Aquele que Alcança a Outra Margem

A Natureza de Buda

Foto de Diego Raphael – Sítio da Dôra em 20/03/2011

“Oh bom homem! Alcançar a outra margem pode ser comparado ao Arhat, o Pratyekabuda, o Bodhisattva, e o Buda. Isto é como a tartaruga devota, que pode movimentar-se tanto na água quanto na terra. Por que empregamos o exemplo da tartaruga? Porque ela realmente recolhe as cinco coisas [isto é, membros e cabeça]. É o mesmo com o Arhat até o Buda, que realmente recolhem os cinco sentidos orgânicos. Por isso se faz a comparação com a tartaruga

Dizemos água e terra. Água pode ser comparada ao mundo, e terra a abandonar o mundo secular. É o mesmo com essas pessoas sagradas, também. Elas de fato alcançam a outra margem, na medida em que meditam profundamente sobre as más impurezas. Por isso, a comparação é feita com o movimentar-se tanto na água como na terra.

Oh bom homem! Os sete tipos de seres no Rio Ganges possuem o nome da tartaruga. Mas eles não se separam da água. Assim, no caso desse Todo-Maravilhoso (Sutra do) Grande Nirvana, lá surgem sete diferentes nomes, desde o icchantika até todos os Budas. Mas esses não se separam da água da Natureza de Buda. Oh bom homem! Com esses sete seres, seja no que concerne ao Dharma Maravilhoso, ao não-Dharma Maravilhoso, aos meios, à Via da Emancipação, à Via Gradual, à causação ou resultado, todos (eles) são a Natureza de Buda. Eles são as palavras do Tathagata que vêm da sua própria e livre vontade.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

Quando Falo da Minha Própria e Livre Vontade

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Aquele que Sai e Então Permanece Lá

“Dizemos que uma pessoa se vai e então permanece lá. Isto pode ser comparado ao Anagamin que, tendo compartilhado da comida, permanece lá. Há dois tipos desse Anagamin. Um é aquele que agora atingiu a fruição do Arhatship e, praticando ainda mais a Via, ganha mais a fruição do [estagio do] Arhat. O outro é aquele que adere avidamente ao Samadhi do Silêncio do mundo da forma e não-forma. Essa pessoa é chamada Anagamin. Ela não ganha um corpo do mundo do desejo.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

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Aquele que Olha Tudo ao Redor e Então se Vai

“Dizemos que a pessoa olha tudo ao redor e então se vai. Esse é o Sakrdagamin. Sua mente é totalmente orientada para a Via, ele pratica a Via, e no sentido de cortar a cobiça, a ira, a ignorância e a arrogância, ele, como o peixe ‘timi’, olha ao redor, e então se vai à busca de comida.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

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Aquele que Flutua e Olha Tudo ao Redor

“Oh bom homem! Um homem monta um cavalo, e ele tanto o ama quanto o açoita. É assim. É também o mesmo com a mente que esquenta. Devido ao desejo, a vida é obtida, e devido ao abandono [a renúncia], medita-se. Por essa razão, é uma coisa do ‘é’. Embora seja uma coisa criada, ela representa o Caminho Correto. Aqueles que adquirem o aquecimento são de 73 tipos, e os 10 do mundo do desejo. Essas pessoas são todas trajadas em impurezas. Vão de um décimo até nove décimos. Como no caso do mundo do desejo, as coisas vão do primeiro dhyana até o céu da irreflexão-não-irreflexão. Dizemos que há 73 tipos. Essa pessoa, ao adquirir o aquecimento, nunca corta as raízes do bem, comete os cinco pecados mortais, ou as quatro graves ofensas.

Há dois tipos dessas pessoas. Um se associa com um Bom Amigo, e o outro com um mau amigo. Aquele que se associa com um mau amigo flutua por um tempo, mas afunda novamente. Aquele que se associa com um Bom Amigo olha tudo ao redor. Olhar ao redor se refere à ‘altura-superior’ [‘murdhana’ – esse dharma superior é uma fruição da prática semelhante ao pico superior de uma montanha, que ao mesmo tempo é o ponto mais alto, mas também é crucial para a queda ou retroação. É um estágio da prática na categoria Hinayana – por Kosho Yamamoto]. A natureza desse estágio ainda é da classe dos cinco skandhas, e ainda está relacionada às Quatro Verdades. Portanto, pode-se ver tudo ao redor. Após o estágio da ‘altura-superior’, a pessoa atinge o da ‘cognição’ [isto é, um estágio da prática no qual se obtém cognição da natureza das Quatro Verdades, e a partir do qual alguém não retroage mais. Há vários graus nesse estágio – por Kosho Yamamoto]. Este é o caso com o estágio da cognição, também. A natureza é dos cinco skandhas, mas está relacionado com as Quatro Verdades. Essa pessoa, a seguir, alcança o laukikagradharma [‘primeira raiz do bem do mundo’], que é da natureza dos cinco skandhas e tem relações causais com as Quatro Verdades. A pessoa, gradativamente, ganha a ‘cognição do sofrimento’. A natureza da Sabedoria efetiva (põe em prática) a relação causal da Primeira Verdade. Ao colocar em prática a relação causal da Verdade da Cognição, a pessoa corta as impurezas e atinge o [nível do] Srotapanna. Este é o quarto estágio da visão de tudo ao redor nas quatro direções. As quatro direções são nada mais que as Quatro Verdades.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

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Aquele que Flutua e Permanece

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Tigela de donativos dos Monges ao esmolar. Imagem via Wikipedia

“O segundo tipo de pessoa compreende profundamente que ela não é perfeita na ação. Sendo não perfeita, ela se associa com um Bom Mestre da Via. Associando-se com um Bom Amigo, ela sente prazer em procurar aprender o que ela ainda não ouviu. Ao ouvi-lo, ela sente prazer em agir da maneira ensinada. Tendo recebido [essas instruções], ela sente prazer em meditar. Ao pensar bem a respeito, ela passa a viver de acordo com o Dharma. Como ela persiste no Dharma, o bem aumenta. Como o bem aumenta, ela não afunda mais. Isto é ‘permanência’.

Quem da Sangha são aqueles que correspondem a essa descrição? Eles são esses cinco Monges como Shariputra, Mahamaudgalyayana, Ajnatakaundinya e outros, os cinco Monges do grupo dos Yasas, e esses outros como Aniruddha, Kumarakashyapa, Mahakashyapa, Dasabalakashyapa, a Monja Kisagotami, a Monja Utpala, a Monja Superior, a Monja Verdadeiro-Significado, a Monja Manas, a Monja Bhadra, a Monja Pureza, a Monja Não-Retroação, o Rei Bimbisara, o homem rico Ugra, o homem rico Sudatta, Mahanama, o homem pobre Sudatta, o filho do homem rico Upali, o homem rico Jo, a Monja Destemida, a Monja Supratistha, a Monja Amante-do-Dharma, a Monja Valorosa, a Monja Céu-Conquistado, a Monja Sujata, a Monja Corpo-Perfeito, a Monja Vaca-Conquistada, a Monja Deserto, a Monja Mahasena. Todos esses Monges, Monjas, Leigos e Leigas podem bem ser chamados de ‘residentes’ [isto é, aqueles que permanecem].

Por que dizemos ‘permanece’? Porque essa pessoa sempre vê realmente a boa luz. Assim, quer o Buda tenha aparecido ou não no mundo, essa pessoa nunca faz maldades. Esse é o porquê dizemos ‘permanece’. Isto é como no caso no qual o peixe ‘timi’ busca a luz, não afunda e se esconde. Com todos esses seres, as coisas se procedem assim. Esse é o porquê Eu digo nos sutras:

‘Se uma pessoa realmente discerne os significados,
e com um pensamento intensivo busca
a fruição de um Shramana,
e se uma pessoa realmente exprobra todas as existências,
essa pessoa é alguém que vive
em concordância com o Dharma.

Se uma pessoa faz oferecimentos a inumeráveis Budas
e pratica a Via por inumeráveis kalpas,
e se abençoada com prazeres mundanos,
essa pessoa é alguém que reside no Dharma.

Se uma pessoa faz amizade com um Bom Mestre da Via,
ouve o Dharma Maravilhoso,
e se tem um bom pensamento em sua mente,
vive de acordo com a Via,
e busca a luz e pratica a Via,
aquela pessoa atinge a Emancipação
e vive em paz’.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

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Aquele que Afunda e Flutua Novamente

“Oh bom homem! Eu digo: ‘O icchantika é alguém que afunda eternamente, mas há icchantikas que não caem na classe daqueles que afundam eternamente’. Quem são esses? Isto é como no caso onde, em prol do ‘é’, a pessoa pratica doação, shila [preceitos de moralidade], e o bem. Esse é alguém que não está eternamente afundado.

Oh bom homem! Há instâncias onde quatro boas coisas evocam maus resultados. Quais são as quatro? Elas são: 1) ler e recitar os sutras de modo a estar acima dos outros, 2) observância das proibições e preceitos em prol do lucro, 3) doar porque (aquilo) pertence a outros, 4) instigar a própria mente, e meditar em prol de alcançar o estado mental de Irreflexão-não-Irreflexão. Essas quatro (coisas) evocam maus resultados. Este é o porquê falamos de alguém que pratica e acumula essas (coisas), que ele afunda e flutua novamente. Por que dizemos que ele afunda? Porque ele aprecia as três existências [isto é, kamadhatu, rupadhatu, e arupadhatu – que são os mundos do desejo, da forma, e do espírito (não-forma)]. Por que dizemos que ele flutua? Porque ele vê a luz. A luz corresponde à sua audição [do Dharma], observância dos preceitos, doação, e sentar em meditação.

Por que dizemos que a pessoa afunda? Porque ela cresce em más visões e adquire arrogância.

Por isso, Eu digo no sutra:

‘Se os seres buscam todas as existências (dos três mundos)
e cometem ações boas e más pela existência,
essas pessoas perderão o caminho para o Nirvana.
Este é o porquê dizemos que
a pessoa temporariamente flutua mas afunda novamente.
Ela veleja no oceano escuro do nascimento e da morte,
pode ganhar Emancipação
e acabar com as impurezas.
Mas a pessoa sofre novamente pelas más retribuições.
Isto é flutuar temporariamente
somente para afundar novamente’.

Oh bom homem! Isto é como no caso do Grande Peixe que flutua sobre a água por um tempo, quando ele vê a luz, mas como seu corpo é pesado, afunda-se novamente. Isto é como as coisas se procedem com a segunda pessoa mencionada acima.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

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Aquele que Sempre Afunda

Relics of Nagarjuna, 500 Arhats, Kasyapa Buddh...

Relíquias de Nagarjuna, 500 Arhats, Kasyapa, Relíquias do Tibet - Exposição em Guadalajara - México. Image by Wonderlane via Flickr

“Oh bom homem! Neste Todo-Maravilhoso Rio do Grande Nirvana, vivem sete tipos de seres. Há desde o primeiro – que sempre afunda – até o sétimo. Dentre esses, alguns afundam e alguns flutuam.

Falamos de alguém que sempre afunda. Isto se refere a alguém que ouve isto ser dito: ‘Este Sutra do Grande Nirvana estabelece que o Tathagata é Eterno, Imutável, e é Êxtase, o Eu, e o Puro; que ele não entra definitivamente no Nirvana; que todos os seres possuem a Natureza de Buda; que o icchantika, os caluniadores dos Sutras Vaipulya, aqueles que cometeram os cinco pecados mortais, aqueles culpados das quatro ofensas graves, todos realizarão a Via da Iluminação; que o Srotapanna, o Sakrdagamin, o Anagamin, o Arhat, e o Pratyekabuda infalivelmente alcançarão a Iluminação Insuperável’. Ao ouvir isto, essa pessoa não acredita, mas pensa para si: ‘Esse Sutra do Nirvana é algo que pertence aos tirthikas e não é um Sutra Budista’. Essa pessoa, então, se afasta da Via, e não dá ouvido ao Dharma Maravilhoso. Às vezes, pode acontecer de ouvir [o Dharma], mas ela não pode ter um bom pensamento. Ela pode pensar, mas não um bom pensamento. Como não tem um bom pensamento, persiste no mal. Persistir no mal tem seis formas, as quais são: 1) o mau, 2) o não-bom, 3) o dharma impuro, 4) a valorização do ‘é’, 5) preocupar-se de forma acalorada [isto é, tornar-se infernalmente quente com a preocupação], 6) receber más retribuições. Isto é afundar.

Por que é afundar? Quando uma pessoa não tem uma boa mente, quando ela sempre comete o mal, quando ela não pratica a Via, chamamos isso de ‘afundamento’.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 41 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 2.

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Erwin Schrödinger

Description : Erwin Schrödinger, Austrian phys...

Erwin Schrödinger (1887 - 1961) - Imagem via Wikipedia

Viena, no começo do século XX, era uma cidade alegre e despreocupada. Tomava-se muito chá com bolo em superlotadas confeitarias. Ouvia-se muita valsa e muita opereta de Strauss. Como toda a Europa, Viena vivia gozando as delícias da “belle époque”.

Nesse cenário de opereta, algumas pessoas mais sensíveis preferiam ficar à margem, pois eram capazes de sentir o leve odor de decadência que emanava daquelas frivolidades mundanas e da melancolia dos parques barrocos no outono. Especialmente um jovem loiro, de modos simples, temperamento moderado e olhos muito vivos, que ali nascera a 12 de agosto de 1887. Ele contemplava a comédia que se desenrolava à sua volta, certamente com uma ponta de sutil ironia, posto que era extremamente inteligente e começava a tomar contato com alguns problemas graves na ciência que escolhera para especializar-se. E passaria a ser um dos protagonistas do que Einstein chamou “o grande drama das idéias”.

O drama começara noutro tempo e noutro cenário. O prólogo foi escrito 2300 anos antes por Aristóteles, quando formulou a doutrina segundo a qual todo movimento está ligado a uma força: quando esta cessa de agir, o corpo chega à imobilidade. Era uma concepção puramente intuitiva que seria posta em xeque no século XIV, com o trabalho de Buridan e outros cientistas da Escola de Paris. Transcorreriam ainda três séculos para que fosse definitivamente destronada, encerrando a pré-história da física.

O primeiro ato, propriamente dito, será escrito no século XVII com a figura gigantesca de Galileu, que inicia a mecânica clássica, e Isaac Newton, que constrói um sólido edifício cuja coluna de sustentação é a lei da inércia. Sobre esse alicerce firme e uma rigorosa metodologia experimental e matemática, os físicos puderam elaborar uma mecânica que está na base de todo o conhecimento do Universo. A astronomia de Laplace levou-a ao seu máximo esplendor.

O cenário do drama estava, agora, pintado em cor-de-rosa. Mas não iria continuar assim por muito tempo. Outros fenômenos como os eletromagnéticos e os da propagação do calor e da luz, iriam entrar em cena, abrindo uma crise. Entre a mecânica newtoniana e a nova havia uma diferença essencial: enquanto esta última se refere a “meios contínuos”, a primeira, que abrangia astros, projéteis e balísticas, falava em “pontos materiais” descontínuos. Essa diferença iria causar sérias dificuldades. Apesar disso, tal era a perfeição da mecânica clássica, e tão espetaculares os seus resultados, que os físicos puseram-se a aplicá-la aos novos campos.

Entre eles, James Clerk Maxwell (1831-1879) conseguiu colocar alguma ordem na física das ondas eletromagnéticas, encontrando as equações que regulavam todos os fenômenos conhecidos, nesse campo, com a mesma segurança com que as de Newton descreviam os fatos da astronomia.

A crise, entretanto, irrompeu quando as equações de Maxwell se revelaram incapazes de tratar tanto os fenômenos eletromagnéticos e mecânicos nos quais os movimentos tinham velocidade próxima à da luz, quanto os fenômenos da física microscópica.

Abria-se assim a oportunidade para que outros protagonistas entrassem em cena, a fim de mudar o curso da ação. Um deles, chamado Albert Einstein, encarregou-se da questão dos movimentos dos corpos que se aproximam da velocidade da luz. A partir das equações de Maxwell, foi levado à crítica das idéias de espaço e tempo e formulou a teoria da relatividade.

O outro era aquele jovem loiro, de modos simples, temperamento moderado e cujos olhos vivos começavam a esconder-se atrás de lentes em armação de ouro. Chamava-se Erwin Schrödinger.

O papel que lhe ficara reservado no drama era resolver a impossibilidade de tratar os fenômenos microscópicos por meio das equações da mecânica clássica. Esse problema podia ser formulado assim: por que os elétrons deviam mover-se apenas em órbitas com certos valores definidos e distintos da energia e do momento angular?

Nenhuma particularidade da estrutura das equações clássicas permitia a explicação do fato. As hipóteses formuladas por Bohr e Sommerfeld pareciam adequadas para solucionar o problema particular do átomo de hidrogênio, mas não para construir uma teoria que abrangesse todos os fenômenos microscópicos.

Schrödinger encontrou a pista para a solução no trabalho de Louis de Broglie. Este físico francês tinha, em 1924, descoberto o duplo comportamento da matéria. Um elétron, por exemplo, pode comportar-se ora como partícula material, ora como feixe de ondas, e o comprimento destas depende de sua quantidade de movimento. A matéria apresenta-se, portanto, sob dupla forma, como corpúsculo ou como onda. A relação estabelecida por Broglie, no entanto, descrevia apenas o comprimento de onda das partículas, não estabelecendo sua equação fundamental. De qualquer modo, estava ali a chave com a qual Schrödinger iria abrir as portas para a criação da mecânica quântica.

Em sua inteligência astuta, surgiu uma interrogação: se as partículas microscópicas comportam-se como ondas, quando se movem no espaço, porque então não procurar descrever seu movimento de ondas, ao invés de átomos, e abandonar completamente o caminho seguido pelas equações newtonianas da mecânica dos pontos materiais, encontrando para esse movimento equações do tipo das de Maxwell?

Com esse fio condutor, Schrödinger lançou-se ao trabalho, tentando identificar, no comportamento das partículas, as propriedades que permitissem estabelecer sua equação de onda. Chegou então à famosa equação que recebeu seu nome, vindo a ser a fórmula básica da mecânica ondulatória, e valendo-lhe a obtenção do prêmio Nobel, juntamente com o físico inglês Paul Dirac, em 1933.

Equação de Schrödinger

A honraria vinha coroar uma brilhante carreira universitária, que se iniciara na Universidade de Viena, onde se formou e depois lecionou até 1920, quando se transferiu para Jena. O mesmo ano vai encontrá-lo como professor extraordinário na Technische Hochschule de Stuttgart, e no ano seguinte nas universidades de Breslau e Zurique. Em 1927 sucede a Max Planck, criador da mecânica quântica, na Universidade de Berlim, e participa do Kaiser Wilhelm Institute, organização científica excepcional, que congregava os maiores cientistas da época.

Seu trabalho nos domínios da física foram além da criação da mecânica ondulatória, muito embora esta permaneça como seu maior feito. Pesquisou desde o campo das vibrações até o do calor específico dos cristais, da mecânica quântica à espectroscopia e à teoria dos campos.

Mas sua inteligência criadora não parou aí. Movido por uma visão sintetizadora do conhecimento científico, penetrou na esfera da biologia, até então separada da física por um abismo. Em 1945 vem à luz o resultado de seus esforços para compreender os seres vivos, quando publica What is Life?, onde sugere uma hipótese para explicar o que os físicos chamam de salto, e os biólogos de mutação. Sustenta que, à luz da mecânica quântica, é legítimo admitir que um novo arranjo estrutural determina o sucessivo desenvolvimento de um organismo vivo. Com esse trabalho tornou-se um dos precursores da biofísica.

