Sobre Consumir Carnes

Resposta a um Leitor

O Leitor escreveu:

Ola! Como vai?

Sempre estou lendo algo de seu blog, muita matéria, parabéns. Tenho procurado estudar o Sutra de Lótus sobre o assunto “comer carne”. Apesar de minha organização não se pronunciar sobre o assunto, venho sozinho “desatando alguns nós” como o sr. me disse uma vez. O sr. conhece sobre esse assunto?

Muccamargo escreveu:

Olá Leitor!

Esse assunto é delicado, pois, de linhagem para linhagem do Budismo, esse assunto é abordado de forma diferente. Uma coisa é certa: no ensino ortodoxo do Budismo Mahayana, quando fazemos uma refeição nós praticamos as Três Recordações, quais sejam:

1. Faço voto de erradicar todo o mal;
2. Faço voto de praticar somente o bem;
3. Faço voto de levar todos os seres vivos à travessia do mar do sofrimento.

Ora, fica claro que deveríamos “matar” um ser vivo para nos alimentarmos somente em situações extremas e, mesmo assim, com um forte sentimento de compaixão por aquele ser, pois fazemos votos de conduzi-los à outra margem do oceano do nascimento e da morte. Se você mantiver essas Três Recordações em seu coração, irá diminuindo a ingestão de carnes naturalmente, não através de uma proibição, mas através de um verdadeiro sentimento de compaixão para com todos os seres.

Guarde esse ensinamento (que é do Buda) para o resto de sua vida. Não dê atenção para as tergiversações que andam por aí.

Grande abraço!

Marcos Ubirajara.

O Leitor escreveu:

Fiquei muito feliz por ter recebido seu e-mail. (Há pouco tempo pensei que não tivesse ido com a minha cara, por ser de uma outra linha do Budismo).

Sua resposta foi exatamente o que imaginava, mas não tinha certeza. Outro dia vi uma reportagem sobre os nômades que andam de um lugar para o outro no pólo norte, e carregam com eles animais para se alimentarem, até mesmo porque eles não cultivam sementes, são andarilhos.

Então pude ver a forma como eles matavam o animal, com um pequeno corte perto do coração, colocavam a mão e obstruíam uma veia, o animal falecia sem dor e sem sofrimento. Eu achei isso um imenso respeito pelo animal, e bate com sua resposta, somente em casos extremos como esse seria devido.

Sr. Marcos, eu sou Budista convertido há pouco tempo. Frequento minha organização, porém, não sou alienado e não fico achando que outras linhas do Budismo sejam erradas, por isso eu sou livre para ler outras matérias, de outra linhagem, mas de preferência do BUDA NITIREN DAISHONIN, como a sua.

(até mesmo porque uma resposta como a sua seria difícil receber da minha organização, nada contra, são só diferentes formas de pensar.)

Sr. Marcos, muito obrigado por sua atenção e tempo, fico à disposição para podermos conversar sobre esse nosso caminho ILUMINADO e maravilhoso que é nosso Budismo.

Que os Budas do Universo estejam sempre em harmonia como o Sr!

abraço!

Muccamargo respondeu:

Salústio

Caio Salústio Crispo foi um dos grandes escritores e poetas da literatura latina.
Click na imagem para site de origem.

O Sistema de Classificação Doutrinária de Tien-t’ai

Chih-i

Pintura do Shramana Chih-i. Imagem Via Wikipédia.

Tien-t’ai (Chih-i) é conhecido por três aspectos inovadores: seu sistema de classificação doutrinária, seu sistema de meditação altamente articulado, e sua doutrina das Três Verdades.

Um dos problemas com os quais Chih-i relutava era o de dar sentido à massa desordenada de textos Budistas que haviam sido traduzidos para o Chinês até o final do sexto século. O Budismo foi introduzido na China na ocasião em que os ensinamentos do Mahayana estavam apenas entrando em destaque na India. Ambas as doutrinas e suas escrituras continuavam em evolução, ao passo que antigos textos do Hinayana também circulavam. Era difícil compreender como essas escrituras heterogêneas, e às vezes contraditórias, apresentadas como sendo palavras do Buda, pudessem constituir qualquer tipo de ensino unificado.

Embora algumas tentativas de sistematização doutrinária tivessem ocorrido antes, em grande parte essas tentativas foram baseadas no julgamento do grau de precisão com que um texto traduzia o ensinamento do Buda. Chih-i criou um conjunto de critérios que contextualizava as escrituras de acordo com três padrões: o período da vida do Buda no qual uma escritura foi pregada, a audiência para a qual foi pregada, e o método de ensinamento que o Buda empregara para transmitir a sua mensagem.

