Ao Tomar Refúgio nos Três Tesouros

“Oh Kashyapa!

Para o seu benefício,
abrirei agora a porta fechada do repositório e erradicarei sua dúvida.
Ouça o que eu digo com todo o seu coração!
Você, e todos vocês Bodhiattvas,
e o sétimo Buda [isto é, o Buda Kashyapa]
possuem o mesmo nome.
Alguém que se refugia no Buda
é um verdadeiro Monge.
Ele já não se refugia em todos os outros deuses.
Alguém que se refugia no Dharma
evita a si próprio de prejudicar os outros.
Alguém que se refugia na Sangha sagrada
não se refugia nos tirthikas.
Ao se refugiar nos Três Tesouros,
atinge-se o destemor.”

Sutra do Nirvana – TOMO I, Capítulo 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

A Matriz Secreta

“Oh Kashyapa!

Agora você vai analisar os Três Refúgios:
assim como é o intrínseco ser [svabhava] dos Três Refúgios,
tão certamente assim é o meu intrínseco ser [svabhava].
Se uma pessoa está verdadeiramente apta a discernir
que seu intrínseco ser possui a Buda-Dhatu [Natureza-de-Buda],
então você deveria saber que essa pessoa
entrará na Matriz Secreta [=Tathagatagarbha].

Aquela pessoa que conhece o Eu [atman]
e que faz parte do Eu [atmiya]
já transcendeu o mundo mundano.
A natureza das Três Jóias, o Buda, o Dharma [e a Sangha]
é suprema e mais digna de respeito;
como no verso que eu proferi,
o significado da sua natureza é assim.”

Sutra do Nirvana – TOMO I, Capítulo 12: Sobre a Natureza do Tathagata.

Como Nenhuma Prajna Paramita

“Você, Subhuti, Vazio Nato, deve usar o nome Vajra Prajna Paramita e prestar o mais elevado respeito a este Sutra, como se você o estivesse carregando constantemente sobre o topo da sua cabeça”. Proteger e respeitar os Sutras Budistas é o mesmo que respeitar o Buda em si. Por quê? Uma passagem prévia do texto do Sutra diz: “Em qualquer lugar onde o Sutra seja encontrado, é como se houvesse um Buda lá”. Em qualquer lugar onde este Sutra seja encontrado, lá pode ser encontrado o corpo do dharma do Buda, o Budadharma e a Sangha. Por esta razão você deve venerá-lo.

Subhuti, prajna paramita é pregada pelo Buda. No sentido de concordar com as necessidades dos seres, o Buda pregou a existência da prajna paramita. Mas aqueles que não viam além da verdade comum desenvolveram um apego à prajna paramita, que era basicamente falsa.

Como nenhuma prajna paramita”. Do ponto de vista da verdade real, o nome não existe. Uma vez que a verdade está para além da linguagem falada e das palavras escritas, como pode existir prajna paramita? Ela é vacuidade.

Na verdade real “o caminho das palavras e da linguagem é cortado. O lugar de trabalho do coração (sentimento) é extinto”. Quando a linguagem e as palavras são cortadas, que “prajna paramita” poderia haver? Nenhuma. O lugar onde o seu coração pensa se foi, e nem palavras ou linguagem são estabelecidas.

Porquanto é chamada prajna paramita”. Se pregada do ponto de vista do Caminho Médio, é um falso nome chamado prajna paramita, e nada mais. Portanto, não seja apegado. Não seja apegado à vacuidade e não seja apegado à existência. Não se torne apegado às pessoas e não se apegue aos dharmas. Se você diz que certamente existe prajna paramita, isto é um apego; assim, o Buda acrescentou que ela é nenhuma prajna paramita, que é a verdade real.

Sutra Diamante – Capítulo 13 – Receber e Manter o Dharma “Assim”.

