Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável

Em ‘Cultivares de um Sábio para a Sabedoria Insuperável’

PI, quando você fala conhecimento, pode dar a impressão de que se trata de algum grau de desenvolvimento intelectual, ou algo que se possa encontrar em obras literárias mundanas, ou até mesmo nos sutras.

PI, esse conhecimento que conduz à Sabedoria Insuperável vem por si próprio. É fruto da observação, meditação e apreensão dos ensinamentos budistas. A raiz desse conhecimento está na da pessoa que procura um Bom Mestre da Via, acata e respeita as injunções que lhe são impostas, e pratica a meditação, seja essa meditação ativa ou passiva (silenciosa). Tudo isto acontece se a pessoa tiver uma grande . Por quê? Porque a prática requer esforços continuados, para os quais, nem sempre, se obtém uma resposta na forma de benefícios conspícuos. Portanto, .

O cultivo de uma genuína requer Coragem. Por quê? Porque a Prática da Via Sagrada abre os olhos da pessoa, e apura os seus demais sentidos, expondo-lhe uma verdade nunca dantes conhecida, e que pode desfazer as muitas ilusões que acalentam os sonhos daquela pessoa. Todavia, e dentro das Quatro Nobres Verdades, a Prática da Via expõe-lhe o caminho para uma Felicidade verdadeira e duradoura.

Por que Paciência? Porque essa Sabedoria vem por si própria. E aqui, oportunamente, gostaria de citar uma passagem do Sutra do Grande Nirvana, a qual diz respeito à consecução do Brilho da Sabedoria.

O Brilho da Sabedoria

“Oh bom homem! A pessoa sábia pensa profundamente sobre o mundo. Ela vê: ‘Ele não é um lugar para se refugiar, para adquirir Emancipação, quietude, amor, não é a outra margem, e nada tem do Eterno, Êxtase, do Eu, e do Puro. Se eu procurar o mundo avidamente, como posso afastar-me dele? Isto é como com um homem que, abominando a escuridão, busca a luz e, no entanto, volta novamente para a escuridão. A escuridão é o mundo; a luz é o Supramundano. Se eu aderir ao mundo, mergulharei na escuridão e me afastarei da luz. Escuridão é ignorância, e luz é o Brilho da Sabedoria. A causa do Brilho da Sabedoria é a imagem onde não se sente qualquer expectativa de deleitar-se nas coisas mundanas. Toda a cobiça nada mais é que o laço da impureza. Agora buscarei avidamente a luz da Sabedoria, e não o mundo’. A pessoa sábia medita assim. Essa é a imagem onde não se busca (nada) para si.”

Sutra do Nirvana, CAP. 44 – O Bodhisattva Kashyapa 5.

 

Selo Comemorativo

Simetria Pura

Em ‘Simetria Pura’

PI, a Simetria Pura é uma propriedade do Cristal Perfeito, portanto, inconcebível. O Cristal Perfeito não tem bordas ou arestas, nem peso, nem medida em quaisquer direções, nem discordâncias, nem impurezas, nem lugares próprios, nem lacunas ou intersticiais; portanto, inconcebível.

Simetria Pura é Equanimidade que, para nós humanos, é inconcebível. Como já mencionada aqui, a equanimidade é uma das quatro mentes ilimitadas, a saber:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], compaixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equanimidade [‘upeksha’].”

Isto pertence ao mundo dos Budas e Bodhisattvas. A passagem do Sutra do Nirvana abaixo nos lembra disto:

Quando o Bodhisattva-Mahasattva pratica a mente de equanimidade, ele atinge o estágio do Todo-Vazio Todo-Igual, e torna-se como Subhuti. Oh bom homem! Quando o Bodhisattva-Mahasattva reside no ‘bhumi’ do Todo-Vazio Todo-Igual, ele não mais vê pais, irmãos, irmãs, filhos, parentes, bons amigos da Via, inimigos, aqueles que são hostis ou amigáveis, aqueles que nem são amigáveis e nem antagônicos, até os cinco skandhas, os dezoito reinos, as doze esferas, seres, e vida. Oh bom homem! Como uma ilustração, é como o espaço, no qual não vemos pais, irmãos, esposa e filhos, até seres e vida. O mesmo é o caso com relação a todas as coisas. Não pode haver pais e vida. Assim o Bodhisattva-Mahasattva vê todas as coisas. Sua mente é toda-igual (equânime) como o espaço. Por quê? Porque ele pratica completamente o Dharma do Vazio [‘shunyata’].”

