Mensagem de Ano Novo 2015

Assim é Cristal Perfeito:
Nada fora do lugar, em todos os lugares.
Translúcido, Transparente,
por onde toda a Luz se transmite.
Nenhuma direção, todas elas.

Corpo sem sê-lo, sem marca nem selo.
Nirvana, antes de tudo que é, futuro será,
eternamente Próprio de quem não o vê.
Aquele mortal assim deparou
com o seu Próprio Portal da Libertação.

Em 18/12/2014
01:30 hs.

Foto de Marcos Ubirajara  em 19/12/2014.

Foto de Marcos Ubirajara em 19/12/2014.

O Nirvana Provisório

Em ‘O Nirvana Provisório’

Falando ternamente, IZ admoestou PI, dizendo-lhe: “PI, não use mais tão descuidadamente a palavra Nirvana. Ouça atentamente as passagens seguintes, encontradas no Sutra de Lótus, sobre as quais você deve basear-se doravante”.

Naquele momento, Shariputra, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos dizendo:

“Ouvindo este som da Lei,
obtive o que nunca antes obtivera;
meu coração está transbordando de alegria,
e a malha de dúvidas em meu pensamento dissipou-se.

Desde há muito tempo,
beneficiado pelos ensinamentos do Buda,
nunca perdi o Veículo Maior.
O som do Buda é extremamente raro de ouvir,
e pode livrar todos os seres das suas aflições.
Já havia eliminado todas as falhas, mas ouvindo-o,
as minhas aflições também se dissiparam.

Quando residi nos vales das montanhas,
às vezes aos pés das árvores,
sentado ou caminhando,
constantemente pensava a respeito deste assunto:

‘Ah, chorei amargamente em autorreprovação,
por que me enganei tanto?’.
Nós também somos discípulos do Buda
e igualmente entramos na Lei sem falhas;
contudo, no futuro não estaremos aptos
a proclamar a via insuperável.

A cor dourada do ouro, os trinta e dois sinais,
os Dez Poderes e todas as emancipações,
estão juntas numa única Lei,
mas não obtive essas coisas.
As oitenta características maravilhosas,
as dezoito Leis (propriedades) exclusivas,
virtudes de tais qualidades,
perdi-as todas.

Quando caminhava solitário,
eu via o Buda na Grande Assembleia,
sua fama preenchendo as dez direções,
beneficiando amplamente todos os seres.
Sentia ter perdido esse benefício,
tendo iludido a mim próprio.

Constantemente, dia e noite,
pensava sobre esse assunto
e desejava indagar o Honrado pelo Mundo,
se o havia perdido ou não.
Frequentemente, via o Honrado pelo Mundo
elogiando todos os Bodhisattvas,
e assim foi, por dias e noites,
em que ponderava sobre assuntos como este.

Agora eu ouvi o som do Buda,
oportunamente pregando a Lei que não tem falhas,
difícil de conceber,
e que conduz os seres viventes ao lugar da iluminação.

Outrora, eu era apegado às visões distorcidas,
e era um professor de Brahmanes.
Todavia, o Honrado pelo Mundo,
conhecendo a minha intenção,
erradicou minhas visões errôneas
ensinando-me o Nirvana.

Libertei-me das visões errôneas,
certifiquei-me da Lei da vacuidade,
e então disse para mim mesmo
que havia alcançado a extinção.

Agora, finalmente compreendo
que esta não é a verdadeira extinção,
pois quando me tornar um Buda,
completo com as Trinta e Duas Marcas Distintivas,
reverenciado por seres celestiais, humanos,
multidões de Yakshas, dragões, espíritos e outros,
então poderei dizer:
‘Esta é a extinção eterna, sem resíduos’.

O Buda, em meio à Grande Assembleia,
disse que eu me tornaria um Buda.
Ouvindo o som de uma Lei como essa,
todas as minhas dúvidas se dissiparam”.

Sutra de Lótus – Capítulo 3 – A Parábola.

“Eu também sou assim,
eu sou o guia de todos.
Vendo aqueles que buscam a via,
cansados no meio da viagem,
incapazes de superar
os perigosos caminhos do nascimento,
da morte e da aflição;
eu uso, então, o poder dos meios hábeis
para pregar o Nirvana
e prover-lhes um descanso, dizendo:
‘Seus sofrimentos terminaram.
Vocês fizeram o que tinha de ser feito’.

Então, sabendo que eles encontraram o Nirvana
e todos se tornaram Arhats,
eu os reúno para ensinar-lhes a genuína Lei.

Os Budas usam o poder dos meios hábeis
para discriminar e pregar os Três Veículos,
mas há somente o Veículo Único do Buda.
Os outros dois foram pregados
como um lugar de descanso.

O que estou lhes dizendo agora é a verdade;
o que vocês obtiveram não é a extinção.
Em prol da sabedoria de todos os Budas,
vocês devem empenhar-se com grande vigor.

Quando vocês estiverem certificados
de todas as sabedorias,
possuírem os Dez Poderes e outras Leis do Buda,
tendo obtido as Trinta e Duas Marcas distintivas,
então aquela é a genuína extinção.

Os Budas, os mestres-guia, pregam o Nirvana
para prover um descanso aos seres viventes,
mas somente os Budas sabem que,
quando eles estiverem descansados,
eles os conduzirão à sabedoria dos Budas

Sutra de Lótus – Capítulo 7 – A Parábola da Cidade Fantasma.

Selo Comemorativo

Ao Tomar Refúgio nos Três Tesouros

“Oh Kashyapa!

Para o seu benefício,
abrirei agora a porta fechada do repositório e erradicarei sua dúvida.
Ouça o que eu digo com todo o seu coração!
Você, e todos vocês Bodhiattvas,
e o sétimo Buda [isto é, o Buda Kashyapa]
possuem o mesmo nome.
Alguém que se refugia no Buda
é um verdadeiro Monge.
Ele já não se refugia em todos os outros deuses.
Alguém que se refugia no Dharma
evita a si próprio de prejudicar os outros.
Alguém que se refugia na Sangha sagrada
não se refugia nos tirthikas.
Ao se refugiar nos Três Tesouros,
atinge-se o destemor.”

Sutra do Nirvana – TOMO I, Capítulo 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

A Matriz Secreta

“Oh Kashyapa!

Agora você vai analisar os Três Refúgios:
assim como é o intrínseco ser [svabhava] dos Três Refúgios,
tão certamente assim é o meu intrínseco ser [svabhava].
Se uma pessoa está verdadeiramente apta a discernir
que seu intrínseco ser possui a Buda-Dhatu [Natureza-de-Buda],
então você deveria saber que essa pessoa
entrará na Matriz Secreta [=Tathagatagarbha].

Aquela pessoa que conhece o Eu [atman]
e que faz parte do Eu [atmiya]
já transcendeu o mundo mundano.
A natureza das Três Jóias, o Buda, o Dharma [e a Sangha]
é suprema e mais digna de respeito;
como no verso que eu proferi,
o significado da sua natureza é assim.”

Sutra do Nirvana – TOMO I, Capítulo 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

Paramita, a outra Margem

Paramita significa atingir a outra margem. Chegar à outra margem significa consecução plena de tudo aquilo que você está fazendo. Por exemplo, quando uma pessoa comum cultiva para a realização da posição de Buda, diz-se que ela alcançou a outra margem. A outra margem é o oposto desta margem. Se esta margem não existisse, a outra margem não existiria também. Esta margem refere-se ao nascimento e a morte, e a outra margem refere-se ao Nirvana. Concluir a travessia desta margem do nascimento e da morte sobre o mar das aflições para a outra margem do Nirvana é chamado Paramita.

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma “Assim”.

Original

O Nirvana não-residual e a Extinção

Eu devo levá-los todos a entrar no Nirvana não-residual e conduzi-los à extinção.  O Eu aqui é o falso “Eu” do Bodhisattva, usado expedientemente para comunicar-se com os seres viventes que ainda possuem uma visão do eu.

Todas as dez classes de seres viventes nos três reinos (da existência) são levados a entrar no Nirvana não-residual. Nirvana é uma palavra do Sânscrito que se traduz como “quietude perfeita”. Atravessar para a extinção significa por um fim aos dois obstáculos – o obstáculo das aflições e o obstáculo do que é conhecido. Também significa que os seres transcenderam as Duas Mortes: compartilhar do nascimento e morte, e mudar o nascimento e morte.

Há quatro tipos de Nirvana:

  1. Nirvana da natureza-própria pura e limpa. A natureza-própria é inerente a todos. Não está sujeita ao nascimento e morte, e não é maior nos sábios ou menor nas pessoas comuns.
  2. Nirvana residual. Ao usar a chama da sabedoria sobre o combustível das aflições, os laços secundários da ilusão são cortados; mas o laço fundamental do corpo permanece. O corpo que permanece está sujeito a compartilhar no nascimento e morte; isto se diz ser Nirvana “com resíduos”.
  3. Nirvana não-residual. Quando as aflições e o resíduo do compartilhamento no nascimento e morte são extintos, a multidão de sofrimentos é eternamente aquietada. Não há mais resíduo.
  4. Nirvana da não permanência. Aqui sabedoria e compaixão são mutuamente interativas. Aqueles que atingiram o Nirvana da não permanência continuam a atravessar os seres viventes, mas eles mesmos não estão sujeitos ao nascimento e morte.

O Nirvana sem resíduo mencionado no texto abrange os últimos dois dos quatro tipos de Nirvana.

Embora os Bodhisattvas conduzam inumeráveis seres à extinção, na realidade não há seres viventes a atravessar. Esta é a manifestação da substância perfeita e a grande função do prajna. A substância do prajna da marca real é sem a menor desigualdade. Conforme é dito posteriormente no sutra: “Esse Dharma é liso e plano, sem altos ou baixos”. A função do prajna contemplativo é originalmente sem uma marca; conforme o texto seguinte diz: “Aqueles que renunciaram a todas as marcas são Budas”.

Se um Bodhisattva atravessa seres viventes e ainda se apega a um eu que lhes atravessa, as quatro marcas ainda não estão vazias, e o falso coração ainda não foi subjugado. Tal pessoa vira as costas para o prajna e torna-se envolvida pelas quatro marcas que se unem para formar um eu. A marca do eu é a raiz de todas as marcas. Se alguém pode transformar a ilusão em torno de si, então ele pode conduzir (atravessar) os seres viventes ao Nirvana. Ele pode apartar-se das quatro marcas, subjugar seu coração, e assim tornar-se um verdadeiro Bodhisattva.

Sutra Diamante – Capítulo 3 –A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.

Original

O Voto dos Bodhisattvas

O Sutra:

O Buda disse a Subhuti: “Todos os Bodhisattvas Mahasattvas devem assim subjugar seus corações com o voto: ‘Devo fazer com que todos os seres viventes – aqueles nascidos de ovos, nascidos do útero, nascidos da umidade, e nascidos pela transformação; aqueles com forma, aqueles sem forma, aqueles racionais, aqueles irracionais, aqueles não totalmente dotados de raciocínio, aqueles não totalmente desprovidos de raciocínio – entrem no Nirvana não-residual e sejam conduzidos à extinção’. Todavia, dentre os inumeráveis e ilimitados seres viventes que assim forem conduzidos à extinção, não há de fato um (único) ser vivente que tenha sido conduzido à extinção. Por quê? Subhuti, se um Bodhisattva possui a ideia do eu, a ideia de outros, a ideia de seres viventes, ou a ideia de uma vida, ele não é um Bodhisattva.”

Comentário:

O Buda disse a Subhuti como todos os Bodhisattvas devem subjugar os seus corações (mentes). Todos pode significar “muitos”, todo o séquito de Bodhisattvas, ou pode referir-se a cada Bodhisattva individual; ou pode referir-se a um Bodhisattva em particular. Muitos é apenas um, e um é como muitos.

Dois vêm a ser com base na existência de um. Somando um, dois, três … oito, nove, dez, e assim por diante, surgem muitos. Assim, diz-se que Todos significa um.

“Qual um?”

O Bodhisattva que subjuga seu coração. E se você realmente quer saber quem é aquele Bodhisattva, você é aquele Bodhisattva.

Embora isso possa parecer sem princípio, na verdade, não há um princípio que possa ser expresso. Se você realmente deseja saber quem o Bodhisattva é, você mesmo deve tornar-se aquele Bodhisattva. Se você, como uma pessoa comum, acredita que você pode tornar-se um Buda, quão mais facilmente você poderia tornar-se um Bodhisattva!

Sutra Diamante – Capítulo 3 –A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.

Original

A Palavra Paramita

Paramita. Alguns dizem que é tão doce quanto o abacaxi. Não apenas isso, é o mais doce dos doces. É a separação do sofrimento e a consecução do êxtase. Sempre que uma tarefa é bem realizada, as pessoas da India dizem que está “paramita”, da mesma forma que dizemos que está “concluída”. Porém, “paramita” significa mais do que “concluída”, significa que a tarefa foi perfeitamente realizada.

Paramita significa “alcançar a outra margem”. Se você pega uma ponte ou uma embarcação de São Francisco para Oakland, a sua chegada a Oakland é “paramita”. O recebimento de um certificado de promoção da escola fundamental é “paramita”. A obtenção do diploma da escola superior é “paramita”. A colação do grau de Bacharel é “paramita”. Os graus de Mestrado ou Doutorado, também são “paramita”. No presente nós estamos “nesta margem” do nascimento e da morte. Atravessando o mar do sofrimento, podemos alcançar a outra margem do Nirvana. Isto também é “paramita”.

Todas as coisas podem ser “paramitadas”. Por exemplo, uma pessoa dedica-se à prática da meditação dhyana. O dia em que essa pessoa descortinar a iluminação será o dia do paramita. A Sessão de Palestras e Cultivo do Sutra Surangama no verão de 1968 foi um outro exemplo. O dia em que ela começou foi “esta margem”. Cento e seis dias depois foi Mahaprajnaparamita. Em geral, qualquer trabalho bem realizado e feito completamente é chamado Paramita.

Agora, estamos todos estudando o Budadharma. No início é difícil compreender, e dessa forma, algumas pessoas vêm ao Salão de Palestras e não se atrevem a voltar, temendo a extrema dificuldade na prática. Necessita-se primeiro de boas raízes, e então necessita-se paciência. Aqueles que continuam a cultivar vêm a perceber que o Budadharma é a mais importante coisa no mundo. “Se eu não compreendo o Budadharma é como se eu não tivesse comido o suficiente. Eu devo ouvir os sutras e dar ouvido ao dharma. É mais delicioso que a mais fina iguaria do melhor restaurante”. Se a audição dos sutras puder ser colocada no lugar do prazer em nosso coração, então, quando se tiver ouvido atentamente todo o sutra, aquilo também é paramita.

Abacaxi “bwo lwo gwo”, e paramita “bwo lwo mi”, contêm os mesmos caracteres “bwo lwo”. “Mi” significa “doce”, e disto vem o trocadilho, doce como abacaxi.

Original

O Buda Entra no Nirvana

A noite veio. Os habitantes de Kusinagara (Kushinagar) tinham ouvido que o Mestre estava reclinado sob as duas árvores gêmeas, e foram em grandes multidões para prestar-lhe homenagem. Um velho eremita, Subhadra, apareceu e, curvando-se diante do Mestre, professou sua crença no Buda, na Lei e na Comunidade; e Subhadra foi o último dos fiéis que teve a alegria de ver o Mestre face à face.

A noite era bela. Ananda ficou sentado ao lado do Mestre. O Mestre disse:

“Talvez, Ananda, você pense: ‘Não temos mais um Mestre’. Mas você não deve pensar isto. A Lei permanece, a Lei que eu lhe ensinei; deixe que ela seja seu guia, Ananda, quando eu não estiver mais com você.”

Ele disse novamente:

“Verdadeiramente, oh Monges, tudo o que é criado deve perecer. Nunca deixem de lutar.”

Ele já não estava neste mundo. Sua face era de ouro luminoso. Seu espírito ascendeu aos reinos do êxtase. Ele entrou no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através dos céus.

Próximo às muralhas da cidade, ao amanhecer, os habitantes de Kusinagara construíram uma grande pilha funeral, como se fosse para um rei do mundo, e lá cremaram o corpo do Bem-Aventurado.

Parinirvana do Buda

Parinirvana do Buda em gravura Japonesa do século 17.

Veja também Kushinagar, o Parinirvana do Buda.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Remissão de Ananda

Ananda estava chorando. Ele afastou-se para esconder as suas lágrimas.

Ele pensou: “Pelos muitos erros que cometi, e que ainda não foram perdoados, serei culpado por muito mais erros. Oh, ainda estou longe do objetivo da santidade, e ele que sente piedade de mim, o Mestre, está prestes a entrar no Nirvana.”

O Mestre o chamou de volta, e disse:

Não se aflija, Ananda, não desespere. Lembre-se de minhas palavras: de tudo o que nos encanta, de tudo que amamos, devemos nos separar um dia. Como pode aquele que é nascido ser senão inconstante e perecível? Como pode o que é nascido, como pode o que é criado, durar para sempre? Você me tem honrado muito, Ananda; você tem sido um amigo devotado. Sua amizade foi feliz, e você foi fiel à ela em pensamento, na palavra e na ação. Você tem feito um grande bem, Ananda; continue no caminho correto, e você terá perdoados seus erros passados.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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