CAP. 14: Conduta para a Prática Bem-Sucedida

Sutra de Lótus

Naquela ocasião, o Príncipe do Dharma, Bodhisattva Mahasattva Manjushri disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, todos esses Bodhisattvas são extremamente raros. Em reverente concordância com o Buda, eles têm feito grandes votos para proteger, manter, ler e pregar este Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa na futura era da maldade. Honrado pelo Mundo, como deveriam os Bodhisattvas Mahasattvas pregar este Sutra na futura era da maldade[1]”?

O Buda disse a Manjushri. “Se um Bodhisattva Mahasattva deseja pregar este Sutra na futura era da maldade, ele deve estabelecer-se seguramente nas quatro Leis (monásticas). Primeiro, restringindo-se às regras das práticas e das associações próprias de um Bodhisattva, ele estará apto a expor este Sutra para seres viventes”.

“Manjushri, o quê significa restringir-se às regras das práticas próprias de um Bodhisattva Mahasattva? Se um Bodhisattva Mahasattva baseia-se na paciência, é gentil e complacente, não impetuoso ou volúvel; se o seu pensamento não é sobressaltado; e se, além disso, ele não pratica em observância a uma determinada lei, mas ao invés contempla os aspectos de todas as leis como elas realmente são – isto é, sem fazer qualquer discriminação ou distinção entre elas – a isto se chama restringir-se às práticas de um Bodhisattva Mahasattva[2]”.

“O quê significa restringir-se às regras das associações próprias de um Bodhisattva Mahasattva? Bodhisattvas Mahasattvas não devem aproximar-se de reis, príncipes, altos ministros ou oficiais comandantes. Eles não devem aproximar-se de não-Budistas como Brahmans, Jainistas e semelhantes; de escritores da literatura secular, daqueles que cantam louvores de escrituras não-budistas, de lokayatas ou anti-lokayatas. Eles também não devem aproximar-se de entretenimentos violentos tais como o boxe, luta livre ou quaisquer artes marciais que envolvam ataque mútuo; atores ou quaisquer outros entretenimentos que se utilizem de ilusionismo ou magia. Eles não devem aproximar-se de chandalas; daqueles que criam porcos, cabras, galinhas ou cães; ou daqueles que caçam, pescam, aprisionam animais ou se engajem em qualquer outra má atividade. Se tais pessoas ocasionalmente vierem-lhes, eles devem pregar-lhes o Dharma, mas sem expectativas. Eles também não devem aproximar-se daqueles que procurem tornar-se Ouvintes, quer sejam Monges, Monjas, Leigos ou Leigas; e não devem curvar-se para eles. Não devem permanecer numa sala, passeio ou uma biblioteca com aquelas pessoas. Se tais pessoas vierem-lhes, eles devem pregar o Dharma como é apropriado, mas nada esperar de volta. [3]

“Manjushri, além disso, Bodhisattvas Mahasattvas não devem visar os corpos de mulheres como objetos de desejo e, ao mesmo tempo, pregar-lhes o Dharma. Não devem deleitar-se ao ver uma mulher. Se adentrarem a casa alheia, não devem pregar para garotas, donzelas, viúvas e assim por diante. Além disso, não devem aproximar-se dos cinco tipos de pessoas optantes das alternativas de gênero ou tornarem-se amigos delas. Eles não devem adentrar as casas alheias sozinhos. Se por alguma razão tiverem de fazê-lo sozinhos, devem em pensamento único mentalizar o Buda. Se pregarem o Dharma para mulheres, não devem sorrir ou rir mostrando seus dentes, nem devem expor seu peito. Se mesmo em prol da Lei não devem tornar-se íntimos delas, muito menos em prol de outros assuntos! Eles não devem deleitar-se na formação de jovens discípulos, Shramaneras ou crianças; e não devem comprazer-se compartilhando o mesmo Mestre com eles. Devem sempre deleitar-se na meditação Dhyana e, num lugar quieto, praticar o aprimoramento de seus pensamentos. Manjushri, a isto chamamos o primeiro conjunto de regras para as associações”.

“Além disso, Bodhisattvas Mahasattvas devem contemplar a verdadeira entidade de todos os fenômenos como sendo a vacuidade, sem lado de cima ou de baixo, imóveis, sem refluxo e sem rotação. Sendo como o espaço vazio, (todos os fenômenos) são sem natureza, desprovidos de língua, não vindo a ser, não deixando de ser, não emergentes, sem nome, sem uma aparência, como se na realidade não existissem, sem dimensão, sem limites, sem impedimentos e sem obstruções. Eles, os fenômenos, existem apenas em razão das causas e relações e são produtos da retribuição[4]. Portanto, digo que estar constantemente deleitando-se na contemplação de tais características dos fenômenos é chamada segunda regra de associação de um Bodhisattva. [5]

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado das suas palavras, falou os seguintes versos:

“Se houver um Bodhisattva,

na futura era da maldade,

que, com uma mente destemida,

deseje pregar este Sutra,

ele deverá aceitar a regra da prática e a regra da associação.

Ele deverá sempre distanciar-se de reis,

bem como de príncipes,

altos ministros e oficiais,

esportes brutais e perigosos;

de chandalas,

inclusive daqueles não-budistas e brahmans.

Ele não deverá aproximar-se daqueles de arrogância desmedida,

que são apegados ao Pequeno Veículo,

e estudam os Três Repositórios.

Nem deverá aproximar-se de Monges que são violadores dos preceitos,

Arhats (Santos) apenas em nome;

ou de Monjas que gostam de brincar e rir;

daqueles profundamente apegados aos cinco desejos,

ou que buscam a extinção no presente.

Nem deverá aproximar-se de Leigos.

Se tais pessoas vierem com boas intenções ao Bodhisattva para ouvirem sobre a Via do Buda,

o Bodhisattva, então,

pode sem apreensão e sem expectativas,

pregar a Lei para elas.

Ele não deve aproximar-se de donzelas,

viúvas ou optantes das alternativas de gênero,

nem deve tornar-se íntimo deles.

Ele também não deve aproximar-se de açougueiros,

esquartejadores, caçadores, pescadores,

ou quaisquer pessoas que matem por lucro,

ou vendam carne como seu meio de vida,

ou que vivam da prostituição.

De pessoas como estas,

ele não deve se aproximar.

Ele deve cuidar para que nunca se aproxime daqueles envolvidos em esportes perigosos e violentos;

nem de atores e ilusionistas,

ou prostitutas e semelhantes.

Ele não deve, enquanto num lugar recluso,

pregar o Dharma para mulheres.

Enquanto estiver pregando o Dharma,

não deve brincar ou rir.

Quando ele entrar nas cidades à busca de donativos,

deverá ir com um outro Monge,

ou, se não houver um outro Monge,

ele deverá em pensamento único mentalizar o Buda.

Estas são as que chamamos regras da prática e da associação;

através da observância dessas duas regras,

ele poderá pregar em paz e conforto.

Além disso, ele não deve praticar fazendo distinções do que sejam doutrinas superiores, medianas ou inferiores;

nem doutrinas condicionadas ou incondicionadas,

doutrinas verdadeiras ou não verdadeiras.

Ele não deve fazer distinções entre homens e mulheres;

ele não deve tentar dominar quaisquer fenômenos,

nem deverá tentar conhecê-los ou percebê-los.

Isto é o que se conhece como regra da prática do Bodhisattva.

Todos os fenômenos, quaisquer que sejam,

são vazios, não-existentes,

sem permanência,

sem nascimento ou extinção;

isto é o que se conhece como regra de associação de um Sábio[6].

É em razão da retribuição pela discriminação que os fenômenos vêm a existir ou a não existir,

que os faz parecerem reais ou irreais,

criados ou extintos.

Se, num lugar tranqüilo,

ele cultiva e depura seus pensamentos,

permanecendo em paz,

imóvel como o Monte Sumeru,

contemplando todos os fenômenos como sem existência própria,

como se fossem um espaço vazio,

sem nada rígido ou sólido,

sem nascimento, nem evolução,

imóveis, sem refluxo;

estabelecendo-se sempre no único e verdadeiro aspecto do todos os fenômenos,

esta é a chamada regra de associação.

Se um Monge, após o meu Nirvana,

submeter-se a esta regra da prática e a esta regra de associação,

quando ele pregar este Sutra,

ele não terá receio.

Quando um Bodhisattva adentra um quarto quieto,

e através de uma meditação correta contempla os fenômenos de acordo com os princípios desta doutrina,

ao despertar da concentração Dhyana ele poderá ensinar,

converter e expor este Sutra em benefício de reis,

príncipes, altos ministros,

Brahmans e outros;

pregando o Sutra com uma mente tranqüila e sem receio.

Manjushri,

a isto que se chama estabelecimento pacífico do Bodhisattva no Dharma original,

e assim ele poderá, na era futura,

pregar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”.

“Manjushri, após o Nirvana do Tathagata, na Era dos Últimos Dias da Lei, se alguém desejar pregar este Sutra, deverá basear-se nesta conduta para a prática bem sucedida”.

“Se alguém estiver expondo o Sutra oralmente ou lendo o Sutra para si mesmo, não deverá comprazer-se falando das falhas das outras pessoas ou doutrinas, nem ter outros Mestres da Lei em desrespeito, nem falar das boas ou más qualidades, das capacidades ou fraquezas dos outros. Com respeito aos Ouvintes, não deverá fazer-lhes menção pelo nome para falar de suas falhas, e nem para tecer-lhes elogios por suas qualidades. Não deverá guardar ressentimentos ou ciúme”.

“Em razão de aquela pessoa cultivar habilmente tais pensamentos pacíficos e de felicidade, ela não terá a oposição de idéias dos seus ouvintes. Se interrogado sobre questões difíceis, ele não deverá responder recorrendo à Lei do Pequeno Veículo, mas usar tão somente o Grande Veículo na sua explanação, o que fará com que seus ouvintes adquiram a sabedoria que abarca todas as espécies”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou estes versos, dizendo:

“O Bodhisattva sempre se deleita na tranqüilidade pregando a Lei;

no chão limpo ele prepara o seu assento,

unta seu corpo com óleo,

e lava-se do pó e da sujeira.

Vestindo roupas frescas e limpas,

completamente puro por dentro e por fora,

sentado seguramente no assento do Dharma,

ele responde as questões.

Se houver Monges ou Monjas,

reis, príncipes, altos ministros,

estudantes ou pessoas do povo,

em busca do princípio sutil e maravilhoso,

através de uma conduta harmoniosa ele prega-lhes a Lei.

Se houver questões difíceis,

ele as responde de acordo com o princípio.

Usando causas, relações e parábolas,

ele as expõe fazendo distinções.

Através do seu uso de tais meios hábeis,

todos são levados à decisão que gradualmente aumenta na medida em que entram na Via do Buda.

Abandonando pensamentos de lassidão e indolência,

libertando-se de todas as aflições,

ele prega a Lei com um sentimento compassivo.

Seja dia ou noite,

ele sempre prega o supremo ensino da Via.

Através de causas e relações,

e de ilimitadas parábolas e analogias,

ele instrui os seres viventes,

levando-os a tornarem-se alegres.

Sejam roupas, aposentos, comida, bebida ou remédios;

com relação a essas coisas,

ele não guarda expectativas.

Seu único objetivo é pregar a Lei de acordo com as relações causais;

seu desejo é realizar a Via do Buda,

e levar os seres viventes a fazer o mesmo.

Este, então, é o grande benefício:

o oferecimento da paz e do conforto.

Após o meu Nirvana,

se houver um Monge que, verdadeiramente,

esteja apto a expor acerca do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa,

sem sentimentos de inveja ou ódio,

sem aflições ou impedimentos,

ele não terá inimigos e nem detratores.

Ele também não temerá espadas ou bastões,

nem será exilado,

porque será resoluto na sua paciência[7].

Um sábio é assim:

cultivando bem suas idéias,

ele residirá na paz e no conforto.

Como explanei acima,

os méritos e virtudes desta pessoa não poderiam ser descritos completamente através de números ou parábolas,

mesmo ao longo de dez milhões de kalpas”.

“Além disso, Manjushri, na futura era dos últimos dias, quando a Lei estiver para extinguir-se, o Bodhisattva que receber, ostentar, ler ou recitar este Sutra não nutrirá sentimentos de inveja, vaidade ou ilusões. Ele também não ridicularizará ou caluniará aqueles que estudam a Via do Buda, e nem apontará as suas qualidades ou fraquezas. Se houver Monges, Monjas, Leigos e Leigas que busquem tornar-se Ouvintes, Pratyekabudas, ou que busquem a Via do Bodhisattva, ele não os atormentará ou lhes causará dúvidas dizendo-lhes: ‘Vocês todos estão muito longe do Caminho e nunca obterão a sabedoria de todas as espécies. Por que não? Porque vocês são descuidados e preguiçosos na prática da Via’. Além disso, ele não discutirá frivolamente a Lei em consideração a argumentos”.

“Ele nutrirá sentimentos de grande compaixão por todos os seres viventes, considerará todos os Tathagatas como pais compassivos, e todos os Bodhisattvas como grandes Mestres. Sempre, ele reverenciará profundamente e respeitará a todos os grandes Bodhisattvas das dez direções. Ele pregará a Lei em igual medida para todos os seres viventes. De acordo com a Lei, ele não pregará nem muito e nem pouco; mesmo para aqueles que amam profundamente o Dharma, ele não pregará em demasia”.

“Manjushri, na era futura, quando a Lei estiver para extinguir-se, será impossível incomodar ou confundir um Bodhisattva Mahasattva que tenha em observância esta terceira regra de conduta para a prática bem sucedida, quando ele estiver pregando a Lei. Ele ganhará pupilos bons companheiros com os quais ele poderá ler e recitar este Sutra. Grandes assembléias se reunirão para ouvi-lo e aceitá-lo. Tendo ouvido, eles aceitá-lo-ão; tendo aceito, eles recitá-lo-ão; tendo recitado, eles estarão aptos a pregá-lo; tendo pregado; eles estarão aptos a copiá-lo; a fazer outros copiarem-no; a fazer-lhe oferecimentos; a reverenciá-lo, honrá-lo e elogiá-lo”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou versos, dizendo:

“Se alguém deseja pregar este Sutra,

ele deverá libertar-se dos sentimentos da inveja, da ira,

da arrogância, da vaidade e das ilusões.

Sua prática deverá ser honesta e correta.

Ele não deverá ridicularizar os outros,

ou pregar superficialmente o Dharma,

ou levar os outros a terem dúvidas dizendo-lhes que não atingirão o Estado de Buda.

Quando este filho do Buda prega a Lei,

ele é sempre gentil, agradável e paciente,

compassivo para com todos,

e nunca descansa em seus esforços.

Os grandes Bodhisattvas das dez direções sentem compaixão pelas multidões e assim praticam a Via.

Eles nutrem um sentimento de reverência, pensando:

‘Estes são meus grandes mestres’.

Com relação a todos os Budas, Honrados pelo Mundo,

eles os terão em pensamento como pais supremos.

Eles superarão todos os sentimentos de arrogância,

e então, pregarão o Dharma sem obstáculos.

Tal é a terceira lei,

que aqueles que são sábios guardarão para sempre.

Com o pensamento único na conduta para a prática bem sucedida,

serão reverenciados por ilimitadas multidões”.

“Além disso, Manjushri, na futura era dos últimos dias, quando a Lei estiver para extinguir-se, o Bodhisattva Mahasattva que ostenta o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa nutrirá sentimentos de grande benevolência tanto por aqueles que vivem em seus lares como por aqueles que deixaram seus lares. Ele também sentirá grande compaixão por aqueles que não são Bodhisattvas”.

“Ele pensará: ‘Para pessoas assim falta uma grande motivação. Embora o Tathagata pregue a Lei habilmente e apropriadamente, eles não ouvem, entendem, ou despertam para ela. Eles não indagam no sentido de compreendê-la ou entendê-la. Embora essas pessoas não indaguem para compreender ou entender este Sutra, ainda assim, quando eu atingir o Anuttara-Samyak-Sambodhi, onde quer que eles surjam, usarei o poder das penetrações espirituais e o poder da sabedoria para levá-los a permanecer dentro desta Lei’”.

“Manjushri, após o Nirvana do Tathagata, o Bodhisattva Mahasattva que mantiver isto em observância, a quarta regra, será livre de erros quando pregar esta Lei. Ele sempre receberá oferecimentos e será reverenciado, honrado e elogiado por Monges, Monjas, Leigos, Leigas, reis, príncipes, altos ministros, pessoas do povo, Brahmans, magistrados, e assim por diante. Os deuses do espaço vazio sempre o acompanharão e o servirão com o objetivo de ouvir a Lei. Se nas vilas ou cidades, selvas ou florestas, alguém desejando formular questões difíceis se aproximar dele, todos os deuses, em benefício da Lei, o protegerão dia e noite e, assim, ele fará com que os ouvintes se alegrem”.

“Por que isto? Este Sutra é protegido pelos poderes espirituais de todos os Budas do passado, do presente e do futuro[8]”.

“Manjushri, através de ilimitados kalpas, não é possível sequer ouvir o nome do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, muito menos ver, receber, manter, ler ou recitá-lo”.

“Manjushri, é como um poderoso rei sábio girador-de-roda que deseja subjugar outros países através da força, mas todos os demais reis menores não seguem seus comandos. O rei girador-de-roda então mobiliza suas várias tropas e avança para puni-los. Vendo suas tropas triunfarem na guerra, ele sente-se grandemente gratificado e retribui-lhes de acordo com os seus méritos, dando terras, casas, vilas, cidades, países; ou mesmo roupas, ornamentos pessoais; ou vários tipos de tesouros preciosos feitos de ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, carnelian, coral e ágata; ou elefantes, cavalos, carruagens, servos ou empregados”.

“Somente aquela solitária pérola brilhante no alto da sua cabeça ele não dá a ninguém. Por que não? Somente um rei pode ostentar esta pérola em sua coroa. Se ele a desse, seguramente os seguidores do rei ficariam grandemente atônitos”.

“Manjushri, o Tathagata também é assim. Através do uso dos poderes do Samadhi Dhyana e da sabedoria, ele conquistou o país da Lei e tornou-se rei dos três domínios da existência. Ainda assim, os reis demônios recusam-se a se submeter. Os generais do Tathagata, dignos e sábios, travam batalha com eles. Com aqueles que triunfam, ele alegra-se. Para a assembléia dos quatro tipos de crentes, ele prega os Sutras, alegrando seus corações. Ele confere-lhes a meditação dhyana, a liberdade, a ausência de falhas, as raízes e poderes, e toda a riqueza da Lei. Além disso, ele concede-lhes a cidade do Nirvana, dizendo-lhes que eles atingiram a cessação dos sofrimentos. Ele guia seus pensamentos, trazendo felicidade a todos”.

“Mas, ele não prega o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa”.

“Manjushri, eventualmente, o rei girador-de-roda vendo em meio às suas tropas aqueles que têm sido muito bem sucedidos, fica ultra-satisfeito e finalmente concede-lhes a incrível pérola que ele há tempos ostenta no seu turbante e que ele nunca daria casualmente”.

“Assim, também, é com o Tathagata. Como grande rei da Lei nos três domínios da existência, ele usa a Lei para ensinar e converter todos os seres viventes. Vendo o exército daqueles que são dignos e sábios travando batalhas com demônios dos cinco componentes, os demônios das aflições e os demônios da morte[9]; e sendo bem sucedidos extinguindo os três venenos[10], escapando do mundo tríplice e rasgando as redes dos demônios, o Tathagata sente-se grandemente gratificado. Ele então lhes prega o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, que pode levar todos os seres viventes à Sabedoria que abarca todos os fenômenos, que erradica o ressentimento e a desavença no mundo, e que ele nunca pregou antes”.

“Manjushri, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é supremo dentre os ensinamentos do Tathagata. Em meio a todos os ensinamentos ele é o mais profundo, e somente é concedido em última instância, como é o caso daquela pérola brilhante que o poderoso rei há muito a detém e finalmente a concede. Manjushri, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o tesouro secreto de todos os Budas, Tathagatas. Dentre todos os Sutras ele é o mais elevado. Na longa noite do tempo ele foi guardado e nunca descuidadamente exposto. Hoje, pela primeira vez, eu o estou pregando para você”.

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Sempre praticando a paciência e sendo misericordioso com todos,

então estará apto a proclamar este Sutra elogiado pelos Budas.

Na futura Era dos Últimos Dias,

aquele que ostentar este Sutra,

deverá estar imbuído da benevolência e compaixão,

tanto por aqueles que residem em seus lares,

como para com aqueles que deixaram seus lares,

e aqueles que não são Bodhisattvas,

pensando: ‘aqueles que não ouvem ou compreendem este Sutra

sofrem uma grande perda.

Quando eu tiver obtido a Via do Buda,

usarei de meios hábeis para pregar esta Lei para eles,

de tal forma que permaneçam dentro dela’.

É como um poderoso rei girador-de-roda que concede recompensas aos soldados bem-sucedidos na batalha:

elefantes, cavalos, carruagens, ornamentos pessoais,

bem como terras, cavalos, vilas, cidades e países;

ou pode dar roupas,

ou vários tipos de tesouros raros,

servos e outros bens valorosos,

dando-lhes alegria.

Se houver um herói digno,

que seja capaz de empreender missões difíceis,

o rei pegará do seu turbante sua pérola brilhante e lhe concederá.

O Tathagata também é assim.

Como rei de todas as Leis,

com paciência, com grande poder,

e com o precioso repositório da sabedoria,

com grande benevolência e compaixão,

ele transforma o mundo de acordo com a Lei.

Ele vê todas as pessoas sofrendo pela dor e pela agonia,

buscando a libertação,

e travando batalhas com demônios.

Para esses seres viventes ele prega várias Doutrinas.

Usando grandes meios hábeis,

ele ensina-lhes os Sutras.

Quando ele sabe que aqueles seres viventes tornaram-se fortes,

Então, como num ato derradeiro,

ele prega-lhes o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa[11].

Isto é como o rei que desata seu turbante e concede finalmente sua pérola brilhante.

Sendo o mais elevado dentre as multidões de Sutras,

este Sutra é venerável.

Eu sempre o guardo e o protejo,

nunca o pregando descuidadamente.

Mas agora o tempo é exatamente correto para pregá-lo para todos os seres.

Após a minha extinção,

aqueles que buscarem a Via do Buda,

que desejarem obter paz e tranqüilidade,

e proclamar este Sutra,

devem ter afinidade com essas quatro leis.

Aqueles que lerem este Sutra não terão preocupações ou aflições;

serão livres de dores e doenças,

com um semblante suave e límpido.

Eles não nascerão pobres, subalternos ou famintos.

Os seres viventes ficarão felizes ao vê-los,

como se fossem meritórios sábios.

Todos os filhos dos seres celestiais agirão como seus mensageiros.

Espadas e bastões não os machucarão,

venenos não lhes causarão mal,

e se alguém injuriá-los,

sua boca será fechada.

Eles transitarão destemidamente como o rei leão.

A luz da sua sabedoria brilhará como o sol.

Em sonhos, verão apenas coisas maravilhosas.

Poderão ver os Tathagatas sentados em seus tronos de leão,

cercados por uma multidão de Monges,

e ver a forma como pregam o Dharma.

Eles também verão dragões, espíritos,

Asuras e assim por diante,

em número como as areias do Ganges,

todos reverentes, com as palmas das mãos unidas.

Eles verão a si mesmos surgindo para pregar-lhes o Dharma.

Além disso, eles verão todos os Budas,

seus corpos da cor do ouro emitindo ilimitadas luzes,

a tudo iluminando,

e proclamando todas as Leis empregando o som Brahma.

Os Budas, para as multidões dos quatro tipos de crentes,

pregarão a suprema Lei.

Eles ver-se-ão lá, também,

com as palmas das mãos unidas, louvando os Budas.

Ouvindo a Lei, alegrar-se-ão e farão oferecimentos.

Eles obterão Dharanis,

e certificar-se-ão da sabedoria da não-regressão.

Os Budas, sabendo que seus pensamentos adentraram profundamente a Via do Buda,

conceder-lhes-ão então uma profecia para a consecução da correta iluminação, dizendo:

‘Você, bom homem, atingirá, numa era futura,

a sabedoria ilimitada e a grande Via do Buda.

Sua terra será adornada e pura,

vasta e incomparável,

e lá as assembléias dos quatro tipos de crentes ouvirão a Lei com as palmas das mãos unidas’.

Eles também se verão residindo nas florestas das montanhas,

praticando todas as formas das leis,

certificando-se do Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos,

entrando profundamente na meditação Dhyana,

e vendo os Budas das dez direções.

Os Budas, com seus corpos dourados,

serão adornados com as marcas de uma centena de bênçãos.

Ouvindo sua Lei, eles a pregarão para os outros,

e sempre terão bons sonhos como estes.

Eles também sonharão que são reis que abandonam seus palácios e servos,

bem como os finos objetos dos cinco desejos,

para entrar no Bodhimanda.

Lá, sob a árvore Bodhi,

sentam no trono de leão,

buscando a Via durante sete dias,

e obtendo a sabedoria do Buda.

Após realizar a suprema Via,

eles levantam-se e giram a Roda-da-Lei e pregam o Dharma para a multidão dos quatro tipos de crentes.

Ao longo de milhares de miríades de milhões de kalpas,

eles pregam a Lei Maravilhosa e sem falhas,

e salvam ilimitados seres viventes.

Mais tarde entram no Nirvana,

como uma lâmpada se apaga quando termina seu combustível.

Se, na futura era da maldade,

eles puderem pregar esta Lei suprema,

obterão grandes benefícios,

méritos e virtudes como disse acima[12]”.


[1] Ao ler atentamente o capítulo anterior sobre a “Exortação para Abraçar o Sutra”, percebe-se que somente os Bodhisattvas Mahasattvas (dentre eles os Bodhisattvas Superiores Rei da Medicina e Grande Deleite na Pregação da Lei) fazem votos de nas eras malignas vindouras abraçarem, lerem, recitarem, guardarem e pregarem o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Todos os demais santos (pratyekabudas) e ouvintes fazem o voto de pregar o Sutra de Lótus noutras terras que não o mundo Saha.

[2] Em resumo, essas são as primeiras normas básicas para a prática bem sucedida de um verdadeiro Bodhisattva Mahasattva. Evidentemente, espera-se esta conduta do Bodhisattva mesmo diante dos três poderosos inimigos citados no Capítulo 13 – Exortação para Abraçar o Sutra. Naquele capítulo, os Bodhisattvas Mahasattvas admoestam sobre as dificuldades de abraçar o sutra numa era maligna vindoura e fazem seus votos de assim o fazer no mundo Saha.

[3] Dentre essas primeiras normas básicas das associações próprias dos Bodhisattvas Mahasattvas de modo a que possam expor este sutra em prol dos seres viventes, destaca-se a admoestação do Buda quanto às associações com monges, monjas, leigos ou leigas que procurem tornar-se Ouvintes, ou seja, pessoas do estado de erudição e que “aderem aos Veículos Menores” como o Buda diz mais adiante. Conforme já exposto neste sutra, o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é um ensino para instruir Bodhisattvas.

[4] No Capítulo Doze – Devadatta, a filha do Rei Dragão, demonstrando ser capaz de atingir a iluminação num instante, recita os seguintes versos: “Tendo compreendido profundamente os aspectos das ofensas e das bênçãos, pelo seu polimento através das dez direções, agora o maravilhoso e puro Corpo da Lei está completo…”.

[5] Essa segunda regra a que um Bodhisattva Mahasattva deve se associar para expor o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, consubstancia aquilo que o Buda anteriormente referiu-se como “ocupar o assento do Tathagata”, ou seja, ter a percepção de todos os fenômenos como sendo a vacuidade.

[6] Conclui-se pelo primeiro conjunto de regras para as práticas bem sucedidas, que não deve haver qualquer distinção entre os fenômenos e, portanto, não se deve procurar a Grande Lei através da análise, da classificação e individualização dos mesmos. A rigor, isto seria o que o Buda chama de “retribuição pela discriminação”.

[7] Nesta passagem o Buda diz que Monges verdadeiramente instruídos sobre as regras de conduta e as associações próprias de um Bodhisattva não estarão sujeitos às perseguições enumeradas no Capítulo 13 – Exortação para Abraçar o Sutra, feitas pelos Bodhisattvas em seu voto de expor o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa no mundo Saha. As distinções utilizadas pelos Bodhisattvas Mahasattvas quando se referem a uma “era vindoura” constituem uma retribuição pela discriminação que fazem: “É em razão da retribuição pela discriminação que os fenômenos vêm a existir ou a não existir, que os faz parecerem reais ou irreais, criados ou extintos”.

[8] Significando que o fato do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa estar protegido pelos poderes espirituais de todos os Budas das três existências, torna igualmente protegidos todos os Bodhisattvas Mahasattvas que levem a cabo o conjunto de regras para a prática bem-sucedida e que, assim, não incorrem em erros ao ensinar a Lei.

[9] Consubstanciando o mundo tríplice dos três domínios da matéria (cinco elementos) do desejo (das aflições) e do espírito (morte).

[10] Da avareza, da ira e da estupidez.

[11] Pode-se depreender das passagens acima que o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é o último a ser pregado para aqueles que buscam a Via do Buda, não havendo outros ensinos que possam superá-lo ou segui-lo.

[12] Acima o Buda descreve os auspiciosos sonhos de uma pessoa capaz de observar os quatro conjuntos de regras ao expor e ensinar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Observe-se que o Buda encerra este capítulo colocando esses “sonhos” como grandes benefícios e bênçãos. Evidentemente essa percepção deriva da compreensão de que “todos os fenômenos são vazios, sem ser, sem qualquer constância eterna, sem aparecimento nem extinção”. Outra importante observação é a de que, até este capítulo, o Buda prega aos “Bodhisattvas Mahasattvas que se tinham reunido vindos das terras das outras direções, numerosos como as areias de oito rios Ganges”, e demais presentes na assembléia, antes do “Emergir da Terra” dos Bodhisattvas nunca dantes conhecidos, e que residem no vazio sob o mundo Saha.

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

12 Comentários

  1. Gislene said,

    11/03/2008 às 13:46

    Marcos
    Cada vez que leio o Sutra de Lótus percebo a importância do que está escrito pela própria experiência. A prática é simples. Difícil é nos libertar das ilusões do mundo…
    Namastê!

  2. muccamargo said,

    11/03/2008 às 17:11

    Gislene,

    Por essa razão, a porta de saída da “Casa em Chamas” da parábola do Capítulo 3 é dita ser tão estreita. A prática é simples, de fato. Basta dar um passo após o outro. No entanto, é dificil.

    Namastê!

  3. walter said,

    24/10/2008 às 12:04

    Gostaria de um esclarecimento a respeito dos ”cinco tipos de homens não masculinos” ou ”dos cinco tipos de pessoas optantes das alternativas de genero”;o que significa esta restrição do budha,em termos doutrinais?discriminação a homossexuais?

  4. muccamargo said,

    24/10/2008 às 17:43

    Walter,

    Sua questão é extremamente difícil, mas não posso deixar de relacioná-la com aspectos sutis que podem surpreender a nossa percepção. Você percebeu que essa tradução não usa a expressão “cinco tipos de homens não masculinos”? Eu não concordo com ela. Mas, e daí? Eu tinha que fazer a tradução. Fiz incontáveis revisões deste trecho me perguntando: como pode? Um dia, quando em meditação a respeito, veio-me à mente: ora, são recomendações para a conduta (prática) e relações (associações) próprias para clérigos (monges e monjas). E, agora, pergunto: Como reage a nossa sociedade, no geral, quando um clérigo (monge ou monja) se apresenta como um “ser social” optante de uma das alternativas de gênero? Ele ou ela são massacrados. Não é? Por que razão? Em razão da cegueira, da ignorância, da intolerância e de todo o tipo de discriminação. Como as palavras do Buda nunca são falsas, segue-se que elas admoestam sobre essas dificuldades da nossa era, uma era de maldade. Pensando assim, fiz a tradução da forma que julguei menos grosseira: ”cinco tipos de pessoas optantes das alternativas de gênero”. Onde está a sutileza? O Buda não restringe, mas admoesta sobre essas dificuldades para uma prática bem sucedida. Isso (as dificuldades advindas desses preconceitos enraizados em nossa sociedade) é absolutamente verdadeiro e não falso, e data de 2.500 anos atrás. Que o digam aqueles que militam contra a desigualdade de gênero e todos os tipos de desigualdades que assolam a vida de muitos seres humanos, e que violam o Dharma Correto (Saddharma, Lei Maravilhosa).

    Walter, qual é o Dharma Correto? O Sutra de Lótus nos liberta de todos os preconceitos. O Sutra da Flor de de Lótus da Lei Maravilhosa estabelece, inequivocamente, a igualdade entre todos os seres. Esse é o mais fundamental dos seus ensinos, e esse é o Dharma Correto. Traz-nos alívio, nos conforta. Compreenda-o em sua profundidade.

    Obrigado, Walter. Fez-me muito bem tentar responder-lhe essa questão. Ufa!

    Marcos Ubirajara.

  5. walter said,

    27/10/2008 às 21:22

    Eu que lhe agradeço pela oportunidade de aprender mais sobre o lótus branco…fiquei confuso com esta passagem,pois sou gay e tenho o maior respeito pelo sutra;ainda mais confuso por saber justamente que é neste sutra que Sakiamuni ”abre”,”induz”,”desperta” todos os seres ao caminho da verdade.

  6. Ninno Amorim said,

    11/02/2009 às 23:30

    Conforme Marcos falou, “O Sutra de Lótus nos liberta de todos os preconceitos”. Isso ocorre pq Sakyamuni percebe q todos são budas. Não é a toa q Sakyamuni destina o Sutra de Lótus para ser o ensino q conduzirá “os últimos dias da Lei”.
    Meu caro Walter, ser gay não é defeito, nem implica numa inferioridade. Do ponto de vista do budismo de Nitiren Daishonin, q abraça o Sutra de Lótus, todas as formas de vida possuem o potencial de atingirem a iluminação.
    Cuide da saúde e da felicidade!

  7. muccamargo said,

    12/02/2009 às 9:08

    Olá Ninno Amorim!

    É isso aí! No CAP. 20: O Bodhisattva Sem-Desprezo o Buda diz:

    “Portanto, os praticantes após a extinção do Buda,
    ao ouvir este Sutra,
    não deveriam dar lugar às dúvidas,
    mas, com um pensamento único,
    deveriam proclamar extensivamente este Sutra,
    tal que vida após vida eles possam encontrar-se com Budas e rapidamente realizarem a Via do Buda”.

    Isto está num post chamado A Mais Suprema Lei.

    Um grande abraço e obrigado pela contribuição.

    Marcos Ubirajara.

  8. walter said,

    02/02/2010 às 18:08

    Meu amigo! saudações.
    Parabéns pelo seu blog e por tudo que ele representa!
    estou novamente aqui para lhe pedir um segundo favor,se não lhe for incômodo.
    Estou a pesquisar a respeito da homossexualidade na época do buda,e ficaria imensamente grato se puder me informar qual é o termo sânscrito que o sutra de lótus usa quando se refere aos ‘cinco tipos de pessoas optantes de alernativa de gênero”?
    obrigado!

    • muccamargo said,

      02/02/2010 às 20:07

      Prezado Walter,

      O termo em sânscrito eu não conheço. Só sei que não concordo com a tradução para o inglês que, por sua vez, vem do chinês (então, veja a distância). No original em inglês se traduziu: “cinco tipos de homens não masculinos”. Acho essa tradução grosseira demais. Ademais, em muitas ocorrências da palavra “men”, a tradução correta não é “homens”, mas “humanos”, refere-se à espécie. Mais ainda! E a homossexualidade feminina, onde fica? É tão antiga quanto a masculina. Levei semanas para encontrar uma tradução para os nossos dias, uma vez que não concordava com a tradução “ao pé da letra” do original em inglês citada acima. Lembrei-me então da sigla GLBTS – aqui está as cinco alternativas de gênero – e adotei algo que pudesse ser compreendido nos dias de hoje. Isso contempla melhor a nossa realidade, não é? Quanto às tolas discriminações praticadas em nossa sociedade, o sutra está coberto de razão, não é?

      Então, ficamos por aqui hoje.

      Grande abraço!

      Marcos Ubirajara.

  9. walter said,

    05/02/2010 às 14:48

    Obrigado

  10. 19/09/2010 às 21:56

    Marcos, gostei dessa sua tradução. Você tem outras fontes sobre o Sutra de Lotus que possa me indicar, por favor? Que não seja da BSGI.
    Obrigada,
    Forte abraço.

    Neusa Thompson

  11. muccamargo said,

    20/09/2010 às 11:52

    Olá Neusa!

    Bem, essa tradução foi feita a partir do original em inglês “The Wonderful Dharma Lotus Flower Sutra” Translated from Chinese by The Buddhist Text Translation Society in USA. Você o encontra aqui: http://www.cttbusa.org/lotus/lotus_contents.asp

    Existe uma tradução do original de Burton Watson para o português, feita por João Rodrigues. Essa tradução pode facilmente ser encontrada na internet.

    Marcos Ubirajara.


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