Lugares Sagrados do Budismo

Um livro para guardar no coração!

Lugares Sagrados

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Lugares Sagrados

Sutra:

“Além disso, Subhuti, você deve saber que todos os deuses, humanos e asuras do mundo devem fazer oferecimentos a qualquer lugar no qual mesmo que apenas um verso de quatro linhas deste sutra seja pregado ou promulgado, assim como o fariam para um santuário ou templo do Buda; quanto mais ainda a qualquer lugar onde as pessoas possam receber, proteger, ler e recitar o sutra em sua íntegra. Subhuti, você deve saber que tais pessoas atingiram o mais supremo e raro dos dharmas. Em qualquer lugar onde o texto do sutra seja encontrado, lá está o Buda ou um discípulo reverente.”

Comentário:

Além disso indica que a passagem do sutra segue uma passagem prévia. Por alguma razão, pode não ser conveniente falar o sutra inteiro, de forma que um verso de quatro linhas é escolhido – similar àqueles mencionados anteriormente. Talvez:

Tudo o que possui marcas é falso e vazio.

Se você vê todas as marcas

como não marcas,

Então você vê o Tathagata.

Use qualquer verso de quatro linhas que você considere apropriado falar em resposta à cada ocasião e pratique a plena doação para curar cada ser vivente de seu problema particular. O lugar onde você fala mesmo que apenas um verso de quatro linhas do texto do sutra é um lugar onde os deuses, os humanos e asuras do mundo vêm para fazer oferecimentos. Todos, de fato, refere-se a todos os seres nos seis caminhos do renascimento: deuses, humanos, animais, espíritos famélicos, e seres nos infernos. Todavia, somente deuses, humanos e asuras são especificamente mencionados na passagem do texto do sutra, porque não é fácil para seres nos três maus caminhos fazerem oferecimentos aos Três Tesouros.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

Como Retornei ao Taissekiji

Meu filho André Felipe encontra-se no Japão, a caminho de Fujinomiya, onde visitará o Templo Taissekiji. Lá estive há 24 anos. Para mim, esse evento auspicioso significa o cumprimento da minha promessa de retorno ao Taissekiji. Isto se realiza na sua pessoa. Emoção e imensa gratidão é o que estou sentindo.

Fuji

Foto de André Felipe rumo ao Monte Fuji.

A Mendicância do Buda

O Buda era equitativo em sua mendicância e não favorecia ricos ou pobres. Seu discípulo Ananda seguia o seu exemplo e praticava a compaixão igualitária. “Ananda já sabia que o Tathagata, o Honrado pelo Mundo, havia admoestado Subhuti e o Grande Kashyapa chamando-lhes de Arhats, cujos corações não eram equáveis.”

Ele (Ananda) decidiu que ao longo de sua ronda de mendicância ele não prestaria atenção se seus doadores eram limpos ou sujos, ‘ksatriyas’ de reputação ou humildes ‘Tangcandalas’. Ele praticaria compaixão igualitária,  ao invés de procurar remediados e humildes, e daquela forma permitir que todos os seres viventes pudessem obter méritos imensuráveis.

A imparcialidade do Buda na mendicância é indicada pela rigorosa sequencia de porta-a-porta que ele seguia. Quando ele terminava a mendicância em uma casa, ele ia mendigar em outra ao lado daquela, e assim por diante para a próxima.

Após terminar a sua mendicância sequencial, ele retornava para o Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor de Órfãos e Solitários, onde ele se alimentava, retirava o seu robe e a tigela, e lavava os seus pés. O Buda percorria os caminhos com os pés descalços, e assim, após retornar e alimentar-se, ele lavava seus pés.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

O Encontro de Sudatta com o Lugar Sagrado

E ele retornou à sua casa para iniciar uma extensa procura por uma área adequada, que terminou quando ele viu o jardim de flores do Príncipe Jeta. Era perfeito em cada aspecto, proporcionando uma boa vista, e ainda conveniente para a própria cidade. O terreno em si era carregado de uma energia eficaz. Tudo que se encontrava sobre ele era primaz, exceto que ele pertencia ao Príncipe. Imaginando que ele jamais poderia ser capaz de comprá-lo, Sudatta enviou um mensageiro para fazer uma oferta. “Ele tem tanto dinheiro que pensa que pode comprar meu jardim de flores!”, riu o príncipe de espanto. “Muito bem”, disse em tom de brincadeira, “se ele cobri-lo completamente com moedas de ouro, o venderei para ele! Esse é o meu preço”. O Príncipe Jeta considerou que o Velho Sudatta possivelmente não pudesse dispor de um terreno que custasse a sua área em ouro. Ele jamais imaginara que o dinheiro de Sudatta e o seu desejo de ouvir o dharma fossem o bastante. O Velho pegou as moedas de ouro dos depósitos da família e cobriu o Jardim do Príncipe Jeta.

O Príncipe Jeta sentiu-se ultrajado. “Pegue de volta as suas moedas! Não tenho intenção de vendê-lo. Foi apenas uma brincadeira. Nunca me ocorreu que você realmente estaria disposto a pagar tal preço. Meu jardim não pode ser comprado por quantia alguma.”

O Velho calmamente respondeu: “Agora você diz que não quer vender? Você é herdeiro do trono, e a palavra de um Imperador deve ser confiável. Um Rei não mente ou fala imprudentemente. É melhor você vender, porque se as pessoas não puderem confiar em suas palavras agora, por que acreditariam em você após a sua subida ao trono?”

O Príncipe reconheceu o seu predicamento. “Muito bem”, disse ele:

Uma vez que você usou moedas de ouro para cobri-lo, você comprou o terreno. Mas você não cobriu as árvores. Assim, o jardim é o seu oferecimento ao Buda, e as árvores são meu oferecimento. Você tem algo mais a dizer?”

O Velho considerou isto e percebeu que havia um princípio. Era verdade que as copas das árvores não haviam sido cobertas com ouro, e se ele se recusasse a consentir , o Príncipe poderia cortá-las e então o jardim ficaria muito menos belo. “Certo, nós o dividiremos”.

Por isso ele é chamado “Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários”. O nome do Príncipe é mencionado primeiro, uma vez que representava a realeza, e o Velho Sudatta, conhecido como Anathapindika (ou Anathapindada), “O Benfeitor dos Órfãos e Solitários”, que ostentava uma posição ministerial na corte, é mencionado em segundo lugar.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

O Encontro de Sudatta com o Buda

Quando ele chegou ao Vihara (Monastério), ele não sabia o procedimento correto para saudar o Buda. Novamente, a sua profunda sinceridade evocou uma resposta, e quatro deuses transformaram-se em monges, circundaram o Buda três vezes pelo lado direito, postaram-se diante do Honrado pelo Mundo, curvaram-se três vezes, ajoelharam-se, juntaram as palmas das mãos, e fizeram suas perguntas. O Velho Sudatta seguiu o seu exemplo, e então ajoelhou diante do Buda que afagou a sua cabeça e perguntou:

“Por que você veio?”

Sudata simplesmente disse: “Buda, você é tão generoso. Jamais havia visto um Buda antes, e agora não quero deixá-lo. Você virá e viverá próximo à minha casa?”

O Buda assentiu dizendo: “Certo, mas você tem um lugar? Os mil, duzentos e cinquenta discípulos que constantemente me acompanham necessitarão ser alimentados e abrigados. Você tem acomodações amplas o suficiente para todos nós?”

“Encontrarei um lugar”, prometeu o Velho.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

A Luz do Buda

Tudo começou quando Sudatta foi à Rajagriha a negócios e hospedou-se com um amigo chamado Shan Tan Nwo. Certa noite, durante a sua visita à casa de Shan Tan Nwo, seu amigo levantou-se no meio da noite e começou a enfeitar a sua casa. Ele trouxe arranjos de enfeites e os arrumou com perfeição, trabalhando noite a dentro até que sua casa ficasse formosa. O Velho Sudata ouviu o barullho e levantou-se para ver o que estava acontecendo. “Amigo, qual é a grande ocasião para tornar a sua casa tão esplêndida? Você convidou o Rei? Alguém em sua família está para casar? Por que todos esses preparativos?”

“Não é o Rei que espero, ou um casamento. Eu convidei o Buda para vir à minha casa para receber um oferecimento vegetariano”, respondeu seu amigo.

Sudatta nunca ouvira sobre o Buda antes, e quando o seu amigo falou o nome, todos os pelos em seu corpo ficaram de pé. “Estranho”, ele pensou, “Quem é o Buda?”, ele se perguntou.

O Velho Shan Tan Nwo disse: “O Buda é o filho do Rei Suddhodana. Ele abdicou à sua herança do trono com o objetivo de deixar a vida familiar e praticar a Via. Ele perseverou por seis anos  nos Himalayas, e depois, sob a árvore Bodhi, ele viu uma estrela certa noite, iluminou-se para a Via, e tornou-se um Buda”.

O fundamento das raízes do bem do Velho Sudatta o levou a imediatamente manifestar sua vontade de ver o Buda. Sua profunda sinceridade comoveu tanto o Buda Shakyamuni, que estava hospedado no Bosque dos Bambús (a cerca de sessenta ou setenta milhas a sudeste de Rajagriha), que ele emitiu uma luz para guiar Sudatta. Ao ver a luz, Sudatta pensou que fosse o alvorecer, e apressadamente vestiu-se e saiu. Na verdade, era meio da noite e os portões da cidade ainda não haviam sido abertos, mas quando o velho chegou às muralhas da cidade, os portões, devido à penetração espiritual do Buda, abriram-se e ele passou através deles, prosseguindo em seu caminho para ver o Buda. Sudatta seguiu as indicações que lhes foram dadas pelo seu amigo, e foi guiado pela Luz do Buda.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

O Tempo e o Lugar

Naquela ocasião refere-se ao tempo quando o Buda encontrava-se hospedado em Sravasti. Sravasti, o nome da cidade capital que abrigava o Rei Prasenajit, traduz-se como “Virtude Florescente”. “Florescente” refere-se aos Cinco Desejos: formas, sons, fragrâncias, sabores e objetos tangíveis; e também à riqueza que abundava no país. “Virtude” refere-se à conduta dos cidadãos, os quais eram bem educados e livres de vergonhas.

O Parque de Jeta pertencia ao filho do Rei Prasenajit, o Príncipe Jeta, cujo nome, “vencedor (Victor) da guerra”, foi-lhe dado em comemoração à vitória do Rei Prasenajit numa guerra com um país vizinho que transcorreu no dia do nascimento do seu filho.

Parque de Jeta

Vista Geral do Parque de Jeta

O Benfeitor dos Órfãos e Solitários refere-se a um filantropo Indiano da época que era muito parecido com o Rei Wen da Dinastia Chou na China. O principal objetivo do Rei Wen era beneficiar viúvos, viúvas, órfãos e solitários, significando idosos, casais sem filhos, etc. O seu reinado foi benevolente e humano, e objetivava unicamente o bem do país. O benfeitor mencionado aqui no sutra foi um idoso chamado Sudatta, “bom benfeitor”, um dos grandes ministros do Rei Prasenajit.

O Jardim de flores pertencia ao Príncipe Jeta até que Sudatta o adquiriu pelo preço exorbitante de uma polegada quadrada de ouro para cada polegada quadrada de chão. O Velho Sudatta fez a compra após o seu convite ao Buda para vir a Sravasti pregar o dharma. A seguir, os eventos que resultaram nessa compra do jardim.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

Os Lugares Sagrados de Pregação do Prajna pelo Buda

Uma investigação do dharma deve levar em consideração os locais nos quais o Buda pregou o dharma e o número de fiéis em assembleia que receberam os ensinamentos. O ensinamento do prajna foi pregado em Quatro Lugares e em Dezesseis Assembleias:

  1. Sete assembleias foram realizadas no Pico Vulture (Monte Gridhrakuta), também chamada Montanha Vulture Eficaz, próxima à cidade do Palácio dos Reis (em Rajagriha, onde o Sutra de Lótus foi pregado).
  2. Sete assembleias foram realizadas na cidade de Sravasti no Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários. Lá é onde o Sutra Vajra foi pregado.
  3. Uma assembleia foi realizada no Palácio do Tesouro de Jóias Preciosas (Mani Jewel) da Bem-Aventurança do Céu das Transformações dos Outros.
  4. Uma assembleia foi realizada ao lado do Lago da Garça Branca Real no Bosque dos Bambús, próximo ao Palácio dos Reis.
Parque de Jeta

Vista Geral do Parque de Jeta

O Sutra Diamante (Vajra Prajna Paramita) foi pregado na terceira assembleia realizada no segundo local, o Parque de Jeta. Assim o sutra começa: “Assim eu ouvi na ocasião em que o Buda estava hospedado em Sravasti, no Parque de Jeta, no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários.”

Dos Três Tipos de Prajna – o literário, o contemplativo e o da marca real – o prajna literário surge do estudo dos sutras, mas uma verdadeira compreensão da literatura surge somente através do prajna contemplativo. A sabedoria contemplativa, plenamente desenvolvida, penetra o objetivo final; ou seja, o prajna da marca real. Se o prajna não se manifesta, é simplesmente uma indicação de que a sabedoria básica inerente a todas as pessoas não atingiu a fruição. A sabedoria que representa o prajna da marca real surge somente quando nutrida pelas águas do prajna literário e do contemplativo.

Original

A Vida do Buda

Solicito aos amigos que espalhem a notícia deste lançamento. São 270 páginas, ricamente ilustradas, de beleza literária, grandeza histórica e elevação do pensamento jamais vistas; resgatando a memória dos grandes personagens e lugares onde se estabeleceram as bases filosóficas para um mundo justo e igualitário, tão esquecidas nos dias de hoje.

Ficarei muito grato,

Marcos Ubirajara

em 17/05/2012.

A Vida do Buda

A Vida do Buda. Click na imagem para leitura on-line ou download.

Hoje, depois de três dias de chuva e frio, o sol volta a brilhar em Belo Horizonte.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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