Paramita significa atingir a outra margem. Chegar à outra margem significa consecução plena de tudo aquilo que você está fazendo. Por exemplo, quando uma pessoa comum cultiva para a realização da posição de Buda, diz-se que ela alcançou a outra margem. A outra margem é o oposto desta margem. Se esta margem não existisse, a outra margem não existiria também. Esta margem refere-se ao nascimento e a morte, e a outra margem refere-se ao Nirvana. Concluir a travessia desta margem do nascimento e da morte sobre o mar das aflições para a outra margem do Nirvana é chamado Paramita.
Paramita, a outra Margem
22/02/2013 às 9:30 (Budismo, Explanações do Venerável Mestre Hsuan Hua, Sutra Diamante)
Tags: Buddhism, Dharma, Nirvana, Prajna, Pāramitā, Sutra, Sutra Diamante, Vajra Prajna Paramita
O Nirvana não-residual e a Extinção
30/10/2012 às 9:39 (Budismo, Explanações do Venerável Mestre Hsuan Hua, Sutra Diamante)
Tags: Bodhisattva, Buddhism, Dharma, Grande Veículo, Mahasattva, Nirvana, Prajna, prajna da marca real, Sutra, Sutra Diamante, Vajra Prajna Paramita
Eu devo levá-los todos a entrar no Nirvana não-residual e conduzi-los à extinção. O Eu aqui é o falso “Eu” do Bodhisattva, usado expedientemente para comunicar-se com os seres viventes que ainda possuem uma visão do eu.
Todas as dez classes de seres viventes nos três reinos (da existência) são levados a entrar no Nirvana não-residual. Nirvana é uma palavra do Sânscrito que se traduz como “quietude perfeita”. Atravessar para a extinção significa por um fim aos dois obstáculos – o obstáculo das aflições e o obstáculo do que é conhecido. Também significa que os seres transcenderam as Duas Mortes: compartilhar do nascimento e morte, e mudar o nascimento e morte.
Há quatro tipos de Nirvana:
- Nirvana da natureza-própria pura e limpa. A natureza-própria é inerente a todos. Não está sujeita ao nascimento e morte, e não é maior nos sábios ou menor nas pessoas comuns.
- Nirvana residual. Ao usar a chama da sabedoria sobre o combustível das aflições, os laços secundários da ilusão são cortados; mas o laço fundamental do corpo permanece. O corpo que permanece está sujeito a compartilhar no nascimento e morte; isto se diz ser Nirvana “com resíduos”.
- Nirvana não-residual. Quando as aflições e o resíduo do compartilhamento no nascimento e morte são extintos, a multidão de sofrimentos é eternamente aquietada. Não há mais resíduo.
- Nirvana da não permanência. Aqui sabedoria e compaixão são mutuamente interativas. Aqueles que atingiram o Nirvana da não permanência continuam a atravessar os seres viventes, mas eles mesmos não estão sujeitos ao nascimento e morte.
O Nirvana sem resíduo mencionado no texto abrange os últimos dois dos quatro tipos de Nirvana.
Embora os Bodhisattvas conduzam inumeráveis seres à extinção, na realidade não há seres viventes a atravessar. Esta é a manifestação da substância perfeita e a grande função do prajna. A substância do prajna da marca real é sem a menor desigualdade. Conforme é dito posteriormente no sutra: “Esse Dharma é liso e plano, sem altos ou baixos”. A função do prajna contemplativo é originalmente sem uma marca; conforme o texto seguinte diz: “Aqueles que renunciaram a todas as marcas são Budas”.
Se um Bodhisattva atravessa seres viventes e ainda se apega a um eu que lhes atravessa, as quatro marcas ainda não estão vazias, e o falso coração ainda não foi subjugado. Tal pessoa vira as costas para o prajna e torna-se envolvida pelas quatro marcas que se unem para formar um eu. A marca do eu é a raiz de todas as marcas. Se alguém pode transformar a ilusão em torno de si, então ele pode conduzir (atravessar) os seres viventes ao Nirvana. Ele pode apartar-se das quatro marcas, subjugar seu coração, e assim tornar-se um verdadeiro Bodhisattva.
