O Repositório Secreto

“O que é o Repositório Secreto? É como os três pontos [no sânscrito] da letra ‘i’. Se eles se encontram numa linha transversal, eles não formam o ‘i’. Colocados verticalmente, eles também não têm finalidade. Mas quando se colocam os três pontos sobre o supercílio do Mahesvara (Grande Lorde), isto é ‘i’. Se os três pontos são escritos separadamente, isto novamente não tem finalidade. Assim, também, é comigo. O Dharma da emancipação é também [por si mesmo] não-Nirvana. O corpo do Tathagata é também não-Nirvana. A Grande Sabedoria é também não-Nirvana. As três coisas podem existir separadamente, mas isto não constitui Nirvana. Agora, eu resido pacificamente nos três e digo que, para o benefício de todos os seres, entro no Nirvana. Isto é como no caso da letra ‘i’.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP: 03 – Sobre Ofensas.

O Doce Orvalho do Dharma Maravilhoso

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou em versos, dizendo:

“O Demolidor da existência,
o Rei do Dharma manifesta-se no mundo,
e de acordo com os desejos dos seres viventes,
ele ensina a Lei de variadas formas.

O Tathagata, não necessitando de veneração por esta sabedoria,
profunda e imensurável,
permaneceu por longo tempo em silêncio acerca deste assunto,
não se precipitando ou apressando-se em seguir adiante.

Aqueles com sabedoria, se ouvirem-na,
serão capazes de entendê-la e compreendê-la;
mas aqueles de escassa sabedoria duvidarão e,
desse modo, a perderão por um longo tempo.
Por esta razão, Kashyapa,
ela é pregada de acordo com as suas capacidades,
empregando-se várias causas e condições para conduzi-los a uma visão correta.

Kashyapa, saiba que ela é como uma grande nuvem emergindo sobre o mundo e recobrindo a tudo.
Uma nuvem de sabedoria repleta de umidade,
iluminada com flashes luminosos,
e vibrante como o rugido dos trovões.
Ela traz o deleite para todos,
obscurecendo a luz do sol,
e refrescando a terra.

A nuvem abaixa-se e expande-se como se pudéssemos encontrá-la e tocá-la.
Faz chover com equidade em todos os lugares,
caindo igualmente nas quatro direções,
derramando incomensuráveis benefícios e saturando toda a terra.”

Excerto do CAP. 05: Ervas Medicinais, pág. 126.

Foto de Adjalmo na chácara da Mercês em 19/10/2008

Foto de Adjalmo na chácara da Mercês em 19/10/2008

O Maná do Dharma e o Castelo de Tesouros

Então, o Honrado pelo Mundo falou em versos para toda a congregação:

“Todos vocês! Abram sua mente, não se aflijam profundamente.
Os ensinamentos de todos os Budas são assim.
Portanto, façam silêncio. Procurem não ser indolentes,
protejam sua mente, perseverem no pensamento correto,
apartem-se dos atos ilícitos;
consolem-se e sejam felizes.

Além disso, oh Monges! Se vocês têm qualquer dúvida, indaguem agora. Se vocês têm dúvidas acerca do vazio versus não-vazio, eterno versus não-eterno, sofrimento versus não-sofrimento, dependente versus não-dependente, passado versus não-passado, refúgio versus não-refúgio, sempre versus não-sempre, impermanência versus o eterno, seres versus não-seres, ‘é’ versus ‘não-é’, o real versus não-real, a verdade versus a não-verdade, extinção versus não-extinção, esotérico versus não-esotérico, e o dual versus não-dual; falarei a vocês neste sentido. Para o vosso benefício, também, primeiro falarei do maná e então entrarei no Nirvana.

Oh Monges! É difícil presenciar o aparecimento de um Buda no Mundo. É difícil nascer como humano. É difícil, também, encontrar o Buda e ganhar a fé. É também difícil ouvir o inaudível. É difícil também manter em observância e perseverar nas injunções proibitivas e atingir o arhatship. Isto é como tentar encontrar ouro na areia. É como no caso da udumbara. Oh Monges! É difícil nascer como um humano a partir do auto-isolamento das oito situações inoportunas [vícios que barram o caminho para encontrar o Buda e aprender seus ensinamentos].

Oh vocês! Tendo me encontrado agora, não partam de mãos vazias. Eu sofri privações no passado, e agora obtive todos aqueles expedientes insuperáveis. Para o vosso benefício, inumeráveis kalpas atrás, oferecí meu corpo, mãos, pés, cabeça, olhos, tutano, e cérebro. Em vista disso, não se sujeitem à indolência. Oh Monges! Como podemos adornar o Castelo de Tesouros do Dharma Maravilhoso? Adornando a nós mesmos com várias virtudes e jóias raras, e sendo protegidos pelos baluartes e fossos dos preceitos [shila], meditação [dhyana] e Sabedoria [prajna]. Agora, vocês se encontraram com este castelo dos ensinamentos Budistas. Não o tomem por falso. Por exemplo, um mercador pode deparar com um castelo de tesouros verdadeiros e, mesmo assim, recolher entulhos como telhas e cascalhos, e voltar para casa. O mesmo se dá com vocês. Depararam-se com um Castelo de Tesouros, e ainda o tomam como sendo falso. Oh todos vocês Monges! Não se satisfaçam com idéias subalternas. Vocês são ordenados agora, mas não amam o Mahayana que é superior. Oh vocês Monges! Vocês vestem em seus corpos a kasaya (robes de monges Budistas) e robes tingidos de um sacerdote, mas vosso pensamento ainda não está tingido pelo puro Dharma do Mahayana. Oh vocês Monges! Vocês vão a muitos lugares e imploram por oferecimentos, mas não procuram pelos alimentos do Dharma do Mahayana. Oh Monges! Vocês cortam seus cabelos, mas não cortam as amarras da ilusão. Oh vocês Monges! Eu agora ensino-lhes verdadeiramente. Agora eu vejo que tudo está em harmonia e a natureza do Dharma do Tathagata é verdadeira e inabalável. Assim, esforcem-se, todos vocês! Levantem-se, sejam bravos e desatem todos os laços da ilusão! Se o sol da Sabedoria dos dez poderes se pôr, a escuridão reinará sobre vocês. Oh vocês Monges! É como quando a grande terra, todas as montanhas e ervas medicinais tornam-se úteis para os seres. O mesmo é o caso com o Dharma do qual eu falo. Ele proclama maravilhosamente o alimento bom e doce do Dharma e provê a melhor cura para as doenças da ilusão dos seres. Agora, farei todos os seres meus discípulos e as quatro classes da Sangha Budista residirem nos secretos ensinamentos do Dharma. Eu, também, resido nisto e entrarei no Nirvana”.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP: 03 – Sobre Ofensas.

O Samadhi do Bodhisattva Som Maravilhoso

“Virtude da Flor, você vê meramente o corpo do Bodhisattva Som Maravilhoso como ele aparece aqui. Todavia, este Bodhisattva manifesta-se em todos os tipos de corpos e prega este Sutra em muitos lugares para os seres viventes.

Ele pode manifestar-se no corpo de um Rei Brahma; ele pode manifestar-se no corpo de um Shakra; ele pode manifestar-se no corpo de um Deus da Soberania; ele pode manifestar-se no corpo de um Deus de Grande Soberania; ele pode manifestar-se no corpo de um grande general celeste; ele pode manifestar-se no corpo de um rei celestial Vaishravana; ele pode manifestar-se no corpo de um rei sábio girador de roda; ele pode manifestar-se no corpo de um rei menor, ele pode manifestar-se no corpo de um governante, ele pode manifestar-se no corpo de um magistrado; ele pode manifestar-se no corpo de um ministro de estado; ele pode manifestar-se no corpo de um Brahma; ele pode manifestar-se no corpo de um Monge, Monja, Leigo ou Leiga; ele pode manifestar-se no corpo da esposa de um governante ou da esposa de um magistrado; ele pode manifestar-se no corpo da esposa de um ministro; ele pode manifestar-se no corpo da esposa de um Brahma; ele pode manifestar-se no corpo de um jovem garoto ou de uma jovem garota. Ele pode manifestar-se no corpo de um deus, dragão, yaksha, gandharva, asura, garuda, kinnara, mahoraga, um humano ou não-humano, e pregar este Sutra . Ele pode salvar todos os que se encontram no inferno, dentre os espíritos famintos e os animais, bem como aqueles em dificuldades. Ele pode transformar-se numa mulher da corte de um rei e pregar este Sutra”.

“Virtude da Flor, o Bodhisattva Som Maravilhoso pode salvar todos os seres viventes no mundo Saha. O Bodhisattva Som Maravilhoso pode, dessa forma, transformar-se em todos esses diferentes tipos de corpos e pregar este Sutra para os seres viventes no mundo Saha e ainda assim nada perder do seu poder transcendental de transformações e sabedoria”.

“A sabedoria deste Bodhisattva brilha resplandecente sobre o mundo Saha, fazendo com que cada um dos seres viventes ganhe compreensão. Em mundos numerosos como as areias do Ganges, através das dez direções, ele faz o mesmo:

Para aqueles que devem ser salvos pela forma de um Ouvinte, ele manifesta-se na forma de um Ouvinte e prega-lhes a Lei.

Para aqueles que devem ser salvos pela forma de um Pratyekabuda, ele manifesta-se na forma de um Pratyekabuda e prega-lhes a Lei.

Para aqueles que devem ser salvos pela forma de um Bodhisattva, ele manifesta-se na forma de um Bodhisattva e prega-lhes a Lei.

Para aqueles que devem ser salvos pela forma de um Buda, ele manifesta-se na forma de um Buda e prega-lhes a Lei. Dessa maneira ele manifesta-se de todas as formas para salvá-los da maneira apropriada, até o ponto de manifestar-se entrando em extinção para aqueles que devem ser salvos pela manifestação da sua entrada em extinção”.

“Virtude da Flor, tal é o grande poder das penetrações espirituais e sabedoria do Bodhisattva Mahasattva Som Maravilhoso”.

Naquela ocasião, o Bodhisattva Virtude da Flor disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, o Bodhisattva Som Maravilhoso possui raízes de benevolência profundamente plantadas. Honrado pelo Mundo, em qual samadhi reside este Bodhisattva, que o torna capaz de transformar-se e salvar os seres viventes”?

O Buda disse ao Bodhisattva Virtude da Flor: “Bom homem, este samadhi é chamado Manifestação de Todas as Formas Físicas. O Bodhisattva Som Maravilhoso, residindo neste samadhi, pode beneficiar incontáveis seres viventes”.

Excerto do CAP. 24: O Bodhisattva Som Maravilhoso, pág. 381.

O Magnífico Campo de Prosperidade

O Buda elogiou Cunda e disse: “Você falou bem, você falou bem! Você bem sabe que o Tathagata, seguindo a via de todos os seres, entra no Nirvana por uma questão de expediente. Ouça-me bem! É como no caso no qual todos os pássaros sarasa [uma espécie de ganso de tamanho médio encontrado no norte da Europa e Ásia] se reúnem no Lago Anavatapta [Manasarwar] nos meses da primavera. O mesmo é o caso com todos os Budas. Todos se reúnem aqui. Oh Cunda! Pense, nem muito e nem pouco, a respeito da vida de todos os Budas. Todas as coisas são como fantasmas. O Tathagata vive em meio a elas. O que ele tem é expediente; ele não se apega. Por que não? Isto é assim com o Dharma de todos os Budas. Oh Cunda! Eu agora receberei o que você oferece. Isto é para permitir-lhe atravessar o rio do nascimento e da morte. (Seres) humanos ou celestiais que façam oferecimentos [ao Buda] pela última vez, todos ganham uma inabalável recompensa e serão abençoados com felicidade. Por quê? Porque eu sou o magnífico campo de prosperidade para todos os seres. Se você deseja tornar-se um campo de prosperidade para todos os seres, aceite qualquer (coisa) que lhe seja dada. Não tardará muito.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 02: Sobre Cunda.

Os Olhos dos Mortais Comuns

“O Manjushri! O garuda voa incontáveis yojanas no céu. Ele olha para baixo no grande oceano e vê coisas da água tais como peixes, tartarugas marinhas, tartarugas migrantes, crocodilos, tartarugas comuns, nagas[1], e também sua própria sombra refletida na água. Ele vê a todas essas coisas da mesma forma como se vê todas as formas visíveis num espelho. A mesquinha sabedoria dos mortais comuns não pode sequer ponderar bem o que chega aos seus olhos. O mesmo é o caso comigo e você também. Não podemos ponderar a Sabedoria do Tathagata.”


[1] naga é uma palavra do Sânskrito e do Pāli que designa uma deidade ou classe de entidades ou seres que assumem a forma de uma enorme serpente, mas muitas vezes com os troncos e cabeças humanas, encontrada tanto no Budismo como no Hinduísmo.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 02: Sobre Cunda.

Nirvana Absoluto, o Vazio do Cristal Perfeito

O Tathagata compreende a Lei de um único aspecto, de um único sabor, o que significa dizer: ‘o verdadeiro aspecto da libertação, o verdadeiro aspecto da emancipação, o verdadeiro aspecto do Nirvana absoluto que é constantemente tranqüilo, inerte e que, ao final, retorna para o vazio’. Embora compreendendo todas essas coisas, o Buda contempla os desejos que vão nos pensamentos dos seres viventes e os protege. Por esta razão ele não prega imediatamente a sabedoria de todos os fenômenos.

Excerto do CAP. 05: Ervas Medicinais, pág. 126.

Interessante ver também Cristal Perfeito.

O Sol Búdico e as Nuvens de Samsara

O Tathagata, em meio aos monges, fala do soberbo Dharma.
Isto pode ser bem comparado ao Monte Sumeru,
que permanece não molestado em meio ao grande oceano.
A Sabedoria do Buda desfaz completamente o desalento dos humanos.

É como quando o sol se levanta, todas as nuvens dispersam,
e a sua luz resplandece sobre tudo.
O Tathagata acaba completamente com todas as ilusões.

Isto (a vida mundana) é como o frescor que reina
quando as nuvens aparecem no céu.
Todos os seres amam e choram.
Todos se debatem nas águas amargas do nascimento e da morte.

Por esta razão, rogo, Oh Honrado pelo Mundo!
Permaneça vivo por mais tempo e aumente a fé de todos os seres,
libertando-os do sofrimento da nascimento e da morte!”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 02: Sobre Cunda.

O Sol Búdico e as Nuvens de Samsara

O Sol Búdico e as Nuvens de Samsara


Foto de Adjalmo na chácara da Mercês em 19/10/2008.

A Erva Daninha

É difícil nascer como humano;
mais difícil ainda é encontrar o Buda quando ele aparece no mundo.
É como no caso de uma tartaruga cega que,
em meio ao oceano, consiga acertar o furo de um tronco de madeira flutuante.

Eu agora ofereço comida e rogo que alcançarei a insuperável recompensa,
que destruirei as amarras da ilusão,
e que ela (a ilusão) não será mais forte.

Não procuro aqui obter um corpo celestial.
Mesmo que o tivesse ganhado, minha mente não estaria satisfeita.
O Tathagata aceita este meu oferecimento.
Nada poderia me satisfazer mais.

É como no caso de uma erva daninha mal-cheirosa,
mas que exala uma fragrância de madeira de sândalo.
Eu sou aquela erva daninha.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 02: Sobre Cunda.

O Rei de Todas as Leis

“Kashyapa, saiba que o Tathagata é o Rei de todas as Leis. Nada daquilo que ele ensina é falso. Ele proclama extensivamente todas as Leis através da sabedoria e dos meios hábeis, e quaisquer que sejam as Leis que ele prega, todas elas conduzem a mais profunda de todas as abedorias”.

“O Tathagata contempla e conhece as tendências de todos os Fenômenos. Ele também conhece as profundezas dos processos mentais e pensamentos de todos os seres viventes, penetrando-os sem obstruções. Além disso, ele possui uma extrema e clara compreensão de todos os Fenômenos, e instrui os seres viventes acerca de todas as sabedorias”.

Excerto do CAP. 05: Ervas Medicinais, pág. 123.

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