Mensagem de Ano Novo 2013

Quando Um Guerreiro Encontra a Paz

Quando Um Guerreiro Encontra a Paz

“Ser Lótus é assim como quando um guerreiro encontra a Paz; é assim como quando quem arde nos fogos dos desejos, encontra o conforto em nada possuir; é assim como quando ao olharmos os seres viventes, vermos Buda.”

Marcos Ubirajara.

Em Quando Um Guerreiro Encontra a Paz.

O Coração Puro de um Bodhisattva

Novamente o Buda Shakyamuni indagou a opinião de Subhuti: “Um Bodhisattva adorna as Terras Búdicas?”  Um Bodhisattva usa os méritos e virtudes do cultivo dos seis paramitas e das dez mil práticas para adornar as Terras Búdicas?

E novamente Subhuti respondeu: “Não. Ele não adorna as Terras Búdicas. Se ele tivesse um pensamento de adornar as Terras Búdicas, então ele teria a marca do eu, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida; ele teria um apego”. O princípio é o mesmo para a primeira, segunda, terceira e quarta fruições do Arhatship. Embora eles adornem as Terras Búdicas, não há nenhum adorno. Por quê? Se eles tivessem o pensamento de que “Eu adorno as Terras Búdicas”, eles não teriam alcançado a vacuidade das pessoas e dharmas. Quando os dharmas não são vazios, há apego aos dharmas. Quando as pessoas não são vazias, há apego ao eu. Um Bodhisattva que adorna as Terras Búdicas não pensa que ele está adornando as Terras Búdicas. O adorno das Terras Búdicas é meramente um nome e nada mais. Não possui uma substância real. Portanto, um Bodhisattva, Mahasattva, deve produzir um coração puro. Um coração puro é livre de apegos. Isto significa que você não difunde (não alardeia) as suas boas ações para assegurar que qualquer mérito e virtude que possa ter sido acumulado seja propriamente creditado. Tal coração (pensamento) é impuro. É sujo. Se você tem um pensamento de si e dos outros quando faz ações virtuosas para adornar as Terras Búdicas, então não há nenhuma ação virtuosa e não há adorno nenhum. O coração de um Bodhisattva deve ser puro, sem (a ideia de) um eu ou outros, e sem certo ou errado. Pensamentos que delineiam o eu, os outros, os seres viventes e uma vida são impuros. Um coração que está apegado às seis poeiras é impuro, e é destituído de um verdadeiro e apropriado mérito e virtude.

Sutra Diamante – Capítulo 10 – O Adorno das Terras Puras.

Original

A Profecia do Buda Tocha Ardente

Tendo demonstrado, através do exemplo dos frutos do Pequeno Veículo previamente mencionados, que não há apego a nada, a seguir, o Buda utilizou a si próprio como um exemplo. Ele antecipou-se às pessoas que pensariam que um Buda ou Bodhisattva são diferentes dos sábios do Pequeno Veículo.

Não houve nenhum dharma que o Tathagata obteve enquanto com o Buda Tocha Ardente? O Buda Shakyamuni fez referência a si próprio naquele ponto. O Buda Tocha Ardente havia proferido uma profecia sobre o Estado de Buda do Buda Shakyamuni, o que significa que ele deu-lhe um nome, dizendo: “No futuro você tornar-se-á um Buda chamado Shakyamuni.”

O Buda Tocha Ardente conferiu a profecia da consecução do Estado de Buda pelo Buda Shakyamuni no tempo em que ambos eram monges. O monge que se tornaria o Buda Shakyamuni ainda não havia realizado o Estado de Buda, mas o Buda Tocha Ardente o havia feito. Naquela ocasião, o Buda Shakyamuni estava caminhando na estrada e viu à distância o monge Tocha Ardente caminhando em sua direção. O Buda Shakyamuni também viu que no trecho de estrada entre eles havia uma grande poça de água lamacenta. Em razão do seu cultivo como um Bodhisattva e de ter-se dedicado a ajudar quem quer que fosse, ele percebeu que o monge que vinha ao seu encontro seria prejudicado pela poça, e deitou-se sobre a água lamacenta para servir como uma ponte para o monge. Mas a poça era grande e seu corpo não a abrangia totalmente. Por isso, ele desenrolou o seu cabelo, o qual ele mantinha longo de acordo com as práticas ascéticas que ele cultivava, e o estendeu sobre o restante da poça. Quando o monge que era o Buda Tocha Ardente chegou ao local, o Buda Shakyamuni pediu-lhe para atravessar sobre seu corpo. O Buda Tocha Ardente aquiesceu. E quando ele atravessou ele disse ao monge: “Você é assim. Eu também sou assim”. Ele quis dizer: “Seu coração é assim e o meu coração também é assim. Você esquece de si mesmo em prol do dharma, e eu esqueço de mim mesmo em prol do dharma. Assim, estamos ambos a cultivar a Via do Bodhisattva”. Ele então afagou o topo da cabeça do monge e disse: “No futuro, você tornar-se-á um Buda chamado Shakyamuni”. Após o Buda Dipankara ter conferido ao Buda Shakyamuni aquela profecia, os dois monges se separaram e cada um continuou a praticar a Via.

Assim então o Buda Shakyamuni indagou a Subhuti: “Quando Eu recebi a minha profecia, obtive algum dharma?”

Subhuti respondeu: “Não”.

Sutra Diamante – Capítulo 10 – O Adorno das Terras Puras.

Original

O Adorno Das Terras Búdicas

Sutra:

O Buda disse a Subhuti: “O que você pensa? Houve algum dharma que o Tathagata obteve enquanto com o Buda Dipankara (Tocha Ardente)?”

“Não, Honrado pelo Mundo, não houve realmente nenhum dharma que o Tathagata obteve enquanto com o Buda Tocha Ardente.”

“Subhuti, o que você pensa, um Bodhisattva adorna as Terras Búdicas?”

“Não, Honrado pelo Mundo. E por quê? O adorno das Terras Búdicas é nenhum adorno, no entanto é chamado adorno.”

“Portanto, Subhuti, o Bodhisattva, Mahasattva, deste modo deve produzir um coração puro. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nas formas. Ele deve produzir aquele coração sem persistência nos sons, odores, sabores, objetos tangíveis, ou dharmas. Ele deve produzir aquele coração sem persistência em qualquer lugar.”

“Subhuti, suponha que uma pessoa tenha um corpo como o (Monte) Sumeru, o Rei das Montanhas. O que você pensa: aquele corpo seria grande?”

Subhuti disse: “Muito grande, Honrado pelo Mundo. E por quê? É dito pelo Buda não haver corpo algum. Por isso, é chamado um grande corpo.”

Sutra Diamante – Capítulo 10 – O Adorno das Terras Puras.

Original

A Iluminação segundo Dom Juan

“…um estado de consciência intensificada é visto não apenas como um brilho que aparece numa região mais profunda da forma ovóide (eu diria elipsóide siga o link para mais informações) dos seres humanos, mas também como um brilho mais intenso na superfície do casulo. Embora não seja nada comparado ao brilho produzido em estados de consciência total, visto como uma explosão de incandescência no ovo luminoso inteiro. É uma explosão de luz de tal magnitude que os limites da concha ficam difusos, e as emanações do interior estendem-se além de qualquer coisa imaginável.

– São casos especiais, dom Juan?

– É claro. Acontecem apenas com videntes. Nenhum outro homem ou nenhuma outra criatura vivente se ilumina dessa maneira. Videntes que atingem deliberadamente a consciência total são uma visão para se guardar. Esse é o momento em que queimam de dentro para fora. O fogo interior os consome. Em consciência total, fundem-se com as emanações livres e deslizam para a eternidade.”

Carlos Castaneda ( Carlos César Salvador Arana Castañeda) em “O Fogo Interior” – 9a. Edição – Nova Era.

A Bênção da Pureza

O Buda diz que Subhuti é o primeiro Arhat a apartar-se do desejo. Os seres viventes são atormentados com todos os tipos de cobiça e desejo, que se resumem numa lista de Cinco Desejos: desejo pela riqueza, pela forma, pela fama, pela comida e pelo sono. Qualquer um gosta de (possuir) valores para um objeto de cobiça e desejo. Ao certificar-se para o Samadhi de Nenhuma Contenda, não há mais cobiça ou desejo de qualquer natureza. Não se tem mais cobiça pela comida, roupas, ou um bom lugar para viver. Todos os anseios cessam. Isto é o que se entende por primeiro a libertar-se do desejo. Apartando-se do desejo se obtém o Samadhi de Nenhuma Contenda e torna-se puro. Se não se abandona o desejo, não se pode obter o Samadhi de Nenhuma Contenda – a bênção da pureza.

Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, eu não tenho o pensamento de que sou alguém que obteve o Samadhi de Nenhuma Contenda, ou que certifiquei-me para o Arhatship, ou que sou o numero um em meio aos humanos – o primeiro Arhat livre dos desejos. Por quê? Se eu tiver aquele pensamento, não posso ser chamado de puro, não posso ser dito ter deixado o desejo, e não posso ser chamado de alguém que não disputa (ou luta).”

