Equanimidade

ORROZPor que boas ações se compilam como momentos de vacuidade? ORROZ, quando se pratica ações puras, estas são destituídas do ‘eu’. Na verdade, não importa quem as pratica, quem as recebe, ou o quê se concede ou se oferece em doação. Isto é praticar a equanimidade. Isto é colocar-se acima dos mesquinhos interesses mundanos. Quando estiver a praticar aquelas boas ações sem cessação, sem sequer perceber que as perpetra em cada ato, então o tolo e seus arroubos, juntamente com seu diário, desaparecerão, e darão lugar ao amor-benevolente, à compaixão, à intenção-amável e à equanimidade.

 

 

A Purificação do Carma

Em ‘A Purificação do Carma’

“Oh bom homem! Dentre os dez poderes do Buda, o poder do carma tem peso maior”.

Sutra do Nirvana – Capítulo 38 – Sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 6.

PI, ao pensar apenas em si, será possível amenizar os resultados cármicos devidos às ações do passado, através das boas ações no presente. Mas esse será o novo carma de um Sravaka, Pratyekabuda ou, quem sabe, uma razão para o nascimento nos céus? Porém, a ação baseada na Grande Compaixão determinará o carma de um Bodhisattva, cujo mérito será transferido para o Annutara-Samyak-Sambodhi (Iluminação Insuperável) de todos os seres. Isto sim tem um peso maior, uma vez que o verdadeiro ensino do Grande Veículo destina-se aos Bodhisattvas, os verdadeiros e reais discípulos do Buda.

Você falou sobre Purificação do Carma, o que literalmente significa Purificação das Ações ou a prática de Ações Puras. O que são Ações Puras? No Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana, o Buda fala extensivamente sobre essas ações. Lá, no TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1, você encontrará os seguintes ensinamentos:

“Existem as ações puras, que são: amor-benevolente [‘maitri’], compaixão [‘karuna’], intenção amável (acolhedora) [‘mudita’], e equanimidade [‘upeksha’].”

Também naquele capítulo, mais adiante, você saberá sobre a prática do amor-benevolente, a qual abrange todas as outras:

A Prática do Amor-Benevolente

E para o benefício de Kashyapa, ele disse num gatha:

“Se não se sente a ira,
mesmo contra um simples ser,
e roga-se para dar felicidade a esses seres,
isto é amor-benevolente.
Se sente-se compaixão
por todos os seres,
isto é a semente sagrada.
Interminável é a recompensa.
Mesmo que os Rishis (Grandes Sábios) dos cinco poderes
preenchessem essa terra
e dessem a Mahesvara (Grande Lorde) elefantes, cavalos
e suas várias posses,
a recompensa ganha não seria igual
a uma décima-sexta parte de um [impulso de] amor-benevolente
que seja praticado.”

“Oh bom homem! A prática do amor-benevolente é verdadeira e não provém de um pensamento falso. É claramente a verdade. O amor-benevolente dos Sravakas e Pratyekabudas é aquele que é falso. Com todos os Budas e Bodhisattvas, o que existe é o verdadeiro, e não o que é falso. Como sabemos isso? Oh bom homem! Como o Bodhisattva-Mahasattva pratica a Via do Grande Nirvana, ele medita sobre a terra e [mentalmente] a transforma em ouro, e medita sobre o ouro e o transforma em terra, terra em água, água em fogo, fogo em água, terra em vento (ar), e vento em terra. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Ele medita sobre seres reais e transforma-os em não-seres, e transforma não-seres em seres reais. Tudo aparece como desejado e nada é falso. Oh bom homem! Saiba que as quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva vêm de um pensamento verdadeiro e não são o que é falso.

Também, além disso, oh bom homem! Por que é chamado pensamento verdadeiro? Porque ele acaba completamente com todas as impurezas. Oh bom homem! Ora, uma pessoa que pratique amor-benevolente erradica toda a cobiça; alguém que pratique a compaixão erradica a ira; alguém que pratique a intenção-amável (alegria-simpática) erradica a infelicidade; alguém que pratique equanimidade erradica a cobiça, a ira e todos os aspectos das coisas que os seres têm. Por essa razão, chamamos isto de pensamento verdadeiro.

Também, além disso, oh bom homem! As quatro mentes ilimitadas de um Bodhisattva-Mahasattva constituem a raiz de todas as boas ações. Oh bom homem! Se um Bodhisattva-Mahasattva não vê um ser oprimido pela pobreza, não poderá haver qualquer surgimento da compaixão. Se a mente compassiva não surge, não surgirá qualquer pensamento de doação. Através das relações causais da doação, ele concede aos seres paz e felicidade. Trata-se de bebida, comida, veículos, roupas, flores, incenso, camas, casas e lâmpadas.

Quando a doação é feita dessa maneira, não existe apego na mente e nenhuma cobiça surge. Ele definitivamente transfere o mérito disto para a Iluminação Insuperável. A mente não para no tempo. Acaba-se com o pensamento falso para sempre; aquilo que é feito não é por medo, por fama ou por lucro. Não visa o mundo dos humanos ou dos deuses; qualquer prazer que seja ganho não suscita a arrogância; não visa recompensas; a doação não é feita para enganar os outros; não busca a riqueza ou o respeito. Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação [distinção] é feita quanto a saber se o destinatário tem observado os preceitos morais ou os têm transgredido, se ele é um verdadeiro campo de prosperidade ou um mau campo de prosperidade, se é instruído ou iletrado. 

Quando a doação é realizada, nenhuma discriminação é feita entre o certo e o errado do repositório; nenhuma diferença é vista entre o tempo ou o lugar certo ou errado. Não se pensa sobre se existe fome ou fartura das coisas e felicidade. Nenhuma discriminação é feita quanto à causa ou o resultado (efeito) disto, ou preocupação quanto àquilo que é certo [meritório] ou não com relação ao destinatário (repositório), ou se ele é rico ou não. Também, o Bodhisattva não se dá o trabalho de olhar qualquer diferença como se o destinatário é uma pessoa que dá ou alguém que recebe, o que é dado ou cedido, ou a recompensa por aquilo que é dado. A única coisa que se faz é que a doação seja realizada sem cessação.

Oh bom homem! Se o Bodhisattva olhasse para a observância ou infração dos preceitos, ou os seus resultados, não poderia haver qualquer doação até o fim. Se não há doação, não pode haver realização do danaparamita [doação transcendente]. Se não há danaparamita, não pode haver qualquer chegada à Iluminação Insuperável.

Sutra do Nirvana – TOMO II – Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1.

Selo Comemorativo

Da Raiz ao Ultimado

“Oh bom homem! Com os 37 fatores da Iluminação, não há inversão. Por isso, podemos falar de ‘ação pura’. Oh bom homem! Se qualquer Bodhisattva vem a conhecer a raiz, a causa, o que abarca, o que acrescenta, o mestre, o que leva (conduz), o que é superior, o que é verdadeiro, e o que é ultimado; esse Bodhisattva é alguém de ação pura.”

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Em qual sentido dizemos que alguém conhece desde a raiz até o ultimado?”

O Buda disse: “Oh bom homem! Bem falado, bem falado! O que você fala, Bodhisattva, concerne a duas coisas. Uma é para o seu próprio bem, e a outra é para o conhecimento dos outros. Agora você sabe, mas uma vez que inumeráveis outros seres ainda não compreendem, então você indaga. Assim, Eu agora o elogio novamente. Muito bem, muito bem! Oh bom homem! A raiz dos 37 elementos concernentes à Iluminação é o desejo. A causa é o toque do brilho; o que abarca é ‘sentimento’; o que acrescenta é ‘pensamento’; o ‘mestre’ é ‘recordação’ (‘mentalização’); o que leva (conduz) é ‘dhyana’ [meditação]; o que é superior é ‘Sabedoria’; o que é verdadeiro é ‘Emancipação’; e o ultimado é Grande Nirvana.

Oh bom homem! (Também), todas as aflições do mundo têm sua origem no desejo. Todas as doenças repousam na comida cozida no dia anterior. Toda a segregação surge de brigas e disputas. Todas as maldades decorrem da falsidade. A situação é assim.”

O Bodhisattva Kashyapa disse: “Oh Honrado pelo Mundo! O Tathagata já estabeleceu neste Sutra que todas as boas coisas estão fundamentadas na não-indolência. Agora você diz (que) ‘desejo’ (é raiz dos 37 elementos concernentes à Iluminação). Como posso compreender isto?”

O Buda disse: “Oh bom homem! Se a causa buscada visa o surgimento de boas coisas, isto é um bom desejo. Se a causa reveladora é buscada, isto é não-indolência. Dizemos no mundo que o resultado depende da semente; dizemos que a semente é a causa do surgimento, e o solo é a causa reveladora. O mesmo é o caso aqui, também.”

O Bodhisattva Kashyapa disse: “Oh Honrado pelo Mundo! O Tathagata diz em outros Sutras que os 37 fatores da Iluminação constituem a base. O que isto implica?”

“Oh bom homem! O Tathagata disse antes que os seres primeiro vêm a saber dos 37 fatores da Iluminação. O Buda é a raiz. O despertar depende do desejo.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

A Casa do Tesouro

Beyond all coming and going of phenomena: the ...

Tathagata: aquele que está para além de todas as idas e vindas dos fenômenos - Imagem via Wikipedia

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! O que é ação pura?”

O Buda disse: “Todas as coisas são nada mais que ações puras.”

O Bodhisattva Kashyapa disse: “Oh Honrado pelo Mundo! Todas as coisas não são determinadas no significado. Por quê? O Tathagata as chama de boas ou não-boas. Às vezes, ele diz que essa é a meditação das quatro recordações, ou às vezes, das 12 esferas, ou do Bom Mestre da Via, ou dos 12 elos da interdependência, ou do ser, da visão correta, da visão errônea, dos 12 tipos de sutra, ou das duas verdades; ou o Tathagata agora diz que todas as coisas são ações puras. Tudo somado, o que você quer dizer com ‘todas as coisas’?”

O Buda disse: “Bem falado, bem falado, oh bom homem! O Todo-Maravilhoso Sutra do Grande Nirvana é a Casa do Tesouro de todas as leis (dharmas). É como o grande oceano, que guarda todos os tesouros. É o mesmo com o Sutra do Nirvana. Este é o Repositório Secreto que contém todos os significados de todas as palavras.

Oh bom homem! Assim como o Monte Sumeru é a fonte raiz de todos os remédios, assim esse Sutra é a fonte raiz dos preceitos do Bodhisattva.

Oh bom homem! É como com o Vazio, onde repousa tudo o que existe. Assim é com esse Sutra, que é a morada do Bom Dharma.

Oh bom homem! É como o grande vento, que ninguém pode prender ou encerrar. Assim é com todos os Bodhisattvas que praticam esse Sutra. Nenhuma impureza ou mau ensinamento pode reprimi-los ou prende-los.

Oh bom homem! É como o diamante, que ninguém pode destruir. Assim é a situação com esse Sutra, que nem tirthikas ou humanos mal intencionados podem destruir.

Oh bom homem! É como (os grãos de) as areias do Rio Ganges, que ninguém pode contar. Assim é com os significados desse Sutra. Ninguém pode realmente contá-los completamente.

Oh bom homem! Esse Sutra é o estandarte do Dharma de todos os Budas, assim como as coisas se dão com os pavilhões içados do Shakra.

Oh bom homem! Esse Sutra é o mercador que percorre as divisões do nirvana, ou o grande guia que singra o grande oceano com todos os mercadores.

Oh bom homem! Esse Sutra é a luz do Dharma de todos os Bodhisattvas, assim como a luz do sol e da lua realmente destrói a escuridão ao redor.

Oh bom homem! Esse Sutra serve como o melhor [remédio] para todos os seres que estão sofrendo de doenças. É como o Todo-Maravilhoso Rei dos Remédios do (Monte) Gandhamadana, que cura completamente todas as doenças.

Oh bom homem! Esse Sutra serve realmente como um bastão (bengala) para o icchantika, como no caso de uma pessoa fraca que [assim] pode facilmente apoiar-se e ficar de pé.

Oh bom homem! Esse Sutra realmente serve como uma ponte para todas as pessoas más, assim como uma ponte permite que mesmo todas as pessoas más do mundo passem sobre ela.

Oh bom homem! Esse Sutra realmente serve como uma sombra fresca para todos aqueles que carregam suas vidas nos cinco reinos, onde sentem calor devido às impurezas, servindo-lhes como um pára-sol que protege bem a pessoa do calor.

Oh bom homem! Esse Sutra é o Rei do Destemor, que aniquila completamente todos os demônios das impurezas, agindo como o Rei Leão, que verdadeiramente subjuga todos os animais.

Oh bom homem! Esse Sutra é um grande encantador que pode aniquilar completamente todos os demônios das impurezas, assim como um encantador acaba com o gnomo da montanha.

Oh bom homem! Esse Sutra é como a insuperável neve e granizo, os quais acabam com todos os resultados cármicos do nascimento e da morte, assim como o granizo destrói as árvores frutíferas.

Oh bom homem! Esse Sutra é o maior dos remédios para uma pessoa que viola os shila [preceitos morais], assim como a ajata pode realmente curar dores dos olhos.

Oh bom homem! Esse Sutra guarda todas as boas leis, assim como a terra, que serve como um suporte para todas as coisas.

Oh bom homem! Esse Sutra é um espelho brilhante para todos os seres que violam os preceitos, assim como um espelho que reflete bem todas as cores e formas.

Oh bom homem! Esse Sutra serve como roupa para aqueles que não sentem vergonha do que fizeram, assim como a roupa que pode cobrir bem e esconder a forma carnal.

Oh bom homem! Esse Sutra serve como uma grande Casa do Tesouro para aqueles que estão carentes de boas coisas, assim como Gunadevi concede benefícios aos pobres.

Oh bom homem! Esse Sutra serve como a água da amrta [imortalidade] para aqueles que sentem sede pelo Dharma, assim como a água dos oito sabores, que sacia completamente uma pessoa sedenta.

Oh bom homem! Esse Sutra serve como uma cama do Dharma para aqueles que têm as preocupações das impurezas, assim como a cama da paz que serve às pessoas do mundo.

Oh bom homem! Através desse Sutra, o Bodhisattva ascende do primeiro estágio até o décimo. É o carro sobre o qual são carregadas jóias, incenso em pasta, incenso em pó, incenso para queimar e flores; e o carro no qual aqueles das castas puras podem montar. Ele realmente supera os seis paramitas. Isto é uma terra maravilhosa de bem-aventurança. É como a árvore parijata do Céu Trayastrimsa.

Oh bom homem! Este sutra é uma machadinha adamantina e afiada que pode de fato derrubar a grande árvore de todas as impurezas. Este é a espada afiada que pode realmente acabar com a mácula do mau cheiro. Este é o valente e forte que pode subjugar completamente a adversidade de Mara. Este é o fogo da Sabedoria, que queima o combustível das impurezas. Este é o repositório das relações causais que dão nascimento ao Pratyekabuda. Este é o repositório da audição que dá nascimento aos Sravakas. Este é o olho de todos os deuses que servem como Caminho Correto a todos os seres. Este é um refúgio para todos os animais. Este é onde os espíritos famintos ganham a Emancipação, o mais sagrado dos infernos, e o utensílio insuperável para todos os seres das dez direções. Este é o pai de todos os Budas das dez direções do passado, do futuro, e do presente. Oh bom homem! Assim, este Sutra guarda dentro de si todas as leis.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

the treasure house.mp3

Meditar Sobre o Sofrimento

“Oh bom homem! Uma pessoa sábia medita profundamente sobre os oito sofrimentos, e em seguida sobre a causa do sofrimento. A causa do sofrimento é a ignorância do desejo, que é constituído de duas coisas: 1) busca do que é (prazer) corporal, e 2) busca da riqueza. A busca do que é corporal e a busca da riqueza, ambos são fontes de sofrimento. Assim, deve-se saber que a ignorância do desejo é a causa do sofrimento.

Oh bom homem! Há dois tipos dessa ignorância do desejo, a saber: 1) interna, e 2) externa. Aquela que é interna realmente molda o carma, enquanto aquela que é externa aumenta-o. Também, aquela que é interna de fato molda o carma, e aquela que é externa molda o resultado cármico. Ao acabar-se com o desejo interno, pode-se de fato acabar com o carma. Se o desejo externo é cortado, o fruto cármico se vai. O desejo interno molda o sofrimento do mundo que está por vir, enquanto o desejo externo evoca o sofrimento da vida presente. O sábio medita sobre a causa do sofrimento, que é o desejo. Tendo meditado sobre a causa, ele assim o faz sobre o resultado cármico. O resultado cármico do sofrimento é ‘apego’ [‘upadana’ – apego à existência]. O resultado do desejo é apego. O resultado cármico do desejo é apego. A relação causal desse apego, que é desejo interno e externo, evoca o sofrimento do desejo.

Oh bom homem! O sábio deve meditar e pensar que o desejo está causalmente relacionado ao apego, e o apego está causalmente relacionado ao desejo. Se uma pessoa extirpa realmente esse par, desejo e apego, não haverá mais ação cármica; esse alguém não mais sofrerá de qualquer tipo de aflição (preocupação). Portanto, o sábio deve praticar bem o Nobre Caminho Óctuplo e acabar com todos os sofrimentos.

Oh bom homem! Se qualquer pessoa medita assim, isto é ação pura. Isto é onde dizemos que os seres possuem um remédio todo-maravilhoso em seus corpos carnais envenenados, e que nos Himalayas, em meio às gramas venenosas, há uma erva medicinal toda-maravilhosa.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

meditate on suffering.mp3

Meditar sobre o Desejo

“Também, além disso, oh bom homem! Alguém que seja sábio medita sobre o desejo. Desejo é cor, som, fragrância, sabor e toque. Oh bom homem! Assim o Tathagata fala do resultado (efeito) no estágio de causa. A partir dessas cinco coisas, o desejo sobe à cabeça. E (essas coisas) não são desejo, (são a sua causa).

Oh bom homem! Uma pessoa que é ignorante procura avidamente compartilhar delas. Nessas formas materiais, a pessoa adquire uma imagem invertida. E essa aquisição de uma imagem invertida se estende até o ‘toque’. E da relação causal da inversão, surge o sentimento. Esse é o porquê Eu digo que dessa imagem invertida o mundo adquire as dez imagens.

Da relação causal do desejo, se colhe más conseqüências cármicas no mundo. A maldade é dirigida aos pais, Shramanas, e Brâmanes. Faz-se o que não se deveria fazer, e se faz isso deliberadamente, da cabeça aos pés. Assim, uma pessoa que seja sábia percebe o fato de que essa relação causal do mal evoca uma mente ambiciosa. Tendo percebido a causa do mal, a pessoa sábia medita primeiro sobre a causa da cobiça e então pensa sobre os resultados cármicos. Quando há muito desejo, lá surgirão muitos maus resultados, tais como [os reinos do] inferno, espíritos famintos, animais, humanos e celestiais. Isto é o que chamamos de percepção dos maus resultados.

Se alguém for capaz de acabar com a má imagem, nenhum pensamento de cobiça surgirá. Quando não há uma mente ambiciosa, não surge qualquer mau sentimento. Sem um mau sentimento, não pode haver qualquer mau resultado. Esse é o porquê Eu acabo primeiro com a má imagem. Uma vez que se acaba com a imagem do mal, coisas como essas morrem naturalmente. Por isso, a pessoa sábia pratica o Nobre Caminho Óctuplo, no sentido de acabar com a má imagem. Isto é o que chamamos de ‘ação pura’. Este é o porquê dizemos que no corpo envenenado de um ser, há um remédio todo-maravilhoso, como no caso dos Himalayas, onde embora haja gramas venenosas, há um remédio todo-maravilhoso, também.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

meditate on desire.mp3

Meditar Sobre a Causa da Imagem

“Como todas as inumeráveis imagens surgem? Sabe-se que elas surgem do contato. E esse contato é de dois tipos, a saber: 1) contato pelas impurezas, e 2) contato pela Emancipação. Se a imagem surge da ignorância, chamamos isto de ‘contato pela impureza’. O que surge do ‘brilho’ é chamado ‘contato pela Emancipação’. O contato da ignorância evoca uma imagem invertida, e aquele da Emancipação evoca uma imagem não-invertida. Quando alguém tem meditado sobre a causa da imagem, em seguida medita sobre o resultado cármico.”

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “A imagem invertida surge da imagem da impureza. Todas as pessoas sagradas, para dizer a verdade, possuem imagens invertidas e, no entanto, não possuem impurezas. Como faço para compreender isto?”

O Buda disse: “Oh bom homem! De que maneira uma pessoa sagrada possui uma imagem invertida?”

O Bodhisattva Kashyapa disse: “Oh Honrado pelo Mundo! Todos os sagrados, ao verem uma vaca, adquirem a imagem de uma vaca e dizem que isto é uma vaca. Ao ver um cavalo, adquirem a imagem de um cavalo e dizem que isto é um cavalo. O mesmo se aplica ao homem, mulher, grande e pequeno, casa, veículo, ir e vir. Isto é uma inversão.”

“Oh bom homem! Todos os seres possuem dois tipos de imagens, a saber: 1) a imagem circulante (conceitual) no mundo, e 2) a imagem do apego. Todas as pessoas sagradas têm apenas a imagem circulante no mundo, mas não qualquer imagem do apego. Todos os seres adquirem a imagem do apego por causa da meditação através de maus sentidos. Todas as pessoas sagradas não adquirem a imagem do apego, em razão do [seu] despertar para o bem. Portanto, todos os mortais comuns são classificados como de (imagens) invertidas, enquanto as pessoas sagradas não são classificadas assim, embora as conheçam.

Tendo meditado sobre a causa da imagem, uma pessoa que seja sábia medita em seguida sobre os resultados cármicos. Sofre-se esses resultados cármicos das más imagens nos reinos do inferno, dos espíritos famintos, dos animais, e dos humanos e celestiais. Como Eu acabei com a imagem do despertar do mal, Eu cortei a ignorância e o contato. Assim a imagem se foi. Quando se acaba com a imagem, a pessoa também remove as conseqüências cármicas. Para cortar a causa da imagem, a pessoa sábia pratica o Nobre Caminho Óctuplo. Oh bom homem! Qualquer pessoa que medita assim é chamada de alguém que pratica ações puras.

Oh bom homem! Assim Eu digo: ‘No corpo envenenado do ser há um remédio todo-maravilhoso. Embora nos Himalayas exista [um tipo de] grama venenosa, há [também] um remédio todo-maravilhoso’.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

meditate on the cause of the image.mp3


Compartilhado no facebook por Rossella Pan.

O Remédio Todo-Maravilhoso dos Himalayas

O Bodhisattva Kashyapa disse ao Buda: “Todos os seres colhem o fruto cármico das impurezas. Impureza é maldade. A impureza que surge das más impurezas é [também] má. Caso afirmativo, há dois tipos. Um é a ‘causa’, e o outro o ‘efeito’. Como a causa é má, o efeito é mau. Como a fruição é má, a semente é má. Isso é como a fruta ‘nimba’. Como a semente é amarga, a flor, a fruta, a haste e as folhas são todas amargas. Isso é como a semente de uma árvore venenosa, onde como a semente é venenosa, a fruta também é venenosa. A causa é o ser e o efeito é o ser. A causa é impura, e o efeito também é impuro. A causa e o efeito das impurezas são os seres, e os seres são a causa e o efeito das impurezas. Se esta é, de fato, a inferência, por que o Tathagata emprega a parábola da grama nos Himalayas que é venenosa, mas [também] um remédio todo-maravilhoso? Se dissermos que impureza é o ser e o ser é impureza, como podemos dizer que há um remédio maravilhoso no corpo de um ser?”

O Buda disse: “Bem falado, bem falado, oh bom homem! Inumeráveis seres têm a mesma dúvida. Você agora faz bem de indagar por uma resposta. Tornarei esse ponto claro também. Ouça bem, ouça bem! Pense bem a respeito disto. Estabelecerei isto claramente agora e explicarei para você.

Oh bom homem! Eu falo dos Himalayas na minha parábola, em alusão aos seres ali. A grama venenosa refere-se às impurezas, e o remédio todo-maravilhoso refere-se às ações puras. Oh bom homem! Quando os seres praticam essas ações puras, dizemos que eles possuem um remédio todo-maravilhoso dentro deles.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

the all-wonderful medicine of the himalayas.mp3

Fruição dos Débitos de Gratidão

“Dizemos ‘fruição das obrigações de retribuições’. As pessoas no (mundo) secular fazem oferecimentos aos seus pais. Todos os pais dizem: ‘Estamos agora colhendo os frutos daquilo que fizemos quando nutrimos [nossas crianças]’. Quando a criança retribui-lhes, chamamos isto de fruição. O caso é assim. Essa fruição tem duas causas, a saber: 1) a causa próxima, e 2) a causa distante. A (causa) próxima são as ações puras que os pais fizeram no passado; a distante se refere à criança (de amor) filial que se desenvolveu. Isto é fruição das obrigações de retribuição (débitos de gratidão).”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 42 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 3.

fruition by repaying obligations.mp3

Sutra do Nirvana – Cap. 25 – Ações Puras 5

“Oh grande Rei! O Buda Todo Honrado pelo Mundo não vê qualquer diferença de casta, se é jovem, velho ou de meia-idade; se é rico ou pobre; o tempo, sol, lua, constelações; se humilde, pajem, empregada, ou a habilidade para o trabalho; mas vê, em meio aos seres, aquele que tem uma boa mente. Se alguém tem um bom pensamento, sua compaixão age.”

Leia Mais em …

Destaques deste capítulo:

O Samadhi do Luar

A Parábola do Bom Médico e o Icchantika

O Bom Amigo da Via

A Mente Imutável do Buda

O Âmago do Dharma Maravilhoso

A Sina de Bimbisara

« Older entries

%d blogueiros gostam disto: