A Verdadeira Extinção do Tathagata

“Shariputra, se existirem seres viventes que interiormente possuam a sabedoria inata, e ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, diligentemente fazendo avanços, desejando rapidamente escapar do Mundo Tríplice e buscando o Nirvana para si; eles são chamados aqueles do Veículo do Ouvinte. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por carneiros e com isso escaparam da casa em chamas”.

 “Se existirem seres viventes que ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, diligentemente fazendo avanços, e que busquem a sabedoria que vem por si própria, deleitando-se na solidão, procurando o silêncio, compreendendo profundamente as condições causais de todos os Fenômenos, eles são chamados aqueles do Veículo do Pratyekabuda. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por cervos e assim escaparam da casa em chamas”.

 “Se existirem seres viventes que ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, sinceramente dedicando-se com vigor, buscando a emancipação, o conhecimento e a visão do Tathagata, seus poderes e coragem, compadecendo-se e confortando inúmeros seres viventes, beneficiando seres celestiais e humanos, salvando a todos, eles são chamados aqueles do Grande Veículo. Em razão dos Bodhisattvas buscarem esse veículo, eles são chamados Mahasattvas. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por bois e assim escaparam da casa em chamas”.

 “Shariputra, semelhantemente àquele velho homem que, vendo todas as suas crianças escaparem corajosamente da casa em chamas para um lugar seguro, e considerando suas posses de ilimitados bens e fortuna, deu a todos os seus filhos uma grande carroça; assim o faz o Tathagata, que igualmente é o pai de todos os seres viventes. Quando ele vê incontáveis milhões de seres viventes usando o portal dos ensinamentos do Buda para fugir do temeroso e perigoso caminho do sofrimento do Mundo Tríplice para atingir o bem-estar do Nirvana, ele tem esse pensamento: ‘Eu tenho uma ilimitada e vasta sabedoria, poderes, coragem, e assim o completo repositório das leis Búdicas. Todos os seres viventes são meus filhos. Darei a todos eles uma grande carroça, não lhes permitindo ganhar a extinção individual, mas fazendo-os transpor a extinção individual obtendo a verdadeira extinção do Tathagata[1]. Tendo escapado do Mundo Tríplice, todos os seres viventes estarão aptos a brincar com os dons da meditação Dhyana, da concentração e da emancipação do Buda, e assim por diante, todos esses dons de uma mesma característica e tipo, apreciados pelos sábios e capazes de produzir o mais puro, maravilhoso e
supremo bem-estar”.

 


[1] Observe-se que quando, acima, o Buda faz a distinção entre os Veículos do Ouvinte, do Pratyekabuda e do Bodhisattva; enquanto os dois primeiros são distintos pela prática individual (para si), o Bodhisattva é distinto pela prática em prol dos seres viventes. Enquanto os dois primeiros buscam a extinção individual, o Bodhisattva transpõe o portal para a verdadeira e absoluta extinção do Tathagata.

Extraído do CAP. 03: A PARÁBOLA

Extinção
Foto de André Felipe. Local: Sítio da Dôra em 26/04/2007.

Propriedades Ópticas de Cristais – 1a. Parte

Propriedades Ópticas de Cristais

1ª. Parte

O caráter da passagem da luz através de uma substância está determinado por suas propriedades dielétricas nas freqüências ópticas. O índice de refração da luz n = (eμ)1/2 = c/v , onde e é a permeabilidade dielétrica relativa do meio; c é a velocidade da luz no vácuo; v é a velocidade da luz no meio. Para os meios dielétricos transparentes, a permeabilidade magnética μ = 1, portanto, n = (e)1/2.

Para os meios isotrópicos, a permeabilidade dielétrica e e, portanto, o coeficiente de refração não depende da direção. O vetor de indução elétrica dado por Δ = eE e o vetor de intensidade do campo E coincidem na direção.

Para os meios anisotrópicos, Δ i= eij Ej , onde eij são componentes do tensor de segunda ordem. A permeabilidade dielétrica e o coeficiente de refração do meio anisotrópico dependem substancialmente da direção. No caso geral, os vetores Δ e E não coincidem na direção.

Das equações de Maxwell11 se depreendem várias peculiaridades da passagem da luz através dos meios opticamente anisotrópicos. No caso geral, pelo cristal se propagam em qualquer direção duas ondas que são plano-polarizadas nas direções mutuamente perpendiculares e têm velocidades distintas. Respectivamente, são diferentes, também, seus índices de refração. Esse fenômeno leva o nome de birrefringência (ou dupla refração). Para representar a dependência dos índices de refração para as ondas que se propagam através do cristal, em função de sua normal comum de onda, construir-se-á uma
superfície denominada indicatriz óptica. Suponhamos que x1, x2 e x3 formam um sistema de coordenadas no qual o tensor de permeabilidade dielétrica tem um aspecto diagonal, ou seja:

e1

0

0

eij

=

0

e2

0

 

 

0

0

e3

Isto significa que ao longo das direções dos eixos de coordenadas x1, x2 e x3 , as direções dos vetores Δ e E coincidem. Para descrever as propriedades ópticas dos cristais é conveniente examinar o tensor de impermeabilidade magnética ηij, inverso do tensor eij.

A equação da superfície característica do tensor ηij se escreverá:

η1x12 + η2x22  + η3x32 = 1,

onde

η1 = 1 / e1, η2 = 1 / e2, η3 = 1 / e3

A equação acima pode ser escrita de um outro modo:

x12 / e1 + x22 / e2 + x32 / e= 1

Os coeficientes de refração na direção dos eixos de coordenadas se chamam coeficientes de refração principais; seus valores são encontrados segundo equações do tipo: n1 = (e1)1/2, n2= (e2)1/2 e n3 = (e3)1/2.

A equação da superfície característica pode ainda ser escrita:

x12 / n12 + x22 / n22 + x32 / n32 = 1

A equação obtida é a equação da superfície chamada indicatriz óptica. No caso geral, é um elipsóide triaxial.

Propriedades Ópticas dos Cristais – 2a. Parte.

N.Perelomova, M. Taguieva – Problemas de Cristalofísica – Ed. Mir, 1975 – Moscou – URSS.

A Razão, do Abrangente ao Restrito

“No reinado de um sábio, a razão irá prevalecer. Mas, quando reina um soberano tolo, a falta de razão terá supremacia”. (Nitiren Daishonin em “A Abertura dos Olhos”) (6).

“Numa democracia, o soberano não é ninguém senão o povo, a coletividade”(8). Do abrangente ao restrito, aquilo que sabemos ou pensamos (sujeito), e aquilo que vemos (objeto), não difere daquilo que somos (ação). Ainda que o aspecto individual de uma única pessoa revele inequivocamente quem a governa no âmbito restrito; o aspecto de uma coletividade, de uma sociedade e de uma nação não revelará quem a governa, mas quem nela habita, no sentido abrangente.

Emprestando mais um termo da Física, a democracia é uma proposta de superestrutura social, onde cada indivíduo é da mesma qualidade do todo, onde cada indivíduo é instrumento da vontade dos demais e, em nome dessa vontade, aciona uma prensa, avia um receituário ou empunha a caneta dos poderes estabelecidos. Todavia, e como numa religião, “por mais que uma doutrina possa parecer formidável como argumento, se não for possível pô-la em prática, torna-se um ensino vazio”(4). Uma democracia torna-se uma doutrina vazia quando não posta em prática. Torna-se vazia e, como ali cada indivíduo é da mesma qualidade do todo, todos se esvaziam da própria responsabilidade, transferindo-a para outrem. Torna-se um verdadeiro “salve-se quem puder” ou “primeiro eu”.

Qual a evidência da perda da razão em uma democracia?

Certamente, o aparecimento de líderes que não advogam pelas maiorias. Este é o primeiro sinal e o mais grave indicador de uma profunda ruptura na base democrática. Segue-se, como conseqüência dessa ruptura, a formação de grupos dominantes os quais, seja pelo poder econômico ou pelo poder político, tentam impedir a alternância no poder, negando alternativas à massa votante. Essa degenerescência surge primeiramente nos pequenos organismos (no restrito) para, depois, refletir-se nas grandes instituições (no abrangente). Um dos mais consagrados engodos (adulação astuciosa segundo o dicionário Aurélio) da organização social democrática é o da minoria oprimida. A opressão só se instala com o consentimento das minorias, por omissão ou impotência; ou com o consentimento de todos nós, indivíduos, sós, minoria absoluta. Segue-se o descrédito nas instituições, o voto útil. Já que não podemos evitar, locupletemo-nos. Segue-se a desagregação social. Ninguém faz mais nada por ninguém. Segue-se a perda da identidade do ser social, a perda da integridade individual e floresce a corrupção em todos os segmentos da sociedade. Em sucessão, surgirão os desastres e as calamidades.

