Sobre Fazer Oferecimentos

Quando alguém fala um verso de quatro linhas do sutra, não apenas as pessoas devem vir fazer oferecimentos, como também os deuses devem fazê-lo.

O que significa fazer oferecimentos?

Há oferecimentos que são feitos para o Buda, oferecimentos que são feitos para o Dharma, e oferecimentos que são feitos para a Sangha. Oferecimentos para o Buda incluem colocar incenso, flores, velas, frutas, adornos, ou talvez chá ou água diante da imagem do Buda.

Oferecimentos para o Dharma refere-se à cuidadosa proteção do Dharma. Quando da leitura dos sutras você não deve ser descuidado ou desatencioso. Quando você não os estiver lendo, você não deve colocá-los ao lado descuidadamente. Você deve ter um lugar específico destinado para a guarda dos sutras, e quando você colocá-los lá, deve fazê-lo delicada e respeitosamente, colocando-os alinhadamente de tal maneira que nenhu ma borda se estenda para além da borda da mesa ou prateleira. Qualquer um que já tenha aberto o seu olho Búdico pode ver que onde um sutra não esteja seguramente guardado, o Bodhisattva Wei Two vem e fica pacientemente segurando a borda do sutra com sua mão. Também, colocar o sutra num lugar sujo é desrespeitoso e não pode ser considerado um oferecimento para o Dharma. Sutras Budistas devem ser colocados acima de todos os livros da literatura secular. Você deve ter a mesma consideração pelos sutras quanto você tem pelo próprio corpo e vida. Se você rasga ou desmancha sutras, ou queima-os desdenhosamente, você será tão estúpido nas vidas futuras que não será capaz de lembrar de nada, não importa quantas vezes as pessoas tentem ensiná-lo. A mesma retribuição recairá sobre aqueles que são mesquinhos com o Dharma. Por exemplo, numa vida anterior Anirudha suportou a retribuição de extrema estupidez porque antes daquilo ele conheceu o Dharma e se recusou a falá-lo para outros. Mais tarde ele plantou muito boas raízes, de tal forma que quando ele encontrou o Buda Shakyamuni, certificou-se para o fruto do Arhatship. Se você destrói sutras, não há previsão de quando você verá um Buda novamente. No futuro será estúpido e estará sujeito a inumeráveis outras retribuições.

Oferecimentos para a Sangha variam de acordo com o país e costumes. Na Tailândia e Burma deve-se oferecer comida para a Sangha porque naqueles países os membros da Sangha vão à mendicância com suas tigelas. Cada chefe de família reserva uma tigela de comida para oferecer para o membro da Sangha quando vem mendigar. Há Quatro Tipos de Oferecimentos que podem ser feitos para a Sangha:

  1. Comida e bebida;
  2. Roupas – os membros da Sangha devem depender dos leigos para prover-lhes com oferecimentos de vestimentas;
  3. Roupas de cama; e
  4. Remédios. Remédios podem ser doados como oferecimento e guardados até que surja a necessidade destes.

Pessoas que se encontram em seus lares devem fazer esses oferecimentos. Pessoas que deixaram a vida familiar os recebem. Uma vez que os membros da Sangha recebem oferecimentos daquela maneira, eles cultivam as Três Recordações e Cinco Contemplações conforme tomam sua refeição diária.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

O Asura

Asura é uma palavra do Sânscrito que traduz-se como “disforme” (desprovido de forma) ou como “carente de vinho”. De manhã à noite os asuras pensam em tomar vinho, mas por razões desconhecidas por eles, onde quer que eles tentem comprar algum (vinho), o lojista não o venderá. As pessoas recusam-se a vender álcool aos asuras por saber que se asuras ficarem bêbedos, eles espancarão outras pessoas. A situação dos asuras é tal que ainda que tenham as bênçãos dos deuses, falta-lhes a sua autoridade. Em outras palavras, eles merecem a recompensa dos céus, mas carecem da conduta virtuosa dos deuses.

Como alguém torna-se um Asura?

Aqueles que buscam constantemente a vingança tornam-se asuras. Por exemplo, se alguém usa uma frase para reprendê-lo, você responde com duas frases para rebaixá-lo. Se alguém bate-lhe com uma das mãos, você lhe agride de volta com ambas as mãos. Em geral, você quer devolver em dobro, e por agir de maneira como se lutasse, você rapidamente torna-se um asura.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

O Mundo de Todos os Seres

O Mundo. Há dois tipos de mundos: o mundo senciente, e o mundo material. O mundo senciente compreende todos os seres com senciência, que têm respiração e sangue. Os desprovidos de respiração e sangue são chamados insencientes. O mundo material compreende quartos, varandas, salas, casas, montanhas, rios, a grande terra, e todas as dez mil coisas.

O mundo senciente é também chamado mundo da retribuição devida. Por que o mundo existe? Porque seres sencientes existem. Se não houvesse seres viventes não haveria mundo. O mundo material é insenciente, e uma vez que o insenciente depende do senciente, é chamado mundo da retribuição dependente. Retribuição devida refere-se aos seres sujeitos à sua própria retribuição, como é o caso das pessoas que vivem no mundo. As retribuições devidas e dependentes formam o mundo.

Deuses refere-se aos seres nos céus. Humanos refere-se às pessoas no mundo. Asuras tanto podem ser encontrados em meio aos animais como em meio aos humanos, bem como em meio aos deuses, e são descritos como seres que gostam de lutar. Por exemplo, deuses que guerreiam contra os generais celestes são asuras. A luta está fortemente impregnada na natureza do asura.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

Lugares Sagrados

Sutra:

“Além disso, Subhuti, você deve saber que todos os deuses, humanos e asuras do mundo devem fazer oferecimentos a qualquer lugar no qual mesmo que apenas um verso de quatro linhas deste sutra seja pregado ou promulgado, assim como o fariam para um santuário ou templo do Buda; quanto mais ainda a qualquer lugar onde as pessoas possam receber, proteger, ler e recitar o sutra em sua íntegra. Subhuti, você deve saber que tais pessoas atingiram o mais supremo e raro dos dharmas. Em qualquer lugar onde o texto do sutra seja encontrado, lá está o Buda ou um discípulo reverente.”

Comentário:

Além disso indica que a passagem do sutra segue uma passagem prévia. Por alguma razão, pode não ser conveniente falar o sutra inteiro, de forma que um verso de quatro linhas é escolhido – similar àqueles mencionados anteriormente. Talvez:

Tudo o que possui marcas é falso e vazio.

Se você vê todas as marcas

como não marcas,

Então você vê o Tathagata.

Use qualquer verso de quatro linhas que você considere apropriado falar em resposta à cada ocasião e pratique a plena doação para curar cada ser vivente de seu problema particular. O lugar onde você fala mesmo que apenas um verso de quatro linhas do texto do sutra é um lugar onde os deuses, os humanos e asuras do mundo vêm para fazer oferecimentos. Todos, de fato, refere-se a todos os seres nos seis caminhos do renascimento: deuses, humanos, animais, espíritos famélicos, e seres nos infernos. Todavia, somente deuses, humanos e asuras são especificamente mencionados na passagem do texto do sutra, porque não é fácil para seres nos três maus caminhos fazerem oferecimentos aos Três Tesouros.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

Sobre Consumir Carnes

Resposta a um Leitor

O Leitor escreveu:

Ola! Como vai?

Sempre estou lendo algo de seu blog, muita matéria, parabéns. Tenho procurado estudar o Sutra de Lótus sobre o assunto “comer carne”. Apesar de minha organização não se pronunciar sobre o assunto, venho sozinho “desatando alguns nós” como o sr. me disse uma vez. O sr. conhece sobre esse assunto?

Muccamargo escreveu:

Olá Leitor!

Esse assunto é delicado, pois, de linhagem para linhagem do Budismo, esse assunto é abordado de forma diferente. Uma coisa é certa: no ensino ortodoxo do Budismo Mahayana, quando fazemos uma refeição nós praticamos as Três Recordações, quais sejam:

1. Faço voto de erradicar todo o mal;
2. Faço voto de praticar somente o bem;
3. Faço voto de levar todos os seres vivos à travessia do mar do sofrimento.

Ora, fica claro que deveríamos “matar” um ser vivo para nos alimentarmos somente em situações extremas e, mesmo assim, com um forte sentimento de compaixão por aquele ser, pois fazemos votos de conduzi-los à outra margem do oceano do nascimento e da morte. Se você mantiver essas Três Recordações em seu coração, irá diminuindo a ingestão de carnes naturalmente, não através de uma proibição, mas através de um verdadeiro sentimento de compaixão para com todos os seres.

Guarde esse ensinamento (que é do Buda) para o resto de sua vida. Não dê atenção para as tergiversações que andam por aí.

Grande abraço!

Marcos Ubirajara.

O Leitor escreveu:

Fiquei muito feliz por ter recebido seu e-mail. (Há pouco tempo pensei que não tivesse ido com a minha cara, por ser de uma outra linha do Budismo).

