A Via Recíproca que os Budas Exultam. Exultai!

Shariputra, agora você sabe,
que pessoas com pouca capacidade e escassa sabedoria,
apegadas às aparências, à arrogância,
não podem compreender essa Lei.
Eu agora exulto, não tenho receio,
e diante dos Bodhisattvas,
eu descartarei os meios hábeis, colocando-os aparte,
para pregar somente o Caminho Supremo.
Quando os Bodhisattvas ouvirem essa lei,
a rede de suas dúvidas será rompida;
e doze centenas de Arhats atingirão o estado de Buda.
Da mesma forma com que os Budas das três existências pregaram esta Lei,
assim o farei agora expondo a Lei sem distinções.

Todos os Budas vêm ao mundo muito raramente,
e são difíceis de encontrar;
e quando eles aparecem no mundo,
é muito difícil que eles preguem a Lei.
Através de incontáveis eras, também,
é muito difícil ouvir esta Lei.
E aqueles que podem ouvir esta Lei,
tais pessoas também são raras como a flor de Udumbara,
na qual todos se deleitam,
e na qual seres celestiais e humanos se comprazem,
por ela florescer senão uma vez em muito, muito tempo.
Alguém que ouve esta Lei,
mesmo que uma única palavra,
louva-a com alegria,
fazendo oferecimentos a todos os Budas das três existências;
tais pessoas são extremamente raras.
São mais raras que a flor de Udumbara.

Todos vocês não devem ter dúvidas,
de que eu sou o Rei do Dharma;
e declaro à assembléia:
‘Eu uso somente a via do Veículo Único para ensinar e converter Bodhisattvas.
Eu não tenho discípulos Ouvintes’.

Excerto do CAP. 02 – Meios Hábeis, pág. 57.

Via Recproca
Foto de Wagner Prandini. Local: Sítio da Dôra em 22/02/2008.

O Giro da Roda da Lei

Quando pela primeira vez tomei assento no lugar da Iluminação,
em contemplação, ou caminhando ao redor da árvore,
por um período de três vezes sete dias ,
eu pensei em assuntos tais como estes:
‘a sabedoria que obtive é sutil,
maravilhosa e insuperável,
mas os seres viventes são de pouca capacidade,
apegados ao prazer, e cegos pela delusão;
seres tais como estes,
como possivelmente poderão se salvar’?

Então os Reis Celestiais Brahma,
bem como o Deus Shakra,
os Quatro Reis Celestiais Protetores do Mundo,
o Rei Celeste Grande Liberdade,
e outras multidões de seres celestiais,
com seguidores contados em bilhões,
reverentemente uniram as palmas das suas mãos,
e solicitaram-me girar a Roda da Lei.
Eu então pensei para mim mesmo:
‘Se eu fosse pregar somente o Veículo do Buda,
seres mergulhados no sofrimento seriam incapazes de compreender esta Lei.
Eles difamar-na-iam e desacreditar-na-iam,
e cairiam nos três maus caminhos.
É melhor que eu não pregue a Lei,
entrando rapidamente no Nirvana’.

Então me lembrei que os Budas do passado praticaram o poder dos meios hábeis,
e como eu agora atingi o Caminho,
quando assim estava pensando,
todos os Budas das dez direções apareceram,
e com o som Brahma encorajaram-me, dizendo:
‘Excelente, Oh Shakyamuni,
Supremo Mestre Guia.
Tendo atingido a Lei insuperável,
você segue o exemplo de todos os Budas,
ao empregar o poder dos meios hábeis.
Igualmente, nós também obtivemos essa Lei insuperável,
a mais maravilhosa.
Para os vários tipos de seres viventes,
fizemos distinções e ensinamos os Três Veículos.
Aqueles de pouca capacidade,
que se comprazem nas leis inferiores,
não compreendem que eles podem tornar-se Budas.
Essa é a razão de usarmos os meios hábeis,
para fazer distinções e ensinar os vários objetivos.
Mas, embora Três Veículos sejam ensinados,
o são unicamente em prol da instrução de Bodhisattvas’.

Shariputra, agora você sabe que,
quando eu ouvi o som profundo,
puro e maravilhoso dos Leões da Sabedoria,
eu bradei: ‘Homenagem a todos os Budas’.
Além disso, tive esse pensamento:
‘Encontro-me num mundo de impureza e de maldade;
portanto, seguirei de acordo com o que os Budas pregam’.
Tendo meditado sobre esse assunto,
segui diretamente para Varanasi.
Uma vez que o aspecto da extinção tranqüila de todos os fenômenos não pode ser expresso em palavras,
eu usei o poder dos meios hábeis para instruir os cinco Monges.
Isto se chamou o Giro da Roda da Lei.