“Honrado pelo Mundo, você não deve então dizer que Subhuti é alguém que pratica Arana, isto é, alguém que pratica a pura conduta. Por quê? Porque se eu tenho tal pensamento, já seria controvérsia e impureza, e eu não estaria livre do desejo. Aquilo também seria um falso pensamento.”

“Mas em razão de eu estar realmente sem a prática – eu realmente nada faço – eu não estou apegado a nada. Eu não estou apegado ao ‘eu’ ou aos dharmas; uma vez que não digo arrogantemente: ‘Eu obtive o Arhatship, Eu sou puro e não disputo. Eu estou livre do desejo’; por essa razão, o Buda diz que eu sou o primeiro Arhat a libertar-se do desejo. Mas se eu tenho esse pensamento, o Buda não pode falar daquela maneira.”

“Subhuti, que pratica Arana” é nada mais que um falso nome. Como um praticante da Arana Subhuti gostava de cultivar a pura conduta. Todavia, não havia um substância fixa (concreta) ou real, nenhuma ‘coisa’ que ele tivesse obtido. Embora ele tivesse se certificado para a quarta fruição do Arhatship, ele realmente nada tinha obtido.

Aqueles que olham não podem vê-lo,

aqueles que escutam não podem ouvir:

não há nada afinal.

Sutra Diamante – Capítulo 9 – Uma Marca Que Não é Marca.

Original

O Samadhi de Nenhuma Contenda

Subhuti novamente dirigiu-se ao Buda, dizendo: “Honrado pelo Mundo, o Buda diz que eu obtive o Samadhi de Nenhuma Contenda”. Contenda refere-se a debate e disputa (luta). O Sexto Patriarca falou disto:

Debate – pensamentos de vitória e derrota –

estão em contradição com a Via.

Dão origem à idéia das quatro-marcas,

como pode o Samadhi ser obtido?

No cultivo da Via não se deve envolver-se em competição, disputa para ser o primeiro ou segundo. Pessoas que cultivam a Via devem ser como a água. Lao Tzu disse:

Benevolência superior é como água:

a água beneficia uma miríade de coisas,

e não lhes confronta.

Ela flui para lugares que repelem a humanidade

e assim ela se aproxima da Via.

“A água beneficia uma miríade de coisas e não lhes confronta”. Árvores, flores e gramas necessitam da água para crescerem. Pessoas necessitam da água para viverem. Criaturas que voam bebem água, e peixes, tartarugas, camarões, caranguejos e semelhantes também necessitam de água para sobreviverem. Aqueles nascidos do útero, dos ovos, da umidade e por transformação, todos necessitam ter água. A água não se recusa a umedecer uma miríade de coisas, nem regateia ou barganha. “Ela flui para lugares que repelem a humanidade e assim ela se aproxima da via”. A água não permanece nas altas montanhas, mas flui para o lugares mais baixos, diferente das pessoas que apreciam lugares elevados e evitam os baixos. Em razão de ela tender a fluir para os lugares baixos, a água está em concordância com a Via.

Lao Tzu era um corpo transformado do Venerável Mahakashyapa. Quando o Buda entrou no mundo, ele viu que os seres viventes na China cometiam muitas ofensas e não contavam com o dharma para cultivar. Assim, ele enviou Lao Tzu, Confúcio e Yan Hwei para a China para ensinar e transformar os seres viventes. Todos os três eram corpos transformados de Bodhisattvas.

Lao Tzu introduziu o conceito do incondicionado para o povo Chinês. Se alguém pode compreender o dharma incondicionado, então esse alguém pode vir a compreender o que não é incondicionado. O Budadharma fala daquilo que é incondicionado e ainda não incondicionado.

O Sexto Patriarca disse: “Debate – pensamentos de vitória e derrota – estão em contradição com a Via”. Suponha que na cultivação da Via você deva ir para o sul, mas em razão de você gostar de argumentar você vá para o norte. Talvez você deva ir para o leste, mas você rebela-se e vai para o oeste. Quando você argumenta, você está em oposição à Via. “Dar origem à ideia das quatro-marcas” significa produzir as marcas do eu, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida. “Como pode o Samadhi ser obtido?” O Samadhi de Nenhuma Contenda é não ter pensamentos de vitória ou derrota.

Sutra Diamante – Capítulo 9 – Uma Marca Que Não é Marca.

Original

Canada, Mount Royal, Quebec

Nesses lugares há pessoas que visitam Cristal Perfeito. Faça-lhes uma visita de cortesia!

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Como Retornei ao Taissekiji

Meu filho André Felipe encontra-se no Japão, a caminho de Fujinomiya, onde visitará o Templo Taissekiji. Lá estive há 24 anos. Para mim, esse evento auspicioso significa o cumprimento da minha promessa de retorno ao Taissekiji. Isto se realiza na sua pessoa. Emoção e imensa gratidão é o que estou sentindo.

Fuji

Foto de André Felipe rumo ao Monte Fuji.

O Arhat

Sutra:

Subhuti, o que você pensa? Pode um Arhat ter o pensamento: ‘Eu obtive o Arhatship.’?”

Subhuti disse: “Não, Honrado pelo Mundo. E por quê? Na verdade, não há um dharma denominado Arhat. Honrado pelo Mundo, se um Arhat tem o pensamento: ‘Eu Atingi o Arhatship’, aquilo seria apego ao eu (a si mesmo), aos outros, aos seres viventes e à uma vida. Honrado pelo Mundo, o Buda diz que na minha consecução do Samadhi de Nenhuma Contenda, eu sou o primeiro em meio aos humanos, que eu sou o primeiro Arhat liberto do desejo. Honrado pelo Mundo, eu não tenho o pensamento: ‘Eu sou um Arhat livre do desejo’. Se eu tivesse o pensamento: ‘Eu atingi o Arhatship’, então o Honrado pelo Mundo não poderia dizer: ‘Subhuti é o primeiro dentre aqueles que se comprazem em praticar Arana’. Uma vez que Subhuti de fato não tem nenhuma prática, ele é chamado ‘Subhuti, aquele que se compraz em praticar Arana’.”

Comentário:

Arhat, uma palavra do Sânscrito, possui três significados:

  1. Merecedor de ofertas,
  2. Exterminador de ladrões,
  3. Sem nascimento.

Ser um monge é a causa para tornar-se um Arhat, tornar-se um Arhat é o resultado de ter sido um monge. Na causa, ele é um mendicante. No efeito, ele é merecedor dos oferecimentos de deuses e humanos. Na causa, ele é alguém que atemoriza Mara. No efeito, ele é alguém que extermina os ladrões, os ladrões das aflições. Na causa, ele é alguém que destrói a maldade. No efeito, ele é alguém que é sem nascimento.

O Arhat do Pequeno Veículo extermina os ladrões das aflições. O Bodhisattva não deve apenas exterminar os ladrões, mas deve também exterminar aquilo que não é um ladrão, quer dizer, a ignorância. Na realização do Arhatship, a ignorância não é considerada um ladrão, mas na culminação do Estado do Bodhisattva é, devido à percepção de que todas as aflições provêm da ignorância.

Embora o Arhat tenha alcançado ‘A Posição de Nenhum Estudo’, ele ainda tem ignorância. Mesmo na iluminação dos Bodhisattvas ainda resta uma última partícula de ignorância que age como um ladrão e que os Bodhisattvas reconhecem ser o maior dos ladrões. Por isso se diz que eles devem exterminar aquilo que para o Arhat não é um ladrão.

Subhuti foi indagado se um Arhat pode ter o pensamento de que ele obteve o Arhatship, e respondeu: “Não, porque embora ele tenha se certificado para a fruição do Arhatship, isto é apenas um nome e nada mais”. Não apenas na certificação para o fruto do Arhatship não há percepção, como também na consecução do Estado de Buda não há (nenhuma percepção). Não há um dharma tangível que possa ser chamado Arhat. Isto é um nome vazio. Se alguém pensa que ele existe, esse alguém tem apego aos dharmas e não alcançou a vacuidade dos dharmas.

Se um Arhat tivesse o pensamento de que ele obteve o Arhatship, ele estaria apegado a si mesmo, aos outros, aos seres viventes e à uma vida. Ele não teria alcançado a vacuidade do ‘eu’ ou dos dharmas, nem teria obtido o Arhatship. O pensamento da obtenção do Arhatship traz consigo a marca do ‘eu’, que por sua vez produz sua semelhante (marca) dos outros. Estabelecidos os dharmas do ‘eu’ e dos outros, cria-se a marca dos seres viventes, a qual por sua vez leva à marca de uma vida. Ele estaria, portanto, apegado às quatro marcas.

Sutra Diamante – Capítulo 9 – Uma Marca Que Não é Marca.

Original

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