Eu

“Oh bom homem! O Tathagata, quando há razão para [assim] falar, diz que o não-Eu é o Eu. Mas, para dizer a verdade, não há um Eu [ali]. Embora eu fale assim, não há nada [aqui] que seja falso.

Oh bom homem! Por conta das relações causais, estabeleço o Eu como (sendo) o não-Eu e, no entanto, para dizer a verdade, existe o Eu. Ele constitui o mundo. Eu estabeleço [isto] como não-Eu. Mas, nada está errado. A Natureza de Buda é não-Eu. O Tathagata diz ‘Eu’. Porque existe a qualidade do Eterno. O Tathagata é o Eu. No entanto, ele estabelece [isto] como não-Eu. Porque ele tem desimpedimento [isto é, completa e irrestrita liberdade].”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

self.mp3

A Natureza de Buda de Todos os Seres

Buddha in Sarnath Museum (Dhammajak Mutra) Loc...

Buda no Museu de Sarnath, India - Image via Wikipedia

“Oh bom homem! Certa vez, vivi no Rio Nairanjana e disse a Ananda: ‘Agora pretendo banhar-me no rio. Dê-me meu robe e o sabão em pó’. Então, entrei na água. Todos os pássaros no ar, e aqueles (seres) na água e na terra vieram e assitiram. Então, havia também 500 Brahmacarins que viviam próximos ao rio. Eles vieram a mim e disseram: ‘Como você espera obter o Corpo Adamantino? Se Gautama não falar a respeito do ‘não-é’, o seguiremos e acataremos as regras (preceitos) dos alimentos’.

Oh bom homem! Eu, naquela ocasião, com a Sabedoria da leitura-de-pensamentos, sondei a mente dos Brahmacarins e disse-lhes: ‘O que significa dizerem que eu falo do ‘não-é’? Todos os Brahmacarins disseram: ‘Você, Gautama, estabeleceu previamente, aqui e lá nos sutras, que todos os seres não possuem o ‘Eu’. Agora você diz que não existe o ‘Eu’. Como você pode dizer que isto não é a teoria do ‘não-é’? Se não [existe] o ‘Eu’, quem defende os preceitos e quem os viola’? Eu, o Buda, disse: ‘Eu nunca disse que todos os seres não possuem o ‘Eu’; Eu sempre tenho dito que todos os seres possuem a Natureza de Buda. A Natureza de Buda não é o ‘Eu’? Assim, eu nunca falei do ‘não-é’. Todos os seres não vêem a Natureza de Buda. Portanto, [para eles existem] o não-Eterno, o não-Eu, o não-Êxtase e a não-Pureza. Essas são as visões do ‘não-é’’. Então, todos os Brahmacarins, ao ouvir que a Natureza de Buda é o ‘Eu’, aspiraram a Insuperável mente do Bodhi, e então, renunciando ao mundo, praticaram a via do Bodhi. Todos os pássaros no ar, e aqueles na água e na terra aspiraram ao Insuperável Bodhi e, tendo aspirado, abandonaram seus corpos.

Oh bom homem! Essa Natureza de Buda, para dizer a verdade, não é o ‘Eu’. Para o benefício dos seres, Eu digo ‘Eu’.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

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Pérolas do Universo – Fascículo II

“Se alguém acredita num sutra Mahayana como este, as formas rudes e grosseiras que possa ter obtido no nascimento parecerão certas e corretas, em virtude do poder deste sutra; a dignidade e o semblante melhorarão dia a dia, tal que humanos e deuses sentirão prazer em vê-lo. Eles o respeitarão e o amarão, e em nenhum momento perderão a consideração por ele. Reis, ministros e familiares ouvirão, respeitarão e acreditarão nele. Se quaisquer dos meus discípulos Sravaka (Ouvinte) estiverem desejosos de realizar o primeiro ato raro, eles deveriam pregar esse sutra Mahayana para todo o mundo.”

