Doação e Arrecadação

Ninguém tem coragem de tomar um pouco para, em ato contínuo, oferecê-lo em doação aos necessitados; mas tiram-no continuamente de milhões de necessitados para o acúmulo de poucos.

Em 03/07/2014
às 05:30 hs

Acordei de um sonho estranho em que tocava “The House of the Rising Sun”, mas com um verso que dizia “ninguém tem coragem de roubar um vintém para oferecê-lo em doação“, porém em inglês. Traduzi e adaptei.

A música e letra originais estão aqui: A Casa do Sol Nascente.

O Supramundano

Nesse dia 23/12/2011, às 05:00 hs, meu irmão Guarani, falecido em 13/12/2011, conversou longamente comigo. Com uma voz límpida e tranquila, saudou-me dizendo: “Olá, Marcos! Tudo bem”? “Guara!”, disse eu. “Eu mesmo. Você viu aquilo lá?”, disse ele. “Mas, Guara…”, interpelei. “Estou vivo, Marcos. Aquilo lá não era eu”. E prosseguiu perguntando pelas pessoas enquanto eu apressava meus passos para levar as boas novas.

A história, da qual não me lembro mais dos muitos detalhes, é que alguém, uma pessoa vil, estava no ‘lugar dele’. E isso foi tramado para fazer certas coisas acontecerem. Caminhando apressadamente, ao me aproximar de uma grande árvore, sob ela, o sinal foi interrompido e não mais se restabeleceu. Como Budista que sou, entendi tudo. E gostaria de transmitir aos familiares e amigos essa mensagem de paz e tranquilidade que ele me passou: “Estou vivo, Marcos! Aquilo lá não era eu”.

Marcos Ubirajara.

Em 23/12/2011.

Sonho Bom

Estava na companhia do ‘Seu Paulo’, pessoa amiga que praticava o Budismo comigo em Campinas – São Paulo. Esperávamos um ônibus. De repente, surgiu o ônibus para o exato destino que desejávamos, vazio, com muitos lugares para sentar.

Ao entrar no ônibus, percebi que havia esquecido a bagagem, bem como documentos e outros valores. Fiquei preocupado e falei com o condutor do ônibus. Ele, calmamente, fez uma pequena manobra, parou, e disse: ‘vá buscar as suas coisas, eu espero’. Apoiou-se no volante e começou a conversar com as outras pessoas.

Sai do ônibus e, chegando a um local de grande movimento de pessoas, lá estavam a bagagem, documentos, roupas e outros valores. Havia um blusão de couro. Abri a mala e, calmamente, o guardava quando acordei tranquilo.

Ora, esse sonho continha todos os elementos de um pesadelo, um mau sonho. Por isso, assim pensei: há algo no que chamamos subconsciente, sim. Mas que nem é bom, nem mau. Depende das circunstâncias do sono. Isso aflora num sonho e, dependendo das relações causais do sono, manifesta-se como bom ou mau. Essas relações causais são preocupações, tipo de alimentação, acomodações, conforto, segurança, sensações de frio ou calor, entre outras.

A vida é como um sonho. Não há nenhuma realidade pronta, boa ou má, à nossa espera no futuro próximo ou distante. São as relações causais deste momento que determinarão a qualidade dos dias a vir. Por essa razão, pratica-se o Budismo.

Em 21/05/2010.
05:00 hs.

Flor de Lotus

A Flor Aflora

Para Ser Lótus

Esse post é comemorativo da consecução da meta de 100.000 (cem mil) visitas a este Cristal Perfeito.

O passo primordial para tornar-se um Lótus do Dharma Maravilhoso está no estabelecimento de uma fé genuina e inabalável na eternidade da vida do Buda.

Fé? Onde buscar essa Fé? O que é essa Fé?

A Fé é um saber oculto nas profundezas de nossas vidas. Não adianta explicar, pois, cada um de nós adquiriu esse saber através de uma experiência única que transcende a vida secular.

Se assim é, por que esse saber permanece oculto?

Isto ocorre em razão da imensa, da espessa camada de entulhos que vai se acumulando sobre a superfície lisa e plana desse saber. Essa camada de entulhos é o repositório das ilusões e das visões distorcidas, e que se realimenta através das causas e relações que vão se acumulando vida após vida, ao que chamamos “Karma”.

A Via do Buda é a desconstrução da amorfia dessa camada de entulhos que envolve nosso ser para, finalmente, revelar a gema preciosa.

Então, o primeiro passo é a Fé: crer na inigualável gema preciosa dentro de nossas vidas, a natureza de Buda. O segundo passo é a prática: a ação de desconstruir a amorfia, desfazer, romper o emaranhado da rede das ilusões. O terceiro passo é o estudo: seguir a trilha dos ensinamentos dourados daquele que primeiro encontrou a gema preciosa, que a detém, e que a concede apenas àqueles que se destacam na batalha contra os exércitos de Mara.

A opacidade de nossa visão, e que é provocada por essa amorfia que nos envolve, pode ser curada.Para isso, os meios hábeis do Buda manipulam o excelente remédio que nos desperta do estado de entorpecimento que vivemos e, ao final, nos salva. Essa sabedoria do Buda sempre age da maneira apropriada, manipulando o remédio de acordo com nossas aptidões, nossas faculdades e vocações para a cura. Os mais sábios logo darão um passo à frente, prontificando-se para tomar o remédio. Outros dependerão de estímulos ou, quem sabe, uma mão amiga que os conduza através dos primeiros passos da trilha. Seja como for, o mais importante é o desejo de curar-se.

Para ser Lótus é necessário colocar esse desejo acima de tudo, deixando para trás a amorfia, o lodo que nos encobre no imenso lago de Samsara, para finalmente desabrochar e revelar a natureza imaculada do nosso ser; o esplendor da sabedoria que vem por si própria, e que sempre repousou nas profundezas de nossas vidas.

Em Belém do Pará, 25/01/2009.

Interessante ler O Ouro Verdadeiro no Âmago de Nossas Vidas, trecho do Sutra do Nirvana traduzido e publicado a posteriori.

Pôr do Sol em Belém

Pôr do Sol em Belém

Quando um Guerreiro Encontra a Paz

Quando Um Guerreiro Encontra a Paz

Quando Um Guerreiro Encontra a Paz

“Rei da Constelação Flor! Este Sutra pode salvar todos os seres viventes. Este Sutra pode levar todos os seres viventes a libertarem-se de todo o sofrimento e aflição. Este Sutra pode beneficiar enormemente todos os seres viventes, cumprindo seus votos. Assim como uma fonte límpida e fresca pode saciar a sede de todos; assim como quando uma pessoa com frio encontra o fogo; assim como quando uma pessoa nua encontra roupa; assim como quando um mercador encontra o comprador; assim como quando uma criança encontra sua mãe; assim como quando um passageiro encontra uma embarcação; assim como quando uma pessoa doente encontra um médico; assim como quem na escuridão encontra uma lâmpada; assim como quando uma pessoa pobre encontra um tesouro; assim como quando um povo encontra um rei; assim como quando um comerciante encontra o mar; assim como a tocha dissipa a escuridão, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, da mesma forma, pode levar os seres viventes a viver sem qualquer sofrimento, doença e dor; ele pode desatar todos os laços do nascimento e da morte”.

Excerto do CAP. 23: Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina, pág. 370.

Ser Lótus é assim como quando um guerreiro encontra a Paz; é assim como quando quem arde nos fogos dos desejos, encontra o conforto em nada possuir; é assim como quando ao olharmos os seres viventes, vermos Buda.

Marcos Ubirajara.
Em 21/10/2008, às 05:00 hs.

Tozan

Estávamos num grande salão imperial, finamente decorado e muito amplo, aguardando o início de uma cerimônia ou algo assim. Ao meu lado, estavam algumas pessoas conhecidas, dentre elas a Norma e a Rita de Cássia, minhas sobrinhas.

Num dado momento, ao som de tambores, começamos todos a recitar o mantra.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo,
Namu-Myoho-Rengue-Kyo,
Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

Essa recitação, cadenciada ao som dos tambores, foi se intensificando, até que, do lado sudeste do grande salão, um grupo de figurantes em desfile adentrou o local. Eram muitos, fina e delicadamente trajados que, usando máscaras orientais, dançavam rodopiando ao som dos tambores e do cântico do mantra.

Namu-Myoho-Rengue-Kyo,
Namu-Myoho-Rengue-Kyo,
Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

Seus trajes celestiais eram leves, como feitos de seda que, ao movimento dos seus passos de dança, esvoaçavam preenchendo todo o espaço com múltiplas cores. Havia dosséis, estandartes e mantos esvoaçantes compondo a evolução do grupo; brilhos e cintilações no ar de beleza indescritível.

Então, um daqueles figurantes, sempre girando, se aproximou bastante e, através da sua máscara, sinalizou com um dos olhos e sorriu discretamente. Depois, sem cessar os seus movimentos rodopiantes da dança, afastou-se.

Eu me sentia encantado, já totalmente envolvido pelo som dos tambores e do mantra em recitação; pelos movimentos e pelas cores da cena; brilhos e trajes esvoaçantes.

Acordei em 19/09/2008, às 02:00 horas. Isto veio a ocorrer nesta semana em que comemoro os vinte anos de realização do Tozan.

Marcos Ubirajara.

Ver também Taissekiji, Meus Vinte Anos de Tozan.

As Virtudes Douradas dos Grandes Bodhisattvas

Um Bodhisattva Mahasattva mantém em observância somente a doutrina superior do Grande Veículo, o Veículo do Bodhisattva.

Shariputra, nos mundos das dez direções, não há sequer dois veículos, quanto mais três“.

CAP. 02: Meios Hábeis

Sendo sempre verdadeiras as palavras do Buda, essa é a primeira Virtude Dourada a ser cultivada: a virtude do grande líder Práticas Superiores.

A prática de um Bodhisattva Mahasattva não tem medida do quanto baste. Seus esforços são constantes, continuados e incansáveis, um “devotar a própria vida”. Essa é a segunda Virtude Dourada a ser cultivada: a virtude do grande líder Práticas Ilimitadas.

A mente de Bodhisattva Mahasattva é frequentada por um único pensamento: salvar todos os seres indistintamente, sendo essa a verdadeira intenção do Buda, e a verdadeira razão do seu advento neste mundo. A mente do Bodhisattva Mahasattva deve repousar na quietude e na pureza de um pensamento único: salvar todos os seres. Essa é a terceira Virtude Dourada a ser cultivada: a virtude do grande líder Práticas Puras.

Um Bodhisattva Mahasattva não deve ter dúvidas quanto às doutrinas do Grande Veículo. Uma mente dividida tornará a sua terra impura, impedindo o cultivo das demais Virtudes Douradas. Essa é a quarta daquelas virtudes a serem cultivadas pelos sábios: a virtude do grande líder Práticas Seguras (Firmemente Estabelecidas).

Eis, então, a direção para aqueles que buscam a Via Insuperável.

Em 15/07/2008, às 04:00 hs.

As Águas do Vasto Oceano

Os meios hábeis do Buda são como um profundo e vasto oceano.

Lá desaguam as correntezas do sofrimento,
as correntezas do desejo,
as correntezas da violência,
as correntezas da ira,
as correntezas do delírio de uma paz e alegria ilusórias.

Lá nas suas profundezas, em meio ao lodo,
germina a pérola do Grande Veículo,
o imenso tronco de sândalo da Grande Árvore Bodhi.

Para aqueles de pouca sabedoria,
são águas tormentosas de Samsara.
Mas, para aqueles instruídos no Lótus da Lei Maravilhosa,
são águas que lhes permitirão se conduzirem à outra margem.

São as mesmas águas, e possuem um mesmo sabor.
Para singrá-las, os sábios declamarão louvores ao Provedor da Coragem:

Namu Avalokitesvara Bodhisattva!
Namu Guanshiyin Bossatsu!
Namu Kanzeon Bossatsu!
Homenagem ao Bodhisattva Contemplador dos Sons do Mundo!
Namu Myoho Rengue Kyo!

Marcos Ubirajara, em 22/04/2008, às 23:00 hs.

Leitura Recomendada: CAP. 25: O Portal Universal do Bodhisattva Guanshiyin.

As Águas do Vasto Oceano
Foto de Dôra. Local: sítio da Dôra em 20/04/2008.

Libertando-se das Amarras

Quem amaria soldados?

Com pesados capacetes amarrados sobre as cabeças,
Com pesados pentes de balas amarrados sobre o peito,
Com pesados fuzis amarrados aos braços,
Com pesados cinturões de granadas, punhais e pistolas amarrados sobre a cintura,
Com pesados coturnos amarrados aos pés.

Quem os amaria?

Deve-se começar pela cabeça.
Uma mente liberta logo se desfaz dos outros pesares,
Libertando corações, braços, mãos, quadris e pernas.

Para nunca mais o temor das batalhas,
O negror dos blackouts,
O furor dos tanques.

Então,
Uma brisa suave fará tremular os dosséis da paz.
Sentirás o potente, seguro e profundo som do Dharma,
Propagando-se através de ti, como num diapasão.

Não olhes para trás,
Para a cidadela em chamas do mundo tríplice.

Em 25/03/2008 às 02:30 hs.

STOP ABUSE !


Pegue este Sêlo

Veja em Cristal Perfeito

Mianmar: Voluntários do Dharma, Uní-vos.

Veja no blog Samsara

Tibet é importante.
Apoio ao Dalai Lama

As Perambulações de Um Aprendiz

Trabalhei a noite inteira num hospital. Estava trajado de branco. O local era um centro cirúrgico.

Via a tudo e a todos, mas como se o fizesse interpenetrando-os. Um amigo, dos tempos do ginasial, o Silvio, me relatava um caso de insucesso no uso de terapias alternativas[1].

Terminei a longa jornada de trabalho. Tudo estava em paz. Hora de ir embora, desci as escadas até o estacionamento.

– Ora, onde coloquei o carro? Esforçava-me para lembrar.

Usando um elevador, subia e descia os muitos níveis do estacionamento, e nada. Diante disso, resolvi concentrar-me refazendo o meu trajeto. Lembrava-me até o ponto de ter chegado à minha casa, e ter guardado o carro, antes de ir para o hospital.

Esforcei-me um pouco mais na concentração e ouvi: “Você não necessitava do carro. Para quê o carro?”

Acordei em 14/01/2008. às 01:00 hs.

 


[1] Entenda-se, aqui, do ponto de vista da prática da fé.

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