A Verdade Real

O Bodhisattva Manjushri disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! O que a verdade real significa?”

O Buda disse: “Oh bom homem! Por ‘verdade real’ se entende o Dharma Maravilhoso. Oh bom homem! Se uma coisa não é verdadeira, não dizemos ‘verdade real’. Oh bom homem! Não há nada invertido na verdade real. Quando não há nada invertido, dizemos verdade real. Oh bom homem! Não há falsidade na verdade real. Se a falsidade reside [lá], não falamos verdade real. Oh bom homem! A verdade real é o Mahayana. Se não for o Mahayana, não dizemos ‘verdade real’. A verdade real é o que o Buda diz e não o que Mara diz. Se é de Mara e não do Buda, não dizemos ‘verdade real’. Oh bom homem! A verdade real é um caminho puro e singelo (único), e não dois caminhos. Oh bom homem! Aquilo que é Eterno, Êxtase (Felicidade), Auto (Eu) e Puro é a verdade real.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

Os Cinco Dharmas Seculares

“Oh bom homem! Existem cinco tipos de dharmas seculares, que são: 1) o mundo dos nomes, 2) o mundo das sentenças, 3) o mundo das obrigações, 4) o mundo da lei, 5) o mundo do apego. Oh bom homem! O que é o mundo dos nomes? [Coisas] tais como homem, mulher, vaso, roupa, veículo (carruagem) e cavalo são todas pertencentes ao mundo dos nomes. Uma coisa como um gatha (verso) de quatro linhas pertence ao mundo das sentenças. Quais são as coisas do mundo das obrigações? São coisas como juntar (as palmas das mãos), pegar, apertar e dobrar as mãos (em reverência) são (coisas) do mundo das obrigações. O que é o mundo da lei? Chamar os Monges através dos sinos, advertir soldados através de tambores e anunciar o tempo ressoando um chifre são (coisas) do mundo das leis. O que pertence ao mundo do apego? Ao ver de longe uma pessoa que veste uma roupa colorida, imaginar que aquilo é um Shramana e não um Brâhmane; ao ver uma pessoa com tecidos, pensar que é um Brâmane e não um Shramana. Isto é o que pertence ao mundo do apego (os paradigmas). Oh bom homem! Assim se estabelecem os cinco tipos de coisas no mundo. Oh bom homem! Se a mente dos seres, [quando confrontada com esses] cinco fenômenos mundanos, não virar de cabeça para baixo, mas reconhecer as coisas exatamente como elas são, isto é a verdade do ‘Paramartha-satya’ (‘Realidade Última’).”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

Transtorno Bipolar

Quem é o ‘Corretamente Estabelecido’ e quem é ‘Marapapyias’?

Em primeiro lugar, não há lei no distúrbio. Distúrbio, no profundo significado, quer dizer ‘sem-lei’. O que de fato existe é o distúrbio na lei.

O que são esses distúrbios? Ah! O mortal comum também utiliza-se dos meios hábeis. Para quê? Ora, para enganar-se, iludir-se, fingir não saber, isentar-se da culpa, disfarçar, escamotear, safar-se, transferir responsabilidades, e assim por diante. Se fôssemos enumerar os distúrbios aos quais estamos sujeitos, e que na realidade nos permitimos, nunca terminaríamos de fazê-lo.

A questão é: por que o impuro exerce tanto fascínio nos seres?

É porque ele, o impuro, é que constitui a realidade objetiva, os fenômenos temporários. Aquilo que vemos e sentimos é resultado de um ‘equilibrio acidental e temporário de falhas’. E temos na pureza um eterno ideal.

A segunda questão é: Por que o ideal de pureza? Essa é a questão mais dificil de responder. Por que um ideal a nos atormentar, já que podemos nos deliciar na degustação daquilo que é impuro?

A resposta é simples: o polo da pureza existe e é a Verdadeira Natureza do Todo-Maravilhoso, a Natureza-de-Buda, êxtase que só se experimenta através da Fé. Ofuscou-se porque o polo oposto, o de Marapapyias, e que naquele está contido, exerce forte atração: são as sensações a partir dos seis órgãos sensoriais.

Quem poderá conhecer, ver e compreender esse extremo ‘Êxtase’, ‘Felicidade Ultimada’?

“Oh bom homem! Não veja os Três Tesouros como todos os Sravakas e os mortais comuns. Neste Mahayana, não existe distinção entre os Três Tesouros. Por que não? A Natureza-de-Buda contém dentro dela o Dharma e a Sangha.” – Sutra do Nirvana – CAP. 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

Marcos Ubirajara.

Em 12/09/2009, às 20:40 hs.

Sutra do Nirvana – Cap. 12 – A Natureza do Tathagata

Kashyapa disse ao Buda: “Oh Honrado pelo Mundo! Existe o Eu nas 25 existências ou não?”

O Buda disse: “Oh bom homem! ‘Eu’ significa ‘Tathagatagarbha’ [Buda-Útero, Buda-Embrião, Buda-Natureza]. Todos os seres possuem a Natureza-de-Buda. Isso é o Eu. Esse Eu tem sido, desde os primórdios, encoberto por inúmeras impurezas. Esse é o porquê os humanos não podem vê-lo.”

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O Desejo como um Cometa

“Oh bom homem! Por que o desejo é como um cometa? Por exemplo, quando um cometa aparece, a fome a as doenças aumentam, as pessoas tornam-se débeis através das doenças e sofrem pelas aflições. O mesmo se passa com o cometa do desejo. Ele acaba com todas as sementes da benevolência e faz os mortais comuns sofrerem de solidão, de fome e de doenças das impurezas, fazendo-lhes reciclar entre nascimentos e mortes, e sofrerem por várias tristezas. Somente o Bodhisattva não está em meio a esses. Este é o porquê dizemos que as coisas se procedem como no caso de um cometa.

Oh bom homem! Há esses nove tipos de meditação sobre os laços do desejo a serem feitas por um Bodhisattva-Mahasattva que reside no ensinamento do Mahayana Mahaparinirvana.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

O Desejo como uma Tempestade

“Oh bom homem! Como o desejo é como uma tempestade? Por exemplo, é como quando uma tempestade derruba uma montanha, erode elevações e arranca árvores profundamente enraizadas. O mesmo acontece com a tempestade do desejo. Podemos alimentar um mau pensamento contra nossos pais e extirpar a raiz da Iluminação (tão profunda) quanto a do altamente instruído Shariputra, que é insuperável e firme. Somente o Bodhisattva não é desse grupo. Este é o porquê dizemos que ele (o desejo) é como uma tempestade.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

O Desejo como uma Carne Esponjosa

“Oh bom homem! Quando o desejo é como a carne esponjosa de um furúnculo? Quando um furúnculo existe há longo tempo, surge uma carne esponjosa. A pessoa pacientemente tenta cura-lo e o pensamento sobre ele nunca deixa a sua mente. Se a pessoa lhe permite deixar seu pensamento (o esquece), a carne esponjosa aumenta e vermes podem surgir. Como resultado, a pessoa morre. O mesmo ocorre com os furúnculos dos mortais comuns e os ignorantes. O desejo cresce na forma de uma carne esponjosa. Temos que nos esforçar e curar essa carne esponjosa do desejo. Se não o fizermos, quando nossas vidas terminarem, os três reinos do infortúnio nos esperam. Mas o Bodhisattva não está entre esses. Este é o porquê dizemos que (o desejo) é como a carne esponjosa de um furúnculo.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

O Desejo como uma Semente de Maruka

“Oh bom homem! Por que o desejo é como uma semente de maruka [glicínia]? Por exemplo, um pássaro pode bicá-la e ela pode cair no chão, em meio aos dejetos, ou ela pode ser carregada pelo vento para debaixo de uma árvore, onde ela cresce e envolve um fícus (niagrodha), de tal maneira que a árvore não pode mais crescer e finalmente morre. O mesmo se passa com a semente de maruka do desejo. Ela enlaça-se em torno do bem feito pelos mortais comuns e finalmente mata-o. [O bem] tendo morrido, ele [o mortal comum] termina nos três reinos do infortúnio, exceto o Bodhisattva. Este é o porquê dizemos que as coisas que se obtém são como no caso da maruka.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

Para Ser Lótus – Fascículo VII

“Rei da Medicina, digo-lhe agora,
dentre todos os Sutras que tenho pregado,
o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é superior”.

“Qual é a razão? O Anuttara-Samyak-Sambodhi de todos os Bodhisattvas foi alcançado através deste Sutra. Este Sutra abre o portal dos meios hábeis da Lei. Ele demonstra a verdade, o verdadeiro aspecto de todas as coisas. O repositório do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa é profundo, sólido, recôndito e de longo alcance. Ninguém poderia alcançá-lo exceto o Buda que, quando está ensinando, convertendo e conduzindo Bodhisattvas, demonstra-o em seus benefícios”.

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Conteúdo deste Fascículo:

O Rei dos Sutras

Yashodhara, a Mãe de Rahula

O Estabelecimento do Mestre da Lei

A Parábola da Pessoa Sedenta

A Solene Promessa do Buda

Os Desígnios do Lorde Buda

O Desejo como uma Mulher Sensual

“Oh bom homem! Como as coisas se dão como com uma mulher sensual? Por exemplo, uma pessoa ignorante favorece uma mulher sensual, a qual habilmente finge, lisonjeia, demonstra intimidade, e toma todo o dinheiro e riqueza daquela pessoa. Quando tudo se acaba, a mulher o abandona. Assim se dão as coisas com a mulher sensual do desejo. Os desluzidos e aqueles sem sabedoria inclinam-se por ela. Essa mulher do desejo priva-nos de todas as coisas boas. Quando os bens chegam ao fim, o desejo conduz-nos para os três maus domínios, exceto o Bodhisattva. Este é o porquê dizemos que as coisas se dão como com uma mulher sensual.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 20 – Sobre Ações Sagradas 2.

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