Santai ( As Três Verdades ) – II

Transitoriedade:

Sendo a mais perceptível das três verdades, é também a mais remotamente conhecida. Desde os primórdios da humanidade o ciclo do nascimento, crescimento, declínio e morte tem despertado a capacidade de indagação dos seres inteligentes. O homem primitivo assistia à morte de seu semelhante sem compreender o trânsito do Sol, da Lua e das estrelas; não compreendia o fluxo e o refluxo das marés; não compreendia a sucessão das estações climáticas, tampouco o desabrochar e o despetalar de uma simples flor. Tudo ao seu redor encontrava-se em movimento, ou seja, trânsito. Ele nada percebia, mas já intervinha e interferia no ciclo vital das plantas e dos animais para se nutrir. Matava. Com o passar dos tempos, o crescente apego aos objetos e relações de seu cotidiano despertou os sentimentos da perda, da angustia, da percepção do passado e da incerteza do futuro. Tudo em razão do apego. Esse mesmo homem veio, mais tarde, a aceitar a impermanência de todas as coisas, mas ainda sem compreendê-la. Pensou na eternidade, um mundo sem mutações e repleto dos bens que o apraziam e, claro, sem problemas. Criou assim a ilusão do céu e, em sua oposição, o inferno das dores do parto, do frio, da fome, da ansiedade, da ira, das lamentações e outros infernos. Portanto, tudo se reduziria à questão de para onde ir após a morte: céu ou inferno? Sem perceber o absurdo dessas idéias, as quais concorriam para interromper o ciclo da própria vida, aquele homem postulou o bem e o mal; personificou-os como deuses e colocou-os respectivamente no céu e no inferno. Fez mais: iconizou-os, fê-los a sua semelhança, mas eternos; transformou suas próprias lamentações e desejos em preces; e as lamentações e desejos dos seus deuses em pragas. Estavam lançadas as bases das religiões primitivas. Aquelas das práticas de austeridades e mortificações inspiradas na idéia de que podiam ser extintas as causas do sofrimento em vida e depois da morte. Muitas das crenças contemporâneas estão impregnadas desses conceitos.

Não-Substância:

Mais difícil de aceitar e de compreender do que o aspecto da transitoriedade, a percepção do aspecto não-substancial incorporado a todos os fenômenos vem numa fase posterior do conhecimento humano. Necessário para explicar o sentimento, a alma e outras coisas de existência indiscutível, o aspecto da não-substância foi logo imaginado como algo distinto e discreto da matéria. Algo que, “habitando” a matéria, animava-a e, desabitando-a, despojava-a. Isto então seria a própria vida e seus dons. Nascia o conceito do espírito capaz de dotar a matéria de vida, inspiração, talentos, destino e missão. Quem seria o grande espírito? É lógico: Deus. Somente muito recentemente, nos primórdios do século vinte, é que a ciência descobriu a equivalência de matéria e energia (ou seja, que são unas na existência da entidade física) e o comportamento dual, isto é, entidades que ora se apresentam como matéria ou corpos com dimensões finitas, e ora como onda (algo não-substancial e sem dimensões finitas). Muitas outras descobertas se sucederiam como a radiação emitida por alguns elementos químicos e a avassaladora energia liberada pela simples “quebra” da ligação das minúsculas partículas de um núcleo atômico. Todas essas descobertas viriam revelar e evidenciar a natureza não-substancial dos corpos materiais e de suas combinações na formação de entidades físicas complexas. A natureza ondulatória dessas “forças”, todavia, viria a abalar muitas convicções filosóficas e religiosas. Por exemplo, a convicção de que os espíritos entram e saem dos corpos; a convicção de que o universo seria constituído por corpos materiais visíveis e finitos; a convicção de que Deus “morava” no céu, apenas para exemplificar. Mas, retroagindo, estávamos ainda no tempo dos ensinos Mahayana Provisórios. A ciência humana é que tardou a chegar.

Caminho Médio:

As inquietações deixadas pelos encantos da percepção do aspecto não-substancial dos fenômenos, dentre eles o fenômeno da vida, estimulou e impulsionou sobremaneira o pensamento filosófico, agora ocupado em explicar os “mecanismos”, por assim dizer, de interação entre os corpos e os “espíritos”. Como estávamos há cerca de 600 (seiscentos) anos antes de Cristo, a ciência humana ainda nada sabia sobre a natureza ondulatória de todos os fenômenos transitórios e não-substanciais. Como o pensamento era essencialmente “mecânico”, separou-se o espírito dos corpos que não podiam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, e se lhes atribuiu a onipresença, ou seja, a incrível capacidade de encontrar-se em vários lugares ao mesmo tempo. Essas idéias permearam o pensamento filosófico e religioso por muitos séculos. Isto iria acontecer, todavia, a revelia das últimas pregações do Buda Shakyamuni da Índia, as quais, naquela época, faziam referência explícita ao Caminho Médio, ou seja, nem só matéria, nem só espírito; mas sim, ambos. Isto significando que, na verdadeira entidade da vida, o aspecto transitório (matéria) e o não-substancial (espírito) são unos e indissociáveis. Por que as grandes correntes filosóficas seguiram em frente, ignorando e escamoteando as bases de um ensino tão superior? Possivelmente porque lhes era incompreensível. Não dominavam os muito recentes conhecimentos da ciência sobre a dualidade da matéria, da transmutação nuclear, do imenso vazio que são os átomos constituintes dos corpos e sobre o grande vácuo ou o nada que parece sustentar o universo conhecido. Todas essas coisas são hoje conhecimentos corriqueiros a derrubar dogmas e crenças absurdas. Dentre esses conhecimentos, o mais surpreendente é o de que a matéria é uma onda que se propaga através dos seus micros constituintes, fazendo-os vibrar em torno de suas posições de equilíbrio. Mas isto ainda é insatisfatório, porque algo que oscila harmonicamente em torno do equilibro, na média, encontra-se no ponto zero e não apresentaria propriedades físicas. Descobriu-se então a anarmonicidade do movimento dos micros constituintes da matéria. Uma distorção, um desvio do movimento que, em média, os colocava afastados do ponto zero. A esse afastamento os cientistas chamaram Caminho Médio. Não é surpreendente que algo enunciado há milênios torne-se, comprovadamente, existente?

Ode aos Paulistas

Nossas mentes são iguais!

Como birutas de um aeroporto, iguais.

Os sábios determinam que ventos irão soprar.

 

Mas,

não disse desconhecerem os sábios.

Eu disse desconhecerem os ventos[1]!

 

 

Em Igarapé,

06 de setembro de 2015.

[1] Oito Ventos: prosperidade, declínio, honra, desgraça, elogio, calúnia, felicidade e sofrimento.

O Vôo

Foto de Marcos Ubirajara no Mangal das Garças em Belém do Pará.

Foto de Marcos Ubirajara no Mangal das Garças em Belém do Pará.

Acima dos escombros de uma sociedade náufraga, mentirosa e fraudulenta, pode-se alçar o vôo da liberdade, rumo ao Pico da Águia.

Mensagem de Ano Novo 2015

Assim é Cristal Perfeito:
Nada fora do lugar, em todos os lugares.
Translúcido, Transparente,
por onde toda a Luz se transmite.
Nenhuma direção, todas elas.

Corpo sem sê-lo, sem marca nem selo.
Nirvana, antes de tudo que é, futuro será,
eternamente Próprio de quem não o vê.
Aquele mortal assim deparou
com o seu Próprio Portal da Libertação.

Em 18/12/2014
01:30 hs.

Foto de Marcos Ubirajara  em 19/12/2014.

Foto de Marcos Ubirajara em 19/12/2014.

Nas Próximas Eleições 2014, Diga NÃO ao ERRO!

erroErro em direito é um vício no processo de formação da vontade[1], em forma de noção falsa ou imperfeita sobre alguma coisa ou alguma pessoa. É importante ressaltar que no erro o indivíduo engana-se sozinho. Ele não é vítima de artifício ou expediente astucioso por parte de outrem. Se o for, configura-se dolo[2].


 

[1] Temos aqui o ‘skandha’ decorrente do ‘contato – matéria, forma’, ‘sentimento’, ‘percepção’, e ‘volição – compulsão’; todos concorrentes para a formação da ‘consciência’. Antes de ‘errar’, consulte a ‘consciência’.

[2] Dolo ocorre quando o indivíduo age de má-fé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiar-se de algo.

Perfeitamente Dotados

Muitos buscam nas drogas o DOM de uma infância que não tiveram ou, quem sabe, tiraram-lhes com maus exemplos.

Marcos Ubirajara.

em 23/07/2014.

By Gyoen Campos

 

Doação e Arrecadação

Ninguém tem coragem de tomar um pouco para, em ato contínuo, oferecê-lo em doação aos necessitados; mas tiram-no continuamente de milhões de necessitados para o acúmulo de poucos.

Em 03/07/2014
às 05:30 hs

Acordei de um sonho estranho em que tocava “The House of the Rising Sun”, mas com um verso que dizia “ninguém tem coragem de roubar um vintém para oferecê-lo em doação“, porém em inglês. Traduzi e adaptei.

A música e letra originais estão aqui: A Casa do Sol Nascente.

O Diário de um Tolo

A Volta Final

ORROZ, você disse: “As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STI – Supremo Tribunal da Iniquidade conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade”, a respeito de seu antecessor. O que diz agora diante do espelho das verdades imutáveis, e diante deste Tribunal da Equanimidade?

Oh, ORROZ ! Quando o dedo em riste aponta para o acusado, o polegar aponta para os céus (de onde se aguarda a justiça), e os outros três apontam para si.

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Conteúdo

02/05/2014 – O Cenário 7

Ato I – Antes do Rolê 9

27/01/2014 – A Charada 11
27/01/2014 – A Lenda de ORROZ 11
28/01/2014 – Visão Distorcida 12
29/01/2014 – O Espelho das Verdades Imutáveis 12
29/01/2014 – O Direito de Defesa 13
30/01/2014 – Pelos Campos do País 13
29/01/2014 – O Domínio dos Fatos 14
29/01/2014 – O Gozo das Aparências 15
31/01/2014 – O Rolê de ORROZ 16
02/02/2014 – A Armadilha da Presunção 17
04/02/2014 – O Tribunal do Horror 18

Ato II – Depois do Rolê 19

05/02/2014 – A Vacuidade dos Fenômenos 21
09/02/2014 – O Fator Tempo 21
10/02/2014 – A Senhora dos Olhos Vendados 22
13/02/2014 – Equanimidade 23
13/02/2014 – A Razão Última do Debate 24
15/02/2014 – OTNOT 25
18/02/2014 – Sobre a Boa Lei 26
19/02/2014 – O Cabo das Tormentas 27
19/02/2014 – A Cidadela 28

Ato III – O Outro Lado 29

20/02/2014 – O Outro Lado 31
21/02/2014 – O Dharma da Equanimidade 32
25/02/2014 – A Farsa Desnudada 33
25/02/2014 – De Volta ao Caminho Médio 34
27/02/2014 – Em Tempos de Carnaval 35
28/02/2014 – A Imagem do Alazão 35
10/03/2014 – A Trilha à Esquerda 38
10/03/2014 – O Corpo e a Sombra 40
25/03/2014 – As Fases da Sombra 41

Ato IV – De Volta ao Ostracismo 43

25/04/2014 – A Hipótese da Dualidade 45
06/05/2014 – Os Túneis para o Céu 46
13/05/2014 – O Efeito Túnel 47
14/05/2014 – A Trilha à Direita 48
14/05/2014 – O Sétimo Túnel 49
15/05/2014 – O Duplo Mágico 51
21/05/2014 – O Agente Fotosensitizante 52
23/05/2014 – O Turfe em Copa 53
11/06/2014 – A Volta Final 54

O Turfe em Copa

O Turfe em Copa[1]

E assim, via-se ORROZ girando nas três raias. Na raia 1 parecia alado, feito de cristal; na raia 2 parecia empacado, prisioneiro de suas próprias visões; na raia 3, aquela dos seis mundos, fulgurava sob os raios do sol escaldante de Samsara e, cada vez que puxado pelas rédeas da reflexão, relinchava um ‘não’ acentuado pelo reluzir de um dente de ouro. Tudo isto, aos olhos dos sábios que secretamente sabem quem vencerá. Quanto aos mortais comuns, poderão arriscar seus palpites aqui.


 

[1] Aqui com o sentido de ‘fechar-se em copa, calar-se amuado’. – em http://www.dicio.com.br/copa/

O Agente Fotosensitizante

ORROZ

Positivamente, ORROZ pode se apresentar em várias raias, bem como a maioria dos seres humanos. No seu caso, por ser um agente fotosensitizante[1], pode se desdobrar num tripleto[2] quando em estado de excitação elevada por fatores externos.

Apresenta-se na raia dos seis mundos trajado nas ilusões e com os skandhas à flor da pele, onde giram os mortais comuns sem nunca escaparem; apresenta-se na raia da erudição onde veste uma toga, mas é prisioneiro de suas próprias visões, onde residem os artistas, intelectuais, clérigos em geral, monges e monjas do pequeno veículo; e apresenta-se na raia superior onde aspira ao lugar dos iluminados[3] e, agora como uma onda, pretende projetar-se no futuro distante.

Observa-se que em todas as suas aparições o tripleto de ORROZ se revela, às vezes com destaque em uma das raias, mas sempre o tripleto. Daí a certeza de ser um agente fotosensitizante, pois nunca é visto na ausência dos holofotes; e se assim o for deverá ser como a sombra na completa escuridão, visível apenas pelos olhos dos sábios.


 

[1] Os agentes fotosensitizantes são substâncias geralmente no estado singleto, ou levadas ao estado singleto, e que, quando excitadas pela energia dos fótons de luz, vão ao estado tripleto.

http://sbccp.netpoint.com.br/ojs/index.php/revistabrasccp/article/viewFile/168/160

[2] Em Física Atômica – Multipleto – raia espectral que se pode subdividir em componentes muito próximos uns dos outros. Origina-se de transições eletrônicas em que os spins dos elétrons alteram ligeira e complicadamente os níveis de energia. Quando o multipleto é formado por duas raias, é um dubleto; quando tem três raias, é um tripleto, etc.

Em Física Nuclear – conjunto de partículas elementares que têm o mesmo número bariônico, massas aproximadamente iguais, mas diferem pela carga elétrica. Quando a família tem apenas dois membros, constitui um dubleto (por exemplo, o próton e o nêutron ); quando tem três membros, é um tripleto ( por exemplo, os mésons pi-mais, mésons pi-menos e pi-zero). Se só há uma partícula na família, ela é um singleto ou singuleto ( por exemplo, a partícula lâmbda).

Fonte: http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia2000/turmaA/grupo6/SINGLETO.HTM

[3] Esses, com suas mentes já aquietadas, não mais se excitam como os demais diante das provocações, lisonja e outros apelos de Mara.

 

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