Reações do Estado Sólido e Interações Entre Defeitos (continuação – 5)

Distorções Numa Rede

Chamaremos distorções a todas as tensões, discordâncias (quebras na periodicidade da rede) ou deslocações de planos habitados por deslizamento, que ocorram no estado sólido. Sendo assim, essas distorções poderão resultar de uma série de defeitos estruturais já mencionados aqui, cuja presença dentro de uma estrutura perfeita pode se estender por algumas distâncias atômicas, constituindo um pequeno universo de defeitos.

Vários estudos sobre dinâmica de defeitos puntiformes no estado sólido revelaram resultados sobre mecanismos de criação e aniquilação destes, que sugerem múltiplas alternativas de interpretação. Quando falamos sobre a difusão de defeitos simples com perda de identidade, três desses mecanismos foram enumerados. A predominância de um ou outro mecanismo será fortemente dependente das condições termodinâmicas, do estado inicial da estrutura, bem como do tempo decorrido da transformação. Portanto, tornam-se bastante complexos os problemas do estado sólido quando, perdendo-se o passado do processo, pretende-se estudar pequenos segmentos da transição. Todavia, um cuidadoso estudo dos mecanismos atuantes, ou mesmo um tratamento mais acertado das informações que nos chegam a todo o instante do cosmo, muito poderão contribuir para a revisão de alguns conceitos do raciocínio clássico.

Se você concordar que o que vemos ai é desordem, sendo um fenômeno local, é de curto alcance. Necessitamos, então, conceituar uma ordem que seja de maior alcance, capaz de suportar o recuo dessas reações. Que ordem é essa?

carina_pia03515.jpg

Reações do Estado Sólido…(Início)

Reações do Estado Sólido…(continua – 1)

Reações do Estado Sólido…(continua – 2)

Reações do Estado Sólido…(continua – 3)

Reações do Estado Sólido…(continua – 4)

A Armadilha da Presunção

Naquele momento o Buda disse a Shariputra: “Chega! Chega! Não há necessidade de falar mais. Se este assunto fosse falado, os seres celestiais e humanos em todos os mundos ficariam assustados e cairiam na dúvida”.

Shariputra novamente dirigiu-se ao Buda dizendo: “Honrado pelo Mundo, eu apenas rogo que nos pregue a Lei. Eu apenas rogo que nos pregue a Lei. Qual é a razão? Há incontáveis centenas de milhares de miríades de milhões de asamkhyas de seres viventes na assembléia que viram Budas no passado. Suas raízes são profundas e sua sabedoria brilhante. Ouvindo as palavras do Buda, eles serão capazes de respeitá-las e compreendê-las”.

Naquele momento, Shariputra, desejando enfatizar o significado de suas palavras, falou o seguinte na forma de versos:

“Rei da Lei, Supremamente Honrado,

fale-nos da Lei sem restrições;

rogamos-lhe que não tenhas preocupações porque,

dentro dessas ilimitadas multidões,

estão aqueles que podem respeitá-la e compreendê-la”.

O Buda novamente admoestou Shariputra: “Se este assunto fosse falado, os seres celestiais, humanos e Asuras em todos os mundos ficariam assustados e cairiam na dúvida; e aqueles Monges de arrogância desmedida cairiam numa ardilosa armadilha[1]”. 


[1] Porque entre esses prevalecia a idéia de distinção das capacidades das pessoas para atingir a iluminação. Julgavam-se mais próximos do estado de Buda do que os leigos, como um “status” conferido pelas suas práticas e conhecimento das doutrinas.

Extraído de CAP. 02: MEIOS HÁBEIS

dsc01229_peq.jpg
Foto de André Felipe. Local: Sítio da Dôra em 27/02/2006.

Reações do Estado Sólido e Interações Entre Defeitos (continuação – 4)

Precipitação

Quando uma solução em equilíbrio termodinâmico, por um processo qualquer, é aquecida ou resfriada bruscamente, os processos de difusão são acelerados no sentido de a solução encontrar o estado de equilíbrio correspondente à condição final. Um modelo muito simples, mas de larga aplicação, prediz que para processos simples, ou únicos, decorrerá um tempo T para que o processo relaxe de 1/e da diferença entre a concentração inicial CI e a concentração final CF, dada por uma equação do tipo:

CF = (1 – CF/CI) e(-t/T)

Onde T é a chamada constante de relaxação do processo e t é o tempo decorrido da reação.