Leia mais em Pérolas do Universo, Fascículo II.

pearls of the universe 2.mp3

Perolas do Universo 2

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Conteúdo deste Fascículo:

A Colheita do Grande Nirvana  3

A Verdadeira Emancipação e o Grande Nirvana  5

A Emancipação e o Dharma Imutável  6

Muito Além do Bem e do Mal  7

O Verdadeiro Eu e a Emancipação   8

Não-Vazio e Emancipação   8

Por Que Fazemos Oferecimentos à Sangha?  9

O Mortal Comum 11

O Srotapanna e o Sakridagamin   12

O Anagamin 13

Arhat 14

As Raras Delícias do Rei d’Outras Terras  14

O Sol do Grande Nirvana  17

A Maldade e a Pureza de um Cristal Perfeito   18

O Dharma e a Pessoa  19

O Significado e as Palavras  20

A Sabedoria e a Consciência  21

Receber e Abraçar Sutras  22

A Apreensão do Significado   22

O Profundo Significado de Salvar os Seres  23

A Nobre Verdade do Sofrimento   24

A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento   25

A Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento   26

A Nobre Verdade da Via  27

O Ouro Verdadeiro no Âmago de Nossas Vidas  28

A Parábola do Lutador  29

O Absoluto

“Oh bom homem! Sobre o absoluto, existem dois tipos. Um é o absoluto no adorno, e o outro é o absoluto ultimado (final). Um é o absoluto no sentido secular, e o outro é o absoluto no sentido supramundano. Por absoluto no adorno se entende os seis paramitas; o absoluto ultimado é o Veículo Único que os seres obtêm. O Veículo Único é a Natureza de Buda. Este é o porquê eu digo que todos os seres possuem a Natureza de Buda. Todos os seres possuem o Veículo Único. Como a ignorância encobre-lhes, eles não podem ver. Oh bom homem! No Uttarakuru, a fruição do Céu Trayastrimsa não pode ser vista pelos seres porque há o encobrimento [da ignorância]. É o mesmo com relação à Natureza de Buda. Os seres não podem vê-la em razão do encobrimento pelas impurezas.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

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A Iluminação Insuperável Final de Todos os Seres

“Oh bom homem! Como todos os seres finalmente ganharão a Iluminação Insuperável, Eu digo que todos os seres possuem a Natureza de Buda. Os seres realmente não possuem os 32 sinais da perfeição e as 80 características menores de excelência. Assim, neste sutra, Eu digo num gatha:

‘O que originalmente foi, agora não é mais;

o que originalmente não foi, agora é;

Nada pode existir como ‘é’

sucedendo-se nos Três Tempos’.

Oh bom homem! Há três tipos daquilo que existe. Um é o que virá nos dias futuros, o segundo é o que existe atualmente, o terceiro é o que existiu no passado. ‘Todos os seres alcançarão a Iluminação Insuperável nos dias futuros’. [Isto é a Natureza de Buda]. Todos os seres agora possuem todos os laços das impurezas. Assim, eles não possuem no presente as 32 marcas da perfeição e as 80 características menores de excelência. Desse modo, os seres que cortaram os laços das impurezas no passado vêem, no presente, a Natureza de Buda. Assim, Eu sempre digo que todos os seres possuem a Natureza de Buda. Eu digo que mesmo o icchantika possui a Natureza de Buda. O icchantika não tem o bom dharma. A Natureza de Buda também é um bom Dharma. Como há dias a vir, existe a possibilidade de o icchantika possuir a Natureza de Buda. Por quê? Porque todos os icchantikas podem finalmente atingir a Iluminação Insuperável.

