Mensagem de Ano Novo 2014

“Quando a lua está cheia, há onze coisas. Quais são as onze? Elas são: 1) ela dissipa realmente a escuridão, 2) ela de fato permite aos seres ver o caminho e aquilo que não é o caminho, 3) ela permite (distinguir) o caminho certo e o errado, 4) ela permite aos seres acabar com a depressão e os abençoa com pureza e frescor, 5) ela de fato destrói a arrogância do vaga-lume, 6) ela realmente dissipa o pensamento de quaisquer ladrões, 7) ela de fato dissipa o temor dos seres das bestas malignas, 8) ela abre a floração da kumuda (espécie do lótus que floresce ao luar), 9) ela fecha completamente as pétalas do lótus, 10) ela evoca no viajante o pensamento de prosseguir ao longo do caminho, 11) ela permite aos seres desfrutar da aceitação dos cinco prazeres e obter alegria de muitas maneiras”. – Buda Shakyamuni no Sutra do Nirvana, Capítulo 37 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 5.

Que o ano que se descortina seja como a LUA CHEIA, e que as Verdadeiras Palavras do Tathagata iluminem o caminho de todos os seres.

Um Feliz 2014.

A Equanimidade de Todos os Dharmas

3.    A equanimidade de todos os dharmas. O Sutra Diamante diz: “Esse dharma é liso e plano, sem altos ou baixos, porquanto é chamado Anuttara-Samyak-Sambodhi”. Isto é equanimidade de todos os dharmas. “O Tathagata nem vem ou vai”. Isto é equanimidade de todos os dharmas.

Disto advém,

4.    A equanimidade de um e muitos.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

Original

Marcas e Visões

Sutra:

“Subhuti, se alguém disser que a visão de um ‘eu’, a visão dos outros, a visão dos seres viventes, e a visão de uma vida são pregadas pelo Buda, o que você pensa, Subhuti? Aquela pessoa compreende o significado dos meus ensinamentos?”

Não Honrado pelo Mundo, aquela pessoa não compreende o significado dos ensinamentos do Tathagata. E por quê? A visão de um ‘eu’, a visão dos outros, a visão dos seres viventes, e a visão de uma vida são pregadas pelo Honrado pelo Mundo como nenhuma visão do ‘eu’, nenhuma visão dos outros, nenhuma visão dos seres viventes, e nenhuma visão de uma vida. Porquanto são chamadas a visão do ‘eu’, a visão dos outros, a visão dos seres viventes, e a visão de uma vida”.

“Subhuti, aqueles que devotaram seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi devem assim conhecer, assim ver, assim acreditar e compreender todos os dharmas, e não produzir as marcas dos dharmas. Subhuti, as marcas dos dharmas são pregadas pelo Tathagata como nenhuma marca dos dharmas; porquanto são chamadas marcas dos dharmas”.

Comentário:

Subhuti disse que alguém que mantenha a opinião de que o Buda pregou uma visão do ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida não compreende a doutrina que o Buda ensinou. Aquela pessoa não alcançou uma compreensão da doutrina da vacuidade das pessoas, dos dharmas, e da vacuidade em si encontrada no ensinamento da prajna, que expressa o princípio da vacuidade.

Anteriormente, o Buda havia pregado sobre as “marcas” do ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida; então, neste ponto ele falou da visão do ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida. Qual é a diferença entre marcas e visões? Marcas são objetos externos (tangíveis) com os quais nos envolvemos através do olho orgânico. Visões, por outro lado, são discriminações da mente às quais nos tornamos apegados e às quais nos prendemos. Visões são apegos sutis; marcas são apegos grosseiros. As marcas superficiais externas são fáceis de descartar, mas é muito difícil obliterar os apegos sutis da consciência mental. Portanto, o Buda menciona ambos, para capacitar as pessoas a não somente subjugar seus corações e abandonar as marcas, mas também subjugar as suas mentes e erradicar as visões. Quando se liberta das visões, pode-se realmente chegar ao estado de vacuidade das pessoas, dos dharmas, e da vacuidade em si.

Mas o Buda pregou sobre aquelas visões apenas do ponto de vista da verdade comum. Se explicado em termos da verdade real, elas não são visões. Quando expressas do ponto de vista do Caminho Médio, porquanto são chamadas a visão do ‘eu’, a visão dos outros, a visão dos seres viventes, e a visão de uma vida. Originalmente não há marcas e nem visões, mas no Dharma Maravilhoso da Prajna o Buda lhes dá falsos nomes.

Não apenas as visões do ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida; mas todos os dharmas devem assim ser conhecidos. Assim ver, assim acreditar e compreender todos os dharmas, e não produzir a marca dos dharmas. Isto significa não ser apegado a quaisquer dharmas.

Todo o dharma pregado pelo Buda

foi em prol dos corações dos seres viventes;

Se não houvesse corações,

de que utilidade seria o dharma?

As marcas dos dharmas são pregadas pelo Tathagata como nenhuma marca dos dharmas; porquanto são chamadas marcas dos dharmas. A elas são meramente dados falsos nomes.

Sutra Diamante – Capítulo 31 – Nem Conhecimento e Nem Visão são Produzidos.

Original

O Cultivar de uma Mente Límpida

Alguém pode indagar: “Essa parte do texto diz que o Tathagata nem vem ou vai, mas no início do Sutra Diamante está dito:

‘Na hora da refeição o Honrado pelo Mundo vestiu seu robe, pegou sua tigela, e adentrou a Grande Cidade de Sravasti para mendigar por comida’.

Isto não é ir? O sutra também diz: ‘Após ele terminar a sua mendicância sequencial ele retornou’. Isto não é vir? Como você pode dizer que ele não vem ou vai?”

Não é o Buda que vem e vai. É sua mente que vem e vai. Por exemplo:

Quando a água é límpida a lua aparece.

Quando há nuvens a lua é oculta.

Quando a lua aparece na água límpida, a lua realmente veio àquele lugar? Quando as nuvens ocultam a lua, a lua realmente foi embora?

Também, às vezes quando as pessoas olham para nuvens em movimento através do céu, elas veem a lua se movendo e as nuvens paradas. Ou um barco pode mover-se no rio e parecer a alguém que as duas margens estão se movendo e o barco está estacionário. As margens realmente se movem? Não.

O corpo de transformação do Buda vem e vai, mas seu corpo do dharma não. O Bodhisattva Maitreya falou um verso que diz:

O que vem e vai

são corpos de transformação do Buda.

O Tathagata é eternamente imóvel.

Ele não é o mesmo e nem diferente de

cada lugar dentro do reino do dharma.

Você deve saber que não é o Tathagata que vem e vai; são as discriminações das nossas oito consciências que percebem uma ida e uma vinda. Quando o Sutra Diamante lhe diz para não considerar o Buda como se sentado, deitado, indo ou vindo, ele está dizendo-lhe para não fazer tais distinções. Quando você não mais fizer discriminações, sua sabedoria poderá aparecer. Sua Prajna manifestará na razão direta do grau em que você tenha descartado as discriminações. Nas mentes da maioria das pessoas há tantas discriminações que elas preenchem completamente o campo das oito consciências, que é basicamente pura, com sujeira e impurezas. Uma vez que você esteja livre de todo esse lixo, sua sabedoria aparecerá.

Sutra Diamante – Capítulo 29 – A Quietude de Forma Surpreendente.

Original

Reverter a Luz e Iluminar Dentro

O Tathagata não vem ou vai; Porquanto ele é chamado o Tathagata. ‘Tatha’ significa não-movimento. ‘Agata’ significa movimento. Movimento e quietude são uma talidade idêntica. Movimento não obstrui quietude; quietude não obstrui movimento. Isso signifca que no cultivo da Via você pode perscrutar Dhyana enquanto sentado em quietude, e pode perscrutar Dhyana enquanto em movimento. De manhã à noite, em todos os comportamentos, caminhando, parando, sentando e reclinando-se, você pode fazer o trabalho da cultivação. Não é meramente enquanto sentado em meditação que você deve esforçar-se. Em todos os momentos você deve proteger o corpo, concentrar a mente e cessar toda a confusão e dispersão. Você deve reverter a luz e iluminar dentro.

Sutra Diamante – Capítulo 29 – A Quietude de Forma Surpreendente.

Original

Reconhecer, Compreender e Cultivar

Sutra:

Subhuti, se alguém dissesse que o Tathagata vem ou vai, senta ou levanta, aquela pessoa não compreenderia o significado dos meus ensinamentos. E por quê? O Tathagata não vem de algum lugar, nem vai a algum lugar. Porquanto ele é chamado o Tathagata”.

Comentário:

Após ter pregado a seção anterior do texto, o Buda Shakyamuni percebeu que as pessoas poderiam ter dúvidas e tornarem-se apegadas à marca das idas e vindas do Tathagata. Portanto, ele disse a Subhuti: “se alguém dissesse que o Tathagata vem ou vai, senta ou levanta, aquela pessoa não compreenderia o significado dos meus ensinamentos”. Como se Ele, o Tathagata, viesse e fosse, mas sua ida e vinda é apenas ilusória. Qualquer um que pense que realmente vem e vai falha em compreender o princípio que o Buda ensina. O Tathagata não tem um lugar do qual ele venha e nem um lugar para o qual ele vá; porquanto ele é chamado oTathagata. Isto significa que o corpo do dharma do Buda nem permanece e nem não permanece. Ele interpenetra todos os lugares. Se ele permeia todos os lugares, de onde ele poderia vir? Uma vez que ele permeia todos os lugares, para qual lugar ele poderia ir? Portanto, diz-se não permanecer e não não permanecer.

Se você compreende o Budadharma, as montanhas, rios e a grande terra são todos o corpo do dharma do Tathagata. Se você não compreende, você vê o Tathagata, mas não o reconhece. Se você compreende o Budadharma, você pode reconhecer o Buda sem sequer tê-lo visto, e uma vez que você reconheça o Tathagata, é muito fácil contar com o dharma para cultivar. Se você não reconhece o Tathagata e nem mesmo sabe que o Buda é tudo, como você pode estudar o Buda? Falhar em reconhecer e ainda continuar a estudar é chamado ‘um cego guiando outro cego’. Se você é cego, você pode cometer um engano e escolher seguir alguém que também é cego. Embora seu líder perceba que ele próprio é cego, ele pode desejar ser seguido e, dessa maneira, finge que pode ver. Vocês dois tateiam juntos, correndo aqui e ali, até que eventualmente ambos caiam no mar e se afoguem. Desde o início, é essencial reconhecer o Budadharma e compreender como cultivar. Então você pode estudar.

Quando você compreende o Budadharma, você pode fiar-se no dharma para cultivar e realizar o Estado de Buda. Se você seguir um portal do dharma de um caminho externo, você somente será levado para mais e mais longe. Quanto mais longe você for, mais difícil retornar; e em razão de você não poder retornar à origem, um perigo muito grave surge.

Sutra Diamante – Capítulo 29 – A Quietude de Forma Surpreendente.

Original

Não Cortado e Não Extinto

Sutra:

“Subhuti, você pode ter o pensamento de que o Tathagata não atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi através da perfeição das marcas. Subhuti, não pense que o Tathagata não atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi através da perfeição das marcas. Subhuti, você não deve pensar que aqueles que devotaram seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi asseveram a aniquilação de todos os dharmas. Não tenha esse pensamento. E por quê? Aqueles que devotaram os seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi não asseveram a aniquilação das marcas”.

Comentário:

Essa parte do texto foi pregada para aqueles que, após ouvirem que não se pode contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas, podem se perguntar como o Buda atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Pensar que o Tathagata não usou a perfeição de todas as marcas das bênçãos e virtudes para atingir a Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta é incorreto. O Buda admoestou Subhuti para ser cuidadoso e não pensar daquela maneira. E por quê? Se o Anuttara-Samyak-Sambodhi fosse a aniquilação das marcas, então isso significaria que o Tathagata, embora desprovido de plenas bênçãos, plena sabedoria, e desprovido das marcas da perfeição, atingiu o Anuttara-Samyak-Sambodhi. Dizer que o Anuttara-Samyak-Sambodhi é a aniquilação de todos os dharmas é cair na extrema visão do aniquilacionismo. Alguém que tenha devotado seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi sempre assevera o significado ultimado do Caminho Médio. Ele não assevera o dharma do aniquilacionismo ou o dharma da permanência. As visões do aniquilacionismo e da permanência não são o Budadharma, e qualquer um que não esteja de acordo com o Budadharma não pode realizar o Estado de Buda. Assim, os cultivadores do Budadharma devem compreender o Caminho Médio, e não manter visões extremadas.

Sutra Diamante – Capítulo 27 – Não Cortado e Não Extinto.

Original

O Corpo do Dharma não Possui Marcas

Sutra:

“Subhuti, o que você pensa? Pode-se contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas?”

Subhuti disse: “É assim, é assim, Honrado pelo Mundo. Pode-se contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas”.

O Buda disse: “Subhuti, se alguém pudesse contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas, então um Rei Sábio Girador de Roda seria um Tathagata”.

Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, da maneira como eu entendo o que o Buda disse, não se deve contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas”.

Naquela ocasião o Honrado pelo Mundo falou um gatha, o qual diz:

Se alguém me vê na forma,

se alguém me procura nos sons,

ele pratica uma via tortuosa,

e não pode ver o Tathagata.

Comentário:

O Buda Shakyamuni perguntou a Subhuti: “Pode-se contemplar o Tathagata meramente através das trinta e duas marcas?” Previamente, o Buda havia indagado a Subhuti se poder-se-ia “ver” o Tathagata através das trinta e duas marcas. Então, a essa altura, ele indagou se poder-se-ia contemplar o Tathagata através delas. ‘Ver’ é uma função dos olhos, ao passo que contemplação é uma função da mente. Subhuti foi enredado naquela distinção, e assim respondeu: “Sim, pode-se contemplar o corpo do dharma do Tathagata através das trinta e duas marcas”.

Mas o Buda salientou que um Rei Sábio Girador de Roda também possui as trinta e duas marcas, e dessa forma ele também deveria ser um Buda. Realmente, as trinta e duas marcas de um Rei Sábio Girador de Roda são ligeiramente menos distintas que a de um Buda. Pessoas com os cinco olhos e os seis poderes de penetrações espirituais podem distinguir a diferença. Mas, uma vez que as pessoas comuns não podem, dizer que pessoas comuns podem ver o Tathagata através das trinta e duas marcas significa que elas também veriam um Rei Sábio Girador de Roda como um Buda.

Após Subhuti ouvir a explicação do Buda, ele respondeu: “Da maneira como eu entendo o que o Buda disse, não se pode ver ou contemplar o Tathagata através das trinta e duas marcas”.

O Buda Shakyamuni então falou um verso para Subhuti:

Se alguém me vê na forma significa que pode haver pessoas que vejam as trinta e duas marcas e pensem que estão vendo o próprio Buda.

Se alguém me procura nos sons significa que pode haver aqueles que tomam as quatro eloquências e os oito sons como sendo o Tathagata.

Ele pratica uma via tortuosa / e não pode ver o Tathagata. A via tortuosa do apego à visão ou ao som do Buda leva uma pessoa ao extremo do apego à existência condicionada. Quando não se está de acordo com o Caminho Médio, não se pode ver o Tathagata. O Sutra Avatamsaka diz: “Réplicas e transformações não são o verdadeiro Buda”. As trinta e duas marcas pertencem aos corpos da réplica e das transformações, e certamente não ao Corpo do Dharma do Buda. Alguém que se prenda ao aniquilacionismo vê todas as coisas como condenadas à extinção. Alguém que se prenda à permanência vê todas as coisas como eternas. Ambas as visões são distorcidas e não são o Caminho Médio. Se alguém procura o Corpo do Dharma do Tathagata através de alguma outra maneira que não o Caminho Médio, será impossível encontrá-lo.

Uma vez que Mahamaudgalyayana queria ver quão longe a voz do Buda alcançava, assim ele usou suas penetrações espirituais e foi tão longe ao leste quanto ele podia. Ele passou através de milhares de dezenas de milhões de Terras Búdicas – 70.000 vezes mais do que um foguete poderia ir no espaço. Mas, mesmo quando ele já havia viajado aquela grande distância, a voz do Buda ainda estava tão límpida como se ele estivesse pregando o dharma diretamente no ouvido de Mahamaudgalyayana. Este é o caso da busca pelo Buda no som.

Sutra Diamante – Capítulo 26 – O Corpo do Dharma não Possui Marcas.

Original

Respeito-lhes Profundamente

Subhuti, a existência de um ‘eu’ pregada pelo Tathagata é nenhuma existência de um ‘eu’. A existência do ‘eu’ refere-se ao falso ‘eu’ … é nenhuma existência de um ‘eu’ significa que não é o verdadeiro ‘eu’. As pessoas comuns tomam o falso ‘eu’ como verdadeiro, mas pessoas comuns são pregadas pelo Tathagata como nenhuma pessoa comum, porquanto são chamadas pessoas comuns. “Subhuti, aqueles que no presente são pessoas comuns, eventualmente realizarão o Estado de Buda, tal que o Tathagata diz que eles não são pessoas comuns. Você não deve olhá-las como (pessoas) ordinárias”. O Buda disse que todos os seres viventes possuem a Natureza de Buda, todos podem tornar-se Budas. É apenas em razão do falso pensamento e do apego que eles ainda não se tornaram capazes de certificarem-se para o Estado de Buda. O Buda considera todos os seres viventes como seus antigos pais e mães, e como futuros Budas. Pessoas comuns apenas são chamadas pessoas comuns porque isso é o que elas são agora.

Sutra Diamante – Capítulo 25 – Transformação Sem o Que é Transformado.

Original

Aquele que Desperta se Conduz

Sutra:

Subhuti, o que você pensa? Você não deve sustentar que o Tathagata tem esse pensamento: ‘Levarei os seres viventes à travessia’. Subhuti, não tenha esse pensamento. E por quê? Realmente não há seres viventes levados à travessia pelo Tathagata. Se houvesse seres viventes levados à travessia pelo Tathagata, então o Tathagata teria a existência de um ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida. Subhuti, a existência de um ‘eu’ pregada pelo Tathagata é nenhuma existência de um ‘eu’, mas as pessoas comuns tomam-na como a existência de um ‘eu’. Subhuti, pessoas comuns são pregadas pelo Tathagata como nenhuma pessoa comum, porquanto são chamadas pessoas comuns”.

Comentário:

O Buda Shakyamuni disse: “Vocês, Ouvintes, não digam que o Tathagata tem o pensamento: ‘Eu resgatarei seres viventes’. Por quê? Realmente não há seres viventes levados à travessia pelo Tathagata”. O Tathagata e os seres viventes são unos. Portanto, o Tathagata resgata seres viventes sem que haja quaisquer seres viventes resgatados. O Tathagata não leva seres viventes à travessia: eles se levam à travessia.

O Sexto Patriarca disse ao Quinto Patriarca: “Quando alguém está iludido, seu mestre  conduz-lhe à travessia; mas quando alguém é iluminado, conduz-se à travessia”. Uma vez que você compreende, você se leva à travessia. Quando os seres viventes estão confusos, o Buda conduz-lhes à travessia. Os seres viventes precisam despertar, mas quem desperta-lhes? Não é o Buda; eles se despertam. Em outras palavras: “Na equanimidade do verdadeiro reino do dharma, o Buda não leva seres viventes à travessia”. Seres viventes e Buda são iguais. Não há um pouco mais de algo da parte de um Buda, ou um pouco menos de algo da parte de seres viventes. Em razão do que é dito: “Realmente não há seres viventes levados à travessia pelo Tathagata”.

Fosse você insistir dizendo que houve seres viventes levados à travessia pelo Tathagata, então o Tathagata teria a existência de um ‘eu’, dos outros, dos seres viventes, e de uma vida; e assim as quatro marcas não seriam vazias. O Buda diz a todos os seres viventes para abandonarem as marcas. Quanto mais não deveria o próprio Buda fazê-lo. Assim, quando o Buda resgata seres viventes, são de fato os seres viventes que se resgatam. O Buda não leva seres viventes à travessia, porque ele não possui a marca do ‘eu’.

Sutra Diamante – Capítulo 25 – Transformação Sem o Que é Transformado.

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