A Cena da Pregação do Sutra Dharani

Om Namo Ratnatraya
Om Namo Aryavalokiteshvaraya Bodhisattvaya Mahasattvaya Maha Karuna Kaya!

Assim eu ouvi:

Certa vez o Buda Shakyamuni esteve na Montanha Potala[1], no Bodhimandala adornado de joias do palácio do Bodhisattva Avalokiteshvara, sentado num precioso Trono-de-Leão adornado em pureza por incontáveis e multicoloridas joias. Centenas de preciosos estandartes estavam suspensos ao seu redor.

Naquela ocasião, em virtude de que o Tathagata, que estava sentado em seu trono, pretendia proclamar o ensinamento do Dharani da Total-Retenção (que Une e Sustenta), Ele estava junto com inumeráveis Bodhisattvas-Mahasattvas, cujos nomes eram: Bodhisattva Rei Dharani (que Une e Sustenta), Bodhisattva Rei Adornado com Joias, Bodhisattva Bhaisajya-Guru-Vaidurya-Prabhasa (o Mestre da Medicina de Esplendor de Lápis-lazúli), Bodhisattva Bhaisajya-Samudgata (Medicina Superior), Bodhisattva Avalokiteshvara (Contemplador dos Sons do Mundo), Bodhisattva Maha-Sthamaprapta (Grande Força), Bodhisattva Avatamsaka (da Guirlanda de Flores), Bodhisattva Vyuharaja (do Grande Adorno), Bodhisattva do Tesouro de Joias, Bodhisattva do Tesouro da Virtude, Bodhisattva Vajragarba (Tesouro do Diamante), Bodhisattva Akasagarba (Tesouro do Espaço Vazio), Bodhisattva Maitreya, Bodhisattva Samantabhadra (Virtude Universal – Universalmente Meritório), Bodhisattva Manjushri (Auspícios Maravilhosos) e outros como estes. Tais Bodhisattvas-Mahasattvas são todos Grandes Príncipes do Dharma ungidos em sua cabeça (Abhisheka).

Com o Buda também se encontravam inumeráveis grandes Shravakas (Ouvintes), todos Arhats praticantes do Décimo Estágio, liderados por Mahakashyapa;

Com Ele também estavam inumeráveis deuses dos Céus-Brahma, liderados por Sinza-Brahma (San Cha);

Junto a ele também se encontravam inumeráveis Deuses dos Céus do Reino do Desejo, liderados pelo Regente Divino Kubhagha (Gopaka);

Também se encontravam juntos a Ele os Deuses-Guardiões de inumeráveis mundos das quatro direções, liderados por Dhritarastra;

Lá também se encontravam inumeráveis deuses, dragões, Yakshas, Gandharvas, Asuras, Garudas, Kinnaras, Mahoragas, seres humanos e não-humanos (Amanusyas), liderados pelo Grande Rei Dragão Virtude Celestial;

Todas as inumeráveis deusas dos Céus do Reino do Desejo também lá estavam, lideradas pela Deusa do Olho Imaculado;

Junto a Ele também se encontravam inumeráveis Sunyatas (Deuses do Espaço Vazio), Deuses dos Rios e Oceanos, Deuses das Fontes e Nascentes, Deuses dos Córregos e Lagos, Deuses das Ervas Medicinais, Deuses das Florestas, das Moradas, da Água, do Fogo, da Terra, do Vento, do Chão, das Montanhas, das Pedras, dos Palácios e outros;

Todos eles vieram e juntaram-se na Assembleia.

Naquela ocasião, em meio à grande assembleia, o Bodhisattva Avalokiteshvara, através de seu impressionante poder espiritual, emitiu sua luz divina, após o que todos os mundos nas dez direções, abarcando os três mil grandes sistemas de mil mundos, iluminaram-se e tornaram-se dourados, da cor do ouro. Os Palácios Celestiais, os Palácios dos Dragões, e os Palácios de todos os deuses tremeram. Rios, oceanos, as Montanhas do Círculo de Ferro (Cakravada-parvata), o Monte Sumeru, as Montanhas da Terra e a Montanha Negra também se agitaram. O brilho do sol, da lua, das pérolas e gemas, do fogo e das estrelas (constelações) também se desvaneceu.


[1] O nome “Potala” é possivelmente derivado de Monte Potalaka, a morada mitológica de Avalokiteshvara Bodhisattva. A respeito do Palácio Potala, a residência do Dalai Lama, leia também sobre a cidade sagrada de Lhasa em Lugares Sagrados do Budismo.


Om Namo Vipashina Buddha
Om Namo Avalokiteshvara Bodhisattva Dharani Sutra

 

PI e o Pé de Feijão – Episódio 1

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 1’

(*) Hum! Parece que há uma Lei atuando sobre os 5 elementos. A entidade é individualizada por um tipo de harmonia entre os elementos, estabelecida pela Lei. A manifestação da Lei na entidade, entretanto, lhe dá uma natureza inerente única.

Isto significa que na formação da entidade, a Lei não apenas atua sobre os elementos, mas funde-se com eles nessa formação. Gente, que Lei é essa?

Muito provavelmente é o Carma. E isso é um ponto crucial neste livro. Por quê? Porque IZ (o Interlocutor Zen) e PI (o Principiante Incauto) não são feitos daqueles cinco elementos (terra, água, fogo, ar e kuu), são ideogramas. A tinta e o papel, que aqui podemos chamar de veículos, é que são feitos daqueles elementos, e utilizados para lhes atribuir uma expressão material. Este é o profundo significado da Prajna Literária (os sutras), sobre a qual já falamos, e que o Buda nos concede através de meios habilidosos, mas que constitui apenas um aspecto da Grande Sabedoria.

O Cristalino

Na verdade, aqueles cinco elementos constituem impurezas num estágio superior, pois seus microconstituintes, moléculas – átomos – partículas elementares, já o são num grau mais fundamental, a partir das quais se descrevem todos os fenômenos do universo conhecido. Há uma analogia que considero muito pertinente no modelo do cristalino. Naquele modelo, as assim chamadas impurezas estão para além da ideia de partículas elementares, abrangendo também distorções no espaço-tempo, discordâncias, e tudo que possa representar a quebra da simetria fundamental. A síntese dessas ideias pode ser vista no tópico chamado O Universo de Defeitos em Cristais desenvolvido no Cristalino. Entretanto, não é propósito deste livro sequer suscitar uma discussão mais aprofundada sobre isso.

O Ensino do Sutra de Lótus

No ensino do Lótus, esses cinco elementos constituem o lodo do qual emerge o Lótus Imaculado. Isto é uma metáfora, um meio hábil utilizado pelo Buda para expor a Via. No contexto desse ensino cabe perfeitamente a história da Vida do Buda, também consumada em um livro, que conta a saga do Príncipe Siddhartha Gautama, filho do Rei Suddhodana e da Rainha Maia, em busca da Grande Sabedoria e que, ao atingi-la, torna-se o Buda histórico Todo-Iluminado. Não há razões e nem espaço para dúvidas quanto à legitimidade (entenda-se como conformidade com o Dharma Maravilhoso) desse ensinamento, o qual é reputado por muitos como o mais elevado de todos os ensinos. E como um endosso, gostaria de citar, abaixo, uma passagem do Sutra de Lótus:

“Kashyapa, saiba que o Tathagata é o Rei de todas as Leis. Nada daquilo que ele ensina é falso. Ele proclama extensivamente todas as Leis através da sabedoria e dos meios hábeis, e quaisquer que sejam as Leis que ele prega, todas elas conduzem à mais profunda de todas as sabedorias.”

Sutra de Lótus – Capítulo 5 – Ervas Medicinais.

O Ensino do Grande Nirvana

No ensino do Grande Nirvana, esses cinco elementos constituem o Grande Veículo do Bodhisattva, o qual, através da prática das Ações Puras, atinge o Insuperável Bodhi. Naquele ensino, o Buda expõe o Supramundano, que está para além das marcas do ´é´ e do ´não-é´ do mundo secular. Lá, bem como já ocorrera no ensino essencial do Sutra de Lótus, o Buda descarta os meios hábeis dos ensinos provisórios e prega a Paramartha-satya (ou Realidade Última).

Você pergunta que Lei é essa, PI? Vamos chamá-la de Lei do Carma.

Selo Comemorativo

Ciência Humana

Em ‘Ciência Humana’

A ciência humana ocupa-se com a observação e compreensão dos dharmas (fenômenos), os quais são essencialmente impermanentes e transitórios. Ademais, toda a sua lógica, desde os princípios mais elementares, baseia-se na discriminação e na diferenciação daquilo que se entende como matéria e forças, portanto é uma ciência do ´é´ ou ´não é´, brutalmente apegada às marcas da existência ou não dos fenômenos que ela mal compreende. Patina sobre si mesma.

A substância do prajna da marca real é sem a menor desigualdade.

Sutra Diamante – Capítulo 3 – A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.

Falemos sobre a Sabedoria (Prajna). Como citado anteriormente:

Há Três Tipos de Prajna (Sabedoria): a prajna literária; a prajna contemplativa, e a prajna da marca real. A prajna literária se refere ao Sutra. Com a prajna literária você pode dar origem à prajna contemplativa, que por seu turno habilita alguém a penetrar a prajna da marca real. Marca Real é nenhuma marca, mas não é sem marcas. Não é marca e nem sem marcas.

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma Assim – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

Prajna Literária, a Contemplativa, e a Marca Real

Sutra:

Como ela deveria ser explicada para outros? Sem apego às marcas: assim, assim, imóvel. E por quê?

Todos os dharmas condicionados
são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras,
como gotas de orvalho e um lampejo:
contemple-os assim.

Comentário:

Explicá-los extensivamente para outros refere-se à prajna literária. Sem apego às marcas refere-se à prajna contemplativa. Assim, assim, imóvel refere-se à prajna da marca real. A prajna foi discutida no início do sutra, e no fim o texto novamente faz referência à prajna.

Quando você explica um sutra para outros, você não deve apegar-se às marcas. Você não deve pensar: “Eu estou ganhando um bocado de mérito e virtude ao explicar esse verso de quatro linhas para eles”. Embora você esteja certo que seu mérito e virtude são grandes, você não deve nutrir uma marca do seu tamanho. Se o fizer, você adere às marcas e torna-se apegado a elas. Se você for capaz de evitar a adesão às marcas, então o existente é como se não-existente, e o real é como se fosse vazio. Basicamente, alguém com virtude da Via é como se fosse destituído da virtude da Via. Uma pessoa verdadeiramente educada é como se fosse destituída de educação. Isso significa que em todas as ocasiões, em todos os lugares, você deve estar livre da marca de um ‘eu’.

Assim, Assim, Imóvel é a prajna da marca real. É a verdadeira, real sabedoria. Através do princípio da talidade pode-se compreender a sabedoria da talidade, e com a sabedoria da talidade, pode-se compreender o princípio da talidade. Não há dharma que não seja assim: isso é a prajna da marca real.

O Verso Adamantino

E por quê? Por que se necessita da prajna literária, da contemplativa, e da marca real? O Buda Shakyamuni falou um verso de quatro linhas que aqueles que estudam o Sutra Diamante devem recitar regularmente:

Todos os Dharmas Condicionados,
São Como Sonhos, Ilusões, Bolhas, Sombras,
Como Gotas de Orvalho e um Lampejo:
Contemple-os assim.

Tudo é dharma condicionado. Comer, vestir, caminhar, parar, sentar, reclinar, tocar um negócio – todas as atividades são dharmas condicionados. Aqueles são exemplos de dharmas condicionados externos. Há também os Cinco Skandhas: forma, sentimento, pensamento, atividades, e consciência; os quais são dharmas condicionados. Os quatro elementos principais: terra, água, fogo e ar são dharmas condicionados. As seis raízes, as seis poeiras, os doze lugares, e os dezoito reinos são todos dharmas condicionados. Todos esses dharmas, quer sejam externos ou internos, são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

Selo Comemorativo

Mensagem de Ano Novo 2014

“Quando a lua está cheia, há onze coisas. Quais são as onze? Elas são: 1) ela dissipa realmente a escuridão, 2) ela de fato permite aos seres ver o caminho e aquilo que não é o caminho, 3) ela permite (distinguir) o caminho certo e o errado, 4) ela permite aos seres acabar com a depressão e os abençoa com pureza e frescor, 5) ela de fato destrói a arrogância do vaga-lume, 6) ela realmente dissipa o pensamento de quaisquer ladrões, 7) ela de fato dissipa o temor dos seres das bestas malignas, 8) ela abre a floração da kumuda (espécie do lótus que floresce ao luar), 9) ela fecha completamente as pétalas do lótus, 10) ela evoca no viajante o pensamento de prosseguir ao longo do caminho, 11) ela permite aos seres desfrutar da aceitação dos cinco prazeres e obter alegria de muitas maneiras”. – Buda Shakyamuni no Sutra do Nirvana, Capítulo 37 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 5.

Que o ano que se descortina seja como a LUA CHEIA, e que as Verdadeiras Palavras do Tathagata iluminem o caminho de todos os seres.

Um Feliz 2014.

O Verso Adamantino

E por quê? Por que se necessita da prajna literária, da contemplativa, e da marca real? O Buda Shakyamuni falou um verso de quatro linhas que aqueles que estudam o Sutra Diamante devem recitar regularmente:

Todos os Dharmas Condicionados,

São Como Sonhos, Ilusões, Bolhas, Sombras,

Como Gotas de Orvalho e um Lampejo:

Contemple-os assim.

Tudo é dharma condicionado. Comer, vestir, caminhar, parar, sentar, reclinar, tocar um negócio – todas as atividades são dharmas condicionados. Aqueles são exemplos de dharmas condicionados externos. Há também os Cinco Skandhas: forma, sentimento, pensamento, atividades, e consciência; os quais são dharmas condicionados. Os quatro elementos principais: terra, água, fogo e ar são dharmas condicionados. As seis raízes, as seis poeiras, os doze lugares, e os dezoito reinos são todos dharmas condicionados. Todos esses dharmas, quer sejam externos ou internos, são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras.

O que é um sonho? Ninguém sabe. Se soubéssemos, então não sonharíamos. As pessoas encontram-se num sonho perpétuo. Quando você cai no sono e sonha, você não tem conhecimento das coisas que existem (ou acontecem) em seu estado desperto comum, e quando você desperta do sonho, normalmente você não consegue lembrar de todos os eventos do sonho. Da mesma maneira, somos incapazes de relembrar os eventos de nossas vidas anteriores, porque eles desapareceram no sonho da vida presente.

Alguém pode ter um sonho no qual ele se torna rico, é nomeado para um alto cargo, e está à beira de tornar-se presidente, quando subitamente alguém lhe diz: “Senhor, você está realmente tendo um sonho”. Mas em meio ao seu sonho de riqueza e posição, a pessoa não pode acreditar no que lhe é dito.

“Todas as coisas que estão acontecendo para mim são reias”, ele diz, “estou rico, tenho um alto cargo, e sou candidato a presidente. Como você pode dizer que estou sonhando?” Todavia, quando ele desperta do seu sonho, saberá sem que lhe seja dito que todos aqueles eventos aconteceram num sonho.

Assim também nós, pessoas, somos como se estivéssemos num sonho. Agora eu lhe direi: “isto é um sonho”. Embora lhe tenha dito, certamente você responderá: “O que quer dizer, um sonho? Isto é tudo real. Essas coisas estão de fato acontecendo. Como pode dizer que isto é um sonho? Você engana as pessoas”.

Quando a sua cultivação estiver realizada, você despertará desse sonho e saberá sem que lhe seja dito que todas as coisas que você fez no passado era um sonho. A razão de você não acreditar quando lhe disse que você estava sonhando é que você ainda não havia despertado do seu sonho. Quando você despertar, você concordará: “Sim, era tudo um sonho”.

Ilusões são irreais, são como os truques de um mágico. O mágico recita um mantra e uma flor de lótus aparece subitamente na água, ou em meio ao fogo. Ou ele pode fazer com que uma pedra de jade subitamente apareça como se viesse do nada. Um mágico parece possuir poderes espirituais e talento maravilhoso, mas o que ele faz é irreal. Embora pareça real, se você investigar, verá que é ilusório, não-existente. Tais atos como o lótus no fogo podem levar crianças ou tolos a acreditar que o lótus é real. Mas um adulto pode dar uma olhada e saber que é um truque.

Quando você compreende o Budadharma, você sabe que todas as coisas são vazias e ilusórias. O mundo é vazio e ilusório, feito de uma conjunção de fatores (condições) que apenas parece ser real. Quando você não compreende o Budadharma, você é como a criança ou o tolo que considera todas as coisas como sendo reais. Isto não é menosprezar as pessoas! É um simples fato. Pessoas que não compreendem o Budadharma pensam que estar rico é real e pensam que uma posição em alto cargo realmente existe. Na realidade, todas as coisas são uma. Uma pessoa é a mesma quer seja rica ou pobre. Se você compreende que todas as coisas são vazias e ilusórias, então você não pode ser confundido por nada. Não se tornará apegado a situações irreais.

Bolhas são também basicamente irreais, e rapidamente desaparecem para mostrar a sua vacuidade.

Sombras seguem as pessoas. Quando existe a forma, então existe a sombra. A forma é uma substância real, a sombra é vazia. Se explicado em maior profundidade, mesmo a forma em si é vazia e totalmente irreal. Se você não acredita nisto, então continue a apegar-se ao seu corpo, proteja-o e mantenha-o, e veja se ele morre ou não.

Como gotas de orvalho e um lampejo. Se você olhar para fora ao amanhecer, você encontrará o orvalho mas, após o sol nascer, o orvalho desaparecerá. Um lampejo também é impermanente.

Contemple-os assim. Você deve contemplar todas as coisas condicionadas dessa maneira. Se você o fizer, então o céu será vazio e a terra será uma cavidade. O tamanho do seu coração será tão vasto quanto os céus e tão amplo quanto o espaço vazio, livre de impedimentos. Sem impedimentos não há medo.

Eu não tenho medo. Nunca tive medo de nada desde o momento em que nasci. Homens mortos, homens vivos, essências ou criaturas estranhas, tigres, leões – não tenho medo deles. Traga-me um tigre e o transformarei num gatinho. Experimente. Posso ser desta maneira porque não tenho obstruções. Comigo, está tudo OK. Se todas as coisas são como gotas de orvalho e um lampejo, como sonhos, ilusões, bolhas ou sombras, então o que pode (me) obstruir? Não há obstruções, e assim não há medo. O Sutra Coração diz: “Quando não há impedimentos não há medo”. Sem medo, “Pensamentos como sonhos de cabeça-para-baixo são deixados para trás”. Portanto eu digo: “Não tenho medo de tigres”. Se você não acredita em mim, traga um tigre e eu sentarei em meditação ao lado dele.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios.

Original

A Natureza Inefável de um Cristal Perfeito

O Buda perguntou a Subhuti: “Se alguém pulverizasse três mil grandes sistemas de mil mundos em minúsculas partículals de pó, haveria uma grande massa de poeira?”

Subhuti disse: “Haveria muita poeira, mas apenas porque as minúsculas partículas de pó não têm natureza substancial. Elas basicamente não existem. Se elas existissem o Buda não falaria delas como uma massa de minúsculas partículas de pó”. O Buda falou de uma massa de minúsculas partículas de pó, mas apenas do ponto de vista das pessoas comuns que a massa de minúsculas partículas de pó realmente existe.

É nenhuma massa de partículas de pó. A partícula de pó basicamente é vazia, e basicamente é maravilhosamente existente. Porquanto é chamada uma massa de minúsculas partículas de pó. Pode-se forçar a questão e dar-lhe um nome, mas é apenas um nome e nada mais.

Os três mil grandes sistemas de mil mundos pregados pelo Tathagata são basicamente não-existentes. Porquanto são chamados sistemas de mundos. É meramente um falso nome e nada mais. Por quê? Se sistemas de mundos realmente existissem, então haveria uma totalidade de marcas. A totalidade de marcas refere-se à verdadeira natureza. Se a totalidade de marcas realmente existisse, então aquilo significaria que a verdadeira natureza realmente existe. A totalidade das marcas é pregada pelo Tathagata. O Buda nem mesmo disse que a totalidade das marcas, isto é, a verdadeira natureza, possui marcas. É nenhuma totalidade das marcas. Ela (a verdadeira natureza) também não tem substância básica. A verdadeira natureza é essencialmente verdadeira, mas também não tem substância falsa. Porquanto é chamada totalidade das marcas. Isto também é forçar um nome, “totalidade das marcas”, e isto é tudo.

A Prajna não é pregada porque ela não tem substância, e não há nada que possa ser dito. Subhuti, a totalidade das marcas não pode ser pregada. O Buda Shakyamuni ouviu a explanação de Subhuti e novamente o chamou: “O que é chamado totalidade das marcas? Eu lhe direi. Uma totalidade das marcas é inefável. Não pode ser expressa. Isto porque é um falso nome e nada mais. Mas as pessoas da espécie comum apegam-se avidamente a tais marcas”. As pessoas comuns tornam-se apegadas e dizem: “Aquilo existe, isto é vazio. Aquilo é verdadeiro, isto é falso”. Elas se apegam avidamente aos fenômenos. Por quê? Porque elas se tornam envolvidas nas visões baseadas nas discriminações que ocorrem no campo das oito consciências. Elas consideram verdadeiras a discriminação das visões e a discriminação das marcas. Na realidade, ambos os tipos de discriminação são vazios e falsos.

Sutra Diamante – Capítulo 30 – A Totalidade de Princípio e Marcas.

Original

Reconhecer, Compreender e Cultivar

Sutra:

Subhuti, se alguém dissesse que o Tathagata vem ou vai, senta ou levanta, aquela pessoa não compreenderia o significado dos meus ensinamentos. E por quê? O Tathagata não vem de algum lugar, nem vai a algum lugar. Porquanto ele é chamado o Tathagata”.

Comentário:

Após ter pregado a seção anterior do texto, o Buda Shakyamuni percebeu que as pessoas poderiam ter dúvidas e tornarem-se apegadas à marca das idas e vindas do Tathagata. Portanto, ele disse a Subhuti: “se alguém dissesse que o Tathagata vem ou vai, senta ou levanta, aquela pessoa não compreenderia o significado dos meus ensinamentos”. Como se Ele, o Tathagata, viesse e fosse, mas sua ida e vinda é apenas ilusória. Qualquer um que pense que realmente vem e vai falha em compreender o princípio que o Buda ensina. O Tathagata não tem um lugar do qual ele venha e nem um lugar para o qual ele vá; porquanto ele é chamado oTathagata. Isto significa que o corpo do dharma do Buda nem permanece e nem não permanece. Ele interpenetra todos os lugares. Se ele permeia todos os lugares, de onde ele poderia vir? Uma vez que ele permeia todos os lugares, para qual lugar ele poderia ir? Portanto, diz-se não permanecer e não não permanecer.

Se você compreende o Budadharma, as montanhas, rios e a grande terra são todos o corpo do dharma do Tathagata. Se você não compreende, você vê o Tathagata, mas não o reconhece. Se você compreende o Budadharma, você pode reconhecer o Buda sem sequer tê-lo visto, e uma vez que você reconheça o Tathagata, é muito fácil contar com o dharma para cultivar. Se você não reconhece o Tathagata e nem mesmo sabe que o Buda é tudo, como você pode estudar o Buda? Falhar em reconhecer e ainda continuar a estudar é chamado ‘um cego guiando outro cego’. Se você é cego, você pode cometer um engano e escolher seguir alguém que também é cego. Embora seu líder perceba que ele próprio é cego, ele pode desejar ser seguido e, dessa maneira, finge que pode ver. Vocês dois tateiam juntos, correndo aqui e ali, até que eventualmente ambos caiam no mar e se afoguem. Desde o início, é essencial reconhecer o Budadharma e compreender como cultivar. Então você pode estudar.

Quando você compreende o Budadharma, você pode fiar-se no dharma para cultivar e realizar o Estado de Buda. Se você seguir um portal do dharma de um caminho externo, você somente será levado para mais e mais longe. Quanto mais longe você for, mais difícil retornar; e em razão de você não poder retornar à origem, um perigo muito grave surge.

Sutra Diamante – Capítulo 29 – A Quietude de Forma Surpreendente.

Original

O Corpo do Dharma não Possui Marcas

Sutra:

“Subhuti, o que você pensa? Pode-se contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas?”

Subhuti disse: “É assim, é assim, Honrado pelo Mundo. Pode-se contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas”.

O Buda disse: “Subhuti, se alguém pudesse contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas, então um Rei Sábio Girador de Roda seria um Tathagata”.

Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, da maneira como eu entendo o que o Buda disse, não se deve contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas”.

Naquela ocasião o Honrado pelo Mundo falou um gatha, o qual diz:

Se alguém me vê na forma,

se alguém me procura nos sons,

ele pratica uma via tortuosa,

e não pode ver o Tathagata.

Comentário:

O Buda Shakyamuni perguntou a Subhuti: “Pode-se contemplar o Tathagata meramente através das trinta e duas marcas?” Previamente, o Buda havia indagado a Subhuti se poder-se-ia “ver” o Tathagata através das trinta e duas marcas. Então, a essa altura, ele indagou se poder-se-ia contemplar o Tathagata através delas. ‘Ver’ é uma função dos olhos, ao passo que contemplação é uma função da mente. Subhuti foi enredado naquela distinção, e assim respondeu: “Sim, pode-se contemplar o corpo do dharma do Tathagata através das trinta e duas marcas”.

Mas o Buda salientou que um Rei Sábio Girador de Roda também possui as trinta e duas marcas, e dessa forma ele também deveria ser um Buda. Realmente, as trinta e duas marcas de um Rei Sábio Girador de Roda são ligeiramente menos distintas que a de um Buda. Pessoas com os cinco olhos e os seis poderes de penetrações espirituais podem distinguir a diferença. Mas, uma vez que as pessoas comuns não podem, dizer que pessoas comuns podem ver o Tathagata através das trinta e duas marcas significa que elas também veriam um Rei Sábio Girador de Roda como um Buda.

Após Subhuti ouvir a explicação do Buda, ele respondeu: “Da maneira como eu entendo o que o Buda disse, não se pode ver ou contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas”.

O Buda Shakyamuni então falou um verso para Subhuti:

Se alguém me vê na forma significa que pode haver pessoas que vejam as trinta e duas marcas e pensem que estão vendo o próprio Buda.

Se alguém me procura nos sons significa que pode haver aqueles que tomam as quatro eloquências e os oito sons como sendo o Tathagata.

Ele pratica uma via tortuosa / e não pode ver o Tathagata. A via tortuosa do apego à visão ou ao som do Buda leva uma pessoa ao extremo do apego à existência condicionada. Quando não se está de acordo com o Caminho Médio, não se pode ver o Tathagata. O Sutra Avatamsaka diz: “Réplicas e transformações não são o verdadeiro Buda”. As trinta e duas marcas pertencem aos corpos da réplica e das transformações, e certamente não ao Corpo do Dharma do Buda. Alguém que se prenda ao aniquilacionismo vê todas as coisas como condenadas à extinção. Alguém que se prenda à permanência vê todas as coisas como eternas. Ambas as visões são distorcidas e não são o Caminho Médio. Se alguém procura o Corpo do Dharma do Tathagata através de alguma outra maneira que não o Caminho Médio, será impossível encontrá-lo.

Uma vez que Mahamaudgalyayana queria ver quão longe a voz do Buda alcançava, assim ele usou suas penetrações espirituais e foi tão longe ao leste quanto ele podia. Ele passou através de milhares de dezenas de milhões de Terras Búdicas – 70.000 vezes mais do que um foguete poderia ir no espaço. Mas, mesmo quando ele já havia viajado aquela grande distância, a voz do Buda ainda estava tão límpida como se ele estivesse pregando o dharma diretamente no ouvido de Mahamaudgalyayana. Este é o caso da busca pelo Buda no som.

Sutra Diamante – Capítulo 26 – O Corpo do Dharma não Possui Marcas.

Original

O Coração Puro Pratica o Bem

Sutra:

“Além disso, Subhuti, esse dharma é liso e plano, sem altos e baixos. Porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi. Cultivar todos os dharmas sem um ‘eu’, nem outros, nem seres viventes e nem uma vida é atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Subhuti, bons dharmas são pregados pelo Tathagata como nenhuns bons dharmas. Porquanto são chamados bons dharmas”.

Comentário:

Desejando falar em maiores detalhes, o Buda Shakyamuni disse a Subhuti: “Não há nada superior a esse dharma, e nada inferior”. Porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi. Embora seja chamada Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta, é um dharma sem uma marca do ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, ou de uma vida. É destituído do apego ao ‘eu’, do apego aos dharmas (fenômenos), e do apego à vacuidade. Você deve cultivar dharmas saudáveis e abster-se de praticar dharmas insalubres. Assim é dito:

Faço votos de erradicar todo o mal.

Faço votos de praticar todo o bem.

Faço votos de salvar todos os seres viventes.

Se você erradica o mal e cultiva o bem, suas boas raízes aumentarão e crescerão. Ao cultivar bons dharmas você obtém naturalmente a Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta.

Subhuti, bons dharmas são pregados pelo Tathagata como nenhuns bons dharmas. Ao falar do ponto de vista do Tathagata não há bons dharmas  que possam ser obtidos. Porquanto são chamados bons dharmas. A eles são meramente dados falsos nomes. Você não deve ter apego a quaisquer bons dharmas. Apego a bons dharmas ainda é apego. Você deve contemplar todas as coisas como uma ilusão, uma transformação, um sonho, uma bolha, ou uma miragem – como sendo irreais.

Sutra Diamante – Capítulo 23 – O Coração Puro Pratica o Bem.

Original

O Reino do Dharma Penetrado e Transformado

Sutra:

“Subhuti, o que você pensa? Se alguém preenchesse os três mil grandes sistemas de mil mundos com as sete gemas preciosas e desse-lhes como um oferecimento (doação), por aquela razão essa pessoa obteria muitas bênçãos?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. Por aquela razão essa pessoa obteria muitíssimas bênçãos.”

“Subhuti, se bênçãos e virtudes fossem reais, o Tathagata não teria pregado sobre a obtenção de muitas bênçãos. É em virtude de bênçãos e virtudes não existirem que o Tathagata pregou sobre a obtenção de muitas bênçãos.”

Comentário:

Na parte anterior do texto o Buda Shakyamuni disse que pensamentos do passado, presente e futuro não podem ser capturados. Então, ele indagou a Subhuti: “Suponha que houvesse uma pessoa que pegasse tantas das sete gemas preciosas quanto as que preencheriam os três mil grandes sistemas de mil mundos e desse-lhes como um oferecimento. Em razão de tais causas e condições a retribuição das bênçãos seriam grandes ou não?”

Subhuti respondeu que a pessoa teria muitas bênçãos. Mas o Buda afirmou que se as bênçãos tivessem uma substância real, se houvesse algo tangível que as representasse, então o Tathagata não teria pregado sobre as muitas bênçãos obtidas por aquela pessoa. Uma vez que não há substância real e nem qualquer coisa (tangível) que se possa apontar, o Tathagata diz que a pessoa obteria muitas bênçãos.

Sutra Diamante – Capítulo 19 – O Reino do Dharma Penetrado e Transformado.

Original

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