Propriedades da Física dos Cristais

III.2 – Propriedades da Física dos Cristais

Já em 1916, Einstein havia afirmado que a gravidade, talvez, não fosse uma força, mas sim uma das propriedades observáveis do próprio espaço-tempo. Indo um pouco além, especulou que o que chamamos “matéria” é, na realidade, apenas um fenômeno local exibido por regiões onde a energia do campo está muito concentrada. Em termos mais simples, Einstein encarava a “matéria” como uma manifestação da energia e, assim fazendo, ousou rejeitar a idéia tradicional de que matéria e energia são entidades separadas que coexistem.

Entendemos que a indissociabilidade de matéria e energia, hoje um fato plenamente aceito, tem perfeita analogia com a indissociabilidade do defeito e o meio cristalino no qual se manifesta. Assim como a energia só pode se manifestar através da sua associação-interação com a matéria, o meio ordenado do espaço-tempo-cristalino só pode manifestar-se através da sua interação com o defeito, um fenômeno local onde, além da energia intrínseca (E = mc2), soma-se a energia de ligação necessária para “arrancar” a entidade de um lugar próprio da rede, mais a energia de migração necessária para a entidade executar os saltos pelos interstícios da rede cristalina. Portanto, o defeito no meio cristalino muito se parece com a idéia de Einstein sobre a “matéria” como sendo um fenômeno local exibido por regiões do espaço-tempo onde a energia está muito concentrada. Por outro lado, se a gravidade, antes de ser uma força, melhor seria uma das propriedades observáveis do espaço-tempo, acreditamos ser a reação entre o cristalino e o defeito que se encontra em seus interstícios, uma interação do tipo gravitacional que, em qualidade, nada tem de diferente daquilo que se observa no macrocosmo.

Dizem que Wolfgang Pauli8, um Físico que desistiu de trabalhar na teoria do campo unificado, desabafou da seguinte forma: “O que Deus separou, o homem não pode unir”. Com muita razão! Se a matéria vem a ser a própria criação num universo-material-observável, segundo a nossa analogia, essa aberração (defeito-matéria) não pode por si própria devolver-se ao espaço ordenado de onde se originou, a não ser através da atuação de um campo externo. Pelo que sabemos, uma vez criado um defeito no meio cristalino, e isto só é possível pela atuação de um campo externo que forneça a energia de limiar, somente outra contribuição externa poderá devolvê-lo à estrutura de origem. Certamente, “o que Deus separou o homem não pode unir”.

Sabe-se que a teoria do campo unificado de Einstein tinha em seu cerne um conjunto de 16 equações extremamente complexas, representadas por um tipo de notação matemática avançada na época, conhecida como notação tensorial. Dez dessas equações representavam a gravitação e outras seis o eletromagnetismo. Dessas equações é possível extrair uma conclusão interessante: um campo gravitacional puro pode existir sem um campo eletromagnético; mas, um campo eletromagnético puro não pode existir na ausência de um campo gravitacional.

Se o campo gravitacional é a manifestação observável do espaço ordenado (espaço-tempo ou cristalino) sobre o defeito (matéria), isto será sempre verdade. E mais, a grandeza tempo (quarta dimensão ou uma das dimensões de um outro espaço) deverá sofrer variações relativas para diferentes zonas de influência da distorção local provocada pela presença do defeito; isto é, ao afastar-se do núcleo da distorção local, ou seja, do centro material do defeito, o observador deverá sentir o tempo fluir cada vez mais lentamente até que, fora da zona de influência do defeito, este lhe pareça não mais fluir. Então, o tempo, como a matéria, é um fenômeno local. Aqui está o paradoxo dos gêmeos proposto de uma forma diferente. Nos cálculos da teoria da relatividade especial, a viagem hipotética leva em conta apenas a velocidade e o tempo. Aqui, levamos em conta a velocidade, o tempo e o espaço percorrido; isto é, a velocidade e o tempo necessários para produzir o paradoxo resultam num espaço percorrido mais que suficiente para trazer o itinerante para fora da zona de influência em que permanece o seu irmão gêmeo.

pia03606_nebulosa_do_caranguejo.jpg

2 Comentários

  1. ana said,

    20/04/2007 às 18:42

    blog fantástico!!!

  2. carolina santos azevedo said,

    09/12/2007 às 14:12

    nao achei sobre o assunto que procurava


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