A Prática do Sutra de Lótus Rumo ao Bodhimanda

“Uma pessoa pode ler, recitar, receber, e manter este Sutra, explicá-lo aos outros, copiá-lo, ou induzir os outros a copiá-lo, e pode, além disso, construir torres votivas ou aposentos para a Sangha. Ela pode fazer oferecimentos e louvar a Sangha de Ouvintes, e louvar os méritos e virtudes dos Bodhisattvas através de centenas de milhares de miríades de milhões de modos. Além disso, ela pode explicar os significados contidos no Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para outros, de acordo com as suas várias causas e condições. E mais, ela pode observar puramente os preceitos, viver em harmonia com as pessoas, ser paciente e sem ódio, e ter uma sólida decisão e determinação. Ela pode sempre valorizar a meditação dhyana, obtendo a profunda concentração. Ela pode ser vigorosa e heróica, desenvolvendo-se em todas as boas doutrinas. Ela pode possuir faculdades apuradas e sabedoria, e ser hábil na resposta às questões”.

“Ajita! Se houver um bom homem ou uma boa mulher que, após a minha passagem à extinção, seja apto a receber, manter, ler e recitar este Sutra, e que também seja capaz de acumular essas outras boas ações e virtudes meritórias ditas acima, tal pessoa já está em direção ao Bodhimanda, ela já está próxima do Anuttara-Samyak-Sambodhi, e está sentada sob a árvore da Via. Ajita! Onde quer que tal bom homem ou boa mulher se encontre, se ele ou ela estiverem sentados, em pé ou caminhando, uma torre votiva deveria ser construída naquele local, e todos os seres celestiais e humanos deveriam fazer oferecimentos para eles como se fosse uma torre votiva do Buda[1]”.  

 


[1] A estes o Buda refere-se como já portadores da sabedoria que abarca todos os fenômenos, ou já iluminados para essa sabedoria, chamando-lhes, mais adiante, de Mestres da Lei.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

Flor de Lótus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2007.

Mianmar: Voluntários do Dharma, Uní-vos.

Homenagem à Sangua da Birmânia (Mianmar)

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Estava a meditar sobre o massacre dos monges na Birmânia quando recebi este poema de Cristina Margarida Granado, uma amiga de Portugal. Para você, Cristina, uma flor.

Flor de Lótus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 22/09/2007.

 

27/09/2007.

STOP ABUSE !


Pegue este Sêlo

Veja em Cristal Perfeito

Libertando-se das Amarras

Veja no blog Samsara

Tibet é importante.
Apoio ao Dalai Lama

A Idéia de Behram Kursunoglu

A nova teoria da eletrodinâmica quântica dissimula a “verdadeira natureza” da carga elétrica e da massa que carrega essa carga na trama cinzenta daquilo que foi chamado “renormalização de carga e massa”. As equações da eletrodinâmica quântica que contém os parâmetros carga e massa não produzem de algum modo, em todos os casos, resultados observáveis finitos. Todos os cálculos que contém a massa e a carga, levam à respostas “infinito”, a menos que esses infinitos sejam embutidos de uma maneira engenhosamente formulada e sejam por “decreto” equacionados para os resultados finitos observados. Este era o conceito da “renormalização” e as regras para ele foram “logicamente” e “iniqüamente” estabelecidas tal que qualquer um no campo computaria para qualquer processo eletromagnético (emissão, absorção, espalhamento de partículas e fótons, criação e aniquilação de partículas e anti-partículas, etc.) um resultado finito em boa concordância com a experiência. Isto era tão convincente que os mais renomados Físicos aceitaram como uma resposta final às dificuldades da teoria quântica relativística e adotaram a “renormalizibilidade” de uma teoria física como um princípio da física. Tudo isso foi feito à custa da lesão da mais “apaixonante” e interessante região da partícula elementar: sua constituição interior.

Por exemplo, na eletrodinâmica clássica, a energia potencial de uma partícula puntiforme com carga elétrica e é definida como e2/r, onde r é sua distância em relação à outra carga e. Assim, sua energia própria, isto é, a energia computada para r=0 é obviamente uma quantidade infinita. Energia própria na teoria quântica, como um problema de um “corpo infinito”, assume uma forma muito mais complicada e é, mesmo após o procedimento de renormalização, ainda uma quantidade infinita. Uma vez que a energia própria não aparece diretamente nos resultados calculados da eletrodinâmica quântica, os inventores do esquema de renormalização ocultaram-na sob o tapete e dessa maneira revelaram o fato de que a “renormalização” contornava dificuldades básicas da eletrodinâmica quântica sem resolver os problemas atuais.

Experiências têm demonstrado agora a existência de cerca de 200 partículas diferentes que interagem por via de algumas ou todas as chamadas quatro interações fundamentais conhecidas: forte, eletromagnética, fraca e gravitacional (mais fraca que a fraca). A massa, ou mais geralmente a energia, é a fonte do campo gravitacional e a sua esfera de influência como uma força de atração se estende a distâncias infinitas. Por essa razão ela é classificada como uma força de “longo alcance”. Para finalidades mais práticas, a influência da gravitação (mesmo se causada pela existência de massa) na proliferação de partículas elementares e no seu comportamento geral é ignorada. A carga elétrica é a fonte do campo eletromagnético e sua esfera de influência na forma de forças atrativas e repulsivas também se estende a distâncias infinitas e, assim, é um segundo exemplo fundamental de uma “força de longo alcance”. A razão da força eletromagnética entre duas cargas elétricas e com igual massa m para a força gravitacional entre as massas é dada por:

e2 / Gm2 = 1040 ,

onde m é a massa de um elétron e G é a constante gravitacional que aparece na lei de gravitação universal de Newton. Daqui se conclui que o erro que se comete ao desprezar a influência da força gravitacional no comportamento da partícula elementar é, sem dúvida, muito pequeno. Todavia, mesmo quando a interação gravitacional é omitida, o sucesso da eletrodinâmica quântica não poderia ser estendido a uma compreensão real das forças nucleares que agem somente sobre curtas distâncias, da ordem de 10-15 a 10-13 cm. Além disso, experiências realizadas com partículas como elétrons, prótons e fótons a muito altas energias (de 100 a 500 bilhões de eV) têm, sem qualquer sombra de dúvida, revelado que não somente partículas pesadas como o próton e o nêutron (barions), mas também uma partícula leve como o elétron (lepton), que tem massa 1/2.000 vezes a massa do próton, têm uma estrutura complexa (estendida) e, de fato, interagem fortemente a muito altas energias. Experiências têm dado assim, evidências indicando uma unidade básica de todas as interações. A intensidade e o alcance das interações fortes foram descobertas ser dependentes da energia, e a forma dessa dependência lança dúvidas em algumas das convicções mais aceitas como, por exemplo, que um elétron ou um fóton não exibem interações fortes.

O quadro emergente da breve discussão acima sobre o “status” atual do assunto, aponta para a unidade de todas as interações fundamentais. Esta indicação da unificação da física ou, mais geralmente, da ciência, tem um apelo estético e filosófico.

Nas três seções seguintes, Kursunoglu tentará resumir a evolução de alguns esforços e, em particular, concentrar-se-á mais nos últimos progressos feitos em sua própria pesquisa (teoria da gravitação generalizada) para conexão entre o menor (a partícula elementar) e o maior (o universo).

 

Kursunoglu, B. – A Non-Technical History of the Generalized Theory of Gravitation Dedicated to the Albert Einstein Centennial – Center for Theoretical Studies, University of Miami, Coral Gables, Florida 33124 – USA.

Os Primórdios da Eletrodinâmica Quântica

Uma Nova Carga

Um Novo Vácuo

Um Novo Spin

Uma Nova Força

Um Novo Papel para a Força Gravitacional

Uma Nova Energia Própria

Um Novo Universo

A Suprema Virtude Meritória

“Ajita! Se, após a minha passagem à extinção, uma pessoa, ouvindo este Sutra, puder recebê-lo e ostentá-lo, copiá-lo, ou induzir outros a copiá-lo…, desse modo ela construirá aposentos à Sangha e fará trinta e dois salões de sândalo vermelho, adornados, medindo oito árvores tala na altura, largura e profundidade, com centenas de milhares de Monges residindo dentro deles, repletos de jardins, bosques, lagos para banho, trilhas, grutas para meditação dhyana, indumentárias, comidas, bebidas, aposentos, remédios e músicas instrumentais. Tais aposentos para a Sangha, salões e pavilhões, feitos aos milhares de miríades de milhões, serão incontáveis em número e se manifestarão como um oferecimento diante de mim e da Sangha de Monges. Portanto, eu digo que após o Tathagata ter entrado em extinção, se uma pessoa receber, ostentar, ler, recitar ou expor este Sutra para outros, se ela copiá-lo, induzir outros a copiá-lo, ou a fazer oferecimentos a este Sutra, ela não necessitará, além disso, construir torres votivas, monastérios, ou aposentos para a Sangha, nem necessitará fazer oferecimentos à Sangha. Quanto mais isso não se aplicará a uma pessoa que possa ostentar este Sutra e ao mesmo tempo praticar a doação, observando preceitos, possuindo a paciência, o vigor, o pensamento único e a sabedoria[1]. Sua virtude será suprema, ilimitada e incomensurável. Assim como o espaço ao norte, ao leste, ao sul, ao oeste, no centro, no zenith e no nadir é ilimitado e infinito; assim também os méritos e virtudes dessa pessoa serão ilimitados e infinitos, e ela rapidamente atingirá a Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos[2]”.   

 


[1] Estes são os 6(seis) paramitas.

[2] Aqui o Buda faz novamente a distinção para pessoas que, além de abraçar o sutra ainda praticam os 6(seis) paramitas, dizendo que atingirão rapidamente a sabedoria que abarca todos os fenômenos.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

Os Primórdios da Eletrodinâmica Quântica

Por volta do início dos anos 50, as duas mais fundamentais teorias da Física, relatividade e mecânica quântica, estavam bem estabelecidas. A mais simples e menor partícula elementar conhecida, o elétron, era, através do trabalho de Dirac, perfeitamente bem compreendida: sua interação com o campo eletromagnético, seu comportamento geral num átomo, e seu papel nos processos químico e molecular estava em meio às brilhantes descobertas da teoria quântica no geral e da eletrodinâmica quântica no particular. Todavia, havia então, ainda, pequenos detalhes na interação do elétron e do campo eletromagnético que emergiram das experiências de Willis Lamb25 com relação a alguns “desvios” menores nos níveis de energia de um átomo. Esses “pequenos” desvios das predições não poderiam ser absorvidos por simples modificações das teorias existentes. Essas experiências requeriam uma formulação “relativística especial” mais refinada da teoria quântica; isto é, eletrodinâmica quântica. A relatividade, como aplicada até então, não permitia uma estrutura estendida para os elétrons, mas um elétron puntiforme era o único modelo compatível com os postulados da relatividade especial. A despeito dessas falhas, Físicos teóricos como Feymann, Schwinger, Tomanaga, Dyson e outros, tiveram êxito na reformulação da eletrodinâmica quântica de tal maneira que os “infinitos” da velha teoria, oriundos parcialmente da descrição puntiforme do elétron e parcialmente do complexo comportamento quântico produzido pela exigência relativística, foram eliminados.

Kursunoglu, B. – A Non-Technical History of the Generalized Theory of Gravitation Dedicated to the Albert Einstein Centennial – Center for Theoretical Studies, University of Miami, Coral Gables, Florida 33124 – USA.


A Idéia de Behram Kursunoglu

Uma Nova Carga

Um Novo Vácuo

Um Novo Spin

Uma Nova Força

Um Novo Papel para a Força Gravitacional

Uma Nova Energia Própria

Um Novo Universo

A Prática do Sutra de Lótus como Ensinada pelo Buda

“Além disso, Ajita, se alguém ouvir a respeito da longa duração da extensão da vida do Buda e compreender a importância dessas palavras, os méritos e virtudes que tal pessoa obterá serão sem fronteiras ou limites, porque possibilitarão àquela pessoa ascender à suprema sabedoria do Tathagata. Quanto mais não será o caso para aquele que possa ouvir este Sutra extensivamente; induzir outros a ouvir; mantê-lo para si; induzir outros a
mantê-lo; copiá-lo em si; induzir outros a copiá-lo; ou usar flores, incenso, contas, estandartes, bandeiras, dosséis de seda, óleos fragrantes ou velas para fazer oferecimentos a este Sutra. Os méritos e virtudes de tal pessoa serão ilimitados e infinitos, porque possibilitarão àquela pessoa ascender à Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos[1]”.

 


[1] Nesta passagem o Buda faz uma distinção entre os imensuráveis benefícios auferidos “se alguém ouvir a respeito da longa duração da extensão da vida do Buda e compreender a importância dessas palavras”; e os auferidos por alguém que, além disso, “possa ouvir este Sutra extensivamente; induzir outros a ouvir; mantê-lo para si; induzir outros a mantê-lo; copiá-lo em si; induzir outros a copiá-lo; ou usar flores, incenso, contas, estandartes, bandeiras, dosséis de seda, óleos fragrantes ou velas para fazer oferecimentos a este Sutra”. Essa distinção é fundamental porque o Buda a faz entre aquele que abraça parte do sutra (que ouve, acredita e entende a longa duração da vida do Tathagata) e aquele que o abraça na íntegra (“que possa ouvir este Sutra extensivamente”), levando a cabo práticas de Bodhisattva (“induzir outros a ouvir; mantê-lo para si; induzir outros a mantê-lo; copiá-lo em si; induzir outros a copiá-lo, etc.”.).

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

O Magnífico Poder da Fé

Naquela ocasião o Buda disse ao Bodhisattva Mahasattva Maitreya: “Ajita! Se houver seres viventes que, ouvindo que a duração da vida do Buda é tão longa quanto dita acima, possam dar lugar mesmo que a um simples pensamento de fé e compreensão, os méritos e virtudes que eles obterão serão imensuráveis e ilimitados. Se um bom homem ou uma boa mulher, em prol do Anuttara-Samyak- Sambodhi, estivessem praticando os cinco paramitas (dana-paramita, shila-paramita, kshanti-paramita, virya-paramita e o dhyana-paramita; exceto o (sexto) prajna-paramita ) através de oitenta miríades de milhões de nayutas de kalpas, os méritos e virtudes que ele ou ela obteriam, se comparados com os daquelas pessoas acima, não viriam a ser uma centésima parte daqueles, nem uma milésima parte, nem uma centésima milésima milionésima parte, e nem poderiam ser reduzidos através de cálculos ou analogias. Para um bom homem ou boa mulher que possuam méritos e virtudes como aqueles primeiros, recuar do Anuttara-Samyak-Sambodhi seria simplesmente impossível[1]”.

 

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar este significado, falou versos, dizendo:

“Se alguém desejasse buscar a sabedoria do Buda através de oitenta miríades de milhões de nayutas de kalpas,

praticando os cinco paramitas ao longo de todos aqueles kalpas,

fazendo oferecimentos aos Budas,

aos discípulos Pratyekabudas,

e às multidões de Bodhisattvas;

suas doações poderiam ser comidas e bebidas finas e raras,

finas indumentárias pessoais e para aposentos;

essa pessoa poderia doar moradas feitas de pura madeira de sândalo e adornadas com jardins e bosques.

Doações como estas, variadas e refinadas,

aquela pessoa poderia dedicar à Via do Buda.

 

Além disso,

ela poderia observar puramente os preceitos proibitivos,

sem falha ou omissão,

buscando a via insuperável,

louvada por todos os Budas.

Ainda, ela poderia praticar a paciência,

estabelecendo-se no Estado de Complacência,

e mesmo que a maldade lhe acontecesse,

seu pensamento não seria perturbado.

Também, se aqueles que obtiveram o Dharma,

mas que guardam uma arrogância desmedida,

ridicularizassem-lhe e atormentassem-lhe,

ela seria capaz de suportá-los.

Ela poderia ser diligente e vigorosa,

sempre firme em sua resolução,

ao longo de ilimitados milhões de kalpas,

com pensamento único e sem lassidão.

E por incontáveis kalpas,

ela poderia residir num lugar tranqüilo,

sempre depurando seus pensamentos, em vigília,

quer estivesse sentada ou caminhando.

 

Em razão dessas causas e relações,

ela então alcançaria a concentração dhyana,

tal que por oitenta milhões de miríades de kalpas,

seu pensamento seria seguro e sem confusão.

Abençoada por este pensamento único,

ela buscaria a via insuperável, dizendo:

‘Posso alcançar a Sabedoria que Abarca Todos os Fenômenos e ultrapassar os limites das concentrações dhyana’.

Esta pessoa, ao longo de centenas de milhares de milhões de kalpas,

poderia praticar tais virtudes meritórias como ditas acima[2].

 

Mas, se houver um bom homem ou uma boa mulher que,

ouvindo-me pregar sobre a duração da minha vida,

der lugar mesmo que a um simples pensamento de fé,

suas bênçãos excederão aquelas da pessoa acima descrita.

Qualquer pessoa que esteja completamente livre de dúvidas ou pesares e que,

com um profundo sentimento,

compreender por não mais que um instante,

obterá bênçãos tais como estas.

 

Se houver Bodhisattvas que tenham praticado a Via durante ilimitados kalpas,

e que me ouçam pregar sobre a duração da minha vida,

eles serão capazes de compreendê-la e aceitá-la[3].

Pessoas tais como estas receberão esse Sutra acima do topo de suas cabeças, jurando:

‘No futuro, poderemos obter longas vidas e salvar seres viventes.

Assim como hoje o Honrado pelo Mundo,

Rei dos Shakyas,

no Bodhimanda emite o seu rugido de leão pregando o Dharma sem medo,

alguns de nós, nas vidas que virão,

seremos reverenciados por todos e,

enquanto sentados no Bodhimanda,

pregaremos sobre a duração de nossas vidas do mesmo modo’.

 

Existirão aqueles que compreenderão profundamente,

que serão puros e fortes,

com muito aprendizado e dharanis,

que exporão as palavras do Buda de acordo com a doutrina.

Pessoas tais como essas não terão dúvidas sobre este assunto”.

 


[1] Significando que os benefícios auferidos através da fé na eternidade da vida do Buda conduzirão uma pessoa infalivelmente à iluminação. Significa ainda que os benefícios da fé (na eternidade da vida do Buda) superam em muito os benefícios da prática. Esta é uma clara distinção dos méritos e virtudes deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

[2] O Buda esclarece que aqueles que perseveram nos ensinos provisórios, incluindo os contidos na primeira parte deste Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, como as rigorosas regras monásticas para as práticas dos Bodhisattvas descritas no Capítulo 14 – Conduta para a Prática Bem-Sucedida, obterão benefícios menores do que os dos bons homens e boas mulheres que o ouçam descrever sobre “A duração da Vida do Tathagata” e com resoluta fé, livres de quaisquer dúvidas ou hesitações, acreditem ainda que por um momento. Esta revelação da duração da vida do Buda, todavia, está exclusivamente contida nos ensinos essenciais do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, aparecendo pela primeira vez no Capítulo 16 – A Duração da Vida do Tathagata. Por essa razão esse Capítulo é tão importante, sendo a própria descrição original da longuíssima vida do Buda. Neste ensino está a profunda doutrina da possessão mútua (ou do Itinen Sanzen), qual seja a inerência do estado de Buda em todos os seres de todos os mundos das dez direções.

[3] Referindo-se aos Bodhisattvas da Terra do Capítulo 15 – Emergindo da Terra.

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

Poder da Fé
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 15/09/2007.

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 4 – Final

Parte 4 – Os Limites da Análise nas Idéias de Kogut, Wilson e Susskind

“A força magnética entre duas partículas carregadas é descrita pela lei de Coulomb24: a força decresce com o quadrado da distância entre as cargas. Kogut, Wilson e Susskind argüiram que a força forte entre dois quarks coloridos comporta-se completamente diferente: ela não diminui com a distância, mas, permanece constante independente da separação dos quarks. Se seu argumento é válido, uma enorme quantidade de energia será requerida para isolar um quark. Separar um elétron da camada de valência de um átomo requer uns poucos eletronvolts. Desintegrar um núcleo atômico requer uns poucos milhões de eletronvolts. Em contraste com esses valores, a separação de um quark simples de apenas uma polegada do próton do qual ele é constituinte, requereria o investimento de 1013 GeV, energia suficiente para separar o autor da terra de uns 30 pés. Muito antes de tal nível de energia ser alcançado, um outro processo interviria. Da energia fornecida no esforço para extrair um quark simples, um novo quark-antiquark se materializaria (do vácuo). O novo quark substituiria aquele removido do próton e reconstituiria a partícula. O novo antiquark associar-se-ia ao quark deslocado, fazendo um meson. Ao invés de isolamento de um quark colorido, tudo é resumido na criação de um meson incolor.

“Se esta interpretação do confinamento do quark é correta, sugere-se uma engenhosa maneira de terminar a regressão aparentemente infinita da estrutura fina da matéria. Átomos podem ser analisados em elétrons e núcleo; núcleos em prótons e nêutrons; e prótons e nêutrons em quarks. Entretanto, a teoria do confinamento do quark sugere que a série para aqui. É difícil imaginar como que uma partícula poderia existir numa estrutura interna se a partícula não pode ser criada.”

A tentativa feita com a hipótese do “bootstrap” para deter a infinita regressão no nível dos hadrons, falhou por causa dos quarks. O confinamento do quark deve ser uma forma de encerrar a série para o nível da matéria que alcançamos, mas ele é ainda um trabalho hipotético, embora atrativo.

Na teoria do modelo do Cristalino, acredito que há um limiar de energia para o estudo das partículas elementares através da análise (isto é, por cisão e isolamento e confinamento), a partir do qual passa a ocorrer a fusão do Cristalino, excitando partículas de semelhante natureza daquelas que se pretende isolar da estrutura mais complexa que, segundo o modelo, tiveram sua origem nas interações dessas partículas primas. Essas partículas primas, nos primeiros instantes do Universo, teriam se associado através das ligações fortes, fracas e eletromagnéticas, constituindo os átomos, moléculas etc.; e através das interações gravitacionais, vieram constituindo as entidades do macrocosmo. É claro que a hierarquia das interações submete-se ao seguinte comando: sendo o tamanho da entidade comparável ao alcance da interação, predomina a interação de alcance imediatamente superior e, portanto, mais fraca.

 

Amaldi, U. – Particle Accelerators and Scientific Culture – CERN-79-06, Experimental Physics Division, July, 12 1979 – Genova – Italy.

 

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 1

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 2

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 3

O Despertar para o Ideal Supremo

Seres viventes tais como estes,

ouvindo sobre a vasta extensão da vida do Buda,

obtém ilimitadas, puras e irrepreensíveis recompensas como retribuição.

Também os seres viventes,

numerosos como as partículas de pó de oito mundos,

ouvindo o Buda pregar sobre a duração da sua vida,

todos se decidiram pelo Ideal Supremo[1].

 


[1] Ser um adepto do Budismo e seguir os seus preceitos ainda é uma opção pelo Pequeno Veículo. A decisão de “vir a ser Buda”, isto sim, é uma opção pelo Grande Veículo, uma decisão para a consecução do Anuttara-Samyak-Sambodhi. O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa tem este único objetivo: despertar nas pessoas o Ideal Supremo, conduzindo-as pela Via Insuperável rumo ao Anuttara-Samyak-Sambodhi. (07/12/05 – 05h30min)

Extraído do CAP. 17: Distinção dos Méritos e Virtudes.

Ideal Supremo
Foto de Marcos Ubirajara. Local: Síto da Dôra em 15/09/2007.

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 3

Parte 3 – A Cromodinâmica Quântica de Sheldon Glashow

A hipótese de cores não só multiplica a razão R por três, colocando-a de acordo com as observações experimentais, mas é também útil na explicação de outros fenômenos observados e abre caminho para um profundo conhecimento das interações fortes e da falta de observação de quarks livres. (Aqui pode ser desenvolvido um raciocínio analógico sobre a possibilidade de serem os quarks os constituintes de um Cristalino, a partir dos quais, pela fusão em determinadas condições, são criados os hadrons. O modelo do Cristalino, em princípio, prevê constituintes de uma única espécie que, todavia, tem suas manifestações diversificadas pelo nível de excitação ou simetria. Esta seria uma explicação para outros tipos de partículas como os leptons, que podem ser igualmente excitadas do vácuo tendo como mediadores – tanto os leptons como os hadrons – os fótons e weakons). Para descrever as idéias desta recente e ainda hipotética teoria das interações fortes, é necessário introduzir um novo rótulo para os quarks: flavour. Desnecessário dizer que ele nada tem a ver com os sabores dos objetos macroscópicos; dizemos que os quarks aparecem em três sabores e cada sabor tem três cores.

Tomando de Sheldon Glashow22 a descrição da ainda especulativa teoria da cromodinâmica quântica, que faz uso de dois atributos, cor e sabor, para rotular os quarks, ou melhor, os campos fundamentais da natureza: “Nós podemos propor uma questão fundamental: o que explica o postulado de que todos os hadrons devem ser coloridos? Uma aproximação incorpora o modelo de cor dos hadrons numa classe de teorias chamadas teorias de gauge. A teoria de gauge em cores postula a existência de oito partículas sem massa, às vezes chamadas gluons, que são portadoras da força “forte”, assim como o fóton é portador da força eletromagnética. Gluons, como os quarks, não foram detectados. Quando um quark emite ou absorve um gluon, o quark varia de cor mas não seu sabor. Por exemplo, a emissão de um gluon pode transformar um quark vermelho num azul ou amarelo, mas não num quark de outro sabor. Uma vez que os gluons coloridos são os quanta das ligações fortes, segue-se que a cor é o aspecto dos quarks que é mais importante nas ligações fortes. A teoria de gauge colorida propõe que a força que mantém juntos quarks coloridos, representa o verdadeiro caráter da ligação forte. A mais familiar interação forte dos hadrons (tal como a ligação de prótons e nêutrons no núcleo) é uma manifestação da mesma força fundamental; mas, as interações dos hadrons incolores não são mais que uma remanescência da interação fundamental entre quarks coloridos. Assim como forças de Van Der Waals23 entre moléculas é somente um leve vestígio da força eletromagnética que liga o elétron ao núcleo, a força forte observada entre hadrons é somente um vestígio daquela que está operando dentro de um hadron individual.”

 

Amaldi, U. – Particle Accelerators and Scientific Culture – CERN-79-06, Experimental Physics Division, July, 12 1979 – Genova – Italy.

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 1

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 2

Uma Técnica para “Fusão do Vácuo” – Parte 4

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