Reações do Estado Sólido e Interações Entre Defeitos (continuação – 1)

Recombinação Elétron-Pósitron

A idéia devida a Dirac sobre os buracos de energia, que tem servido de base para as teorias de coexistência de matéria e antimatéria (lembremos a indissociabilidade de matéria e energia), vem agora realimentar a discussão que mantivemos até aqui. Evento já observado em inúmeras experiências, a recombinação de pares elétron-pósitron nos coloca diante de um Universo de dimensões jamais sonhadas pela ciência pré-Einsteniana.

Em primeiro lugar, lembremos o fenômeno de irradiação de luz dos elétrons. Estas partículas de carga elétrica negativa e massa de repouso m = 9.1 x 10-28 g, seja na sua propagação num campo elétrico ordinário, seja nas órbitas atômicas, eventualmente podem irradiar freqüências na faixa do visível. Esta emissão de energia radiante é indissociável da sua própria função de existência ou, em outras palavras, de sua energia total. Quando aceleradas em campos, estas partículas emitem luz característica de sua freqüência de vibração; isto é, a quantidade de energia (E = mc2) e a sua energia cinética traduzem-se pela emissão de fótons. Por outro lado, quando se encontra num sistema em equilíbrio dinâmico, tal como numa órbita atômica, estas partículas-onda não podem ter sua existência detectada senão através de uma perturbação externa. A perturbação, excitando o elétron para níveis de energia acima do fundamental, confere a este um caráter de defeito e, nesse caso, a recombinação se dá pela desexcitação do nível de energia através da emissão de fótons de luz característicos de cada nível. Esta experiência nos informa e individualiza a natureza de cada átomo, bem como descreve a sua estrutura de camadas eletrônicas.

Há relativamente pouco tempo, a Física das partículas elementares detectou uma partícula de comportamento muito semelhante ao do elétron, com exceção da carga que, de mesmo valor, apresentava sinal positivo. Batizada com o nome de pósitron, esta partícula trouxe aos olhos da ciência o Universo do “Anti”, proposto filosoficamente até então. Finalmente, a evolução dos experimentos da Física Nuclear mostrou que esta partícula (ente do Universo de energia negativa) poderia manifestar-se em sua forma no Universo material (do lado de energia positiva), portanto, na forma de um “defeito” e, eventualmente, recombinar-se com seu par, o elétron. Mostraram ainda as experiências que o encontro de ambas na presença de um campo forte o suficiente para que haja conservação de momento no recuo da interação, faz com que as mesmas aniquilem-se mutuamente, emitindo dois fótons de energia E = 0.511 keV, na mesma direção e sentidos opostos para a conservação de momento. O evento sugere que as antipartículas possuem massa negativa, sendo necessário um fóton de energia E > 2mc2 para, no processo inverso, criar o par nas mesmas circunstâncias acima (por exemplo, nas vizinhanças de um núcleo atômico onde o campo é forte o bastante). Revela ainda a experiência que a recombinação manifesta-se pela emissão de luz, indicando uma desexcitação de energia em forma material (defeito) para um estado energético mais fundamental (luz).

buraco_negro_pia08696.jpg

Reações do Estado Sólido…(Início)

Reações do Estado Sólido…(continua – 2)

Reações do Estado Sólido…(continua – 3)

Reações do Estado Sólido…(continua – 4)

Reações do Estado Sólido…(continua – 5)

Reações do Estado Sólido e Interações Entre Defeitos

II.3 – As reações no estado sólido, entre os defeitos até agora mencionados, serão doravante melhor descritas com o objetivo de lançar mais tarde uma visão do macrocosmo por analogia. Os vários tipos de reações e as condições em que essas podem ocorrer no campo microscópico serão lembradas sem qualquer relação hierárquica ou aspecto quantitativo associado a elas.

Recombinação de Pares de Defeitos

Lembrando que estamos considerando toda a manifestação material observável como um “defeito” do meio onde ela ocorre, através da apreensão e discussão de alguns conceitos da Física, procuraremos dar corpo às idéias que estamos desenvolvendo. Assim, emprestaremos da Física Clássica os seguintes princípios:

· A toda a ação corresponde uma reação igual em intensidade e em sentido contrário;

· Dois corpos materiais não ocupam o mesmo lugar no espaço sem perda de identidade.

