Meditando sobre ‘Pés’

Todos os temos! Até aqueles alados, que podem voar. Daqueles que nadam, são feitos nadadeiras. Não há seres viventes sem ‘pés’, exceto os que rastejam. Então, não pode haver vida sem chão, sem ares e águas onde possamos nos apoiar. Pense!

Chão, ares e águas a se oporem a todos os movimentos dos que vivem, e não há como separar a parte que se opõe, da parte que nos impele. A mesma água, chão e ar da resistência ao nosso deslocar, são apoio das braçadas, passos e bater de asas a nos impelirem. Sim, a nos projetarem para o tempo futuro, o amanhã.

Quer saber sobre o futuro? Será o quê aqueles passos que você deu ali atrás determinaram. O chão era o mesmo que apoiava os passos daquele que, hoje, você diz ter mais sorte. O chão era o mesmo. Os passos foram os que você escolheu. A “sorte” não está na colheita, mas no plantio! Observe como sempre há ‘Caminhos’ e ‘Caminhadas’ na retórica dos mais Honrados pelo Mundo!

Em 07/08/2020.

Eu e o Robô

O mundo tem que voltar a ser Humano, com sua lógica não-procedural, ou ele acaba!

Por que?

Porque somos a imperfeição, aquele termo anarmônico no modelo (do oscilador harmônico) que pretendeu explicar a fenomenologia universal; somos a distorção no espaço-tempo, somos fluxo.

Quando a lógica procedural das máquinas vier a predominar sobre as ações humanas, todos os fluxos cessarão, e será o ocaso da vida planetária, como tem ocorrido em outros sistemas de mundos.

Humanos, ainda há tempo!

Namu-Myoho-Rengue-Kyo!

Marcos Ubirajara Em 28/04/2020.

O Inferno

Você ainda não sabe onde é o Inferno?

Veja, somente em minha residência, milhares de seres morrem pisoteados diariamente, porque não os vejo, ou os ignoro em sua luta pelo alimento vital. Ainda, de vez em quando, os enveneno para meu conforto e segurança.

No “Diário de um Tolo”, o interlocutor fala de um país distante, a oeste dali onde ele se encontrava, e que se chama “Ingratidão”, palco da história então relatada.

Está mais claro agora onde se situa o Inferno, ou ainda não sabe?

Por que Tudo Isto

Oh, Orroz! Você me indaga por que tudo isto?

Digo-lhe que é porque você perdeu a compostura devida a um magistrado, em primeiro lugar. Ato contínuo, perdeu a compostura devida a um humano, seja da alta ou da mais baixa casta, ao despojar sua alma pelo poder mundano.

Aqui, Orroz, neste Tribunal da Equanimidade, este é um crime de grau superlativo, que reclassifica todos os demais crimes possíveis como meros meios expedientes de um serviçal do Reino Obscuro; e isto já está estampado em suas “caras e bocas”, em sua postura insolente ao tomar assento na Casa do Povo daquele país distante, que fica a oeste daqui, e que se chama Ingratidão.

Basta, Orroz!

“Aquela gente aprenderá a ficar de pé, ironicamente por causa de ti”.

Por que as aspas? Porque essa é a sua sentença!

A Lenda de ORROZ

Orroz em “O Diário de um Tolo

Nas Próximas Eleições 2014, Diga NÃO ao ERRO!

erroErro em direito é um vício no processo de formação da vontade[1], em forma de noção falsa ou imperfeita sobre alguma coisa ou alguma pessoa. É importante ressaltar que no erro o indivíduo engana-se sozinho. Ele não é vítima de artifício ou expediente astucioso por parte de outrem. Se o for, configura-se dolo[2].


 

[1] Temos aqui o ‘skandha’ decorrente do ‘contato – matéria, forma’, ‘sentimento’, ‘percepção’, e ‘volição – compulsão’; todos concorrentes para a formação da ‘consciência’. Antes de ‘errar’, consulte a ‘consciência’.

[2] Dolo ocorre quando o indivíduo age de má-fé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiar-se de algo.

O Diário de um Tolo

A Volta Final

ORROZ, você disse: “As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STI – Supremo Tribunal da Iniquidade conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade”, a respeito de seu antecessor. O que diz agora diante do espelho das verdades imutáveis, e diante deste Tribunal da Equanimidade?

Oh, ORROZ ! Quando o dedo em riste aponta para o acusado, o polegar aponta para os céus (de onde se aguarda a justiça), e os outros três apontam para si.

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Conteúdo

02/05/2014 – O Cenário 7

Ato I – Antes do Rolê 9

27/01/2014 – A Charada 11
27/01/2014 – A Lenda de ORROZ 11
28/01/2014 – Visão Distorcida 12
29/01/2014 – O Espelho das Verdades Imutáveis 12
29/01/2014 – O Direito de Defesa 13
30/01/2014 – Pelos Campos do País 13
29/01/2014 – O Domínio dos Fatos 14
29/01/2014 – O Gozo das Aparências 15
31/01/2014 – O Rolê de ORROZ 16
02/02/2014 – A Armadilha da Presunção 17
04/02/2014 – O Tribunal do Horror 18

Ato II – Depois do Rolê 19

05/02/2014 – A Vacuidade dos Fenômenos 21
09/02/2014 – O Fator Tempo 21
10/02/2014 – A Senhora dos Olhos Vendados 22
13/02/2014 – Equanimidade 23
13/02/2014 – A Razão Última do Debate 24
15/02/2014 – OTNOT 25
18/02/2014 – Sobre a Boa Lei 26
19/02/2014 – O Cabo das Tormentas 27
19/02/2014 – A Cidadela 28

Ato III – O Outro Lado 29

20/02/2014 – O Outro Lado 31
21/02/2014 – O Dharma da Equanimidade 32
25/02/2014 – A Farsa Desnudada 33
25/02/2014 – De Volta ao Caminho Médio 34
27/02/2014 – Em Tempos de Carnaval 35
28/02/2014 – A Imagem do Alazão 35
10/03/2014 – A Trilha à Esquerda 38
10/03/2014 – O Corpo e a Sombra 40
25/03/2014 – As Fases da Sombra 41

Ato IV – De Volta ao Ostracismo 43

25/04/2014 – A Hipótese da Dualidade 45
06/05/2014 – Os Túneis para o Céu 46
13/05/2014 – O Efeito Túnel 47
14/05/2014 – A Trilha à Direita 48
14/05/2014 – O Sétimo Túnel 49
15/05/2014 – O Duplo Mágico 51
21/05/2014 – O Agente Fotosensitizante 52
23/05/2014 – O Turfe em Copa 53
11/06/2014 – A Volta Final 54

O Turfe em Copa

O Turfe em Copa[1]

E assim, via-se ORROZ girando nas três raias. Na raia 1 parecia alado, feito de cristal; na raia 2 parecia empacado, prisioneiro de suas próprias visões; na raia 3, aquela dos seis mundos, fulgurava sob os raios do sol escaldante de Samsara e, cada vez que puxado pelas rédeas da reflexão, relinchava um ‘não’ acentuado pelo reluzir de um dente de ouro. Tudo isto, aos olhos dos sábios que secretamente sabem quem vencerá. Quanto aos mortais comuns, poderão arriscar seus palpites aqui.


 

[1] Aqui com o sentido de ‘fechar-se em copa, calar-se amuado’. – em http://www.dicio.com.br/copa/

O Agente Fotosensitizante

ORROZ

Positivamente, ORROZ pode se apresentar em várias raias, bem como a maioria dos seres humanos. No seu caso, por ser um agente fotosensitizante[1], pode se desdobrar num tripleto[2] quando em estado de excitação elevada por fatores externos.

Apresenta-se na raia dos seis mundos trajado nas ilusões e com os skandhas à flor da pele, onde giram os mortais comuns sem nunca escaparem; apresenta-se na raia da erudição onde veste uma toga, mas é prisioneiro de suas próprias visões, onde residem os artistas, intelectuais, clérigos em geral, monges e monjas do pequeno veículo; e apresenta-se na raia superior onde aspira ao lugar dos iluminados[3] e, agora como uma onda, pretende projetar-se no futuro distante.

Observa-se que em todas as suas aparições o tripleto de ORROZ se revela, às vezes com destaque em uma das raias, mas sempre o tripleto. Daí a certeza de ser um agente fotosensitizante, pois nunca é visto na ausência dos holofotes; e se assim o for deverá ser como a sombra na completa escuridão, visível apenas pelos olhos dos sábios.


 

[1] Os agentes fotosensitizantes são substâncias geralmente no estado singleto, ou levadas ao estado singleto, e que, quando excitadas pela energia dos fótons de luz, vão ao estado tripleto.

http://sbccp.netpoint.com.br/ojs/index.php/revistabrasccp/article/viewFile/168/160

[2] Em Física Atômica – Multipleto – raia espectral que se pode subdividir em componentes muito próximos uns dos outros. Origina-se de transições eletrônicas em que os spins dos elétrons alteram ligeira e complicadamente os níveis de energia. Quando o multipleto é formado por duas raias, é um dubleto; quando tem três raias, é um tripleto, etc.

Em Física Nuclear – conjunto de partículas elementares que têm o mesmo número bariônico, massas aproximadamente iguais, mas diferem pela carga elétrica. Quando a família tem apenas dois membros, constitui um dubleto (por exemplo, o próton e o nêutron ); quando tem três membros, é um tripleto ( por exemplo, os mésons pi-mais, mésons pi-menos e pi-zero). Se só há uma partícula na família, ela é um singleto ou singuleto ( por exemplo, a partícula lâmbda).

Fonte: http://www.cepa.if.usp.br/energia/energia2000/turmaA/grupo6/SINGLETO.HTM

[3] Esses, com suas mentes já aquietadas, não mais se excitam como os demais diante das provocações, lisonja e outros apelos de Mara.

 

O Duplo Mágico

ORROZ

O sétimo túnel, da erudição, e o oitavo, da absorção, são como se fossem um, não há um intermédio entre eles, e representam o primeiro dos Três Veículos. Para os iluminados eles são uma linha reta, mas para os arrogantes ensimesmados são como um labirinto. Esse estado, ao mesmo tempo em que rechaça todo e qualquer tipo de impureza, comportando-se como uma barreira potencial impenetrável, aprisiona todo e qualquer tipo de pureza autocentrada, autóctone, que se cultiva em si e para si próprio, comportando-se como uma cidadela inescapável. A situação de ORROZ é como segue:

 

  • se praticar o que é impuro, mesmo em pensamento, será rechaçado de volta para os seis mundos inferiores;
  • se praticar o que é puro, mas por razões egoísticas ou em detrimento do Dharma da Equanimidade, ficará preso;
  • se praticar o verdadeiro altruísmo utilizando-se de suas melhores habilidades, poderá subir.

 

Misticamente, todas essas práticas poderão ocorrer de forma simultânea, e isso se denotará por uma agitação em todas as direções na vida daquela pessoa.

 

O Sétimo Túnel

ORROZ

Ao sair do sexto túnel[1], ORROZ encontrou uma grande tempestade: ventos, neve, folhas mortas, árvores caídas, seres desabrigados, gritos de socorro, deslizamentos, uma fúria. Caminhou alguns metros e pensou em voltar, desistir de sua caminhada de volta. Cansado, sentou sob uma árvore frondosa que resistia aos ventos como se os mesmos não lhe tocassem. Mais curioso ainda era que, sob a árvore, nenhum vento soprava e imperava um silêncio profundo. De sob a árvore, sua visão era límpida, nem neve, nem folhas, árvores ou seres caídos. Mas sim, a grande distância, a entrada do sétimo túnel: o túnel da erudição. Compreendia isso e via claramente um menino diante daquele portal a cantarolar uma canção que dizia:

“O medo é uma colina.

Lá no topo da colina existe um lago,

onde  a onça bebe água.

Ela é a guardiã do topo.

Aqueles que a temem,

jamais galgam o topo,

nunca saberão do lago,

e nunca contemplarão o outro lado.

Para aqueles que não têm medo,

essa  colina não existe,

muito menos a onça, muito menos o lago,

que não têm onde residir”[2].

Indagou-se: “Que lugar é esse? Devo seguir? Mas, e a tempestade? Afinal, estou num lugar tranquilo e seguro. Esse menino parece aquele que morreu afogado quando nadávamos escondidos na minha infância, e do qual nem me lembro mais o nome. Esse lago, essa onça, o que ele está a dizer com isso? Não quero voltar, mas também não posso ficar aqui”, meditou e adormeceu.

Horas após, acordou em sobressalto e bradou: “Já sei, é o medo!” Deu apenas um passo para fora da sombra da árvore e já estava dentro do sétimo túnel.


[1] Quais sejam: inferno, fome, animalidade, ira, tranquilidade e alegria.

[2] Onde a Onça Bebe Água, em Cristal Perfeito.

 

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