O Interlocutor Zen e o Principiante Incauto – O Livro

PI, esse conhecimento que conduz à Sabedoria Insuperável vem por si próprio. É fruto da observação, meditação e apreensão dos ensinamentos budistas. A raiz desse conhecimento está na da pessoa que procura um Bom Mestre da Via, acata e respeita as injunções que lhe são impostas, e pratica a meditação, seja essa meditação ativa ou passiva (silenciosa). Tudo isto acontece se a pessoa tiver uma grande

IZ e PI

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  Selo Comemorativo

O Direito de Defesa

ORROZ

Não, ORROZ ! Eu não sou a sua consciência[1]. Posso manifestar-me na sua consciência, mas posso manifestar-me na consciência dos outros. Aí está! Quando você aprendeu a acusar, na aula seguinte se discorreu sobre o amplo espaço que se deve abrir para a manifestação da consciência do acusado, o que se chama Amplo Direito de Defesa. O que aconteceu, ORROZ? Ao cercear esse direito, o senhor tentou calar-me. Ora, eu não me calo, ORROZ. Eu sou o Direito, o bom conselheiro que o senhor não poderia abandonar num momento tão crucial em sua carreira de magistrado. Lembra-se de mim?


[1] Consciência aqui é um dos cinco skandhas (ou agregados). Os agregados que formam a consciência de um humano são: tato (forma, matéria, rupa), sensação (sentimento), percepção (intuição), volição (compulsão), e têm-se consciência. Estes são os cinco skandhas.

Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável

Em ‘Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável’

PI, quando você fala conhecimento, pode dar a impressão de que se trata de algum grau de desenvolvimento intelectual, ou algo que se possa encontrar em obras literárias mundanas, ou até mesmo nos sutras.

PI, esse conhecimento que conduz à Sabedoria Insuperável vem por si próprio. É fruto da observação, meditação e apreensão dos ensinamentos budistas. A raiz desse conhecimento está na da pessoa que procura um Bom Mestre da Via, acata e respeita as injunções que lhe são impostas, e pratica a meditação, seja essa meditação ativa ou passiva (silenciosa). Tudo isto acontece se a pessoa tiver uma grande . Por quê? Porque a prática requer esforços continuados, para os quais, nem sempre, se obtém uma resposta na forma de benefícios conspícuos. Portanto, .

O cultivo de uma genuína requer Coragem. Por quê? Porque a Prática da Via Sagrada abre os olhos da pessoa, e apura os seus demais sentidos, expondo-lhe uma verdade nunca dantes conhecida, e que pode desfazer as muitas ilusões que acalentam os sonhos daquela pessoa. Todavia, e dentro das Quatro Nobres Verdades, a Prática da Via expõe-lhe o caminho para uma Felicidade verdadeira e duradoura.

Por que Paciência? Porque essa Sabedoria vem por si própria. E aqui, oportunamente, gostaria de citar uma passagem do Sutra do Grande Nirvana, a qual diz respeito à consecução do Brilho da Sabedoria.

O Brilho da Sabedoria

“Oh bom homem! A pessoa sábia pensa profundamente sobre o mundo. Ela vê: ‘Ele não é um lugar para se refugiar, para adquirir Emancipação, quietude, amor, não é a outra margem, e nada tem do Eterno, Êxtase, do Eu, e do Puro. Se eu procurar o mundo avidamente, como posso afastar-me dele? Isto é como com um homem que, abominando a escuridão, busca a luz e, no entanto, volta novamente para a escuridão. A escuridão é o mundo; a luz é o Supramundano. Se eu aderir ao mundo, mergulharei na escuridão e me afastarei da luz. Escuridão é ignorância, e luz é o Brilho da Sabedoria. A causa do Brilho da Sabedoria é a imagem onde não se sente qualquer expectativa de deleitar-se nas coisas mundanas. Toda a cobiça nada mais é que o laço da impureza. Agora buscarei avidamente a luz da Sabedoria, e não o mundo’. A pessoa sábia medita assim. Essa é a imagem onde não se busca (nada) para si.”

Sutra do Nirvana, CAP. 44 – O Bodhisattva Kashyapa 5.

 

Selo Comemorativo

O Espelho das Verdades Imutáveis

ORROZ

Diga-me ORROZ, o que tanto te apavora neste espelho?

Comentou Gilson Fubá.

Neste Tribunal da Equanimidade, ORROZ, não há acusações, portanto, não há defesa. Como diante de um espelho, o réu é você, e o juiz é você também, ciente do que consta nos autos[1] das ações perpetradas por você mesmo.

Comentou Marcos.