Sutra do Nirvana, Capítulo 22 – Sobre Ações Puras 2.

Selo Comemorativo

PI e o Pé de Feijão – Episódio 5

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 5’

Chamamo-la Lei do Carma. É inexorável no sentido que aparte das relações causais, o meio-ambiente se assim o prefere, não há nenhum ser sobre o qual falar, e há sim uma interdependência entre todos os seres através do passado, do presente e do futuro. Essa interdependência também pode ser atribuída à Lei do Carma, ou Lei da Causalidade, ou Lei da Causa e Efeito.

Só não concordo com a ideia de que o ciclo se fecha inexoravelmente. Isto ocorrerá sempre nas vidas dos mortais comuns, atados ao ciclo do nascimento e da morte pelo desejo, e que não conseguem atravessar o mar do sofrimento. Mas, podemos dizer que saímos da semente e terminamos no Nobre Caminho Óctuplo, não podemos? Aí o ciclo se abre, rompem-se as amarras da ilusão, atinge-se a outra margem, escapa-se do sofrimento e servidão do ciclo do nascimento e da morte. Esse é o ensinamento consubstanciado aqui, nesta simples história em quadrinhos protagonizada por dois simples ideogramas.

Sabe! Estou bem como um simples ideograma, PI.

Selo Comemorativo

PI e o Pé de Feijão – Episódio 4

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 4’

(*) Então, a boa semente é resultado de uma boa relação entre a fruta e os cinco elementos. De novo o meio-ambiente? Sim, e mais os cuidados com a seleção do tempo certo para a colheita, o qual deverá estar em harmonia com os cinco elementos. Sem dúvida, essa harmonia deve ser buscada significando, então, uma ação correta. Nihi!!!

E novamente você falou bem, PI! Seleção do Tempo. Há o tempo correto para o plantio, para a irrigação, adubação, escoramento e todas as demais ações de proteção; bem como o tempo correto para a ceifa, colheita, secagem e acondicionamento. O cultivador sábio conhece esse tempo.

Também o Bodhisattva, como cultivador da Via, conhece bem o tempo. A passagem abaixo fala dessa sabedoria:

“Oh bom homem! O Bodhisattva-Mahasattva conhece bem o tempo para meditação, o tempo para a Sabedoria, e o tempo para a equanimidade; ele sabe bem o que não é oportuno. Isto é como o Bodhisattva pratica bem a Via do Bodhi.”

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

Na nossa analogia do cultivo da Via Sagrada, esse conhecimento do tempo é imprescindível para a Ação Correta que, neste caso, representa o Nobre Caminho Óctuplo, exultado por todos os Budas. Mais uma vez, recorro aos ditos dourados para respaldar essa afirmação:

“Oh bom homem! Como uma ilustração: um homem está viajando através do deserto e sente sede, quando ele depara com um poço. Este é muito profundo, de tal forma que ele não pode ver a água. Mas, podemos nos certificar de que existe água lá. Se a pessoa encontrar os meios de capturar a água com uma corda e um balde, a água seguramente estará lá. É o mesmo, também, com a Natureza de Buda. Todos os seres a possuem. Mas somente através da prática do imaculado Nobre Caminho Óctuplo[1] alguém poderá realmente vê-la”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 39 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 7.


[1] Nobre Caminho Óctuplo: Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Meio de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Correta, Concentração Correta.

Selo Comemorativo

PI e o Pé de Feijão – Episódio 3

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 3’

(*) Ahá! Essa relação é ótima na presença da fertilidade, que é uma propriedade da semente, mas também do meio-ambiente. A fertilidade pode ser entendida como uma harmonia capaz de adornar a vida da planta com robustez, beleza e potencial de propagação da sua própria natureza. Essa harmonia é conferida pela Lei, mas deve ser buscada. Nihi!!!

Sim, PI. Bem falado! A fertilidade como uma propriedade inerente da semente é o seu carma passado, inscrito pelas relações causais de outrora. A fertilidade como uma propriedade do meio-ambiente é a causa presente devido às relações causais de agora. E você toca num ponto muito importante ao colocar a fertilidade, ou o conjunto das ações que operam no presente, como uma harmonia capaz de adornar a vida de um ser. Poderíamos chamar essa harmonia de ´boas ações´ na cultivação da planta, e que guarda um paralelo perfeito com todas as outras formas de vida. Como? Ora, feijão é um alimento, e alimento é vida para outras formas como a humana, apenas como exemplo. E mais sutilmente, a frase ´essa harmonia é conferida pela Lei, mas deve ser buscada´, nos diz que um bom carma passado (conferido pela Lei do Carma) pode trazer más retribuições caso não se busque as boas ações no presente. E quando se pratica a Via Sagrada, pode-se cortar eternamente os laços de servidão que nos prendem ao ciclo do nascimento e da morte anunciado acima. E para respaldar esse ponto, recorro novamente ao Sutra do Grande Nirvana, onde se lê:

“Oh você! Saiba que todos os seres têm carma do passado e a causa do presente. Embora os seres tenham o carma da vida passada, eles têm que depender das relações causais do alimento na presente vida. Oh você! Pode-se dizer que os seres sofrem as aflições e são abençoados com felicidade, e que tudo está definitivamente baseado nas causas cármicas originais da vida passada. Mas a situação não é assim. Por que não? Oh você! Por exemplo, é como quando uma pessoa acaba com o inimigo do Rei, em consequência do que ela ganha um tesouro e é abençoada com felicidade na vida presente. Essa pessoa gera a causa da felicidade nesta presente vida e colhe a recompensa da felicidade nesta presente vida. Por exemplo, isto é análogo a um homem que mata o filho do Rei e através disto perde sua vida. Essa pessoa engendra a causa do sofrimento agora, e colhe a retribuição cármica nesta presente vida. Oh você! Todos os seres, agora nesta presente vida, encontram o sofrimento e a felicidade dos quatro grandes elementos, as estações, a terra, e o povo. Esse é o porquê Eu digo que todos os seres não colhem necessariamente o sofrimento e a felicidade principalmente do seu carma passado. Oh você! Se uma pessoa pode chegar à Emancipação através das relações causais de cortar o carma, poderíamos dizer que todos os sábios não podem alcançá-la. Por que não? Porque o carma original dos seres não tem início e nem fim. Esse é o porquê Eu digo que quando se pratica a Via Sagrada, essa Via realmente acaba com o carma que não tem cabeça nem cauda.

Sutra do Nirvana – Capítulo 46 – Sobre Kaundinya 2.

Selo Comemorativo

PI e o Pé de Feijão – Episódio 2

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 2’

(*) Hum! Então, a transformação de uma entidade é proporcionada pelo meio-ambiente. Essa dosagem, esse equilíbrio na natureza seria ao acaso? Não! O desabrochar para vida parece ser dado por um único evento: causa e efeito simultâneos.

Muito bem, PI. Mas vamos chamar meio-ambiente de relações causais, e causa e efeito simultâneos de Lei do Carma. Fica melhor, você não acha?

Essa semente, por si só, não pode transformar-se, significando que ela não possui uma natureza própria, dependente que é das relações causais. Há uma passagem no Sutra do Nirvana que diz:

“Oh bom homem! Quer vejamos ou não, todas as coisas dependem das relações causais, e não pode haver qualquer conversa sobre algo que tenha sua natureza própria.

Oh bom homem! Se você diz que todas as coisas têm a sua própria natureza, e que não há relações causais, como você pode explicar os cinco grandes elementos? Esses cinco grandes elementos são nada mais que o resultado (produto) de relações causais”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 46 – Sobre Kaundinya 2.

Vejamos, então, como as coisas se procedem:

Aquela semente é um fruto (ou produto) das relações causais do passado, quais sejam a planta, a espécie, as condições e proporções com as quais contribuíram os cinco grandes elementos. Podemos dizer, segundo a Lei do Carma, que essas relações causais do passado estão inscritas indelevelmente naquela semente, e a isso chamamos de carma passado. No presente, a depender das novas relações causais, poderá desenvolver-se uma nova planta, a qual, ao frutificar, lançará as sementes do futuro, perpetuando o ciclo do nascimento e da morte. Então, o carma passado e a causa presente constituirão o carma passado da futura semente. Essas são as condições para a transformação, à qual chamamos vida, e que é um produto das relações causais.

Selo Comemorativo

PI e o Pé de Feijão – Episódio 1

Em ‘PI e o Pé de Feijão – Episódio 1’

(*) Hum! Parece que há uma Lei atuando sobre os 5 elementos. A entidade é individualizada por um tipo de harmonia entre os elementos, estabelecida pela Lei. A manifestação da Lei na entidade, entretanto, lhe dá uma natureza inerente única.

Isto significa que na formação da entidade, a Lei não apenas atua sobre os elementos, mas funde-se com eles nessa formação. Gente, que Lei é essa?

Muito provavelmente é o Carma. E isso é um ponto crucial neste livro. Por quê? Porque IZ (o Interlocutor Zen) e PI (o Principiante Incauto) não são feitos daqueles cinco elementos (terra, água, fogo, ar e kuu), são ideogramas. A tinta e o papel, que aqui podemos chamar de veículos, é que são feitos daqueles elementos, e utilizados para lhes atribuir uma expressão material. Este é o profundo significado da Prajna Literária (os sutras), sobre a qual já falamos, e que o Buda nos concede através de meios habilidosos, mas que constitui apenas um aspecto da Grande Sabedoria.

O Cristalino

Na verdade, aqueles cinco elementos constituem impurezas num estágio superior, pois seus microconstituintes, moléculas – átomos – partículas elementares, já o são num grau mais fundamental, a partir das quais se descrevem todos os fenômenos do universo conhecido. Há uma analogia que considero muito pertinente no modelo do cristalino. Naquele modelo, as assim chamadas impurezas estão para além da ideia de partículas elementares, abrangendo também distorções no espaço-tempo, discordâncias, e tudo que possa representar a quebra da simetria fundamental. A síntese dessas ideias pode ser vista no tópico chamado O Universo de Defeitos em Cristais desenvolvido no Cristalino. Entretanto, não é propósito deste livro sequer suscitar uma discussão mais aprofundada sobre isso.

O Ensino do Sutra de Lótus

No ensino do Lótus, esses cinco elementos constituem o lodo do qual emerge o Lótus Imaculado. Isto é uma metáfora, um meio hábil utilizado pelo Buda para expor a Via. No contexto desse ensino cabe perfeitamente a história da Vida do Buda, também consumada em um livro, que conta a saga do Príncipe Siddhartha Gautama, filho do Rei Suddhodana e da Rainha Maia, em busca da Grande Sabedoria e que, ao atingi-la, torna-se o Buda histórico Todo-Iluminado. Não há razões e nem espaço para dúvidas quanto à legitimidade (entenda-se como conformidade com o Dharma Maravilhoso) desse ensinamento, o qual é reputado por muitos como o mais elevado de todos os ensinos. E como um endosso, gostaria de citar, abaixo, uma passagem do Sutra de Lótus:

“Kashyapa, saiba que o Tathagata é o Rei de todas as Leis. Nada daquilo que ele ensina é falso. Ele proclama extensivamente todas as Leis através da sabedoria e dos meios hábeis, e quaisquer que sejam as Leis que ele prega, todas elas conduzem à mais profunda de todas as sabedorias.”

Sutra de Lótus – Capítulo 5 – Ervas Medicinais.

O Ensino do Grande Nirvana

No ensino do Grande Nirvana, esses cinco elementos constituem o Grande Veículo do Bodhisattva, o qual, através da prática das Ações Puras, atinge o Insuperável Bodhi. Naquele ensino, o Buda expõe o Supramundano, que está para além das marcas do ´é´ e do ´não-é´ do mundo secular. Lá, bem como já ocorrera no ensino essencial do Sutra de Lótus, o Buda descarta os meios hábeis dos ensinos provisórios e prega a Paramartha-satya (ou Realidade Última).

