículo era o “caminho da confusão” de Subhuti, e seu despertar indica ainda que seu apego anterior aos dharmas do Pequeno Veículo não havia sido muito grande, ele “não havia ido muito longe no caminho da confusão”. “Consciente dos acertos de hoje e os erros de ontem” significa que ele compreendeu que para ele o correto era buscar o dharma do Grande Veículo, e que sua inclinação anterior para a fruição do Ouvinte do Pequeno Veículo tinha sido um engano. Ele saudou aquela compreensão com grande emoção e, todavia, assim chorou de alegria e exclamou: “Quão raro!”

Na primeira parte do texto Subhuti também disse: “Quão raro!” como uma forma de louvor à prajna da marca real que ele percebeu estar expressa em cada momento do andar, parar, sentar e reclinar-se do Buda Shakyamuni no desempenho dos seus afazeres diários. Esta segunda exclamação de “quão raro” diz respeito ao sutra. Subhuti quis dizer: “Nunca houve antes tal sutra, Honrado pelo Mundo. Ele é muito raro. O sutra que nosso Mestre Original Buda Shakyamuni prega agora é tão profundo que é de difícil compreensão para aqueles do Pequeno Veículo.”

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

Em Vila Nova de Famalicão – Portugal.

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