O Coração Puro de um Bodhisattva

Novamente o Buda Shakyamuni indagou a opinião de Subhuti: “Um Bodhisattva adorna as Terras Búdicas?”  Um Bodhisattva usa os méritos e virtudes do cultivo dos seis paramitas e das dez mil práticas para adornar as Terras Búdicas?

E novamente Subhuti respondeu: “Não. Ele não adorna as Terras Búdicas. Se ele tivesse um pensamento de adornar as Terras Búdicas, então ele teria a marca do eu, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida; ele teria um apego”. O princípio é o mesmo para a primeira, segunda, terceira e quarta fruições do Arhatship. Embora eles adornem as Terras Búdicas, não há nenhum adorno. Por quê? Se eles tivessem o pensamento de que “Eu adorno as Terras Búdicas”, eles não teriam alcançado a vacuidade das pessoas e dharmas. Quando os dharmas não são vazios, há apego aos dharmas. Quando as pessoas não são vazias, há apego ao eu. Um Bodhisattva que adorna as Terras Búdicas não pensa que ele está adornando as Terras Búdicas. O adorno das Terras Búdicas é meramente um nome e nada mais. Não possui uma substância real. Portanto, um Bodhisattva, Mahasattva, deve produzir um coração puro. Um coração puro é livre de apegos. Isto significa que você não difunde (não alardeia) as suas boas ações para assegurar que qualquer mérito e virtude que possa ter sido acumulado seja propriamente creditado. Tal coração (pensamento) é impuro. É sujo. Se você tem um pensamento de si e dos outros quando faz ações virtuosas para adornar as Terras Búdicas, então não há nenhuma ação virtuosa e não há adorno nenhum. O coração de um Bodhisattva deve ser puro, sem (a ideia de) um eu ou outros, e sem certo ou errado. Pensamentos que delineiam o eu, os outros, os seres viventes e uma vida são impuros. Um coração que está apegado às seis poeiras é impuro, e é destituído de um verdadeiro e apropriado mérito e virtude.

Sutra Diamante – Capítulo 10 – O Adorno das Terras Puras.

Original

O Adorno Das Terras Búdicas

Sutra:

O Buda disse a Subhuti: “O que você pensa? Houve algum dharma que o Tathagata obteve enquanto com o Buda Dipankara (Tocha Ardente)?”

“Não, Honrado pelo Mundo, não houve realmente nenhum dharma que o Tathagata obteve enquanto com o Buda Tocha Ardente.”

“Subhuti, o que você pensa, um Bodhisattva adorna as Terras Búdicas?”

“Não, Honrado pelo Mundo. E por quê? O adorno das Terras Búdicas é nenhum adorno, no entanto é chamado adorno.”

“Portanto, Subhuti, o Bodhisattva, Mahasattva, deste modo deve produzir um coração puro. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nas formas. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nos sons, odores, sabores, objetos tangíveis, ou dharmas. Ele deve produzir aquele coração sem persistência em qualquer lugar.”

“Subhuti, suponha que uma pessoa tenha um corpo como o (Monte) Sumeru, o Rei das Montanhas. O que você pensa: aquele corpo seria grande?”

Subhuti disse: “Muito grande, Honrado pelo Mundo. E por quê? É dito pelo Buda não haver corpo algum. Por isso, é chamado um grande corpo.”

Sutra Diamante – Capítulo 10 – O Adorno das Terras Puras.

Original

O Vazio de Todos os Fenômenos

Essas pessoas perceberam o vazio das pessoas e assim não possuem a marca do eu, dos outros, dos seres viventes ou da vida. Não possuir eu significa ver o eu como vazio. Não possuir marca dos outros significa ver as pessoas como vazio. Sendo ambos vazios, o eu e as pessoas, os seres viventes também são vazios. Naturalmente, quando os seres viventes tornam-se vazios, então não há marca de uma vida, que se refere à busca contínua pela imortalidade bem como à busca contínua de todas as coisas que se ama e não se pode ver através delas.

Ao perceber a vacuidade das pessoas deve-se também perceber a vacuidade dos dharmas (fenômenos), bem como abandonar a marca da não-existência dos dharmas (fenômenos). Quando não há qualquer dharma correto ou incorreto, chega-se à substância básica dos dharmas.

Se os corações daqueles seres viventes apegam-se às marcas, se eles se atêm à marca das pessoas, eles ainda agarram-se às quatro marcas e não obtêm a libertação. Eles não demoliram todas as coisas genuinamente. Se eles apegam-se à marca dos dharmas (fenômenos), eles ainda estão atados às quatro marcas; se apegam-se à marca da não-existência dos dharmas, eles também estão atados às quatro marcas, porque eles não vêem através delas e lhes destrói. Eles ainda não perceberam a vacuidade das pessoas, dos dharmas e a vacuidade de si próprios.

Sutra Diamante – Capítulo 6 – A Crença Apropriada é Rara.

Original

O que são Boas Raízes?

“O que são boas raízes?”

Boas raízes são um outro nome para o seu Dharmabody (Corpo de Dharma) e sua sabedoria. Boas raízes são o alicerce inabalável que vem da cultivação. Um bom alicerce faz com que o seu Corpo de Dharma se manifeste, faz a sua sabedoria aumentar, e faz a sua prajna da marca real originalmente existente funcionar.

É essencial, todavia, que você plante boas raízes diante dos Três Tesouros no sentido de colher o fruto do Bodhi. Se você planta boas raízes com religiões não-Budistas, você não estará apto a colher qualquer benefício ultimado, não importando quão boas raízes você plante ou por quanto tempo você lhas nutra.

Seres viventes que produzem o mais puro, o mais sincero sentimento de crença ao ouvir o Vajra Sutra (Sutra Diamante) são aqueles que têm plantado boas raízes diante de ilimitados milhões de Budas. Ao dar origem a um tal coração (sentimento) verdadeiro, real, um coração que é isento da mínima divergência ou ceticismo, eles obtêm ilimitadas e irrestritas bênçãos e virtudes.

Sutra Diamante – Capítulo 6 – A Crença Apropriada é Rara.

Original

Cultivando Boas Raízes

Você pode plantar boas ou más raízes. Se você não acredita e não faz oferecimentos aos Três Tesouros, suas más raízes aumentarão. Quando você se afasta dos Três Tesouros, suas boas raízes diminuem. Quando você está próximo dos Três Tesouros suas boas raízes aumentam. Tome cuidado! Não cometa más ações. Proponha-se apenas a boa conduta.

Os habitantes do Uttarakuru não podem ver o Buda, ouvir o Dharma, ou ver a Sangha; e assim suas boas raízes fenecem. No sentido de plantar boas raízes deve-se primeiro refugiar-se nos Três Tesouros. Para plantar ainda mais boas raízes pode-se receber os cinco preceitos, os oito preceitos, ou os dez maiores e os quarenta e oito preceitos menores de um Bodhisattva disponíveis para leigos; ou os duzentos e cinquenta preceitos para monges, ou trezentos e quarenta e oito preceitos para monjas disponíveis para aqueles que desejam abandonar a vida familiar.

Planta-se boas raízes ao aceitar e manter em observância os cinco preceitos e ao cultivar as dez boas ações que não podem ser vistas, farejadas, degustadas ou tocadas porque elas são sem uma marca. “Tudo o que possui marcas é vazio e falso”, mas as pessoas não percebem isto, e apenas sabem nutrir seus corpos, e não suas boas raízes.

Sutra Diamante – Capítulo 6 – A Crença Apropriada é Rara.

Original

A Era do Fim do Dharma

As palavras que Subhuti disse ao Buda foram adicionadas pelo Venerável Ananda quando os sutras foram compilados.

Subhuti disse: “É possível que seres viventes ouvirão este sutra que o Buda pregou e realmente acreditarão nele?” O que ele de fato estava indagando ao Buda Shakyamuni era: “É o caso que eles não acreditarão nele?”

O Buda imediatamente admoestou Subhuti por sequer sugerir tal possibilidade, e disse que mesmo nos últimos quinhentos anos os seres acreditariam no sutra.

  1. O primeiro período de quinhentos anos é chamado “O Período Forte na Libertação”. Constitui o tempo em que o Buda se encontra no mundo, e muitas pessoas certificam-se para a Via e atingem a libertação.
  2. O segundo período de quinhentos anos é chamado “O Período Forte no Samadhi Dhyana”. Esse período segue-se à extinção do Buda e é o tempo em que muitas pessoas obtêm a certificação através da cultivação do Samadhi Dhyana.
  3. O terceitro período de quinhentos anos é chamado “O Período Forte no Aprendizado”. Durante esse período muitas pessoas estudam os sutras.
  4. O quarto período de quinhentos anos é “O Período Forte na Luta”. Esse é o período ao qual o texto se refere, a presente Era do Fim do Dharma.

O Buda Shakyamuni disse: “Haverá pessoas nos últimos quinhentos anos que acreditarão e manterão em observância os preceitos, e que cultivarão bênçãos. Eles acreditarão do Sutra Diamante (The Vajra Sutra) e aceitarão seus princípios como verdadeiros, reais, e não falsos. Essas pessoas terão plantado boas raízes ao longo de ilimitados kalpas fazendo oferecimentos, demonstando respeito, e acreditando nos Três Tesouros – O Buda, o Dharma e a Sangha.”

Sutra Diamante – Capítulo 6 – A Crença Apropriada é Rara.

Original

Os Fiéis dos Últimos Quinhentos Anos

Sutra:

Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, no futuro haverá seres viventes que, ao ouvirem tais frases pregadas acreditarão realmente?”

O Buda disse a Subhuti: “Não fale dessa maneira! Após a extinção do Tathagata, nos últimos quinhentos anos, haverá aqueles que defenderão os preceitos, cultivarão bênçãos, acreditarão em tais frases e as aceitarão como verdadeiras.”

“Saiba que tais pessoas terão plantado boas raízes com não apenas um Buda, dois Budas, três, quatro, ou cinco Budas; mas terão plantado boas raízes com inumeráveis milhões de Budas. Todos aqueles que ouvem tais frases e lhes ocorrem mesmo um único pensamento de pura fé são completamente conhecidos e completamente vistos pelo Tathagata. Assim, tais seres viventes adquirem imensuráveis bênçãos e virtudes. E por quê? Aqueles seres viventes não mais possuem a marca do eu, dos outros, dos seres viventes, ou de uma vida; nem marca dos dharmas e nem marca dos não dharmas. Se os corações dos seres viventes apegam-se às marcas, aquilo é apego ao eu, aos outros, aos seres viventes e a uma vida. Por esta razão, você não deve apegar-se aos dharmas, nem deve apegar-se aos não dharmas. Quanto a esse princípio, o Tathagata sempre diz: ‘Todos vocês monges devem saber que o dharma que eu prego é como uma balsa. Mesmo os dharmas devem ser abandonados, quanto mais então os não dharmas’.”

Sutra Diamante – Capítulo 6 – A Crença Apropriada é Rara.

Original

O Princípio da Visão Genuína

Sutra:

Subhuti, o que você pensa, pode o Tathagata ser visto pelas suas marcas físicas?”

“Não, Honrado pelo Mundo, o Tathagata não pode ser visto pelas suas marcas físicas. E por quê? Porque as marcas físicas mencionadas pelo Tathagata são como não marcas físicas”.

O Buda disse a Subhuti: “Tudo o que possui marcas é vazio e falso. Se você pode ver todas as marcas como não marcas, então você vê o Tathagata”.

Comentário:

Na passagem anterior do texto, o Buda disse a Subhuti que um Bodhisattva deve somente persistir no que é ensinado “assim”. Você não deve recusar o dharma que é ensinado, mas deve respeitar as regras em sua cultivação; é por aderir às regras que você faz avanços. Sem regras, você andará à deriva, sem rumo, e no futuro você não atingirá quaisquer objetivos.

O Buda Shakyamuni novamente indagou: “Vazio-Nato (Subhuti), em sua opinião, pode-se dizer que as trinta e duas marcas e as oitenta características menores (de excelência) são o corpo do dharma do Tathagata?”

Em razão de Subhuti ter compreendido o princípio da vacuidade, e em razão de ter despertado para a vacuidade das pessoas e para a vacuidade dos dharmas, ele disse: “Não. Não se deve fiar-se em marcas físicas para ver o Tathagata. E por quê? As trinta e duas marcas e as oitenta características menores das quais fala o Tathagata são marcas do corpo físico, e não do verdadeiro, do real corpo do dharma. O Tathagata é certificado pela  substância do princípio, o corpo do dharma, portanto, muito embora ele seja dotado com marcas físicas, não há apego a elas, e nem pode ele realmente ser visto através dessas marcas”.