[1] É o conjunto ordenado das peças de um processo judicial. E o que é um processo? O processo no direito é necessariamente formal porque suas formas atuam como garantia de imparcialidade, legalidade e isonomia na consecução das atribuições do Estado. A formalidade do processo também atua como barreira à busca de interesses individuais e à prática de arbitrariedades por aqueles que estão no Poder – Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre.

Simetria Pura

Em ‘Simetria Pura’

PI, a Simetria Pura é uma propriedade do Cristal Perfeito, portanto, inconcebível. O Cristal Perfeito não tem bordas ou arestas, nem peso, nem medida em quaisquer direções, nem discordâncias, nem impurezas, nem lugares próprios, nem lacunas ou intersticiais; portanto, inconcebível.

Simetria Pura é Equanimidade que, para nós humanos, é inconcebível. Como já mencionada aqui, a equanimidade é uma das quatro mentes ilimitadas, a saber:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], compaixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equanimidade [‘upeksha’].”

Isto pertence ao mundo dos Budas e Bodhisattvas. A passagem do Sutra do Nirvana abaixo nos lembra disto:

Quando o Bodhisattva-Mahasattva pratica a mente de equanimidade, ele atinge o estágio do Todo-Vazio Todo-Igual, e torna-se como Subhuti. Oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva reside no ‘bhumi’ do Todo-Vazio Todo-Igual, ele não mais vê pais, irmãos, irmãs, filhos, parentes, bons amigos da Via, inimigos, aqueles que são hostis ou amigáveis, aqueles que nem são amigáveis e nem antagônicos, até os cinco skandhas, os dezoito reinos, as doze esferas, seres, e vida. Oh bom homem! Como uma ilustração, é como o espaço, no qual não vemos pais, irmãos, esposa e filhos, até seres e vida. O mesmo é o caso com relação a todas as coisas. Não pode haver pais e vida. Assim o Bodhisattva-Mahasattva vê todas as coisas. Sua mente é toda-igual (equânime) como o espaço. Por quê? Porque ele pratica completamente o Dharma do Vazio [‘shunyata’].”

Sutra do Nirvana, Capítulo 22 – Sobre Ações Puras 2.

Selo Comemorativo

Visão Distorcida

ORROZ

Oh, ORROZ! Não diga que apenas a sua visão é correta. Por quê? Porque você não é correto. E o que é a sua Lei, o que é a sua visão, se não forem as coisas que você anda fazendo por aí?

PI e o Pé de Feijão – Episódio 5

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’

Chamamo-la Lei do Carma. É inexorável no sentido que aparte das relações causais, o meio-ambiente se assim o prefere, não há nenhum ser sobre o qual falar, e há sim uma interdependência entre todos os seres através do passado, do presente e do futuro. Essa interdependência também pode ser atribuída à Lei do Carma, ou Lei da Causalidade, ou Lei da Causa e Efeito.

Só não concordo com a ideia de que o ciclo se fecha inexoravelmente. Isto ocorrerá sempre nas vidas dos mortais comuns, atados ao ciclo do nascimento e da morte pelo desejo, e que não conseguem atravessar o mar do sofrimento. Mas, podemos dizer que saímos da semente e terminamos no Nobre Caminho Óctuplo, não podemos? Aí o ciclo se abre, rompem-se as amarras da ilusão, atinge-se a outra margem, escapa-se do sofrimento e servidão do ciclo do nascimento e da morte. Esse é o ensinamento consubstanciado aqui, nesta simples história em quadrinhos protagonizada por dois simples ideogramas.

Sabe! Estou bem como um simples ideograma, PI.

Selo Comemorativo

A Lenda de ORROZ

ORROZORROZ é um ZORRO[1] às avessas.

Ao passo em que a lenda de ZORRO conta a saga de

um homem branco de família nobre,
de máscara preta e que
protege os oprimidos;

a lenda de ORROZ conta a saga de

um homem negro de família pobre,
de máscara branca e que
protege os opressores.

ORROZ, um herói controverso[2].


[1] Alcunha que se atribui genericamente a juízes na linguagem da periferia.

[2] Diz-se da pessoa que expõe assuntos ou comportamentos que denotam ou possibilitam controvérsia, gerando discussões acaloradas.

PI e o Pé de Feijão – Episódio 4

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’

(*) Então, a boa semente é resultado de uma boa relação entre a fruta e os cinco elementos. De novo o meio-ambiente? Sim, e mais os cuidados com a seleção do tempo certo para a colheita, o qual deverá estar em harmonia com os cinco elementos. Sem dúvida, essa harmonia deve ser buscada significando, então, uma ação correta. Nihi!!!