Oh bom homem! Como um exemplo: há um homem que tem certa quantidade de nata. As pessoas indagam: ‘Você tem alguma manteiga’? Ele responde: ‘Eu tenho’. Mas, para dizer a verdade, nata não é manteiga. Habilidosamente trabalhada [isto é, usando meios habilidosos], ele está certo de obtê-la. Assim, ele diz que tem a manteiga. É o mesmo com os seres. Eles possuem a mente. ‘Qualquer um com uma mente asseguradamente encontrará a Iluminação Insuperável’. Este é o porquê Eu sempre digo que todos os seres possuem a Natureza de Buda.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

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A Visão dos 12 Elos da Interdependência

“Oh bom homem! Todos os seres são incapazes de ver os 12 elos da interdependência. Portanto, eles montam sobre a roda da transmigração. Oh bom homem! Exatamente como o bicho-da-seda faz um casulo, nasce e morre por si mesmo, assim se procedem as coisas com todos os seres. Como eles não vêem a Natureza-de-Buda, eles geram um carma de impurezas e repetem nascimentos e mortes, exatamente como uma pessoa impele uma bola (com os pés). Oh bom homem! Este é o porquê eu digo no sutra: ‘Alguém que veja os 12 elos da interdependência vê o Dharma; alguém que veja o Dharma vê o Buda’. ‘O Buda é nenhum outro senão a Natureza de Buda’. Por que é assim? Porque todos os Budas fazem disto a sua própria natureza.

Oh bom homem! Há quatro níveis de Conhecimento que vêem os 12 elos da interdependência. Estes são: 1) baixo, 2) médio, 3) alto, e 4) superior. Uma pessoa da baixa posição não vê a Natureza de Buda. Não a alcançando, ela obtém a forma (via) de um Sravaka. Aqueles da posição mediana também não vêem a Natureza de Buda. Percebendo a Natureza de Buda, eles ganham a forma de um Pratyekabuda. Aqueles da posição alta vêem, mas não claramente. Não sendo claro, eles vivem no plano dos 10 ‘bhumis’ (são Bodhisattvas). As pessoas da posição superior vêem claramente. Assim, eles atingem a Iluminação Insuperável. Em razão disto, chamamos os 12 elos da interdependência de Natureza de Buda. A Natureza de Buda é o Todo-Vazio da ‘Paramartha-satya’. O Todo-Vazio da ‘Paramartha-satya’ é o Caminho Médio. O Caminho Médio é o Buda. O Buda é Nirvana.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

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Natureza de Buda

“Oh bom homem! Se você deseja saber o que é a Natureza de Buda, ouça atentamente, ouça atentamente. Agora analisarei e a explanarei para você.

Oh bom homem! A Natureza de Buda é nenhuma outra senão o Todo-Vazio do ‘Paramartha-satya’ [Realidade última]. O Todo-Vazio do ‘Paramartha-satya’ é Sabedoria. Dizemos ‘Todo-Vazio’. Isto não se refere a nenhum Vazio [Vacuidade], e nem não-Vazio. A Sabedoria [‘jnana’] vê o Vazio e o não-Vazio, o Eterno e o não-Eterno, Sofrimento e Êxtase, o Eu e o não-Eu. O Vazio refere-se a todos os nascimentos e mortes. O Não-Vazio refere-se ao Grande Nirvana. E o não-Eu é nada mais que nascimento e morte. O Eu refere-se ao Grande Nirvana.

Se alguém vê o Todo-Vazio, mas não vê o não-Vazio, não falamos disto como Caminho Médio. Ou se alguém vê o não-Eu de todas as coisas, mas não vê o Eu, não chamamos isto de Caminho Médio.

O Caminho Médio é a Natureza de Buda. Por essa razão, a Natureza de Buda é Eterna e imutável. Como a ignorância a encobre, todos os seres são incapazes de vê-la. O Sravaka e o Pratyekabuda vêem o Todo-Vazio de todas as coisas. Mas eles não vêem o não-Vazio. Ou eles vêem o não-Eu de todas as coisas, mas eles não vêem o Eu. Em razão disto, eles são incapazes de alcançar o Todo-Vazio do ‘Paramartha-satya’. Uma vez que eles falham em alcançar o Todo-Vazio do ‘Paramartha-satya’, eles falham em promulgar o Caminho Médio. Desde que não haja Caminho Médio, não há visão da Natureza de Buda.