Da Física contemporânea vamos emprestar, por enquanto, a idéia de Dirac6 sobre os buracos de energia. Segundo Dirac, o Universo seria constituído por entes portadores de energia positiva e discretizada (quantizada) e portadores de energia negativa numa distribuição contínua.

Neste trabalho sugere-se que, considerando uma estrutura periodicamente perfeita e de dimensões infinitas como o meio em que matéria e/ou energia se manifestam, em sendo o observável nada mais que um defeito naquele meio, nada mais razoável do que esperar níveis de energias não continuamente observáveis.

Passaremos a falar dos pares de defeitos e de sua coexistência. Voltando ao modelo cristalino, um átomo deslocado de sua posição na rede deixa atrás de si um “buraco” ao qual chamaremos lacuna. A lacuna será a ausência do átomo deslocado e, portanto, seu par indissociável na origem. Acontece que átomos da mesma espécie são indistinguíveis por esse “buraco” e, assim, qualquer lacuna é par de qualquer átomo da espécie que a gerou, inclusive aqueles que ainda ocupam seus lugares próprios na rede. Para átomos que vibram em torno das suas posições de equilíbrio na rede, a geração e aniquilação do par de defeitos se dá na mesma freqüência da oscilação. Por essa razão, a existência espacial da matéria, o arranjo atômico periódico e outras propriedades do estado sólido seriam indetectáveis por métodos físicos no zero absoluto (ou seja, por interferência), não fosse a energia do ponto zero e a freqüência de oscilação (criação-aniquilação de defeitos) associada a essa energia. A anarmonicidade e a defasagem dos movimentos de vibração dos átomos nos sólidos, ao que também podemos associar idéias de imperfeições, aparecem como os fatores que permitem a detecção da estrutura em sua existência. Se o movimento dos átomos fosse tal que em cada período de oscilação todos passassem pela origem ao mesmo tempo (recombinando-se todos simultaneamente com seus pares), então, a existência física da matéria no estado sólido seria pulsante na freqüência de vibração. Vale lembrar que no extremo oposto desta situação de ordem absoluta está o que conhecemos por estados líquido, gasoso e plasma; onde todo e qualquer arranjo ordenado foi destruído. Para átomos que se encontram em interstícios, isto é, fora dos poços (buracos) de energia que os retém no arranjo cristalino, a recombinação (aniquilação do par de defeitos) passa a ser uma probabilidade dependente da energia necessária para o átomo migrar, interagir e recombinar-se com o seu par.

Reações do Estado Sólido…(continua – 1)

Reações do Estado Sólido…(continua – 2)

Reações do Estado Sólido…(continua – 3)

Reações do Estado Sólido…(continua – 4)

Reações do Estado Sólido…(continua – 5)

Os Reais Discípulos do Buda

 

Lá estavam oitenta mil Bodhisattvas Mahasattvas[1], todos irreversivelmente estabelecidos no Anuttara-Samyak-Sambodhi[2]. Todos haviam obtido Dharanis[3], a eloqüência e o deleite na palavra, e girado a irreversível roda da Lei. Eles haviam feito oferecimentos para ilimitadas centenas de milhares de Budas e, na presença daqueles Budas, haviam plantado as raízes da virtude. Eles recebiam constantemente elogios daqueles Budas. Eles aplicaram-se na compaixão e eram bem capacitados a penetrar a sabedoria dos Budas. Eles haviam penetrado a grande sabedoria e alcançado a outra margem. Suas reputações repercutiam através de ilimitados reinos de mundos, abarcando incontáveis centenas de milhares de seres viventes[4].

 


[1] Em Pali, Bodhisattva significa um ser que aspira pelo estado de Buda ou pela iluminação. Um Mahasattva é um Bodhisattva do Grande Veículo, do ensino Mahayana Verdadeiro ou Sutra de Lótus.

[2] Suprema e Perfeita Iluminação (anuttara-samyak-sambodhi).

[3] Dharanis são mantras extensos. A raiz man significa “pensar”, enquanto o sufixo tra exprime um instrumento, um recurso de acionamento. “Através da meditação profunda (samadhi), adquire-se uma verdade; através do dharani, ela é fixada e retida na memória”.

