Tatsunokuti, A Boca do Dragão – II

Como uma homenagem a esta data comemorativa, eis uma tradução livre dos dizeres da gravura abaixo, ilustrativa da “Perseguição de Tatsunokuti”, uma tentativa frustrada de decapitação do Grande Mestre da Lei Nitiren Daishonin ocorrida em 12 de setembro de 1271.

Tatsunokuti, A Boca do Dragão

Tatsunokuti, A Boca do Dragão

Tatsu No Kuti

(Boca do Dragão)

Nitiren Daishonin, venerado como o Mestre dos Mestres, possuindo altas virtudes e considerado como capaz de salvar dezenas de milhares de pessoas foi incriminado falsamente e condenado à morte por uma autoridade de péssima reputação, sendo então conduzido ao cadafalso de “Tatsu No Kuti” (Boca do Dragão), onde reinava completa escuridão, pois já não havia a luz do luar.

Naquele instante, inesperado vendaval desceu à terra em redemoinho e no céu espalharam-se estranhas nuvens que, juntamente com relâmpagos e trovões ecoando em todas as direções, transformaram-se em fortes chuvas, derrubando os muros em volta do cadafalso e rasgando o pano das cortinas, enquanto fortes descargas elétricas iluminavam alternadamente o cenário.

Repentinamente, do canto sudeste do céu, surgiram estranhas luzes, que eram grandes como a lua cheia e rápidas como as flechas, fazendo com que as montanhas e rios tremessem, como se o céu e a terra fossem se desmanchar. O renomado sabre “Jadô-maru”, empunhado em posição de iminente desfecho pelo algoz Tomosaburo Naoshigue, que estava atrás do Grande Mestre, foi então partido em três pela ira dos deuses celestiais.

Homenagem aos Budas do Universo!

Namu-Myoho-Rengue-Kyo!

A Congregação

Juntamente com uma congregação de grandes monges. Após o Buda Shakyamuni ter atingido o Estado de Buda, ele foi primeiro ao Parque do Gamo ao encontro dos Cinco monges, dentre os quais Ajnatakaundinya. Então ele contemplou e viu que Uruvilva Kashyapa, que tinha um grande séquito de discípulos, poderia ser convertido. O Buda Shakyamuni era um Veterano Praticante (Sanghan) e tinha os modos de um Monge Superior, mas quando ele chegou para fazer-lhe uma visita, Uruvilva Kashyapa não lhe tratou com respeito porque pensou: “Eu sou o líder de muitos seguidores. Todos se referem a mim como o Digno…”. Desconhecendo o conhecimento do Buda, sem qualquer cerimônia, Uruvilva Kashyapa se lançou numa investigação do dharma com ele. Logo, porém, ele percebeu o que tinha confrontado, pois o que quer que ele disesse, ele nunca ficava com a última palavra. Ele não podia derrotar o Buda no debate! Ao falhar com as palavras, ele recorreu ao seu poder espiritual como um adorador do fogo. Com a intenção de queimar o Buda, ele conjurou um grande incêndio. Sua força era impressionante, mas o fogo não conseguiu tocar o Buda e, de fato, voltou-se para o próprio Kashyapa que, na iminência de ser queimado vivo, sentiu-se impotente e imediatamente entregou-se ao Buda.

Uruvilva tinha quinhentos discípulos e seus irmãos tinham duzentos e cinquenta discípulos cada um, todos os quais buscaram refúgio com o Buda, elevando o número de discípulos para mil e cinco.

Mais tarde o Buda converteu Shariputra e Mahamaudgalyayana que tinham cerca de cem discípulos cada um. Quando eles tomaram refúgio, os discípulos do Buda somaram mil duzentos e cinco. Yasas, o filho de um ancião, e seus discípulos também tomaram refúgio com o Buda. Isto perfez um total de mil duzentos e cinquenta e cinco discípulos que foram os constantes seguidores do Buda. Os textos dos sutras arredondam esse número para mil duzentos e cinquenta.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

A Vida do Buda

Solicito aos amigos que espalhem a notícia deste lançamento. São 270 páginas, ricamente ilustradas, de beleza literária, grandeza histórica e elevação do pensamento jamais vistas; resgatando a memória dos grandes personagens e lugares onde se estabeleceram as bases filosóficas para um mundo justo e igualitário, tão esquecidas nos dias de hoje.

Ficarei muito grato,

Marcos Ubirajara

em 17/05/2012.

A Vida do Buda

A Vida do Buda. Click na imagem para leitura on-line ou download.

Hoje, depois de três dias de chuva e frio, o sol volta a brilhar em Belo Horizonte.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Buda Entra no Nirvana

A noite veio. Os habitantes de Kusinagara (Kushinagar) tinham ouvido que o Mestre estava reclinado sob as duas árvores gêmeas, e foram em grandes multidões para prestar-lhe homenagem. Um velho eremita, Subhadra, apareceu e, curvando-se diante do Mestre, professou sua crença no Buda, na Lei e na Comunidade; e Subhadra foi o último dos fiéis que teve a alegria de ver o Mestre face à face.

A noite era bela. Ananda ficou sentado ao lado do Mestre. O Mestre disse:

“Talvez, Ananda, você pense: ‘Não temos mais um Mestre’. Mas você não deve pensar isto. A Lei permanece, a Lei que eu lhe ensinei; deixe que ela seja seu guia, Ananda, quando eu não estiver mais com você.”

Ele disse novamente:

“Verdadeiramente, oh Monges, tudo o que é criado deve perecer. Nunca deixem de lutar.”

Ele já não estava neste mundo. Sua face era de ouro luminoso. Seu espírito ascendeu aos reinos do êxtase. Ele entrou no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através dos céus.

Próximo às muralhas da cidade, ao amanhecer, os habitantes de Kusinagara construíram uma grande pilha funeral, como se fosse para um rei do mundo, e lá cremaram o corpo do Bem-Aventurado.

Parinirvana do Buda

Parinirvana do Buda em gravura Japonesa do século 17.

Veja também Kushinagar, o Parinirvana do Buda.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Remissão de Ananda

Ananda estava chorando. Ele afastou-se para esconder as suas lágrimas.

Ele pensou: “Pelos muitos erros que cometi, e que ainda não foram perdoados, serei culpado por muito mais erros. Oh, ainda estou longe do objetivo da santidade, e ele que sente piedade de mim, o Mestre, está prestes a entrar no Nirvana.”

O Mestre o chamou de volta, e disse:

Não se aflija, Ananda, não desespere. Lembre-se de minhas palavras: de tudo o que nos encanta, de tudo que amamos, devemos nos separar um dia. Como pode aquele que é nascido ser senão inconstante e perecível? Como pode o que é nascido, como pode o que é criado, durar para sempre? Você me tem honrado muito, Ananda; você tem sido um amigo devotado. Sua amizade foi feliz, e você foi fiel à ela em pensamento, na palavra e na ação. Você tem feito um grande bem, Ananda; continue no caminho correto, e você terá perdoados seus erros passados.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Honra Suprema

Não era a estação da floração das árvores, no entanto, as duas árvores que abrigavam o Mestre estavam cobertas de flores. As flores caiam suavemente sobre o seu leito, e do céu, soavam doces melodias para baixo.

O Mestre disse ao piedoso Ananda:

“Veja: não é estação das flores, mesmo assim essas árvores floriram, e as flores estão caindo sobre mim. Ouça: o ar está alegre com as canções que os Deuses felizes estão cantando no céu em louvor ao Buda. Mas ao Buda é prestada uma honra mais duradoura do que isto. Monges, Monjas, crentes, todos os que vêm a verdade, todos os que vivem dentro da lei, são aqueles que prestam ao Buda a Honra Suprema. Portanto, você deve viver em concordância com a lei, Ananda, e mesmo nos assuntos mais triviais, você deve seguir o caminho sagrado da verdade.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Última Viagem

Ele superou a sua fraqueza e alcançou as margens do Kakutstha. O rio era calmo e puro. O Mestre banhou-se em suas águas límpidas. Após o banho, ele bebeu das suas águas, e então foi para um bosque de mangueiras. Lá, ele disse ao Monge Cundaka:

“Dobre meu manto em quatro, para que eu possa deitar e descansar.”

Cundaka obedeceu alegremente. Ele rapidamente dobrou o manto em quatro e o estendeu ao chão. O Mestre deitou-se, e Cundaka sentou-se ao seu lado.

O Mestre descansou algumas horas. Então, ele partiu novamente, e finalmente chegou em Kushinagar. Lá, às margens do Hiranyavati, ficou num pequeno bosque, agradável e tranquilo.

O Mestre disse:

“Vá, Ananda, e prepare uma cama para mim entre as duas árvores gêmeas. Disponha a cabeceira para o norte. Estou doente, Ananda.”

Ananda preparou a cama, e o Mestre foi e reclinou-se nela.

Kushinagar - Uttar Pradesh

A Torre do Parinirvana em Kushinagar – Uttar Pradesh.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Refeição de Cunda

O Mestre e seus discípulos pararam em Pava, no jardim de Cunda, o ferreiro. Cunda veio e prestou homenagem ao Mestre, e disse-lhe:

“Meu Senhor, conceda-me a honra de tomar sua refeição em minha casa, amanhã.”

Casa de Cunda

Uma Torre foi construída no local provável da casa de Cunda na antiga Pava. Fonte: Wikipedia.

O Mestre aceitou. No dia seguinte, Cunda tinha carne de porco e outras iguarias preparadas para seus convidados. Eles chegaram e tomaram seus assentos. Quando o Mestre viu a carne de porco, ele apontou-lhe e disse:

Ninguém além de mim pode comer aquilo, Cunda; você deve servi-la a mim. Meus discípulos compartilharão das outras iguarias.”

Quando ele já havia comido, disse:

“Enterre fundo no chão aquilo que deixei intocado; somente o Buda pode comer dessa carne.”

Então ele saiu. Os discípulos seguiram-no.

Eles haviam se afastado uma curta distância de Pava quando o Mestre começou a sentir-se abatido e doente. Ananda entristeceu e amaldiçoou Cunda, o ferreiro, por ter oferecido aquela refeição fatal ao Mestre.

“Ananda”, disse o Mestre, “não fique zangado com Cunda, o ferreiro. Grandes retribuições estão reservadas para ele pela comida que ele me serviu. De todas as refeições que já tive, duas são mais dignas de louvor: uma foi a de Sujata, e a outra foi aquela que Cunda, o ferreiro, me serviu.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Sermão de Vaisali

Ele partiu novamente, e chegou a Vaisali. Ele foi cidade afora, esmolando por sua comida de porta em porta. De repente, ele viu Mara de pé diante dele.

“É chegado o momento”, disse o Maligno; “entre no Nirvana, oh Bem-Aventurado.”

“Não”, respondeu o Buda. “Eu sei quando deverei entrar no Nirvana; sei melhor que você, Maligno. Alguns meses mais, e será o tempo. Três meses mais, e o Bem-Aventurado entrará no Nirvana.”

Nessas palavras, a terra tremeu, e um trovão ecoou através do céu: o Bem-Aventurado destruiu a vontade pela qual ainda prendia-se à vida; ele estabeleceu o tempo para a sua entrada no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através do céu.

Ao anoitecer ele reuniu os Monges de Vaisali, e dirigiu-se a eles:

“Oh Monges, preservem cuidadosamente a sabedoria que eu adquiri, e que lhes ensinei, e trilhem o caminho da retidão, de forma que a vida de santidade possa durar muito, para a alegria e salvação do mundo, para a alegria e salvação dos Deuses, para a alegria e salvação da humanidade. Alguns meses mais, e minha hora chegará; três meses mais, e entrarei no Nirvana. Eu irei e vocês ficarão. Mas nunca deixem de lutar, oh Monges. Aquele que não vacila no caminho da verdade evita o nascimento, evita a morte para sempre, e evita o sofrimento para sempre.”

Imagem na Torre do Buda em Vaisali

Imagem na Torre do Buda em Vaisali. Fonte: Wikipedia.

No dia seguinte, ele novamente perambulou pela cidade, à busca de esmolas; então, com alguns discípulos, ele pegou a estrada a caminho de Kusinagara, onde ele decidira entrar no Nirvana.

A Torre do Buda em Vaisali

A Torre do Buda em Vaisali. Fonte: Wikipedia.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Sermão de Bailva

Ele cruzou o rio. Partiu para Vaisali, mas na aldeia de Bailva ele ficou gravemente doente. Sofreu dores intensas. Ananda chorava, pois pensava que o Mestre estava morrendo. Mas o Mestre lembrou os muitos discípulos que ele ainda tinha que visitar; ele não queria entrar no Nirvana até que lhes tivesse dado as instruções finais. Pela força da sua vontade, ele superou a doença, e a vida não lhe abandonou. Ele recuperou-se.

Quando sentiu-se bem de novo, ele saiu da casa que havia lhe dado abrigo, e tomou um assento que havia sido preparado para ele próximo à porta. Ananda veio e sentou-se ao seu lado.

“Meu Senhor”, disse ele, “vejo que você recuperou a sua saúde. Quando lhe vi tão doente, faltou-me força; estava fraco. Houve momentos em que eu não assimilava que o Mestre estava doente. Ficava tranquilo, pois lembrava que você ainda não havia revelado as suas intenções com relação à comunidade, e sabia que você não entraria no Nirvana sem antes revelar-lhes.”

O Buda em Bailva

O Buda em Bailva

O Bem-Aventurado proferiu essas palavras:

“O que mais a comunidade deseja de mim, Ananda? Já estabeleci a doutrina, e já a preguei; não há um simples detalhe que eu não tenha exposto! Aquele que pensa: ‘eu quero governar a comunidade’, revela as suas intenções com relação à comunidade. O Bem-Aventurado, Ananda, nunca pensa: ‘eu quero governar a comunidade’. Por que então ele revelaria as suas intenções? Sou um homem velho, Ananda; meus cabelos estão brancos, e tornei-me fraco. Sou um velho de oitenta anos; cheguei ao fim da estrada. Sejam agora, cada um de vocês, a sua própria tocha; não recorram a ninguém para trazer-lhes luz. Aquele que é sua própria tocha, após eu ter deixado o mundo, mostrará que ele compreendeu o significado das minhas palavras; será meu verdeiro discípulo, Ananda; ele saberá a maneira correta de viver.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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