Sutra Diamante – Capítulo 3 -A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.
O Voto dos Bodhisattvas
09/10/2012 às 7:21 (Budismo, Explanações do Venerável Mestre Hsuan Hua, Sutra Diamante)
Tags: Bodhisattva, Buda Shakyamuni, Buddhism, Grande Veículo, Nirvana, Prajna, Subhuti, Sutra, Sutra Diamante, Vajra Prajna Paramita
O Sutra:
O Buda disse a Subhuti: “Todos os Bodhisattvas Mahasattvas devem assim subjugar seus corações com o voto: ‘Devo fazer com que todos os seres viventes – aqueles nascidos de ovos, nascidos do útero, nascidos da umidade, e nascidos pela transformação; aqueles com forma, aqueles sem forma, aqueles racionais, aqueles irracionais, aqueles não totalmente dotados de raciocínio, aqueles não totalmente desprovidos de raciocínio – entrem no Nirvana não-residual e sejam conduzidos à extinção’. Todavia, dentre os inumeráveis e ilimitados seres viventes que assim forem conduzidos à extinção, não há de fato um (único) ser vivente que tenha sido conduzido à extinção. Por quê? Subhuti, se um Bodhisattva possui a ideia do eu, a ideia de outros, a ideia de seres viventes, ou a ideia de uma vida, ele não é um Bodhisattva.”
Comentário:
O Buda disse a Subhuti como todos os Bodhisattvas devem subjugar os seus corações (mentes). Todos pode significar “muitos”, todo o séquito de Bodhisattvas, ou pode referir-se a cada Bodhisattva individual; ou pode referir-se a um Bodhisattva em particular. Muitos é apenas um, e um é como muitos.
Dois vêm a ser com base na existência de um. Somando um, dois, três … oito, nove, dez, e assim por diante, surgem muitos. Assim, diz-se que Todos significa um.
“Qual um?”
O Bodhisattva que subjuga seu coração. E se você realmente quer saber quem é aquele Bodhisattva, você é aquele Bodhisattva.
Embora isso possa parecer sem princípio, na verdade, não há um princípio que possa ser expresso. Se você realmente deseja saber quem o Bodhisattva é, você mesmo deve tornar-se aquele Bodhisattva. Se você, como uma pessoa comum, acredita que você pode tornar-se um Buda, quão mais facilmente você poderia tornar-se um Bodhisattva!
Sutra Diamante – Capítulo 3 -A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.
A Palavra Paramita
02/08/2012 às 7:41 (Budismo, Explanações do Venerável Mestre Hsuan Hua, Sutra Diamante)
Tags: Budadharma, Buddhism, Nirvana, Paramitas, Pāramitā, Sutra Diamante, Sutra Surangama
Paramita. Alguns dizem que é tão doce quanto o abacaxi. Não apenas isso, é o mais doce dos doces. É a separação do sofrimento e a consecução do êxtase. Sempre que uma tarefa é bem realizada, as pessoas da India dizem que está “paramita”, da mesma forma que dizemos que está “concluída”. Porém, “paramita” significa mais do que “concluída”, significa que a tarefa foi perfeitamente realizada.
Paramita significa “alcançar a outra margem”. Se você pega uma ponte ou uma embarcação de São Francisco para Oakland, a sua chegada a Oakland é “paramita”. O recebimento de um certificado de promoção da escola fundamental é “paramita”. A obtenção do diploma da escola superior é “paramita”. A colação do grau de Bacharel é “paramita”. Os graus de Mestrado ou Doutorado, também são “paramita”. No presente nós estamos “nesta margem” do nascimento e da morte. Atravessando o mar do sofrimento, podemos alcançar a outra margem do Nirvana. Isto também é “paramita”.