 

[4] Esta é a primeira referência que aparece no sutra de que os Bodhisattvas e Mahasattvas presentes na cena da iluminação recente do Buda (na Índia) são, na verdade, seus reais discípulos desde o remoto passado. Caso contrário, como poderiam ter acumulado tantos méritos?

Extraído de CAP. 01: INTRODUÇÃO

Corrupção e Inconsciência

Diariamente somos atropelados pelos noticiários da mídia impressa e eletrônica (radiodifusão, televisão, internet, etc.). São escândalos envolvendo autoridades, violência em todos os graus e verdadeiras tragédias humanas; preconizando uma catástrofe iminente ou, como preferem alguns, o final dos tempos. Alguns dos protagonistas dessas histórias do cotidiano do nosso mundo agem por pura má fé; enquanto outros, a grande maioria, são vítimas dos primeiros que maquiavelicamente os manipulam para criar o ambiente propício para a sua progressão e perpetuação da sua ação maligna.

A banalização do sexo; do crime contra a pessoa; da violência de gênero, dos conflitos étnicos e religiosos; da agressão ao meio-ambiente; da má conduta social; e, finalmente, a banalização da própria vida parece estar transformando-nos em verdadeiros serviçais do demônio. Sim, a todos nós, inclusive aqueles que, atônitos diante do televisor, apenas assistem.

Não é assim. Participamos todos. Observem os anúncios e apelos comerciais entre uma má notícia e outra má notícia. Se fosse o contrário, convenhamos, seria absolutamente entediante uma seqüência interminável de boas notícias ou simplesmente informes de que tudo está em paz e as pessoas prosperam em suas vidas. Um noticiário deste tipo não venderia comprimidos, fechaduras, seguros, residências em condomínios fechados, comida para cães, convênios médicos, sorteios e bebidas alcoólicas; todos eles, veiculados subliminarmente antes, durante e após os noticiários.

Se você pensa em simplesmente desligar os aparelhos e tentar ignorar os fatos, lembre-se que a auto-exclusão social poderá transformá-lo na próxima notícia. A única solução é combater, uma vez que participamos de tudo isso. Mas, quem são nossos inimigos e por onde começar? Os incorrigíveis são distinguíveis daqueles que estão apenas doentes e são vítimas? Existe alguma diferença entre a corrupção da mente e a simples perda da consciência?

Positivamente existe. Por mais que as ações de uma e de outra se assemelhem, ou por mais que tais ações tenham a mesma conseqüência; a diferença está na índole da mente que as perpetram. Corrupção é sinônimo de falha, ausência, má formação ou degeneração; consequentemente, incorrigível. Por sua vez, a inconsciência está para um estado de letargia ou entorpecimento, podendo ser revertido através de estímulos externos. Até para dar consistência à realidade, esses dois tipos de mente precisam existir como partes essenciais da Verdade Última, ou seja, o Buda em estado de latência (inconsciente) e o Devadatta em estado potencial (o corrupto). Todavia, convém saber diferenciá-las mesmo quando agem em associação.

A mente corrupta precisa da mente inconsciente (ou doente) para manipular os atributos que ela não possui: a fé, a coragem e a sabedoria. A mente corrupta só pode desenvolver algum poder, emprestando das mentes inconscientes as virtudes que ela não possui.

Como vivemos numa época maléfica, profetizada pelo próprio Buda, época esta em que os três venenos da avareza, da ira e da estupidez penetraram profundamente nas vidas das pessoas, tornando-as inconscientes; numerosos são os exércitos e grande é a massa de manobra para os destituídos da fé, os covardes e indolentes que agem em seu próprio interesse.

A corrupção também pode surgir pelo envelhecimento, desagregação ou decomposição do caráter de um indivíduo. Neste caso, ela se manifesta da mais grotesca forma na figura do “velho sem vergonha”. Não deixa de ser maligna por ser grotesca; mas, diferente do corruptor que age freqüentemente manipulando as virtudes de outrem, o “velho sem vergonha” é corruptor de si mesmo, cai vitima de sua morte espiritual, perde a decência exalando o odor das suas intenções à distância. Felizmente, o potencial do “velho sem vergonha” para contagiar outras pessoas, mesmo os inconscientes, é menor porque ele torna-se repugnante. Embora menos perigoso, costuma instalar-se nas entranhas das instituições, passando muitas vezes despercebido na sua ação parasitária.

