A Cidadela

ORROZ

ORROZ, está para prescrever o crime que foi cometido antes, e que inspirou o já transitado em julgado. Se isto acontecer, ORROZ, o que será de ti?

Oh ORROZ, não se escapa daquela cidadela. É um lugar sem sê-lo, é onde se promiscuem os rebaixados do mundo com suas visões distorcidas, é onde se comprimem os corpos emaciados dos injustos, iníquos, descrentes, fariseus e indolentes; tudo num mesmo lugar que não é lugar algum. Lá, todos os maus odores se misturam, não há luz, resvala-se o tempo todo no que é asqueroso. Ouve-se um borbulhar de águas ferventes subterrâneas, um sentimento de aversão ao passado nos assombra, e nada se vê além de um abismo. Não há escadas para galgar o profundo abismo, ou para descer da vacuidade das alturas alçadas pelas ilusões do Mundo Tríplice. Já estive lá! Sonha-se com a fuga daquele lugar, mas já não há um ‘eu’ que possa escapar.

Este ato encerra-se aqui. Vamos ao outro lado”.

 

 

 

A Dura Realidade do Mundo Tríplice

“Digo-lhe, Shariputra,
eu sou assim, também,
o mais honrado entre todos os sábios,
o pai dos mundos.

Todos os seres viventes são minhas crianças;
profundamente apegados aos prazeres mundanos,
não possuem pensamentos nobres em absoluto.

Não há paz no Mundo Tríplice,
ele é como uma casa em chamas,
repleto de muitos sofrimentos,
e verdadeiramente assustador.
A dor e a aflição do nascimento, velhice,
doença e morte estão sempre presentes.
Fogos como estes ardem sem cessar.

O Tathagata já deixou a casa em chamas do Mundo Tríplice para trás.
Serenamente eu resido na tranqüila quietude das florestas e campos.
E agora ele, o Mundo Tríplice,
é inteiramente pertencente a mim,
e todos os seres viventes nele são minhas crianças.

Agora, porém, este lugar está repleto de calamidades,
e eu sou o único capaz de salvar-lhes.
Embora eu lhes tenha instruído,
eles não compreendem ou aceitam,
em razão do seu profundo apego e ambição por todos os desejos degradantes”.

 

Excerto do CAP. 03: A Parábola, pág. 89.

O Segredo e o Poder do Tathagata

“Bons homens, o Tathagata, vendo os seres viventes deleitando-se nas doutrinas menores, seres de escassas virtudes e abundantes na corrupção, prega para aquelas pessoas, dizendo: ‘Quando jovem, eu deixei o lar e atingi o Anuttara-Samyak-Sambodhi’. Na realidade, todavia, tornei-me um Buda há longo tempo atrás. Eu prego desta forma meramente como um meio hábil para ensinar e converter os seres viventes e fazer-lhes adentrar a Via do Buda”.

“Bons homens, todos os Sutras proclamados pelo Tathagata, o são com a finalidade de salvar e libertar os seres viventes. Ele pode falar do seu próprio corpo, ou ele pode falar do corpo de um outro alguém. Ele pode manifestar em seu próprio corpo, ou pode manifestar no corpo de um outro alguém. Ele pode manifestar seus próprios atos, ou pode manifestar através dos atos de outrem; mas tudo o que diz é verdadeiro e não falso”.

“Qual é a razão disto? O Tathagata conhece e vê o mundo tríplice como ele realmente é. Não há nascimento ou morte, nem recuo ou avanço, nem existência no mundo ou passagem para a extinção. Não há realidade ou não-realidade, nem semelhanças ou diferenças. Ele vê o mundo tríplice como não sendo o mundo tríplice. Assuntos como este, o Tathagata vê claramente, sem engano ou erro”.

“Os seres viventes possuem diversas naturezas, vários desejos, vários modos de conduta, várias idéias, pensamentos e discriminações. Desejando levá-los a criar as raízes da benevolência, ele emprega diversas causas e relações, analogias, parábolas e expressões para explicar as diferentes doutrinas, levando ao cabo o trabalho do Buda sem descanso”.

Excerto do CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata, pág. 290.

Os Desígnios do Lorde Buda

“Portanto, Rei da Constelação Flor, eu confio a você este capítulo: ‘Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina’. Após a minha passagem, nos últimos quinhentos anos, propague-o extensivamente no continente Jambudvipa. Não permita que ele se extinga, permitindo desse modo que demônios, entidades demoníacas, todos os dragões celestiais, yakshas, kumbhandas, e assim por diante, ocupem o seu caminho[1]”.

 


[1] Eis uma das mais severas admoestações do Buda no que se refere à propagação do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa na era posterior. Neste caso, o Buda faz uma alusão específica a este capítulo sobre os feitos passados do Bodhisattva Rei da Medicina em retribuição à gratidão pela obtenção do samadhi em que se podem manifestar todas as formas físicas, que foi inteiramente devida ao fato do Bodhisattva Alegremente Visto Por Todos os Seres (presente Bodhisattva Rei da Medicina) ter ouvido o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Excerto do CAP. 23: Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina.

Jambudvipa no Budismo

A cosmologia budista divide o bhūmaṇḍala (circunferência da Terra) em três níveis distintos: Kāmadhātu (domínio do desejo), Rūpadhātu (domínio da forma ou da matéria), e Ārūpyadhātu (domínio do espírito). Esses três domínios também são chamados de Mundo Tríplice ou Samsara. No Kāmadhātu está localizado Monte Sumeru que se diz estar circundado por quatro ilhas-continentes (veja a construção de Angkor Wat). “A ilha austral, ou mais ao sul, é chamada Jambudvīpa”. Os outros três continentes, da narrativa Budista em torno do Monte Sumeru, não são acessíveis aos seres humanos a partir de Jambudvīpa. Jambudvīpa possui a forma de um triângulo com um dos seus vértices voltado para o sul. No seu centro encontra-se uma gigantesca árvore Jambu (maçã-rosa), da qual o continente herda seu nome, que significa “Ilha Jambu”.

Jambudvīpa é a região onde vivem os humanos, e é o único lugar onde um ser pode tornar-se iluminado por nascer como um ser humano. É no Jambudvīpa que ele, como ser humano, pode receber o dom do Dharma e de vir a compreender as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo e, finalmente, realizar a libertação do ciclo de vida e da morte.

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre.

A Metáfora do Corpo Físico

A compreensão dos sábios e longevos Subhuti, Mahakatyayana, Mahakashyapa, Mahamaudgalyayana[1]

 “Nós, que pertencemos à cúpula da Sangha e somos avançados na idade[2], dissemos a nós mesmos havermos já atingido o Nirvana, que não tínhamos mais nenhuma responsabilidade, e que não seguiríamos adiante para alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

 “O Honrado pelo Mundo, desde o passado, tem pregado a Lei exaustivamente. Sentados aqui por todo esse tempo, com nossos corpos cansados, estivemos meramente meditando sobre o vazio, sem forma e sem desejos; não nos deleitando nas Leis dos Bodhisattvas, nos seus Samadhis plenos de encanto, na sua ação de purificação das terras Búdicas, ou na sua ação de aprimoramento dos seres viventes”.

 “Qual é a razão disto? O Honrado pelo Mundo levou-nos a escapar do Mundo Tríplice, obtendo a certificação para o Nirvana. Além disso, agora já estamos avançados nos anos e quando o Buda instruiu os Bodhisattvas sobre o Anuttara-Samyak-Sambodhi, nós não elevamos um simples pensamento no anseio de alcançá-lo”.

 “Agora, na presença do Buda, tendo ouvido-lhe profetizar sobre o Anuttara-Samyak-Sambodhi dos discípulos Ouvintes, nossos corações regozijaram entusiasticamente e obtivemos o que nunca houvéramos obtido antes. Nunca pensamos que agora pudéssemos subitamente estar aptos a ouvir esta Lei rara. Alegramo-nos profundamente, tendo ganhado incomensuráveis benefícios”.

 “É como se, sem que as tivéssemos procurado, incontáveis gemas preciosas tivessem tornado-se nossas”.


[1] Subhuti, Mahakatyayana, Mahakashyapa e Mahamaugdalyayana; também chamados discípulos maiores.

[2] No Capítulo 3 – A Parábola (da Casa em Chamas), o Buda tece uma analogia em torno de uma casa velha e arruinada, comparando-a ao Mundo Tríplice. A mesma analogia poderá ser feita com o nosso corpo físico, cujo destino é a velhice e a decrepitude. Por essa razão, esses discípulos maiores manifestam-se após a pregação daquele capítulo, confessando nunca terem pensado na carruagem do grande búfalo branco.

Excerto do CAP. 04 – Fé e Compreensão, pág. 103.

Metáfora do Corpo Fsico
Foto de Dôra. Local: Sítio da Dôra em 29/03/2008.

Ver em Cristal Perfeito

A Metáfora do Mundo Saha

A Metáfora do Mundo Saha

Assim estava aquela casa:

aterrorizante ao extremo,

com inumeráveis perigos e conflagrações,

uma infinidade de problemas, não apenas um.

 

Naquela ocasião,

o proprietário da casa estava do lado de fora da porta quando ouviu alguém dizer:

‘Todas as suas crianças, há instantes atrás,

entraram naquela casa para brincar.

Sendo jovens e incautos,

eles se deleitam na brincadeira e apegam-se à diversão’.

 

Tendo ouvido isto,

o velho homem entrou apavorado na casa em chamas.

Com a intenção de salvá-las,

evitando que fossem queimadas,

ele advertiu suas crianças daquela infinidade de perigos e calamidades:

‘Os espíritos malévolos, os insetos venenosos,

a iminente conflagração,

uma infinidade de sofrimentos, em sucessão,

contínuos e sem interrupção[1].


[1] Eis uma boa descrição do “Inferno dos Incessantes Sofrimentos”. Seu lugar é o Mundo Tríplice; seu caminho é a ampla estrada de seis pistas, quais sejam os seis caminhos da existência, desde os estados da alegria e da tranqüilidade, onde se encontravam as crianças, até os mais baixos estados passando pela ira, animalidade, fome e inferno, todos descritos em detalhes; seus meandros são os três maus caminhos da existência, quais sejam a avareza, a ira e a estupidez; sua metáfora é uma decrépita casa em chamas; e sua saída é a estreita porta, a estrada de uma única pista, qual seja Grande Veículo que o Buda, utilizando-se de um meio hábil, prega como sendo três: Ouvinte (erudição), Pratyekabuda (absorção) e Bodhisattva.

Excerto do CAP. 03 – A Parábola (da Casa em Chamas), pág. 85.

Ver em Cristal Perfeito

Inferno? Onde?

A Metáfora do Corpo Físico

A Transposição do Grande Portal

“Shariputra, semelhantemente àquele velho homem que, vendo todas as suas crianças escaparem corajosamente da casa em chamas para um lugar seguro, e considerando suas posses de ilimitados bens e fortuna, deu a todos os seus filhos uma grande carroça; assim o faz o Tathagata, que igualmente é o pai de todos os seres viventes. Quando ele vê incontáveis milhões de seres viventes usando o portal dos ensinamentos do Buda para fugir do temeroso e perigoso caminho do sofrimento do Mundo Tríplice para atingir o bem-estar do Nirvana, ele tem esse pensamento: ‘Eu tenho uma ilimitada e vasta sabedoria, poderes, coragem, e assim o completo repositório das leis Búdicas. Todos os seres viventes são meus filhos. Darei a todos eles uma grande carroça, não lhes permitindo ganhar a extinção individual, mas fazendo-os transpor a extinção individual obtendo a verdadeira extinção do Tathagata[1]. Tendo escapado do Mundo Tríplice, todos os seres viventes estarão aptos a brincar com os dons da meditação Dhyana, da concentração e da emancipação do Buda, e assim por diante, todos esses dons de uma mesma característica e tipo, apreciados pelos sábios e capazes de produzir o mais puro, maravilhoso e supremo bem-estar”.

 


[1] Observe-se que quando, acima, o Buda faz a distinção entre os Veículos do Ouvinte, do Pratyekabuda e do Bodhisattva; enquanto os dois primeiros são distintos pela prática individual (para si), o Bodhisattva é distinto pela prática em prol dos seres viventes. Enquanto os dois primeiros buscam a extinção individual, o Bodhisattva transpõe o Grande Portal para a verdadeira e absoluta extinção do Tathagata.

Excerto do CAP. 03 – A Parábola (da Casa em Chamas), pág. 80.

Grande Portal
Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 21/03/2008.

O Grande Veículo do Buda ou do Bodhisattva: o Mesmo Veículo!

“Shariputra, se existirem seres viventes que interiormente possuam a sabedoria inata, e ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, diligentemente fazendo avanços, desejando rapidamente escapar do Mundo Tríplice e buscando o Nirvana para si; eles são chamados aqueles do Veículo do Ouvinte. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por carneiros e com isso escaparam da casa em chamas”.

 “Se existirem seres viventes que ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, diligentemente fazendo avanços, e que busquem a sabedoria que vem por si própria, deleitando-se na solidão, procurando o silêncio, compreendendo profundamente as condições causais de todos os Fenômenos, eles são chamados aqueles do Veículo do Pratyekabuda. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por cervos e assim escaparam da casa em chamas”.

 “Se existirem seres viventes que ouvindo a Lei do Buda, o Honrado pelo Mundo, compreenderem-na e aceitarem-na, sinceramente dedicando-se com vigor, buscando a emancipação, o conhecimento e a visão do Tathagata, seus poderes e coragem, compadecendo-se e confortando inúmeros seres viventes, beneficiando seres celestiais e humanos, salvando a todos, eles são chamados aqueles do Grande Veículo[1]. Em razão dos Bodhisattvas buscarem esse veículo, eles são chamados Mahasattvas. Eles são como as crianças que buscaram a carroça puxada por bois e assim escaparam da casa em chamas”.

 


[1]Estabelece-se aqui a grande e profunda diferença entre os veículos menores (do Ouvinte e do Pratyekabuda) e o Grande Veículo (do Bodhisattva Mahasattva). Enquanto os primeiros se restringem às práticas para si, visando a própria salvação, o Grande Veículo se notabiliza pelo despertar do ser universal “compadecendo-se e confortando inúmeros seres viventes, beneficiando seres celestiais e humanos, salvando a todos”.

Excerto do CAP. 03 – A Parábola (da Casa em Chamas), pág. 79.

A Verdadeira Causa do Advento do Buda no Mundo Tríplice

“Shariputra, o Tathagata também é assim. Ele é um pai para todos os seres no mundo. Ele erradicou para sempre todos os temores, fraquezas, aflições, ignorância e obscuridade. Ele atingiu completamente a ilimitada sabedoria, visão, poder e coragem. Ele possui grande poder espiritual e o poder da sabedoria. Ele consumou os Paramitas dos Meios Hábeis e da Sabedoria. Ele é grandemente benevolente e compassivo. Incansável, sempre busca o bem, beneficiando a todos. E assim, ele nasce no Mundo Tríplice[1] que é como uma casa em chamas, com a intenção de salvar os seres viventes dos fogos do nascimento, velhice, doença, morte, dor, miséria, estupidez, indolência e dos Três Venenos[2]. Ele ensina-os e converte-os, levando-os a atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

 “Ele vê todos os seres viventes sendo chamuscados pelo nascimento, velhice, doença, morte, dor e miséria. Eles se sujeitam aos vários sofrimentos em função dos Cinco Desejos[3], da riqueza e do lucro. Em razão do apego e da ganância, além de no presente se sujeitarem a todo tipo de sofrimentos, no futuro sujeitar-se-ão aos sofrimentos do inferno, em meio aos animais ou espíritos famintos. Se nascidos no mundo celestial ou em meio aos seres humanos, eles sofrerão da pobreza e da aflição, do sofrimento de serem separados de quem amam, do sofrimento de estarem juntos de quem odeiam, e todos os vários sofrimentos como esses. Mesmo assim, os seres viventes mergulham neste marasmo, nos esportes recreativos, inconscientes, desavisados, sem susto ou temor. Eles não se tornam saciados em seus desejos e nem buscam a libertação. Na casa em chamas do Mundo Tríplice, eles correm de um lado para outro. Embora encontrem tremendos sofrimentos, eles não estão preocupados”.


[1] Mundo Tríplice, onde imperam os três maus domínios da existência, a saber: o domínio dos desejos, o domínio da matéria e o domínio espiritual. Referindo-se ao Honrado pelo Mundo: “Ele nasce no Mundo Tríplice”; isto é, Ele, o Buda é o mortal comum que, nascido no mundo tríplice, numa casa em chamas, o faz dentre os seres viventes “para ensiná-los e convertê-los permitindo-lhes alcançar
anuttara-samyak-sambhodi”. Assim como a via do Bodhisattva é o único e verdadeiro portal para o estado de Buda, esta via é também o único e verdadeiro portal para o ingresso do Buda no mundo tríplice, ou a única e verdadeira causa do advento do Buda neste mundo. Assim, chamamo-la Via Recíproca

[2] Três Venenos: avareza, ira e a estupidez.

[3] Cinco Desejos: comida e bebida; sono; sexo; bens materiais; e fama.

Excerto do CAP. 03 – A Parábola (da Casa em Chamas), pág. 77.

O Grande Veículo como Retribuição pela Fé

“Naquele momento, o velho homem, ao ver que todos os seus filhos haviam saído em segurança e encontravam-se sentados no chão à beira da rua[1], sem mais nenhum obstáculo; sentiu-se em paz e cheio de satisfação”.

 “Então, todas as crianças falaram ao seu pai, dizendo: ‘Pai, os finos brinquedos que o senhor prometeu-nos instantes atrás, os carros puxados por carneiros, os carros puxados por cervos e os carros puxados por bois, por favor, dê-nos agora’”.

 “Shariputra, naquela ocasião o velho homem deu igualmente a todos os seus filhos uma grande carroça. A carroça era alta e ampla, adornada com uma infinidade de jóias entrelaçadas, circundada por balaústres e pêndulos com sinos nos seus quatro lados. Além disso, era coberta com pálios adornados com vários tipos de jóias preciosas e raras, estirados com cordas de jóias e pingentes com borlas floridas. A carroça era forrada com belos tapetes e seus assentos de almofadas rosadas. Era puxada por um grande boi branco de delicada aparência, de grande força muscular, que tinha um pisar suave, tão leve como o vento, tendo também muitos criados que a seguiam e protegiam[2]”.

 “E por que é assim? Aquele velho homem possui ilimitados bens e fortuna, e todas as espécies de armazéns lotados até transbordar. Portanto, ele refletiu assim: ‘Minhas posses são ilimitadas. Eu não daria às minhas crianças carros pequenos e inferiores[3]. Todos esses adolescentes são crianças a quem eu amo sem parcialidade. Possuindo tais grandes carroças feitas das sete jóias, infinitas em número, eu as darei igualmente a cada um. Por quê? Se eu as desse para um país inteiro elas não escasseariam; quanto menos se as desse para minhas crianças’!”.

 “Entretanto, todas as minhas crianças estão andando em torno das grandes carroças, uma vez que obtiveram o que nunca esperavam; muito além das suas expectativas originais”.

 


[1] Essa rua onde se encontravam as crianças, após sairem da casa em chamas do mundo tríplice, é a Via Insuperável do Buda, que é alcançada através do grande poder da fé; uma vez que, até então, as crianças tinham apenas uma promessa de seu pai de premiá-los com brinquedos raros.

[2] Essa magnífica carroça puxada pelo grande boi branco é o Grande Veículo do Buda.

[3] São os veículos do Ouvinte e do Pratyekabuda, conduzindo ao chamado Nirvana provisório.

Excerto do CAP. 03 – A Parábola (da Casa em Chamas), pág. 75.

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