Bharadvaja

Certo dia, ele retornou para o país de Rajagriha.

No campo, não longe da cidade, ele se deparou com um brâmane chamado Bharadvaja. Era a estação da colheita, e o brâmane e seus servos estavam celebrando alegremente. Eles estavam rindo e cantando quando o Mestre passou. Ele estendeu a sua tigela de donativos, e aqueles que o reconheceram, reverenciaram-lhe e fizeram-lhe muitos oferecimentos amáveis. Isto desagradou Bharadvaja. Ele foi ao Mestre, e disse-lhe em voz alta:

“Monge, não permaneça em nosso meio; você dá um mau exemplo. Nós trabalhamos, nós que aqui estamos, e com olhos vigilantes, observamos as mudanças das estações. Quando é tempo de arar, meus servos aram; quando é tempo de plantar, eles plantam; e eu aro e planto com eles. Então vem o dia em que colhemos o fruto do nosso labor. Nos provemos da nossa própria comida, e quando ela é abundante, temos boas razões para descansar e divertir. Ao passo que você, perambula pelas ruas e caminha nas estradas, e o único problema que você se digna a se ocupar é estender uma tigela àqueles que você encontra. Seria muito melhor para você trabalhar; seria muito melhor arar e plantar.”

O Mestre sorriu e respondeu:

“Amigo, da mesma forma como você ara e planta, quando meu trabalho está feito, eu colho.”

“Você ara? Você planta?”, disse Bharadvaja. “Como posso acreditar nisto? Onde está o seu rebanho? Onde está seu cereal? Onde está seu arado?”

O Mestre disse:

“Pureza de compreensão, esta é a gloriosa semente que eu planto. Obras de santidade são a chuva que cai sobre a terra fértil onde a semente germina e floresce. E poderoso é o meu arado: ele tem sabedoria em sua relha, a lei para suas alças, e uma ativa fé é o poderoso novilho atrelado ao seu polo. O desejo é arrancado como ervas daninhas nos campos que eu aro, e eu colho a mais rica das colheitas, o Nirvana.”

Ele se pôs em seu caminho. Mas o brâmane Bharadvaja o seguiu; ele agora ouviria as palavras sagradas.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Paris, Île-de-France, France

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Saint-Denis, Île-de-France, France

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O Fim da Dissensão Entre os Monges

Ele partiu. Ninguém tentou detê-lo. Foi para uma aldeia onde ele sabia que encontraria seu discípulo Bhrigu. Bhrigu ficou muito feliz ao vê-lo, mas o Mestre não estava consolado. Então, Aniruddha, Nanda e Kimbala juntaram-se a ele. Deram-lhe toda prova de respeito e amizade, e ficaram em paz uns com os outros. E o Mestre pensou: “Ao menos há alguns, entre meus discípulos, que me amam e não brigam.”

Um dia, quando ele sentou-se à sombra de uma árvore e começou meditar sobre os tempos angustiosos em Kausambi, uma manada de elefantes parou para descansar não longe dele. O maior elefante foi até o rio, aspirou a água e a trouxe aos outros. Eles beberam; e então, ao invés de agradecê-lo por prestar-lhes esse serviço, eles o insultaram, bateram-lhe com suas trombas e, finalmente, o afastaram. E o Mestre viu que a sua própria experiência não era diferente daquela do elefante: ambos eram vitimas de grosseira ingratidão. O elefante percebeu a tristeza em sua face; aproximou-se e olhou para ele ternamente; e então se foi, à procura de comida e bebida para si.

O Mestre finalmente retornou para Cravasti e descansou no Parque de Jeta.

Mas ele ainda afligia-se ao pensar nos monges cruéis de Kausambi. Certa manhã, todavia, ele viu-lhes entrar no parque. Eles estavam em grande aflição: esmolas lhes haviam sido negadas, pois cada um foi indigno em seu tratamento com o Mestre. Eles tinham vindo lhe pedir perdão. O monge culpado confessou-se estar errado, e sua punição foi leve. Seus adversários, tão bem quanto seus amigos, admitiram o erro de suas condutas, e todos prometeram obedecer estritamente as regras. E o Mestre ficou feliz: não mais havia qualquer dissensão na comunidade.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Solidão do Sábio

Kausambi

Kaushambi, em Uttar Pradesh, foi visitada pelo Buda no sexto e nono anos após a sua iluminação. Click na imagem para site de origem.

O Mestre chegou à cidade de Kausambi, e lá, num primeiro momento, ele estava muito feliz. Os habitantes ansiosamente ouviam as suas palavras, e muitos deles tornaram-se monges. O Rei Udayana estava entre os crentes, e permitiu ao seu filho Rashtrapala entrar para a comunidade.

No entanto, foi em Kausambi que o Mestre deparou-se com uma das suas grandes tristezas. Um monge, certo dia, foi repreendido por cometer algumas ofensas menores. Ele não admitia estar errado; e por isso foi punido. Ele se recusou a submeter-se à punição e, como ele era um homem amigável, de grande inteligência e aprendizado, muitos tomaram o seu partido. Em vão, os outros rogaram-lhe para retomar o caminho correto.

“Não assuma esse ar presunçoso”, diziam-lhe; “não se considere incapaz (isento) de cometer erros. Ouça o nosso sábio conselho. Dirija-se aos outros monges como deveriam ser abordados aqueles que professam uma fé que também é sua; e eles se dirigirão a você como deveria ser abordado aquele que professa uma fé que também é deles. A comunidade crescerá, a comunidade florescerá, somente se os monges se aconselharem uns aos outros.”

“Vocês não têm que dizer-me o que é certo ou errado”, ele respondeu, “parem de reprovar-me.”

“Não diga isso. Suas palavras são ofensivas à lei. Você está desafiando a disciplina; você está semeando a discórdia na comunidade. Venha, corrija o seu caminho. Viva em paz com a comunidade. Evite essas brigas, e seja fiel à lei.”

Foi inútil. Então, eles decidiram expulsar o rebelde, mas, novamente, ele recusou-se a obedecer. Ele permaneceria na comunidade: uma vez que ele era inocente (pensava), não havia necessidade de submeter-se a uma punição injusta.

O Mestre finalmente interveio. Ele tentou pacificar os monges; insistiu com eles para esquecerem as suas queixas e para unirem-se, como antes, no desempenho das suas funções sagradas, mas ninguém lhe deu atenção. E, certo dia, um monge ainda teve a audácia de dizer-lhe:

“Cale-se, oh Mestre; não nos incomode com as suas falácias. Você chegou ao conhecimento da lei; medite sobre ela. Você vai achar as suas meditações muito agradáveis. Quanto a nós, saberemos para onde ir; nossas brigas não nos impedirão de encontrar o caminho. Medite, e fique quieto.”

O Mestre não enraiveceu. Tentou falar, mas era impossível. Ele viu então que nunca convenceria os monges de Kausambi; eles pareciam estar possuídos por alguma loucura súbita. O Mestre decidiu abandoná-los, mas primeiro disse-lhes:

“Feliz é aquele que tem um amigo fiel; feliz é aquele que tem um amigo discernente. Que obstáculos não poderiam transpor dois sábios e virtuosos amigos? Mas aquele que não tem um amigo fiel se assemelha a um rei sem reinado: ele deve vaguear na solidão, como o elefante na selva. No entanto, é melhor viajar solitário do que na companhia de um tolo. O homem sábio deve seguir um caminho solitário; ele deve evitar o mal e deve preservar a sua serenidade, como o elefante na selva.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Búfalo Selvagem

Búfalo Selvagem

O Búfalo Selvagem está no ranking dos animais mais perigosos do mundo. Click na imagem para site de origem.

Ele seguiu em frente. Veio para uma vasta floresta onde um rebanho de búfalos vivia com seus guardiões (pastores). Um desses búfalos era um animal muito poderoso. Tinha um temperamento horrível. Ele mal tolerava a presença dos seus guardiões, e na aproximação de um estranho ele tornava-se agressivo. Quando um estranho se aproximava, ele atacava-lhe com seus chifres, e muitas vezes feria-lhe gravemente. Às vezes o matava.

Os pastores viram o Bem-Aventurado passando, serenamente, e alertaram:

“Cuidado, viajante. Não se aproxime. Há um búfalo perverso aqui.”

Mas ele não deu atenção à advertência. Ele foi direto para o ponto onde o búfalo estava a pastar.

De repente, o búfalo levantou sua cabeça e fungou ruidosamente; então, baixando os seus chifres, correu em direção ao Mestre. Os pastores estremeceram. “Nossos avisos não foram ouvidos”, eles lamentaram; “ele não nos ouviu”. Mas, subitamente, o animal parou; ajoelhou-se diante do Mestre e começou a lamber seus pés. Havia uma expressão de súplica em seus olhos.

O Mestre acariciou delicadamente o búfalo. Falou-lhe numa voz terna.

“Diga para si mesmo que todas as coisas terrenas são transitórias, que a paz se encontra somente no Nirvana. Não chore. Creia em mim, creia em minha generosidade, em minha compaixão, e sua condição mudará. Você não renascerá em meio aos animais e, com o tempo, você alcançará o céu e a morada em meio aos Deuses.”

Daquele dia em diante, o búfalo tornou-se extremamente dócil. E os pastores, que haviam expressado a sua admiração pelo Mestre, e que haviam dado-lhe como esmolas tudo o que podiam dispor, foram instruídos na lei, e tornaram-se conhecidos pela sua piedade, mesmo em meio aos mais piedosos.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Florianópolis, Santa Catarina, Brazil

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A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

Em função dessas conversas com a BTTS, resolvi começar a divulgar o trabalho de tradução do Sutra de Lótus visando o beneficio de outras pessoas. Criei o blog Cristal Perfeito – A Trilha do Grande Veículo no portal Terra em julho de 2006. Esse blog recebeu mais de 40.000 visitas em seis meses. Mas a plataforma tecnológica era muito limitada. Coisas importantes como o contador de visitas pararam de funcionar, e muitos outros problemas surgiram para a manutenção do blog. Ainda assim, o mantive por mais algum tempo.

Em 17/01/2007 viajei para São Paulo para visitar a família e participar da colação de grau do meu filho André Felipe, que se formara em Engenharia Civil pelo Mackenzie. Lá, diante das dificuldades que vinha enfrentando com o blog inicial, criei o blog Cristal Perfeito na plataforma WordPress. Senti muito abandonar “A Trilha do Grande Veículo”, a qual ainda recebe muitas visitas. Assim foi o inicio da divulgação do trabalho de tradução, hoje concentrada no WordPress.

A Trilha

Cristal Perfeito - A Trilha do Grande Veículo. Click na imagem para visitá-lo.

Neste ínterim, comprei uma impressora melhor com capacidade para impressão frente e verso. Imprimi o primeiro volume, mandei encadernar. O custo era proibitivo, mas obtive assim o primeiro volume do Sutra de Lótus. Lia-o sem parar, muitos erros, fui assinalando ali mesmo no volume. Corrigi e imprimi o segundo volume. Encadernei, e mais erros. Mas, estava melhorando a cada ciclo. Aí, aquela impressora cara quebrou um mês após o vencimento da garantia. Nunca consegui consertá-la. O modelo foi descontinuado e não havia componentes para consertá-la. Tempos depois, comprei uma nova impressora e, depois de uma árdua revisão, imprimi um terceiro volume que já brilhava aos meus olhos. A despeito dos elevados custos, pensava em assim proceder e divulgar o trabalho, pelo menos, entre os familiares. Mas quando fui mandar encadernar o que seria o quarto volume, a pessoa que fazia aquele trabalho de artesão tão primoroso havia morrido. Morreu, simplesmente, e esses exemplares filhos únicos são os que mais gosto, a despeito das suas imperfeições.

Primeiros Tomos do Sutra de Lótus

Os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Episódios Anteriores:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

Niterói, Rio de Janeiro, Brazil

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Toronto, Ontario, Canada

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