O primeiro critério produziu o esquema de ‘Cinco Períodos’:

  1. O período Avatamsaka (três semanas) imediatamente seguintes à iluminação do Buda, sobre o que foi pregado enquanto ele ainda estava num estado de êxtase para transmitir todo o conteúdo da sua visão. Todavia, os seres eram incapazes de apreender a totalidade da sua mensagem, de tal maneira que o Buda rapidamente mudou (adaptou) o seu ensinamento.
  2. No período Āgama (doze anos) o Buda pregou as escrituras Hīnayāna no sentido de prover uma introdução fácil aos ensinamentos.
  3. No período Vaipulya (oito anos) o Buda começou introduzir a temática Mahāyāna aos poucos e ceifar os ensinamentos dos períodos anteriores, bem como preparar o caminho para a compreensão plena.
  4. No período Prajñā-pāramitā (vinte e dois anos) o Buda ensinou a completa doutrina da vacuidade universal (śūnyatā) do Mahayana.
  5. Durante o período dos Sutras de Lótus e Sutra do Nirvana (oito anos) o Buda passou da linguagem pessimista dos Sutras Prajñā-pāramitā para a linguagem otimista do Sutra de Lótus, o qual afirmava a Natureza de Buda de todos os seres e a identidade e objetivo único dos assim chamados ‘Três Veículos’ do Budismo. Em razão de nessa ocasião (do quinto período) o Buda ter retomado o ensino do pleno conteúdo de sua iluminação, o Sutra de Lótus é considerado a mais elevada de todas as escrituras e a mais expressiva do significado de Buda para a escola de Tien-t’ai.

O critério da audiência (público-alvo) produziu quatro divisões nas escrituras:

  1. Os ensinamentos Pitaka foram concedidos para os dois veículos dos Sravakas e Pratyekabudas;
  2. Os ensinamentos comuns foram dirigidos aos dois grupos acima, e também para Bodhisattvas iniciantes no caminho do Mahayana;
  3. Os ensinamentos específicos foram apenas para os Bodhisattvas no caminho do Mahayana; e
  4. Os ensinamentos perfeitos davam um relato completo da totalidade da realidade para os Bodhisattvas superiores.

Finalmente, o critério do método de ensino produziu outras quatro categorias:

  1. O ensino abrupto visava sacudir (chocar) os praticantes para uma súbita percepção da realidade completa;
  2. O ensino gradual seguia uma aproximação passo-a-passo para ensinar e conduzir os praticantes sistematicamente até à percepção da verdade;
  3. O ensino secreto é aquele no qual o Buda pregou para uma grande multidão, mas veiculou a sua mensagem tal que somente uma ou mais pessoas específicas pudessem apreender o seu significado – este também indica uma situação na qual nem todos os membros da audiência estão cientes (da presença uns) de outros, como ocorre em várias escrituras do Mahayana quando se revela que deuses e Bodhisattvas estão a ouvir um discurso do Buda não detectado pelos membros menos avançados espiritualmente – e;
  4. Os ensinos indeterminados, nos quais os membros da audiência estão cientes da presença uns dos outros, mas o Buda fala a cada um individualmente embora pareça dirigir-se à multidão como um todo.

Fonte: DAMIEN KEOWN. “T’ien-t’ai.” A Dictionary of Buddhism. 2004.Extraído  da  Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/doc/1O108-Tientai.html

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

O Mahasattva possui Grande Sabedoria

2.    O Mahasattva possui Grande Sabedoria. Sua grande sabedoria é evidente em sua resolução de alcançar o Bodhi. Sem sabedoria, tal decisão não poderia ser tomada. As boas raízes e a sabedoria adquiridas do cultivo nas vidas passadas habilitam as pessoas a ler os sutras e participar nas sessões do dhyana. Uma pessoa carente de boas raízes, desde o momento em que ela adentrou a porta do monastério, sentiria o seu coração palpitando como se fosse habitado por um macaco, e batendo com tanta força que permanecer de pé seria desconfortável e sentar seria insuportável. Ela pareceria um deus manifestando as Cinco Marcas do Decaimento, contorcendo-se e agitando-se em seu assento e, finalmente, fugindo.

Do contrário, muito embora eu ameace bater em meus discípulos, e repreenda-os diariamente, eles não fogem. Por que eles não fogem? Porque eles possuem boas raízes. Não pense que um golpe de um bastão de incenso seja fácil de suportar. Não é brincadeira. Todos vocês que ainda não se tornaram iluminados são candidatos a apanhar. Até agora eu devo ter batido em todos vocês em desenvolvimento. Minha intenção é conduzir todos vocês à iluminação.

Não somente se deve ter grande sabedoria e a resolução de realizar o Bodhi, mas deve-se também resgatar extensivamente os seres viventes. O Portal Universal do Bodhisattva Avalokitesvara (do Sutra de Lótus) exemplifica essa resolução. Todavia, ao conduzir os seres viventes, não se deve tornar-se apegado aos feitos (metas) para conduzi-los como fez o Imperador Wu da Dinastia Lyang. Quando ele conheceu o Primeiro Patriarca, Bodhidharma, ele disse: “Olhe para mim. Eu tenho ajudado muitos monges a deixar a vida familiar. Tenho construído muitos templos, construído tantas pontes – quantos méritos você diria que adquiri?” Ele demonstrou um apego arrogante aos feitos (marcas), e continuou enfatizando o ponto: “Olhe quão grande é o meu mérito. Embora você seja um Mestre do Dharma da India, duvido que você possua mais méritos do que eu”. O Imperador esperava que o Patriarca Bodhidharma elogiasse o seu mérito como vasto e ilimitado. Mas, “a mente correta é o campo da iluminação”, e o Bodhidharma simplesmente disse: “Você não tem mérito algum”.

O Imperador Wu ouviu essas palavras como se tivesse sido atingido por um duro golpe, e respondeu: “Por que (logo) você monge da cara preta. Como pode dizer tal coisa para mim?” Ele então se recusou a reconhecer o Patriarca, e uma vez que o Imperador não mais receberia o seu ensinamento, o Bodhidharma partiu.

O Imperador realmente vinha conduzindo os seres viventes, mas havia se apegado ao objetivo de conduzi-los, e buscou a certificação do patriarca. Quem poderia imaginar que o Bodhidharma lhe olharia diretamente nos olhos como se disesse: “Não me importo se você é o Imperador, recuso submeter-me ao seu decoro Imperial”. O Imperador carecia de sabedoria genuína, e assim tornou-se apegado aos feitos (marcas).

Sutra Diamante – Capítulo 3 -A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.

Original

A História da Tradução do Sutra de Lótus

“Muito obrigado por, mais uma vez, compreender a minha necessidade.

Quer saber como preencho as minhas necessidades?

Eu apenas mudo de roupa, identidade, local e hora onde apareço.”

em 21/08/2012 às 04:30 hs.

Leia mais em

A História da Tradução do
Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

História da Tradução do Sutra de Lótus

História da Tradução do Sutra de Lótus. Click na imagem para leitura on-line ou download.

Conteúdo deste Volume:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a William Garcia

Um Novo Trabalho

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

A Tempestade

O Apoio Institucional do Budismo Primordial

O Encontro com o Budismo Primordial

Liberdade

Fase Magna

Resposta a Evie Giannini

A Contribuição de José Reinaldo Guerra

Continua quando um fato relevante suceder.

Sutra de Lótus Download Segunda Edição em Nova Formatação

Conforme anunciado no post A Contribuição de José Reinaldo Guerra, o Sutra de Lótus que fora disponibilizado para download em formato pdf na Internet em 25 de Setembro de 2010 contabilizava 4.915 downloads. Em sua nova formatação, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa se apresentará assim no Adobe Reader:

Sutra de Lótus

Sutra de Lótus em nova formatação. Click na imagem para download.

A Contribuição de José Reinaldo Guerra

Escreveu José Reinaldo Guerra

19 de agosto de 2012 14:41

Honorável Marcos,

Em primeiro lugar, permita-me reverenciá-lo por sua obra majestosa em prol do Dharma Maravilhoso, cuja Essência foi magistralmente traduzida. Como se não bastasse o feito extremamente meritório da tradução em si, ainda nos brindou com comentários muitíssimo elucidadores e inspiradores para quem busca a Via Única! Por tudo isto, sou-lhe extremamente grato e busco ser um humilde divulgador de seu trabalho em meu dia-a-dia, indicando o Sutra para as pessoas que se propõem à Busca! Oro diariamente em meu Gongyo por você e sua linda família e terei (creio que posso conjugar na 3ª. do plural) uma dívida eterna de gratidão pela iniciação ao Dharma que você nos proporcionou! Gasshô.

Na divulgação do Sutra, muitas pessoas (principalmente as mais idosas) que não possuem tanta intimidade com computação, sentem dificuldades em ler na tela do micro suas páginas. Quando tentam imprimi-las terminam quase invariavelmente por obter letras minúsculas que atrapalham ainda mais a leitura. Por isso, e entendendo plenamente suas justificativas pela não publicação em papel do Dharma, tomei a liberdade de reorganizar o arquivo pdf, colocando cada página separadamente, sem alterar em absolutamente nada o conteúdo (mesmo porque jamais o ousaria!). Terminei a tarefa hoje e gostaria de apresentá-la a você, no intuito de obter sua permissão de enviá-la aos amigos e interessados, ou ainda  - o que seria mais honroso – aproveitá-la para divulgação em seu blog, como alternativa de impressão, talvez… É uma tentativa (talvez até redundante) de humilde retribuição pelo muito que obtive na leitura do Sutra Sagrado e do muito que ganhei em compreensão através de seu blog.

Termino me confraternizando, também, com o Alan, dizendo que também gostaria de compartilhar algumas dúvidas na esperança de receber orientações mais esclarecidas dos amigos mais adiantados no caminho.

Desculpe o longo texto. Muito, muito obrigado, Marcos, por todos os seus inspiradores e lúcidos livros.

Quero ter a honra de receber um pouco de sua sabedoria e orientações para o Caminho.

