Missiva a William Garcia

Naquela ocasião, mantive correspondência com um grande amigo, hoje membro da HBS – Honmon Butsuryu Shu, e também ex-membro da Nitiren Shoshu, onde nos conhecemos, com o seguinte teor:

Belo Horizonte, 16 de janeiro de 2008.

Estimado William,

Estou anexando a esta missiva uma cópia do eBook do futuro livro “Passagens Selecionadas do Sutra de Lótus”. Reverentemente, é para o vosso deleite e benefício, e também das muitas outras pessoas amigas que buscam o caminho, para as quais você poderá enviá-lo desde já. Desfrute da Paz do Dharma Maravilhoso!

Estive imensamente atribulado nos últimos tempos. A razão é uma só: o livro do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, em sua íntegra, ficará pronto nos próximos dias. Imagine o que isso exigiu de esforços e concentração para obtermos o polimento adequado da Jóia do Sutra de Lótus. Esse trabalho, agora, é a minha vida. Para sempre, e sem descanso, trabalharei para o seu aperfeiçoamento e para a propagação dos ensinos dourados do Buda, em benefício de todos os seres. A propósito, o eBook que estou anexando tem o exato objetivo de conduzir as pessoas às profundas doutrinas do Sutra de Lótus.

Considero-me um discípulo do Grande Mestre Nitiren Daibossatsu. Suas escrituras e seus muitos ensinamentos me conduziram ao Sutra de Lótus. Se não tivermos em mente que ele, Nitiren Daishonin, se utilizou dos meios hábeis do Buda para conduzir-nos ao Grande Veículo; o que pensar, então? Com toda a certeza, tudo isso se deu pela graça e benevolência do Buda Shakyamuni, Honrado pelo Mundo. Portanto, se eu puder dar alguma contribuição no trabalho de tradução das escrituras de Nitiren Daishonin, o farei com imensa alegria. Todavia, há que considerar as minhas limitações.

Entenda! Para fazer esse tipo de tradução, antes que saber inglês, você precisa ser penetrado pela intenção do Buda. Você tem que saber o que está escrito lá, e como deve ser vertido em outro idioma. Essa penetração não se dá ao nosso bel prazer. No caso do Sutra de Lótus, de posse dos originais em inglês, durante um ano, empreendi esforços de leitura, escrita e recitações. Acima de tudo, orava muito, fazia oferecimentos para os volumes dos originais, até que um dia comecei a sentir que sabia o que o Buda dizia. Dai em diante, passei um ano escrevendo e revisando.

Então, a ajuda que posso oferecer a partir do acesso aos textos originais das escrituras, passa pela minha prática diária. Não poderia fazê-lo atrelado a compromissos de prazos. Você entende, né? Mas, vamos estudar as escrituras sim.

Fico muito contente em saber que você, freqüentemente, encontra-se com a minha filha Fernanda. Considero isso um benefício pelo zelo que sempre tivemos por nossas relações. Respeito-os profundamente, você e sua família, por continuarem a recitar o Namu-Myoho-Rengue-Kyo a despeito dos percalços deste caminho. Lembranças a todos.

Marcos Ubirajara.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Em 21 de janeiro de 2008, no blog Cristal Perfeito,

Mattuzalem Lopes Cançado disse:

21/01/2008 às 6:28

PREZADO ILMO. SENHOR MARCOS CAMARGO,

JÁ LI OUTRAS ESCRITURAS DO GRANDE FAROL DA HUMANIDADE, O SUPREMO ENSINO DO BUDA, O GRANDE SUTRA DE LÓTUS DA BOA LEI MARAVILHOSA. DO QUAL NASCI DEVOTO, MANTENHO-ME DEVOTO E ETERNAMENTE SEREI DEVOTO. MAS, CONFESSO QUE NÃO VÍ NADA TÃO MARAVILHOSO QUANTO A SUA TRADUÇÃO. O HONRADO PELO MUNDO DEVE TER MANIFESTADO EM SUA NOBRE MENTE E DERRAMADO SOBRE SUA MENTE SUAS VERDADEIRAS PALAVRAS. PENSO QUE O NOSSO SANTO E AMADO MESTRE, MANIFESTOU EM SUA DIGNA VIDA, E SOBRE VOS, DERRAMOU SUA EXCELÇA E MARAVILHOSA FALA DO GRANDE VEICULO DA ILUMINAÇÃO.

HONRO-ME DE ESTAR VIVO E LER TÃO PERFEITA TRADUÇÃO. AGRADEÇO AOS TRÊS TESOUROS DE MINHA HONRADA FÉ, POR MERECER VER, LER, TÃO MAGNIFICO TRABALHO.

REZAREI SEMPRE POR VOSSA VIDA.

“SE O SUTRA DE LÓTUS CONDÚZ À ILUMINAÇÃO QUEM DEVOTAR-SE A UM SÓ VERSO, UMA SÓ LINHA, PENSO QUE O SENHOR É UM ILUMINADO.”

OBRIGADO, MUITO OBRIGADO!

NAM-MYO-HO-RENGUE-KYO,

Abade Mattuzalem Lopes Cançado

BASSAI-JI TEMPLO DE KARATE-DO DO BUDISMO NICHIREN da
Associação Budista Vajramushti de Karate-Do

Em resposta,no dia 22 de janeiro de 2008:

Essa missiva é uma resposta ao vosso comentário no post “eBook de Passagens Selecionadas do Sutra de Lótus”.

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2008.

Prezado Senhor Abade Mattuzalem Lopes Cançado,

O Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é um espelho. Como ele poderia estar revelando algo que não fosse o Verdadeiro Aspecto dos Fenômenos?

Com relação a isso, senhor, veja a nobreza das vossas palavras. O senhor mesmo as escreveu. Veja como o Sutra de Lótus é capaz de iluminar e revelar a natureza de um grande ser humano. Esse iluminado, ao qual o senhor se refere, e que de fato está em vossa mente, é o senhor mesmo. A isso podemos chamar “Consistência do Princípio ao Fim”, o décimo aspecto, que na sua manifestação é simultâneo e coerente com os demais.

O Bodhisattva Sem-Desprezo, que via Budas em quaisquer pessoas que encontrasse, era o próprio Buda Shakyamuni, Honrado pelo Mundo, Leão dos Shakyas, quando certa vez cumpria seus votos de Bodhisattva.

O senhor me faz experimentar a verdadeira alegria do Dharma, que é servir àqueles possuidores da genuína Fé.

Com reverência,

Homenagem aos Budas do Universo!

Nam-Myoho-Rengue-Kyo!

Marcos Ubirajara.

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A Nitiren Shoshu

A Nitiren Shoshu

A Nitiren Shoshu foi a primeira a saber da conclusão do trabalho de tradução do Sutra de Lótus. Dessa religião, eu era membro desde 1987, conforme narrei anteriormente. Enviei os originais por e-mail para a sua sede em São Paulo, esperando que de lá viessem palavras de incentivo ou mesmo críticas que contribuíssem para o polimento do trabalho de tradução. Nenhuma resposta. Então, muitos dias depois, suspeitando que o e-mail pudesse ter sido extraviado, reenviei o arquivo. Nada!

Então, como membro da Nitiren Shoshu, fui a uma reunião do grupo Hokkekô de Belo Horizonte. Ao chegar, entreguei um exemplar nas mãos da pessoa que liderava aquele grupo. Era uma reunião de Shodai. Após orarmos muito, por muitos objetivos do próprio grupo, ao final da reunião, me despedi e retornei feliz para casa. Uma semana depois, voltei àquele local e novamente participei das orações. Ao final da reunião, essa pessoa me devolveu o livro sem nenhum comentário. Não poderia ser mais clara a posição daquela seita com relação ao trabalho apresentado. E logo pensei que esse posicionamento não seria com relação a mim, que estava há mais de vinte anos por ali, mas com relação ao Sutra de Lótus. Como eu procurava pessoas que o recebessem com alegria, fui embora, abandonei aquela seita que eu freqüentava há vinte e um anos, nunca mais voltei. Recentemente, resolvi formalizar o meu desligamento. Então, escrevi com cópia para todos os membros:

Desligamento de Marcos Ubirajara

DE:       Marcos Camargo

PARA:  Christiane Reyder

Cco:     HOKKEKÔ BH

  • HOKKEKÔ BH
  • HOKKEKÔ BH
  • HOKKEKÔ BH
  • HOKKEKÔ BH
  • 18 mais…

“Olá Christiane! Bom dia!

Venho solicitar a minha exclusão da lista de membros do Hokkekô da Nitiren Shoshu, depois de 25 anos.

Como muitos já sabem, estou praticando o Budismo Primordial da Honmon Butsuryu Shu, onde eu e o Sutra de Lótus fomos acolhidos com muita alegria.

Desejo paz, alegria na prática, e muita prosperidade para todos os membros do Hokkekô. E, acima de tudo, um verdadeiro sentimento de compaixão ao recitar e ensinar para outros o

Namu-Myoho-Rengue-Kyo.

Tenham um ótimo dia.

Marcos Ubirajara.

Recebi duas, apenas duas respostas, as quais eu gostaria de colocar aqui:

Re: Desligamento de Marcos Ubirajara

DE:      Carina Angélica Brito Reyder

PARA:  Marcos Camargo

Boa sorte pra você!

Que você trilhe um caminho iluminado, de tranquilidade, serenidade, alegria e sabedoria.

Um abraço,

Re: Desligamento de Marcos Ubirajara

DE:      rosaria beatriz firmino miranda

PARA:  Marcos Camargo

Ola Marcos,

Acho que você enviou errado este email para mim.

Sou budista também há mais tempo que você. Comecei na Gakkai, há 31 anos atrás  e também faço parte da Hokkekko embora não frequente mais as reuniões na sede desde o dia 06 de fevereiro de 2007. Fiz Tozan em abril de 2006.

Acredito que não cheguei a conhecê-lo e fico triste por ter ido para outro budismo, porém deve ter tido seus motivos, pois ninguém abandona algo se este está te fazendo bem.

Muitas coisas na Hokkekko não aceito, porém o meu compromisso é com o Buda Original e com o juramento de seguir o budismo a qualquer custo.

Espero que seja feliz e se precisar de algo e se eu puder ajudá-lo desde já estou à disposição.

Abraços. Muita paz em sua jornada,

Rosária Miranda.

Assim, melancolicamente, deixei a Nitiren Shoshu. Uma grande pena!

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A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

Como disse acima, sonhava com um livro. Assim, comecei a pesquisar formas de editar um livro, e que estivesse ao meu alcance. Depois de mais de um ano publicando o trabalho através dos blogs, não obtinha ajuda. Por essa razão, entrei em contato com a editora Usina de Letras, a qual sempre ofereceu facilidades para novos autores. Abaixo, seguem as bases negociadas para a autopublicação pela então Usina de Letras.

Waldomiro Guimaraes

<wgjunior@…br> 2 de outubro de 2007 17:41

Para: Marcos Ubirajara <muccamargo@…br>

Prezado Marcos,

REF.: Orçamento para publicação de seu livro

O orçamento inclui:

No pacote da Usina está incluído:

  • Confecção da capa;
  • Revisão de Textos;
  • Editoração Eletrônica;
  • Impressão em off-set;
  • Campanha de Divulgação;
  • Exposição para venda em dois sites: Usina e T+8 Editora;

1 – Descrição do Livro

  • Tamanho :  14 x 21 cm;
  • Miolo       : papel off-set 75g;
  • Capa       : Em 4 cores (sem as cores dourado e prateado), plastificada com orelhas. Em papel Supremo ou Royal de 250g.
  • Impressão de 100 exemplares
  • ISBN com código de barras e depósito Legal

O valor Total é de R$7.340,00 a serem pagos em 3 parcelas de R$ 2.446,66

Att,
Waldomiro Guimaraes Jr.

De: Marcos Ubirajara [mailto:muccamargo@…br]

Enviada em:
terça-feira, 2 de outubro de 2007 10:58
Para: wgjunior@…br
Assunto: Livro do Marcos Ubirajara

Prezado Waldomiro,

Conforme combinado, estou anexando o arquivo do livro.

Marcos Ubirajara.

Juntei meus últimos recursos e mandei confeccionar o livro, os 100 (cem) exemplares. O projeto foi compartilhado pela Usina de Letras com a editora T+8 do Rio de Janeiro. O livro ficou pronto. Em 21/12/2007 recebi os livros em casa, enviados pela editora T+8 do Rio de Janeiro. Decepção! Muitos erros, alguns inaceitáveis. Isto fez com que os devolvesse à editora, solicitando que corrigissem os erros detectados. Sabedor das dificuldades inerentes de um empreendimento como este, jamais lhes culpei por isto. Podem imaginar o prejuízo?

Em 30 de janeiro de 2008 recebi os novos exemplares, e o livro do Sutra de Lótus começou a ser vendido através de contatos pessoais e via internet a partir da editora T+8, pelo valor de capa fixado em R$ 66,00 (sessenta e seis reais). Quando as pessoas reclamavam do preço, achando muito alto, eu ficava sem palavras, pois, quem acreditaria que a venda daqueles 100 (cem) exemplares mal cobriria os gastos realizados. Mas também, não tirava a razão das pessoas que reclamavam, pois, compra-se tanta coisa com qualidade editorial superior por muito menos, não é? Isto nos faz compreender o mundo em que vivemos, e em que era estamos. Abaixo a foto utilizada na ocasião para divulgação.

Sutra de Lótus - Primeira Edição

Foto para divulgação da primeira edição da autopublicação do Sutra de Lótus.

Essa foto das flores de lótus foi tirada por mim no sítio da Dôra em 20/10/2007, e utilizada por Marcelo Volpi na criação da capa. Tiramos essas mudas da lagoa, onde elas existem em profusão, e as trouxemos para um tanque próximo à casa. Abaixo, a foto original.

Foto utilizada na capa do Sutra de Lótus

Foto utilizada na criação da capa do Sutra de Lótus.

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por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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Português Brasileiro é o Melhor Idioma

Titulo Original: BRAZILIAN PORTUGUESE IS THE BEST LANGUAGE

Por Helen Joyce

Em 06/03/2012

Tradução livre por Marcos Ubirajara

Se você deseja um bom retorno para o seu investimento, diz Helen Joyce, o melhor idioma a aprender é o Português Brasileiro.

Alguns lunáticos aprendem idiomas por diversão. Os demais entre nós estão procurando um bom retorno para nosso investimento. Isto significa a escolha de um idioma com muitos falantes nativos. Um idioma falado por pessoas com as quais vale a pena falar, num lugar que merece ser visitado. Um idioma com parentes próximos (neste caso espanhol, francês, italiano), e então você leva vantagem na escolha de um terceiro idioma. Um idioma não tão distante do inglês que o faça desistir.

O Lótus em Manaus

A Flor de Lótus em Manaus - Amazonas. Fonte: Wikipedia.

Há realmente apenas uma escolha racional: Português Brasileiro. O Brasil é grande (190 milhões de habitantes; metade de um continente). Suas perspectivas econômicas são brilhantes. São Paulo é a capital dos negócios da América Latina. Nenhum outro país tem flora e fauna tão diversificadas e belas. É o lar da maior floresta perene do mundo, a Amazônia. O clima é excelente, e assim são as praias. As pessoas são amigáveis, e inocentemente mentirosas. Muitas vezes dirão a você: “seu português é maravilhoso!”, ainda que não seja verdade.

Você não vai precisar de um novo alfabeto ou uma nova gramática, embora você possa achar o idioma viciado em declinações e indevidamente amante do subjuntivo (modo verbal que não expressa certeza). Você aprenderá centenas de palavras sem esforço (azul significa blue, verde significa Green) e será capaz de conjeturar sentenças inteiras. (O sistema bancário é muito forte: the banking system is very strong). Com nuances na pronúncia e algumas poucas novas palavras, você irá de Portugal a partes (países) da África. Se você fala Espanhol, Francês ou Italiano, você descobrirá que metade do trabalho já está feito – e se não, por que não tentar? Com Português sob o seu cinto você vai voar.

Melhor de tudo, você se destacará. Apenas 10 milhões de brasileiros têm um Inglês razoável, e anglófonos falam muito mais Francês ou Espanhol do que Português. Eu não escolhi esse idioma; ele foi imposto a mim por uma oferta de emprego em São Paulo. Mas quando penso que meus filhos, agora com dez e cinco anos, um dia possam escrever “Português Brasileiro fluente” em seus currículos, sinto-me um pouco lisonjeada.

Helen Joyce é correspondente do  The Economist em São Paulo- Brasil.

Site de origem: More Intelligent Life

Vale a pena visitar.

As anotações em itálico são da tradução.

Impressão sobre a leitura: Em pleno acordo com as assertivas acima, de uma pessoa com objetivos tão diferentes, senti-me respaldado para continuar os esforços já empreendidos para contemplar os povos da maravilhosa Lingua Portuguesa com o que de melhor já se escreveu: Os Ditos Dourados do Buda.

O Lótus Azul

André Felipe

André Felipe no sítio da Dôra em 27/02/2006.

Em 27 de fevereiro de 2006, praticamente quando terminei a tradução do Sutra de Lótus, André Felipe, meu filho, fez a sua primeira visita a mim em Belo Horizonte. Foi um acontecimento de muita importância para mim e para a Maria Auxiliadora. Como de costume nos finais de semana, fomos ao sítio que fica em Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte. André saiu a fotografar flores de todas as espécies. Vendo aquilo, o convidei a descer até à lagoa, onde ele poderia tirar muitas fotos, inclusive de uma flor aquática nativa do sítio.

Ao chegar à lagoa, ele ficou encantado com a flor. Fez muitas fotos, e pela primeira vez aquela flor me chamou a atenção. “Dôra, que flor é essa?”, perguntei. “É uma ninféia!”, disse ela. Fui pesquisar e me deparei com o fato de que se tratava de um Lótus Azul.

Lembrei-me, então, de uma passagem do CAPÍTULO VINTE E TRÊS – OS FEITOS PASSADOS DO BODHISATTVA REI DA MEDICINA do Sutra de Lótus que acabara de traduzir, a qual diz:

Rei da Constelação Flor, se você vir uma pessoa que receba e ostente este Sutra, você deve espalhar lótus azuis em meio a incenso em pó, cobrindo-a como um oferecimento.”

Daquele dia em diante, até por observar melhor, a flor se espalhou no espelho d’água, cobrindo-o totalmente na época das águas. E essa foto abaixo, tirada por André Felipe, é a que encerra o maior significado para mim, de um Lótus emergente.

O Lótus Emergente

Lótus Emergente - Foto de André Felipe em 27/02/2006.

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por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

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A História de Padmaka

E os músicos ouviram com muita atenção enquanto ele contava a história do Rei Padmaka.

“Certa vez reinou em Benares um rei justo e poderoso chamado Padmaka. Naquela ocasião, uma estranha epidemia subitamente irrompeu através da cidade. Aqueles que foram acometidos ficaram completamente amarelos e, mesmo sob o sol, tremiam de frio. O Rei sentiu piedade de seus súditos, e tentou encontrar uma maneira de curá-los. Ele consultou os mais famosos médicos; distribuiu remédios, e ele mesmo ajudou a cuidar dos doentes. Mas não havia jeito; a epidemia continuou com sua fúria. Padmaka entristeceu. Certo dia, um velho médico veio a ele e disse: ‘Meu senhor, eu conheço um remédio que curará os habitantes de Benares’. ‘Qual é (o remédio)’?, indagou o Rei. ‘É um grande peixe chamado Rohita. Capture-o, e dê um pedaço, não importa quão pequeno, a todos os que estão doentes, e a epidemia desaparecerá’. O Rei agradeceu o velho médico; ordenou que o peixe Rohita fosse buscado nos mares e rios, mas não era encontrado em lugar algum. O Rei caiu em desespero. Às vezes pela manhã ou ao entardecer, ele ouvia vozes lamuriosas clamando do lado de fora das paredes do palácio: ‘Estamos sofrendo, oh Rei; salve-nos’! E ele chorava amargamente. Finalmente, ele pensou: ‘Que bom é a riqueza ou realeza, que bom é a vida, se não posso socorrer aqueles que estão dilacerados pela dor’? Ele chamou o seu filho mais velho, e disse-lhe: ‘Meu filho, lego a você a minha fortuna e o meu reinado’. Então ele ascendeu ao terraço do palácio; ofereceu perfume e flores aos Deuses, e gritou: ‘Alegremente dou em sacrifício uma vida que considero inútil. Que possa o (meu) sacrifício beneficiar aqueles que estão aflitos! Que possa eu tornar-me o peixe Rohita, e que seja encontrado no rio que flui através da cidade’! Então ele atirou-se do terraço e imediatamente reapareceu no rio como o peixe Rohita. Foi capturado; estava ainda vivo quando cortaram-lhe em pedaços para distribuir em meio aos doentes, mas ele jamais sentiu as facas, e estremeceu com amor por todas as criaturas. A epidemia logo desapareceu, e sobre a cidade de Benares, um coro celestial cantou: ‘Foi Padmaka, o Rei sagrado, que salvou vocês! Alegrem-se!’ E todos eles prestaram honras à memória de Padmaka.”

Os músicos ouviram o Mestre, e prometeram seguí-lo, para receber a sabedoria.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Minha interpretação, ainda sobre Padmaka:

Padma: é o Lótus Vermelho.

‘ka’ ( ) evoca grande compaixão para com todos os seres. O sentimento de um filho surge, como com relação a Rahula. Ele significa ‘maravilhosamente bom’. Portanto, ‘ka’. (Sutra do Nirvana – Capítulo Treze: Sobre as Letras).

Rohita: espécie de carpa rósea encontrada em rios e lagos da Ásia. É considerada uma especiaria em Bangladesh, Nepal e Indian. As comunidades de Maithil Brahmins e Kayastha de Uttar Pradesh a consideram um de seus mais sagrados alimentos, devendo ser comida em ocasiões auspiciosas – Fonte Wikipedia – a enciclopédia livre.

Padma - o Lótus Vermelho

Foto de Dôra em Florença - Itália - em 14/06/2008

A Súplica de Brahma

O Buda começou a imaginar como ele propagaria o conhecimento. Ele disse para si:

“Descobri uma profunda verdade. Foi difícil perceber; será difícil entender; somente o sábio a compreenderá. Num mundo conturbado, onde humanos levam uma vida agitada, todavia gostam de viver num mundo cheio de confusão. Como então poderão entender a cadeia das causas e efeitos? Como poderão entender a lei? Eles nunca serão capazes de reprimir seus desejos; nunca romperão com os prazeres mundanos; nunca adentrarão o Nirvana. Se eu pregar a doutrina, não serei compreendido. Talvez ninguém sequer me ouça. Qual é o objetivo de revelar para os humanos a verdade que tive que lutar para conquistar? A verdade permanece oculta para aqueles dominados pelo desejo e pelo ódio. A verdade é difícil de encontrar; permanece sempre como um mistério. A mente vulgar nunca a captará. Nunca conhecerá a verdade aquele cuja mente está perdida na escuridão, e que está presa aos desejos mundanos.”

E, assim, o Bem-Aventurado não estava inclinado a pregar a doutrina.

Brahma is described within the Puranas as the ...

Escultura de Brahma no templo em Halebidu. Imagem via Wikipedia

Então Brahma, pela virtude de sua suprema inteligência, sabia das dúvidas que afligiam o Bem-Aventurado. Ficou assustado. “O mundo estará perdido”, disse para si, “o mundo estará desfeito, se o Perfeito, o Sagrado, o Buda, ficar indiferente agora, se ele não for entre os humanos para pregar a doutrina e propagar a sabedoria.”

E ele deixou o céu. Ele levou menos tempo para chegar à terra do que leva um homem forte para dobrar ou esticar seu braço, e apareceu diante do Bem-Aventurado. Para demonstrar a sua profunda reverência, ele descobriu um ombro, então ajoelhou-se, juntou as palmas das mãos erguidas para o Bem-Aventurado, e disse:

“Digne-se a ensinar o conhecimento, oh Mestre, condescenda a ensinar o conhecimento, oh Bem-Aventurado. Há humanos de grande pureza no mundo, pessoas a quem nenhuma impureza contaminou, mas, se não forem instruídos na sabedoria, como encontrarão a salvação? Tais pessoas devem ser salvas; oh, salve-os! Eles ouvirão a você; serão seus discípulos.”

Assim falou Brahma. O Bem-Aventurado permaneceu em silêncio. Brahma continuou:

“Até agora uma lei maligna prevaleceu no mundo. Ela levou os humanos ao pecado. Cabe a você destruí-la. Oh Homem de Sabedoria, abra para nós os portões da eternidade; diga-nos o que você encontrou, oh Redentor! Você é aquele que subiu a montanha, encontra-se no seu cume rochoso, e contempla a humanidade de longe. Tenha piedade, oh Redentor; pense nas pessoas infelizes que sofrem a angústia do nascimento e da velhice. Vá, herói conquistador, vá! Viaje através do mundo, seja a luz e o guia. Fale, ensine; haverá muitos para entender a sua palavra.”

E o Bem-Aventurado respondeu:

“Profunda é a lei que estabeleci; é sutil e difícil de compreender; está para além da razão comum. O mundo irá zombar dela; somente alguns poucos homens sábios talvez alcancem o significado e decidam aceitá-la. Se eu me propuser, se eu falar e não for compreendido, corro o risco de uma derrota vergonhosa. Permanecerei aqui, Brahma; os humanos são o joguete da ignorância.”

Mas Brahma falou novamente:

“Você atingiu a sublime sabedoria; os raios da sua luz chegam até o espaço, mesmo assim você está indiferente, oh Sol! Não, tal conduta é indigna de você; seu silêncio é repreensível; você deve falar. Levante-se! Bata os tambores, soe o gongo! Deixe a lei fulgurar como uma tocha acesa, ou como uma chuva refrescante, deixe-a cair sobre a terra ressequida. Liberte aqueles atormentados pela maldade; leve paz àqueles consumidos pelo fogo do vício! Você, que é como uma estrela em meio aos homens, apenas você pode destruir o nascimento e a morte. Veja, prostro-me aos seus pés e lhe imploro, em nome de todos os Deuses!”

Então o Bem-Aventurado pensou:

Flor de Lotus

Foto de Marcos Ubirajara em 02/12/2007. Local: Sítio da Dôra.

“Em meio aos lótus azuis e brancos que florescem num lago, há alguns que ficam sob a água, outros que sobem à superfície, e ainda outros que crescem tanto que suas pétalas sequer são molhadas. E no mundo eu vejo homens bons e homens maus; alguns têm mentes aguçadas e outros são estúpidos; alguns são nobres, outros ignóbeis; alguns me compreenderão, outros não; mas sentirei piedade de todos eles. Considerarei o lótus que se abre sob a água tão bom quanto o lótus que exibe sua grande beleza.”

E ele disse a Brahma:

“Que os portões da eternidade sejam abertos para todos! Que os que têm ouvidos ouçam a palavra e creiam! Eu estava pensando no esforço que se reserva a mim, e temendo o cansaço que viria para nada, mas a minha piedade sobrepuja essas considerações. Levantar-me-ei, oh Brahma, e pregarei a lei para todas as criaturas.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Os Préstimos de Udayin

O cocheiro entrou no bosque. As árvores jovens estavam em floração, pássaros esvoaçavam alegremente como que embriagados pela luz e pela atmosfera, e sobre a superfície dos tanques, o lótus curvava as suas pétalas para beber o frescor do ar.

Karnataka Apsara

Estátua em arenito do século X de uma Apsara de Madhya Pradesh, India. Fonte: Wikipedia

Siddhartha foi contra a sua vontade, como um jovem eremita, que ainda muito novo para os seus votos, teme a tentação e é levado para algum palácio celestial onde lindas Apsaras estão acostumadas a dançar. Cheias de curiosidade, as donzelas levantaram-se e vieram para a frente como se para cumprimentar um noivo. Seus olhos brilhavam com admiração, e suas mãos estendidas eram como flores. Todas elas pensaram: “Este é Kama em pessoa de volta à terra.” Mas não falaram, nem mesmo sorriram, tão tímidas ficaram em sua presença.

Udayin chamou as mais ousadas e belas, e disse-lhes:

Por que vocês me desapontaram hoje, vocês que escolhi em meio a muitas para cativarem o príncipe, meu amigo? O que lhes fez comportarem-se como uma criança tímida e quieta? Seu encanto, sua beleza, sua ousadia conquistariam mesmo o coração de uma mulher, e vocês tremem diante de um homem! Vocês me mortificam. Venham, levantem-se! Usem seus encantos! Façam-lhe render-se ao amor!” Uma das donzelas falou:

“Ele nos intimida, oh mestre; seu majestoso esplendor intimida-nos.”

“Grande como é”, respondeu Udayin, “ele não a assustaria. Pois estranho é o poder das mulheres. Permita-me lembrar-lhes de  todos aqueles que, no passado, ficaram a mercê de um olhar terno. Certa vez o grande eremita Vyasa, a quem mesmo os Deuses temiam ofender, foi chutado por uma cortesã chamada Bela de Benares, e ele não ficou descontente. O monge Manthalagotama, que era famoso por suas longas penitências, tornou-se um assistente de funerária, no sentido de ganhar os favores da devassa Jangha, uma mulher da mais baixa casta. Santa artisticamente conseguiu seduzir Rishyasringa, um homem erudito que nunca tinha conhecido uma mulher; e o mais piedoso de todos os homens, o glorioso Visvamitra que, certo dia, na floresta, rendeu-se às importunações da Apsaras Ghritaki. E eu poderia nomear muitos outros que sucumbiram à mulheres como vocês, oh lindas donzelas! Venham, não tenham medo do filho do rei. Sorriam para ele, e ele se apaixonará por vocês.”

As palavras de Udayin encorajaram as donzelas. Sorrindo, e com extraordinária graça, elas gradualmente formaram um círculo em torno do príncipe.

Elas usaram as artimanhas mais atraentes no intuito de abordar Siddhartha, de modo a esbarrá-lo ou segurá-lo, e roubar uma carícia. Uma delas fingiu tropeçar e agarrou-se à sua cintura. Uma outra aproximou-se e discretamente susurrou em seu ouvido, “digne-se a ouvir o meu segredo, oh príncipe”. Uma outra fingiu embriaguez; ela lentamente desenrolou o véu azul que atava os seus seios, e então veio e encostou em seu ombro. Uma outra pulou do galho de uma mangueira e, sorridente, tentou impedi-lo de passar. Ainda uma outra ofereceu-lhe uma flor de lótus. E uma delas cantou: “Veja, querido, essa árvore está coberta de flores, flores cujo perfume satura o ar; em seus galhos, pássaros raros gorjeiam felizes canções, como se em uma gaiola dourada.  Ouça as abelhas, pairando sobre as flores; estão excitadas e arrebatadas por um calor ardente. Olhe aquelas trepadeiras, abraçando calorosamente e árvore; a brisa agita-lhes com uma mão ciumenta. Ali, naquela clareira encantadora, você vê o lago prateado adormecido? Está sorrindo, sonolento, como uma donzela acariciada por forte raio de luar.”

Lótus Azul

Foto de Marcos Ubirajara em 17/09/2011. Local: Sítio da Dôra.

Mas o príncipe não estava sorrindo; estava infeliz, por estar a pensar sobre a morte.

Ele pensou: “Essas donzelas não sabem que a juventude é fugaz, e que a velhice virá e as privará de sua beleza! Elas são cegas para a ameaça que é a doença, embora sejam mestras nas artes mundanas. Nada sabem da morte, da morte imperiosa, da morte que destrói todas as coisas! E esse é o porquê elas podem sorrir, esse é o porquê elas podem brincar!”

Udayin tentou interromper os pensamentos de Siddhartha.

Ele disse: “Por que você é tão descortês com essas donzelas? Talvez por não lhe interessarem? O que importa! Seja gentil com elas, mesmo a custa de alguma mentira. Poupe-lhes da vergonha de serem rejeitadas. Como sua beleza poderá conquistá-lo se você é displicente? Você será como uma floresta sem flores.”

“O que há de bom nas mentiras, o que há de bom nas lisonjas”? respondeu o príncipe. “Eu não enganaria essas mulheres. A velhice e a morte estão a espreita por mim. Não tente me seduzir, Udayin; não me peça para juntar-me à nenhuma diversão vulgar. Eu vi a velhice, eu vi a doença, e estou certo da morte; nada agora pode dar-me paz no pensamento. E você queria que me rendesse ao amor? De que metal é feito o homem que sabe da morte e ainda busca o amor? Um cruel e implacável guardião (da morte) está à sua porta, e ele nem sequer chora!”

O sol estava se pondo. As donzelas tinham cessado seus sorrisos; o príncipe não tinha olhos para suas guirlandas e suas jóias. Elas sentiram que seus encantos de nada valeram, e lentamente elas pegaram a estrada de volta à cidade.

O príncipe retornou ao palácio. O Rei Suddhodana ouviu de Udayin que seu filho estava desprezando todo o prazer, que naquela noite ele não havia encontrado o sono.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Lótus e Pedras

Lótus e Pedras 1

Lótus e Pedras 1 - Foto de Dôra em 04/09/2011

Lótus e Pedras 2

Lótus e Pedras 2 - Foto de Dôra em 04/09/2011

Lótus e Pedras 3

Lótus e Pedras 3 - Foto de Iara Lima em 04/09/2011

Lótus e Pedras 4

Lótus e Pedras 4 - Iara Lima e ´Vai`- Foto de Dôra em 04/09/2011

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