Todas as coisas podem ser “paramitadas”. Por exemplo, uma pessoa dedica-se à prática da meditação dhyana. O dia em que essa pessoa descortinar a iluminação será o dia do paramita. A Sessão de Palestras e Cultivo do Sutra Surangama no verão de 1968 foi um outro exemplo. O dia em que ela começou foi “esta margem”. Cento e seis dias depois foi Mahaprajnaparamita. Em geral, qualquer trabalho bem realizado e feito completamente é chamado Paramita.
Agora, estamos todos estudando o Budadharma. No início é difícil compreender, e dessa forma, algumas pessoas vêm ao Salão de Palestras e não se atrevem a voltar, temendo a extrema dificuldade na prática. Necessita-se primeiro de boas raízes, e então necessita-se paciência. Aqueles que continuam a cultivar vêm a perceber que o Budadharma é a mais importante coisa no mundo. “Se eu não compreendo o Budadharma é como se eu não tivesse comido o suficiente. Eu devo ouvir os sutras e dar ouvido ao dharma. É mais delicioso que a mais fina iguaria do melhor restaurante”. Se a audição dos sutras puder ser colocada no lugar do prazer em nosso coração, então, quando se tiver ouvido atentamente todo o sutra, aquilo também é paramita.
Abacaxi “bwo lwo gwo”, e paramita “bwo lwo mi”, contêm os mesmos caracteres “bwo lwo”. “Mi” significa “doce”, e disto vem o trocadilho, doce como abacaxi.
O Buda Entra no Nirvana
16/05/2012 às 9:58 (A Vida do Buda, Grandes Personagens do Lótus, Lugares Sagrados do Budismo)
Tags: Ananda, Buda, Grandes Personagens, Kushinagar, Kusinagara, Nirvana, Parinirvana, Siddhartha, Sidharta Gautama, Subhadra
A noite veio. Os habitantes de Kusinagara (Kushinagar) tinham ouvido que o Mestre estava reclinado sob as duas árvores gêmeas, e foram em grandes multidões para prestar-lhe homenagem. Um velho eremita, Subhadra, apareceu e, curvando-se diante do Mestre, professou sua crença no Buda, na Lei e na Comunidade; e Subhadra foi o último dos fiéis que teve a alegria de ver o Mestre face à face.
A noite era bela. Ananda ficou sentado ao lado do Mestre. O Mestre disse:
“Talvez, Ananda, você pense: ‘Não temos mais um Mestre’. Mas você não deve pensar isto. A Lei permanece, a Lei que eu lhe ensinei; deixe que ela seja seu guia, Ananda, quando eu não estiver mais com você.”
Ele disse novamente:
“Verdadeiramente, oh Monges, tudo o que é criado deve perecer. Nunca deixem de lutar.”
Ele já não estava neste mundo. Sua face era de ouro luminoso. Seu espírito ascendeu aos reinos do êxtase. Ele entrou no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através dos céus.
Próximo às muralhas da cidade, ao amanhecer, os habitantes de Kusinagara construíram uma grande pilha funeral, como se fosse para um rei do mundo, e lá cremaram o corpo do Bem-Aventurado.
Veja também Kushinagar, o Parinirvana do Buda.
A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].
Fonte: Sacred-Texts em
http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm
A Remissão de Ananda
15/05/2012 às 9:55 (A Vida do Buda, Grandes Personagens do Lótus)
Tags: Ananda, Buda, Grandes Personagens, Nirvana, Parinirvana, Siddhartha, Sidharta Gautama
Ananda estava chorando. Ele afastou-se para esconder as suas lágrimas.
Ele pensou: “Pelos muitos erros que cometi, e que ainda não foram perdoados, serei culpado por muito mais erros. Oh, ainda estou longe do objetivo da santidade, e ele que sente piedade de mim, o Mestre, está prestes a entrar no Nirvana.”
O Mestre o chamou de volta, e disse:
Não se aflija, Ananda, não desespere. Lembre-se de minhas palavras: de tudo o que nos encanta, de tudo que amamos, devemos nos separar um dia. Como pode aquele que é nascido ser senão inconstante e perecível? Como pode o que é nascido, como pode o que é criado, durar para sempre? Você me tem honrado muito, Ananda; você tem sido um amigo devotado. Sua amizade foi feliz, e você foi fiel à ela em pensamento, na palavra e na ação. Você tem feito um grande bem, Ananda; continue no caminho correto, e você terá perdoados seus erros passados.”
A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].
Fonte: Sacred-Texts em
http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm
O Sermão de Vaisali
08/05/2012 às 10:08 (A Vida do Buda, Grandes Personagens do Lótus, Lugares Sagrados do Budismo)
Tags: Buda, Grandes Personagens, Nirvana, Siddhartha, Sidharta Gautama, Vaisali, Vaishali
Ele partiu novamente, e chegou a Vaisali. Ele foi cidade afora, esmolando por sua comida de porta em porta. De repente, ele viu Mara de pé diante dele.
“É chegado o momento”, disse o Maligno; “entre no Nirvana, oh Bem-Aventurado.”
“Não”, respondeu o Buda. “Eu sei quando deverei entrar no Nirvana; sei melhor que você, Maligno. Alguns meses mais, e será o tempo. Três meses mais, e o Bem-Aventurado entrará no Nirvana.”
Nessas palavras, a terra tremeu, e um trovão ecoou através do céu: o Bem-Aventurado destruiu a vontade pela qual ainda prendia-se à vida; ele estabeleceu o tempo para a sua entrada no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através do céu.
Ao anoitecer ele reuniu os Monges de Vaisali, e dirigiu-se a eles:
“Oh Monges, preservem cuidadosamente a sabedoria que eu adquiri, e que lhes ensinei, e trilhem o caminho da retidão, de forma que a vida de santidade possa durar muito, para a alegria e salvação do mundo, para a alegria e salvação dos Deuses, para a alegria e salvação da humanidade. Alguns meses mais, e minha hora chegará; três meses mais, e entrarei no Nirvana. Eu irei e vocês ficarão. Mas nunca deixem de lutar, oh Monges. Aquele que não vacila no caminho da verdade evita o nascimento, evita a morte para sempre, e evita o sofrimento para sempre.”
No dia seguinte, ele novamente perambulou pela cidade, à busca de esmolas; então, com alguns discípulos, ele pegou a estrada a caminho de Kusinagara, onde ele decidira entrar no Nirvana.
A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].
Fonte: Sacred-Texts em
http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm
Bharadvaja
30/03/2012 às 8:11 (A Vida do Buda, Grandes Personagens do Lótus)
Tags: Bharadvaja, Buda, Grandes Personagens, Nirvana, Rajagriha, Siddhartha, Sidharta Gautama
Certo dia, ele retornou para o país de Rajagriha.
No campo, não longe da cidade, ele se deparou com um brâmane chamado Bharadvaja. Era a estação da colheita, e o brâmane e seus servos estavam celebrando alegremente. Eles estavam rindo e cantando quando o Mestre passou. Ele estendeu a sua tigela de donativos, e aqueles que o reconheceram, reverenciaram-lhe e fizeram-lhe muitos oferecimentos amáveis. Isto desagradou Bharadvaja. Ele foi ao Mestre, e disse-lhe em voz alta:
“Monge, não permaneça em nosso meio; você dá um mau exemplo. Nós trabalhamos, nós que aqui estamos, e com olhos vigilantes, observamos as mudanças das estações. Quando é tempo de arar, meus servos aram; quando é tempo de plantar, eles plantam; e eu aro e planto com eles. Então vem o dia em que colhemos o fruto do nosso labor. Nos provemos da nossa própria comida, e quando ela é abundante, temos boas razões para descansar e divertir. Ao passo que você, perambula pelas ruas e caminha nas estradas, e o único problema que você se digna a se ocupar é estender uma tigela àqueles que você encontra. Seria muito melhor para você trabalhar; seria muito melhor arar e plantar.”
