Uma Vida de Doação

Hsuan Hua

Hsuan Hua em Ukiah California

Ao longo de toda a sua vida, o Venerável Mestre Hsuan Hua foi totalmente altruísta. Ele fez votos de tomar para si o sofrimento e as dificuldades de todos os seres viventes, e para dedicar todas as suas próprias bênçãos e alegria aos seres viventes do Reino do Dharma. Ele praticou o que era difícil de praticar e suportou o que era difícil de suportar, perseverando em sua heroica e pura decisão. Ele foi uma vela que se recusou ser soprada pelo vento forte, uma irredutível pepita de ouro puro no fogo ardente. O Venerável Mestre compôs um verso expressando seus princípios:

Congelando até a morte, não fazemos plano.

Passando fome até a morte, não esmolamos.

Morrendo de pobreza, nada pedimos.

De acordo com as condições, não mudamos.

Não mudando, estamos de acordo com as condições.

Aderimos firmemente aos nossos três grandes princípios.

 

Renunciamos nossas vidas para realizar o trabalho do Buda.

Assumimos a responsabilidade de moldar nosso próprio destino.

Corrigimos nossas vidas como o trabalho da Sangha.

Ao deparar com assuntos específicos,

compreendemos os princípios.

Ao compreender os princípios,

aplicamos-lhes em assuntos específicos.

Levamos adiante o pulsar único

da transmissão do pensamento dos patriarcas.

Desde o tempo em que ele deixou a vida familiar, o Venerável Mestre observou firmemente os seis grandes princípios de não brigar, não ser ganancioso, não pedir, não ser egoísta, não buscar vantagens pessoais, não mentir alegando benefício para as multidões. Ensinando com sabedoria e compaixão, dedicando-se a servir os outros, e agindo como um exemplo para os outros, ele influenciou incontáveis pessoas a mudarem sinceramente suas falhas e seguirem em direção à pura e exaltada Via do Bodhi.

Os seres viventes do presente têm profundas obstruções e escassas bênçãos de fato. Para um Sábio desta era, ele manifestou-se abruptamente passando em silêncio. Os seres viventes do Mundo Saha perderam subitamente seu abrigo para refúgio. Todavia, a vida do Venerável Mestre é de fato um decreto do grande Sutra Guirlanda de Flores do Reino do Dharma. Embora ele tenha manifestado entrar no Nirvana, ele constantemente gira a infinita roda não deixando quaisquer vestígios, ele veio do espaço vazio, e para o espaço vazio ele retornou. Seus discípulos podem somente seguir cuidadosamente as instruções do seu professor, agarrar-se aos seus princípios, honrar os regulamentos do Buda, e ser cada vez mais rigorosos ao avançar no caminho do Bodhi, tal que possam retribuir a ilimitada e profunda graça do Venerável Mestre.

Resumo da Biografia do Venerável Mestre Hsuan Hua (1918-1995)

Fonte: San Francisco State University at  http://online.sfsu.edu/~rone/Buddhism/VenHua/hua.htm

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

O Mestre Volta seu olhar para o Ocidente

Hsuan Hua

Hsuan Hua em Ukiah California

Em 1959, o Venerável Mestre Hsuan Hua viu que as condições estavam maduras no Ocidente, e instruiu os seus discípulos a estabelecerem a Associação Budista Sino-Americana (mais tarde chamada Associação Budista Reino do Dharma) nos Estados Unidos da América. Ele viajou para a Austrália em 1960 e propagou o Dharma lá durante um ano. Uma vez que as condições ainda não estavam maduras lá, ele retornou à Hong Kong em 1962. Naquele mesmo ano, a convite dos Budistas na América, o Mestre viajou sozinho para os Estados Unidos. Ele levantou a bandeira do Dharma correto no Salão de Conferência Budista em São Francisco. Em razão de o Mestre ter começado a viver em um porão úmido e sem janelas, que se assemelhava a uma sepultura, ele chamou a si mesmo de “O Monge na Sepultura”. Naquela ocasião a crise dos mísseis Cubanos ocorreu entre os Estados Unidos e a União Soviética, e o Mestre embarcou em completo jejum por trinta e cinco dias para orar pelo fim das hostilidades e pela paz mundial. Ao final do seu jejum, a ameaça de guerra havia desvanecido.

Em 1968, o Estudo do (Sutra) Surangama e a Sessão da Prática de Verão foram realizados, e mais de trinta estudantes da Universidade de Washington em Seatle acorreram para o estudo do Budadharma. Após a conclusão da sessão, cinco jovens Americanos pediram permissão para raspar suas cabeças e abandonar a vida familiar, marcando o início da Sangha na história do Budismo Americano. Desde aquele tempo, o Venerável Mestre devotou seus maiores esforços às tarefas de propagação do Dharma, supervisão da tradução do Cânone Budista, e desenvolvimento da educação. Ele acolheu um vasto número de discípulos, estabeleceu monastérios, e estabeleceu princípios. Ele focava a mais absoluta sinceridade de todos os discípulos no trabalho de glorificação do Dharma Correto do Tathagata (Thus Come One) para o final dos tempos, do espaço completamente vazio e o Reino do Dharma.

Em termos da propagação do Dharma, o Mestre prelecionou sobre Sutras e expôs o Dharma virtualmente a cada dia durante várias décadas, sempre dando explicações simples que tornavam os profundos princípios fáceis de compreender. Ele também trabalhou ativamente para treinar tanto aqueles que deixaram a vida familiar quanto seus discípulos leigos a tornarem-se hábeis na propagação do Dharma. Ele levou várias delegações a propagarem o Dharma em várias universidades e em muitos países do mundo, com o objetivo de conduzir os seres viventes a aprimorarem e descobrirem as suas sabedorias inatas.

Quanto à tradução do Cânone Budista, até agora mais de uma centena de volumes das explanações do Mestre das escrituras foram traduzidos para o Inglês. Ninguém tanto quanto ele supervisionou a tradução de tantos sutras para o Inglês. Traduções para o espanhol, vietnamita, e outros idiomas também têm sido produzidas. Seus planos eram traduzir completamente os Cânones Budistas para os idiomas de cada país, tal que o Budadharma pudesse se espalhar amplamente pelo mundo.

Quanto à educação, na Cidade dos Dez Mil Budas ele estabeleceu as instituições educacionais como a Escola Elementar da Instilação da Bondade, a Escola Secundária do Desenvolvimento da Virtude, Universidade Budista Reino do Dharma, e Programas de Treinamento da Sangha e Leigos. Muitos dos monastérios afiliados têm aulas de fim de semana e durante a semana baseadas nas oito virtudes humanas fundamentais que são o amor filial, respeito fraternal, lealdade, idoneidade, decência, retidão, incorruptibilidade e um sentimento de vergonha. Zelosos pelo bem-estar público, e tendo um espírito altruísta de bondade, compaixão, alegria e doação como seu objetivo, meninos e meninas estudam separadamente, e os professores voluntários consideram a educação como sua responsabilidade pessoal. Dessa forma, os estudantes se transformam em indivíduos capacitados, de integridade incorruptível, e que serão capazes de salvar o mundo.

O Mestre ensinou a seus discípulos que a cada dia eles devem sentar em meditação, recitar o nome do Buda, curvar-se em arrependimento, estudar os Sutras, observar rigorosamente os preceitos, tomar somente uma refeição diária, e apenas antes do meio-dia, e sempre usar o Robe Sacerdotal (Kasaya – Robe Monástico). Ele instruiu-lhes a viverem (co-habitarem) em harmonia e encorajarem uns aos outros. Dessa maneira, ele estabeleceu a Sangha que pratica genuinamente o Budadharma no Ocidente, na esperança de elevar o ensino ortodoxo, fazendo com que o Dharma Correto fosse muito respeitado. O Venerável Mestre também abriu a Cidade dos Dez Mil Budas como um centro religioso internacional para a promoção da unificação de todas as religiões do mundo, oferecendo a todos a oportunidade de aprender, comunicar, cooperar, buscar a verdade, e trabalhar pela paz mundial.

Resumo da Biografia do Venerável Mestre Hsuan Hua (1918-1995)

Fonte: San Francisco State University at  http://online.sfsu.edu/~rone/Buddhism/VenHua/hua.htm

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

O Mestre da Unificação das Escolas Budistas

Hsuan Hua

Hsuan Hua em Ukiah California

A Prática da Destituição das Marcas

No período após a morte de sua mãe, ele fez dezoito grandes votos, curvou-se para o Sutra Avatamsaka (Guirlanda de Flores),praticou a adoração e o sincero arrependimento, praticou a meditação Chan, estudou os ensinamentos, tomou apenas uma refeição diária, e não deitava-se para dormir à noite. Como sua habilidade crescia cada vez mais, ele conquistou a admiração e o respeito dos moradores. Seus esforços intensivamente sinceros para purificar-se e cultivar (a Via) comoveu os Budas e Bodhisattvas, bem como os deuses e dragões protetores do Dharma. As respostas milagrosas eram demais para serem contadas. Como as notícias desses eventos sobrenaturais espalharam-se ampla e longinquamente, o Mestre veio a ser considerado como um Monge extraordinário. Certo dia, enquanto estava sentado em meditação, ele viu o Grande Mestre, o sexto Patriarca, vir à sua cabana e dizer-lhe: “No futuro, você irá para o Ocidente, onde encontrará um ilimitado e incontável número de pessoas. Os seres viventes que você ensinará e transformará serão tão incontáveis quanto às areias que há no Rio Ganges. Aquilo marcará o início do Budadharma no Ocidente”. Após o Sexto Patriarca encerrar o seu pronunciamento, ele subitamente desapareceu. Quando sua observância do amor filial se completou, o Mestre foi para a Montanha de Changbai e viveu em reclusão na Caverna de Amitabha, onde praticou austeridades. Mais tarde ele retornou para o Monastério de Sanyuan, onde foi escolhido para ser o chefe da assembleia. Durante o período em que viveu na Manchuria, o Mestre contemplava o potencial das pessoas e conferia-lhes os ensinamentos apropriados. Ele despertou aqueles que estavam confusos e salvou muitas vidas. Incontáveis dragões, serpentes, raposas, fantasmas e espíritos pediram-lhe para tomar refúgio e receberam dele os preceitos, transformando sua maldade e cultivando a bondade.

Em 1946, em razão de sua estima pelo Mestre Ancião Hsu Yun como um grande herói do Budismo, o Mestre rapidamente juntou seus pertences e pôs-se a caminho para prestar-lhe homenagem. Durante a sua árdua viagem, ele esteve em muitos renomados monastérios do continente Chinês. Em 1947 ele foi à Montanha Potala para receber a ordenação completa. Em 1948, ele chegou ao Monastério de Nanhua em Caoxi de Guangzhou, onde prestou homenagem ao Mestre Ancião Hsu Yun e foi designado para ser um instrutor na Academia de Vinaya do Monastério de Nanhua. Mais tarde, ele foi indicado como Decano de Assuntos Acadêmicos. O Mestre Ancião Hsu Yun viu que o Mestre era um indivíduo notável no Budismo e transmitiu-lhe a linhagem do Dharma, conferindo-lhe o nome do Dharma de Hsuan Hua, tornando-lhe o Nono Patriarca da Seita Wei Yang, a quadragésima-quinta geração desde o Primeiro Patriarca Mahakashyapa.

Em 1949, o Mestre se despediu do Venerável Mestre Hsu Yun e foi para Hong Kong para propagar o Dharma. Ele dava igual importância às cinco escolas do Chan (Meditação), Doutrina, Vinaya (Disciplina), Esotérica e Terra Pura, colocando assim um fim ao sectarismo. O Mestre também renovou velhos templos, imprimiu Sutras e construiu imagens. Ele estabeleceu o Monastério dos Jardins da Felicidade Ocidental, o Monastério Cixing Chan, e a Sala de Aula Budista. Viveu em Hong Kong por mais de dez anos, e no mais sincero interesse dos seres viventes, ele criou extensivas afinidades no Dharma. Ele proferiu uma sucessão de palestras sobre o Sutra do Bodhisattva Kṣitigarbha, o Sutra Diamante, o Sutra Amithabha, o Sutra Surangama, o Capítulo do Portal Universal (Avalokitesvara), e outros. Além disso, ele realizou várias assembleias do Dharma tais como o Arrependimento da Grande Compaixão e o Arrependimento do Mestre Medicina, e ainda sessões de recitação e meditação. Ele também publicou o magazine Hsin Fa (Mente Dharma). Cada dia ele trabalhou e viajou zelosamente em prol da propagação do Grande Dharma, e como resultado o Budadharma floresceu em Hong Kong. Durante aquele período ele também fez várias visitas à Tailândia, Burma, e outros países para investigar a tradição sulista (Theravada) do Budismo. Ele desejava estabelecer uma comunicação entre as tradições Mahayana e Theravada, e unir a força do Budismo.

Resumo da Biografia do Venerável Mestre Hsuan Hua (1918-1995)

Fonte: San Francisco State University at  http://online.sfsu.edu/~rone/Buddhism/VenHua/hua.htm

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

Os Primórdios da Vida do Venerável Mestre Hsuan Hua

Hsuan Hua

Hsuan Hua em Ukiah California

O Venerável Mestre, um nativo do Condado Shuang Cheng da Província de Jilin na China, nasceu no décimo-sexto dia do terceiro mês lunar do ano de Wu Wu (Cavalo), nos primórdios do século. O sobrenome de sua família era Bai, e seu nome era Yushu. Ele era também chamado Yuxi. Seu pai, Bai Fuhai, era diligente e providente na gestão do lar. Sua mãe, cujo nome de solteira era Hu, alimentava-se somente de comida vegetariana e recitou o nome do Buda todos os dias ao longo de sua vida. Quando ela estava grávida do Mestre, ela orou aos Budas e Bodhisattvas. Na noite anterior ao seu nascimento, ela viu num sonho o Buda Amitabha emitindo uma luz brilhante. Após aquilo, o Mestre nasceu.

Quando criança, o Mestre seguiu o exemplo de sua mãe e alimentava-se apenas de comida vegetariana, e recitava o nome do Buda. O Mestre era quieto e não-falante por natureza, mas tinha um espírito justo e heróico. Aos onze anos, após ver uma criança vizinha que havia morrido, ele tornou-se consciente da grande questão do nascimento, da morte e da fugacidade da vida, e resolveu deixar a vida familiar. Aos doze anos, ele ouviu falar de como Filial Son Wong do condado de Shuang Cheng (mais tarde conhecido como Grande Mestre Chang Ren) havia praticado o amor filial e atingido a Via, e fez votos de seguir o exemplo de Filial Son. Arrependendo-se de não ter sido filial para com seus pais no passado, o Mestre decidiu curvar-se para seus pais todas as manhãs e tardes (ao anoitecer) como uma forma de reconhecimento de suas falhas, e de retribuição à bondade de seus pais. Ele gradualmente foi se tornando famoso por sua conduta filial, e as pessoas chamavam-no Filial Son Bai. Aos quinze anos, ele refugiou-se aos cuidados do Venerável Mestre Chang Zhi. Naquele mesmo ano ele começou a frequentar a escola e dominou os Quatro Livros, os Cinco Clássicos, os textos de várias escolas de pensamento Chinesas, e as disciplinas de medicina, divinação, astrologia e fisionomia. Durante seus anos de estudante, ele também participou da Sociedade Moral e outras sociedades beneficentes. Ele explanou o Sutra do Sexto Patriarca, o Sutra Diamante, e outros Sutras para aqueles que eram iletrados, e fundou uma escola livre (gratuita) para aqueles que eram pobres e necessitados. Quando estava com dezenove anos, sua mãe faleceu, e ele pediu permissão ao Venerável Mestre Chang Zhi do Monastério Sanyuan para raspar sua cabeça. A ele foi dado o nome do Dharma An Tse e o prenome To Lun. Trajado nos robes do abandono do lar, ele construiu uma cabana simples para túmulo de sua mãe e cumpriu a prática do amor filial.

Resumo da Biografia do Venerável Mestre Hsuan Hua (1918-1995)

Fonte: San Francisco State University at  http://online.sfsu.edu/~rone/Buddhism/VenHua/hua.htm

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

A História após Tien-t’ai

Chih-i

Pintura do Shramana Chih-i. Imagem Via Wikipédia.

A escola de Tien-t’ai é a única das escolas do Budismo Chinês que deriva seu nome de seu centro geográfico (Monte Tien-t’ai) e não de uma escritura central (como no caso da escola Hua-yen) ou do seu método de prática (como no caso da Ch’na ou Terra Pura). Isto lhe deu uma medida de estabilidade e continuidade, uma vez que aqueles que residiam no Monte Tien-t’ai sentiam a necessidade de manter vivas as visões e as práticas da escola. Isto lhe permitiu sobreviver mesmo à grande perseguição ao Budismo em 845 que destruiu todas as outras escolas, salvo aquelas altamente descentralizadas como Ch’na e Terra Pura. Chih-i foi sucedido por seu discípulo de vinte anos, Kuan-ting (561-632), que compôs comentários sobre o Sutra do Nirvana ao estilo Chih-i. O sexto patriarca, Chan-jan (711-782) foi fundamental na revitalização da (linhagem) Tien-t’ai após ela ter perdido algum terreno para as recém-surgidas escolas Hua-yen, Ch’na e as escolas esotéricas. Ele compôs comentários sobre as escrituras e trabalhos de Chih-i, e se lhe atribui também um interessante desenvolvimento doutrinário. Com base na doutrina de interpenetração da mente absoluta através de todos os fenômenos de Chih-i, e no seu termo ‘Natureza-de-Buda do Caminho-Médio’, Chan-jan asseverou que todas as coisas, tanto animadas como inanimadas, possuem a Natureza de Buda, e podem dessa forma atingir a iluminação. A escola floresceu grandemente sob a sua liderança. Duas gerações mais tarde, todavia, a perseguição de Hui-ch’ang de 845 eclodiu, e o complexo do templo no Monte Tien-t’ai foi destruído juntamente com sua biblioteca e manuscritos, e seu clero foi dispersado. A escola sofreu um abrupto declínio após isto, mas não morreu. Discípulos Coreanos atenderam aos clamores para trazer os textos e ensinamentos da escola de volta para a montanha, e a escola lentamente começou reerguer-se. Durante a Dinastia Sung, dois eminentes monges da Tien-t’ai, Ssu-ming Chih-li (960-1028) e Tsun-shih (964-1032) foram muito ativos não apenas na propagação dos ensinamentos da Tien-t’ai, mas no estabelecimento em larga escala de sociedades da Terra Pura entre os clérigos, e na educação de leigos.

Sssu-ming Chih-li também iniciou uma controvérsia que dividiu a escola Tien-t’ai em duas facções para os séculos vindouros. Iniciando-se no ano 1000, isso ficou conhecido como a controvérsia de Shan-chia (‘alto da montanha’, isto é, a escola ortodoxa) versus Shan-wai (‘sopé da montanha’, isto é, a escola heterodoxa), e que tocou em pelo menos quatro questões distintas quanto à autenticidade de uma determinada versão de um dos trabalhos de Chih-i, a colocação de uma doutrina específica do Surgimento Dependente (pratītya-samutpāda) dentro do ‘Ensinamento Distinto’ ou em outro lugar do arcabouço dos ensinos, a relação entre o mal inerente no princípio absoluto e o mal dentro dos seres em particular, e a natureza da Terra Pura. A controvérsia de Shan-chia x Shan-wai proveu a base para um fluxo constante de tratados e escrituras durante a dinastia Ming. Após aquele período, a escola acomodou-se numa existência tranquila, e ao fim da dinastia Ming, era menos uma escola autoestabelecida do que um conjunto de textos e doutrinas nos quais alguns estudantes buscavam especializar-se (embora certos clérigos ainda alegassem ser parte da escola T’ien-t’ai). Também, a partir do século 9, com a visita de Saichō  à China em busca do Monte T’ien-t’ai, a escola veio para o Japão, onde tornou-se conhecida como escola Tendai, uma das maiores tradições do Budismo Japonês.

Fonte: DAMIEN KEOWN. “T’ien-t’ai.” A Dictionary of Buddhism. 2004.Extraído  da  Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/doc/1O108-Tientai.html

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

A Doutrina das Três Verdades de Tien-t’ai

Chih-i

Pintura do Shramana Chih-i. Imagem Via Wikipédia.

Chih-i sentia alguma insatisfação com a análise metafísica essencialmente negativa dos ensinamentos do Madhyamaka (como é visto pelo fato de que, nos ‘Cinco Períodos’ do seu esquema de classificação doutrinária, o período do Prajñā-pāramitā não é o período final). Assim, Chih-i propôs as Três Verdades: as verdades da vacuidade (śūnyatā), transitoriedade, e (caminho) médio. Chih-i também resgatou essa verdade do caminho médio de um tratado da ontologia do ser (concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres) que afirmava haver um agente operacional dentro do universo. Ao passo que os ensinamentos da vacuidade do Madhyamaka afirmavam como as coisas existiam de forma seca e estática, Chih-i caracterizou a natureza final das coisas como consciência (vijñāna), cunhando o termo ‘Natureza-de-Buda do Caminho-Médio’. A mente onisciente do Buda presente em toda a realidade fenomenal, e assim todas as coisas no mundo eram parte da consciência do Buda. Dessa forma, essa mente absoluta operava através de todas as coisas trabalhando compassivamente pela libertação de todos os seres. O fato de que essa mente encontrar-se-ia tanto nos fenômenos puros como impuros, levou T’ien-t’ai a abraçar um ensino único: que a mente absoluta possui aspectos tanto puros como impuros; em outras palavras, que as coisas imorais e impuras no mundo serviam como o veículo para a atividade de salvação do Buda, tanto quanto as coisas que eram puras. T’ien-t’ai é a única escola do Budismo Chinês que atribui aspectos impuros à Mente-do-Buda. Para T’ien-t’ai, todavia, isto era simplesmente uma consequência lógica da atribuição da onisciência à Mente-do-Buda que perceberia todas as coisas, e assim incorporaria todas as coisas em si, quer puras ou impuras, e faria uso dessas para chegar a todos os seres.

Fonte: DAMIEN KEOWN. “T’ien-t’ai.” A Dictionary of Buddhism. 2004.Extraído  da  Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/doc/1O108-Tientai.html

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

O Sistema de Meditação de Tien-t’ai

Chih-i

Pintura do Shramana Chih-i. Imagem Via Wikipédia.

Chih-i e seu mestre Hui-ssu, ambos eram mestres de meditação, e dois dos trabalhos de Chih-i, o Mo-ho chih-kuan (Grande Quietude e Contemplação) e Hsiao chih-kuan (Pequena Quietude e Contemplação) pegam um grande número de métodos de meditação e os sistematizam. Embora uma exposição completa desses métodos esteja para além do escopo desse trabalho, deve-se notar que essa classificação global das técnicas influenciou outras tradições que surgiriam à mesma época ou depois de Tien-t’ai. Por exemplo, ela inclui métodos de exercitação de atenção plena (mindfulness) nas atividades diárias e de percepção da realidade última através da contemplação da realidade fenomenológica, o que influenciaria diretamente o desenvolvimento do Ch’an. Ela também inclui métodos de invocação do nome e visualização da forma do Buda Amitābha, que daria um novo ímpeto para a já existente tradição da Terra Pura.

Fonte: DAMIEN KEOWN. T’ien-t’ai.” A Dictionary of Buddhism. 2004.Extraído  da  Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/doc/1O108-Tientai.html

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

O Sistema de Classificação Doutrinária de Tien-t’ai

Chih-i

Pintura do Shramana Chih-i. Imagem Via Wikipédia.

Tien-t’ai (Chih-i) é conhecido por três aspectos inovadores: seu sistema de classificação doutrinária, seu sistema de meditação altamente articulado, e sua doutrina das Três Verdades.

Um dos problemas com os quais Chih-i relutava era o de dar sentido à massa desordenada de textos Budistas que haviam sido traduzidos para o Chinês até o final do sexto século. O Budismo foi introduzido na China na ocasião em que os ensinamentos do Mahayana estavam apenas entrando em destaque na India. Ambas as doutrinas e suas escrituras continuavam em evolução, ao passo que antigos textos do Hinayana também circulavam. Era difícil compreender como essas escrituras heterogêneas, e às vezes contraditórias, apresentadas como sendo palavras do Buda, pudessem constituir qualquer tipo de ensino unificado.

Embora algumas tentativas de sistematização doutrinária tivessem ocorrido antes, em grande parte essas tentativas foram baseadas no julgamento do grau de precisão com que um texto traduzia o ensinamento do Buda. Chih-i criou um conjunto de critérios que contextualizava as escrituras de acordo com três padrões: o período da vida do Buda no qual uma escritura foi pregada, a audiência para a qual foi pregada, e o método de ensinamento que o Buda empregara para transmitir a sua mensagem.

O primeiro critério produziu o esquema de ‘Cinco Períodos’:

  1. O período Avatamsaka (três semanas) imediatamente seguintes à iluminação do Buda, sobre o que foi pregado enquanto ele ainda estava num estado de êxtase para transmitir todo o conteúdo da sua visão. Todavia, os seres eram incapazes de apreender a totalidade da sua mensagem, de tal maneira que o Buda rapidamente mudou (adaptou) o seu ensinamento.
  2. No período Āgama (doze anos) o Buda pregou as escrituras Hīnayāna no sentido de prover uma introdução fácil aos ensinamentos.
  3. No período Vaipulya (oito anos) o Buda começou introduzir a temática Mahāyāna aos poucos e ceifar os ensinamentos dos períodos anteriores, bem como preparar o caminho para a compreensão plena.
  4. No período Prajñā-pāramitā (vinte e dois anos) o Buda ensinou a completa doutrina da vacuidade universal (śūnyatā) do Mahayana.
  5. Durante o período dos Sutras de Lótus e Sutra do Nirvana (oito anos) o Buda passou da linguagem pessimista dos Sutras Prajñā-pāramitā para a linguagem otimista do Sutra de Lótus, o qual afirmava a Natureza de Buda de todos os seres e a identidade e objetivo único dos assim chamados ‘Três Veículos’ do Budismo. Em razão de nessa ocasião (do quinto período) o Buda ter retomado o ensino do pleno conteúdo de sua iluminação, o Sutra de Lótus é considerado a mais elevada de todas as escrituras e a mais expressiva do significado de Buda para a escola de Tien-t’ai.

O critério da audiência (público-alvo) produziu quatro divisões nas escrituras:

  1. Os ensinamentos Pitaka foram concedidos para os dois veículos dos Sravakas e Pratyekabudas;
  2. Os ensinamentos comuns foram dirigidos aos dois grupos acima, e também para Bodhisattvas iniciantes no caminho do Mahayana;
  3. Os ensinamentos específicos foram apenas para os Bodhisattvas no caminho do Mahayana; e
  4. Os ensinamentos perfeitos davam um relato completo da totalidade da realidade para os Bodhisattvas superiores.

Finalmente, o critério do método de ensino produziu outras quatro categorias:

  1. O ensino abrupto visava sacudir (chocar) os praticantes para uma súbita percepção da realidade completa;
  2. O ensino gradual seguia uma aproximação passo-a-passo para ensinar e conduzir os praticantes sistematicamente até à percepção da verdade;
  3. O ensino secreto é aquele no qual o Buda pregou para uma grande multidão, mas veiculou a sua mensagem tal que somente uma ou mais pessoas específicas pudessem apreender o seu significado – este também indica uma situação na qual nem todos os membros da audiência estão cientes (da presença uns) de outros, como ocorre em várias escrituras do Mahayana quando se revela que deuses e Bodhisattvas estão a ouvir um discurso do Buda não detectado pelos membros menos avançados espiritualmente – e;
  4. Os ensinos indeterminados, nos quais os membros da audiência estão cientes da presença uns dos outros, mas o Buda fala a cada um individualmente embora pareça dirigir-se à multidão como um todo.

Fonte: DAMIEN KEOWN. “T’ien-t’ai.” A Dictionary of Buddhism. 2004.Extraído  da  Encyclopedia.com: http://www.encyclopedia.com/doc/1O108-Tientai.html

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

Nagarjuna como Médico Ayurvedic

Nagarjuna

Estátua de Ouro de Nagarjuna no Monastério de Samye Ling – Imagem Via Wikipedia

De acordo com Frank John Ninivaggi, Nagarjuna era também um praticante do Ayurveda, ou a Medicina Ayurvedic Tradicional Indiana. Descritas pela primeira vez no Tratado Médico em Sânscrito intitulado Sushruta Samhita (do qual ele foi o compilador da redação), muitas dessas conceituações, tais como suas descrições do sistema circulatório e do tecido sanguíneo (descrito como rakta dhātu), e seu trabalho pioneiro sobre a propriedade terapêutica dos minerais especialmente tratados conhecidos como bhasmas, que lhe valeram o título de “pai da iatroquímica (quimiatria)”.

[Fonte: Frank John Ninivaggi Ayurveda: A Comprehensive Guide to Traditional Indian Medicine for the West, page 23. (Praeger/Greenwood Press, 2008 – Via Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Nagarjuna).

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

Nagarjuna e a Relatividade

Nagarjuna

Estátua de Ouro de Nagarjuna no Monastério de Samye Ling – Imagem Via Wikipedia

Nagarjuna também ensinou a ideia da relatividade; no Ratnāvalī, ele dá o exemplo de que o curto existe somente com relação à ideia do longo. A determinação de uma coisa ou objeto é somente possível em relação às outras coisas e objetos, especialmente por meio do contraste. Ele considerava que a relação entre as ideias de “curto” e “longo” não é devida à natureza intrínseca (svabhāva). Essa ideia também é encontrada nos Nikāyas em Pali e nos Āgamas em Chinês, nos quais a ideia de relatividade é expressa de maneira similar: “Aquele que é o elemento da luz, é visto existir por conta da [em relação à] escuridão; aquele que é o elemento do bem, é visto existir por conta do mal; aquele que é o elemento do espaço, é visto existir por conta da forma”

[Fonte: David Kalupahana, Causality: The Central Philosophy of Buddhism. The University Press of Hawaii, 1975, pages 96-97. In the Nikayas the quote is found at SN 2.150 – Via Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Nagarjuna%5D.

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

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