Oh bom homem! Há três visões do Caminho Médio [isto é, constituintes do Caminho Médio]. A primeira é a ação definitivamente feliz (alegre); a segunda é a ação definitivamente triste; a terceira é a ação triste-feliz.

Dizemos ‘ação definitivamente feliz’. Isto é como no caso do assim chamado Bodhisattva-Mahasattva que, sentindo piedade de todos os seres, vive no Inferno Avichi e, no entanto, sente as coisas com a felicidade do Céu do terceiro dhyana.

Dizemos ‘ação definitivamente triste’, referindo-se a todos os mortais comuns.

Dizemos ‘ação definitivamente triste-feliz’. Isto faz alusão aos Sravakas e Pratyekabudas. Os Sravakas e Pratyekabudas sentem tristeza e felicidade, e ganham a idéia de Caminho Médio. Por essa razão, embora uma pessoa possua a Natureza de Buda, ela não pode vê-la bem.

Oh bom homem! Você diz que falamos da ‘Natureza de Buda’. Oh bom homem! A Natureza de Buda é a semente do Caminho Médio da Iluminação Insuperável de todos os Budas.

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

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Os Passos do Leão

Buddha Peshawar

Nirvana do Buda em Peshavar, antiga Gandhara

“Oh bons homens! O Tathagata, com as presas e garras da Sabedoria da Correta Iluminação, com as patas das quatro desobstruções (sabedorias sem obstruções / mentes ilimitadas), com o corpo repleto dos seis paramitas, com a briosa coragem dos dez poderes, com a cauda do Grande Amor-Benevolente, e vivendo nas grutas puras dos quatro dhyanas, emite o rugido do leão e esmaga os exércitos de Mara, revelando a todos os seres os dez poderes e abrindo o lugar para onde vai o Buda. Ele se torna um refúgio para todos aqueles que abandonam as visões distorcidas, ele consola os seres que temem o nascimento e a morte, ele desperta os seres que dormem na ignorância, ele proclama para aqueles de visões distorcidas que o que os seis mestres [isto é, mestres de seis escolas de crenças não-Budistas] dizem não é o rugido do leão, ele esmaga as mentes arrogantes de Puranakashyapa [isto é, um dos seis mestres] e outros, ele faz com que os dois veículos (ouvinte e pratyekabuda) se tornem arrependidos, ele ensina todos os Bodhisattvas do quinto estágio e possibilita-lhes adquirir uma mente de grande poder, ele faz com que as quatro classes da Sangha que perseveram em visões corretas não temam as quatro classes da Sangha que persistem em visões distorcidas. Ele emerge das grutas das ações sagradas, ações puras e ações divinas de modo a esmagar a arrogância de todos os seres. Ele boceja de modo a evocar o Dharma Maravilhoso. Ele olha nas quatro direções de modo a fazer com que os seres obtenham as quatro (sabedorias) sem obstruções. Suas quatro patas firmam-se no chão, tal que os seres possam residir (se estabelecer) pacificamente no shilaparamita. Assim, ele emite o rugido do leão. Emitir um rugido de leão significa fazer saber que todos os seres possuem a Natureza de Buda e que o Tathagata é Eterno e Imutável.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1

lion steps.mp3

O Rugido do Leão

Então, havia em meio aos congregados um Bodhisattva chamado ‘Rugido do Leão’. Ele levantou-se, arrumou seu robe, tocou os pés do Buda, prostrou-se, juntou suas mãos, e disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Eu desejo indagar. Por favor, permita-me indagar, oh Grande Compassivo!”

Então, o Buda disse a toda a congregação: “Oh bons homens! Agora vocês deveriam honrar muito, respeitar e elogiar este Bodhisattva. Façam oferecimentos de incenso e flores, de música, de colares, estandartes, dosséis, roupas, comidas, bebidas, roupas de cama, remédios, casas e palácios, e acompanhem as suas idas e vindas. Por quê? Porque no passado esse Bodhisattva realizou com nobreza todas as boas ações nos lugares (nas funções) dos Budas, e ele está repleto de virtudes. Em razão disto, ele agora deseja emitir um rugido do leão diante de mim. Oh bons homens! Ele é como um Rei-Leão. Ele conhece seu próprio poder, possui dentes afiados, e suas quatro patas firmam-se sobre o chão. Ele vive em uma gruta rochosa; ele abana sua cauda e dá um rugido. Quando ele se apresenta assim, ele sabe que de fato emite um rugido de leão. O verdadeiro Rei-Leão emerge da sua caverna logo ao amanhecer. Ele alonga o seu corpo e boceja. Olha ao redor, rosna e ruge para onze coisas. Quais são aquelas onze?

Primeira, ele deseja esmagar uma pessoa que, não sendo [verdadeiramente] um leão, tem a pretensão de apresentar-se como um leão.

Segunda, ele agora deseja testar a sua própria força física.

Terceira, ele deseja purificar o lugar onde ele vive.

Quarta, ele deseja conhecer os lugares onde todos os outros estão vivendo.

Quinta, ele não teme qualquer outro.

Sexta, ele deseja despertar aqueles que estão dormindo.

Sétima, ele deseja tornar todos os animais indolentes em não-indolentes.

Oitava, ele deseja que todos os animais venham e rendam-se [para ele].

Nona, ele deseja subjugar o grande gandhahastin (elefante almiscarado).

Décima, ele deseja testar todos os filhos.

Décima primeira, ele deseja adornar todos aqueles com os quais ele está relacionado.

Todos os pássaros e animais ouvem o rugido do leão. Aqueles da água escondem-se nas profundezas, aqueles sobre a terra em grutas e cavernas, aqueles que voam caem ao chão, e todos aqueles grandes gandhahastins tornam-se assustados e expelem impurezas (se purificam). Oh todos vocês bons homens! Uma raposa pode seguir um leão por cem anos, no entanto, ela não pode rugir. A situação é como aquela. O filho de um leão, na idade de três anos completos, pode verdadeiramente rugir, como um Rei-Leão.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

roar of the lion.mp3

A Natureza Original de Todas as Coisas

A statue of Prajñāpāramitā personified, from S...

Imagem do Prajnaparamita personificado de Singhasari, Java.Imagem via Wikipedia

“Oh bom homem! A natureza de todas as coisas é originalmente Toda-Vazia. Por quê? Porque não podemos segurar em nossas mãos a natureza de todas as coisas. Oh bom homem! A natureza da matéria não pode ser segura em nossas mãos. Qual é a natureza da matéria? Matéria não é terra, água, fogo, ou ar. E, no entanto, ela não se separa da natureza da terra, da água, do fogo, e do ar. Não é azul, amarela, vermelha ou branca. E, no entanto, ela não se separa do (aspecto da cor) azul, amarelo, vermelho ou branco. Não é ‘é’; não é ‘não-é’. Como podemos dizer que a matéria tem a sua própria natureza.

Como a sua natureza é impossível de capturar, dizemos ‘toda-vazia’. É o mesmo com todas as coisas. Como existe similaridade e continuidade, os mortais comuns observam e dizem que a natureza de todas as coisas não é ‘toda-vazia’. O Bodhisattva-Mahasattva realiza as cinco coisas. Assim, ele vê que a natureza original de todas as coisas é ‘toda-silêncio’. Oh bom homem! Se há algum Shramana ou Brâmane que vê que a natureza de todas as coisas não é ‘toda-vazia’, saiba que tal pessoa não é Shramana e nem Brâmane. Tal pessoa não pode praticar o Prajnaparamita e atingir o Grande Nirvana. Ela não pode ver todos os Budas e Bodhisattvas face a face; ela é aparentada de Mara. Oh bom homem! A natureza de todas as coisas é originalmente Toda-Vazia. E quando o Bodhisattva pratica o Todo-Vazio, ele vê o Todo-Vazio de todas as coisas.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 32, sobre o Bodhisattva Rei Altamente-Virtuoso 6.

original nature of all things.mp3

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