Sua resposta foi exatamente o que imaginava, mas não tinha certeza. Outro dia vi uma reportagem sobre os nômades que andam de um lugar para o outro no pólo norte, e carregam com eles animais para se alimentarem, até mesmo porque eles não cultivam sementes, são andarilhos.

Então pude ver a forma como eles matavam o animal, com um pequeno corte perto do coração, colocavam a mão e obstruíam uma veia, o animal falecia sem dor e sem sofrimento. Eu achei isso um imenso respeito pelo animal, e bate com sua resposta, somente em casos extremos como esse seria devido.

Sr. Marcos, eu sou Budista convertido há pouco tempo. Frequento minha organização, porém, não sou alienado e não fico achando que outras linhas do Budismo sejam erradas, por isso eu sou livre para ler outras matérias, de outra linhagem, mas de preferência do BUDA NITIREN DAISHONIN, como a sua.

(até mesmo porque uma resposta como a sua seria difícil receber da minha organização, nada contra, são só diferentes formas de pensar.)

Sr. Marcos, muito obrigado por sua atenção e tempo, fico à disposição para podermos conversar sobre esse nosso caminho ILUMINADO e maravilhoso que é nosso Budismo.

Que os Budas do Universo estejam sempre em harmonia como o Sr!

abraço!

Muccamargo respondeu:

Salústio

Caio Salústio Crispo foi um dos grandes escritores e poetas da literatura latina.
Click na imagem para site de origem.

O Dharma Incondicionado

Talvez você escolha as linhas que dizem:

Todos os dharmas condicionados

São como sonhos, ilusões, bolhas, sombras,

como gotas de orvalho e um flash luminoso;

Contemple-os assim.

Todas as coisas que possuem forma e aparência, todas as coisas que existem, estão incluídas nos dharmas (fenômenos) condicionados. Aquilo que é condicionado é como um vazio, ilusório, uma coisa irreal, como uma bolha na água ou como a sombra de uma pessoa. O que são dharmas condicionados? Todas as coisas no mundo que possuem forma e aparência – mesmo o seu país, sua família, e seu próprio corpo – são todos dharmas condicionados. Uma vez que todos os dharmas condicionados declinam, você deve dizer às pessoas aquilo que as quatro linhas dizem. Se você compreende quatro linhas, fale quatro linhas. Se você compreende cinco, fale cinco. Se você compreende seis, fale seis. Se você compreende todo o Sutra Diamante, fale o Sutra todo. Se você compreende dez Sutras Diamante, fale sobre os muitos sutras. Explique o quanto você compreende.

As bênçãos e virtudes obtidas da pregação para outros, mesmo que apenas quatro linhas, são maiores que aquelas obtidas da doação de tantas das sete gemas preciosas quanto aquelas que preencheriam três mil grandes sistemas de mil mundos, iguais em número aos grãos de areia em tantos Rios Ganges quanto os grãos de areia do Rio Ganges. Por quê? Este mérito e virtude é condicionado, mérito e virtude com resultado, que possue uma marca. O mérito e virtude derivado da pregação do Budadharma é incondicionado, é mérito e virtude indeclinável (imperecível), sem resultado e destituído de marca. Este último comporta um fruto maior, e supera as bênçãos e virtudes anteriores.

Sutra Diamante – Capítulo 11 – A Supremacia das Bênçãos Incondicionadas.

Original

O Corpo do Dharma do Tathagata

Talvez você escolha as linhas que dizem:

Se alguém me vê na forma,

Se alguém me procura no som,

Ele pratica uma via tortuosa,

E não pode ver o Tathagata.

Esse verso encontra-se na última parte do Sutra Diamante. O próprio Buda o disse, e assim o ‘me’ refere-se ao Buda Shakyamuni. Se alguém canta uma bela canção para o Buda e o procura daquela forma, ele não pode perceber o Corpo do Dharma do Tathagata. Numa passagem anterior do sutra o Buda indagou: “Se um corpo fosse tão grande quanto o Monte Sumeru, seria grande aquele corpo?”