Você pergunta que Lei é essa, PI? Vamos chamá-la de Lei do Carma.

Selo Comemorativo

Ciência Humana

Em ‘Ciência Humana’

A ciência humana ocupa-se com a observação e compreensão dos dharmas (fenômenos), os quais são essencialmente impermanentes e transitórios. Ademais, toda a sua lógica, desde os princípios mais elementares, baseia-se na discriminação e na diferenciação daquilo que se entende como matéria e forças, portanto é uma ciência do ´é´ ou ´não é´, brutalmente apegada às marcas da existência ou não dos fenômenos que ela mal compreende. Patina sobre si mesma.

A substância do prajna da marca real é sem a menor desigualdade.

Sutra Diamante – Capítulo 3 – A Doutrina Ortodoxa do Grande Veículo.

Falemos sobre a Sabedoria (Prajna). Como citado anteriormente:

Há Três Tipos de Prajna (Sabedoria): a prajna literária; a prajna contemplativa, e a prajna da marca real. A prajna literária se refere ao Sutra. Com a prajna literária você pode dar origem à prajna contemplativa, que por seu turno habilita alguém a penetrar a prajna da marca real. Marca Real é nenhuma marca, mas não é sem marcas. Não é marca e nem sem marcas.

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma Assim – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

Prajna Literária, a Contemplativa, e a Marca Real

Sutra:

Como ela deveria ser explicada para outros? Sem apego às marcas: assim, assim, imóvel. E por quê?

Todos os dharmas condicionados
são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras,
como gotas de orvalho e um lampejo:
contemple-os assim.

Comentário:

Explicá-los extensivamente para outros refere-se à prajna literária. Sem apego às marcas refere-se à prajna contemplativa. Assim, assim, imóvel refere-se à prajna da marca real. A prajna foi discutida no início do sutra, e no fim o texto novamente faz referência à prajna.

Quando você explica um sutra para outros, você não deve apegar-se às marcas. Você não deve pensar: “Eu estou ganhando um bocado de mérito e virtude ao explicar esse verso de quatro linhas para eles”. Embora você esteja certo que seu mérito e virtude são grandes, você não deve nutrir uma marca do seu tamanho. Se o fizer, você adere às marcas e torna-se apegado a elas. Se você for capaz de evitar a adesão às marcas, então o existente é como se não-existente, e o real é como se fosse vazio. Basicamente, alguém com virtude da Via é como se fosse destituído da virtude da Via. Uma pessoa verdadeiramente educada é como se fosse destituída de educação. Isso significa que em todas as ocasiões, em todos os lugares, você deve estar livre da marca de um ‘eu’.

Assim, Assim, Imóvel é a prajna da marca real. É a verdadeira, real sabedoria. Através do princípio da talidade pode-se compreender a sabedoria da talidade, e com a sabedoria da talidade, pode-se compreender o princípio da talidade. Não há dharma que não seja assim: isso é a prajna da marca real.

O Verso Adamantino

E por quê? Por que se necessita da prajna literária, da contemplativa, e da marca real? O Buda Shakyamuni falou um verso de quatro linhas que aqueles que estudam o Sutra Diamante devem recitar regularmente:

Todos os Dharmas Condicionados,
São Como Sonhos, Ilusões, Bolhas, Sombras,
Como Gotas de Orvalho e um Lampejo:
Contemple-os assim.

Tudo é dharma condicionado. Comer, vestir, caminhar, parar, sentar, reclinar, tocar um negócio – todas as atividades são dharmas condicionados. Aqueles são exemplos de dharmas condicionados externos. Há também os Cinco Skandhas: forma, sentimento, pensamento, atividades, e consciência; os quais são dharmas condicionados. Os quatro elementos principais: terra, água, fogo e ar são dharmas condicionados. As seis raízes, as seis poeiras, os doze lugares, e os dezoito reinos são todos dharmas condicionados. Todos esses dharmas, quer sejam externos ou internos, são como sonhos, ilusões, bolhas, sombras.

Sutra Diamante – Capítulo 32 – Os Corpos de Retribuição e de Transformação são Ilusórios – Explanações do Venerável Mestre Hsüan Hua.

Selo Comemorativo

A Purificação do Carma

Em ‘A Purificação do Carma’

“Oh bom homem! Dentre os dez poderes do Buda, o poder do carma tem peso maior”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

PI, ao pensar apenas em si, será possível amenizar os resultados cármicos devidos às ações do passado, através das boas ações no presente. Mas esse será o novo carma de um Sravaka, Pratyekabuda ou, quem sabe, uma razão para o nascimento nos céus? Porém, a ação baseada na Grande Compaixão determinará o carma de um Bodhisattva, cujo mérito será transferido para o Annutara-Samyak-Sambodhi (Iluminação Insuperável) de todos os seres. Isto sim tem um peso maior, uma vez que o verdadeiro ensino do Grande Veículo destina-se aos Bodhisattvas, os verdadeiros e reais discípulos do Buda.

Você falou sobre Purificação do Carma, o que literalmente significa Purificação das Ações ou a prática de Ações Puras. O que são Ações Puras? No Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana, o Buda fala extensivamente sobre essas ações. Lá, no TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1, você encontrará os seguintes ensinamentos:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], compaixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equanimidade [‘upeksha’].”

Também naquele capítulo, mais adiante, você saberá sobre a prática do amor-benevolente, a qual abrange todas as outras:

A Prática do Amor-Benevolente

E para o benefício de Kashyapa, ele disse num gatha:

“Se não se sente a ira,
mesmo contra um simples ser,
e roga-se para dar felicidade a esses seres,
isto é amor-benevolente.
Se sente-se compaixão
por todos os seres,
isto é a semente sagrada.
Interminável é a recompensa.
Mesmo que os Rishis (Grandes Sábios) dos cinco poderes
preenchessem essa terra
e dessem a Mahesvara (Grande Lorde) elefantes, cavalos
e suas várias posses,
a recompensa ganha não seria igual
a uma décima-sexta parte de um [impulso de] amor-benevolente
que seja praticado.”

“Oh bom homem! A prática do amor-benevolente é verdadeira e não provém de um pensamento falso. É claramente a verdade. O amor-benevolente dos Sravakas e Pratyekabudas é aquele que é falso. Com todos os Budas e Bodhisattvas, o que existe é o verdadeiro, e não o que é falso. Como sabemos isso? Oh bom homem! Como o Bodhisattva-Mahasattva pratica a Via do Grande Nirvana, ele medita sobre a terra e [mentalmente] a transforma em ouro, e medita sobre o ouro e o transforma em terra, terra em água, água em fogo, fogo em água, terra em vento (ar), e vento em terra. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Ele medita sobre seres reais e transforma-os em não-seres, e transforma não-seres em seres reais. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Oh bom homem! Saiba que as quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva vêm de um pensamento verdadeiro e não são o que é falso.

Também, além disso, oh bom homem! Por que é chamado pensamento verdadeiro? Porque ele acaba completamente com todas as impurezas. Oh bom homem! Ora, uma pessoa que pratique amor-benevolente erradica toda a cobiça; alguém que pratique a compaixão erradica a ira; alguém que pratique a intenção-amável (alegria-simpática) erradica a infelicidade; alguém que pratique equanimidade erradica a cobiça, a ira e todos os aspectos das coisas que os seres têm. Por essa razão, chamamos isto de pensamento verdadeiro.

Também, além disso, oh bom homem! As quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva-Mahasattva constituem a raiz de todas as boas ações. Oh bom homem! Se um Bodhisattva-Mahasattva não vê um ser oprimido pela pobreza, não poderá haver qualquer surgimento da compaixão. Se a mente compassiva não surge, não surgirá qualquer pensamento de doação. Através das relações causais da doação, ele concede aos seres paz e felicidade. Trata-se de bebida, comida, veículos, roupas, flores, incenso, camas, casas e lâmpadas.

Quando a doação é feita dessa maneira, não existe apego na mente e nenhuma cobiça surge. Ele definitivamente transfere o mérito disto para a Iluminação Insuperável. A mente não para no tempo. Acaba-se com o pensamento falso para sempre; aquilo que é feito não é por medo, por fama ou por lucro. Não visa o mundo dos humanos ou dos deuses; qualquer prazer que seja ganho não suscita a arrogância; não visa recompensas; a doação não é feita para enganar os outros; não busca a riqueza ou o respeito. Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação [distinção] é feita quanto a saber se o destinatário tem observado os preceitos morais ou os têm transgredido, se ele é um verdadeiro campo de prosperidade ou um mau campo de prosperidade, se é instruído ou iletrado. 

Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação é feita entre o certo e o errado do repositório; nenhuma diferença é vista entre o tempo ou o lugar certo ou errado. Não se pensa sobre se existe fome ou fartura das coisas e felicidade. Nenhuma discriminação é feita quanto à causa ou o resultado (efeito) disto, ou preocupação quanto àquilo que é certo [meritório] ou não com relação ao destinatário (repositório), ou se ele é rico ou não. Também, o Bodhisattva não se dá o trabalho de olhar qualquer diferença como se o destinatário é uma pessoa que dá ou alguém que recebe, o que é dado ou cedido, ou a recompensa por aquilo que é dado. A única coisa que se faz é que a doação seja realizada sem cessação.

Oh bom homem! Se o Bodhisattva olhasse para a observância ou infração dos preceitos, ou os seus resultados, não poderia haver qualquer doação até o fim. Se não há doação, não pode haver realização do danaparamita [doação transcendente]. Se não há danaparamita, não pode haver qualquer chegada à Iluminação Insuperável.

Sutra do Nirvana – TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1.

Selo Comemorativo

A Marca da Extinção Tranquila

Em ‘A Marca da Extinção Tranquila’

IZ prosseguiu: PI, por que me olha de cima abaixo, como se estivesse a sondar o que é insondável pelos olhos humanos. Não procure essa ou aquela marca distintiva do Tathagata nesta ou naquela pessoa. Ouça atentamente, mais uma vez:

“Se, quando eu me reúno com seres viventes,
ensino-lhes apenas o Caminho do Buda,
aqueles de pouca sabedoria ficarão perplexos;
e, confusos, eles não aceitarão o ensinamento.
 
Eu sei que esses seres viventes
nunca cultivaram boas raízes.
Eles estão fortemente apegados aos cinco desejos e,
em consequência da estupidez e da ansiedade,
tornam-se aflitos.
 
Em razão de todos os seus desejos,
eles caem nos três maus caminhos,
girando nos seis mundos inferiores
e sofrendo toda a espécie de dor e miséria.

Eles vêm de uma minúscula forma no ventre materno
e, vida após vida, eles vêm a crescer.
Pobres na virtude e possuindo poucos méritos,
eles são oprimidos por inúmeros sofrimentos
e, adentrando a imensa floresta das visões distorcidas
sobre a existência ou não dos fenômenos
e das coisas afins,
tornam-se prisioneiros daquelas visões,
sessenta e duas (visões) ao todo.
Profundamente presos às doutrinas ilusórias,
eles apegam-se a elas firmemente
e não podem levá-las adiante.
 
Arrogantes, jactam-se da sua superioridade,
são bajuladores; e seus corações, insinceros.
Através de dez bilhões de kalpas,
eles nunca ouvirão o nome do Buda
nem ouvirão a Verdadeira Lei.
Certas pessoas são difíceis de serem salvas.

Portanto, Shariputra,
faço uso dos meios hábeis para eles,
pregando de forma a cessar o seu sofrimento
e mostrando-lhes o Nirvana.
Embora eu fale do Nirvana,
esta não é ainda a verdadeira extinção.
 
Todos os fenômenos, desde o seu surgimento,
estão sempre marcados pela extinção tranquila.
Uma vez que os discípulos do Buda
tenham percorrido esse Caminho,
então, numa era posterior, eles se tornarão Budas”.

Sutra de Lótus – Capítulo 2 – Meios Hábeis.

Selo Comemorativo

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