O Voto do Buda Muitos Tesouros, Prabhutaratna

Então, na assembléia dos quatro tipos de crentes, vendo a grande Torre de Tesouro suspensa no ar e ouvindo a voz que vinha de seu interior, todos obtiveram a alegria da Lei e maravilharam-se com essa ocorrência sem precedentes. Eles levantaram-se dos seus assentos, juntaram as palmas das suas mãos reverentemente e postaram-se a um lado. Nisto, o Bodhisattva Mahasattva chamado Grande Deleite na Pregação, sabendo das dúvidas que estavam no pensamento de todos os seres celestiais, humanos, Asuras e outros seres de todos os mundos, dirigiu-se ao Buda, dizendo: “Honrado pelo Mundo, através de que causas e relações esta Torre de Tesouro emergiu da terra e produziu este som estrondoso”?

Então, o Buda disse ao Bodhisattva Grande Deleite na Pregação: “Dentro desta Torre de Tesouro encontra-se o corpo completo do Tathagata. Há muito tempo atrás, ilimitados milhares de miríades de milhões de Asamkhyas de mundos ao leste, numa terra chamada Pureza do Tesouro, existiu um Buda chamado Muitos Tesouros. Quando este Buda estava praticando a via do Bodhisattva, ele fez um grande voto dizendo: ‘Após tornar-me um Buda e passar à extinção, se em quaisquer terras das dez direções o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa for pregado, minha Torre aparecerá lá, tal que eu possa ouvir o Sutra, certificá-lo e louvá-lo, dizendo: Excelente! Excelente!’”

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág. 216.

Pi e o Pé de Feijão – Episódio 5

O Som Estrondoso da Torre de Tesouro

Naquela ocasião, uma voz estrondosa foi emitida da Torre dizendo palavras elogiosas: “Excelente! Excelente! Shakyamuni, Honrado pelo Mundo, que você seja capaz de, por meio da sua grande sabedoria da não-distinção, pregar para a grande assembléia o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa[1], uma Lei para instruir Bodhisattvas da qual os Budas são os guardiões e mentores. É como disseste, é como disseste, Shakyamuni, Honrado pelo Mundo, tudo o que disseste é verdadeiro e real”.

 


[1] Na tradução de Kamarajiva para o chinês, este título é MYOHO-RENGUE-KYO, “… uma Lei para instruir Bodhisattvas da qual os Budas são os guardiões e mentores”. Acrescido do caracter “NAMU”, esse título se torna o mantra “NAM-MYOHO-RENGUE-KYO”, que corresponde à inscrição ao centro da figura, flanqueada pelo Buda Shakyamuni e pelo Buda Muitos Tesouros. A composição desse mantra é devida a Nitiren Daishonin, que o estabeleceu como núcleo da prática do Budismo de Honmon em 28 de abril de 1253. Esse poderoso mantra é o então chamado “DAIMOKU DO SUTRA DE LÓTUS”, o rugido do Leão dos Shakyas.

Torre de Tesouro
Uma interpretação da metáfora da Torre de Tesouro.

Excerto do CAP. 11: O Aparecimento da Torre de Tesouro, pág. 215.

Lhasa

Atualmente, os visitantes podem adentrar o Tibet a partir da China, Hong Kong ou do Nepal, se tiverem um visto da China. Embora as autoridades chinesas mantenham “fechadas” certas áreas, a maior parte do país é visitável. Na cidade santa de Lhasa, o Palácio Potala do Dalai Lama, assim como muitos monastérios tibetanos, atualmente é um museu estatal. Ao contrário dos inúmeros santuários e monastérios destruídos durante a “Revolução Cultural”, tanto a estrutura como os interiores de Potala estão preservados. Símbolo da proteção de Avalokitesvara e da maior comunidade Budista Tibetana, as torres de Potala são ainda as mais imponentes de Lhasa, e encerram incontáveis tesouros do século 17, incluindo murais, pinturas, mandalas, altares, e a famosa estátua de Padmapani feita de sândalo.

Monastério de Jokhang
O Teto do Palácio de Potala
Imagem obtida de presscluboftibet.org

O monastério de Jokhang, a sudeste de Potala, é o mais sagrado de todos os locais Tibetanos de peregrinações. Tendo sobrevivido às barbaridades da “Revolução Cultural”, Jokhang conserva seus famosos telhados dourados, e as “Quatro Deidades da Luz Radiante” ainda podem ser vistas no seu santuário. Jokhang permanece um monastério ativo; mas pode ser visitado, assim como outros lugares sagrados, como se fosse um “museu”.

Palácio de Potala
O Monastério de Jokhang
Imagem obtida de Wikipedia, a enciclopédia livre.

Os Desígnios do Lorde Buda

“Portanto, Rei da Constelação Flor, eu confio a você este capítulo: ‘Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina’. Após a minha passagem, nos últimos quinhentos anos, propague-o extensivamente no continente Jambudvipa. Não permita que ele se extinga, permitindo desse modo que demônios, entidades demoníacas, todos os dragões celestiais, yakshas, kumbhandas, e assim por diante, ocupem o seu caminho[1]”.

 


[1] Eis uma das mais severas admoestações do Buda no que se refere à propagação do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa na era posterior. Neste caso, o Buda faz uma alusão específica a este capítulo sobre os feitos passados do Bodhisattva Rei da Medicina em retribuição à gratidão pela obtenção do samadhi em que se podem manifestar todas as formas físicas, que foi inteiramente devida ao fato do Bodhisattva Alegremente Visto Por Todos os Seres (presente Bodhisattva Rei da Medicina) ter ouvido o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Excerto do CAP. 23: Os Feitos Passados do Bodhisattva Rei da Medicina.

Jambudvipa no Budismo

A cosmologia budista divide o bhūmaṇḍala (circunferência da Terra) em três níveis distintos: Kāmadhātu (domínio do desejo), Rūpadhātu (domínio da forma ou da matéria), e Ārūpyadhātu (domínio do espírito). Esses três domínios também são chamados de Mundo Tríplice ou Samsara. No Kāmadhātu está localizado Monte Sumeru que se diz estar circundado por quatro ilhas-continentes (veja a construção de Angkor Wat). “A ilha austral, ou mais ao sul, é chamada Jambudvīpa”. Os outros três continentes, da narrativa Budista em torno do Monte Sumeru, não são acessíveis aos seres humanos a partir de Jambudvīpa. Jambudvīpa possui a forma de um triângulo com um dos seus vértices voltado para o sul. No seu centro encontra-se uma gigantesca árvore Jambu (maçã-rosa), da qual o continente herda seu nome, que significa “Ilha Jambu”.

Jambudvīpa é a região onde vivem os humanos, e é o único lugar onde um ser pode tornar-se iluminado por nascer como um ser humano. É no Jambudvīpa que ele, como ser humano, pode receber o dom do Dharma e de vir a compreender as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo e, finalmente, realizar a libertação do ciclo de vida e da morte.

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre.

Pi e o Pé de Feijão – Episódio 4

Borobudur

O complexo do templo de Borobudur é um dos maiores monumentos do mundo. Sua idade é incerta, mas admite-se ter sido construído entre o final do século 7 e início do século 8 D.C. Durante cerca de um século e meio, ele foi o centro espiritual do Budismo em Java, permanecendo, então, perdido até a sua redescoberta no século 18. A estrutura, composta de 55.000 metros quadrados de pedras vulcânicas, está erigida numa montanha na forma de uma pirâmide de degraus de seis planos retangulares, três terraços circulares e uma torre central formando o seu cume. A estrutura como um todo está na forma de um lótus, a flor sagrada do Buda.

Borobudur
Vista Aérea do Conjunto do Templo de Borobudur

Além de ser o mais alto símbolo do Budismo, a torre de Borobudur é também uma réplica do universo. Ela simboliza o microcosmo que está dividido em três níveis: o nível inferior no qual os humanos são dominados pelos desejos mundanos e são influenciados por impulsos negativos; o nível intermediário, no qual os humanos possuem controle de seus impulsos negativos e exploram os seus impulsos positivos; e o nível mais elevado, no qual os humanos não estão mais condicionados pelos desejos físicos e mundanos. É uma antiga prática devocional circundar as galerias e terraços sempre virando à esquerda, e manter o edifício à direita sempre que orando ou meditando. No conjunto, Borobudur representa os dez níveis da vida de um Bodhisattva, que uma pessoa deve desenvolver para tornar-se um Buda ou um Iluminado.

Cume de Borobudur
O Famoso Cume de Borobudur

Imagens obtidas de Wikipedia, a enciclopédia livre.

A Solene Promessa do Buda

Em milhares de miríades de milhões de terras,

eu manifesto um corpo puro e sólido[1],

através de ilimitados milhões de kalpas,

pregando a Lei em prol dos seres viventes.

Se após a minha extinção,

houver alguém que possa pregar este Sutra,

eu enviarei por transformação os Quatro Tipos de Crentes,

Monges e Monjas,

bem como homens e mulheres,

com pureza de fé,

para fazerem oferecimentos ao Mestre da Lei.

Eu introduzirei seres viventes lá para ouvirem a Lei.

Se alguém desejar feri-lo,

com espadas, bastões, cacos ou pedras,

eu enviarei pessoas nascidas por transformação para ajudá-lo e protegê-lo.

Se o pregador da Lei estiver sozinho num lugar inabitado,

onde não exista nenhum som humano,

e estiver lendo e recitando este Sutra,

eu então me manifestarei num puro e radiante corpo[2].

Se ele esquecer uma simples passagem ou sentença,

eu o relembrarei tal que ele o recite continua e suavemente.

Quer pessoas de tais virtudes preguem para a Assembléia dos Quatro Tipos de Crentes,

ou recitem o Sutra num lugar deserto,

todas elas verão a mim.

 

Se aquela pessoa estiver residindo num lugar vazio,

eu enviarei seres celestiais, reis dragões,

Yakshas, espíritos, e assim por diante,

para tornarem-se ouvintes na assembléia da Lei.

Esta pessoa se deleitará na pregação da Lei,

e a exporá em detalhes sem obstruções.

Em razão dos Budas estarem zelosos e atentos a ela,

essa pessoa poderá fazer a assembléia alegrar-se grandemente.

 

Aquele que se aproxima desse Mestre da Lei,

rapidamente ganhará a Via do Bodhisattva.

Aquele que acompanha esse Mestre no Estudo,

verá Budas incontáveis como as areias do Ganges”.

 


[1] Portanto, intangível (puro), incorruptível e inatacável (sólido).

[2] Reiterada mais adiante, onde o Buda afirma “todas elas verão a mim”, esta é uma promessa solene que nos alegra profundamente só em meditar sobre ela. Todavia, vivemos num mundo conturbado com as nossas mentes apegadas às ilusões da vida mundana. Vivendo em lugares densamente ocupados, em ambientes poluídos sonora e visualmente, cenários de violência, contendas e conflagrações intermináveis, poços da inveja e do ódio; ficamos cada vez mais privados de um lugar apropriado para a meditação e, conseqüentemente, privados da percepção da paz e da pureza de todas as coisas. Essa promessa do Buda, do Honrado pelo Mundo, nos instiga a almejar sair deste lugar atormentado e de sofrimentos sem fim que é o mundo que construímos com base na ambição e no desejo, e que é como uma casa em chamas.

Excerto do CAP. 10: Os Mestres da Lei, pág. 212.

Flor de Lótus
Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 18/05/2008.

O Lago do Lótus

Quero compartilhar com os(as) visitantes deste blog, imagens do local onde costumo passar meus finais de semana. Ali, como por uma dádiva, temos a flor de lótus em abundância. Sinta a tranqüilidade do local. Este é o tal do sítio da Dôra, onde fotografo a flor de lótus para ilustrar os posts de Cristal Perfeito. Se quizer compartilhar as imagens por uns poucos momentos, assista ao vídeo abaixo.

A Parábola da Pessoa Sedenta

Naquela ocasião, o Honrado pelo Mundo, desejando enfatizar o significado das suas palavras, falou em versos, dizendo:

“Se alguém deseja livrar-se da preguiça e da lassidão,
deveria ouvir este Sutra.
Este Sutra é difícil de ouvir,
e aqueles que o compreendem e aceitam-no também são raros.

É como uma pessoa sedenta e necessitada de água,
que procura por ela em terras altas,
e encontrando somente terra ressequida,
sabe que a água ainda está longe dela.
Em seus esforços, gradualmente,
aquela pessoa vai encontrando terra úmida e depois barro,
certificando-se de que a água está próxima.

Rei da Medicina, saiba que, da mesma forma,
aquelas pessoas que não ouviram o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa estão muito longe da sabedoria do Buda.
Aqueles que ouvem este profundo Sutra,
compreenderão completamente as Leis do Ouvinte.
Este é o Rei dos Sutras e,
se houver aqueles que, ao ouvirem-no, ponderem sobre ele,
saiba que tais pessoas estão próximas da sabedoria do Buda.

Excerto do CAP. 10: Os Mestres da Lei, pág. 210.

O Rei dos Sutras
Foto de Marcos Ubirajara. Local: sítio da Dôra em 17/05/2008.

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