Situações reais, em particular do estado sólido, envolvem vários processos bem como a ocorrência de produtos de reação diversos. Podendo ser estudados a partir do modelo mais simples acima (no caso de predominância de um dos processos sobre os outros), uma boa aproximação pode ser conseguida se na equação acima deixarmos de considerar uma única constante de relaxação, mas um espectro de constantes que represente a atuação dos diversos processos envolvidos. No entanto, não cessam aqui as complicações, pois, se durante a mudança de um estado para outro forem mudadas as condições iniciais e finais (suponhamos que a faixa de aquecimento ou de resfriamento da solução ultrapasse a linha de equilíbrio de fase), tanto a seqüência quanto a variedade de precipitação de novas fases poderão ser afetadas, influindo assim na concentração de equilíbrio final qualitativa e quantitativamente. Por exemplo, admitamos que se tenha uma solução sólida em equilíbrio termodinâmico que se encontra num dado campo alfa de temperatura, isto é, a fase alfa da solução está em equilíbrio. Agora, admitamos que a nossa solução seja resfriada bruscamente até o campo beta de temperatura, ultrapassando a linha de equilíbrio de fases beta – alfa e que a fase alfa seja metaestável no campo beta.

O que teremos como resultado será uma solução sólida supersaturada que tenderá ao equilíbrio através do processo de difusão, fazendo-o pela nucleação e crescimento de porções da fase beta, até que o equilíbrio seja alcançado. Se a situação for tal que apenas pequenos núcleos da fase beta tenham condições de existência (em termos de concentrações relativas de equilíbrio), tudo se passa como se a fase beta fosse uma estrutura de defeitos da fase alfa, pois, os mesmos átomos que a constituem foram arrancados de seus lugares na estrutura antiga. A nova fase, portanto, cresce em detrimento da antiga.

Particularizando mais ainda, se o resfriamento for tal que a temperatura final tenda à temperatura de equilíbrio de fases por valores inferiores, haverá flutuações estatísticas na concentração da fase beta, cujos núcleos crescerão e desaparecerão continuamente, tendo assim uma vida média associada à existência desses centros que, primeiramente na forma de pequenos embriões nascem, crescem até um dado raio subcrítico, e desaparecem em seguida a favor da manutenção do equilíbrio termodinâmico. Por outro lado, se a situação for favorável ao crescimento da fase beta, o núcleo crescerá até atingir o raio crítico, a partir do qual o equilíbrio passa a ser buscado por diminuição da energia livre, resultando em crescimento espontâneo da fase beta ou, em outras palavras, decomposição espontânea da fase alfa.

Tomaremos um exemplo não clássico, nem muito didático e, talvez, um pouco controvertido. Todavia, se há um objetivo que se deseja atingir com o presente trabalho, ele está no exercício sobre alguns conceitos bem estabelecidos da Física através de um novo prisma de observação do cosmo.

Sabe-se ser o átomo de urânio U-235 uma estrutura atômica instável por natureza. Façamos a analogia de uma massa de U-235 com uma fase sólida supersaturada que se decompõe espontaneamente com o tempo (guardadas as probabilidades do processo de desintegração nuclear). Assim, se tivermos átomos de U-235 em solução sólida, as partículas de alta energia (fragmentos nucleares) expelidas pelo processo de fissão natural podem, eventualmente, penetrar em outros átomos da estrutura, colidindo e transferindo energia cinética aos núcleos dos átomos-alvo, preconizando o processo de desintegração dos mesmos. Façamos analogias entre a energia carregada pelos fragmentos de fissão e a energia livre; e entre a massa do U235 e o raio da porção de fase precipitada. Uma massa de U-235 subcrítica poderá ser fissionada somente com o fornecimento de energia livre não disponível; isto é, irradiando-se o alvo (a massa de U-235) com partículas aceleradas de uma fonte externa. Isto quer dizer que, nas condições de subcriticidade da massa, o andamento da reação envolve aumento da energia livre, não podendo ser espontâneo. Porém, alcançada a massa crítica, a produção de fragmentos é tal que a desintegração de outros átomos alvejados passa a ser continuada, dando lugar ao que se chama reação em cadeia. Nestas condições, o equilíbrio passa a ser alcançado com a diminuição da energia livre que do átomo alvejado faz nova fonte de partículas (fragmentos) super acelerados.

Note-se que o conceito de transformação de fase no exemplo acima ultrapassa o mero processo de rearranjo dos átomos de uma estrutura cristalina, para atingir uma idéia mais abrangente incorporando o conceito de transmutação nuclear. Oportunamente, deve-se lembrar a já introduzida noção de indissociabilidade dos conceitos de existência, movimento, luz, energia, ambiente e equilíbrio dinâmico; pois, as suas variadas formas de manifestação encerram tudo o que é observável na forma ou na transformação.

Reações do Estado Sólido…(Início)

Reações do Estado Sólido…(continua – 1)

Reações do Estado Sólido…(continua – 2)

Reações do Estado Sólido…(continua – 3)

Reações do Estado Sólido…(continua – 5)

Religião? O que é? – 1ª Parte

1ª Parte

Não há nada mais real e verdadeiro do que um fato concreto diante dos nossos olhos. Não é? E se a ocorrência desse fato é prevista com exatidão, não pela capacidade premonitória de alguns, mas por uma Lei; então, essa Lei é Verdadeira e oferece uma Prova Real. Não é? A diferença básica está em que uma premonição antecipa a ocorrência de fatos isolados no futuro próximo ou distante. A Lei é diferente. Uma Lei estabelece uma relação causal inexorável, perpetuando a ocorrência do fato (ou efeito) sempre que a causa estiver presente.

Grandes incêndios, grandes enchentes, fortes ventos, secas, fome, conflitos internos, epidemias, invasão estrangeira, guerras. Tais são as calamidades e desastres previstos para uma nação quando sua sociedade torna-se desrespeitosa e hostil à Verdade. Às portas do novo século, e mesmo com toda a bagagem científica acumulada nos últimos cem anos, a humanidade parece impotente diante de fenômenos naturais (leia-se reações) resultantes da desagregação do sistema vida-meio-ambiente (incêndios, enchentes, secas, fome, etc.); da desagregação social (conflitos e guerras); e da violação da integridade individual (violência, doenças físicas, mentais e epidemias). Essas ocorrências assolam as civilizações há milênios, nada tendo em particular com a nossa época ou com o fim do mundo.

Todavia, se fizermos um mapeamento da freqüência e da intensidade dessas ocorrências sobre o globo terrestre, começaremos a notar que a distribuição desses “fenômenos” é heterogênea em qualidade, quantidade e intensidade. Parece haver regiões do planeta com mais “vocação” para este ou aquele tipo de calamidade. Claro que sim! Conflitos internos, invasões estrangeiras e guerras são desastres típicos das regiões do planeta onde coabitam diversas crenças religiosas. Uma torna-se o espelho dos erros da outra e não há paz. Já as calamidades dos incêndios, secas, fome endêmica, enchentes, etc.; são típicas das regiões onde há predomínio de 1(uma) religião e não resultam de contendas, mas, da ignorância. Em todos os casos, porém, a causa fundamental de todas as calamidades e desastres está em crenças cegas, errôneas e falsas doutrinas; e a razão fundamental de vivermos numa “casa em chamas” encontra-se no Sutra de Lótus: “…as pessoas preferem os ensinos inferiores, são pobres de virtudes e abundantes na corrupção.” (3)

Uma verdadeira religião deve ter como objetivo primordial a correta percepção do mundo fenomenológico. “Buda é aquele que atingiu a verdade (iluminação) no remoto passado e cujos ensinos visam conduzir todas as pessoas à mesma percepção da verdade tal como Ele o fez” (4). Buda, portanto, não existe como um Ser Supremo fora da vida das pessoas, mas sim como um estado de vida potencial e inerente à própria vida de todos os seres sensíveis e insensíveis. Como a essência da vida, dos sofrimentos aos prazeres, está nessa percepção da realidade, resta saber se essa percepção é correta, ampla e profunda; tal como o foi na iluminação do Buda. Nitiren Daishonin escreveu em Resposta ao Lorde Soya: “O mundo objetivo é o corpo de todas as leis, a sabedoria subjetiva significa o aspecto de iluminar e revelar o referido corpo”. (4)

Religião? O que é? – 2ª Parte

Religião? O que é? – 3ª Parte

Religião? O que é? – 4ª Parte

O Verdadeiro Aspecto de Todas as Leis

“Chega, Shariputra. Não é necessário falar mais. Por que é assim? Como a insuperável Lei alcançada pelo Buda é a mais rara e difícil de compreender, somente os Budas podem dominar o conhecimento acerca do Verdadeiro Aspecto de todas as Leis[1], isto é: os aspectos da aparência, natureza, entidade (substância), poder, influência (função), causas (inerentes), relações, efeitos (latentes), retribuições (efeitos manifestos), e consistência do princípio ao fim[2]”.


[1] Desta primeira grande admoestação do Buda, denotada até pelo tom de suas palavras, depreende-se que mesmo discípulos como Shariputra, considerado o maior em sabedoria, e sendo assim uma pessoa dos 2(dois) veículos, poderão compreender o que está para ser revelado. Todavia, mais adiante, o Buda o adverte: “Com relação às Leis pregadas pelos Budas, deve-se dar lugar ao grande poder fé”.

[2] Uma interpretação para os aspectos enumerados é: 1. Aparência: É o mais importante dos dez aspectos, através do qual se revelam os demais, e corresponde ao aspecto físico do ser. Em termos do Santai (Três Verdades da Transitoriedade, Não-Substancialidade e Caminho-Médio), corresponde ao aspecto transitório, ou à impermanência de todos os fenômenos; 2. Natureza: espírito ou o aspecto não-substancial incorporado aos seres viventes; 3. Entidade: Caminho-médio, significando a não-dualidade de matéria (corpo) e vacuidade (não-substância), mas a sua unicidade no Ser; 4. Poder: Potencial de transformação que um ser possui, podendo exercê-lo sobre si mesmo e sobre o ambiente no qual vive. Pode ser traduzido como Sujeito (Ti – Buda Shakyamuni) ou sabedoria subjetiva. Esse potencial transforma-se em uma força transformadora através da ação; 5. Influência: A influência pode ser entendida como a resposta do ambiente à presença do Ser, ou a Realidade Objetiva (Kyo – Buda Muitos Tesouros) que sustenta a vida de um Ser. Esses aspectos de Poder e Influência podem ser compreendidos também a partir do princípio Budista da inseparabilidade entre o Ser e o Meio-Ambiente, chamado “Esho-Funi”. 6. Causa Inerente: É o conjunto de causas boas e más que existem inerentemente num Ser vivente. Essas causas diferem entre os seres e podem ou não se manifestar; 7. Relação: Uma causa externa ou circunstância de vida que pode criar as condições para a manifestação de uma Causa Inerente; 8. Efeito Latente: Está associado à Causa Inerente, existindo sempre como um resultado potencial para as causas inerentes da vida de um Ser; 9. Efeito Manifesto: Na presença de uma Relação ou Causa Externa, uma Causa Inerente produz um Efeito Manifesto como um resultado concreto. Esses quatro aspectos podem ser entendidos como a Lei da Causalidade, ou Lei Mística da Causa e Efeito, ou Saddharma-Pundarîka que literalmente significa Lei Maravilhosa do Lótus (causa e efeito simultâneos); 10. Consistência do Princípio ao Fim: Significa que em termos dos mundos das dez direções (dez estados de vida), há uma perfeita consistência entre os nove aspectos da vida de um Ser; isto é, um Ser no estado de Fome apresenta os nove aspectos (aparência, natureza, entidade, etc.) do estado de Fome. Uma outra tradução encontrada para este aspecto é “Não é Diferente”, significando exatamente essa perfeita consistência e integridade. O que temos então? O Ser (o mortal comum) ladeado pelos Budas Shakyamuni e pelo Buda Muitos Tesouros, em meio a todos os seres de todos os mundos das dez direções, iluminados pela Lei Mística da Causa e Efeito. Objetivamente, esta é a realidade do mundo do Buda, ou seja, a Verdadeira Entidade de Todos os Fenômenos em sua integridade. Se existe um objeto para espelhar essa realidade, este objeto deve incorporá-la de forma totalizante e integral. Todavia, essa visão totalizante, integral e simultânea das características sempre manifestas de todos os fenômenos somente os Budas compartilham e o fazem na sua iluminação. De forma conclusiva, ainda que essa realidade pudesse ser descrita em termos da racionalidade humana, e as distinções empregadas com este fim são meramente meios hábeis para descrever essa realidade, ela só pode ser penetrada pelos olhos do Buda.

Extraído de CAP. 02: MEIOS HÁBEIS

Sobre “Tuareg” de Alberto Vazquez-Figueroa

Minha Impressão sobre Tuareg:

Só existe uma coisa potencialmente mais destrutiva do que
uma mentira[1]:

é uma convicção!

 


[1] Neste caso, a “independência” daqueles povos como uma “concessão” de seus
exploradores.

dsc01134_peq.jpg
Foto: André Felipe. Local: Sítio da Dôra em 27/02/2006.

Reações do Estado Sólido e Interações Entre Defeitos (continuação – 3)

Difusão – Sumidouros (com perda de identidade)

Certos mecanismos da difusão no estado sólido funcionam como sumidouros de defeitos; isto é, os defeitos simples como lacunas e intersticiais que ali chegam perdem a sua identidade. Citaremos três mecanismos muito aceitos que tentam explicar os fenômenos relacionados com esses sumidouros. Antes, porém, adiantaremos a definição de precipitados, que serão discutidos mais detalhadamente no item seguinte.

Quando, por exemplo, uma solução sólida é resfriada bruscamente, uma nova distribuição em equilíbrio térmico é buscada pela solução através do processo de difusão. Quando a temperatura final é tal que outras fases sólidas possam existir em equilíbrio, essas fases precipitam, inicialmente como pequenos núcleos que tendem a crescer às custas de átomos que se encontram na fase primitiva, à qual costumeiramente chamamos fase matriz. Chamaremos essas pequenas porções embrionárias da nova fase simplesmente de precipitados, e suas fronteiras com a matriz chamaremos de interface.

• O primeiro modelo considera que: numa região de interface entre um precipitado coerente e a matriz, as lacunas que se aproximam têm a sua velocidade reduzida, sem contudo perderem a sua identidade, aumentando a probabilidade de recombinação com átomos intersticiais, resultando no desaparecimento do par de defeitos. As interfaces entre precipitados incoerentes e a matriz, entretanto, atraem preferencialmente lacunas, funcionando assim não como sumidouros, mas como centros de aglomeração destes defeitos;
• O segundo modelo diz: forças compressivas que podem existir nas interfaces entre precipitados coerentes e a matriz desencorajam a ancoragem de átomos intersticiais que ali chegam; mas, por outro lado, atraem lacunas estabelecendo uma corrente destes defeitos naquela direção, aumentando a taxa de recombinação ao longo da interface;
• O terceiro modelo, muito aceito, admite que: os precipitados impedem o movimento de deslocações (discordâncias da rede) pelo cristal, ancorando-as e, portanto, aumentando a eficiência dos sorvedouros fixos, no caso, as deslocações.

Reações do Estado Sólido…(Início)

Reações do Estado Sólido…(continua – 1)

Reações do Estado Sólido…(continua – 2)

Reações do Estado Sólido…(continua – 4)

Reações do Estado Sólido…(continua – 5)

O Descerrar do Portal do Grande Veículo

O Mestre da Lei Luz Maravilhosa tinha um discípulo naquela
ocasião cujo coração dava lugar à lassidão,

e que tinha grande apego à fama e à fortuna.

Buscando a fama e a fortuna incansavelmente,

ele freqüentemente visitava os grandes Clãs;

ele deixava de lado as suas recitações,

negligenciava, esquecia, e falhava na compreensão delas.

Estas, então, eram as razões pelas quais ele foi chamado ‘Ávido da Fama’.

Mesmo assim, ele também praticou muitas boas ações,

permitindo-lhe encontrar incontáveis Budas,

e fazer oferecimentos para todos eles.

Dessa forma,

ele trilhou o grande caminho e completou os Seis Paramitas.

Agora ele encontra-se com o Leão dos Shakyas[1];

no futuro, ele tornar-se-á um Buda chamado Maitreya,

que salvará amplamente todos os seres,

em número para além de todas as contas.

Após aquele Buda ter passado à extinção,

o indolente era tu[2],

e o Mestre da Lei Luz Maravilhosa,

era eu próprio, agora aqui presente.

Eu vi o Buda Brilho da Chama do Sol e da Lua;

sua luz e presságios eram como estes.

Assim, eu sei que o presente Buda deseja pregar o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

Os sinais presentes são como os presságios do passado,

são meios hábeis dos Budas.

O Buda agora emite essa luz brilhante[3]
para ajudar a revelar o significado do selo real.

Todos agora compreendem,

e com o pensamento único,

juntam as palmas das mãos e esperam;

o Buda fará cair a chuva da Lei,

para satisfazer todos aqueles que buscam o Caminho.

Aqueles que procuram os três veículos,

caso tenham dúvidas ou pesares,

o Buda os removerá agora,

tal que se retirem e não permaneçam na assembléia”.


[1] Uma referência ao Buda Shakyamuni ou ao próprio Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.

[2] Nessa passagem, sutilmente o Bodhisattva Manjushri coloca o Bodhisattva Maitreya na terceira pessoa e passa a dirigir-se a uma segunda pessoa (Tu). Tu, mortal comum, que agora te encontras diante do Leão dos Shakyas, desejoso de entender o que são esses auspiciosos sinais em versos: “o mestre do Dharma era eu” (este Sutra de Lótus que vos fala), louvado pelo Buda como “o olho do mundo, refúgio para todos, em quem podemos ter fé, capaz de honrar e promover o repositório do Dharma” (Tu).

[3] Uma luz que revela o Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos, que são como defeitos, imperfeições, distorções e discordâncias dentro de um Cristal Perfeito. Pois, tudo o quê se manifesta no mundo fenomenológico, deixa atrás de si um vazio imponderável, ao qual retornará quando a anarmonia que rege o fenômeno da sua existência for eliminada. (20/06/2006 – 17h00min)

Extraído de CAP. 01: INTRODUÇÃO

O Fim do Mundo – 2a. Parte

2ª. Parte

A Física convive com quatro classes de ligações entre os corpos, as quais em ordem crescente de intensidade são conhecidas como forças gravitacionais (longo alcance), as forças fracas, as forças eletromagnéticas (ambas de médio alcance), e as forças fortes (curto alcance). Sem entrar no mérito da caracterização de cada uma dessas forças, que foge ao propósito desta discussão, o fato é que, extrapolando a aplicação do princípio da incerteza para o macrocosmo, as ligações gravitacionais seriam tão fracas (mal podendo ser medidas), e demandariam tão pouca energia para as transições  que o tempo
agigantar-se-ia para manter a constância daquele produto. Relembrando, o princípio diz que ∆E x ∆t = constante; onde ∆E = variação energética e ∆t = variação temporal. A extrapolação que acabamos de fazer na aplicação do princípio da incerteza fora do seu ambiente (ou seja, o campo das ligações fracas e fortes) deve ser vista como um mero exercício filosófico, já
que a Física ainda não teve sucesso na unificação dessas forças.

No outro extremo, no mundo das interações entre partículas subnucleares (constituintes dos núcleos dos átomos), e onde este princípio é corriqueiramente aplicado, as ligações são tão fortes e demandam tanta energia para serem desfeitas que o tempo de um fenômeno de transição torna-se ínfimo, ainda para manter a constância daquela relação. Existem medições de tempo de duração de fenômenos físicos que fogem completamente à racionalidade humana, por exemplo, uma transição que dura 10-23 segundos (para os não familiarizados com a notação, isto é um numeral com 23 zeros, sendo 22 após a vírgula, antes de um algarismo significativo). Este é o campo da Física de Alta Energia, onde são provocadas reações com variações energéticas muito altas, arrancando-se inclusive formas materiais do nada (ou vácuo). Em conseqüência das altas variações energéticas, se têm fenômenos que duram proporcionalmente pouquíssimo tempo.

O paralelo que nos permitimos fazer está em que, na medida em que a complexidade e o tamanho dos sistemas aumentam, se têm no campo das ligações fracas variações energéticas menores e tempos de transição maiores. Extrapolando esta constatação, no campo das ligações gravitacionais (ou muito fracas) demandando variações energéticas muito pequenas, se podem esperar tempos de transição muito grandes, talvez fugindo à racionalidade
humana pela ordem de grandeza, dando a impressão de que ali nada acontece. Certamente, é por essa razão que passamos a vida toda olhando para a Via Láctea, a nossa galáxia, sem nada percebermos de diferente no seu aspecto; mas, ela está girando na devida escala de tempo e se transformando muito embora o tempo ali pareça “fluir mais lentamente”.

Falando de coisas mais familiares, para as quais todos têm mais sensibilidade, uma vida equilibrada, sem grandes desgastes (variações energéticas) tende a se prolongar. Por essa razão se diz “viver longa e sabiamente”. Só precisamos tomar cuidados porque existem outros fatores determinantes da duração de uma vida. Mas, equilíbrio e quietude constituem um bom conselho. Fica claro que uma vida estressada tende a abreviar-se.

Sobre isso, são inúmeros os exemplos de vidas que se expiraram rapidamente em virtude de terem passado por grandes transições energéticas em curto espaço de tempo. São artistas, gênios da ciência, mas também os protagonistas de pequenas e grandes tragédias humanas. Quanto maior o impacto (variação energética) de suas existências, menos tempo elas duraram, observe. Em tempo, quando se fala de vida estressada, refere-se àquela exposição ao estresse por tempo prolongado. Todos sabem que o estresse pode ser benéfico em situações extremas que exijam grande parcela de energia para resolver problemas agudos; mas, desde que por pouco tempo, em total concordância com o princípio da incerteza.

Aquela escala de forças da Física pode ser entendida em termos dos 10(dez) estados de vida do Budismo, fazendo-se um paralelo das forças gravitacionais (de longo alcance) com os estados de vida superiores de Bodhisattva e Buda; os quais se identificam com o altruísmo, a libertação, o despertar e a iluminação para a verdade suprema, respectivamente. As forças de médio alcance têm seus paralelos nos estados intermediários de Erudição e Absorção; também chamados de 2(dois) veículos. Finalmente, as ligações fortes e de curto alcance têm seu paralelo nos seis mundos inferiores de Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Humanidade e Alegria; os quais são comandados pelo desejo, o egoísmo, o apego e a ilusão de maneira geral. Sem sombra de dúvidas, as transmigrações entre esses estados inferiores demandam muita energia, consomem a vida e são de pouca duração.

Concluindo, a proximidade do “fim do mundo” aumenta na mesma medida em que se mergulha na escuridão, afastando-se da sabedoria do Buda; isto é, quanto maior a escuridão e a ignorância, maior a percepção do “fim do mundo”, maior a sua proximidade. A Sabedoria de todos os Budas, neste sentido,  é sinônimo de Eternidade.

O Fim do Mundo 1a. Parte.

Andrômeda. Tudo calmo por alí não é?
andromeda_pia08787.jpg
“Courtesy NASA/JPL-Caltech.”

A Iluminação das Dez Direções

Então o Buda emitiu uma luz do tufo de cabelos brancos de entre suas sobrancelhas que iluminou dezoito mil mundos ao leste, sem omitir nenhum deles, desde abaixo do inferno Avichi até acima do céu Akanishtha. Deste mundo Saha eram vistos todos os seres viventes nas seis direções[1] naquelas terras; além disso, eram vistos todos os Budas presentes naquelas terras e todos os Sutras e Leis pregadas por aqueles Budas eram ouvidas[2].

Também eram vistos os Monges, Monjas, Leigos e Leigas naquelas terras, que praticaram e atingiram a Via[3]. Além disso, eram vistos os Bodhisattvas e Mahasattvas, as várias causas e condições, as várias crenças e compreensões, e os vários aspectos da sua prática da Via do Bodhisattva[4].

Além do mais, via-se o parinirvana dos Budas e, após o parinirvana dos Budas, a construção de torres decoradas com os sete tesouros para guardar suas relíquias[5].


[1] Mundos do Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade e Alegria.

[2] Mundo do Buda.

[3] Mundos da Erudição e Absorção; também conhecidos como mundos dos ouvintes e pratyekabudas.

[4] Mundo do Bodhisattva,
perfazendo com os demais os 10 (dez) estados.

[5] Abrangendo os domínios das três existências (presente, passado e futuro).

Extraído de CAP. 01: INTRODUÇÃO

« Older entries

%d blogueiros gostam disto: