O Relicário do Tathagata

Você deve fazer oferecimentos onde quer que esse sutra seja encontrado. Você deve saber que tal lugar é uma Stupa (Torre). É um lugar onde o Verdadeiro Corpo do Tathagata reside, a Relíquia (Sarira) do Tathagata.

Todos devem respeitosamente curvar-se e circundar. Circundação refere-se a circular pela direita em torno do Buda enquanto se recita o Mantra do Bodhisattva da Grande Compaixão (‘Namu Avalokitesvara Bodhisattva’ – sânscrito, ‘Namu Guanshiyin Bossatsu’ - chinês, ‘Namu Kanzeon Bossatsu’ – japonês, ‘Namu Bodhisattva Contemplador dos Sons do Mundo’ – português) ou se recita o Nome do Buda. E todos os tipos de incenso e flores devem ser espalhados como oferecimentos.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

Original

Os Sustentáculos do Trabalho do Buda

Ele é pregado pelo Tathagata para aqueles que se propuseram ao Grande Veículo. O Tathagata não pregou o sutra para Ouvintes do pequeno fruto. Foi em prol de pessoas que inicialmente eram Bodhisattvas do Grande Veículo que o sutra foi pregado.

Aqueles que se propuseram ao Grande Veículo (ou Veículo Supremo). O sutra não foi proferido apenas para aqueles que se propuseram à Via do Bodhisattva, mas também para aqueles que miravam diretamente a Via do Buda e queriam levar multidões de seres viventes à travessia – isto é, para aqueles do mais elevado e insuperável Veículo do Buda.

Se uma pessoa recebe, ostenta, lê, recita e preleciona o sutra para outros, o Tathagata vê e conhece tal pessoa através do poder do olho celestial. Essa pessoa obtém inexprimível mérito e virtude e sustenta o trabalho do Buda. Ela pode obter o Anuttara-Samyak-Sambodhi, a Insuperável, Própria e Plena Iluminação Correta.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

Original

O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra

Sutra:

“Subhuti, um bom homem, ou uma boa mulher, pode pela manhã doar tantos corpos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges, e novamente à tarde doar tantos corpos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges, e novamente à noite doar tantos corpos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges, doando corpos daquela maneira ao longo de incontáveis milhões de kalpas. Mas se alguém caso ouvisse esse sutra e nele acreditasse sem reservas, suas bênçãos superariam aquelas anteriores. Quanto mais seria se uma pessoa pudesse escrever, copiar, ostentar, ler, recitar e explicá-lo para outros. Subhuti, o mérito e virtude desse sutra são inexprimíveis, inconcebíveis, ilimitados, e além de todos os louvores. Ele é pregado pelo Tathagata para aqueles que se propuseram ao Grande Veículo, aqueles que se propuseram ao Veículo Supremo. Se há pessoas que possam receber, ostentar, ler, recitar e explicá-lo para outros, essas pessoas são completamente conhecidas pelo Tathagata; elas são completamente assistidas pelo Tathagata. Essas pessoas alcançaram imensuráveis, inexprimíveis, ilimitados, inconcebíveis méritos e virtudes, e assim sustentam o Anuttara-Samyak-Sambodhi (Insuperável, Própria e Plena Iluminação Correta) do Tathagata.

Comentário:

O Buda Shakyamuni novamente admoestou Vazio Nato: “Subhuti, se um homem ou uma mulher que cultiva os cinco preceitos e as dez boas ações, doasse seu corpo tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges pela manhã, à tarde e à noite”. O Buda havia previamente falado da doação do corpo de alguém como oferenda. Agora ele fala da doação do corpo de alguém repetidamente, tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges. Não apenas a pessoa doa aqueles muitos corpos pela manhã, mas também à tarde. Além disso, ele doa seu corpo tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges à noite. Nem é o oferecimento por apenas um dia, mas ao longo de incontáveis milhões de kalpas. Ainda assim, as bênçãos e virtudes auferidas quando uma pessoa meramente ouve o sutra e acredita-o sem reservas superam aquelas da pessoa que doa corpos tão numerosos quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges pela manhã, à tarde, e à noite através de inumeráveis milhões de kalpas.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

Original

A um Passo da Sabedoria

Um Bodhisattva quando não é apegado ao praticar a doação é como um homem à luz do dia. Ao cultivar a doação incondicionada ele produz um fruto que não tem fluxo (resultado), isto é, verdade, sabedoria real. A luz do dia representa a sabedoria, através da qual se torna capaz de ver as coisas claramente.

Se houver uma pessoa no futuro que possa receber o Sutra Diamante em seu coração e praticá-lo com o seu corpo, que possa respeitosamente ostentá-lo, que possa lê-lo em um livro, ou que possa recitá-lo de memória, o Tathagata saberá completamente desse cultivo e verá completamente aquela pessoa.

Aquela pessoa alcançará ilimitado e incomensurável mérito e virtude. Onde é que mais mérito e virtude podem ser encontrados? Nenhum lugar. Não seja apegado. Se você se tornar apegado, você não o encontrará em lugar algum. Se você não se tornar apegado, ele estará logo ali.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

Verdadeira Vacuidade e Existência Maravilhosa

Sutra:

“Subhuti, o dharma obtido pelo Tathagata é nem verdadeiro e nem falso.”

“Subhuti, um Bodhisattva cujo coração reside (persiste) nos dharmas quando ele pratica a doação (quando os concede) é como um homem que entra na escuridão, que não pode ver uma coisa. Um Bodhisattva cujo coração não reside nos dharmas quando ele doa é como um homem com olhos na luz do sol, que pode ver todos os tipos de forma.”

“Subhuti, no futuro, se um bom homem, ou uma boa mulher, puder receber, ostentar, ler e recitar esse sutra, então o Tathagata, através de toda a Sabedoria-Búdica, conhecerá e verá completamente aquela pessoa. Aquela pessoa alcançará ilimitado e incomensurável mérito e virtude.”

Comentário:

O dharma real que o Tathagata obteve é verdadeiro, sabedoria real, nem verdadeiro nem falso. O dharma é Verdadeira Vacuidade, destituído de substância existente real. Nem falso significa que embora o dharma não possua substância, dentro da verdadeira vacuidade está contida a Existência Maravilhosa da Marca Real. Como o dharma é existência maravilhosa, também é dito não ser vazio. A verdadeira vacuidade não obstrui a existência maravilhosa, a existência maravilhosa não obstrui a verdadeira vacuidade. Assim, o dharma é nem verdadeiro nem falso.

Isso significa que não há apego às marcas. O abandono do apego às marcas é o princípio da Verdadeira Vacuidade e Existência Maravilhosa.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

O Real Objetivo do Budadharma

O Buda novamente instruiu Subhuti: “Para que um Bodhisattva possa beneficiar os seres viventes, ele deve praticar a doação conforme estabeleci previamente, sem persistir em lugar algum. O objetivo do Budadharma é libertar as pessoas de apegos”. “Deixe a brisa suave e a lua brilhante virem como são”. Deixe as coisas acontecerem naturalmente, não seja apegado. Ao apegar-se às marcas quando na doação, você cultiva a retribuição dos céus. Para cultivar a fruição do Buda, você não deve apegar-se às marcas. Mas você deve realmente e de fato fazê-lo. Você não pode dizer: “Eu não sou apegado às marcas. Não há realmente nada! Eu não necessito fazer nada”. Pensar dessa maneira é cair na falsa vacuidade.

Todas as marcas são pregadas pelo Tathagata como nenhuma marca. Basicamente, todas as marcas são destituídas de marcas. E todos os seres viventes são pregados como nenhum ser vivente. Originalmente a sua natureza própria é o Buda. Mas agora, em razão de estarem confusos, são seres viventes. Uma vez iluminados, eles tornam-se Budas. Se você usa o Budadharma para ensinar e transformar seres viventes, no futuro todos eles podem retornar à sua origem e atingir o Estado de Buda.

Para que suas palavras não façam com que as pessoas se tornem temerosas, aterrorizadas ou duvidosas, o Buda Shakyamuni assegurou a Subhuti: “As palavras do Tathagata são verdadeiras e honestas. São francas e diretas”. O Buda não mente. Todas as coisas que ele diz contêm o princípio da verdadeira talidade (sânsc. TATHATA, ing. SUCHNESS, significando a verdadeira natureza dos fenômenos, tal como são). O Tathagata não diz palavras falsas, nem expõe princípios estranhos e misteriosos engendrados para suscitar o pânico e alarmar os corações de seus ouvintes.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

O Coração do Anuttara-Samyak-Sambodhi

Sutra:

“E por quê? Quando eu fui decepado membro a membro, se eu possuísse uma marca do eu, uma marca dos outros, uma marca dos seres viventes, ou a marca de uma vida, eu teria sido ultrajado.”

Subhuti, ainda me lembro que no passado, durante quinhentas vidas, eu fui o Paciente Imortal. Durante todas aquelas vidas eu não tinha a marca do eu, nem a marca dos outros, nem a marca dos seres viventes, e nem a marca de uma vida. Por aquela razão, Subhuti, um Bodhisattva deve, ao renunciar todas as marcas, produzir o coração do Anuttara-Samyak-Sambodhi. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nas formas. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nos sons, odores, sabores, objetos tangíveis, ou dharmas (fenômenos). Ele deve produzir aquele coração que não reside (ou persiste) em lugar algum. Qualquer morada do coração é nenhuma morada. Portanto o Buda diz: ‘O coração de um Bodhisattva não deve persistir nas formas quando ele doa’. Subhuti, o Tathagata é aquele que fala a verdade, que fala o que é real, que fala o que é assim, que não diz o que é falso, que não diz o que não é assim.”

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

A Pessoa Mais Rara

Sutra:

O Buda disse a Subhuti: “É assim, é assim. Se alguém ouve este sutra e não fica amedrontado, ou alarmado, ou aterrorizado, saiba que aquela pessoa é a mais rara. E por quê? Subhuti, o paramita supremo é pregado pelo Tathagata como nenhum paramita supremo, porquanto é chamado paramita supremo.”

“Subhuti, o paramita da paciência é pregado pelo Tathagata como nenhum paramita da paciência. Porquanto é chamado paramita da paciência. E por quê? Subhuti, é como no passado, quando o Rei de Kalinga desmembrou o meu corpo. Naquela ocasião, eu não tinha a marca do eu, nem a marca dos outros, nem a marca dos seres viventes, e nem a marca de uma vida.”

Comentário:

Após o Buda ter ouvido a explanação de Subhuti, ele disse: “É assim, é assim”. Você pensa dessa maneira, e eu penso dessa maneira, também. A doutrina que você prega é correta.

“Se alguém ouve o Sutra Vajra Prajna Paramita e não fica amedrontado, ou alarmado, ou aterrorizado.” Por que assustaria as pessoas? As pessoas comuns são sempre apegadas à marca do eu, de tal forma que se a elas for dito que não há um eu, elas ficam muito assustadas.

“O quê?”, elas exclamam, “Para onde eu vou? Como posso não existir? Estou sempre aqui. Como posso eu próprio não existir?”

Aqueles dos Dois Veículos compreenderam a vacuidade do eu, mas ainda não compreenderam a vacuidade dos dharmas. Quando eles ouvem que “mesmo os dharmas devem ser renunciados”, eles ficam aterrorizados.

Como eu posso conceder os dharmas? Se descarto os dharmas, o que usarei na cultivação? Não terei nada.”

Embora Bodhisattvas plenamente realizados tenham se certificado para a vacuidade do eu e para a vacuidade dos dharmas, eles ainda não obtiveram a vacuidade da vacuidade. Eles não compreenderam (ainda) que o vazio também deve ser esvaziado. Com o vazio remanescente, há um apego a este. O Budadharma ensina não ser apegado ao eu e não ser apegado aos dharmas. Todavia, quando não há (mais) o eu e nem os dharmas, surge o vazio. O envolvimento com o vazio pode levar alguém a ser tomado de assalto por ele. Permanecer no vazio, parado em silêncio, simplesmente guarda-se o vazio dentro do qual se habita. Isto também é um engano. Assim, quando Bodhisattvas que ainda não compreenderam a vacuidade da vacuidade ouvem sobre a marca real, a substância primordial da prajna que sequer admite a vacuidade, eles também ficam alarmados e aterrorizados.

Uma pessoa que ouve o sutra e não fica amedrontada, ou alarmada, ou aterrorizada, compreende o verdadeiro dharma apropriado da prajna paramita. Portanto, o Buda Shakyamuni disse: “Saiba que aquela pessoa é a mais rara.”

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

Em Vila Nova de Famalicão – Portugal.

Os Budas da Era do Fim do Dharma

Sutra:

“Honrado pelo Mundo, a marca real é nenhuma marca, no entanto o Tathagata a chama de marca real.”

“Honrado pelo Mundo, agora, ao ouvir este sutra, eu acredito, compreendo, recebo, e o ostento sem dificuldade. Se no futuro, nos últimos quinhentos anos, houver seres viventes que ao ouvir este sutra acreditem, compreendam, recebam e ostentem-no, essas pessoas serão as mais raras e supremas. E por quê? Tais pessoas não terão a marca do eu, nem a marca dos outros, nem a marca dos seres viventes, e nem a marca de uma vida. E por quê? A marca do eu é nenhuma marca. A marca dos outros, a marca dos seres viventes, e a marca de uma vida são nenhuma marca. E por quê? Aqueles que renunciaram todas as marcas são chamados Budas.”

Comentário:

Subhuti disse que alguém que tenha um simples pensamento de pura fé produz a marca real. Marca real é nenhuma marca, embora nada haja que não possua marcas. Nem possui marcas e nem é destituído de marcas.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

Em Vila Nova de Famalicão – Portugal.

Sobre as Trinta e Duas Marcas Distintivas

Sutra:

“Subhuti, o que você pensa, pode o Tathagata ser visto através das trinta e duas marcas?”

“Não, Honrado pelo Mundo, não se pode ver o Tathagata através das trinta e duas marcas. E por quê? As trinta e duas marcas são pregadas pelo Tathagata como nenhuma das trinta e duas marcas, porquanto são chamadas trinta e duas marcas.”

“Subhuti, um bom homem, ou uma boa mulher, poderia oferecer sua vida tantas vezes quanto os grãos de areia que há no Rio Ganges; mas se uma pessoa recebesse e ostentasse mesmo que apenas um verso de quatro linhas do sutra e explicasse-lhes para os outros, suas bênçãos seriam maiores.”

Comentário:

O Buda indagou: “Quando você vê as trinta e duas marcas, você vê o corpo do dharma do Tathagata?” Subhuti respondeu que não se pode ver o corpo do dharma do Tathagata através das trinta e duas marcas.

As trinta e duas marcas são pregadas pelo Tathagata como nenhuma das trinta e duas marcas, porquanto são chamadas trinta e duas marcas.

As trinta e duas marcas das quais o Buda Shakyamuni falou são as marcas do corpo da réplica, não as marcas do corpo do dharma. O corpo da réplica é o corpo de transformação. As trinta e duas marcas do corpo de transformação são impermanentes, e assim elas podem eventualmente mudar e tornarem-se extintas. O corpo do dharma do Buda é “nem produzido e nem destruído, nem impuro e nem puro, nem crescido e nem decrescido.” Portanto, Subhuti disse: “As trinta e duas marcas pregadas pelo Tathagata são nenhuma das trinta e duas marcas – elas não são marcas da verdade real do Buda. Somente do ponto de vista de uma falsa nomenclatura elas são trinta e duas marcas.”

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma “Assim”.

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