Como, de uma maneira geral,reconhecê-los? É sempre pela sua ação, e se não houvesse uma forma prática, essa seria uma luta inglória. Para esse efeito, lançaremos mão de dois registros insuspeitos, de épocas diferentes e que falam de uma mesma realidade. O primeiro registro é uma exclusão dos corruptos e o segundo uma advertência para os inconscientes. Aqui, uma vantagem oferecida somente pelo Budismo é que o teste pode ser feito em casa, não sendo necessário recorrer a nenhum intermediário entre a pessoa e o Ser Supremo.

O primeiro destaque é do Capítulo 16 – A Duração da Vida do Tathagata do Sutra de Lótus:

“… com a finalidade de salvar os povos,

deixei-os testemunharem o meu Nirvana.

Mas, na verdade, eu não morri.

Estou sempre aqui ensinando a Lei

Estou sempre aqui.

Mas, devido ao meu poder místico,

as pessoas de mentes corruptas não podem me ver,

mesmo quando estou perto”(3).

O segundo destaque é do romance de Ralph Ellison, “Homem Invisível”:

“Sou um homem invisível. Não, não sou um fantasma como os que assombravam Edgar Allan Poe; nem um desses ectoplasmas de filme de Hollywood. Sou um homem de substância, de carne e osso, fibras e líquidos – talvez se possa até dizer que possuo uma mente. Sou invisível, compreendam, simplesmente porque as pessoas se recusam a me ver”(9).

A distância das fontes é proposital, apenas para contrapor sabedoria e realidade, ainda que a primeira seja permanente e esta última transitória. Porém, por distantes que possam parecer, ambas se referem à angústia do Buda, por um lado, cujo inferno é o sofrimento de todos os povos e tem como objetivo conduzir as pessoas à iluminação e, por outro lado, à angústia de um jovem professor negro cujo inferno é o racismo norte-americano e tem como objetivo a conscientização da sociedade americana (brancos e negros) quanto à estupidez daquela segregação e discriminação. Nos dois casos a cegueira é a mesma: a da mente corrupta no primeiro caso, que não pode ver; e a da mente inconsciente e doentia do segundo caso, que se recusa a ver. A única diferença está em que a primeira é incorrigível e a segunda pode ser curada.

O teste segue de uma maneira muito simples. Observe se as ações do indivíduo se coadunam com as normas de boa conduta; se possuem algum sentido humanitário; se caracterizam uma intenção altruísta; se concorrem para o (re)estabelecimento da verdade e da justiça; se trazem uma mensagem de fé e esperança para os menos favorecidos; se, num sentido geral, são acolhedoras e benevolentes. Caso contrário, ponto a ponto, o corrupto denunciar-se-á através da improbidade (má conduta), da animalidade, do egoísmo, da mentira, da iniqüidade, da bajulação dos poderosos e da aversão aos menos favorecidos.

A aplicação do teste também não é difícil porque os corruptos ocupam todos os espaços de comunicação de massa para iludir e ludibriar os inconscientes, tão úteis para a sua progressão. Menos freqüentemente aparecem nas páginas policiais dos jornais, ou no imenso espaço reservado na mídia para noticiar crimes, porque ali geralmente encontram-se as suas vitimas. Não se deixe enganar. Não tenha também a ilusão de encontrar aqueles que verdadeiramente os combatem nesses espaços nobres da mídia, salvo por um exíguo tempo. Esta é uma luta silenciosa, que se desenrola a partir do despertar de cada pessoa. É um levantar-se só, combatendo-se primeiramente o poderoso inimigo interior e, depois, aquele que nos assedia quer seja no nosso circulo próximo, quer seja através dos meios de comunicação.

Não deixa de ser frustrante escrever para cegos, seja lá de que tipo for. É precisamente aqui que você leitor entra em cena. Faça algo para abrir os olhos de pelo menos mais um.

Ode ao Ideal Supremo [1]


Deixem-me ressoar longinquamente
o tambor do Dharma.

Deixem-me ecoar longinquamente
o rugido do Leão dos Shakyas.

Em benefício de todos os seres viventes.

 


[1] Como se sabe, nesta data de 15 de Fevereiro, o Buda Shakyamuni entra no seu Parinirvana.

A Luz

II.2 – A Luz

Sabemos hoje, graças à intuição de notáveis observadores da natureza, ser a luz um fenômeno ondulatório – ondas eletromagnéticas – cuja interação com os meios materiais dependerá da freqüência ou freqüências do raio luminoso e, portanto, da energia dos fótons que compõem o feixe energético luminoso. A visão humana, limitada que é, percebe e distingue freqüências numa faixa relativamente estreita. Esta faixa vai do vermelho (menor freqüência visível) ao violeta (no limite superior). Abaixo e acima destas freqüências, respectivamente, encontramos as bandas do infravermelho e do ultravioleta. Dentro desta escala, os raios de luz podem ter duas classificações bem gerais: raios monocromáticos e policromáticos. Os raios monocromáticos são feixes de fótons monoenergéticos (isto é, fótons de mesma energia) e, portanto, de mesma freqüência ou dentro de uma faixa de freqüências estreita o bastante. Desses raios tem-se a radiação luminosa monocromática, que nada mais é que uma cor definida ou pura. Os raios policromáticos são feixes de fótons de freqüências diversas, cuja largura do espectro de freqüências da luz visível pode abranger do infravermelho ao ultravioleta. A luz de tais raios é dita policromática, ou seja, uma mistura de cores ou freqüências distintas.

A interação da luz com a matéria, por sua natureza ondulatória, passa a ser exclusivamente dependente da freqüência dos fótons que compõem o feixe luminoso. Por sua vez, a natureza do meio em que a luz se propaga passa a ser o observável no sistema que introduziremos. Como sabemos, a luz tem módulos de velocidades diferentes de acordo com o meio de propagação, sendo 300.000 km/s sua velocidade máxima válida para o vácuo absoluto, isto é, medida na ausência de manifestações materiais.

Com base nos fenômenos de interação da luz com a matéria, temos inúmeros exemplos, dentre os quais citaremos apenas alguns, que nos explicam uma série de fenômenos naturais, alguns dos quais ainda carentes de um tratamento mais criterioso. Vejamos: a cor azul da nossa atmosfera; a muito conhecida experiência do Físico inglês Isaac Newton5 que analisou a luz solar (veja figura abaixo); o desvio sofrido pela luz emitida por estrelas situadas atrás do disco solar nas vizinhanças do Sol; os filtros monocromadores e as guias de luz (por exemplo, as fibras ópticas). Ainda macroscopicamente, lembraremos alguns tipos de cristais que, por sua abundante ocorrência na natureza e vasta aplicação, muito nos auxiliarão na defesa de um posterior modelo analógico. Falaremos genericamente dos cristais iônicos e dos cristais de quartzo.

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Cristais Iônicos

Estas estruturas cristalinas são formadas por átomos íon-positivos e íon-negativos que se intercalam ligando-se eletronicamente no arranjo cristalino. Estes cristais são, via de regra, transparentes à luz visível; isto é, as freqüências da luz visível não interagem com essas estruturas. Isto quer dizer que fótons do infravermelho ao ultravioleta não “enxergam” os arranjos cristalinos, propagando-se livremente pelos espaços interatômicos. Entretanto, se algum defeito estiver presente nestes cristais, serão desenvolvidos o que chamamos comumente de centros de cor. Estes defeitos poderão ser: lacunas íon-positivas ou íon-negativas que podem recombinar-se com, por exemplo, elétrons ou átomos de impureza de uma maneira geral; falhas ou distorções na rede etc. Na presença de defeitos, isto é, quebrada a perfeita periodicidade da rede, os fótons passam a interagir com esses centros de imperfeições (manifestações materiais), resultando na emissão de freqüências particulares do espectro da luz incidente, ou seja, cores.

Cristais de Quartzo

À semelhança dos cristais iônicos, os cristais de quartzo quando puros e perfeitos são transparentes aos comprimentos de onda da luz visível. A ocorrência de grande gama de cores desses cristais na natureza deve-se ao grau e tipo de impurezas, bem como à presença de defeitos estruturais, o que invariavelmente está relacionado com a região de ocorrência. Disto decorre a raridade de certas gemas. Artificialmente, uma forma de se desenvolver centos de cor em cristais é irradiá-los com partículas energéticas capazes de criar defeitos em grande concentração. Átomos intersticiais, lacunas, excitação das camadas eletrônicas e outros tipos de defeitos criados por irradiações; dependendo do tipo, energia e intensidade; podem produzir as mais diferentes cores para os cristais inicialmente transparentes.

Aqui, ao fazermos de um raio de luz nosso observador, dentro da estrutura cristalina nada nos será visível senão defeitos, incluindo-se entre essas imperfeições os estados de excitação. Em outras palavras, a perfeição cristalina não é observável fisicamente por interferência da luz dentro de certo espectro de freqüências.

Assim Eu Ouvi

 

Assim eu ouvi.

Naquela ocasião, o Buda residia no Monte Gridhrakuta, próximo à cidade do Palácio dos Reis (Rajagriha[1]), junto com uma congregação de grandes Monges, vinte mil ao todo. Todos eram Arhats[2] que haviam eliminado todos os desejos e não tinham mais sofrimentos. Tendo atingido o autoconhecimento, eles haviam eliminado os elos da existência e suas mentes haviam atingido a emancipação.

 


[1] Grande cidade murada na antiga Índia, segundo se acredita, continha novecentas mil casas, e que foi destruída por grandes incêndios que irromperam em sete ocasiões.

[2] Santos que optaram por não atingir o Nirvana para auxiliar outros a trilhar o caminho de iluminação.

Extraído de CAP. 01: INTRODUÇÃO

 

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Noções do Fenômeno de Transporte em Meios do Estado Sólido

II.1 – Noções do Fenômeno de Transporte em Meios do Estado Sólido

Sendo os elétrons portadores da carga elementar g, de cujo movimento tem origem o fenômeno de transporte chamado corrente elétrica, somente átomos portando elétrons em bandas de energia cuja população está fracamente ligada ao núcleo guardarão as propriedades de bons condutores de eletricidade. O fenômeno de condução elétrica em materiais no estado sólido é o movimento dos portadores de carga “acelerados” por uma excitação externa. Como a energia associada ao fenômeno terá um comprimento de onda e freqüência intrínsecas, para cada portador de carga teremos ondas materiais se propagando no meio condutor.

Através da rápida revisão de alguns conceitos e parâmetros da estrutura atômica, demonstra-se ser o átomo um relativo “vazio”. Dessa forma, se tivermos uma rede cristalina perfeita, isto é, com todos os átomos constituintes em seus devidos lugares e isenta de demais defeitos, numa temperatura tal que o movimento dos átomos em torno de suas posições de equilíbrio seja suficientemente pequeno; nestas condições, teríamos os portadores de carga movimentando-se livremente através da rede, sem que esta lhes oferecesse qualquer resistência. É como se define resistência elétrica nula: um cristal perfeito na temperatura do zero absoluto, ou seja, à temperatura em que os átomos estão vibrando apenas com a amplitude e freqüência características do ponto zero, o cristal perfeito tem resistência nula. Assim, um material nestas condições seria transparente ao movimento de cargas eletrônicas.

Por outro lado, a presença de defeitos comuns nos materiais como lacunas, átomos intersticiais e de impurezas, deslocações bem como a vibração dos átomos em torno das suas posições na rede, que aumentam com a temperatura, torna-se obstáculo ao movimento das cargas, pois, a interação dessas com as imperfeições fazem com que a propagação deixe de ser infinita para ser finita; isto é, os portadores de carga passam a ter um caminho livre médio. Em outras palavras, dentro de um meio hipotético ideal, onde os portadores de carga teriam livre trânsito, na realidade, existe todo um universo de defeitos de dimensões finitas a se opor ao movimento dos portadores que os enxergam como obstáculos. Figurativamente, deixa o material de ser transparente para ser um meio resistente e, ao colocarmos o portador como observador, deixa o material de ser um vazio não observável para ser um universo de corpos de toda uma gama de imperfeições que se distribuem num imenso “vazio”. Algo como a figura abaixo.

Universo de Defeitos

 

Flor Mística

Pétala de uma flor mística,
sedosa e transparente,
por que pensas que estou ausente?

Flor Mstica

 

O Mais Profundo Eu Somos Nós – 2a. Parte

A Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos – 2ª. Parte

Assim é o Sutra de Lótus. O Sutra de Lótus é extenso e engloba todos os ensinamentos do Buda, reunidos na forma de princípios perfeitos executando a função de exprimir e revelar a Verdade. Podendo ser considerado o “corpo” dos ensinos Budistas, o Sutra de Lótus tem uma identidade: ele é a própria e Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos. O Sutra de Lótus também tem um nome: Saddharma-Pundarika-Sotaram, ou Myoho-Rengue-Kyo, ou Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Analogamente ao exemplo do corpo humano, ao pronunciar-se o nome do Sutra de Lótus precedido de dois caracteres cuja contração NAMU significa devotar a vida; ou seja, Nam-Myoho-Rengue-Kyo, todas as células (ou caracteres) daquele extenso ensinamento são penetradas e passam a executar a função de revelar a vida do Buda. É como ler o Sutra todo, fazendo vibrar harmonicamente todos os seus caracteres e os seus profundos significados. Isto não é natural? Por que não? Os caracteres do Sutra de Lótus são sons que harmonicamente formam expressões sonoras (idéias e princípios) que, como as células, as moléculas de um gás ou as sílabas de um poema perfeito; se estruturam e se arranjam na composição do Sutra. Esse conjunto de sons e significados, por mais heterogêneo que possa parecer (tal como o conjunto de materiais que forma a estrutura de uma ponte), poderá possuir uma freqüência de ressonância? O Mestre da Lei Nitiren Daishonin afirma que sim, e muito mais. Em sua escritura intitulada “Abrindo os Olhos de Imagens de Madeira ou Pintadas”, Nitiren Daishonin afirma: “Desde o falecimento do Buda, têm sido feitas duas espécies de imagens suas: de madeira e pintadas. Elas possuem trinta e uma características, mas falta-lhes a voz pura e de longo alcance. Portanto, não se igualam ao Buda. Elas estão também desprovidas do aspecto espiritual”(5).

Voltando ao exemplo, o nome e a identidade de uma pessoa neste mundo são provisórios. Conforme Nitiren Daishonin revela em seus ensinamentos, a realidade última do âmago da vida de uma pessoa é o próprio Myoho-Rengue-Kyo. Este, portanto, é o verdadeiro nome de todas as pessoas e sua identidade é o Sutra de Lótus.

Ao recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a pessoa não somente está estimulando cada célula do seu próprio corpo para harmoniosamente executarem suas funções, como também está estimulando cada entidade do mundo exterior a executar suas funções em harmonia consigo própria. Esta é uma descrição simples do fenômeno da fusão entre pessoa (sujeito (TI)) e o mundo objetivo (KYO), ou a incorporação da verdadeira doutrina de ITINEN SANZEN. Naquele momento da fusão, a determinação de uma única pessoa permeia todo o seu mundo interior como também seu mundo exterior, ou o próprio universo.

Ao aceitar a identidade do Sutra de Lótus como sendo o repositório da vida do Buda e recitar o Nam-Myoho-Rengue-Kyo evocando a si próprio, uma pessoa está na verdade transpondo sua identidade provisória para assumir a sua natureza da Buda. São inimagináveis os benefícios que uma pessoa poderá desfrutar quando todas as funções do universo passarem a funcionar em sua proteção de maneira harmoniosa e coordenada. Creio ser esta a essência da prática do Budismo.

Quando uma pessoa ouve o seu nome, as células que compõem seu cérebro operam de maneira coordenada modulando a voz através do sentido da audição para identificar a origem do chamado ou quem o faz. O mecanismo da visão, composto por inúmeras outras células, busca a direção do chamado. Os membros e todos os outros órgãos esforçam-se fazendo o corpo voltar-se para quem o chama. Assim como a identidade e o nome nesta vida, o corpo também é provisório.

Ao recitar Nam-Myoho-Rengue-Kyo, a pessoa estimula a mente do Buda. Da mesma maneira, a visão mística do Buda é ativada desenvolvendo e aguçando a percepção do indivíduo e; assim, a vida do Buda que é a causa fundamental da nossa existência, emerge das profundezas de nossas vidas, iluminando-a.

O Mais Profundo Eu Somos Nós – 1a. Parte

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