Nam-MyoHo-Rengue-Kyo

Escreveu Marcos Ubirajara

19 de agosto de 2012 16:43

Prezado José Reinaldo,

Em sua pessoa vejo o objetivo plenamente realizado, pois no Sutra de Lótus o Honrado pelo Mundo diz:

“Universalmente Meritório, se uma pessoa puder receber, manter, ler, recitar, guardar adequadamente, praticar e copiar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, saiba que esta pessoa viu o Buda Shakyamuni. É como se ela tivesse ouvido este Sutra da boca do Buda. Saiba que esta pessoa fez oferecimentos ao Buda Shakyamuni. Saiba que o Buda elogiou esta pessoa, dizendo: ‘Excelente!’ Saiba que a cabeça desta pessoa foi afagada pelas mãos do Buda Shakyamuni e que ela foi coberta pelo manto do Buda Shakyamuni.”

Gostaria muito de ver o resultado do seu trabalho. Utilize esse e-mail para anexar o arquivo pdf que você criou para que eu possa apreciar o trabalho.

Aguardo ansiosamente para promover a divulgação de tão auspiciosa iniciativa.

Respeitosamente,

Gasshô!

Marcos Ubirajara.

Escreveu José Reinaldo Guerra

19 de agosto de 2012 22:42

Caro Marcos,

Seu retorno me causou indizível alegria! Muito obrigado por sua atenção e pela citação do Sutra, na parte que mais me emocionou quando pela primeira vez o li. Foi quando percebi realmente a grandiosidade de sua obra e minha gratidão multiplicou-se grandemente.

Filiado que sou, mas não frequentador, à Nitiren Shoshu, não compreendia por que não havia uma tradução disponível para nosso idioma daquele que é o maior legado do Honrado pelo Mundo, o Leão dos Shakyas para toda a Humanidade. Inquiridos os coordenadores, mostraram-se evasivos. Insatisfeito (confesso que não só neste aspecto), fui pesquisar mais fundo e me deparei com seu maravilhoso e impagável trabalho. Imediatamente percebi que estava diante da Obra mais importante do Dharma e, bastante emocionado, dediquei-lhe uma sincera gratidão, que agora posso expressar a você. Para mim, realmente, o próprio Buda respondeu meu comunicado. Não tenho palavras para expressar minha reverente alegria!

Apresento-lhe, em anexo, a paginação do Sutra, embora não tenha conseguido adequar a capa a um formato decente, portanto a retirei, na esperança de que você possa anexá-la. O simplório trabalho foi feito na plataforma Linux, para não macular o Dharma com um software pirata, o que seria indigno, penso eu.

Por favor, qualquer contribuição que eu, na pequenez de meu conhecimento, possa dar, tornar-me-á imensamente feliz – estou à disposição.

No mais, gostaria, ainda, de saber se poderia contar contigo para sanar algumas dúvidas que tenho em relação às várias correntes emanadas do Grande Mestre Nitiren Daishonin, quando puder e tiver tempo. Pergunto porque não sei se o blog seria o fórum correto para exposições mais longas. Talvez você tenha uma lista de discussões ou algo do gênero. De qualquer forma, será para mim uma grande honra se puder me ajudar.

Um grande abraço e mais uma vez obrigado.

No Dharma,

Gasshô

José Reinaldo Guerra

Sorocaba – SP

Escreveu Marcos Ubirajara

20 de agosto de 2012 12:04

Prezado José Reinaldo,

Excelente! Excelente!

Você fez algo que eu sempre quis fazer, mas me faltaram os meios e o know how que, com certeza, você possui. Muito obrigado de coração! Estou sem palavras para louvar o seu feito.

Estou anexando o arquivo com a Capa e a Contracapa montadas. Na capa, fiz referência à sua contribuição. Se estiver de acordo, a minha intenção é substituir o arquivo que está disponível lá no Cristal Perfeito por essa nova versão. No aguardo de sua resposta,

Reverentemente,

Gasshô!

Marcos Ubirajara.
Escreveu José Reinaldo Guerra

20 de agosto de 2012 16:54

Caríssimo Marcos,

Na verdade, mesmo apreciando sua grande gentileza e benevolência, preciso ser honesto com a simploriedade de meu trabalho, que jamais mereceria uma tão honrosa citação dado sua insignificância. Não posso ousar macular um trabalho tão grandioso com a citação de meu nome – isso não seria correto, pois ao contrário de seu esforço de anos de dedicação, profundo conhecimento das línguas, erudição, contatos internacionais e fé grandiosa; somente utilizei conhecimentos mínimos pesquisados na internet e confesso não ser nem mesmo um expert em assuntos de software. Acredite que a simples ciência de que pude de alguma maneira contribuir tão modestamente para o seu grandioso trabalho, já me traz um contentamento infindável. Sinto-me honrado por sua bondade, e peço-lhe que reconsidere a imerecida citação: a postagem do Sutra Maravilhoso será, por si, a maior recompensa que esse tão falho e inconstante buscador poderia obter.

Por favor, peço-lhe perdão e sua compreensão ao declinar de tão maravilhosa oferta! Por favor, não fique ofendido! Meu sonho foi realizado com meu contato auspicioso contigo, para poder, finalmente, expressar minha eterna gratidão.

Que a Compaixão do Compassivo ilumine o resplendor do Dharma que brilha na internet através de sua ação de Bodhisattva na Terra.

Muito obrigado, querido amigo, muito obrigado.

No Dharma

Gasshô

Escreveu Marcos Ubirajara

20 de agosto de 2012 21:37

Prezado José Reinaldo,

Necessariamente, essa nossa conversa constituirá um episódio relevante na História da Tradução do Sutra de Lótus. Como em outros casos, desejo publicar um post relatando a íntegra de nossa correspondência, dando testemunho dessa passagem tão importante para a posteridade. Só não o farei caso você vete ou desautorize a publicação.

Quanto à citação da sua colaboração, por que a considera tão insignificante? Por que ninguém o fez antes, se tão fácil de ser levada ao cabo? E por qual razão deveria eu ocultar a autoria de um trabalho que representa um salto qualitativo no esforço de propagação do Sutra de Lótus nesta era?

Medite sobre essas questões. Posso esperar pela resposta, pois, não tenho pressa. Todavia, seu nome estará, doravante, indelevelmente gravado nessa história.

Tenha uma boa noite,

Na paz do Dharma.

Marcos Ubirajara.

Escreveu José Reinaldo Guerra

21 de agosto de 2012 11:36

Prezado Marcos,

Perdoe-me aborrecê-lo. Não quero que pense que se trata de preciosismo ou falsa modéstia, num assunto tão importante.

Você pode, é claro, postar qualquer uma de nossas conversas em seu blog, e isso me fará muito feliz.

Pode também, assim julgando-o relevante, citar meu nome na tradução do Sutra Maravilhoso. Como poderia não achar honroso tal privilégio?

Somente destaquei a desproporcionalidade brutal de um trabalho tão humilde frente ao seu, e, ainda assim, gozar de uma citação frontal tão destacada neste que é o Rei dos Sutras, a palavra final do Bem-Aventurado, a Via Direta à Iluminação para os seres… Penso que qualquer contribuição posterior ao dificílimo trabalho de tradução que você heroicamente empreendeu, deve ser tomado com a devida proporção e, com certeza, tornaria qualquer ação ulterior bastante diminuta! Uma pequena e singela citação na contracapa, em minha opinião, já seria muito além do necessário. Porém, volto a dizê-lo, não quero aborrecê-lo com isso. Estou extremamente feliz com a oportunidade de ajudar e isso basta para mim. Peço-lhe perdão, não quis polemizar.

Permita-me perguntar se você já pensou em escrever algo sobre a interpretação do Sutra de Lótus. Já li algumas (da Sokka Gakkai), porém sempre voltadas somente para os capítulos julgados mais importantes por uma ou outra seita. Não tive, até agora, contato com nenhum trabalho mais extenso e completo sobre o Sutra todo. Se souber de algum, por favor, oriente-me. Espero que tal trabalho esteja em seus planos. Seria realmente espetacular e tornaria mais fácil, penso, o acesso ao Dharma por aqueles que não desejam filiar-se (pelo menos não imediatamente) a uma instituição religiosa, como tem sido bastante comum hoje em dia nas abordagens espirituais das pessoas mais críticas.

Mais uma vez muito obrigado por sua paciência. Que a Compaixão do Compassivo esteja sempre presente e viva em seu Ser.

Um forte abraço

Gasshô

José Reinaldo

Escreveu Marcos Ubirajara

21 de agosto de 2012 12:18

Prezado José Reinaldo,

“Muito obrigado por, mais uma vez, compreender a minha necessidade.

Quer saber como preencho as minhas necessidades?

Eu apenas mudo de roupa, identidade, local e hora onde apareço.”

em 21/08/2012 às 04:30 hs.

Deslocarei a citação para a contracapa em atendimento ao seu pedido. E agora, com a sua expressa permissão, publicarei a novidade o mais breve possível. Segue em anexo a nova versão do documento.

Gasshô!

Marcos Ubirajara.

Nessa ocasião, 22 de Agosto de 2012, o Sutra de Lótus que fora disponibilizado para download em formato pdf na Internet em 25 de Setembro de 2010 contabilizava 4.915 downloads. Então, em sua nova formatação, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa se apresentará assim:

Sutra de Lótus

Sutra de Lótus em nova formatação. Click na imagem para download.

Continua quando um fato relevante suceder.

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Episódios Anteriores:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a William Garcia

Um Novo Trabalho

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

A Tempestade

O Apoio Institucional do Budismo Primordial

O Encontro com o Budismo Primordial

Liberdade

Fase Magna

Resposta a Evie Giannini

As Questões de Aniruddha

Após o Buda ter encerrado a pregação do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, do Sutra do Nirvana, do Sutra do Legado dos Ensinamentos do Buda, do Sutra do Bodhisattva Ksitigarbha e outros, ele anunciou que estava a entrar no Nirvana. Todos os seus discípulos caíram em prantos. Bodhisattvas choraram, Arhats choraram, e todos os monges e leigos choraram ainda mais.

“Por que eles choraram? Bodhisattvas e Arhats ainda tinham emoção?”, poder-se-ia indagar.

O profundo e compassivo dharma que o Buda pregara tinha sido como o leite que nutria-lhes. Eles haviam tomado o leite do dharma durante muitos anos, e agora a sua fonte estava secando, por isso choraram.

Ananda chorou copiosamente. As lágrimas derramavam dos seus olhos, seu nariz escorria, e ele não compreendia nada, apenas tristeza. Ele chorou tão profundamente que esqueceu tudo. O Venerável Aniruddha, embora cego, possuía o olho celestial e o ouvido celestial. Quando ele ouviu todos chorarem como se tivessem enlouquecido, ele puxou Ananda de lado e perguntou: “Por que vocês estão chorando?”.

“Ah”, suspirou Ananda, “o Buda está para entrar no Nirvana e nós nunca mais o veremos novamente. O que você quer dizer com ‘Por que eu estou chorando?’!”

O Venerável Aniruddha disse: “Não chore. Você ainda tem importantes coisas a fazer. Tente se recompor um pouco.”

Ananda disse: “Que coisas importantes? O Buda está para entrar no Nirvana, o que resta a mim fazer? Quero ir com o Buda”. Ele queria morrer com o Buda.

“Isto você não vai fazer. É um erro pensar assim.”

“Está bem, o que você quer que eu faça?”

O Venerável Aniruddha disse: “Há quatro questões que você deve colocar ao Buda.”

“Quatro questões! Agora que o Buda está para entrar no Nirvana, como ainda pode haver questões a colocar? Não posso dizer ao Buda para não entrar no Nirvana, posso?”

“Não.”

“Quais são as quatro questões?”

O Venerável Aniruddha disse: “A primeira questão é: Após a entrada do Buda no Nirvana, os sutras devem ser compilados. Quais palavras devemos usar para abrir os sutras? Que orientação deve haver?”

Ananda ouviu aquilo e disse: “Isto é realmente importante. Tão logo ouvi você dizê-lo, compreendi que devo indagar a respeito. Que outra questão há?”

“A segunda questão é: Quando o Buda se encontrava no mundo, vivíamos com o Buda. Após o Buda passar à extinção, após ele entrar no Nirvana, onde devemos viver?”

Ananda enxugou seus olhos e nariz. Ele disse: “Isto também é muito importante. Certo! Quando o Buda estava no mundo todo o grupo de mil duzentos e cinquenta monges vivia junto com ele. Agora que ele está para entrar no Nirvana, onde viveremos? Devo indagar sobre isso. Qual é a próxima questão?”. Ele foi ficando ansioso porque via que as questões eram importantes.

“A terceira questão é: Quando o Buda estava no mundo, o Buda era o nosso Mestre. Agora que ele está para entrar no Nirvana, a quem devemos tomar como nosso Mestre? Devemos escolher uma pessoa  dentre nós. Não podemos nos guiar sem um Mestre!”

“Certo. Isto também deve ser indagado. Qual é a quarta questão?”

“A quarta questão é extremamente importante: Quando o Buda estava no mundo, ele podia disciplinar os monges de má-índole”. Monges de má-índole são aqueles que abandonam o lar e não seguem as regras monásticas. “Após a entrada do Buda no Nirvana, quem os disciplinará?”

Ananda disse: “Certo novamente. Agora os monges de má-índole nos considerarão como seus iguais e não seremos capazes  de discipliná-los. Isso é uma verdadeira dor de cabeça. Certo, buscarei o conselho do Buda sobre essas questões.”

Sutra Diamante – Capítulo 1 - As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

Os Lugares Sagrados de Pregação do Prajna pelo Buda

Uma investigação do dharma deve levar em consideração os locais nos quais o Buda pregou o dharma e o número de fiéis em assembleia que receberam os ensinamentos. O ensinamento do prajna foi pregado em Quatro Lugares e em Dezesseis Assembleias:

  1. Sete assembleias foram realizadas no Pico Vulture (Monte Gridhrakuta), também chamada Montanha Vulture Eficaz, próxima à cidade do Palácio dos Reis (em Rajagriha, onde o Sutra de Lótus foi pregado).
  2. Sete assembleias foram realizadas na cidade de Sravasti no Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários. Lá é onde o Sutra Vajra foi pregado.
  3. Uma assembleia foi realizada no Palácio do Tesouro de Jóias Preciosas (Mani Jewel) da Bem-Aventurança do Céu das Transformações dos Outros.
  4. Uma assembleia foi realizada ao lado do Lago da Garça Branca Real no Bosque dos Bambús, próximo ao Palácio dos Reis.
Parque de Jeta

Vista Geral do Parque de Jeta

O Sutra Diamante (Vajra Prajna Paramita) foi pregado na terceira assembleia realizada no segundo local, o Parque de Jeta. Assim o sutra começa: “Assim eu ouvi na ocasião em que o Buda estava hospedado em Sravasti, no Parque de Jeta, no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários.”

Dos Três Tipos de Prajna – o literário, o contemplativo e o da marca real – o prajna literário surge do estudo dos sutras, mas uma verdadeira compreensão da literatura surge somente através do prajna contemplativo. A sabedoria contemplativa, plenamente desenvolvida, penetra o objetivo final; ou seja, o prajna da marca real. Se o prajna não se manifesta, é simplesmente uma indicação de que a sabedoria básica inerente a todas as pessoas não atingiu a fruição. A sabedoria que representa o prajna da marca real surge somente quando nutrida pelas águas do prajna literário e do contemplativo.

Original

O Sutra Diamante – Vajra Prajna Paramita

Comentário do Venerável Mestre Hsüan Hua:

O ensino do Buda Shakyamuni, tomado como um todo, divide-se em Cinco Períodos e Oito Ensinamentos. O Sutra Diamante – Vajra Prajna Paramita – pertence ao quarto período, ou ao período prajna, e entre os quatro primeiros ensinamentos, ele é o terceiro, o ensinamento específico.

O Grande Sutra Prajna que contém o que o Buda disse sobre prajna, compreende cerca de 600 volumes dos quais o Sutra Vajra (ou Sutra Diamante) é apenas um. O Prajna é importante, como pode ser visto pelo fato de que o Buda, tendo pregado prajna por um total vinte anos, declarou que os Sutras Prajna seriam disseminados por toda a terra.

O Mestre Tripitaka Hsüan Tsang, cumprindo parcialmente aquela previsão, traduziu o Grande Sutra Prajna do Sânscrito para o Chinês na Dinastia Tang, no Monastério Ta Hsing Shan, com a ajuda de mais de mil monges e mais de dois mil leigos. Ta Hsing Shan não era um lugar pequeno. Dos aposentos do Abade até o portão frontal havia uma distância de cerca de três milhas, e o monge encarregado da abertura e fechamento do portão frontal normalmente montava um cavalo para cobrir aquela distância num período de tempo razoável. Sendo tão grande, o monastério acomodou facilmente as três ou quatro mil pessoas envolvidas no trabalho de tradução.

Durante o ano em que o Grande Sutra Prajna foi traduzido, os pessegueiros floresceram seis vezes. Aquela ocorrência auspiciosa testificou a importância do Sutra Prajna. É também amplamente sabido que os espíritos das flores, relvas e árvores vieram todos para proteger a grande assembleia do Dharma Maravilhoso.

A preleção de abertura do Sutra Diamante marca o início de outra assembleia do prajna na América. Os eventos que levaram à essa assembleia começaram em 1968, quando um grupo de estudantes ansiosos de Seatle veio à Convenção Budista (Buddhist Lecture Hall) em São Francisco para participar da primeira sessão oficial de meditação de sete-dias realizada na América, diariamente das seis da manhã até as nove da noite, e embora os participantes a tenham considerado muito rigorosa, esta foi realmente muito oportuna. Sessões autênticas de dhyana começam às 3:00 da manhã e vão direto até meia-noite.

Naquela ocasião, aquelas pessoas causaram uma boa impressão em mim e estava claro que eles poderiam trabalhar dentro da disciplina do Buddhadharma. Durante aquela sessão solicitaram a explanação do Sutra Surangama. Diz-se:

Dharma não surge sozinho.

Com base nas condições ele nasce.

A Via não é praticada em vão.

Reunidas as condições, há uma resposta.

Eu atendi à sua solicitação, e durante o verão de 1968 o Sutra Surangama foi prelecionado em sua totalidade. E foi seguido pelo Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Eu vim para a América para criar Grandes Mestres, futuros Patriarcas, Bodhisattvas e Budas. Após ouvirem o Sutra Surangama, vários Americanos desejaram deixar a vida familiar para, sob meus cuidados, ampliar a sua compreensão do Buddhadharma, e para o benefício de todos os outros frutos da Via que lhes seguirão, estou prelecionando o Sutra Flor do Dharma.

No aniversário do dia em que o Bodhisattva Avalokitesvara deixou a vida familiar, várias pessoas solicitaram uma explanação do Sutra Diamante. Eu condescendi e comecei a pregar o sutra em adição às preleções sobre o Sutra Flor do Dharma.

A explanação do Sutra Diamante será simplificada por omissão da discussão usual dos Sete Tipos de Títulos de Sutras e os Cinco Profundos Significados. Apenas abramos a porta e olhemos para a montanha.

O trabalho se divide em três seções:

1.      Explanação Geral do Título;

2.      O Tradutor

3.      Explanação detalhada do texto.

Original

Resposta a Mattuzalem Lopes Cançado

Escreveu o Abade Mattuzalem Lopes Cançado:

Honra seja dada ao Grande Tradutor do Sutra de Lótus da Boa Lei Maravilhosa: Ilmo. Sr. Marcos Ubirajara.

Prezado senhor:

Seu Livro “A Vida de Buda” é uma obra sagrada!

Como tudo que passa por seus olhos toma a forma dos raios da lei, este não está diferente. É uma obra magnífica! Seu trabalho é impar, não tem nada a que se possa comparar! Sua lealdade ao texto é surpreendente! Já tenho o meu. Já espalhei a noticia do seu maravilhoso trabalho! Já até mandei encadernar o meu precioso, lá no pronto Socorro do Livro. Ficou com a cor azul e com gráfico em ouro, com a titulação exibida por V.Sa., e impresso seu nome (em ouro) como gigante tradutor que é!

Nós nos orgulhamos de Você, ou melhor, de V.Sa. (Não ouso tomar a liberdade dessa expressão!). Sabemos de sua seriedade, do seu reto propósito. Graças a V.Sa., nós brasileiros estamos bem amparados. No Brasil temos muitos bons tradutores, mas não com o coração tão benevolente quanto o que bate em seu peito! É notável seu procedimento!

V.Sa. é o nosso Kumarajiwa! Fala a nossa língua, que conhece o nosso coração (e o pesadelo que vivemos)! Obrigado por fazer parte de nossa humilde vida! Estaremos orando sempre por sua preciosa vida. Onde quer esteja, minhas orações são para sua total proteção!

Kannon, Yakuo, Myoon e demais Bodhisattvas do nosso Sutra de Lótus estão a acariciar sua cabeça dourada!

Os Budas Shakyamuni, Taho e Nitiren Daishonin Sama devem estar orgulhosos de V.Sa. Do seu correto procedimento e devoção sincera ao nosso Maravilhoso e excelso Budismo!

Nós lhe oferecemos nossa sincera e respeitosa reverência.

Oss!

Muito obrigado!

Ofereço-lhe um Daimoku com a força poderosa dos Preceitos!

Nammyohorenguekyo-Nammyohorenguekyo, Nammyohorenguekyo!

Kansho Kyoshi Mattuzalem Lopes Cançado 7º. Dan
Abade Superior e Diretor Técnico da
Associação Budista Vajramushti de Karate-Do
Templo Principal Bassai-Ji de Karate-Do do Budismo Nitiren
templobassaiji@ig.com.br

Em Belo Horizonte, 02 de julho de 2012 às 00h15min

Em resposta ao Abade Mattuzalem Lopes Cançado:

Prezado Senhor Abade Mattuzalem Lopes Cançado,

Ainda que o senhor fosse o único a se beneficiar do Poder Espiritual emanado dessa indescritivelmente bela história, já teria valido a pena todos os esforços empreendidos para superar, transcender, romper a casca da pobreza que me envolve nesta existência; e ser capaz de fazer essa singela doação ao nosso povo brasileiro tão sofrido, tão alijado do Saber legado pelo Honrado pelo Mundo em plena vida.

Agora, tente imaginar o mérito e a virtude do Sr. Andre Ferdinand Herold que se atirou na árdua tarefa de pesquisar, compilar e traduzir os registros Sagrados deixados numa língua remota de uma cultura encoberta pelos escombros acumulados por séculos da ação do tempo, e pela ação de bárbaros que a saquearam à procura de riqueza material? Certificando-se que isso ocorrera em anos anteriores aos anos 20, o senhor perceberá quão mais elevados são os ombros sobre os quais me apoiei para botar a cabeça para fora do pântano da ignorância, e respirar um pouco de ar puro.

É muito difícil, Prezado Senhor! Porque ao fim e ao cabo de trabalhos como este, a tendência é voltarmos para uma vida medíocre e cheia de privações, principalmente, do Maná, do alimento espiritual. O senhor, com certeza, através do Poder Espiritual do Buda, vem em meio a tudo isto dar testemunho das verdadeiras palavras do Tathagata no Sutra de Lótus, e que dizem: “… eu enviarei pessoas nascidas por transformação para ajudá-lo e protegê-lo”.

Muito obrigado por assim se manifestar. Muito obrigado por incorporar nesse momento a sublime missão de dar eco àquela longínqua promessa do Buda, aquele que está para além das idas e vindas dos fenômenos, e que nunca diz falsidades.

Agora vou dormir, pois, desde o momento em que li a vossa missiva, e até agora, fui tomado por uma espécie de formigamento incontrolável que não me deixou dormir por horas, em razão da Força Espiritual de vossa mensagem.

Prometo-lhe que, dentro de poucos dias, o senhor começará a receber a retribuição pelo vosso gesto grandioso, aqui mesmo no Cristal Perfeito.

Reverentemente,

Namu-Myoho-Rengue-Kyo

Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo

Em Belo Horizonte, 07/07/2012, às 23:40 hs.

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