O Mestre sorriu e respondeu:
“Amigo, da mesma forma como você ara e planta, quando meu trabalho está feito, eu colho.”
“Você ara? Você planta?”, disse Bharadvaja. “Como posso acreditar nisto? Onde está o seu rebanho? Onde está seu cereal? Onde está seu arado?”
O Mestre disse:
“Pureza de compreensão, esta é a gloriosa semente que eu planto. Obras de santidade são a chuva que cai sobre a terra fértil onde a semente germina e floresce. E poderoso é o meu arado: ele tem sabedoria em sua relha, a lei para suas alças, e uma ativa fé é o poderoso novilho atrelado ao seu polo. O desejo é arrancado como ervas daninhas nos campos que eu aro, e eu colho a mais rica das colheitas, o Nirvana.”
Ele se pôs em seu caminho. Mas o brâmane Bharadvaja o seguiu; ele agora ouviria as palavras sagradas.
A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].
Fonte: Sacred-Texts em
http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm
O Búfalo Selvagem
27/03/2012 às 7:43 (A Vida do Buda, Grandes Personagens do Lótus)
Tags: Buda, Grandes Personagens, Nirvana, Siddhartha, Sidharta Gautama

O Búfalo Selvagem está no ranking dos animais mais perigosos do mundo. Click na imagem para site de origem.
Ele seguiu em frente. Veio para uma vasta floresta onde um rebanho de búfalos vivia com seus guardiões (pastores). Um desses búfalos era um animal muito poderoso. Tinha um temperamento horrível. Ele mal tolerava a presença dos seus guardiões, e na aproximação de um estranho ele tornava-se agressivo. Quando um estranho se aproximava, ele atacava-lhe com seus chifres, e muitas vezes feria-lhe gravemente. Às vezes o matava.
Os pastores viram o Bem-Aventurado passando, serenamente, e alertaram:
“Cuidado, viajante. Não se aproxime. Há um búfalo perverso aqui.”
Mas ele não deu atenção à advertência. Ele foi direto para o ponto onde o búfalo estava a pastar.
De repente, o búfalo levantou sua cabeça e fungou ruidosamente; então, baixando os seus chifres, correu em direção ao Mestre. Os pastores estremeceram. “Nossos avisos não foram ouvidos”, eles lamentaram; “ele não nos ouviu”. Mas, subitamente, o animal parou; ajoelhou-se diante do Mestre e começou a lamber seus pés. Havia uma expressão de súplica em seus olhos.
O Mestre acariciou delicadamente o búfalo. Falou-lhe numa voz terna.
“Diga para si mesmo que todas as coisas terrenas são transitórias, que a paz se encontra somente no Nirvana. Não chore. Creia em mim, creia em minha generosidade, em minha compaixão, e sua condição mudará. Você não renascerá em meio aos animais e, com o tempo, você alcançará o céu e a morada em meio aos Deuses.”
Daquele dia em diante, o búfalo tornou-se extremamente dócil. E os pastores, que haviam expressado a sua admiração pelo Mestre, e que haviam dado-lhe como esmolas tudo o que podiam dispor, foram instruídos na lei, e tornaram-se conhecidos pela sua piedade, mesmo em meio aos mais piedosos.
A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].
Fonte: Sacred-Texts em
http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm
O Oferecimento de Anathapindika
14/02/2012 às 9:54 (A Vida do Buda, Grandes Personagens do Lótus, Lugares Sagrados do Budismo)
Tags: Anathapindika, Buda, Grandes Personagens, Jetavana, Nirvana, Rajagriha, Siddhartha, Sidharta Gautama
O Mestre estava em Rajagriha quando um rico mercador chamado Anathapindika (Sudatta) chegou de Cravasti. Anathapindika era um homem religioso, e quando ele ouviu que um Buda estava vivendo no Bosque dos Bambús, ele ficou ansioso para vê-lo.