Indo além do plano das ciências naturais, penetrou no universo da reflexão filosófica numa série de conferências proferidas na Universidade de Dublin, e posteriormente editadas sob o título Science and Humanism, em 1951. Com elegância de estilo, clareza de idéias e simplicidade de exposição, aborda o problema das implicações teóricas e morais da nova física, especialmente o “princípio das incertezas de Heisenberg”, segundo o qual não é possível determinar, simultaneamente, a posição e a velocidade de um elétron. Com admirável isenção, refuta os colegas que consideravam o princípio das incertezas como uma questão subjetiva. Quanto à sua vinculação com o livre arbítrio, lembrando Cassirer, mostra como uma coisa nada tem a ver com a outra. Primeiro, porque a mecânica quântica só é indeterminista quando aplicada a fenômenos isolados, e segundo, porque a conduta humana, em sua globalidade, não deixa lugar para a estatística.

Um intelecto privilegiado como o de Schrödinger, que não se limitava a uma especialidade, mas se preocupava com o saber como um todo, que procurava tornar o conhecimento do mundo físico parte de uma visão humanista muito mais ampla, não poderia deixar de ser um cientista incômodo ao sistema social e político, que começava a carregar as nuvens da Europa de então. O nacional-socialismo toma o poder na Alemanha em 1933 e Schrödinger é obrigado a deixar a cátedra de física da Universidade de Berlim. Dirige-se então para Oxford, na Inglaterra, e Graz, na Áustria, que também é obrigado a deixar, logo após sua anexação pelos nazistas. Aceita então o convite de Eamon de Valera, primeiro-ministro irlandês, e torna-se “professor senior” do Institute for Advanced Studies de Dublin. Na Irlanda, sua segunda pátria, permanece até 1956, quando retorna a Viena, onde vem a falecer em 4 de janeiro de 1961.

Informações obtidas em http://geocities.yahoo.com.br/saladefisica9/. Por razões que desconheço, esse site não está mais disponível.

Sutra do Nirvana – Cap. 37 – Bodhisattva Rugido do Leão 5

“Oh bom homem! Uma pessoa pode muito bem aproximar-se do Buda e seus discípulos. Mas ainda haver uma grande distância. Todos os Licchavis disseram: ‘Sabemos que somos indolentes. Por quê? Se não fôssemos indolentes, o Tathagata, o Rei do Dharma, apareceria entre nós’.

Então, em meio aos congregados, havia o filho de um Brâmane chamado Insuperável, que disse a todos os Licchavis: ‘Bem falado, bem falado! É tudo como vocês dizem. O Rei Bimbisara obteve uma grande vitória. O Tathagata Honrado pelo Mundo apareceu em seu país. Isso é como o caso de um grande lago no qual o Lótus Maravilhoso cresce. Embora cresça na água (lodo), a água não pode maculá-lo. Oh vocês Licchavis! É o mesmo com o Buda. Embora nascido na terra, ele não é obstaculizado pelo que se obtém no mundo secular. Com o Buda Honrado pelo Mundo, não há aparecimento e desaparecimento (ou nascimento e extinção). Para o benefício de todos os seres, ele aparece no mundo, e não é molestado pelo que se obtém no mundo. Vocês perderam o seu caminho, perderam-se nos cinco desejos, associaram-se a eles, mas não sabem como se associar ao Tathagata e vir para onde ele está. Portanto, dizemos indolentes. Quando o Buda apareceu em Magadha, não havia indolência para se falar a respeito. Por que não? O Tathagata Honrado pelo Mundo é como o sol e a lua. Ele não aparece no mundo apenas para uma ou duas pessoas’.

Leia mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 37, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 5.

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Sutra do Nirvana - CAPITULO 37

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Destaques deste Capítulo:

O MENINO INSUPERÁVEL 8
O FILHO DO FOGO 10
AS ONZE VIRTUDES DA LUA-CHEIA 21
O ADORNO DAS ÁRVORES SALA GÊMEAS 22
A CAVERNA DO PROFUNDO DHYANA 28
O SAMADHI DA AMORFIA 29

O Japão Que Emerge Será Melhor

O Japão que emerge será melhor

Foto de Marcos Ubirajara em 12/03/2011

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