O Verdadeiro Discípulo

“Quando eu tiver entrado no Nirvana, um Monge que é perfeito na conduta de um Monge, e que mantém em observância o Dharma Maravilhoso, pode topar com um que o transgride. Se este Monge se afasta, repreende, censura, ou corrige tal mal-feitor, ele será abençoado com uma riqueza que não podemos medir ou conceber. Oh bom homem! Para ilustrar: existe um rei tirano que perpetra más ações, e acontece dele vir a sofrer muito seriamente de uma enfermidade. O rei de um país vizinho, ouvindo isto, mobiliza o exército para conquistar o seu país. Neste momento, o rei, não tendo poder para resistir ao ataque, arrepende-se, tenta fazer o bem e, dessa forma, a fortuna do rei daquele país vizinho torna-se incalculável. O mesmo se passa com o Monge observador de preceitos. Se ele se afasta ou repreende aqueles que agem contra o Dharma, e faz com que eles façam o bem, uma riqueza incalculável tornar-se-á sua. Oh bom homem! É como na ilustração: nos campos e ao redor da casa onde mora um homem rico, crescem muitas plantas daninhas e venenosas. Vendo isto, ele as ceifa, não deixando qualquer uma delas. Ou quando cabelos brancos aparecem na cabeça de uma pessoa jovem, ela sente vergonha deles, corta-os e não permite que seus cabelos cresçam muito. O mesmo é o caso com o Monge observador de preceitos. Se ele vê quaisquer pessoas que violam os preceitos e que transgridem o Dharma Maravilhoso, ele se afastará, repreenderá ou censurará tais pessoas. Se um bom Monge, vendo aqueles que transgridem o Dharma, não se afastar, repreender ou censurar tais pessoas, saiba que este Monge é um inimigo dos ensinamentos Budistas. Se ele se afasta, repreende ou censura tais pessoas, ele é meu discípulo, um Verdadeiro Discípulo.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 04: Sobre Longa Vida.

O Presente Universal

Naquela ocasião, o Buda Sabedoria do Rei Flor da Constelação da Nuvem do Som do Trovão disse ao Rei Adorno Maravilhoso: “Assim é, assim é, tal como você diz. Se um bom homem ou boa mulher plantarem boas raízes, em vida após vida eles poderão ganhar um Bom e Sábio Conselheiro. O Bom e Sábio Conselheiro pode realizar o trabalho do Buda, instruí-los, beneficiá-los, deleitá-los, e levá-los a entrar no Anuttara-Samyak-Sambodhi“.

“Grande Rei, você deveria saber que um Bom e Sábio Conselheiro é a grande condição causal , por ele ensinar e guiar as pessoas, e fazer-lhes ver o Buda e decidir pelo Anuttara-Samyak-Sambodhi“.

Excerto do CAP. 27: Os Feitos Passados do Rei Adorno Maravilhoso, pág. 413.

O Segredo da Longa Vida

Então o Buda disse a Kashyapa: “Oh bom homem! Ouça claramente, ouça claramente! Eu agora lhe direi a causa da longevidade da vida do Tathagata. O Bodhisattva, através desta ação, ganha longa vida. Por esta razão, ouça-a com a sua melhor atenção. Tendo ouvido-a, fale a respeito dela para outros. Oh bom homem! Praticando assim, eu atingi o insuperável Bodhi. Eu, para o benefício de todos os seres, agora falo a respeito disto. Oh bom homem! Como um exemplo: um príncipe transgride as leis do estado e está encarcerado na prisão. O rei sente piedade dele e, subindo num palanquim, condena-se à prisão porque ama o príncipe. O mesmo ocorre com o Bodhisattva. Se ele deseja ter uma longa vida, ele deveria guardar e proteger os seres, considerá-los como se fossem seu filho único, e perseverar no grande amor, grande compaixão, grande alegria, e grande equanimidade. Também, ele deveria propagar-lhes o preceito de não-ferir e ensinar-lhes a praticar todas as boas coisas. Também, ele deveria deixar todos os seres perseverarem pacificamente nos cinco preceitos morais e nas dez boas ações. Além disso, ele deveria entrar nos reinos do inferno, fome, animalidade, e ira; e libertar todos os seres de onde quer que estejam sofrendo, emancipar aqueles ainda não emancipados, atravessar aqueles que ainda não alcançaram a outra margem, dar o Nirvana àqueles que ainda não o atingiram, e consolar a todos aqueles que vivem com medo. Agindo assim, o Bodhisattva ganha a longevidade da vida e uma imperturbável liberdade no conhecimento. E quando o fim chegar, ele ganhará vida nos elevados céus.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 04: Sobre Longa Vida.