O Buda ouviu a explicação de Subhuti e aquiesceu que ele estava correto, dizendo: “Todas as coisas que possuem forma e aparência são falsas”. Por que o Tathagata não pode ser visto pelas suas características corpóreas? Porque a existência das marcas é falsa. Todas as marcas decaem e se extinguem. Em meio às marcas deve-se estar apartado das marcas. Quando houver marcas, entenda-as como vazio. Então você vê o corpo do dharma do Tathagata, que é sem forma ou aparência. Se você baseou-se em marcas para ver o Tathagata, você cometeu um erro.

Mais adiante no texto um gatha (verso) de quatro linhas diz:

Se alguém me vê na forma,

Se alguém me procura no som,

Ele pratica uma via tortuosa,

E não pode ver o Tathagata.

A sabedoria originalmente existente do prajna é isenta de todas as marcas. Ao não apegar-se a qualquer marca, o prajna genuíno é encontrado.

Sutra Diamante – Capítulo 5 –“Assim”, o Princípio da Visão Genuína.

Original

Boas Ocasiões para os Oferecimentos

Para aqueles que estudam o Budadharma, qualquer data comemorativa do nascimento de Budas ou Bodhisattvas, data de abandono do lar, da iluminação ou nirvana, é uma excelente ocasião para fazer oferecimentos aos Três Tesouros, visto que a consequente virtude meritória aumenta muitos milhares de vezes. No aniversário de nascimento do Buda Amitabha uma cerimônia foi realizada para abrir a luz na imagem do Buda. O gatha composto para a ocasião diz:

Amitabha significa Luz Ilimitada.

Hoje nós abrimos a luz, a luz ilimitada.

Luz ilimitada ilumina ilimitadas terras;

Todos os seres viventes são ilimitadamente iluminados[1].

Quando se faz doação aos Três Tesouros em tais dias especiais, na Terra da Luz Eterna (Eternamente Brilhante), o Buda Amitabha sabe que um bom e fiel discípulo fez oferecimentos, e o doador receberá milhões de vezes os méritos e virtudes normais por tais doações oportunas. Aqueles que possuem dinheiro podem doar dinheiro, aqueles que possuem força podem doar a força. Mas não se deve pensar a respeito (do que foi doado). Isto é genuína doação.

Buda Amitabha

Imagem do Buda Amitabha no distrito de Nantou, Taiwan, obtida via Visoterra. Click na imagem para site de origem.


[1] Esse verso foi composto pelo Venerável Mestre Tripitaka Hsüan Hua. A cerimônia foi realizada a 22 de Dezembro de 1968.

Sutra Diamante – Capítulo 4 –A Conduta Maravilhosa Não Persistente.

Original

A Analogia do Espaço Vazio

O Buda Shakyamuni usou a analogia do “espaço vazio nas dez direções” para representar a extensão dos méritos e virtudes envolvidos no ato de doação que é isento da marca da doação. Ele disse: “Subhuti, um Bodhisattva deve somente persistir no que é ensinado assim”. Um Bodhisattva que já decidiu realizar o Bodhi deve pensar sobre o que assim foi ensinado, e aderir a isto na cultivação.

Se você lembra o que você doou, então eu o esquecerei. Se você pode esquecê-lo, então eu o manterei em meu pensamento. É o mesmo com o Buda que, conhecendo o coração de todos os seres viventes, está ciente de que você não se esqueceu dos méritos e virtudes de suas ações de doação, e então ele acha desnecessário relembrá-lo das mesmas. Quando você esquecê-las, o Buda as relembrará. Você pensa ser melhor você lembrar ou o Buda?

Você pensa: “Tenho receio de que se eu esquecer, o Buda também esqueça, e então simplesmente não terei mérito algum”.

Nunca tema. Se você esquecer tudo sobre suas ações de doação, o Buda as relembrará eternamente. Conforme se diz posteriormente no Vajra Sutra: “Todos os muitos pensamentos que ocorrem a todos os seres viventes são completamente conhecidos pelo Tathagata”. Quando você faz coisas boas, você as lembra; mas quando você faz o mal, você também acalenta as memórias? Não, você tenta esquecer as suas ofensas imediatamente, mas no entanto pondera carinhosamente o bem que tem feito. Você deve esquecer o bem e lembrar o mal. Por que lembrar o mal? Porque assim não o cometerá novamente. Por que esquecer o bem? Porque assim você sentirá necessidade de fazê-lo mais.

Sutra Diamante – Capítulo 4 –A Conduta Maravilhosa Não Persistente.

Original

« Older entries

%d blogueiros gostam disto: