Sutra de Lótus Download da 2a. Edição

Sutra de Lótus Download da 2a. Edição

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CAPITULO 1Está disponível 2a. edição do Sutra de Lótus para download / baixar ou leitura on-line. O que há de novo? Ah! Muitas coisas.

Em primeiro lugar, o esforço de tradução e de depuração da linguagem é contínuo, nunca cessará.

Nova revisão ortográfica-gramatical foi realizada, agora com a ajuda da equipe da editora. Nova diagramação, nova tipologia de letras, nova organização dos textos, e divisão dos capítulos. Novo texto de apresentação.

O resultado disso tudo é um novo livro. Mais leve e agradável à leitura.

Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa - 2a. Edição

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Notificado por vários leitores de Cristal Perfeito interessados na compra do livro, constatei que o link para compra on-line desta obra “saiu do ar” sem prévio aviso da editora. Peço desculpas aos visitantes desta página por algo que está fora da minha governabilidade. 

Marcos Ubirajara.

Junho/ 2012

Sutra do Nirvana – Cap. 10 – As Quatro Nobres Verdades

O Buda também disse a Kashyapa: “Nobre Filho! Não é apropriado designar o sofrimento como uma Nobre Verdade. Por que isso? Se fôssemos designar sofrimento como ‘a Nobre Verdade do Sofrimento’, então bovinos, ovelhas, asnos, cavalos e os habitantes do inferno também teriam a Nobre Verdade [do Sofrimento]. Nobre Filho! Quem pensa que o extremamente profundo [gambhira] domínio / esfera / reino [visaya] do Tathagata – o eterno, o imutável Dharmakaya [Corpo da Verdade] – é um corpo nutrido pela comida, essa pessoa não conhece as virtudes e poderes que o Tathagata possui. Isto [ou seja, tal ignorância da verdadeira natureza do Buda] é ‘sofrimento’.”

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A Morte

“O que é a morte? Por morte entende-se o abandono do corpo carnal que nos foi dado. Há dois tipos de abandono do corpo que recebemos, que são: 1) morte através da expiração da vida [isto é, da nossa vida naturalmente chegar a um fim] e 2) morte por causas externas. Na morte através da expiração da vida, existem três tipos, que são: 1) fim da vida que, todavia, não é o fim da fortuna; 2) fim da fortuna que, todavia, não é o fim da vida; 3) fim de ambos, fortuna e vida. Há três tipos de morte por causas externas, que são: 1) suicídio desnatural, 2) morte causada por outros, e 3) morte de ambas as causas. Também, existem outros três tipos de morte, que são: 1) morte pela indolência, 2) morte pela violação dos preceitos, e 3) morte pela erradicação das raízes da vida. O que é morte pela indolência? Se caluniamos o Mahayana-Vaipulya-Prajnaparamita, isto é morte pela indolência. O que é morte pela violação dos preceitos? Quando infringimos as proibições declaradas pelos Budas do passado, do presente e do futuro, isto é (morte pela) violação dos preceitos. O que é morte pela erradicação das raízes da vida? O abandono do corpo dos cinco skandhas (agregados) é morte pela erradicação das raízes da vida. Este é o porquê dizemos que a morte é um grande sofrimento.”

Os Oito Modos de Sofrimento.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

As Doenças

“O que é doença? Por doença entende-se a não-conformidade [desarmonia] das serpentes venenosas dos quatro grandes elementos, as quais são de dois tipos: 1) doença do corpo e 2) doenças mentais. Na doença do corpo existem cinco tipos de causa, que são: 1) água, 2) ar, 3) calor, 4) diversas enfermidades, e 5) doenças de causas externas. Doenças de causas externas compreendem: 1) trabalho incessante, 2) negligência (desatenção), delitos e degeneração, 3) espada, bastão, telhas, pedras e 4) demônios e espíritos. As doenças mentais também são de quatro tipos, que são: 1) loucura (alegria desenfreada), 2) medo, 3) ansiedade, e 4) ignorância. Também, além disso, oh bom homem! Das doenças do corpo e da mente, existem três tipos: Quais são os três? Eles são: 1) retribuição cármica, 2) incapacidade para apartar-se daquilo que é mau, e 3) mudanças resultantes do decorrer do tempo. Todas as relações causais, a natureza categórica e as alterações de sensibilidade causam doenças. Relações causais referem-se às doenças como do ar, água, calor, etc.; a natureza categórica refere-se a inchaço [como resultado] de preocupações, tosses, vertigem e intestino solto devido a sustos (surpresas mentais); alterações de sensibilidade referem-se a dores de cabeça, dores nos olhos, mãos, pés, etc. Essas são as doenças.”

Os Oito Modos de Sofrimento.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

Nascimento e Envelhecimento

“Oh bom homem! Nascimento é emergência, da qual existem cinco tipos: 1) concepção inicial, 2) final da concepção, 3) crescimento, 4) emergência do útero, e 5) nascimento real com características.

O que é envelhecimento? Isto tem dois aspectos: 1) envelhecimento cronológico e 2) envelhecimento físico. Novamente, existem dois tipos: 1) o progresso do envelhecimento e 2) a extinção e interrupção do envelhecimento. Assim se passam as coisas com o envelhecimento.”

Os Oito Modos de Sofrimento.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

Os Oito Modos de Sofrimento

“Também, além disso, oh bom homem! Existem oito modos de sofrimento, que são: 1) o sofrimento do nascimento, 2) o sofrimento do envelhecimento, 3) o sofrimento da doença, 4) o sofrimento da morte, 5) o sofrimento da separação daquilo que se ama, 6) o sofrimento do encontro com aquilo que se odeia, 7) o sofrimento de não ser capaz de obter o que se deseja, e 8 ) o sofrimento do desejo ardente dos cinco skandhas. A causa desses oito modos de sofrimento é [chamada] ‘samudaya’. Onde esses oito sofrimentos não existem, aquilo é extinção. Os dez poderes, os quatro destemores, os três estados mentais e a Grande Compaixão são a Via.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

Budismo, Cartas, Sonhos e Paradoxos – Fascículo VI

“Realizar metade do caminho para um objetivo, mesmo que o faça todos os dias, jamais levará uma pessoa à consecução do mesmo”. Eis o paradoxo de Zenon [1].

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Conteúdo deste Fascículo:

Resposta a William Garcia

Resposta a Mattuzalem Lopes Cançado

O Teorema da Convolução no Budismo

As Perambulações de Um Aprendiz

Fato Relevante

O Grande Benefício de um Pai

Os Inimigos Mortais da Paz Mundial e dos Direitos Humanos

Diante da Ira e da Provocação

O Paradoxo de Zenon no Budismo

O Grande Rei Senyo

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Quando o Bodhisattva ainda não reside no plano imóvel (da loganimidade), mas mantém a pureza, ele poderia, caso surja a ocasião, quebrar os preceitos ou não?”

(O Buda disse:) “Oh bom homem! Quando o Bodhisattva ainda não atingiu o estado do plano imóvel, ele bem pode quebrar os preceitos quando surgir a ocasião.”

Kashyapa disse: “Assim é, de fato! Oh Honrado pelo Mundo! Quem pode ser essa pessoa?”

O Buda disse a Kashyapa: “O Bodhisattva pode ter a oportunidade de transgredir os preceitos se ele sabe que pode realmente fazer outros possuírem os sutras Mahayana, fazê-los gostarem deles, compreenderem, copiarem e exporem-nos amplamente aos outros, e fazerem-nos atingir a Iluminação Insuperável e não retroagirem dela. Em tal ocasião, ele pode transgredir os preceitos. Naquela ocasião, o Bodhisattva pensará: ‘Mesmo embora eu possa cair no Inferno Avichi por um kalpa ou menos, e possa ter que expiar os meus pecados lá, certamente eu farei essa pessoa atingir a Iluminação Insuperável e não retroagir dela’. Oh Kashyapa! Em tais circunstâncias, o Bodhisattva-Mahasattva pode transgredir os preceitos de pureza.”

Então o Bodhisattva Manjushri disse ao Buda: “Qualquer Bodhisattva que encontre essas pessoas, lhes proteja, lhes faça aspirar à Iluminação, lhes faça não retroagir dela e que, para essa finalidade, transgrida os preceitos, não pode cair no Inferno Avichi.”

Nisto, o Buda elogiou Manjushri, dizendo: “Bem falado, bem falado! Eu recordo que em tempos passados eu nasci no Jambudvipa como um grande rei chamado Senyo. Ele amava os sutras Mahayana e os respeitava. Ele era puro e bom, e não havia grosseria nele; nem a inveja, nem a mesquinhez poderiam encontrar qualquer lugar dentro dele. O que provinha dele eram palavras amáveis, palavras que falavam de bondade. Ele sempre protegeu os pobres e os solitários; com ele não havia fim para as doações e para o empreendimento de esforços. Naquela ocasião, não havia um Buda, nem Sravakas e nem Pratyekabudas. Eu, naquela ocasião, amava os sutras Mahayana Vaipulya. Por 12 anos eu servi os Brâhmanes, cuidando de atender plenamente as suas necessidades. Após aquilo, quando a caridade e a paz tinham sido obtidas, eu disse: ‘Oh vocês mestres! Agora vocês deveriam aspirar à Iluminação Insuperável’. Os Brâhmanes disseram: ‘Oh grande Rei! Não existem coisas como a natureza da Iluminação; o mesmo é o caso com os sutras Mahayana. Oh grande Rei! Como é que você deseja nos tornar iguais ao Vazio’? Oh bom homem! Eu, naquela ocasião, respeitava grandemente o Mahayana. Eu ouvi os Brâhmanes caluniando o Vaipulya. Tendo ouvido isto, eu acabei com a minha vida. Oh bom homem! Eu nunca mais caí no inferno em razão disto [isto é, a despeito disto]. Oh bom homem! Quando aceitamos e protegemos os sutras Mahayana, temos inumeráveis virtudes.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

Meditando Sobre Cores

“Também, além disso, oh bom homem! As ações sagradas dos Bodhisattvas-Mahasattvas são o que eles fazem observando o corpo da cabeça aos pés, a saber: cabelos, unhas, dentes, impurezas, sujeiras, pele, carne, nervos, ossos, baço, rins, coração, pulmões, fígado, intestino e estômago, isto é, estômago e intestino delgado, fezes, urina, saliva, lágrimas, gordura, membrana, medula, pus, sangue, crânio, e todas as veias. Quando o Bodhisattva assim observa as coisas, quem pode ser o Eu, ou a quem pode o Eu dizer respeito? Onde ele vive e quem pode dizer respeito ao Eu? Também, ele pensa: ‘O osso é o Eu? Ou o Eu é tudo exceto o osso?’ O Bodhisattva então medita, e exclui a pele e a carne. O que ele vê é osso branco. Ele também pensa: ‘A cor do osso é variada: azul, amarelo, branco, cinza’. Assim, o que o osso mostra não é o ‘Eu’ (por não ser uno). Por que não? Porque o Eu não é azul, amarelo, branco ou cinza. Como o Bodhisattva medita assim, com a mente plena, ele está distante de todos os desejos por aquilo que é físico. Também, ele pensa: ‘Esse osso vem das relações causais. O osso dos pés suporta o osso do tornozelo, o osso do tornozelo suporta o osso da panturrilha, o osso da panturrilha suporta o osso do joelho, o osso do joelho suporta o osso da coxa, o osso da coxa suporta o osso da anca, o osso da anca suporta o osso do quadril, o osso do quadril suporta a coluna vertebral, o osso da coluna vertebral suporta os ossos das costelas. Também, a coluna vertebral suporta o osso da nuca; o osso da nuca suporta o osso da mandíbula; o osso da mandíbula suporta o canino e outros dentes. E acima daquilo existe o crânio. Também, o osso da nuca suporta a omoplata; o osso da omoplata suporta o osso do braço; o osso do braço suporta o osso do antebraço; o osso do antebraço suporta o osso do punho; o osso do punho suporta os ossos dos dedos. Quando um Bodhisattva-Mahasattva medita assim, todos os ossos do corpo se separam. Tendo meditado assim, o Bodhisattva erradica os três desejos: pela forma facial, pela forma corporal, e pelos pequenos toques.

Quando o Bodhisattva-Mahasattva medita assim sobre ossos azuis, ele vê a terra parecer toda azul ao leste, oeste, sul, norte, acima e abaixo, e nas quatro direções intermediárias. Assim como com a cor azul, o mesmo se passa com as meditações sobre as cores do amarelo, branco e cinza. Quando o Bodhisattva-Mahasattva medita assim, a sua testa emite a radiância (freqüência) das cores azul, amarelo, branco e cinza. O Bodhisattva vê em cada uma das luzes a forma do Buda. Tendo visto o Buda, ele indaga: ‘Algo assim como o meu corpo surge de uma combinação de impurezas. Como poderíamos sentar e ficar de pé, andar e parar, deitar e levantar, ver e piscar, ofegar e respirar, afligir-se e chorar, ser feliz e rir? Não há nada que governe o corpo. O que faz as coisas serem assim?’ Conforme ele pensa assim, todas as figuras do Buda desaparecem das luzes. Ele pensa também: ‘Ou a consciência pode ser meu Eu. É por isso que os Budas não falarão para mim’. Novamente, como ele medita sobre a consciência, ele vê aquelas coisas gradualmente desaparecerem, como no caso de uma água corrente. Assim, isso não é o Eu de alguém. Também, ele pensa: ‘Agora, essa respiração entrando-e-saindo de mim nada mais é do que a natureza do vento. A natureza do vento nada mais é do que os quatro grandes elementos. Qual dos quatro grandes elementos pode ser meu Eu? As naturezas da água, fogo, terra e vento, também, não são o meu Eu’. Também, ele pensa: ‘Neste meu corpo, não há nada que pudesse ser chamado Eu. Somente as relações causais do sopro do pensamento colocam as coisas juntas e existem várias funções e coisas. Por exemplo, isto é como no caso de encantos e truques (de magia), ou o som da harpa que vem seguindo o sopro do pensamento de alguém que a toca. Assim é este meu corpo impuro. Várias relações causais unem as coisas e assim vai. Pelo que poderíamos ter ganância? Se alguém tolera (atura) a maledicência, como poderia surgir ira? Parece que as 36 coisas [isto é, as 36 impurezas que um corpo humano possui] do meu corpo nada mais são que impureza e corrupção. Onde pode haver alguém que tenha que suportar maledicência? Quando falamos mal (de outros), podemos pensar: de quem é a voz que fala mal de mim? Essa voz não deve ser a única que fala mal de mim. Se uma pessoa não fala mal, o mesmo se aplica a muitas vozes. Por essa razão, não se deve ficar irado’. Quando outros vêm e nos batem, devemos pensar: ‘De onde vem esse espancamento?’ Também podemos pensar: ‘Quando as mãos, a espada ou o bastão entram em contato com o nosso corpo, dizemos que somos espancados. Como poderíamos enfurecer tanto os outros? Isto mostra que eu mesmo tenho provocado a ofensa por minha própria vontade. Isto vem do fato de que eu possuo este corpo dos cinco skandas (agregados). Isto é como no caso de um alvo que uma flecha pode atingir, e lá vem pancada. O mesmo é o caso com esse meu corpo. Como eu possuo um corpo, existe [a possibilidade de] um espancamento. Se eu não suportar, minha mente desintegrará. Se minha mente tornar-se dispersa, perderei meu pensamento correto. Se eu perder meu pensamento correto, posso não ser capaz de ver o que é bom e o que não é. Se eu não puder distinguir o bem e o mal numa coisa, farei maldade. A maldade feita levará aos reinos do inferno, da animalidade e dos espíritos famintos’.

Uma vez que o Bodhisattva-Mahasattva tenha feito essa meditação, ele atinge as quatro recordações. Como ele ganha as quatro recordações, ele agora pode viver no plano (patamar) da longanimidade (paciência) [‘bhumi’]. Como o Bodhisattva-Mahasattva atinge esse estado, ele sobrepuja a cobiça, a ira e a ignorância; também, ele é capaz de resistir ao frio, calor, fome, sede, mosquitos, moscas, pulgas, piolhos, tempestades, comidas impuras, doenças, pragas, maledicências, abusos, espancamentos e ferimentos com espinhos. Ele sobrepujará todas as dores e aflições do corpo. Este é o porquê dizemos que ele vive no plano da loganimidade (paciência).”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

Contra Quem Luta o Bodhisattva

“Quando o Bodhisattva deseja renunciar ao mundo, os Marapapiyas tornam-se grandemente preocupados e dizem: ‘Agora esse Bodhisattva terá uma grande batalha comigo’. Oh bom homem! Como esse Bodhisattva lutaria com humanos? Então, o Bodhisattva vai de uma vez para um monastério Budista e vê o Tathagata e seus discípulos lá, todos corretos na sua conduta, serenos nos seus sentidos orgânicos, suaves e calmos nos seus pensamentos. Assim, ele vai lá e procura ser ordenado. Ele raspa a sua cabeça e veste os três tipos de robes monásticos. Após ter sido ordenado, ele observa os preceitos proibitivos e não falha na conduta. Seus movimentos são pacíficos e nada é violado. Mesmo um pequeno pecado ele teme, e seu pensamento, para ser verdadeiro, é firme e inquebrantável como um diamante.

Oh bom homem! Aqui está um homem que deseja atravessar o mar numa bóia. Então, existe um rakshasa [demônio devorador de carne] no mar. Ele segue o homem e implora pela bóia dele. Ouvindo isto, o homem pensa: ‘Se eu lhe der, certamente afundarei e morrerei’. Ele responde: ‘Oh rakshasa! Você pode matar-me, mas não terá a minha bóia’. O rakshasa diz: ‘Se você não pode dar toda a bóia para mim, dê-me a metade’. Mas o homem ainda não lhe dará. O rakshasa diz novamente: ‘Se você não pode me dar a metade, dê-me um terço’. O homem não diz ‘sim’. O rakshasa continua: ‘Se você não pode, dê-me o pedaço onde a sua mão descança, estou severamente oprimido pela fome e a aflição. Por favor, dê-me apenas um pedaço’. O homem ainda diz: ‘O que você procura ter não é muito, de fato. Mas devo atravessar o mar neste mesmo dia. Não sei quão longe é. Se eu lhe der qualquer parte (da bóia), o ar gradualmente escapará. Como eu poderia esperar atravessar esse mar difícil? Se o ar escapar, eu afundarei e morrerei no meio do caminho’.

Oh bom homem! O mesmo é o caso com o Bodhisattva que observa os preceitos. Ele é como o homem que deseja atravessar o mar e que é muito solícito na proteção da bóia, e reluta em dá-la. Quando o Bodhisattva assim age para proteger os preceitos, sempre aparecerá no seu caminho rakshasas de todas as más ilusões, que dirão ao Bodhisattva: ‘Acredite-me, não estou tentando enganá-lo. Cometa apenas as quatro graves ofensas e tome cuidado com os outros preceitos. Por isto, lhe darei a paz e você acordará no Nirvana’.

O Bodhisattva dirá então: ‘Eu preferiria manter os preceitos e ganhar o Inferno Avichi do que quebrá-los e nascer no Céu’. O rakshasa da ilusão dirá: ‘Se você não pode cometer as quatro graves ofensas, cometa as samghavasesa (são violações de regras de conduta que podem causar a dissolução da Sangha). Por isto, farei você atingir o Nirvana facilmente’. O Bodhisattva não obedecerá. O rakshasa dirá novamente: ‘Se você não pode cometer as samghavasesa, cometa o sthulatyaya. Por isto, você terá um Nirvana pacífico’. Novamente, o Bodhisattva não obedecerá. O rakshasa dirá novamente: ‘Se você não pode cometer o sthulatyaya, quebre as [regras do] naihsargika-prayascittika. Por isto, você terá um Nirvana pacífico’. O Bodhisattva novamente se recusará a obedecer. Então o rakshasa dirá novamente: ‘Se você não pode cometer o prayascittika, por favor, cometa o duskrta. Por isto, você terá um Nirvana pacífico’. Então o Bodhisattva dirá a si mesmo: ‘Se eu cometer o duskrta [ofensas menores, remissíveis pela confissão] e não confessar antes da assembléia [de monges], posso não ser capaz de atravessar o mar do nascimento e da morte e atingir o Nirvana’. O Bodhisattva-Mahasattva é [assim] muito rigoroso para evitar essas muito pequenas ofensas, e seu pensamento é como o diamante. O Bodhisattva-Mahasattva, respeitosa e indiferentemente [calmamente], observa os preceitos tanto contra as quatro graves ofensas quanto contra duskrta.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 19: Sobre Ações Sagradas 1.

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