Um líder que quando se pronuncia, em redes televisivas e radiodifusivas, todos desligam os seus aparelhos: esse é o Executivo. Câmaras municipais, distritais, estaduais e federais omissas, a defender seus próprios interesses, a legislar em causa própria: esse é o Legislativo. Juízes milionários que tergiversam o corpo das leis, atuando nos seus interstícios, subvertendo as verdadeiras intenções das leis e tornando a subjetiva interpretação mais forte que a própria lei: esse é o Judiciário. Numa passagem do Sutra do Nirvana o Buda Sakyamuni afirma: “Confiar na Lei, e não na pessoa” (6). Segue-se então a impunidade e a máxima de uma sociedade desagregada: “o crime compensa”.

Antes de isso tudo acontecer, todavia, os sábios e protetores da nação ter-se-ão retirado e, desta sorte, tudo se passa sem que se esboce reação, qualquer que seja. A própria doença começa a dosar as suas investidas contra o organismo doentio que não reage, apenas para que esse organismo não morra; pois, uma vez morto o organismo, morta estará a doença.

Qual a evidência da retirada dos sábios e protetores da nação?

A fome, o desemprego, os conflitos sociais, a violência, as contendas judiciais sem fim, o escárnio da ignorância, doenças desconhecidas, epidemias, ventos fortes, enchentes, incêndios, ingestão de poderes externos nos assuntos da nação.

Isso tudo poderia ser uma evidência objetiva, mas qual a evidência lógica da retirada dos sábios e protetores da nação afinal?

Somente os ignorantes podem valer-se da miséria como plataforma política. Um mal que aniquila e mata o organismo no qual se instala e do qual se nutre, é o pior dos males. “Se alguém estivesse para matar nossos pais e então tentasse oferecer-nos um presente, poderíamos aceitá-lo? Nem Budas, nem deuses e nem os sábios aceitariam oferecimentos daqueles que caluniam a Lei” (Nitiren Daishonin em “Carta a Niike”) (11).

Mas, a escuridão não possui a propriedade da Lei, isto é, a capacidade de propagar-se. Este é o Paralelo Perfeito. Ela, a escuridão, só se manifesta na ausência da Lei. A luz, entretanto, pode debelar a mais profunda escuridão. Isto aponta para a necessidade de restabelecer a Verdade e iluminar a realidade da nação em todos os seus aspectos.

Basta! Do restrito ao abrangente, como reconduzir as pessoas e a nação ao caminho da razão?

Conforme Nitiren Daishonin observa em sua escritura intitulada “A Abertura dos Olhos”, já na época do Confucionismo na antiga China considerava-se: “Se uma pessoa leva a ordem à sua família, cumpre as exigências do amor filial e pratica as cinco virtudes constantes da benevolência, retidão, decoro, sabedoria e boa fé, os seus amigos a respeitarão e seu nome será conhecido em todo o país. Se há um sábio governante no trono, ele convidará tal pessoa para ser seu ministro ou conselheiro, ou pode inclusive tornar-lhe chefe da nação. O céu irá proteger e cuidar de tal pessoa”(6). Tais atributos ainda não são tudo, mas essenciais para tornar a pessoa um receptáculo da Grande Lei e, assim, torná-la uma propagadora da mesma. Em outro caso, na ausência de tais atributos, pode-se chamar essa pessoa de devoradora da Lei.

Que Lei é esta?

Somos Nós.

Nos Domínios de Samsara

“Shariputra, o Tathagata também é assim. Ele é um pai para todos os seres no mundo. Ele erradicou para sempre todos os temores, fraquezas, aflições, ignorância e obscuridade. Ele atingiu completamente a ilimitada sabedoria, visão, poder e coragem. Ele possui grande poder espiritual e o poder da sabedoria. Ele consumou os Paramitas dos Meios Hábeis e da Sabedoria. Ele é grandemente benevolente e compassivo. Incansável, sempre busca o bem, beneficiando a todos. E assim, ele nasce no Mundo Tríplice[1] que é como uma casa em chamas, com a intenção de salvar os seres viventes dos fogos do nascimento, velhice, doença, morte, dor, miséria, estupidez, indolência e dos Três Venenos[2]. Ele ensina-os e converte-os, levando-os a atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

 “Ele vê todos os seres viventes sendo chamuscados pelo nascimento, velhice, doença, morte, dor e miséria. Eles se sujeitam aos vários sofrimentos em função dos Cinco Desejos[3], da riqueza e do lucro. Em razão do apego e da ganância, além de no presente se sujeitarem a todo tipo de sofrimentos, no futuro sujeitar-se-ão aos sofrimentos do inferno, em meio aos animais ou espíritos famintos. Se nascidos no mundo celestial ou em meio aos seres humanos, eles sofrerão da pobreza e da aflição, do sofrimento de serem separados de quem amam, do sofrimento de estarem juntos de quem odeiam, e todos os vários sofrimentos como esses. Mesmo assim, os seres viventes mergulham neste marasmo, nos esportes recreativos, inconscientes, desavisados, sem susto ou temor. Eles não se tornam saciados em seus desejos  e nem buscam a libertação. Na casa em chamas do Mundo Tríplice, eles correm de um lado para outro. Embora encontrem tremendos sofrimentos, eles não estão preocupados”.


[1] Mundo Tríplice, onde imperam os três maus domínios da existência, a saber: o domínio dos desejos, o domínio da matéria e o domínio espiritual. Referindo-se ao Honrado pelo Mundo: “Ele nasce no Mundo Tríplice”; isto é, Ele, o Buda é o mortal comum que, nascido no mundo tríplice, numa casa em chamas, o faz dentre os seres viventes “para ensiná-los e convertê-los permitindo-lhes alcançar anuttara-samyak-sambhodi”. Assim como a via do Bodhisattva é o único e verdadeiro portal para o estado de Buda, esta via é também o único e verdadeiro portal para o ingresso do Buda no mundo tríplice, ou a única e verdadeira causa do advento do Buda neste mundo.

[2] Três Venenos: avareza, ira e a estupidez.

[3] Cinco Desejos: comida e bebida; sono; sexo; bens materiais; e fama.

Extraído do CAP. 03: A PARÁBOLA

Samsara
Foto de Joana. Local: Síto da Dôra – Abril/2007.

Propriedades Físicas dos Cristais Descritas com Tensores de Segunda Ordem

III.2.1 – Propriedades Físicas dos Cristais Descritas com Tensores de Segunda Ordem

Permeabilidade magnética e dielétrica; impermeabilidade e susceptibilidade; eletrocondutibilidade e resistividade; condutividade e expansão térmica; efeito piezocalorífico etc.; descrevem-se nos cristais mediante o tensor de segunda ordem. Num sistema de coordenadas ortogonal, a lei diferencial de Ohm4 para os cristais será:

J1 = S11E1 + S12E2 + S13E3

J2 = S21E1 + S22E2 + S23E3

J3 = S31E1 + S32E2 + S33E3

Antes de prosseguirmos, vejamos dois princípios fundamentais da cristalofísica:

Princípio de Neumann9

A simetria das propriedades físicas de um cristal (entende-se como simetria da superfície tensorial mediante a qual se descreve a dita propriedade) está ligada com o seu grupo pontual de simetria. Esta relação se estabelece pela lei fundamental da cristalofísica conhecida como princípio de Neumann:

O grupo de simetria de qualquer propriedade física do cristal deve incluir um grupo pontual de simetria do cristal”.

Segundo o princípio de Neumann, a propriedade física do cristal deve ter todos os elementos da simetria do cristal.

Princípio de Curie10

Se no cristal atua um agente físico que possui uma simetria determinada, a simetria deste cristal situado no campo de ação do agente varia, e pode ser determinada por meio do princípio de superposição de simetrias, chamado princípio de Curie:

O cristal que se encontra sob ação de um agente exterior possuirá aqueles elementos de simetria que são comuns tanto para o cristal na ausência do agente, como para o agente na ausência do cristal”.

Para aclarar a simetria do fenômeno resultante, tem importância não só a simetria dos fenômenos em interação como também a disposição mútua de seus elementos de simetria. Usando a regra de soma de Einstein, podemos escrever a lei de Ohm como:

Ji = Sij Ej (i,j = 1,2,3) (1)

Os tensores de segunda ordem que descrevem as propriedades acima são simétricos, o que reduz o número de componentes independentes de 9 para 6.

Superfície Característica de um Tensor Simétrico de Segunda Ordem

As propriedades em questão, bem como a sua anisotropia e afinidades com a simetria do cristal, podem ser bem compreendidas através da interpretação geométrica dos tensores de segunda ordem como superfícies de segundo grau, cuja equação geral é:

S11x12+S22x22+S33x32+2S32x3x2+2S13x1x3+2S12x1x2=1(2)

A equação acima pode ser escrita dessa forma em virtude da simetria do tensor (Sij = Sji). Esta poderia ser, por exemplo, a equação da superfície característica da eletrocondutibilidade específica do cristal.

As superfícies de segunda ordem possuem eixos principais nas três direções perpendiculares entre si. Se tomarmos os eixos principais como eixos coordenados, a equação acima se torna:

S11x12+ S22x22 + S33x32 = 1 (3)

O tensor de segunda ordem no sistema de coordenadas principal terá uma forma diagonal:

S11

0

0

 

S1

0

0

0

S22

0

ou

0

S2

0

0

0

S33

 

0

0

S3

Os valores S1, S2 e S3são as componentes principais do tensor de eletrocondutibilidade específica. No sistema principal de coordenadas, as equações em (1) são simplificadas:

J1 = S1E1 ; J2 = S2 E2 ; J3 = S3E3

Se o campo elétrico está aplicado na direção x1, e E2 = E3 = 0, então J2 = J3 = 0 e J = E. As mesmas considerações são válidas para x2 e x3. Por isso, dizemos que os eixos principais nos cristais são as direções ao longo das quais os vetores de ação e reação coincidem na direção.

Propriedades Geométricas

A magnitude do raio vetor da superfície característica r em uma direção qualquer está relacionada com a magnitude que caracteriza a propriedade correspondente na mesma direção, por exemplo a propriedade S, com a correlação:

S = 1 / r2

Se a propriedade dada faz parte da equação de interação vetor-vetorial (ação vetorial, reação vetorial), como isso acontece na lei de Ohm, nesse caso a superfície característica da propriedade nos dá a possibilidade de determinar a direção do vetor de reação segundo a direção do vetor de ação e vice-versa.

A magnitude de uma propriedade numa dada direção, como acabamos de ver, está relacionada com o inverso do quadrado da distância (raio vetor).

N.Perelomova, M. Taguieva – Problemas de Cristalofísica – Ed. Mir, 1975 – Moscou – URSS.

A Iluminação dos Seres dos Dois Veículos

Com relação a isto, Shariputra, com alegre entusiasmo, levantou-se, juntou as palmas de suas mãos e fitou reverentemente a face do Honrado pelo Mundo e disse ao Buda: “Agora, tendo ouvido este som da Lei do Honrado pelo Mundo, meu coração alegra-se tendo obtido o que nunca antes obtivera”.

 “Qual é a razão? No passado, eu ouvi uma Lei tal como esta do Buda, e vi os Bodhisattvas receberem profecias da sua consecução do Estado de Buda, mas nós não fazíamos parte disto[1]. Eu estava profundamente magoado por ter perdido a esperança de atingir as ilimitadas sabedoria e visão do Tathagata”.


[1] Referindo-se a ele próprio, Shariputra, e as demais pessoas dos dois veículos (Erudição e Absorção), cuja iluminação foi profetizada pela primeira vez neste Sutra de Lótus, no capítulo dos Meios Hábeis. Ali o Buda esclarece que os dois veículos acima são meros meios hábeis para conduzir os seres ao veículo único (Bodhisattva). A profecia consiste dos últimos versos do capítulo dos Meios Hábeis: “Shariputra, agora você sabe que a Lei de todos os Budas é como esta. Através de milhões de meios hábeis, eu prego a Lei Insuperável de acordo com o que é apropriado. Mas aqueles que não a estudam, nunca virão a compreendê-la. Uma vez que vocês já sabem que todos os Budas, Mestres do Mundo, trabalham através de meios hábeis, vocês não devem mais ter dúvidas. Deixem seus corações encherem-se de alegria; porque agora sabem que atingirão o Estado de Buda”.

Extraído do CAP. 03: A PARÁBOLA

O Quê a Ciência Não Viu e as Três Grandes Barreiras

Quando o objeto de uma pesquisa é a verdade, uma ciência sem religião e que não vise o homem na sua essência existencial, pecará por exacerbar os aspectos observáveis pela limitada visão humana, em detrimento da Verdade Última. O homem, na sua fúria analisadora, conseguiu quebrar as mais íntimas ligações da natureza. Quantificou os átomos e seus micros constituintes; separou os órgãos do corpo humano; decodificou as células e hoje avança no campo da transmutação genética, “programando” e “imitando” a criação nas mais assustadoras experiências. No processo de síntese, entretanto, a ciência luta sem muito sucesso contra uma instabilidade impertinente presente na maioria dos elementos sintetizados em laboratório, e uma rejeição inquietante dos órgãos transplantados. O quê foi que o homem e a sua ciência perderam na análise, que não conseguem colocar na síntese? O quê a ciência não viu?

O Budismo fala em 5(cinco) espécies de visão ou faculdades perceptivas, a saber:

O olho do homem – a visão dos mortais comuns, que distingue cor e forma. Entenda-se a visão física natural dos seres humanos.

O olho celeste – capacidade dos seres celestes de ver além das limitações físicas da escuridão e da distância. A sistematização do uso das recentes descobertas no campo dos fenômenos radiativos ampliou a visão humana para aquém (radiação do infravermelho) e além (radiação do ultravioleta) do espectro da luz visível; com o auxílio, evidentemente, de instrumental adequado. São exemplos as miras de infravermelho e os radiotelescópios.

O olho da sabedoria – capacidade de homens dos 2(dois) veículos (erudição e absorção) de perceber a não-substancialidade de todos os fenômenos. Aqui se encontra a primeira grande barreira: a não-substância (ou vacuidade) como parte da natureza essencial de todos os fenômenos, e já reconhecida pela ciência, é imponderável. Os métodos de detecção, análise e quantificação dos fenômenos baseiam-se na interferência. Como ver algo que não está ali?

Inegavelmente, a ciência do homem realizou grandes façanhas utilizando-se apenas dos 3(três) tipos de olhos que a sua razão comporta. Algumas dessas realizações foram, sem dúvida, frutos da sistematização de idéias. Incontáveis, porém, são aquelas realizações frutos do quê os norte-americanos costumam chamar de feliz casualidade. Contudo, o homem não é feliz e busca através da ostentação uma justificativa para o destino vulgar que se dá a muitos dos mais significativos avanços científicos. São armas, utensílios inúteis, tratamentos de toda sorte de males que resultam de maus hábitos. Por que não inventar os bons hábitos? A bem da verdade, escombros de seres humanos se espalham pelo mundo e o homem não sabe o quê fazer para rejuntá-los na edificação de um novo homem. A violência contra o próximo, as guerras, as pestes, a miséria e a ignorância avançam aos quilômetros enquanto o saber avança aos centímetros. Dizia Nitiren Daishonin em Carta a Niike: “o bem aos centímetros convida o mal aos metros” (11).

Acredito, falta um sentido humanístico amplo e benevolente aos empreendimentos científicos. Quantos dos melhores cérebros vivos não se consomem na busca da fama e da fortuna, ou quantos desses mesmos cérebros não são manipulados pelo poder econômico dos que visam lucros e pelo poder dos dominadores que visam à submissão dos povos.

O olho da Lei – visão altruísta dos que penetram em todos os ensinos para salvar as pessoas. Aqui se encontra a segunda grande barreira: a vaidade dos homens de erudição e absorção, dotados do olho da sabedoria, e a sua subserviência aos poderes estabelecidos.
O olho do Buda – visão que percebe a verdadeira natureza da vida abrangendo o passado, o presente e o futuro; e que engloba todas as outras. Esta é a terceira grande barreira: ver o quê todos vêem.

O olho da lei e o olho do Buda, aos quais nos referimos como visão mística, sugerem algo mais que simplesmente ver; mas, ver-através, ver-além, ver-em-prol. Isto é possível se mudarmos nossa atitude permitindo que o sentimento humanitário evocado pelo olho da Lei prevaleça sobre interesses menores. Falamos da Grande Lei, ou o conjunto de todos os ensinos corretos e verdadeiros. Falamos do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Propriedades da Física dos Cristais

III.2 – Propriedades da Física dos Cristais

Já em 1916, Einstein havia afirmado que a gravidade, talvez, não fosse uma força, mas sim uma das propriedades observáveis do próprio espaço-tempo. Indo um pouco além, especulou que o que chamamos “matéria” é, na realidade, apenas um fenômeno local exibido por regiões onde a energia do campo está muito concentrada. Em termos mais simples, Einstein encarava a “matéria” como uma manifestação da energia e, assim fazendo, ousou rejeitar a idéia tradicional de que matéria e energia são entidades separadas que coexistem.

Entendemos que a indissociabilidade de matéria e energia, hoje um fato plenamente aceito, tem perfeita analogia com a indissociabilidade do defeito e o meio cristalino no qual se manifesta. Assim como a energia só pode se manifestar através da sua associação-interação com a matéria, o meio ordenado do espaço-tempo-cristalino só pode manifestar-se através da sua interação com o defeito, um fenômeno local onde, além da energia intrínseca (E = mc2), soma-se a energia de ligação necessária para “arrancar” a entidade de um lugar próprio da rede, mais a energia de migração necessária para a entidade executar os saltos pelos interstícios da rede cristalina. Portanto, o defeito no meio cristalino muito se parece com a idéia de Einstein sobre a “matéria” como sendo um fenômeno local exibido por regiões do espaço-tempo onde a energia está muito concentrada. Por outro lado, se a gravidade, antes de ser uma força, melhor seria uma das propriedades observáveis do espaço-tempo, acreditamos ser a reação entre o cristalino e o defeito que se encontra em seus interstícios, uma interação do tipo gravitacional que, em qualidade, nada tem de diferente daquilo que se observa no macrocosmo.

Dizem que Wolfgang Pauli8, um Físico que desistiu de trabalhar na teoria do campo unificado, desabafou da seguinte forma: “O que Deus separou, o homem não pode unir”. Com muita razão! Se a matéria vem a ser a própria criação num universo-material-observável, segundo a nossa analogia, essa aberração (defeito-matéria) não pode por si própria devolver-se ao espaço ordenado de onde se originou, a não ser através da atuação de um campo externo. Pelo que sabemos, uma vez criado um defeito no meio cristalino, e isto só é possível pela atuação de um campo externo que forneça a energia de limiar, somente outra contribuição externa poderá devolvê-lo à estrutura de origem. Certamente, “o que Deus separou o homem não pode unir”.

Sabe-se que a teoria do campo unificado de Einstein tinha em seu cerne um conjunto de 16 equações extremamente complexas, representadas por um tipo de notação matemática avançada na época, conhecida como notação tensorial. Dez dessas equações representavam a gravitação e outras seis o eletromagnetismo. Dessas equações é possível extrair uma conclusão interessante: um campo gravitacional puro pode existir sem um campo eletromagnético; mas, um campo eletromagnético puro não pode existir na ausência de um campo gravitacional.

Se o campo gravitacional é a manifestação observável do espaço ordenado (espaço-tempo ou cristalino) sobre o defeito (matéria), isto será sempre verdade. E mais, a grandeza tempo (quarta dimensão ou uma das dimensões de um outro espaço) deverá sofrer variações relativas para diferentes zonas de influência da distorção local provocada pela presença do defeito; isto é, ao afastar-se do núcleo da distorção local, ou seja, do centro material do defeito, o observador deverá sentir o tempo fluir cada vez mais lentamente até que, fora da zona de influência do defeito, este lhe pareça não mais fluir. Então, o tempo, como a matéria, é um fenômeno local. Aqui está o paradoxo dos gêmeos proposto de uma forma diferente. Nos cálculos da teoria da relatividade especial, a viagem hipotética leva em conta apenas a velocidade e o tempo. Aqui, levamos em conta a velocidade, o tempo e o espaço percorrido; isto é, a velocidade e o tempo necessários para produzir o paradoxo resultam num espaço percorrido mais que suficiente para trazer o itinerante para fora da zona de influência em que permanece o seu irmão gêmeo.

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A Residência do Buda neste Mundo

Nas terras Búdicas das dez direções,
há somente a Lei do Veículo Único;
não há dois ou três veículos,
exceto aqueles pregados pelos Budas como meios hábeis,
e que são apelos fictícios usados para induzir os seres viventes,
de tal maneira que Eles possam ensinar-lhes a sabedoria do Buda.

Os Budas aparecem no mundo somente em prol desta Única Verdadeira Razão;
as outras duas não são verdadeiras;
eles nunca usariam um veículo menor com a finalidade de salvar seres viventes.
O Buda em si reside no Grande Veículo,
e de acordo com as Leis por ele obtidas,
adornado com o poder do Samadhi e da sabedoria,
ele as utiliza para salvar os seres viventes[1].

Tendo eu mesmo certificado ser este o caminho supremo,
a Lei do Grande Veículo da igualdade entre todas as coisas,
se eu fosse ensinar a minha intenção através do pequeno veículo,
mesmo que para um único ser humano,
eu estaria pecando por mesquinhez e avareza;
mas tal coisa jamais aconteceria.

 


[1] Nesta passagem torna-se claro ser o estado de Bodhisattva a “residência” do Buda neste mundo, fazendo-o para salvar seres viventes. Assim como as profundas práticas de Bodhisattva constituem o único veículo para se atingir o estado de Buda, a recíproca é verdadeira; isto é, o Buda entra neste mundo unicamente através do Bodhisattva, pois, seu único propósito é converter e ensinar o Grande Veículo, “da igualdade entre todas as coisas”. A voz de quem ensina este sutra, é a voz do Buda.

Extraído de CAP. 02: MEIOS HÁBEIS

Residência do Buda
Foto de André Felipe. Local: Sítio da Dôra em 27/02/2006.

Religião? O que é? – 4ª Parte

4ª Parte

A turbulência de uma sociedade é medida pelo grau de insatisfação de cada indivíduo. No mundo Budista não há lugar para a lamentação que gera a insatisfação, e que gera a frustração. Este ciclo afasta a pessoa da sua verdadeira função existencial, transformando o lugar onde essa pessoa vive num verdadeiro inferno. Não há grades e cães que bastem para refrear os mais insatisfeitos.

A arte da vida está em edificar sobre escombros. Escombros estes que, antes de significarem a extinção dos valores de uma civilização, sociedade ou experiência individual; significam sim o triunfo da Lei Última da Vida e da Morte. Se assim não o fosse, estaríamos para sempre condenados a trilhar os maus caminhos, sem nenhuma conseqüência para os acertos e erros que perpetramos em cada momento de nossas vidas. Seria como não ter os méritos (bons e maus) do passado e nem o direito ao futuro pelo quê fazemos. Exatamente, os méritos do passado resultam no quê somos, e aquilo quê somos no presente, resultará no quê seremos no futuro.

A arte de edificar sobre escombros requer Sabedoria para identificar a profundidade e robustez dos valores sobre os quais nos apoiaremos; requer Fé para acatar e incorporar a Verdadeira Lei da Vida, a qual em muitos aspectos foge à razão humana; requer Coragem para, honestamente, descartar os falsos valores e soterrá-los para sempre na nova experiência. A isto tudo chamamos “arte” porque o requisito resultante dos três acima citados (Sabedoria, Fé e Coragem) pode ser traduzido simplesmente como talento ou vocação para a vida. Para aqueles que não os possuem, a vida estará mais para um jogo de azar. Mas, para aqueles que os cultivam, não faltará oportunidade para exercitá-los na transposição dos obstáculos naturais que vão desde a resistência do ar, num simples caminhar, até o abismo da ignorância, causa fundamental de todos os sofrimentos. Na ausência da Sabedoria, a Fé e a Coragem possuem um alto poder destrutivo.

Considerando o que foi dito, nunca utilize as tradições transmitidas oralmente ou os escritos da literatura secular como guias ou “Manuais de Instrução para a Auto-Realização”, algo que eles não podem ser devido à limitada visão e experiência dos seus autores. Seu objetivo real deveria ser o de estimular mentes a refletirem acerca das suas próprias experiências, e a buscarem as fontes do verdadeiro saber para a sua emancipação. Fazendo assim, o leitor estará edificando a sua própria torre votiva e, conseqüentemente, estabelecendo a sua própria fé.

Religião? O que é? – 1ª Parte

Religião? O que é? – 2ª Parte

Religião? O que é? – 3ª Parte

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