Certa manhã ele partiu e, conforme entrou no Bosque, uma voz divina o guiou para onde o Mestre se encontrava sentado. Ele foi saudado com palavras de boas vindas; presenteou a comunidade com uma magnífica doação, e o Mestre prometeu visitá-lo em Cravasti.
Quando retornou para casa, Anathapindika começou a se perguntar onde ele poderia receber o Bem-Aventurado. Seus jardins não pareciam dignos de tal hóspede. O mais belo parque na cidade pertencia ao Príncipe Jeta, e Anathapindika decidiu comprá-lo.
“Venderei o parque”, disse-lhe Jeta, “se você cobrir o chão com moedas de ouro.”
Anathapindika aceitou os termos. Ele levou carroças carregadas de moedas de ouro para o parque e, naquela ocasião, somente uma pequena faixa de terra ficou descoberta. Então Jeta alegremente exclamou:
“O parque é vosso, mercador; terei prazer em vos dar a faixa que ainda está descoberta.”
Anathapindika tinha o parque preparado para o Mestre; então ele enviou o seu mais fiel servo ao Bosque dos Bambús, para informar-lhe que ele agora estava preparado para recebê-lo em Cravasti.
“Oh Venerável!”, disse o mensageiro, “meu mestre prostra-se aos seus pés. Espera que você tenha sido poupado da ansiedade e doença, e que você não relute em cumprir a promessa que lhe fez. Você é esperado em Cravasti, oh Venerável!”
O Bem-Aventurado não havia esquecido a promessa que fez ao mercador Anathapindika; ele desejava cumpri-la, e disse ao mensageiro: “Eu irei!”.
Ele aguardou por alguns dias; então pegou o seu manto e sua tigela de donativos, e seguido por um grande numero de discípulos, partiu para Cravasti. O mensageiro foi à frente, para dizer ao mercador que ele estava chegando.
Anathapindika decidiu ir ao encontro do Mestre. Sua esposa, seu filho e sua filha o acompanharam, e eles foram assistidos pelos mais ricos habitantes da cidade. E quando eles viram o Buda, ficaram deslumbrados pelo seu esplendor; ele parecia estar andando num caminho banhado de ouro.
Eles o escoltaram até o Parque de Jeta, e Anathapindika disse-lhe:
“Meu senhor, o que devo fazer com esse parque?” “Doe-o para a comunidade, agora e para sempre”, respondeu o Mestre.
Anathapindika ordenou ao servo trazer-lhe uma bacia de ouro cheia de água. Ele derramou a água sobre as mãos do Mestre, e disse-lhe:
“Dôo este parque para a comunidade, governada pelo Buda, agora e para sempre.”
“Muito bem!”, disse o Mestre. “Eu aceito a doação. Este parque será um refúgio feliz; aqui viveremos em paz, e encontraremos abrigo do calor e do frio. Nenhum animal vil entrará aqui: nem mesmo o zumbido de um mosquito perturbará o silêncio; e aqui haverá proteção da chuva, do vento cortante e do sol ardente. E este parque inspirará sonhos, pois aqui meditaremos hora após hora. É justo que tais doações sejam feitas para a comunidade. O homem inteligente, o homem que não negligencia seus próprios interesses, deve dar aos monges uma morada adequada; ele deve dar-lhes comida e bebida; ele deve dar-lhe roupas. Os monges, em retribuição, lhe ensinarão a lei, e aquele que conhece a lei é libertado do mal e atinge o Nirvana.”
A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].
Fonte: Sacred-Texts em
http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm
















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