Excerto do CAP. 02 – Meios Hábeis, pág. 55.

Muito interessante também, veja
O Impresumível Giro da Roda da Lei
Meios Hábeis do Buda
O Pedido do Brahma Buda
no blog Samsara.

A Dança de Guanshiyin, o Provedor da Coragem

Tai Lihua, diretora de arte da Companhia para Desenvolvimento Artístico de Pessoas Portadoras de Deficiências Físicas da China, dirigiu 20 dançarinas(os) surdas(os) na representação do “Bodhisattva das Mil Mãos, Avalokitesvara (sânscrito)”, ou Bodhisattva Guanshiyin (chinês), ou Contemplador dos Sons do Mundo (português), também conhecido como o Bodhisattva da Compaixão, o nome em tibetano desse Bodhisattva é Chenrezig, e seu mantra: Om Mani Padme Hung (*). Foi publicado no YouTube por asiapacificarts em 03 de dezembro de 2007.

Sobre essa divindade, não deixe de ler o CAP. 25: O Portal Universal do Bodhisattva Guanshiyin, onde são revelados os muitos poderes desse Bodhisattva para o benefício de todos os seres.

(*) Colaborou Emer do blog Samsara.

Náufragos do Poço dos Desejos

Shariputra, agora você sabe como eu os considero com os meus olhos Búdicos.
Eu vejo seres viventes nos seis caminhos,
empobrecidos, carentes de bênçãos e sabedoria,
entrando nos perigosos caminhos do nascimento e da morte,
onde sofrem incessantemente.
Eles estão profundamente apegados aos cindo desejos,
como um iaque enamorado da sua própria cauda,
eles sufocam a si mesmos com a avareza e a paixão,
cegos e no escuro, nada vêem.
Eles não procuram pelo poderoso Buda,
ou pela Lei que elimina os sofrimentos,
mas, ao invés, mergulham profundamente nas visões errôneas;
desejam livrar-se do sofrimento com mais sofrimento.
Em prol desses seres,
eu evoco um Sentimento de Grande Compaixão.

Excerto do CAP. 02 – Meios Hábeis, pág. 54.

O Que Há Para Ser Compreendido

Todos os Budas, Honrados Duplamente Realizados,
sabem que todos os fenômenos são eternamente desprovidos de uma natureza.
A semente do estado de Buda germina das causas e condições;
sendo assim, eles pregam o Veículo Único.
Esta Lei permanece latente e imutável,
residindo eternamente nos aspectos mundanos.
Alcançando a compreensão disto no Lugar da Iluminação,
o Mestre Guia ensina-o através dos meios hábeis.

Excerto do CAP. 02 – Meios Hábeis, pág. 53.

Itai Doshin

A união faz a força e é inteligente!

Itai Doshin significa Muitos Corpos, uma só Mente.
Mente, neste caso, significando meta, objetivo, intenção, propósito, pensamento e assim por diante.

Veja você mesmo(a).

As Práticas em Prol da Via do Buda

Se há seres viventes que se encontraram com Budas no passado,
ouviram a Lei, praticaram a doação,
os preceitos, a paciência,
e um forte esforço de meditação para o Samadhi,
para a sabedoria,
e assim por diante cultivando méritos e virtudes,
todas as pessoas tais como essas atingiram a Via do Buda.

Quando aqueles Budas tornaram-se extintos,
se havia aqueles com corações condescendentes,
seres tais como esses atingiram a Via do Buda.

Após a extinção daqueles Budas,
aqueles que fizeram oferecimentos às suas relíquias,
construindo milhões de tipos de torres votivas,
feitas de ouro, prata, ou de cristal,
madrepérola, carnelian,
quartzo rosa, lápis-lazúli e outras gemas,
limpas, puras e magnificamente ornamentais,
trabalhadas para decorar as torres;
ou se caso houve aqueles que construíram templos de pedra,
de madeira de sândalo ou de aloés,
hovênia ou outras madeiras de lei,
tijolos, argila e similares;
ou se houve aqueles que, sobre dejetos estéreis,
amontoaram terra na construção de um relicário para o Buda;
ou mesmo se houve crianças que, a brincar,
amontoaram areia para construir uma torre votiva;
todas essas pessoas atingiram a Via do Buda.

Aqueles que erigiram imagens do Buda,
esculpindo todas as suas inúmeras marcas distintivas,
atingiram a Via do Buda.
Quer tenham usado as sete gemas preciosas,
bronze ou prata; branco ou vermelho;
cera, chumbo ou lata;
ferro, madeira ou argila;
ou, talvez, tecido laqueado na confecção de imagens do Buda;
tais pessoas atingiram a Via do Buda.

Aqueles que pintaram imagens brilhantes do Buda,
adornadas com as marcas distintivas de suas centenas de bênçãos,
se fizeram eles mesmos ou empregaram outras pessoas,
todos atingiram a Via do Buda.

Mesmo crianças que,
a brincar com palha, varetas, ou canetas,
ou mesmo com as pontas de seus dedos,
desenharam imagens do Buda;
pessoas como essas gradualmente acumularam méritos e virtudes,
encheram seus corações de grande compaixão,
e atingiram a Via do Buda.

Eles, como os Budas,
instruem somente Bodhisattvas,
resgatando e salvando incontáveis multidões.

Caso as pessoas, nas torres votivas ou nos templos,
fizerem oferecimentos com um sentimento reverente para as imagens cravejadas de jóias ou pintadas,
com flores, incenso, estandartes ou dosséis;
ou caso elas contratem outras pessoas para tocar música,
soando tambores, trompas ou conchas,
órgãos, flautas, alaúdes ou harpas,
guitarras, pratos ou gongos,
com muitos sons maravilhosos como esses,
tocados unicamente como oferendas;
ou se, com sentimentos de alegria e felicidade,
com sons e cantos elas louvarem as virtudes do Buda,
mesmo que através de um pequeno som,
essas pessoas atingiram a Via do Buda

Se pessoas com pensamentos dispersos derem mesmo que uma simples flor como oferecimento a uma imagem pintada,
elas gradualmente verão inumeráveis Budas.
Se elas curvarem-se em reverência e adoração,
ou meramente juntarem as palmas das suas mãos,
ou mesmo se levantarem uma simples mão,
ou fizerem um ligeiro assentimento com suas cabeças,
como um oferecimento às imagens,
elas gradualmente verão incontáveis Budas,
tendo elas próprias atingido a Via do Buda.

Se pessoas com pensamentos dispersos adentrarem torres votivas e templos,
e disserem não mais que ‘Namu Buda’;
elas terão entrado na Via do Buda.

Dos Budas do passado,
seja enquanto existentes ou após a sua extinção,
aqueles que ouviram esta Lei,
entraram na Via do Buda.

Excerto do CAP. 02 – Meios Hábeis, pág. 50.

As Perambulações de Um Aprendiz

Trabalhei a noite inteira num hospital. Estava trajado de branco. O local era um centro cirúrgico.

Via a tudo e a todos, mas como se o fizesse interpenetrando-os. Um amigo, dos tempos do ginasial, o Silvio, me relatava um caso de insucesso no uso de terapias alternativas[1].

Terminei a longa jornada de trabalho. Tudo estava em paz. Hora de ir embora, desci as escadas até o estacionamento.

– Ora, onde coloquei o carro? Esforçava-me para lembrar.

Usando um elevador, subia e descia os muitos níveis do estacionamento, e nada. Diante disso, resolvi concentrar-me refazendo o meu trajeto. Lembrava-me até o ponto de ter chegado à minha casa, e ter guardado o carro, antes de ir para o hospital.

Esforcei-me um pouco mais na concentração e ouvi: “Você não necessitava do carro. Para quê o carro?”

Acordei em 14/01/2008. às 01:00 hs.

 


[1] Entenda-se, aqui, do ponto de vista da prática da fé.

A Chave do Portal da Sabedoria

Esta Lei não pode ser demonstrada ou traduzida em palavras.
Através das linguagens ainda existentes e as já extintas,
dentre todos os tipos de seres viventes,
nenhum há que possa compreendê-la;
exceto aqueles muitos Bodhisattvas que são firmes no poder da fé.

Excerto do CAP. 02 – Meios Hábeis, pág. 32.

Lembra-me Cristina Granado, amiga de Portugal, num e-mail recente: Como dizia Khalil Gibran “A simplicidade é o último degrau da sabedoria”. Me parece tão delicada e simples a flor de Lótus…

Pois é, Cristina, o primeiro degrau é a .

Portal da Sabedoria
Foto de Wagner Prandini. Local: Sítio da Dôra em 03/02/2008.

As Bases da Ciência

Bases da Ciência

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