Ao Tomar Refúgio nos Três Tesouros

“Oh Kashyapa!

Para o seu benefício,
abrirei agora a porta fechada do repositório e erradicarei sua dúvida.
Ouça o que eu digo com todo o seu coração!
Você, e todos vocês Bodhiattvas,
e o sétimo Buda [isto é, o Buda Kashyapa]
possuem o mesmo nome.
Alguém que se refugia no Buda
é um verdadeiro Monge.
Ele já não se refugia em todos os outros deuses.
Alguém que se refugia no Dharma
evita a si próprio de prejudicar os outros.
Alguém que se refugia na Sangha sagrada
não se refugia nos tirthikas.
Ao se refugiar nos Três Tesouros,
atinge-se o destemor.”

Sutra do Nirvana – TOMO I, Capítulo 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

Resposta a William Garcia

A Vida do Buda

A Vida do Buda – click imagem para download.

Em 17/05/12, willian garcia<wgroab@…com> escreveu:

Arigatougozaimassu (agradecido pelo elo).

Olá Marcos,

Parabéns pela finalização do projeto “A vida do Buda”  ?!

Sua visita à Catedral Budista Nikkyoji surtiu inesgotável admiração por sua trajetória, tanto pelos membros, como pelos sacerdotes.

Sinto que preciso apóia-lo de alguma maneira, estou em débito contigo, portanto, preciso saber como posso auxiliá-lo…

Alguma editora se interessou sobre a obra?, quanto ficaria para publicá-la?, você já sondou algum editor?

Esta obra é maravilhosa, e precisamos adequá-la a uma mídia popular, no mais breve possível.

Estou ansioso por suas informações….

Em postura de Gasshô!

NAMUMYOHORENGUÊKYÔ

Arigatougozaimashita

Willian Garcia Ribeiro

Em resposta a William Garcia, em 18/05/2012.

Bom dia William,

Alegra-me saber as impressões deixadas em minha visita à Catedral Budista Nikkyoji. Na verdade, senti a boa acolhida pelos membros e Sacerdotes naqueles dias. Foram momentos de imensa sensação de bem-estar para mim.

Quanto ao livro “A Vida do Buda“, como você disse, é uma obra Maravilhosa, não doutrinária, mas que fascina até os mais cépticos, fazendo-lhes refletir profundamente sobre quanto tempo perderam com suas descrenças.

Não orcei a obra, não sei quanto custaria a sua transformação num livro impresso. Você sabe as razões, né? Mas, já há muitas manifestações de amigos e seguidores do blog Cristal Perfeito, que desejam obter o livro. Quando isso se tornar um desejo sincero de muitos, o recurso aparecerá. Por isso, estou tranquilo.

Nesse momento, você já prestaria grande apoio ao divulgar por ai o trabalho. Pois, a força sedutora dessa incrível história poderá levar muitas pessoas a professar o Budismo. Tenho absoluta certeza disso.

Minhas melhores recomendações a você e familiares.

Grande abraço!

Arigatougozaimashita

Marcos Ubirajara.

A Vida do Buda

Solicito aos amigos que espalhem a notícia deste lançamento. São 270 páginas, ricamente ilustradas, de beleza literária, grandeza histórica e elevação do pensamento jamais vistas; resgatando a memória dos grandes personagens e lugares onde se estabeleceram as bases filosóficas para um mundo justo e igualitário, tão esquecidas nos dias de hoje.

Ficarei muito grato,

Marcos Ubirajara

em 17/05/2012.

A Vida do Buda

A Vida do Buda. Click na imagem para leitura on-line ou download.

Hoje, depois de três dias de chuva e frio, o sol volta a brilhar em Belo Horizonte.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Buda Entra no Nirvana

A noite veio. Os habitantes de Kusinagara (Kushinagar) tinham ouvido que o Mestre estava reclinado sob as duas árvores gêmeas, e foram em grandes multidões para prestar-lhe homenagem. Um velho eremita, Subhadra, apareceu e, curvando-se diante do Mestre, professou sua crença no Buda, na Lei e na Comunidade; e Subhadra foi o último dos fiéis que teve a alegria de ver o Mestre face à face.

A noite era bela. Ananda ficou sentado ao lado do Mestre. O Mestre disse:

“Talvez, Ananda, você pense: ‘Não temos mais um Mestre’. Mas você não deve pensar isto. A Lei permanece, a Lei que eu lhe ensinei; deixe que ela seja seu guia, Ananda, quando eu não estiver mais com você.”

Ele disse novamente:

“Verdadeiramente, oh Monges, tudo o que é criado deve perecer. Nunca deixem de lutar.”

Ele já não estava neste mundo. Sua face era de ouro luminoso. Seu espírito ascendeu aos reinos do êxtase. Ele entrou no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através dos céus.

Próximo às muralhas da cidade, ao amanhecer, os habitantes de Kusinagara construíram uma grande pilha funeral, como se fosse para um rei do mundo, e lá cremaram o corpo do Bem-Aventurado.

Parinirvana do Buda

Parinirvana do Buda em gravura Japonesa do século 17.

Veja também Kushinagar, o Parinirvana do Buda.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Remissão de Ananda

Ananda estava chorando. Ele afastou-se para esconder as suas lágrimas.

Ele pensou: “Pelos muitos erros que cometi, e que ainda não foram perdoados, serei culpado por muito mais erros. Oh, ainda estou longe do objetivo da santidade, e ele que sente piedade de mim, o Mestre, está prestes a entrar no Nirvana.”

O Mestre o chamou de volta, e disse:

Não se aflija, Ananda, não desespere. Lembre-se de minhas palavras: de tudo o que nos encanta, de tudo que amamos, devemos nos separar um dia. Como pode aquele que é nascido ser senão inconstante e perecível? Como pode o que é nascido, como pode o que é criado, durar para sempre? Você me tem honrado muito, Ananda; você tem sido um amigo devotado. Sua amizade foi feliz, e você foi fiel à ela em pensamento, na palavra e na ação. Você tem feito um grande bem, Ananda; continue no caminho correto, e você terá perdoados seus erros passados.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Honra Suprema

Não era a estação da floração das árvores, no entanto, as duas árvores que abrigavam o Mestre estavam cobertas de flores. As flores caiam suavemente sobre o seu leito, e do céu, soavam doces melodias para baixo.

O Mestre disse ao piedoso Ananda:

“Veja: não é estação das flores, mesmo assim essas árvores floriram, e as flores estão caindo sobre mim. Ouça: o ar está alegre com as canções que os Deuses felizes estão cantando no céu em louvor ao Buda. Mas ao Buda é prestada uma honra mais duradoura do que isto. Monges, Monjas, crentes, todos os que vêm a verdade, todos os que vivem dentro da lei, são aqueles que prestam ao Buda a Honra Suprema. Portanto, você deve viver em concordância com a lei, Ananda, e mesmo nos assuntos mais triviais, você deve seguir o caminho sagrado da verdade.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Última Viagem

Ele superou a sua fraqueza e alcançou as margens do Kakutstha. O rio era calmo e puro. O Mestre banhou-se em suas águas límpidas. Após o banho, ele bebeu das suas águas, e então foi para um bosque de mangueiras. Lá, ele disse ao Monge Cundaka:

“Dobre meu manto em quatro, para que eu possa deitar e descansar.”

Cundaka obedeceu alegremente. Ele rapidamente dobrou o manto em quatro e o estendeu ao chão. O Mestre deitou-se, e Cundaka sentou-se ao seu lado.

O Mestre descansou algumas horas. Então, ele partiu novamente, e finalmente chegou em Kushinagar. Lá, às margens do Hiranyavati, ficou num pequeno bosque, agradável e tranquilo.

O Mestre disse:

“Vá, Ananda, e prepare uma cama para mim entre as duas árvores gêmeas. Disponha a cabeceira para o norte. Estou doente, Ananda.”

Ananda preparou a cama, e o Mestre foi e reclinou-se nela.

Kushinagar - Uttar Pradesh

A Torre do Parinirvana em Kushinagar – Uttar Pradesh.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Refeição de Cunda

O Mestre e seus discípulos pararam em Pava, no jardim de Cunda, o ferreiro. Cunda veio e prestou homenagem ao Mestre, e disse-lhe:

“Meu Senhor, conceda-me a honra de tomar sua refeição em minha casa, amanhã.”

Casa de Cunda

Uma Torre foi construída no local provável da casa de Cunda na antiga Pava. Fonte: Wikipedia.

O Mestre aceitou. No dia seguinte, Cunda tinha carne de porco e outras iguarias preparadas para seus convidados. Eles chegaram e tomaram seus assentos. Quando o Mestre viu a carne de porco, ele apontou-lhe e disse:

Ninguém além de mim pode comer aquilo, Cunda; você deve servi-la a mim. Meus discípulos compartilharão das outras iguarias.”

Quando ele já havia comido, disse:

“Enterre fundo no chão aquilo que deixei intocado; somente o Buda pode comer dessa carne.”

Então ele saiu. Os discípulos seguiram-no.

Eles haviam se afastado uma curta distância de Pava quando o Mestre começou a sentir-se abatido e doente. Ananda entristeceu e amaldiçoou Cunda, o ferreiro, por ter oferecido aquela refeição fatal ao Mestre.

“Ananda”, disse o Mestre, “não fique zangado com Cunda, o ferreiro. Grandes retribuições estão reservadas para ele pela comida que ele me serviu. De todas as refeições que já tive, duas são mais dignas de louvor: uma foi a de Sujata, e a outra foi aquela que Cunda, o ferreiro, me serviu.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Sermão de Vaisali

Ele partiu novamente, e chegou a Vaisali. Ele foi cidade afora, esmolando por sua comida de porta em porta. De repente, ele viu Mara de pé diante dele.

“É chegado o momento”, disse o Maligno; “entre no Nirvana, oh Bem-Aventurado.”

“Não”, respondeu o Buda. “Eu sei quando deverei entrar no Nirvana; sei melhor que você, Maligno. Alguns meses mais, e será o tempo. Três meses mais, e o Bem-Aventurado entrará no Nirvana.”

Nessas palavras, a terra tremeu, e um trovão ecoou através do céu: o Bem-Aventurado destruiu a vontade pela qual ainda prendia-se à vida; ele estabeleceu o tempo para a sua entrada no Nirvana. A terra tremeu, e um trovão ecoou através do céu.

Ao anoitecer ele reuniu os Monges de Vaisali, e dirigiu-se a eles:

“Oh Monges, preservem cuidadosamente a sabedoria que eu adquiri, e que lhes ensinei, e trilhem o caminho da retidão, de forma que a vida de santidade possa durar muito, para a alegria e salvação do mundo, para a alegria e salvação dos Deuses, para a alegria e salvação da humanidade. Alguns meses mais, e minha hora chegará; três meses mais, e entrarei no Nirvana. Eu irei e vocês ficarão. Mas nunca deixem de lutar, oh Monges. Aquele que não vacila no caminho da verdade evita o nascimento, evita a morte para sempre, e evita o sofrimento para sempre.”

Imagem na Torre do Buda em Vaisali

Imagem na Torre do Buda em Vaisali. Fonte: Wikipedia.

No dia seguinte, ele novamente perambulou pela cidade, à busca de esmolas; então, com alguns discípulos, ele pegou a estrada a caminho de Kusinagara, onde ele decidira entrar no Nirvana.

A Torre do Buda em Vaisali

A Torre do Buda em Vaisali. Fonte: Wikipedia.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Sermão de Bailva

Ele cruzou o rio. Partiu para Vaisali, mas na aldeia de Bailva ele ficou gravemente doente. Sofreu dores intensas. Ananda chorava, pois pensava que o Mestre estava morrendo. Mas o Mestre lembrou os muitos discípulos que ele ainda tinha que visitar; ele não queria entrar no Nirvana até que lhes tivesse dado as instruções finais. Pela força da sua vontade, ele superou a doença, e a vida não lhe abandonou. Ele recuperou-se.

Quando sentiu-se bem de novo, ele saiu da casa que havia lhe dado abrigo, e tomou um assento que havia sido preparado para ele próximo à porta. Ananda veio e sentou-se ao seu lado.

“Meu Senhor”, disse ele, “vejo que você recuperou a sua saúde. Quando lhe vi tão doente, faltou-me força; estava fraco. Houve momentos em que eu não assimilava que o Mestre estava doente. Ficava tranquilo, pois lembrava que você ainda não havia revelado as suas intenções com relação à comunidade, e sabia que você não entraria no Nirvana sem antes revelar-lhes.”

O Buda em Bailva

O Buda em Bailva

O Bem-Aventurado proferiu essas palavras:

“O que mais a comunidade deseja de mim, Ananda? Já estabeleci a doutrina, e já a preguei; não há um simples detalhe que eu não tenha exposto! Aquele que pensa: ‘eu quero governar a comunidade’, revela as suas intenções com relação à comunidade. O Bem-Aventurado, Ananda, nunca pensa: ‘eu quero governar a comunidade’. Por que então ele revelaria as suas intenções? Sou um homem velho, Ananda; meus cabelos estão brancos, e tornei-me fraco. Sou um velho de oitenta anos; cheguei ao fim da estrada. Sejam agora, cada um de vocês, a sua própria tocha; não recorram a ninguém para trazer-lhes luz. Aquele que é sua própria tocha, após eu ter deixado o mundo, mostrará que ele compreendeu o significado das minhas palavras; será meu verdeiro discípulo, Ananda; ele saberá a maneira correta de viver.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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