E novamente você falou bem, PI! Seleção do Tempo. Há o tempo correto para o plantio, para a irrigação, adubação, escoramento e todas as demais ações de proteção; bem como o tempo correto para a ceifa, colheita, secagem e acondicionamento. O cultivador sábio conhece esse tempo.

Também o Bodhisattva, como cultivador da Via, conhece bem o tempo. A passagem abaixo fala dessa sabedoria:

“Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva conhece bem o tempo para meditação, o tempo para a Sabedoria, e o tempo para a equanimidade; ele sabe bem o que não é oportuno. Isto é como o Bodhisattva pratica bem a Via do Bodhi.”

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

Na nossa analogia do cultivo da Via Sagrada, esse conhecimento do tempo é imprescindível para a Ação Correta que, neste caso, representa o Nobre Caminho Óctuplo, exultado por todos os Budas. Mais uma vez, recorro aos ditos dourados para respaldar essa afirmação:

“Oh bom homem! Como uma ilustração: um homem está viajando através do deserto e sente sede, quando ele depara com um poço. Este é muito profundo, de tal forma que ele não pode ver a água. Mas, podemos nos certificar de que existe água lá. Se a pessoa encontrar os meios de capturar a água com uma corda e um balde, a água seguramente estará lá. É o mesmo, também, com a Natureza de Buda. Todos os seres a possuem. Mas somente através da prática do imaculado Nobre Caminho Óctuplo[1] alguém poderá realmente vê-la”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 39 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 7.


[1] Nobre Caminho Óctuplo: Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Meio de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Correta, Concentração Correta.

Selo Comemorativo

PI e o Pé de Feijão – Episódio 3

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 3’

(*) Ahá! Essa relação é ótima na presença da fertilidade, que é uma propriedade da semente, mas também do meio-ambiente. A fertilidade pode ser entendida como uma harmonia capaz de adornar a vida da planta com robustez, beleza e potencial de propagação da sua própria natureza. Essa harmonia é conferida pela Lei, mas deve ser buscada. Nihi!!!

Sim, PI. Bem falado! A fertilidade como uma propriedade inerente da semente é o seu carma passado, inscrito pelas relações causais de outrora. A fertilidade como uma propriedade do meio-ambiente é a causa presente devido às relações causais de agora. E você toca num ponto muito importante ao colocar a fertilidade, ou o conjunto das ações que operam no presente, como uma harmonia capaz de adornar a vida de um ser. Poderíamos chamar essa harmonia de ´boas ações´ na cultivação da planta, e que guarda um paralelo perfeito com todas as outras formas de vida. Como? Ora, feijão é um alimento, e alimento é vida para outras formas como a humana, apenas como exemplo. E mais sutilmente, a frase ´essa harmonia é conferida pela Lei, mas deve ser buscada´, nos diz que um bom carma passado (conferido pela Lei do Carma) pode trazer más retribuições caso não se busque as boas ações no presente. E quando se pratica a Via Sagrada, pode-se cortar eternamente os laços de servidão que nos prendem ao ciclo do nascimento e da morte anunciado acima. E para respaldar esse ponto, recorro novamente ao Sutra do Grande Nirvana, onde se lê:

“Oh você! Saiba que todos os seres têm carma do passado e a causa do presente. Embora os seres tenham o carma da vida passada, eles têm que depender das relações causais do alimento na presente vida. Oh você! Pode-se dizer que os seres sofrem as aflições e são abençoados com felicidade, e que tudo está definitivamente baseado nas causas cármicas originais da vida passada. Mas a situação não é assim. Por que não? Oh você! Por exemplo, é como quando uma pessoa acaba com o inimigo do Rei, em consequência do que ela ganha um tesouro e é abençoada com felicidade na vida presente. Essa pessoa gera a causa da felicidade nesta presente vida e colhe a recompensa da felicidade nesta presente vida. Por exemplo, isto é análogo a um homem que mata o filho do Rei e através disto perde sua vida. Essa pessoa engendra a causa do sofrimento agora, e colhe a retribuição cármica nesta presente vida. Oh você! Todos os seres, agora nesta presente vida, encontram o sofrimento e a felicidade dos quatro grandes elementos, as estações, a terra, e o povo. Esse é o porquê Eu digo que todos os seres não colhem necessariamente o sofrimento e a felicidade principalmente do seu carma passado. Oh você! Se uma pessoa pode chegar à Emancipação através das relações causais de cortar o carma, poderíamos dizer que todos os sábios não podem alcançá-la. Por que não? Porque o carma original dos seres não tem início e nem fim. Esse é o porquê Eu digo que quando se pratica a Via Sagrada, essa Via realmente acaba com o carma que não tem cabeça nem cauda.

Sutra do Nirvana – Capítulo 46 – Sobre Kaundinya 2.

Selo Comemorativo

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