Original

A Conduta de um Bodhisattva diante dos Oferecimentos

Você não deve olhar ao redor quando come, à espreita do que cada um dos outros está comendo, até que descubra: “Minha tigela não tem nenhuma das delícias que você tem para comer”. Quando você é suposto ser ‘Guan Shr Yin’ (Contemplador dos Sons do Mundo), você está indisponível para ser ‘Guan Yin Shr’ (à Espreitar por Comida e Bebida). Pois, ao contrário do compassivo Bodhisattva Guan Shr Yin que está atento à comida e bebida de todos a fim de oferecer-lhes um pouco de sua própria caso eles não tenham o suficiente, como Bodhisattva Guan Yin Shr você estará ocupado a resmungar.

1.    Avalie a quantidade de trabalho que ele (Bodhisattva Guan Shr Yin ) teve para trazer a comida para onde você a come. Descubra quanto trabalho o agricultor teve para plantar os campos, e a quantidade de mão-de-obra necessária para cultivar, combater ervas daninhas, adubar, e a irrigação da cultura até que ela amadureça. Quando maduro, o arroz teve que ser colhido e a palha teve que ser separada do grão. Através dessa contemplação você vem a compreender que não foi fácil trazer a comida para a sua tigela.
2.    Considere se sua conduta é suficientemente virtuosa para você aceitar oferecimentos. Indague-se: “Eu tenho alguma cultivação? Eu tenho alguma virtude da Via? Se estou a receber oferecimentos das pessoas e não possuo a cultivação, eu deveria estar envergonhado e arrependido”. Então, encoraje-se: “Ah, devo cultivar imediatamente. Devo empreender esforços e trabalhar para acabar com o nascimento e a morte”.

Se a sua virtude é abundante, você deve dizer: “Embora eu seja um Mestre Superior altamente virtuoso – provavelmente o maior de todos os Mestres Superiores no mundo em vitudes da Via – mesmo assim vou trabalhar ainda mais. Eu aceito esse oferecimento, e depois empreenderei ainda mais esforços. Ainda preciso progredir. Se certifiquei-me para a primeira fruição do Arhatship, então buscarei a segunda fruição; se certifiquei-me para a segunda fruição, buscarei a terceira; e se estou no terceiro estágio do Arhat, então buscarei alcançar o quarto estágio. Preciso avançar com um sempre crescente vigor”.

3.    Proteja seu coração contra excessos dos quais a ganância e etc. são a fonte. Quando você come, não seja guloso. Coma apenas o suficiente, e então pare. Não seja ávido por mais comida. A doença entra através da boca. Se você é muito guloso, arruma uma diarréia. Não importando quão boa a comida seja, se você come demais e não há lugar para ela em seu estômago, ele terá que retirá-la rapidamente, e você sofrerá da doença que resulta da expulsão da comida não digerida.
4.    Esta é uma dose de remédio para evitar o definhamento do meu corpo. A comida é como um remédio que mantém meu corpo saudável.
5.    É para cumprir o meu carma da Via que eu devo aceitar essa comida. Indague-se: “Por que como essas coisas?” Então responda para si: “Porque quero cultivar e cumprir o meu carma da Via de modo que finalmente me torne um Buda.”

Quando aos membros da Sangha forem dados oferecimentos, eles não devem ser arrogantes. E quando ninguém lhes fizer oferecimentos, eles não devem nutrir a ganância. Mesmo que você esteja morrendo de fome, você deve cultivar a Via. Morrer de fome em decorrência da cultivação da Via é a glória suprema, o mais digno dos sacrifícios. Não tenha medo de passar fome.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

As Três Recordações

Na verdade, os membros da comunidade de leigos, bem como os membros da Sangha, devem praticar as Três Recordações quando tomam a refeição.

Com o primeiro bocado de comida deve-se pensar: “Faço voto para cortar todo o mal”. O voto impede dar origem a qualquer mau pensamento, não à alusão de cometer más ações. Com o segundo bocado de comida deve-se pensar: “Faço voto para cultivar todo o bem”. Você não deve apenas recitar mecanicamente os votos e considerar que é suficiente. Você precisa realmente erradicar todo o mal e de fato cultivar todo o bem. Com o terceiro bocado de comida deve-se pensar: “Faço votos para levar todos os seres vivos à travessia”. Esse voto significa levar todos os seres viventes à travessia do mar do sofrimento para o Estado de Buda.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

Sobre Fazer Oferecimentos

Quando alguém fala um verso de quatro linhas do sutra, não apenas as pessoas devem vir fazer oferecimentos, como também os deuses devem fazê-lo.

O que significa fazer oferecimentos?

Há oferecimentos que são feitos para o Buda, oferecimentos que são feitos para o Dharma, e oferecimentos que são feitos para a Sangha. Oferecimentos para o Buda incluem colocar incenso, flores, velas, frutas, adornos, ou talvez chá ou água diante da imagem do Buda.

Oferecimentos para o Dharma refere-se à cuidadosa proteção do Dharma. Quando da leitura dos sutras você não deve ser descuidado ou desatencioso. Quando você não os estiver lendo, você não deve colocá-los ao lado descuidadamente. Você deve ter um lugar específico destinado para a guarda dos sutras, e quando você colocá-los lá, deve fazê-lo delicada e respeitosamente, colocando-os alinhadamente de tal maneira que nenhu ma borda se estenda para além da borda da mesa ou prateleira. Qualquer um que já tenha aberto o seu olho Búdico pode ver que onde um sutra não esteja seguramente guardado, o Bodhisattva Wei Two vem e fica pacientemente segurando a borda do sutra com sua mão. Também, colocar o sutra num lugar sujo é desrespeitoso e não pode ser considerado um oferecimento para o Dharma. Sutras Budistas devem ser colocados acima de todos os livros da literatura secular. Você deve ter a mesma consideração pelos sutras quanto você tem pelo próprio corpo e vida. Se você rasga ou desmancha sutras, ou queima-os desdenhosamente, você será tão estúpido nas vidas futuras que não será capaz de lembrar de nada, não importa quantas vezes as pessoas tentem ensiná-lo. A mesma retribuição recairá sobre aqueles que são mesquinhos com o Dharma. Por exemplo, numa vida anterior Anirudha suportou a retribuição de extrema estupidez porque antes daquilo ele conheceu o Dharma e se recusou a falá-lo para outros. Mais tarde ele plantou muito boas raízes, de tal forma que quando ele encontrou o Buda Shakyamuni, certificou-se para o fruto do Arhatship. Se você destrói sutras, não há previsão de quando você verá um Buda novamente. No futuro será estúpido e estará sujeito a inumeráveis outras retribuições.

Oferecimentos para a Sangha variam de acordo com o país e costumes. Na Tailândia e Burma deve-se oferecer comida para a Sangha porque naqueles países os membros da Sangha vão à mendicância com suas tigelas. Cada chefe de família reserva uma tigela de comida para oferecer para o membro da Sangha quando vem mendigar. Há Quatro Tipos de Oferecimentos que podem ser feitos para a Sangha:

  1. Comida e bebida;
  2. Roupas – os membros da Sangha devem depender dos leigos para prover-lhes com oferecimentos de vestimentas;
  3. Roupas de cama; e
  4. Remédios. Remédios podem ser doados como oferecimento e guardados até que surja a necessidade destes.

Pessoas que se encontram em seus lares devem fazer esses oferecimentos. Pessoas que deixaram a vida familiar os recebem. Uma vez que os membros da Sangha recebem oferecimentos daquela maneira, eles cultivam as Três Recordações e Cinco Contemplações conforme tomam sua refeição diária.

Sutra Diamante – Capítulo 12 – Reverência ao Ensino Ortodoxo.

Original

O Desjejum

O desjejum não era um afazer ocasional para o Buda como o é para as pessoas indolentes que dormem até a hora de comer, e então levantam-se e esperam por alguém que prepare a refeição e lhes sirva. Muito embora o Buda tenha alcançado o Estado de Buda com suas penetrações espirituais e funções maravilhosas, no desjejum ele ainda vestia seu robe e pegava sua tigela de donativos. A tigela refere-se à palavra do Sânscrito patra, a qual traduz-se como “vaso de tamanho apropriado”, implicando que essa tigela comportará o suficiente para satisfazer as nercessidades de alguém. Ao Buda Shakyamuni foi dada a tigela pelos Quatro Reis Celestes que manifestaram-se em pessoa para presenteá-lo.

Ele pegava a sua tigela e entrava na grande cidade de Sravasti para mendigar por comida. Os membros da sangha mendigavam por comida no sentido de conceder aos seres viventes uma oportunidade para plantar sementes nos campos de prosperidade. Em razão de os seres viventes nada saberem sobre ir para diante dos Três Tesouros para plantar bênçãos, os membros da sangha iam até os seres viventes entrando nas cidades e mendigando de porta em porta, nem desprezando os pobres para mendigar com os ricos, e nem desprezando os ricos para mendigar com os pobres, ao contrário de Subhuti que mendigava exclusivamente com os ricos.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

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As Vestes da Sangha

A menção do desjejum mostra claramente que o Buda, como uma pessoa comum, ainda come e bebe. Quando era o momento de comer, o Honrado pelo Mundo vestia seu robe. Há três vestes usadas pelos membros sangha:

  1. O antarvasas, o robe de cinco peças, é um robe de trabalho. É feito num padrão de cinco tiras, cada uma das quais contém duas peças, uma longa e outra curta;
  2. O uttarasanga, o robe de sete peças, que é usado para cerimônias e por ocasião da audição do dharma; e
  3. O samghati, também chamado de “robe completo”, ou “grande robe”, que é composto de cerca de 108 peças em vinte e cinco tiras. Cada peça nos robes representa um campo, e assim eles são chamados de robes dos “campos de prosperidade”. Os membros da sangha vestem o samghati ao receber oferecimentos dos leigos que, dessa forma, plantam “campos de prosperidade”. Ao vestir-se o robe um verso é recitado, o qual diz:

Realmente boa é a veste da libertação!

Insuperável robe dos “campos de prosperidade”

Esse robe é usado quando se preleciona sutras e se prega o dharma de um assento superior, ao aceitar oferecimentos de comida pura do rei ou governante de um país, e quando se esmola por comida.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

Um Lugar Sagrado Pode Adoecer

“Na medida em que (o conceito de) Lugar no Mundo torna-se sinônimo de espaços significativos, isto certamente nem sempre é benéfico (Gordon, 2008)”.

Contrariamente aos profundos ensinamentos do Mahayana sobre a Sabedoria da Não-Distinção, muitas vezes um organismo cai vitima de sua própria identidade, ou ego.

Em seu artigo Towards a Theory of Network Locality, Eric Gordon tece a consideração que: “Esses espaços significativos (‘Lugares no Mundo’) podem ser usados para exercer o poder dentro de contextos geograficamente definidos. Eles estabelecem distinção entre aqui e ali, nós e eles. Aqueles que compartilham um Lugar no Mundo podem optar por abri-lo aos recém-chegados, ou podem fechá-lo para si, criando efetivamente uma hierarquia de autenticidade local. ‘Você pode viver aqui, mas não vive aqui autenticamente’. Em comunidades antigas, isto pode levar à mútua exclusão entre ‘nativos’ e ‘forasteiros’, ou veteranos e novatos. Esses espaços também podem ser produzidos no que concerne à raça, classe ou gênero. Diferenças de aparência exterior podem ser usadas para excluir recém-chegados” .

Nesse caso, pode-se evocar a sinonímia de secretar (fazer segredo) e segregar (apartar), cuja essência maléfica atacará o tecido conjuntivo daquela comunidade e, como uma doença auto-imune, destruirá a relação causal da sua própria origem, da sua razão de ser, e também poderá destruir as sementes para a iluminação daquele coletivo [ver “A Origem de um Lugar Sagrado”]. Em passagem do Sutra de Lótus, Capítulo 03 – A Parábola, o Buda admoesta Shariputra:

“Além disso, Shariputra,

para os arrogantes,

indolentes e aqueles que nutrem visões próprias,

não pregue este Sutra.

Pessoas comuns de escassa compreensão,

profundamente apegadas aos Cinco Desejos,

ouvindo-o, falharão em compreender;

não o pregue para eles, quem quer que sejam.

Se houver aqueles que não compreendem,

e que caluniam este Sutra,

em conseqüência,

eles destruirão todas as sementes para o Estado de Buda.”

E no Sutra do Nirvana, Capítulo 21 – Sobre Ações Puras 1, para o benefício de Kashyapa, o Buda diz num gatha:

“Se não se sente a ira,

mesmo contra um simples ser,

e roga-se para dar felicidade a esses seres,

isto é amor-benevolente.

Se sente-se compaixão

por todos os seres,

isto é a semente sagrada.

Interminável é a recompensa.”

Isto tudo nos leva à compreensão da sucumbência de algumas ditas “organizações” pretensamente propaladoras de um ensinamento que, na verdade, não assimilam. Eis porque certas entidades surgem com ímpeto revolucionário, e depois ruem sob o próprio peso. Esses fenômenos resultam de relações sociais doentias, e podem macular aquele “Lugar no Mundo”. Todavia, o Dharma é Eterno.

A Abdicação de Bimbisara

Devadatta estava meditando: “Siddhartha pensou me humilhar fazendo pouco da minha inteligência. Eu lhe mostrarei que ele está enganado. Minha glória sobrepujará a dele, a lamparina se tornará um sol. Mas o Rei Bimbisara é seu amigo fiel; ele o protegerá. Enquanto o rei estiver vivo, nada poderei fazer. O Príncipe Ajatasatru, por outro lado, me honra e me mantém na mais elevada estima; ele deposita confiança implícita em mim. Se ele fosse rei, eu obteria tudo que desejasse.”

Ele foi ao palácio de Ajatasatru.

“Oh, príncipe”, disse ele, “estamos vivendo numa era maligna! Aqueles que são melhor dotados para governar estão propensos a morrer sem jamais terem governado. A vida humana é algo tão breve! A longevidade do seu pai não lhe preocupa?”

Ele continuou a falar, a dar os mais maldosos conselhos ao príncipe. O príncipe era débil; escutava-lhe. Logo, ele decidiu matar o seu pai.”

Noite e dia, agora, Ajatasatru perambulava pelo palácio, à espreita por uma oportunidade para invadir os aposentos do seu pai e acabar com ele. Mas ele não poderia escapar da vigilância dos guardas. Sua inquietação intrigou-lhes, e eles disseram ao Rei Bimbisara:

“Oh Rei, seu filho Ajatasatru tem se comportado de forma estranha ultimamente. Poderia ele estar planejando uma má ação?”

“Calem-se”, respondeu o rei. “Meu filho é um homem de caráter nobre. Não lhe ocorreria cometer qualquer vileza.”

“Você deveria procurá-lo, oh Rei, e perguntar-lhe.”

“Calem-se, guardas. Não acusem meu filho levianamente.”

Os guardas continuaram a manter uma forte vigilância, e ao cabo de poucos dias, eles novamente falaram ao rei. Para convencê-los de que estavam enganados, o rei chamou Ajatasatru. O príncipe apareceu diante de seu pai. Estava tremendo.

“Meu senhor”, disse ele, “por que procurou por mim?”

“Filho”, disse Bimbisara, “meus guardas dizem que você tem se comportado de forma estranha ultimamente. Eles me dizem que você perambula através do palácio, agindo misteriosamente, e que você evita o olhar daqueles que você encontra. Filho, eles não estão mentindo?”

“Eles não estão mentindo, pai”, disse Ajatasatru.

Subitamente, o remorso tomou conta dele. Ele caiu aos pés do rei, e das profundezas da sua vergonha, ele gritou:

“Pai, eu queria matá-lo.”

Bimbisara estremeceu. Numa voz cheia de angústia, ele perguntou:

“Por que você desejaria matar-me?”

“No sentido de reinar”, respondeu Ajatasatru.

“Então reine!”, gritou o rei. “A realeza não vale a inimizade de um filho.”

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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