Sem Recebimento e Sem Ganância

Sutra:

Subhuti, um Bodhisattva pode preencher sistemas de mundos iguais em número às areias do Rio Ganges com as sete gemas preciosas e oferecê-las como uma doação. Mas se uma outra pessoa soubesse que todos os dharmas são destituídos do ‘eu’ e aperfeiçoasse a paciência, os méritos e virtudes desse Bodhisattva superariam aqueles do Bodhisattva anterior. E por quê? Subhuti, é porque Bodhisattvas não recebem bênçãos e virtudes”.

Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, como é que Bodhisattvas não recebem bênçãos e virtudes?”

“Subhuti, uma vez que Bodhisattvas não podem ser avidamente apegados às bênçãos e virtudes que eles nutrem, diz-se que eles não recebem bênçãos e virtudes”.

Comentário:

Mas se uma outra pessoa viesse a saber que todos os dharmas são destituídos do ‘eu’. Todos os dharmas incluem todos os Budadharmas. Concisamente, eles incluem as quatro (nobres) verdades, as doze condições causais, os seis paramitas, as seis raízes, as seis poeiras, os doze lugares, e os dezoito reinos. Se alguém sabe que aqueles vários dharmas são destituídos do ‘eu’, ele não se apega às marcas do ‘eu’ ou das coisas, porque ele sabe que ambos, pessoas e dharmas, são destituídos do ‘eu’. Sem o apego ao ‘eu’ e sem o apego aos dharmas, o apego à vacuidade também desaparece. Nesse momento ele desenvolve a paciência da não-produção de dharmas. Ao certificar-se para a paciência da não-produção de dharmas, não se vê mais o menor dharma produzido ou extinto através dos três reinos. Embora essa paciência possa ser experimentada, ela não pode ser descrita.

Se você não vê sequer o menor dharma produzido e não vê sequer o menor dharma extinto, isto significa que não existem dharmas? Isto é correto. Originalmente não existem dharmas. Mas nenhum dharma ainda inclue todos os dharmas. Palavras não podem expressar a que se refere a paciência da não-produção de dharmas. A frase: soubesse que todos os dharmas são destituídos do ‘eu’ e aperfeiçoasse a paciência é o ponto mais importante denotado no Sutra Diamante. Por que um Bodhisattva meramente ao saber que todos os dharmas não possuem um ‘eu’ e alcança a paciência tem mais méritos e virtudes que um Bodhisattva que doa uma vasta quantidade de riquezas? É porque Bodhisattvas não recebem bênçãos e virtudes. Em outras palavras, Bodhisattvas nem se apegam ao recebimento de bênçãos e virtudes, e nem se apegam a não ter bênçãos e virtudes. Não é necessário que os atos que geram bênçãos e virtudes feitos por um Bodhisattva tenham forma ou aparência. Um Bodhisattva não deve tornar-se avidamente apegado e dizer: “Eu promovi essas bênçãos. Eu realizei aquelas ações virtuosas”.  Ele não deve ter tais apegos. Quando um Bodhisattva não se apega a nada, o que há para receber ou não receber? Basicamente, não há recebimento ou ausência de recebimento. Assim o sutra diz: “Bodhisattvas não recebem bênçãos”.

Sutra Diamante – Capítulo 28 – Sem Recebimento e Sem Ganância.

Original

A Fugacidade dos Pensamentos

Sutra:

“Subhuti, o que você pensa? Se todos os grãos de areia em um Rio Ganges se transformassem em igual número de Rios Ganges, e todos os grãos de areia em todos aqueles Rios Ganges se transformassem em igual número de Terras Búdicas, elas seriam muitas?”

“Muitas, Honrado pelo Mundo”.

O Buda disse a Subhuti: “Todos os muitos pensamentos que ocorrem em todos os seres viventes em todas aquelas Terras Búdicas são completamente conhecidos pelo Tathagata. E por quê? Todos os pensamentos são pregados pelo Tathagata como nenhum pensamento, porquanto eles são chamados pensamentos. Por que razão? Subhuti, o pensamento passado não pode ser alcançado (capturado), o pensamento presente não pode ser alcançado, e o pensamento futuro não pode ser alcançado.”

Comentário:

O Buda então empregou uma analogia na qual cada grão de areia no Rio Ganges fosse transformado em um Rio Ganges, e cada grão de areia em cada um daqueles Rios Granges fosse transformado em uma Terra Búdica. Então ele afirmou que o Tathagata conhece o que está acontecendo nas mentes de todos os seres viventes em todas aquelas Terras Búdicas.

Por quê?

Todos os pensamentos são pregados pelo Tathagata como nenhum pensamento. Todos os pensamentos refere-se ao que está ocorrendo nas mentes de todos os seres viventes. Nenhum pensamento significa que eles não são o verdadeiro coração. Porquanto eles são chamados pensamentos significa que eles são apenas os pensamentos comuns que ocorrem nas mentes das pessoas, nada mais.

Por quê? “Subhuti”, disse o Buda, “estabelecerei isto mais simplesmente. O que você chama de passado já passou. O passado não permanece. Tão logo você fale do presente ele já passou, dessa forma ele também não permanece. O que você se refere como futuro ainda não chegou, e assim ele também não pode ser alcançado. Aqueles três tipos de pensamentos nas mentes dos seres viventes são em última instância inalcançáveis. O Tathagata conhece completamente os pensamentos nas mentes de todos os seres viventes. Se você não se apoiar em condições, então os três tipos de pensamento não podem ser alcançados”.

Sutra Diamante – Capítulo 18 – Uma Substância Considerada como Idêntica.

Original

Os Olhos Búdicos

Sutra:

Subhuti, o que você pensa? O Tathagata possui o olho carnal?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. O Tathagata possui o olho carnal.”

“Subhuti, o que você pensa? O Tathagata possui o olho celestial?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. O Tathagata possui o olho celestial.”

“Subhuti, o que você pensa? O Tathagata possui o olho da sabedoria?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. O Tathagata possui o olho da sabedoria.”

“Subhuti, o que você pensa? O Tathagata possui o olho do dharma?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. O Tathagata possui o olho do dharma.”

“Subhuti, o que você pensa? O Tathagata possui o olho do Buda?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. O Tathagata possui o olho do Buda.”

“Subhuti, o que você pensa? O Tathagata falou dos grãos de areia no Rio Ganges?”

“Assim é, Honrado pelo Mundo. O Tathagata falou daquela areia.”

Comentário:

O Buda Shakyamuni novamente chamou Subhuti e indagou: “O Tathagata possui o olho carnal?” O olho carnal referido não é o olho ordinário das pessoas comuns, mas sim um dos cinco olhos. Por que lhe é dado o nome de olho carnal?

É chamado olho carnal porque ele pode ver objetos tangíveis e também objetos que são destituídos de forma ou marcas. Os olhos comuns podem ver pessoas, mas eles não podem ver fantasmas e espíritos. Todavia, com o poder do olho carnal, pode-se fechar os olhos comuns e continuar a ver pessoas. Ainda mais, o olho carnal pode examinar pessoas nos mínimos detalhes, tomando nota de quaisquer marcas distintivas como manchas ou marcas de nascência. O alcance do olho carnal é muito maior que aquele dos olhos comuns. Ele pode ver qualquer objeto dentro de um raio de cinco milhas sem qualquer obstrução.

O olho celestial, por outro lado, pode ver claramente através dos céus. Deuses podem ser vistos a jantar ou sentados em meditação, e pode-se observar outros eventos que ocorrem nos céus. O olho celestial não percebe objetos materiais (tangíveis) tais como pessoas, mesas, flores e similares.

O olho carnal, o olho celestial, o olho do Buda, o olho da sabedoria, e o olho do dharma estão localizados em sua cabeça. O olho carnal e o olho celestial encontram-se em lados opostos de sua testa. Quando os seus cinco olhos estiverem abertos e você puder utilizá-los, você mesmo conhecerá as suas posições.

“Já podemos ver todo o trajeto da lua através do uso de telescópios”, dirão alguns.

Com o uso do olho celestial você não necessita de um telescópio. Todas as coisas nos céus, todas as coisas na lua, e todas as coisas nas estrelas podem ser vistas diretamente de onde você estiver. Os cientistas agora realizam experiências no sentido de expandir os seus poderes de observação. Nós não fazemos experiências. Apenas aprendemos a entrar em Samadhi e então todas as coisas podem ser vistas muito claramente. O poder do olho celestial é muito útil no estudo da astronomia. Mas você não pode capitalizar (obter ganhos sobre) aquela habilidade se você adquirir o seu uso. Embora o olho celestial seja uma gema preciosa, ele não pode ser vendido. Se você vê algo com o olho celestial e tentar divulgar as suas descobertas, seu olho celestial automaticamente desaparecerá. É simplesmente maravilhoso. O olho celestial não pode ser usado para obter lucros, nem pode ser usado para adquirir poder sobre as pessoas. Se você disser coisas como: “Você tem que prestar mais atenção em mim. Eu conheço coisas que você não conhece”, você tem um defeito, e seu olho celestial rapidamente desaparecerá.

“Por quê”, você pergunta, “o olho celestial funciona dessa maneira?”

Arrogância é apego ao ‘eu’. A razão de um Bodhisattva ser capaz de conduzir seres viventes à travessia sem que haja uma marca dos seres viventes, ou marca de conduzi-los à travessia, é porque ele não tem apego ao ‘eu’. Se você obtém o poder de qualquer dos cinco olhos e então se gaba sobre aquela conquista dizendo: “eu tenho o olho celestial, você não tem”; então você não tem a estatura devida. Se originalmente você podia ver claramente com o olho celestial, você (agora) verá um pouco menos claramente como resultado do seu apego ao ‘eu’. Se você não vê claramente mas ainda é arrogante sobre a pouca realização que obteve, então você perderá totalmente qualquer poder que tenha alcançado. Há exatamente essa razão direta entre o poder dos cinco olhos e o apego ao ‘eu’. Portanto, é essencial compreender o Budadharma, pois se você não o faz, é possível cometer graves enganos.

Subhuti, o que você pensa? O Tathagata possui o olho da sabedoria?” O olho da sabedoria permite que se saiba em um piscar de olhos se algo está correto ou errado, se é verdadeiro ou falso. Uma pessoa estúpida confunde o que é falso com o que é verdadeiro, e o que é verdadeiro com o que é falso. Uma pessoa sábia sabe o que é verdadeiro e o que é falso, e não se engana. Todos precisam estudar o Budadharma a fim de desenvolver o olho da sabedoria.

Sutra Diamante – Capítulo 18 – Uma Substância Considerada como Idêntica.

Original

A Semeadura de um Bodhisattva

Um Bodhisattva que se compromete a empreender práticas que sejam meritórias e virtuosas deve proceder sem hesitação para fazer aquilo. Sementes plantadas no campo proverão no futuro uma colheita. Não há benefício na especulação sobre o tamanho da safra. A atenção deve somente estar voltada para o plantio e cultivação do campo. Se cuidados forem tomados e as condições da terra, água e vento forem favoráveis, então as plantas crescerão. Se o campo nunca for plantado, porém, nenhuma produção poderá ser esperada. Apenas daquela maneira um Bodhisattva conduz seres viventes à travessia para a outra margem, sem realmente conduzir qualquer ser vivente à travessia. Um Bodhisattva não despende energia preocupando-se com o resultado, ele apenas faz seu trabalho.

Sutra Diamante – Capítulo 18 – Uma Substância Considerada como Idêntica.

Original

O Grande Corpo de uma Pessoa

Sutra:

“Subhuti, é como o grande corpo de uma pessoa”.

Subhuti disse: Honrado pelo Mundo, o grande corpo de uma pessoa é pregado pelo Tathagata como nenhum grande corpo, porquanto é chamado um grande corpo”.

“Subhuti, um Bodhisattva também é assim. Se ele dissesse: ‘Eu devo conduzir inumeráveis seres viventes à travessia para a extinção’, então ele não seria chamado um Bodhisattva. E por quê? Subhuti, não há realmente um dharma chamado Bodhisattva. Por essa razão o Buda pregou todos os dharmas como destituídos do ‘eu’, destituídos dos outros, destituídos dos seres viventes, e destituídos de uma vida”.

“Subhuti, se um Bodhisattva dissesse: ‘Eu adornarei as Terras Búdicas’, ele não seria chamado um Bodhisattva. E por quê? O adorno das Terras Búdicas é pregado pelo Tathagata como nenhum adorno. Porquanto é chamado adorno. Subhuti, se um Bodhisattva compreende que todos os dharmas são destituídos do ‘eu’, o Tathagata o chama de um verdadeiro Bodhisattva.

Comentário:

“Agora, Subhuti, por que eu disse que todos os dharmas são não dharmas, mas são apenas chamados dharmas? Eu lhe darei um exemplo: é como o grande corpo de uma pessoa”.

Subhuti ouviu o Buda dizer essas palavras e compreendeu que o Tathagata estava falando do corpo do dharma. Ele respondeu: “O grande corpo pregado pelo Tathagata é nenhum grande corpo”. O corpo do dharma é destituído de marcas, e desde que ele não possui marcas, não se pode chamá-lo de grande corpo. Porquanto é chamado um grande corpo. Se utiliza-se de um falso nome, pode-se chamá-lo de um grande corpo, e isso é tudo.

O Buda Shakyamuni novamente chamou Subhuti e disse: “Um Bodhisattva também é assim”. Se ele possui um eu e depende da palavra ‘Eu’ tal que diga: “Eu levarei os seres viventes à travessia e libertá-los-ei”, então ele não é um Bodhisattva.

“Subhuti, se um Bodhisattva diz: ‘Eu adornarei as Terras Búdicas’, então ele não é chamado Bodhisattva. Por quê? Ele ainda tem um apego ao eu, e ao adorno: ‘Eu sou alguém que pode adornar. A Terra Búdica é aquilo que eu adorno’. Na medida em que ele se apega ao sujeito e ao objeto, ele não realiza a vacuidade da marca do eu”.

Bodhisattvas conduzem seres viventes à travessia e não se apegam à marca dos seres viventes. Não somente eles não se apegam à marca dos seres viventes, como eles também não se apegam à marca de um Bodhisattva. O Bodhisattva em si é também a marca dos seres viventes. Assim, não se apegar ao eu é também não se apegar aos seres viventes. Quando um Bodhisattva adorna as Terras Búdicas, não há nem quem possa adornar e nem aquilo que é adornado. Quando for feito, estará feito. Não é necessário nutrir pensamentos do mérito obtido.

Quando uma pessoa comum realiza ações meritórias ela torna-se apegada ao sujeito e objeto: “Eu realizei aquelas ações meritórias. Ele é o beneficiário das minhas boas ações”. Essa é a maneira como as pessoas comuns pensam.

Bodhisattvas devem adornar as Terras Búdicas sem o pensamento de adorná-las. Isto não quer dizer que eles não devam adornar as Terras Búdicas. Significa que eles devem adorná-las como se eles nada tivessem feito.

Adornar uma Terra Búdica é fazer com que o país de um Buda seja especialmente belo. Nossos oferecimentos de flores, frutos e incenso aos Três Tesouros são adornos das Terras Búdicas. Isto não quer dizer que você não deva adornar as Terras Búdicas. Significa que você deve adorná-las, e no entanto não adorná-las. Oferecimentos aos Três Tesouros de flores, frutos e incenso também servem como adornos para as Terras Búdicas.

Do ponto de vista da verdade comum, existe o adorno da Terra Búdica. Do ponto de vista da verdade real, não existe adorno. Se visto da doutrina que é perfeitamente una e sem obstrução, o adorno é meramente um nome e nada mais. Assim é dito:

Dentro dos portais da obra do Buda

nenhum dharma é rejeitado.

Na natureza da verdadeira talidade

não há um único grão de pó.

Dentro dos portais do Estado de Buda não há dharma que não seja Budadharma. Cada dharma que se considera é Budadharma. No entanto, na natureza da verdadeira talidade nem mesmo o menor grão de pó está estabelecido. Se um Bodhisattva pode compreender o estado no qual todos os dharmas não possuem um eu, então o Tathagata o chama de um autêntico Bodhisattva.

Sutra Diamante – Capítulo 17 – Em Última Análise, Não Há Um Eu.

Original

Em Última Análise, Não Há Um Eu

Sutra:

Então Subhuti disse ao Buda: “Honrado pelo Mundo, se um bom homem, ou uma boa mulher, devota seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi, como ele deve viver, como ele deve subjugar o seu coração?”

O Buda disse a Subhuti: “Um bom homem, ou uma boa mulher, que tenha devotado o seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi deve pensar assim: ‘Eu devo levar todos os seres viventes à travessia para a extinção. No entanto, mesmo quando todos os seres viventes tenham sido levados à travessia para a extinção, não haverá de fato um único ser vivente que tenha sido levado à travessia para a extinção’. E por quê? Subhuti, se um Bodhisattva tem uma marca do eu, uma marca dos outros, uma marca dos seres viventes ou a marca de uma vida, então ele não é um Bodhisattva. Por que razão? Subhuti, de fato não há um dharma de devoção do coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi.”

“Subhuti, o que você pensa? Enquanto o Tathagata estava com o Buda Tocha Ardente, havia qualquer dharma do Anuttara-Samyak-Sambodhi atingido?”

“Não, Honrado pelo Mundo. (De acordo) como eu entendo o que o Buda tem dito, enquanto o Buda estava com o Buda Tocha Ardente não havia Anuttara-Samyak-Sambodhi atingido”.

Comentário:

Quando Subhuti ouviu o Buda louvar o inconcebível mérito e virtude do sutra e a retribuição igualmente inconcebível resultante de receber, ostentar, recitar e falar o sutra para outros, ele indagou: “como podem todos os bons homens e boas mulheres que tenham devotado seus corações à Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta capacitarem seus corações a não residir em lugar algum? Como eles podem apartarem-se das marcas e subjugar seus corações?”

Numa seção anterior do texto, Subhuti havia indagado a mesma questão ao Buda. Naquele momento, Subhuti estava de fato indagando como ele próprio poderia devotar o seu coração ao Anuttara-Samyak-Sambodhi. Era para o seu próprio benefício. Agora ele está indagando como todos os seres viventes em toda a parte podem devotar seus corações ao Anuttara-Samyak-Sambodhi, como podem domar seus corações, e onde seus corações devem residir.

O Buda respondeu que as pessoas que tenham devotado seus corações à Insuperável, Própria e Plena, Iluminação Correta devem levar todos os seres viventes à travessia para a extinção – resgatar e libertar todos os seres viventes tal que possam realizar a Via do Buda. Mas, o Buda ainda salienta: após ter-lhes levado à travessia para a extinção, um Bodhisattva não deve reconhecer quaisquer seres viventes como tendo sido levados à travessia. Ele não tem qualquer apego. Se um Bodhisattva diz: “Eu sou capaz de levar os seres viventes à travessia para a extinção”, ele tem a marca do eu. Se ele diz: “eu posso levar outros à travessia”, ele tem a marca dos outros. Com um ‘eu’ a levar ‘outros’ à travessia, a marca dos seres viventes surge. Uma vez que há distinção entre a iluminação própria de alguém e a iluminação dos outros, então há a marca de uma vida. Todavia, não há alguém que leve os seres à travessia, nem há quaisquer seres viventes que sejam levados à travessia, nem há uma ação de levá-los. Não se deve então estar apegado a tais marcas. Se há apego, então não apenas não se atingiu a vacuidade dos dharmas, como não se atingiu também a vacuidade das pessoas, e não se é um Bodhisattva.

Sutra Diamante – Capítulo 17 – Em Última Análise, Não Há Um Eu.

Original

Os Sustentáculos do Trabalho do Buda

Ele é pregado pelo Tathagata para aqueles que se propuseram ao Grande Veículo. O Tathagata não pregou o sutra para Ouvintes do pequeno fruto. Foi em prol de pessoas que inicialmente eram Bodhisattvas do Grande Veículo que o sutra foi pregado.

Aqueles que se propuseram ao Grande Veículo (ou Veículo Supremo). O sutra não foi proferido apenas para aqueles que se propuseram à Via do Bodhisattva, mas também para aqueles que miravam diretamente a Via do Buda e queriam levar multidões de seres viventes à travessia – isto é, para aqueles do mais elevado e insuperável Veículo do Buda.

Se uma pessoa recebe, ostenta, lê, recita e preleciona o sutra para outros, o Tathagata vê e conhece tal pessoa através do poder do olho celestial. Essa pessoa obtém inexprimível mérito e virtude e sustenta o trabalho do Buda. Ela pode obter o Anuttara-Samyak-Sambodhi, a Insuperável, Própria e Plena Iluminação Correta.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

Original

A um Passo da Sabedoria

Um Bodhisattva quando não é apegado ao praticar a doação é como um homem à luz do dia. Ao cultivar a doação incondicionada ele produz um fruto que não tem fluxo (resultado), isto é, verdade, sabedoria real. A luz do dia representa a sabedoria, através da qual se torna capaz de ver as coisas claramente.

Se houver uma pessoa no futuro que possa receber o Sutra Diamante em seu coração e praticá-lo com o seu corpo, que possa respeitosamente ostentá-lo, que possa lê-lo em um livro, ou que possa recitá-lo de memória, o Tathagata saberá completamente desse cultivo e verá completamente aquela pessoa.

Aquela pessoa alcançará ilimitado e incomensurável mérito e virtude. Onde é que mais mérito e virtude podem ser encontrados? Nenhum lugar. Não seja apegado. Se você se tornar apegado, você não o encontrará em lugar algum. Se você não se tornar apegado, ele estará logo ali.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

A Retribuição da Doação Condicionada

Se o Bodhisattva ao cultivar a Via considerar necessário apegar-se aos dharmas condicionados, sua doação permanecerá dentro dos limites do apego às marcas. Tal doação condicionada pode apenas conquistar o nascimento nos céus ou o renascimento em meio aos humanos como sua retribuição.

Doação condicionada que colhe uma bênção celestial

assemelha-se a brandir uma espada no espaço vazio;

assim como quando o braço cansa e a espada deve cair,

vidas posteriores falharão em sustentar tais alturas (dos céus).

Aqueles que apenas sabem como cultivar bênçãos e não sabem como cultivar a Via, descerão em meio aos humanos quando sua recompensa celestial terminar, e serão compelidos a suportar mais sofrimento. Doação que tem fluxo (resultado) não colhe a recompensa ultimada.

O apego às marcas na doação é análogo a um homem num lugar tão escuro que ele não pode ver algo. Embora a doação condicionada com apego às marcas possa garantir um renascimento nos céus, ela não pode ajudar alguém a obter sabedoria. Sem verdade, sem sabedoria real, não há luz, e a ausência de luz é comparável à escuridão experimentada pelo homem na analogia. Tal pessoa será incapaz de ouvir o Budadharma.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

Original

Verdadeira Vacuidade e Existência Maravilhosa

Sutra:

“Subhuti, o dharma obtido pelo Tathagata é nem verdadeiro e nem falso.”

“Subhuti, um Bodhisattva cujo coração reside (persiste) nos dharmas quando ele pratica a doação (quando os concede) é como um homem que entra na escuridão, que não pode ver uma coisa. Um Bodhisattva cujo coração não reside nos dharmas quando ele doa é como um homem com olhos na luz do sol, que pode ver todos os tipos de forma.”

“Subhuti, no futuro, se um bom homem, ou uma boa mulher, puder receber, ostentar, ler e recitar esse sutra, então o Tathagata, através de toda a Sabedoria-Búdica, conhecerá e verá completamente aquela pessoa. Aquela pessoa alcançará ilimitado e incomensurável mérito e virtude.”

Comentário:

O dharma real que o Tathagata obteve é verdadeiro, sabedoria real, nem verdadeiro nem falso. O dharma é Verdadeira Vacuidade, destituído de substância existente real. Nem falso significa que embora o dharma não possua substância, dentro da verdadeira vacuidade está contida a Existência Maravilhosa da Marca Real. Como o dharma é existência maravilhosa, também é dito não ser vazio. A verdadeira vacuidade não obstrui a existência maravilhosa, a existência maravilhosa não obstrui a verdadeira vacuidade. Assim, o dharma é nem verdadeiro nem falso.

Isso significa que não há apego às marcas. O abandono do apego às marcas é o princípio da Verdadeira Vacuidade e Existência Maravilhosa.

Sutra Diamante – Capítulo 14 – Extinção Tranquila Isenta de Marcas.

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