O Espelho das Verdades Imutáveis

“De acordo com o sutra, se a mente das pessoas é impura, sua terra também será impura. Pelo contrário, se suas mentes são puras, assim será a sua terra. Em uma palavra, não há duas terras – pura e impura – ao mesmo tempo. A diferença está na mente, boa ou má, das pessoas.

Pelo mesmo motivo, não há diferença real entre um Buda e um mortal comum. Enquanto desnorteada pela ilusão, a pessoa é chamada mortal comum, mas, uma vez iluminada, é chamada Buda. Por exemplo, um espelho embaçado brilhará como uma jóia se for polido. Sua mente, agora desnorteada pela escuridão inata da vida, é como um espelho embaçado, mas, se o polir, é certo que tornar-se-á claro como cristal de iluminação das verdades imutáveis. Manifeste-se fortemente na prática da fé, polindo seu espelho incessantemente, dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outro modo a não ser devotar-se à recitação do Nam-Myoho-Rengue-Kyo”.

Nitiren Daishonin: “Sobre Atingir o Estado de Buda”, em 1255.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. I

Sobre “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago

Cego é aquele que vê!

A limitada visão humana nada enxerga aquém do infravermelho (ondas de calor) e nada além do ultravioleta (radiações de alta energia). Isto equivale a dizer que o ser humano anda na companhia de demônios, e também de seres celestias, mas não pode enxergá-los.

Os Olhos Búdicos transpõem essas barreiras.

Em 12/12/2008.

Sobre Atingir a Via do Buda

“Eu, em prol da Via do Buda,
através de ilimitadas terras,
desde o princípio até agora,
tenho amplamente exposto todos os Sutras,
e em meio a todos os outros,
este Sutra é superior.
Se alguém puder ostentá-lo,
aquela pessoa estará ostentando o corpo do Buda.

Bons homens, após a minha extinção,
quem poderá receber, ostentar,
ler e recitar este Sutra?
Agora, na presença dos Budas,
façam seu voto.

Este Sutra é difícil de ostentar,
se alguém ostentá-lo mesmo que por um instante,
eu rejubilarei,
bem como todos os outros Budas.

Uma pessoa assim será elogiada por todos os Budas:
‘Isto é coragem!
Isto é diligência,
isto é o que se chama observar os preceitos e praticar Dhutas’.

Essa pessoa obterá rapidamente a suprema Via do Buda.
Se, no futuro, alguém puder ler e ostentar este Sutra,
essa pessoa será então um verdadeiro discípulo do Buda,
residindo num estado de pureza e benevolência.

E alguém que, após a extinção do Buda,
puder compreender o seu significado,
será como olhos para todos os seres celestiais e humanos no mundo.

Na era do terror,
alguém que possa expô-lo mesmo que por um instante,
será merecedor de oferecimentos de todos os seres celestiais e humanos.”

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág.228.

O Eu Búdico

Que Eu é este? Qualquer fenômeno [dharma] que é verdadeiro [satya], real [tattva], eterno [nitya], soberano/autônomo/auto-governado [aisvarya], e cuja base/fundamentação é imutável [asraya-aviparinama], é denominado ‘Eu’ [atman]. Isto é como no caso do grande Doutor que compreendia bem a medicina do leite. O mesmo é o caso com o Tathagata. Para o benefício de todos os seres, ele diz ‘existe o Eu em todas as coisas’. Oh vocês das quatro classes (monges, monjas, leigos e leigas)! Aprendam o Dharma assim!”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 03: Sobre Ofensas.

Werner Karl Heisenberg

Left to right: Max Planck, Albert Einstein, Ni...

Da esquerda para a direita: Max Planck, Albert Einstein, Niels Bohr, Louis de Broglie, Max Born, Paul Dirac, Werner Karl Heisenberg, Wolfgang Pauli, Erwin Schrödinger, and Richard Feynman. Image via Wikipedia

O Princípio da Incerteza no Budismo: “Quando você se preocupa unicamente em estabelecer o “eu samsarico”, a sua existência individual, nada mais saberá sobre o “Eu cósmico”, o “Ser totalizante”, ou sobre o sentido da sua existência que é um caminho-médio entre o Ser e o nada-Ser (o vazio dentro do seu próprio fenômeno existencial)”. Marcos Ubirajara em 12 de dezembro de 2008.

Werner Karl Heisenberg

Werner Karl Heisenberg

Werner K. Heisenberg nasceu em Würzburg, em 1901. Sua educação inicial e seus estudos universitários foram realizados em Munique, na Baviera. Iniciou o curso de física em 1920. Um de seus professores foi Arnold Sommerfeld, que além de famoso físico era um extraordinário professor. Muitos de seus alunos se tornaram grandes cientistas.

Após se formar, Heisenberg foi realizar seus estudos de pós-graduação em Göttingen. Seu orientador foi Max Born, que anunciara a necessidade de se formular a mecânica quântica, fundamentalmente diferente da mecânica clássica, para a explicação dos fenômenos atômicos. Em 1925, Heisenberg imaginou que era preciso alterar a própria cinemática, isto é, a própria maneira de descrever os movimentos em nível atômico.

Heisenberg desenvolveu em 1927 um trabalho em que dava ênfase à relação entre o resultado de uma medição e a perturbação causada sobre ele (o resultado) pelo observador. Conforme Heisenberg mostrou com um enorme número de exemplos, as perturbações introduzidas no processo de medição não podem ser calculadas no campo microscópico. Por isto, ao se fazer uma medição, perturba-se de tal forma o sistema que se torna impossível fazer uma previsão exata sobre seu comportamento futuro. Ao se medir precisamente a posição de uma partícula, por exemplo, haverá uma perturbação de sua quantidade de movimento, e ao se medir o instante preciso em que ocorre um fenômeno, haverá uma perturbação da energia do sistema. A formulação mais completa desta idéia é denominada Princípio das Incertezas: se não é possível determinar exatamente todas as condições iniciais de um sistema, então também não é possível prever seu comportamento futuro. Em 1932, a teoria de Heisenberg foi definitivamente consagrada, e seu autor recebeu o prêmio Nobel.

Heisenberg, apoiando o governo de Hitler, foi nomeado diretor científico das pesquisas nucleares alemãs. Nos Estados Unidos, não se suspeitava da verdadeira posição de Heisenberg: ele queria manter-se na direção das pesquisas apenas para impedir que cientistas menos escrupulosos utilizassem a energia nuclear para fins bélicos. E de fato o conseguiu. Graças à sua autoridade, convenceu os governantes da inviabilidade econômica da construção de bombas atômicas. Por isso, as pesquisas realizadas na Alemanha durante a guerra, foram apenas relacionadas com a utilização da energia nuclear em reatores atômicos.

Heisenberg tentou comunicar-se, sem sucesso, com seus colegas do exterior, para que eles também não usassem seus conhecimentos a fim de submeter a energia nuclear a finalidades bélicas. Mas nem o próprio Bohr acreditava mais nele; imaginaram que seu intuito era construir a bomba em segredo e utilizá-la de surpresa. Só após o fim da guerra, ficou sabido que a Alemanha não tentara construir armas atômicas. Mas já era muito tarde para voltar atrás. O grupo Americano de Los Alamos, dirigido por Oppenheimer, já tinha conseguido o artefato.

Um pouco antes da rendição japonesa, uma bomba atômica foi lançada sobre Hiroxima, e outra sobre Nagasaki. Por não acreditarem na palavra de Heisenberg, os físicos dos Estados Unidos tinham feito exatamente aquilo que ele tentara evitar.

Após uma curta estada na América, Heisenberg retornou à Alemanha, onde continuou a realizar pesquisas sobre reatores, tendo mais tarde sido nomeado diretor científico do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), instalado em Genebra. Por meio de vários livros e artigos, procurou sempre mostrar que a ciência deve ser colocada a serviço do homem, e não de sua destruição. Faleceu em 1976.

Dados biográficos obtidos do site Sala de Física – Biografias

O Mais Profundo Eu

Semelhante fato ocorre com as pessoas que procuram os verdadeiros ensinos do Buda, os encontram neste Sutra, mas continuam atribuladas com as questões mundanas. Enquanto isto ocorre, o Buda permanece oculto. Isto significa que o único Buda que uma pessoa pode “ver” é aquele que reside no espaço vazio sob si mesma, em seu próprio âmago. Neste sentido, “desejar ver o Buda” significa desejar “tornar-se um receptáculo da Lei” (Corpo de Dharma) ou desejar “vir a ser Buda” (o Bodhisattva). Este é o verdadeiro e único portal do Grande Veículo, da Via Recíproca que, em uma direção, faz penetrar a sabedoria do Buda e, na direção recíproca, representa o advento do Buda neste mundo (03/12/2005 – 05h30min).

Comentário de Marcos Ubirajara no CAP. 16: A Duração da Vida do Tathagata, pág. 294.

A Parábola da Água-Marinha

“Sei que tudo aquilo que vocês aprenderam até agora sobre não-eterno e sofrimento não é verdadeiro. Na primavera, por exemplo, as pessoas vão banhar-se numa grande lagoa. Elas estão se divertindo, velejando num barco, quando deixam cair uma gema de água-marinha nas profundezas da água, após o que ela não pode mais ser vista. Então todos eles pularam na água à procura desta gema. Eles, competitivamente, encontraram todo tipo de entulho como telhas, pedras, pedaços de madeira, cascalhos, e pensaram que tinham a água-marinha. Eles ficaram felizes e, levando todas essas coisas para fora (da água), viram que aquilo que eles detinham em suas mãos não era verdadeiro. A gema ainda estava na água. Através do poder da gema em si, a água tornou-se clara e transparente. Como resultado, as pessoas viram que a gema ainda estava na água, tão claramente como quando se olha para cima e se vê a forma da lua no céu. Naquela ocasião, lá estava um homem sábio que, exercitando um poder, mansamente entrou na água e obteve a gema. Oh vocês Monges! Não permaneçam pensando sobre o não-Eterno, o Sofrimento, o não-Eu, e o não-Puro; ficando na situação daquelas pessoas que pegaram pedras, pedaços de madeira, e cascalhos como se fosse a verdadeira gema. Vocês devem estudar profundamente a Via, o modo de agir, onde quer que vá, e ‘meditar sobre o Eu, o Eterno, a Felicidade, e a Pureza’. Sei que os aspectos dos quatro itens que vocês aprenderam até agora são inversões e que qualquer pessoa que desejasse praticar a Via deveria agir como o homem sábio que espertamente obteve a gema”.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 03: Sobre Ofensas.

Para compreender o Eu, o Eterno, a Felicidade, e a Pureza; indispensável ler Ler As Quatro Inversões do Dahrma.

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