Subhuti primeiro respondeu que seria muito grande, e depois disse: “É dito pelo Buda não haver corpo algum; porquanto é chamado um grande corpo”. O que é corpo algum? Não é um corpo. Se não é um corpo, o que é? Se não é um corpo, como pode ele ser chamado um grande corpo? Corpo algum refere-se ao Corpo do Dharma. O Corpo do Dharma do Buda é incomparável. Se você tem um corpo tão grande quanto o Monte Sumeru, ele ainda é comparável ao Monte Sumeru. Mesmo que ele seja maior que o Monte Sumeru, ainda pode ser comparado a ele. O Corpo do Dharma está para além das comparações. É incomparável. Há apenas um, e não dois. Não há uma segunda coisa. Aquele é um grande corpo. O corpo algum é o Corpo do Dharma, não o corpo da retribuição. No ensinamento do Buda, o Corpo do Dharma é o verdadeiro Buda. Assim é dito: “Esse oferecimento é feito para o puro Corpo do Dharma: Buda Vairocana”. O Buda Vairocana permeia todos os lugares. “Para o corpo de retribuição plenamente perfeito: Buda Rocana… para os milhões de corpos de transformação: Buda Shakyamuni”. O corpo de retribuição e os corpos de transformação não são Budas verdadeiros. Somente o Corpo do Dharma é o verdadeiro Buda. Assim o sutra diz: corpo algum é chamado um grande corpo. Corpo algum é o Corpo do Dharma.

Sutra Diamante – Capítulo 11 – A Supremacia das Bênçãos Incondicionadas.

Original

O Verdadeiro Bodhisattva

Você encontra alguém e diz: “O Sutra Diamante diz que devemos ser isentos da marca do eu. Não devemos ver o ‘eu’ como tão importante, nem devemos estar envolvidos na existência do ‘você’, ou a marca dos ‘outros’. Se não temos (a marca do) eu ou outros, então não há marca dos seres viventes, e assim não há marca de uma vida.”

A pessoa ouve e pensa: “Oh, você tem que apartar-se de todas as marcas.”

Alguém que possa abandonar todas as marcas é um Bodhisattva. Um Bodhisattva não diz: “Eu fiz aquela ação meritória. Eu tenho essa grande virtude. Eu construí um monastério. Eu publiquei aquele sutra.” Ele, o Bodhisattva, é destituído de tais marcas; isto é, ele verdadeiramente as esquece. Ele não apenas torna-se fanático por manter o anonimato, de modo que se alguém lhe indaga: “Quem publicou aquele sutra?”, ele responde: “Eu não sei”, quando, de fato, ele próprio o fez. Isto é um exemplo de estar muito atento em manter-se anônimo. Está claro? Se você sabe algo, então que o diga. Se você não sabe, diga que você não sabe. Se ninguém pergunta, você não tem que oferecer todos os detalhes das suas mais recentes ações meritórias. Mas, se você publica o sutra e o esquece, de modo que quando está feito, está feito, então não há marca. Todavia, embora você o esqueça, nenhum mérito e virtude existe. Quando você não tem resultados (conspícuos), o mérito e virtude não têm resultados. Se você pode compreender dharmas não condicionados, seus méritos e virtudes também tornam-se não condicionados.

Sutra Diamante – Capítulo 11 – A Supremacia das Bênçãos Incondicionadas.

Original

O Ato da Suprema Doação

O Buda então falou de um homem, ou mulher, que cultiva os cinco preceitos e as dez boas ações, e que recebe e ostenta o Sutra Diamante – quer seja o Sutra Diamante em sua totalidade ou não mais que um dos seus versos de quatro linhas. Receber refere-se a aceitá-lo no coração; Ostentar (Manter) refere-se a praticá-lo com o corpo – isto é, ouvir sinceramente e então oferecer-se (submeter-se) à sua conduta. Primeiro você o recebe com o seu coração. Por exemplo, o sutra diz que um Bodhisattva deve abandonar todas as marcas no sentido de conquistar o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Você pondera aquilo em seu coração: “Ah, um Bodhisattva abandonar todas as marcas deve significar que ele não deve ser apegado à marca do eu, às marcas dos dharmas (fenômenos), ou à marca da vacuidade”. Uma vez que o seu coração compreende, você realmente abraça a sua prática. Você doa sem a marca do eu, dos outros, ou a marca do tempo de duração de uma vida. Sua doação é destituída do apego ao doador, ao beneficiário, ou ao bem que é doado. Você pratica ações meritórias sem envolver-se com a marca da prática de ações meritórias.

Talvez você receba e ostente esse verso de quatro linhas:

Não há marca do eu,

e nem marca dos outros,

nem marca dos seres viventes,

e nem marca de uma vida.

Sutra Diamante – Capítulo 11 – A Supremacia das Bênçãos Incondicionadas.

Original

Mensagem de Aniversário de Cristal Perfeito

“Happy Anniversary with WordPress.com!

« Older entries

%d blogueiros gostam disto: