Assim Eu Ouvi – II

Assim eu ouvi.

Naquela ocasião, o Buda residia no Monte Gridhrakuta, próximo à cidade do Palácio dos Reis (Rajagriha[1]), junto com uma congregação de grandes Monges, vinte mil ao todo. Todos eram Arhats[2] que haviam eliminado todos os desejos e não tinham mais sofrimentos. Tendo atingido o autoconhecimento, eles haviam eliminado os elos da existência e suas mentes haviam atingido a emancipação.


[1] Grande cidade murada na antiga Índia, segundo se acredita, continha novecentas mil casas, e que foi destruída por grandes incêndios que irromperam em sete ocasiões.

[2] Santos que optaram por não atingir o Nirvana para auxiliar outros a trilhar o caminho de iluminação.

Extraído de CAP. 01: INTRODUÇÃO

N.T. As notas e comentários introduzidos nesta tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa para a língua portuguesa falada no Brasil são da autoria e inteira responsabilidade de seu tradutor Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Tatsunokuti, A Boca do Dragão – II

Como uma homenagem a esta data comemorativa, eis uma tradução livre dos dizeres da gravura abaixo, ilustrativa da “Perseguição de Tatsunokuti”, uma tentativa frustrada de decapitação do Grande Mestre da Lei Nitiren Daishonin ocorrida em 12 de setembro de 1271.

Tatsunokuti, A Boca do Dragão

Tatsunokuti, A Boca do Dragão

Tatsu No Kuti

(Boca do Dragão)

Nitiren Daishonin, venerado como o Mestre dos Mestres, possuindo altas virtudes e considerado como capaz de salvar dezenas de milhares de pessoas foi incriminado falsamente e condenado à morte por uma autoridade de péssima reputação, sendo então conduzido ao cadafalso de “Tatsu No Kuti” (Boca do Dragão), onde reinava completa escuridão, pois já não havia a luz do luar.

Naquele instante, inesperado vendaval desceu à terra em redemoinho e no céu espalharam-se estranhas nuvens que, juntamente com relâmpagos e trovões ecoando em todas as direções, transformaram-se em fortes chuvas, derrubando os muros em volta do cadafalso e rasgando o pano das cortinas, enquanto fortes descargas elétricas iluminavam alternadamente o cenário.

Repentinamente, do canto sudeste do céu, surgiram estranhas luzes, que eram grandes como a lua cheia e rápidas como as flechas, fazendo com que as montanhas e rios tremessem, como se o céu e a terra fossem se desmanchar. O renomado sabre “Jadô-maru”, empunhado em posição de iminente desfecho pelo algoz Tomosaburo Naoshigue, que estava atrás do Grande Mestre, foi então partido em três pela ira dos deuses celestiais.

Homenagem aos Budas do Universo!

Namu-Myoho-Rengue-Kyo!

Flor Mística – II

Pétala de uma flor mística,
sedosa e transparente,
por que pensas que estou ausente?

Flor M?stica

Santai ( As Três Verdades ) – II

Transitoriedade:

Sendo a mais perceptível das três verdades, é também a mais remotamente conhecida. Desde os primórdios da humanidade o ciclo do nascimento, crescimento, declínio e morte tem despertado a capacidade de indagação dos seres inteligentes. O homem primitivo assistia à morte de seu semelhante sem compreender o trânsito do Sol, da Lua e das estrelas; não compreendia o fluxo e o refluxo das marés; não compreendia a sucessão das estações climáticas, tampouco o desabrochar e o despetalar de uma simples flor. Tudo ao seu redor encontrava-se em movimento, ou seja, trânsito. Ele nada percebia, mas já intervinha e interferia no ciclo vital das plantas e dos animais para se nutrir. Matava. Com o passar dos tempos, o crescente apego aos objetos e relações de seu cotidiano despertou os sentimentos da perda, da angustia, da percepção do passado e da incerteza do futuro. Tudo em razão do apego. Esse mesmo homem veio, mais tarde, a aceitar a impermanência de todas as coisas, mas ainda sem compreendê-la. Pensou na eternidade, um mundo sem mutações e repleto dos bens que o apraziam e, claro, sem problemas. Criou assim a ilusão do céu e, em sua oposição, o inferno das dores do parto, do frio, da fome, da ansiedade, da ira, das lamentações e outros infernos. Portanto, tudo se reduziria à questão de para onde ir após a morte: céu ou inferno? Sem perceber o absurdo dessas idéias, as quais concorriam para interromper o ciclo da própria vida, aquele homem postulou o bem e o mal; personificou-os como deuses e colocou-os respectivamente no céu e no inferno. Fez mais: iconizou-os, fê-los a sua semelhança, mas eternos; transformou suas próprias lamentações e desejos em preces; e as lamentações e desejos dos seus deuses em pragas. Estavam lançadas as bases das religiões primitivas. Aquelas das práticas de austeridades e mortificações inspiradas na idéia de que podiam ser extintas as causas do sofrimento em vida e depois da morte. Muitas das crenças contemporâneas estão impregnadas desses conceitos.

Não-Substância:

Mais difícil de aceitar e de compreender do que o aspecto da transitoriedade, a percepção do aspecto não-substancial incorporado a todos os fenômenos vem numa fase posterior do conhecimento humano. Necessário para explicar o sentimento, a alma e outras coisas de existência indiscutível, o aspecto da não-substância foi logo imaginado como algo distinto e discreto da matéria. Algo que, “habitando” a matéria, animava-a e, desabitando-a, despojava-a. Isto então seria a própria vida e seus dons. Nascia o conceito do espírito capaz de dotar a matéria de vida, inspiração, talentos, destino e missão. Quem seria o grande espírito? É lógico: Deus. Somente muito recentemente, nos primórdios do século vinte, é que a ciência descobriu a equivalência de matéria e energia (ou seja, que são unas na existência da entidade física) e o comportamento dual, isto é, entidades que ora se apresentam como matéria ou corpos com dimensões finitas, e ora como onda (algo não-substancial e sem dimensões finitas). Muitas outras descobertas se sucederiam como a radiação emitida por alguns elementos químicos e a avassaladora energia liberada pela simples “quebra” da ligação das minúsculas partículas de um núcleo atômico. Todas essas descobertas viriam revelar e evidenciar a natureza não-substancial dos corpos materiais e de suas combinações na formação de entidades físicas complexas. A natureza ondulatória dessas “forças”, todavia, viria a abalar muitas convicções filosóficas e religiosas. Por exemplo, a convicção de que os espíritos entram e saem dos corpos; a convicção de que o universo seria constituído por corpos materiais visíveis e finitos; a convicção de que Deus “morava” no céu, apenas para exemplificar. Mas, retroagindo, estávamos ainda no tempo dos ensinos Mahayana Provisórios. A ciência humana é que tardou a chegar.

Caminho Médio:

As inquietações deixadas pelos encantos da percepção do aspecto não-substancial dos fenômenos, dentre eles o fenômeno da vida, estimulou e impulsionou sobremaneira o pensamento filosófico, agora ocupado em explicar os “mecanismos”, por assim dizer, de interação entre os corpos e os “espíritos”. Como estávamos há cerca de 600 (seiscentos) anos antes de Cristo, a ciência humana ainda nada sabia sobre a natureza ondulatória de todos os fenômenos transitórios e não-substanciais. Como o pensamento era essencialmente “mecânico”, separou-se o espírito dos corpos que não podiam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, e se lhes atribuiu a onipresença, ou seja, a incrível capacidade de encontrar-se em vários lugares ao mesmo tempo. Essas idéias permearam o pensamento filosófico e religioso por muitos séculos. Isto iria acontecer, todavia, a revelia das últimas pregações do Buda Shakyamuni da Índia, as quais, naquela época, faziam referência explícita ao Caminho Médio, ou seja, nem só matéria, nem só espírito; mas sim, ambos. Isto significando que, na verdadeira entidade da vida, o aspecto transitório (matéria) e o não-substancial (espírito) são unos e indissociáveis. Por que as grandes correntes filosóficas seguiram em frente, ignorando e escamoteando as bases de um ensino tão superior? Possivelmente porque lhes era incompreensível. Não dominavam os muito recentes conhecimentos da ciência sobre a dualidade da matéria, da transmutação nuclear, do imenso vazio que são os átomos constituintes dos corpos e sobre o grande vácuo ou o nada que parece sustentar o universo conhecido. Todas essas coisas são hoje conhecimentos corriqueiros a derrubar dogmas e crenças absurdas. Dentre esses conhecimentos, o mais surpreendente é o de que a matéria é uma onda que se propaga através dos seus micros constituintes, fazendo-os vibrar em torno de suas posições de equilíbrio. Mas isto ainda é insatisfatório, porque algo que oscila harmonicamente em torno do equilibro, na média, encontra-se no ponto zero e não apresentaria propriedades físicas. Descobriu-se então a anarmonicidade do movimento dos micros constituintes da matéria. Uma distorção, um desvio do movimento que, em média, os colocava afastados do ponto zero. A esse afastamento os cientistas chamaram Caminho Médio. Não é surpreendente que algo enunciado há milênios torne-se, comprovadamente, existente?

Um Olhar Sem Distinções – II

Pensar o mundo Saha como sendo um caldo,
um caldo borbulhante num cadinho,
um cadinho com a forma de um cálice,
um cálice de cristal,
um cristal perfeito e,
indistintamente, tudo dentro.

E o mundo do Buda?
É este Cálice Vazio do Cristal Perfeito[1].

Cristal Perfeito

Foto de Marcos Ubirajara em 27/02/2006. Local: Sítio da Dôra.


[1] Iniciado em 30/06/2006 às 05:00 hs, foi concluído em 16/01/2007 às 02:00. Cristal = Dharma = Lei; Perfeito = Sad = Correto; Sadharma = Dharma Correto; Cálice = Flor do Lótus; Vazio = Branco = Ausente; Cálice Vazio = Lótus Branco = Pundarika. Cálice Vazio do Cristal Perfeito = Flor de Lótus da Lei Maravilhosa = Sadharma Pundarika = Mundo do Buda.

Abertura – II

Benvindo à Trilha do Grande Veículo.

Flor de Lotus

Foto: André Felipe L. de C. e Camargo – Local: Sítio da Dôra

Prezados(as),

Esta é a Flor de Lótus. Vem do sânscrito “Pundarika” que, a rigor, quer dizer “Lótus Branco“. Floresce no lodo, que tem seu análogo nas circunstâncias que cercam a vida neste mundo Saha, mas dele não se aparta, revelando assim a pureza inerente à vida de todos os seres.

Nota: Saha quer dizer “Mundo da Tolerância“. Um mundo desigual, onde as impurezas e seus derivados são disputados como bens de vida.

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